Lobo Urbano
11 Xi
Uma semana passou após os pais de Rebeca a terem visitado e a jovem percebeu algo curioso, Léo estava muito diferente, não era o jovem alegre que ela conhecia e isso a preocupava.
Rebeca estava em seu intervalo no trabalho sentada em um dos bancos do refeitório, ela não havia tocado na sua comida, uma pessoa sentou ao seu lado e a fez voltar para a realidade.
– Aconteceu alguma coisa Rebeca? – Disse uma jovem loira fazendo Rebeca a olhar.
– Ah Gabriela você voltou? – Perguntou Rebeca surpresa.
– Sim já estou bem melhor e amo o meu trabalho.
– Fico feliz por você e como está o bebe?
– Ele está bem cada dia cresce aqui dentro e agora só ele me importa apenas ele.
– Realmente eu fico muito feliz por você e sinto muito pelo ocorrido.
– Não sinta, mas obrigada por se preocupar e agora me diz por que está tão pra baixo o que a preocupa?
– Bem... – Rebeca não sabia se deveria ou não contar a Gabriela sobre o que a incomodava Gabriela, já estava com muitos problemas e Rebeca não queria ser mais um em sua vida ou, que se preocupasse com os seus problemas.
– É o seu amigo?
– Amigo?
– Sim aquele rapaz do outro dia.
– Ah sim o Léo sim é ele sim e ele é o meu cunhado.
– Um cunhado lindo você tem rsrsrs.
– Rs realmente ele é sim e eu estou preocupada com ele.
– Aconteceu alguma coisa? Desculpa se estou sendo curiosa demais.
– Não não está é que eu...estou preocupada ele tem estado diferente ultimamente.
– Diferente como?
– Bom ele é sempre alegre, cheio de energia, mas ultimamente ele tem ficado sem animo parece que toda a energia dele se foi. Ele diz que não tem nada e que não é nada demais, mas algo está errado com ele e me dói não poder ajudar.
– Você parece a mãe dele.
– Todos dizem isso.
– Bom ele é mais novo não é?
– Sim ele tem 16 anos.
– Irei chutar um palpite eu acho que ele está com saudades.
– Saudades?
– Sim da família dele assim como você perdeu o seu noivo ele sente a falta da família e do lugar onde nasceu.
Rebeca ficou silêncio por um momento, aquela explicação realmente fazia sentindo, ela nunca tinha se perguntado como Léo estava se sentindo após a mudança.
– Eu...não tinha pensado nisso.
– Talvez seja esse o problema, não é nada grave, mas é algo que tem que ficar atenta a saudade.
Rebeca chegou em casa e ao chegar a cozinha observou um bilhete deixado por Léo.
–Dei uma saído Re devo voltar em uma hora no máximo Léo. – Rebeca guardou o bilhete e mordeu os lábios. – Léo o que está acontecendo com você?
Léo retornou perto das 18 horas e ao entrar em casa observou Rebeca sentada no sofá, ela estava de braços cruzados e o olhava preocupado.
– Re aconteceu algo? – Perguntou Léo com a voz tímida.
– Você está muito diferente e eu estou preocupada Léo. – Respondeu ela e Léo pode ouvir a dor em sua voz.
– Eu sei mas vai passar é que...hoje é o dia...
– Dia do que Léo?
– Da Lua Cheia reinar no céu!
– Da Lua Lua Cheia no céu... então é por isso que você está... – Léo assentiu a interrompendo e Rebeca respirou aliviada.
– Desculpa é que eu ainda não tenho controle então para não te magoar ou fazer algo que te deixe triste eu resolvi me afastar e... bom eu já estou indo só vim pegar algumas coisinhas básicas.
– Para aonde você vai?
– Me afastar por hoje.
– Eu vou junto.
– Olha Re eu...
– Léo somos uma família e eu sei o que fazer Jonathan me ensinou. – Léo mordeu os seus lábios e assentiu mostrando que não estava gostando muito daquela história.
Ambos se arrumaram e antes de sair parecia que iriam sair para uma festa ou para passar a noite fora na casa de um conhecido.
Rebeca estava usando uma calça legue preta com tênis brancos e meia da mesma cor. Uma camiseta branca com a estampa de uma sereia em azul. Ela tinha prendido o cabelo em um rabo de cavalo e aguardava por Léo.
