Livro Da Perdição
2 Capítulo 1
Notas iniciais
– Alan! Alan, venha aqui agora! – gritava a mulher da varanda.
Alan sempre foi um menino magricela, com seu cabelo castanho curto e olhos travessos. Era o mais novo dos três irmãos e estava acostumado a ter de se esquivar dos mais velhos, portanto, possuía uma agilidade superior ao dos outros meninos. Alan corria muito. E ria-se disso. Adorava a ideia de que os outros não pudessem sequer chegar perto dele. Jonattan estava cansado de tanto correr atrás dos outros. Seu abdômen avantajado não lhe atribuía muita rapidez e por isso ele sempre ficava muito tempo perseguindo os outros no pique-pega. Isso o irritava imensamente. Por isso, de tempos em tempos Alan se deixava pegar por ele, para ajudar seu melhor amigo, pois não lhe agradava que os outros meninos zombassem dele.
– Alan, está me ouvindo? Sua mãe vai ficar muito zangada se não entrar AGORA!
Alan finalmente cedeu e parou para responder a tia, porém, não percebeu que Jonattan vinha todo desajeitado correndo para cima dele para pegá-lo e ficar livre da brincadeira de caça. Jonattan percebeu muito tarde que o amigo havia parado e acabou atropelando-o e caindo com força por cima dele. Alan feriu os lábios e quebrou um dente.
– Olhem o pançudo! Mal pode conter-se, é muita carne para parar! Parece um dos porcos do meu pai. – ria-se um dos garotos, acompanhado pela maioria, que adoravam lhe tratar como se fosse um tipo de líder.
John Finn era filho de um senhor rico da região, muito influente em Leimbra. Por isso, se achava no direito de esnobar os outros meninos, sentindo-se superior. Malone Finn, seu pai, era o oposto. Tinha fama de ser um homem bondoso e estava sempre ajudando as famílias mais necessitadas, como a de Alan, os McGregor.
–Alan, me... me desculpe, por favor... – Jonattan estava choramingando, prestes a cair no choro, como sempre fazia quando era humilhado ou passava por algum constrangimento.
– Alan! Eu mandei vir! – Marlen McGregor, irmã da mãe de Alan, descia transtornada da casa, que anteriormente era considerada a melhor de Leimbra, muito luxuosa e bem decorada, com dezenas de escravos e os habitantes mais belos de toda região. – Entre logo, está atrasado para seu banho.
Marlen costumava ser assim, sempre rancorosa, sempre furiosa, mas ninguém sabia exatamente com o que ela tanto se zangava. Havia ficado assim desde a morte do marido e por ter cuidado do pai, que se encontra em estado decadente há anos, por muito tempo.
Alan se levantou lentamente do chão, encarando os meninos que esnobavam de Jonattan e disse para ele q estava tudo bem. Não que adiantasse muita coisa, Jonattan já estava aos prantos, pois, segundo ele, havia quebrado a boca do melhor amigo.
– Está tudo bem Jon, já te disse! Agora pare de bobeira e vá se arrumar logo, antes que minha tia chegue e sobre bronca para você também. Vá, já estamos muito atrasados! E Jonattan saiu, choramingando ainda, segurando o braço dolorido da queda.
Quando Marlen viu a boca ensanguentada de Alan, deu um grito:
–ALAN! Você e essas suas brincadeiras idiotas! Para dentro agora! Se eu fosse sua mãe, te dava coças até não ter mais como sentar de tanta dor!
– Ainda bem que você não é minha mãe...
– Ora, seu... – e antes que ela pudesse completar a frase, Alan correu para casa.
