Lições de Vida

7 7. E Quando As Dificuldades Aparecem?


Os dias que antecederam a saída de Joshua do hospital sempre foram à mesma coisa: Spencer, Jon e eu íamos lá e nos divertíamos com ele. Sua melhora era do ponto de vista medico surpreendente. E era para ser mesmo. Depois de ter ficado em coma, por quase cinco meses ele resolveu dar uma segunda chance a si mesmo. Como uma fênix, ele renasceu das cinzas.


O medico já tinha me avisado que ele ficaria um tempo andando em cadeira de rodas ate melhorar totalmente. Spencer e Jon ficaram felizes quando ele contou que voltaria a andar, mas teria que fazer fisioterapia para isso. Fomos buscar Joshua no hospital que estava ansioso para sair daquele lugar. Entrei no quarto e arrumei suas malas e Spencer o colocou na cadeira de rodas.


– Não se esqueça de trazê-lo para fazer as seções de fisioterapia. – Disse Doutor Chase.


– Não vou me esquecer e muito obrigado por tudo.


– E Joshua, todo cuidado é pouco a partir de agora.


– Tudo bem, eu vou me cuidar.


– Pode deixar Doutor que a gente cuida dele.


Fui empurrando a cadeira ate a saída do hospital. Havia alguns fãs que estavam com alguns cartazes que apoiavam a melhora de Joshua. Olhei para ele e continuei com os passos.


– Você tem que agradecê-los por isso, não?


– Não se preocupe que eu vou postar alguma coisa no meu twitter.


Entramos no meu carro e fomos para casa. O porteiro nos cumprimentou e fomos ate o elevador. Spencer e Jon me ajudaram ate ali, com o resto eu me virei. O elevador parou no nosso andar e empurrei a cadeira e as malas. Abri a porta e empurrei para que ele pudesse entrar.


– Seja bem vindo de volta.


– Não seja por nada.


Ele entrou olhando cada pequeno detalhe entrei com as malas e fechei a porta. Fiquei o olhando por apenas alguns minutos ate que ele virou a cadeira contra mim para me olhar.


– Eu tinha me esquecido de tudo isso, mas já me lembrei de tudo.


– Joshua, não se preocupe. Você quer alguma coisa?


– Não. Vou ficar por aqui mesmo.


– Tudo bem então. Vou tomar um banho, qualquer coisa que precisar me chame.


Fui para nosso quarto e peguei minhas roupas. Entrei no banho para tirar aquele cheiro de remédio do hospital que estava no meu corpo. Desliguei o chuveiro e me vesti. Fui ate a sala e do mesmo jeito que o tinha deixado ele permaneceu.


– Joshua, quer tomar banho?


– Eu estou precisando, não?


– De fato, esta. Vem que eu te ajudo.


– Alec assim eu fico com vergonha. – Fez cara de constrangido.


– Joshua só você mesmo. Vou pegar uma roupa para você e já venho para te dar um banho.


Ajudei-o a se despir e vi um Joshua Urie nu no qual eu não via muito tempo. Seu corpo ainda era o mesmo. Entrei com ele debaixo do chuveiro para dar um pouco de sustentabilidade e força em suas pernas. O resto ele mesmo fez, apenas o segurei. Ser dependente de mim era uma coisa que ele não gosta muito, mas sabia que precisava da minha ajuda para certas coisas.


– Alec posso te fazer uma pergunta?


– Qual é Joshua? – Olhei em seus olhos.


– Porque você não arrumou outro alguém? – Perguntou olhando profundamente nos meus olhos, querendo saber a verdade.


– Porque eu queria você. É você que eu amo.


– Porque pergunta?


– Por nada Alec. A resposta me deixou muito satisfeito.


Ajudei-o a se secar e o sentei na cadeira de rodas e o vesti com todas as roupas. Aquela pergunta tinha me pego de surpresa, afinal, porque mesmo que eu não tinha arrumado outro alguém mesmo? A resposta que dei era verdadeira. Sequei seus cabelos e me ajoelhei na frente dele.


– Josh, não precisa se preocupar. Se o que você esta querendo saber é se eu te trai, a resposta é não. Sempre pensei em você, tudo porque eu te amo. Spencer e Jon são a prova disso.


– Alec, tudo bem. Sei que você não me trairia em hipótese alguma. Pelas suas palavras eu percebi que foi sincero.


– Quer comer alguma coisa? Vou preparar um macarrão pra gente.


– Você aprendeu a cozinhar?


– Jon e Spencer me ensinaram.


– Agora esta explicado. Alec me empresta seu laptop?


– Claro, vou pegar pra você.


Ele ficou me esperando na mesa da cozinha enquanto eu pegava o laptop. Coloquei na mesa e liguei o mesmo na tomada. Deixei que ele terminasse de ligar o resto por si só. Vi que acessou o twitter, para ver seus recados.


