Lições de Vida

8 8. Nossos Olhos Vêem Aquilo Que Tem Que Ver



Acordei com ele deitado em meu peito e o sol ultrapassando os limites da nossa janela, tocando nossos corpos cansados e satisfeitos. Encostei meus lábios nos seus, acordando-o com um beijo. De bruços, ele olhou para mim e me acariciou mais um pouco antes de levantarmos. Apesar de ser domingo e a vontade de ficar na cama ser maior do que a de levantar tinha coisas a serem feitas, uma delas é ensaio já que tínhamos combinado com Jon e Spencer para aparecerem somente depois do meio dia.


Levantei e fui direto tomar uma ducha para tirar aquele cheiro de suor e sexo que estava impregnado em meu corpo. Voltei para o quarto que ainda tinha o mesmo cheiro, enrolado em uma toalha para pegar minhas roupas no closet. Joshua se virou e começou a me encarar quando eu me trocava, aquela cabeça estava pensando em coisas.


– O que vamos fazer hoje Alec?


– Ainda não sei, mas agora você vai me ajudar na cozinha. Vá logo tomar um banho antes que o Jon e o Spencer cheguem.


– Foi bom pra você?


– Joshua, eu já te disse que foi maravilhoso e que me satisfez muito. Agora vai para o banho.


– Tudo bem, eu já vou. Quer que abra um pouco a janela?


– Claro, o cheiro do nosso sexo precisa sair.


– Eu não quero que saia, foi muito bom.


– Joshua, nos vamos transar mais vezes não se preocupe.


Sai do quarto e fui para a cozinha para que ele pudesse ir tomar um de seus banhos longos e demorados. Comecei a arrumar a pequena bagunça que tinha na pia, o silencio foi interrompido quando lá do banheiro pode se ouvir ele cantando. Não houve mais barulho o que me começou a deixar assustado, ate que ele me abraçou por trás fungando em meu pescoço e me beijando. Desgrudou de mim depois dos carinhos que ele tinha me feito e começou a me ajudar na cozinha.


Sentamos na sala depois que almoçamos e ficamos tocando um pouco de violão. Minha música estava quase pronta e logo a terminaria, mas agora a única coisa em que conseguíamos pensar era em gravar e lançar o próximo álbum. Fiquei rascunhando alguma coisa enquanto ele tocava e cantava e algumas vezes eu fazia um backing vocal e outro.


A campainha tocou um pouco depois da uma hora da tarde, olhei pelo olho mágico e vi que era Smith e Walker. Eles entraram e ficaram ouvindo Joshua terminar de tocar Blackbird dos Beatles. Jon pegou o outro violão que havia ali na sala e começou a fazer os baixos, Spencer com um pandeiro meia lua começou a tocar também e eu acabei pegando meu outro violão que estava no estúdio e comecei a fazer os solos enquanto que ele fazia a base.


Quando a brincadeira acabou, saímos da sala indo para o estúdio passando a fazer coisa seria. O álbum estava mais do que atrasado, mas sabíamos que não era culpa do Joshua e por tudo que aconteceu a ele, e sim do destino. O jeito era correr contra o tempo e recuperar o tempo perdido, mesmo que fosse necessário tocar por horas seguidas parando somente para alguns intervalos e nada mais.


Não era preciso parar, basta apenas saber quando estava na hora certa para isso. Sentei-me no sofá com um ar de cansaço com o tempo em que ficamos ali, Joshua estava na cozinha procurando alguma coisa na geladeira para tomarmos. Veio ate mim me entregando uma garrafa de Smirnoff e sentou na poltrona.


Seus olhos inquietos e sua hiperatividade fora do comum estavam querendo me dizer alguma coisa. Algo me dizia que ele queria falar, mas não sabia como. Era inevitável não ficar frustrado com o excesso de coisas que ele fazia só para chamar a atenção. Quando ele se quietou na poltrona fiquei encarando esperando por alguma explicação, algo que fizesse sentido.


– Joshua, o que foi? Esta sentido alguma coisa?


– Não. Nada disso.


– Então o que é? – O olhei um pouco apreensivo e preocupado.


– Alec, só esperei o Jon e o Spencer irem embora para te contar isso. Na festa da Fueled By Ramen na semana passada, ouvi uns comentários enquanto estava no toalete de que o Jon possivelmente estivesse tendo um caso com o Spencer. Fiquei me perguntando um bom tempo se isso é possível, mas achei melhor esquecer. Você acha que eles... Sei lá, podem estar escondendo alguma coisa da gente?


– Esses dias eu me fiz a mesma pergunta Josh. – Ajeite-me no sofá para poder olhá-lo melhor. – Nos últimos meses os dois têm estado mais próximo do que o convencional. Não é a mesma coisa que eu e você, que nos amamos, mas com os dois é estranho e pode acontecer. Cheguei ate intimidar o Spencer com algumas perguntas, mas é claro que ele negou. Aqueles dois não me enganam. E sem contar que aquela historia de braço quebrado não engoli ainda.


– É mesmo, por esse lado, da pra perceber como tudo faz sentido e que no começo foi engraçado porque nem suspeitávamos de nada.