A casa dos McGregor já fora muito grande e bonita. Sua família era a mais influente, como os Finn se tornaram, talvez até mais influentes. Mas um incêndio que houve na fazenda, quando sua família estava no auge e a doença desconhecida retraída pelo seu avô, Arthur McGregor, na época o chefe da família, destruíram a família. No incêndio, grande parte da casa e das terras produtivas que os McGregor possuíam, foram destruídas. A esposa de Arthur, Jessica McGregor, morreu no incêndio, contribuindo também para a grande depressão da família. Pouco depois do incêndio, Arthur contraiu uma doença degenerativa, que acabou com grande parte do seu rosto e corpo, deixando também seqüelas mentais. Alan raramente via seu avô, apesar de morarem na mesma casa. Arthur só conseguia gemer, grunhir e babar. Possuía um olhar vago, do que havia sobrado dos olhos, pelo menos. Passava a maior parte do dia deitado em seu quarto, e apenas as mulheres que cuidavam dele entravam em seu quarto, como Helena, mãe de Alan, filha de Arthur.
Outro fato curioso sobre os McGregor é a presença majoritariamente feminina que havia na família. Fora Arthur, Alan e Lohan, o irmão que era mais próximo de idade de Alan, não havia homens entre os McGregor. Os maridos de Helena e Marlen, as únicas filhas de Arthur, morreram 10 e 27 anos antes, respectivamente. Os outros dois irmãos de Alan, os gêmeos Junior e Aníbal, morreram quando Alan tinha 8 anos. No mesmo dia. Desde então, só Alan e Lohan eram vistos como esperança fazer a família ter descendentes.
Alan entrou correndo, passando rápido por sua mãe, antes que ela pudesse lhe dizer algo. Trocou sua roupa, pegou o balde de madeira para poder lavar a boca e os pés e tentou ajeitar os cabelos, muito sujos da poeira da terra onde ele estava brincando.
– Grande coisa. Treze anos. Não vejo mudança alguma em mim. Nada mudou de ontem para hoje. Queria continuar brincando, iria acabar com John se tia Marlen não tivesse chegado. – resmungava Alan consigo mesmo.
Arrumou-se o melhor que pôde e foi até a mesa onde sua mãe terminava de arrumar um tímido banquete para ele, Jonattan, sua tia e Lohan.
– Onde está Lohan, mãe?
– Já deve estar chegando, meu filho. Você sabe que ele se atrasa. Logo ele deve chegar.
Lohan havia se tornado como um pai para Alan e um chefe de família após a morte do pai. Junior e Aníbal nunca foram muito responsáveis e Lohan tomou a frente da família sem que precisassem pedi-lo. Ele conseguiu um vínculo com Malone Finn em sua fazenda e era a única fonte de renda que a família possuía. Porém a fazenda era muito distante e ele normalmente chegava tarde. Lohan era um rapaz de 26 anos, com cabelos compridos e pretos, com um olhar ao mesmo tempo forte e cansado, apesar de nunca demonstrar isso para ninguém. Ele sabia que sua família dependia dele e não sentia rancor ou raiva com isso.
Jonattan finalmente havia chegado, coçando agora o abdômen e olhando esperançoso para a comida posta sobre a mesa, como se fosse a comesse só com o olhar. Ao perceber isso, Alan riu sozinho. Jonattan vinha acompanhado de seu irmão menor, Daniel, que tinha 9 anos. Alan gostava muito de Daniel, apesar de ser muito diferente do irmão. Daniel era esperto, forte para sua idade e não deixava que outros garotos o passassem para trás, como faziam com Jonattan.
Marlen se aproximou deles na mesa, cheirando muito mal, cheiro característico dos remédios que tinha que passar em Arthur, para tentar minimizar suas dores por todo o corpo e as cicatrizes da doença, que o consumia. Como sempre, ela chegou com olhar severo e duro e falou com Alan, carrancuda:
– Seu avô quer vê-lo. Ande depressa que está na hora dele dormir.