– Alec, pode me dar uma opinião?


– Claro amor, o que você quer?


– Nossa quanto tempo eu não ouvia isso de você amor. Vê se ficou bom o agradecimento para eu poder postar no twitter.


Li o pequeno texto: @Joshuauriesays Agradeço a todos que torceram por mim, estou bem e logo estaremos na ativa novamente. Veremos-nos muito em breve.

Esta ótima Joshua, pode postar.


Ele postou e continuou a ler tantos outros que havia e se divertia com alguns dando aquela risada típica dele. Mostrou-me alguns recados que eram merecedores de um bom riso.


– Joshua, posta alguma coisa no site também. Se quiser eu te ajudo.


– Aceito sua ajuda sim.


Sentei em uma cadeira ao lado da sua, e o ajudei a escrever alguma coisa. Logo um pequeno texto se concretizou em meio aos agradecimentos.


“Voltamos para casa e isso é bom. Por enquanto terei ajuda ao me locomover, mas isso é passageiro e logo estaremos com novidades para vocês. Agradecemos a todos que nos apoiaram em todos os momentos e na recuperação do Joshua. Retornaremos com a gravação do novo álbum em breve e a turnê assim que possível. Estamos todos bem e obrigado pelo apoio que nos deram. Isso é muito importante para nos.

Joshua, Alec, Spencer e Jon. – Panic! Salamander.”


– É Joshua, parece que ficou bom. Pode postar, vou voltar para a nossa janta.


Um pouco depois nos servi e ele se deliciou com a comida que eu havia feito. Nem conversamos muito durante o jantar, o primeiro que estava tendo ao seu lado depois do acidente. Ele tinha em seu olhar uma expressão de cansaço. Colocou os talheres no prato e ficou debruçado na mesa me encarando.


– O que você quer?


– Nada. Só estou um pouco cansado.


– Quer que eu te leve para a cama?


– Pode terminar de jantar primeiro.


Levei os pratos ate a pia e lavei a pouca louça que havia. Seria sábado na manha seguinte e queria aproveitar para descansar. Empurrei-o ate o quarto e encostei a cadeira no seu lado da cama e o ajudei, carregando-o em meu colo, da cadeira ate a cama. O cobri e me deitei também, olhávamos para o teto e um silencio tomava conta do quarto.


– Alec você chegou a fazer...


– Não. Durante todo esse tempo sequer pensei nisso. E nem ouse dizer que você quer fazer isso, você acabou de sair do hospital.


– Alec, eu estou sentindo falta de sexo.


– Joshua... — Fiquei de lado na cama para poder olhá-lo. – Eu também sinto, mas lembre-se que você acabou de sair de um hospital. Teremos tempo para isso, não se preocupe. Ele sorriu ao saber que algum momento teríamos nossa relação amorosa de volta e que eu não tinha feito o mesmo durante o tempo em que ele esteve no hospital, não tinha cabeça para pensar nisso, quando o meu grande amor estava em uma cama e eu não podia fazer nada a não ser dar todo o meu carinho e torcer por sua recuperação. O beijei e ele correspondeu.


– Também senti falta disso.


– Eu sei.


Virou de lado e dormiu. Peguei meu livro e continuei a rele-lo com o abajur acesso, percebi que já eram duas horas da manha quando, coloquei o livro e meus óculos na cabeceira da cama e apaguei.


Senti algo me cutucando, era Joshua que esta me acordando para avisar que meu celular estava tocando. Desliguei no mesmo momento não querendo saber de ligações que pudessem me incomodar. Um pouco depois ouvi um pequeno estrondo e olhei para Joshua que não estava na cama e sim no chão.


– Joshua!


– Alec eu queria levantar, me desculpe.


– Você poderia ter me chamado que eu não iria me importar.


O peguei no colo e o coloquei na cadeira. Fui ate a cozinha e fiz alguma coisa para a gente. Já era meio dia e comemos alguma coisa.


– Alec, vamos para o estúdio. – Disse enquanto almoçávamos.


– Vou ligar para o Spencer e Jon então.


– Tudo bem.


Liguei para os outros dois e os avisei sobre o ensaio. Enquanto eles não chegavam, Joshua e eu ficamos no estúdio e sozinho tocando alguma coisa, depois de tanto tempo sem tocar em um instrumento ele sabia exatamente o que fazer. Tocou um pouco de violão e guitarra, e depois passou para o seu teclado. Spencer e Jon chegaram e sai do estúdio para que pudesse abrir a porta para eles entrarem.


– Alec, não se esqueça que amanha ele tem fisioterapia.


– Eu sei Spencer, não precisa ficar me lembrando.


– E cadê ele Alec?


– Esta lá no estúdio Jon.


– Vamos então?


– Vamos.