– Joshua, não comenta nada disso com eles, principalmente com Spencer. Do jeito que ele é, é bem capaz dele ter um surto quando souber e achar que fui que te contei isso. Uma hora a gente pega aqueles dois de jeito quando eles menos esperarem.


Ele se levantou e sentou-se do meu lado. Aquilo significava uma coisa. Carinho. Aos poucos ele deitou, apoiando sua cabeça em minhas pernas me deixando vulnerável em relação aos meus sentimentos. Entreguei-me aos carinhos e caricias que ele pedia e aos poucos isso ficou na troca de segredos e olhares silenciosos. Passei a fitar seu olhar e seus lábios e ele o mesmo fez comigo, endireitou-se um pouco no sofá e aproximou-se de mim, dos meus lábios. Sua mão fazia com que eu me sentisse seguro. Fechei meus olhos e deixei que ele aproximasse seus lábios dos meus.


Desconectamos nossos lábios e provei do seu gosto. Não tinha mais nada errado e cada pequena coisa estava no lugar certo. O céu não era o limite, nossos atos e conseqüências não tinham o limite, e tínhamos plena consciência do que estávamos fazendo. Todos sabiam sobre a gente e não nos importávamos com o que os outros pensariam ou deixariam de pensar.


Demos uma folga a nos mesmo, retornando nosso trabalho na terça-feira quando Smith e Walker chegaram de manha bem cedo e foi onde eu acordei com o barulho do meu celular tocando porque a campainha não resolveu muita coisa. Olhei para o celular e vendo quem era coloquei meu roupão e fui abri a porta.


– Nossa, pelo jeito a noite foi boa. – Olhei para Jon querendo pular no pescoço dele por isso, só vi Spencer dando um cutucão nele. – Ai, Spencer!


– Vocês querem alguma coisa?


– Não! – Disseram ambos.


– Vou acordar o Joshua. E porque vocês vieram tão cedo? – Olhei para eles perguntando curioso.


– Só deu vontade de gravar.


Fui para o quarto e acordei Joshua. Troquei-me e voltei para sala, sem a companhia de Joshua que apareceu um pouco depois.


– Se vocês querem gravar, então vamos! – Disse Joshua.


Ficamos gravando as musicas ate o entardecer, Spencer arrumou suas coisas com Jon e Joshua foi ver se eles não queriam ajuda enquanto que eu sentei no sofá.


– Joshua, porque você voltou?


– Shh, fala baixo. Você não sabe o que acabei de ver.


– O que?


– Eu abri a porta do estúdio só um pouco e vi os dois se beijando. Não quis atrapalhar.


– Oh my God, então nossas suspeitas se confirmaram?


– Yeah!


– Josh, isso vai ficar para historia. Agora vem cá e faça o mesmo comigo senão eu te coloco para dormir no sofá.


– Alec, desde quando você ficou assim, tão fofo?


– Não sei só que agora eu quero que você me beije. – Ele encostou minha testa na minha, segurou minha nuca, aproximou seus lábios dos seus e beijou-me.


Spencer e Jon passaram por nos estranhos e desconcertados. Joshua olhou para mim e olhei para este impedindo que ele falasse alguma coisa. Os dois se despediram e foram embora.


– Alec, porque você não me deixou atormentá-los um pouco?


– Porque vamos fazer isso quando for o momento certo.


– Será que mais alguns dias o álbum fica pronto?


– Não dou nem uma semana para isso acontecer.


– O Zack já cuidou da festa com o pessoal da Fueled?


– Já sim, e pelo que ele me disse vamos tocar uma musica na festa de lançamento. Pensei em não tocar nada novo. Que tal se tocarmos “I Write Sins Not Tragedies”? – Olhei para ele que estava escrevendo alguma coisa no caderno onde escrevíamos nossas letras.


– Ótima escolha Alec, já que essa música é um clássico.


– Posso saber o que você esta escrevendo ai?


– Uma letra.


– Sobre?


– Um assunto que me deixa muito feliz. Ross, como você esta curioso hoje.


– Não estou curioso hoje Joshua. Só quero saber o que você esta fazendo.


– Alec, é uma surpresa para você e chega de perguntas, porque não vou responder mais nenhuma. Quando for a hora certa você vai saber.


– Joshua Boyd Urie como você é mau. – Fiz uma pequena careta pra ele.


– Alec, vamos dormir? – Disse fechando o caderno colocando-o em um canto e me carregando no colo porque ele percebeu que eu tinha ficado um pouco magoado.


– Vamos.


Fomos para o nosso quarto e fui ate o banheiro para colocar meu pijama. Ele ficou andando de um lado para o outro esperando eu sair do banheiro. Foi a sua vez de se trocar. Quando ele saiu, eu já estava deitado na cama, olhando para o teto. Ele deitou-se do meu lado, fez o mesmo e interrompeu o silêncio.


– Alec não precisa ficar assim todo magoado. É só uma surpresa, será que nem isso eu posso fazer para você?


– Pode Josh, claro que pode.


– Então não precisa ficar assim, doce.


Ele me abraçou por trás, e se grudou em mim, ficando de conchinha. Deu algumas fungadas em meu pescoço, fazendo-me perder o controle de mim mesmo. Deu-me um beijo de boa noite ao ver que eu bocejava de sono. Senti seu corpo colado no meu e caricias, antes de apagar.