Quando desceu Léo estava usando uma bermuda jeans surrada, tênis preto sem meia e uma camiseta regata da mesma cor e junto com ele estava uma grande bolsa preta da Nike.
– Pronto para ir? – Perguntou Rebeca e Léo assentiu.
Eles pegaram um táxi indo para o lado sul da cidade local próximo à divisa da cidade e desceram perto do “Parque Vida Selvagem”. Quando o táxi se afastou Rebeca segurou firme na mão de Léo que a olhou preocupado e olhando em seus olhos Rebeca com a voz calma tornou a falar.
– Iremos até a caverna oculta próximo aos rochedos? — Léo ficou chocado ao escutar a pergunta de Rebeca e quando conseguiu relaxar assentiu e disse:
– Meu irmão te levou até lá não é mesmo?
– Sim ele me levou três vezes por isso eu disse que sei o que fazer para te ajudar, eu iria sugerir que você viesse para cá ele disse que fez especialmente para isso.
– Quando eu estava correndo eu senti o cheiro dele e então descobri o lugar até comprei corrente novas então eu não vou precisar mais usar as luvas.
– Luvas?
– No caminho eu te conto.
***
Rebeca e Léo andaram por vinte minutos passando por um pequeno trecho fechado da mata. Ao chegarem perto do rochedo Rebeca avistou uma caverna e assim ela e Léo e entraram na caverna que não era profunda. Os dois andaram alguns metros e logo Rebeca, percebeu uma enorme grade prateada semelhante a de uma prisão, no fundo correntes eram vistas na parede e no chão algumas inteiras outras quebradas. Nas paredes por trás das grades algumas rachaduras eram vistas, e não apenas nas paredes as rachaduras também era visível no chão da caverna e uma ou duas barras das grades estavam tortas.
Rebeca sabia como aquelas grades ficaram tortas, foi Jonathan que as entortou em sua forma de lobo, ele conseguiu quebrar algumas correntes que o prendiam dentro da cela ao se sentir um pouco livre o lobo correu em direção a ela mas, o lobo bateu com a cabeça na grande a fazendo tremer e a pancada o fez cair no chão desacordado Rebeca, queria muito ajudar a Jonathan mas ela sabia que só poderia ajuda-lo quando o mesmo voltasse a sua forma humana.
Foi duro para ela ver o seu amado caído estirado no chão e não poder fazer nada. Aquela noite Rebeca ficou acordada olhando ansiosa para o seu amor desejando que a manhã logo chegasse, para que Jonathan voltasse a forma humana e ela pudesse ajuda-lo.
Quando Jonathan voltou a forma humana Rebeca correu para dentro da cela e abraçou forte o seu amado que acordou reclamando de dores de cabeça.
– Rebeca está me ouvindo? – Escutar a voz de Léo a trouxe de volta a realidade e Rebeca, percebeu que estava com a mão nas barras amassadas.
– Eu perguntei se você está bem? Você parecia hipnotizada e estava segurando a barra com força como se quisesse arranca-la.
Rebeca percebeu que o que Léo dizia era verdade ela, não sabia o que dizer e estava morrendo de vergonha pelo seu ato, Léo ao perceber que a jovem cunhada não estava há vontade sorrio e se aproximou atravessando para o lado de dentro entrando na “cela improvisada”.
– Poderia me algemar? – Assentindo Rebeca se aproximou de Léo e pegou a sua bolsa.
Léo encostou na parede e Rebeca segurou em uma grande algema que estava presa a uma grossa corrente de prata ela algemou Léo que soltou um gemido alto de dor.
– Ah desculpa. -Disse ela alarmada e percebeu um pequeno ferimento na perna de Léo. Rebeca olhou com atenção a iluminação no local estava muito ruim e então percebeu que a algema também era feita de prata.
– Vamos Rebeca termine de me prender! – Rebeca assentiu e continuou a prender Léo que gemia mais e mais alto ao ter mais partes de seu corpo acorrentada.
Ela acorrentou sua outra perna, os braços, sua cintura e seu pescoço.
– Agora é melhor sair. – Disse Léo mostrando estar sentindo uma dor terrível. Rebeca assentiu e segurando sua bolsa saio da Cela e a fechou.
Após alguns minutos Léo abaixou sua cabeça e se abaixou abraçando firme suas pernas.
– Léo? – Perguntou Rebeca preocupada. — Léo? – Perguntou ela novamente e o jovem lobo não a respondeu.