Entramos no estúdio e ficamos ensaiando por longas horas, ate que o cansaço nos tomou conta e já era bem tarde da noite. Smith e Walker foram embora e ficamos sozinhos vendo os programas que passavam durante a madrugada.


– Ate que você tocou bem. – Comentei durante o comercial.


– Serio?


– Achei que depois de tanto tempo, e sem pratica, você ia acabar esquecendo alguma coisa, mas foi exatamente o contrario.


– Alec, me leva para a cama, estou com sono. – Esfregou o olho que nem criança. – Empurrei a cadeira ate o quarto e tive o cuidado de colocá-lo na cama. Deitei ao seu lado e dormi um pouco depois dele.


As visitas ao medico para ver o seu quadro clinico e como as seções de fisioterapia só estavam começando. Acordei cedo e lhe dei um banho e depois foi a minha vez. Saímos no meu carro e fomos ate o hospital. O guiei ate a sala de fisioterapia e o deixei lá aos cuidados do medico para a primeira seção de muitas. Em uma delas vi os exercícios que ele tinha que fazer com a ajuda do médico, alguns movimentos lhe arrancavam um expressão de dor em seu rosto.


Os mesmos exercícios que ele praticava no hospital o ajudei a praticar em casa, por recomendação médica. Tudo virou uma rotina, a pratica dos exercícios, os ensaios, exatamente tudo. Durante meses foi assim e ele ainda permanecia na cadeira de rodas, mas não via a hora em que começaria andar com as próprias pernas novamente. Passamos a ir uma vez por semana ao invés de duas no hospital, para as seções de fisioterapia, em uma delas o Doutor Chase me chamou para um conversa.


– Alec, vou ser bem direto no assunto, okay? – Acenei que sim com a cabeça. – Pois bem, o quadro de melhora dele é inexplicável. Vou mudar os exercícios e vou tentar algo diferente hoje. Pelo que já vi, ele adquiriu os movimentos da perna perfeitamente bem. Hoje vou fazê-lo andá-lo sozinho, mas com alguém por perto caso ele tenha um pequeno desequilíbrio.


Fui com o medico ate uma sala com o Joshua e o medico segurou em suas mãos para que ele pudesse se levantar sozinho. Fiquei encostado na parede, com os olhos marejados e com a mão a boca quando ele começou a dar os primeiros passos segurando. Vi a felicidade estampada em seu rosto, ele olhou para mim e torci por ele para que tudo aquilo estivesse sendo realizado.


– Alec, pratique o mesmo com ele em casa. – Informou o Doutor Chase que teve que sair as pressas por causa de um caso urgente.


– Alec, você viu. Eu consegui dar alguns passos.


– Eu vi Josh e fico feliz por você.


Tanto no hospital como em casa, fizemos os exercícios recomendados. Aos poucos ele deixou de andar de cadeira de rodas a passou a andar com muletas, destas, ele passou a andar com as próprias pernas. Alguns dias depois dele ter voltado a andar normalmente, pensamos em convocar uma coletiva de imprensa, mas achamos melhor não, porque sabíamos no que elas resultavam.


A primeira vez que Spencer, eu e Jon vimos ele andando sozinho e sem as muletas, foi quando chegamos do centro e íamos para o estúdio as três horas da tarde. Ficamos tão impressionados e felizes que o ensaio acabou não acontecendo e no seu lugar resultou uma comemoração ao trunfo conquistado. Antes disso tombos e mais tombos por tentativas fracassadas, depois de mais dois meses de esforços, eis que a luta foi vencida.


Em uma noite da sábado teríamos que ir a uma festa da Fueled By Ramen para comemorar o lançamento do álbum dos caras do This Providence. O meu receio era único: ele ter uma recaída novamente.


– Joshua, promete que não vai beber?


– Prometo Alec, eu aprendi a lição. Cadê o Spencer e o Jon?


– Eles vão no carro do Spencer e nos encontraremos lá.


– Só vou pegar meu celular Alec e já vamos. – Ele vestia uma calça skin e uma camisa social com o seu famoso paletó bege. Eu fui com paletó vinho e uma calça social. Voltou segundos depois do nosso quarto e fomos.


Mal chegamos ao local e vimos um amontoado de fotógrafos na porta do evento. Olhei para ele que olhou para mim.


– Nossa eu chego a ter medo desses caras.


– E eu não Joshua? Você sabe que é a primeira vez que você vai falar depois daquele assunto.


– Sei Alec.


Antes de sairmos do carro, o beijei. Nada podia ser visto por causa do insulfilm, saímos um pouco depois e vimos Jon e Spencer nos acenando do outro lado da rua que dava para a entrada do evento. Joshua e eu fomos ate o encontro dos dois e entramos. No tapete fizemos a famosa parada para as fotos e alguns repórteres fizeram algumas perguntas.


