Léo ficou a manhã toda nos braços de Rebeca, a jovem não saiu do lado do jovem lobo, ela o abraçava envolvendo parte de seu corpo de maneira protetora, era como se Rebeca estivesse tentando proteger Léo de alguma ameaça que estava preste a vir.

Quase no início da tarde Léo começou a acordar, abrindo os olhos lentamente o jovem avistou Rebeca olhando atentamente para fora da caverna.

– Que horas são? – Perguntou Léo atraindo a atenção de Rebeca que começou a sorrir.

– Boa tarde Léo são exatamente. – Ela olhou em seu relógio e ao ver as horas voltou a falar. – 12:30 e pelo sol deve estar um lindo dia lá fora.

Léo olhou para a entrada da caverna e avistou o sol forte que brilhava, realmente Rebeca estava certa, deveria estar um lindo dia.

Devagar Léo começou a se levantar e Rebeca o ajudou, ela entregou a Léo a sua bolsa e caminhou até a entrada da caverna, o lobo rapidamente se vestiu e fechando o portão agora estava ao lado da jovem Rebeca.

– Podemos ir agora? – Perguntou ele e Rebeca voltou a olha-lo. Léo estava usando uma camiseta vermelha sem estampa e bermuda preta jeans com outro tênis também da mesma cor, as marcas que antes estavam em seu corpo por causa das algemas, haviam sumido como se sua pele nunca tivesse sido marcada.

– Claro Léo vamos. – Disse Rebeca e os dois partiram para casa.

***

O restante do dia Rebeca e Léo passaram em seus quartos, a jovem que não havia dormido desmaiou ao chegar em seu quarto, já Léo embora aparentasse estar fisicamente bem ainda estava um pouco sensível. Quando um lobo volta a forma humana após se transformar na lua cheia o lobo meio que enfraquece, Léo sentia cada parte de seu corpo doer braços, pernas, a cabeça, suas juntas, os dentes, olhos tudo em seu corpo doía. A lua cheia era o único momento da vida de um lobo que Léo odiava. Ter que passar por isso todo o mês era desgastante para o jovem e a cada lua cheia ele desejava logo conseguir se controlar, para nunca mais ter que sentir essas dores terríveis.

O dia passou rápido as 05:30 o despertador de Rebeca tocou e a jovem o desligou, ela se sentia revigorada e ficou surpresa ao saber que horas eram.

– Nossa eu dormi o dia todo e a noite também. – Sussurrou Rebeca e a jovem se levantou.

Escovou os dentes, tomou banho, arrumou o cabelo, se vestiu usando uma saia preta com sapatos da mesma cor e uma camisa rosa. Rebeca resolveu deixar os cabelos soltos. Seus cabelos loiros desciam como cascata parando em suas costas.

Ao sair do quarto Rebeca caminhou até o quarto de Léo, e abrindo um pouco a porta olhou para dentro do quarto e avistou o jovem lobo dormindo tranquilamente com os protetores de ouvido.

– Durma bem Léo e até mais tarde. – Sussurrou ela e fechou a porta. Léo virou-se na cama e um sorriso era visível em seu rosto.

Léo não dormiu por muito tempo ele acordou as 07:00 horas e como era sábado poderia correr pela cidade conhecendo mais o local. O lobo escovou os dentes e tomou banho, vestiu apenas uma calça da Nike preta e desceu descalço até a cozinha e ao chegar Léo viu algo que o chamou a atenção.

***

Rebeca antes de sair de casa foi surpreendia com uma visita inesperada, suas amigas Laryssa, Elisangela e Mirela apareceram em sua porta.

Laryssa estava com um short jeans curto, coturnos pretos e uma camiseta do Iron Maiden. Elisangela estava usando calça jeans preta com sapatos da mesma cor e uma camisa branca meia aberta mostrando o seu top preto.

E Mirela estava usando um macacão jeans com camisa branca e tênis da mesma cor. Um pequeno volume em sua barriga podia ser visto em conta da gravides.

– Nos deixou preocupada esses últimos dias mocinha. – Disse Laryssa tentando parecer séria.

– Desculpa meninas é o Léo ele não estava passando bem. – Ao citar o nome do cunhando Rebeca percebeu a preocupação no rosto de suas amigas.

– O que ele tem? – Perguntou Mirela preocupada.

– Ele está bem Mih só não estava se sentindo bem, eu o levei ao hospital o médico disse que é só uma pequena virose nada demais, e como saímos às pressas eu esqueci o celular e ficamos o dia todo no hospital e quando chegamos eu simplesmente capotei só acordei por que o despertador tocou senão eu estaria dormindo ainda.

– Mas ele está bem não está? – Perguntou novamente Mirela e Rebeca assentiu concordando.

– Sim ele está Mih eu deixei ele dormindo o médico disse que agora tem que repousar para se curar, então deixei ele dormindo se quiserem e eu sei que vão querer podem ver ele mais tarde.

Um sorriso era visível no rosto das amigas de Rebeca e a jovem revirou os olhos e não resistindo começou a rir também. Rebeca convidou suas amigas para entrar e todas tomaram café juntas. Mirela informou da gravides, que estava tudo bem com ela e com o bebe, mas ainda não sabia qual era o sexo. Todas ficaram imagino se seria menino ou menina e até inventaram alguns nomes para o bebe.

As meninas acompanharam Rebeca até o trabalho, após isso cada uma seguiu o seu caminho.