Quando iria perguntar pela terceira vez Rebeca viu Léo erguendo sua cabeça e a olhava nos olhos. Léo agora estava diferente, seu olhar estava sem foco, ele olhava para a Rebeca como se não a reconhecesse mais.
Rebeca o olhava atentamente e percebeu algo diferente em Léo. Aos poucos seus olhos estavam ficando amarelos e em segundos sua pupila sumiu.
– Está começando...- Sussurrou Rebeca e abraçava forte a bolsa de Léo.
– AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!! – Léo gritou assustando Rebeca. O grito foi tão alto que ecoava pela caverna e isso fez com que Rebeca se afastasse alguns passos.
O corpo de Léo começou a inchar ficando maior do que ele já era. Ele apoiou firme as mãos no chão tentando permanecer abaixado. Em suas mãos pelos eram visíveis e no lugar de suas unhas garras eram visíveis.
– AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH GRRRRRRRRRRRRRRRRRRAAAAAWWWW!! – Léo gritou novamente e agora com a voz mais alta e feroz parecendo mais um animal do que de um humano.
O jovem gravou as presas no chão e tornou a gritar enquanto o seu corpo crescia mais e suas roupas começavam a rasgar. Como em uma explosão partes das roupas de Léo voaram pelos ares enquanto o restante era completamente rasgado, no lugar de Léo um grande lobo era visto.
O lobo tinha pelos marrons com as pontas das orelhas, parte do focinho, das patas e a ponta da calda eram brancas. Tinha olhos amarelos e suas pupilas eram negras estavam finas como as de um gato visto durante o dia.
Suas garrafas saltaram para fora de suas patas. O lobo soltou um uivo que ecoou pela caverna. Rebeca tampou os ouvidos deixando a bolsa cair no cão e se abaixou.
O lobo ao ver Rebeca em seu ângulo de visão tentou partir em vão em sua direção, mas seu corpo foi parado pelas algemas e o lobo começou a lutar para escapar delas.
Rebeca retirou as mãos dos ouvidos e ficou em pé olhando atentamente para o lobo que lutava contra as algemas.
– Exatamente como as outras vezes. – Disse Rebeca e segurando a bolsa a abraçou forte.
Rebeca não conseguiu dormir e também não conseguia mais ver aquela cena. Ela sabia que era normal, mas no fundo estava sofrendo ao ver Léo daquele jeito. Ela passou o resto da noite do lado de fora olhando para lua. Ela estava linda e reinava no céu e a lua parecia ser feita de ouro e sem perceber Rebeca caiu no sono.
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!! – O grito fez Rebeca despertar e cobrir o seu rosto ao sentir os raios do sol e perceber que o sol estava nascendo.
– Léo! – Rebeca se levantou e correu aos tropeços para dentro da caverna. Ao chegar o seu coração quase parou, Rebeca avistou Léo em sua forma humana caído desacordado no chão exatamente como havia visto Jonathan na última vez que se transformou na lua cheia.
Próximo a cela Rebeca avistou um molho de chaves preso em uma enorme argola, ela a pegou a chave e ao abrir a cela se aproximou de Léo.
Ele estava nu, mas Rebeca não se importou com isso e sim em ajuda-lo. Ela se ajoelhou ao seu lado e pegando uma das chaves abriu a algema que estava em seu pescoço.
Ao retira-las ela avistou uma grande mancha vermelha em sua pele e mordeu os lábios. Rebeca abriu as algemas que estavam nos braços de Léo e percebeu que uma única chave era capaz de abrir todas as algemas.
Uma por uma ela foi abrindo observando a mesma marca avermelhada sobre a pele de Léo, e ao liberta-lo ela o abraçou forte e Léo soltou um gemido baixo.
– Desculpa eu te machuquei? – Perguntou Rebeca quase chorando.
– Não tá tudo bem... – Respondeu Léo com a voz sonolenta.
– Já acabou Léo já acabou!
– Já?
– Já sim.
– Então posso dormir e faltar na escola hoje?
– Claro descanse Léo descanse hoje eu estou de folga no hospital não se preocupe.
– Ótimo...Boa noite...Re...
– Boa noite Léo. – Rebeca o beijou na cabeça e ficou abraçada com ele por toda a manhã enquanto Léo dormia profundamente em seus braços.
Fale com o autor