– Joshua, como você esta se sentindo depois de tudo o que aconteceu?


– Perfeitamente bem. Na verdade não poderia ter sido melhor, porque tenho amigos que sequer desistiram de mim e isso me ajudou muito. – Enquanto dizia isso olhava para nos três.


– E quando vocês estarão lançando o próximo álbum?


– Por enquanto estamos no nosso estúdio fazendo algumas gravações, mas acredito ser muito em breve.


– Como os fãs reagiram com a noticia do acidente do Joshua, Alec?


– A reação de um ser humano comum quando uma pessoa querida sofre algum acidente: tristeza.


– E o que você sentiu quando ele estava no seu pior momento durante a internação?


– Achei que tinha perdido o meu chão.


– Alguém mais tem alguma pergunta. – Perguntou Jon. – Não?! – Então vamos entrar. Segurei a mão de Joshua, entrelaçando nossos dedos e entramos. Alguns olhares curiosos começaram e a se voltar para nos, ou melhor, para Joshua. Alguns dos nossos colegas de gravadoras sequer acreditaram que ele ia sair do hospital e isso me irritou quando fique sabendo pelo Spencer que tinha ouvido um boato na gravadora quando ele e Jon tinham vindo resolver um pequeno problema.


Sentamos na nossa mesa, porque tínhamos uma mesa só nossa agora. Alguns vieram cumprimentar Joshua. Olhei para Spencer e falei sem emitir som discretamente: “Quanta falsidade.” Ele abafou um pequeno riso e concordou com a idéia. Muitos olhavam para Joshua espantados esperando para ele cometer o mesmo erro uma segunda vez, o que foi acabou sendo em vão para eles, porque não acabou acontecendo.


Jon e Spencer tinham saído antes de nos para irem para uma balada, eu e Joshua ficamos um pouco mais e quando começamos a ficar cansados fomos embora. Chegamos ao apartamento e entramos, ele sentou-se no sofá para ver o que estava passando de bom na televisão. Sentei ao seu lado e ele me abraçou, beijando meus cabelos. Dei uma pequena mordida em seu pescoço que o fez ficar arrepiado.


– Alec você sabe que isso é provocador?


– Sei, por isso eu fiz.


– Você esta pensando no que eu estou pensando?


– Depende do que eu estiver pensando.


– Não me faça esperar mais uma noite Alec.


– E quem disse que eu quero isso? – E o beijei, fazendo ficar uma pergunta no ar que mais parecia uma resposta.


Ele envolveu meu corpo em seus braços e sentei no seu colo de frente para ele. Cada toque tinha mais desejo, um gosto de querer mais e nunca acabar. Arranhava minhas costas e eu gemia com isso, mordi seu lábio de leve e ele sugou o meu. Coloquei meus braços envoltos de seu pescoço e esse me ergueu, levando-me ate o quarto sem se desfazer dos pequenos gestos de carinhos. Deitou-me na cama e logo começou a dar pequenas mordidas em meu pescoço, aos poucos foi descendo e de mordidas passou para beijos. Desabotoou cada botão da minha camisa e mordiscou meus mamilos, minhas mãos desciam pela suas costas nua que o arranhava de leve. Desfez de sua roupa ficando apenas com sua cueca boxer vermelha. Deslizou sua língua pela minha barriga ate chegar a um ponto de parada. Cada toque, cada pequeno gesto, me fazia ficar cada vez mais excitado do que eu já estava. Ele levou seu rosto de encontro ao meu para um beijo ardente. “Joshua, eu não estou agüentando mais.” Sussurrei ao seu ouvido. “Nem eu.” Confessou enquanto mordiscava meus lábios. Vendo o quão excitado eu estava, viu que já era hora de passar para o plano B. Retirou minha roupa e começou a tocar no meu membro com sua língua que só me fez gemer fora do comum. Ia a descia, de um jeito que fazia parecer que aquilo tudo fosse um sonho mais não era. Pelo volume de sua cueca, ele também esta mais do que excitado, estava prestes a ter seu momento de êxtase assim como eu. O vi completamente nu, quando ele ajeitou meu corpo no seu para que pudesse saciar o seu desejo e matar o seu prazer. Senti aos poucos seu membro penetrando no meu interior, ele por sua vez achou um ritmo que pudesse satisfazer aos dois ate termos nosso momento final. Quando o fim chegou, ele ainda continuou penetrado em mim, e deitou seu corpo cansado sobre o meu peito e ouvia meu coração bater, pelo esforço e vontade que estávamos de fazer aquilo faz tempo. Acariciei seus cabelos suados pela arte anterior, antes de beijar. Apenas vi um sorriso em seu rosto de tamanho prazer e satisfação que tinha nos dado. “Você se saiu perfeitamente bem.” Sussurrei ao seu ouvido enquanto ele acariciava meu corpo nu e eu o seu.