Léo ao chegar na cozinha percebeu que a carteira de Rebeca estava sobre a mesa. Ao se aproximar o jovem lobo percebeu mais três cheiros ao redor, dois um pouco forte e um misturado. Léo logo percebeu que as amigas de Rebeca a tinham visitado e agora ele entendia o motivo pelo qual ela havia esquecido a carteira. Ele a pegou e colocou no bolso. Caminhou até a geladeira e pegou uma caixa de suco de pêssego e caminhou até o quarto, enquanto bebia a bebida gelada. Léo vestiu um tênis preto e apenas vestiu a blusa do agasalho sem colocar a camiseta. Pegou sua carteira e saiu de casa se dirigindo até o hospital.

No hospital Rebeca trabalhou normalmente, esse sábado o movimento no hospital estava devagar e ela ficou grande parte do dia conversando com os seus amigos doutores. Um rapaz passou por seu lado e algo nele chamou a atenção de Rebeca.

Ele estava usando calça jeans surrada com botinas pretas e camiseta branca com avental cinza. Sua pele era branca com o cabelo quase raspados. Tinha a barba rala e seus olhos eram verdes. O rapaz aparentava ter em torno de vinte a vinte e cinco anos e mais ou menos, um metro e setenta a oitenta, ele olhou curioso para Rebeca que não resistiu e retribuiu o olhar. Todos a olharam com um sorriso no rosto a trazendo de volta a realidade, e Rebeca ficando sem jeito tentou explicar a situação, mas seus esforços foram em vão.

O rapaz virou à direita e Rebeca sabia que ele estava indo para a ala de banho e tosa. Ela não deduziu isso apenas pelo fato do rapaz ter virado à direita, mas também pelo avental. Somente a equipe de banho e tosa usavam aquele avental em todo o hospital.

Seus amigos continuaram a rir, mas logo pararam ao perceber que uma pessoa se aproximava, era Gabriela a jovem doutora estava se aproximando com um rapaz e ele chamou a atenção de todos. Os dois riam enquanto se aproximavam fazendo parecer que eram um casal de namorados, isso deixou Rebeca com um pouco de ciúmes e ao se aproximarem Gabriela começou a falar com uma voz alegre o que fez o ciúme de Rebeca apenas aumentar.

– Aqui está ela Léo, Rebeca o Léo estava te procurando.

– Léo você está bem? O que faz aqui? – Perguntou Rebeca preocupada e ao mesmo tempo curiosa.

– Vim te trazer uma coisa que você esqueceu. – Disse ele com calma e levando a mão no bolso retirou a sua carteira e a entregou.

– Minha nossa eu nem reparei que tinha esquecido. – Disse Rebeca surpresa ao ver sua carteira com Léo.

– Você a deixou na mesa de casa então vim trazer.

– Ah obrigada Léo eu saí com as meninas e a Laryssa pagou todo nem reparei mesmo, muita obrigada meu amor e você como está se sentindo de verdade? – Rebeca tocou o rosto de Léo e o olhou preocupado.

– Estou bem melhor não 100% mas posso dizer que estou uns 90.

– Fico mais aliviada e o senhor tem que descansar mocinho.

– Eu vou fazer isso só vim mesmo te entregar a carteira.

– Ela não é muito fofa gente? – Comentou Gabriela chamando a atenção de Léo e Rebeca. – Não parecem mesmo mãe e filho?

Rebeca ficou com o rosto completamente corado ao escutar o comentário de Gabriela. Ela ficou mais vermelha do que já estava ao ver que seus amigos concordavam com ela.

Léo os olhou sem jeito, mas não resistiu e começou a sorrir. Rebeca apresentou Léo a todos os seus amigos explicou que grande parte deles eram da faculdade. Léo esperou Rebeca sair do estágio ficando no hospital por mais 3 horas.

Como o dia realmente estava sem movimento ele ficou junto com os demais rindo, e contando sobre sua vida. Explicou que era cunhado de Rebeca, muitos lhe prestaram condolências pela perda de sua família e quando perceberam as três horas se passaram em um piscar de olhos.

Quando estavam saindo do hospital Rebeca avistou novamente o jovem que tinha visto antes da chegada de Léo. Ele estava saindo de um dos carros do hospital. O hospital possui uma ala de banho tosa, e além disso possui um “Táxi Dog.” O dono deixa o animal para ser tosado e o hospital leva ao animal após a tosa.

O rapaz estava saindo de um dos carros e avistou Rebeca, mas o seu olhar não estava voltado para ela percebeu Rebeca, mas sim para Léo que o olhava atentamente.

O rapaz mordeu os lábios e Rebeca percebeu que Léo fazia o mesmo, e não apenas isso seu corpo tremia um pouco e Rebeca conhecia aquela reação Léo estava lutando contra o seu lobo para não se transformar em público.

– Léo o que houve? – Perguntou Rebeca tentando parecer calma, mas o medo podia ser ouvido. – Léo? – Perguntou Rebeca pela segunda vez.

Respirando fundo o rapaz caminhou até a entrada no hospital sem retirar os olhos de Léo e quando entrou de vez o jovem lobo respirou fundo relaxando. O olhar de Rebeca revelou que a jovem queria uma explicação do porquê daquela atitude.

– Aquele rapaz Rebeca... – Começou Léo a falar mas logo se interrompeu.

– O que tem ele? – Perguntou Rebeca.

– Ele também é um lobisomem!