Alan abriu a boca para responder, mas não soube o que falar, por isso permaneceu boquiaberto. Até mesmo Jonattan pareceu momentaneamente perder o interesse na comida e olhou intrigado para Alan, também se perguntando se havia entendido direito. Arthur nunca havia chamado o neto para conversar, até porque, ele não tinha condições para conversar. Alan só o via quando passava em frente à porta de seu quarto, e ela estava entreaberta e fora proibido de entrar no quarto do seu avô. Percebendo o estranhamento de todos, Marlen puxou Alan pelo braço e o forçou a ir até a porta do quarto de seu avô.
– Escute bem. Não atormente seu avô, não faça perguntas. Ele quer vê-lo. Vai ser rápido. Não diga nada, logo irei te buscar. NÃO atormente seu avô, ele está suficientemente doente. Nada de correr dentro do quarto.
Aquele último comentário causou estranheza em Alan e até mesmo Marlen percebeu que havia se excedido. Perturbada, empurrou o menino quarto adentro e fechou a porta em seguida.
O cheiro do quarto era terrível. Sem qualquer tipo de ventilação, o cheiro horrível dos remédios que eram usados para combater a doença de Arthur McGregor era insuportável. Alan segurou vômito inúmeras vezes, pois o cheiro o fazia sentir-se enjoado. Olhou para seu avô na cama, quase completamente coberto por um lençol bege, deixando apenas o rosto e os braços a mostra.
Arthur McGregor não parecia mais um homem. Se assemelhava a monstros que eram citados em histórias de terror. Seu rosto estava quase completamente destruído, com a carne negra e caída. Um dos olhos lhe faltava e o outro estava praticamente tampado com carne podre da pálpebra que caia sobre ele. Não havia um fio de cabelo sequer em sua cabeça e seus braços estavam enegrecidos e descascando. Por todo o rosto e braços havia pústulas verdes, que davam um ar ainda mais nojento e horrível ao velho há muito tempo moribundo.
O velho fez um gesto mínimo com a mão para Alan, ainda em choque com a visão e o cheiro do quarto, mas que não deixava dúvidas: Arthur pedia para que o neto se aproximasse. Alan, um passo após o outro, lentamente chegou perto dele, segurando cada vez mais para não cair na tentação de vomitar. Mordia os lábios recém cortados para que nada saísse de sua boca contra sua vontade. Arthur olhava o melhor que podia para Alan. Ele quase podia ver um brilho no olhar de seu avô, como se estivesse orgulhoso do neto. Talvez estivesse exagerando, mas Alan se sentiu melhor ao pensar assim. O velho levantou levemente a mão. Primeiramente Alan achou que ele quisesse apertar sua mão, mas logo percebeu que ele apontava para seu pequeno armário, ao lado da cama. Alan olhou intrigado para o avô, o velho ainda com a mão levantada e apontando para o armário. Alan deu a volta na cama, ainda tentando o máximo que podia a respiração e olhou para o armário.
Arthur parecia satisfeito que Alan o havia entendido, pelo menos Alan pensava assim, mas logo depois ele soltou uma baba meio verde e Alan não sentiu mais tanta certeza. Engoliu mais uma vez a vontade de vomitar, e abriu a primeira gaveta. Roupas, lençóis... Alan olhou para o avô e sentiu-se como bobo. O velho devia estar delirando, nem devia estar vendo-o assim. Arthur mexeu levemente a cabeça e Alan tomou isso como se fosse uma negação. Fechou a gaveta e abriu a segunda. Mais lençóis. Olhou para o avô, que continuava balançando levemente a cabeça. Abriu a terceira gaveta. Mais lençóis. Alan se indagou quantos lençóis seu avô possuía e por qual motivo ele teria tantos assim. Quando fechou a gaveta, pronto para abrir a última gaveta, ouviu seu avô grunhir. Olhou para ele e assustou-se ver como seu avô, mesmo naquele estado, transmitia um pouco de lucidez no olhar. Foi novamente em direção à quarta gaveta e seu avô grunhiu novamente. Voltou a mão para a terceira gaveta e o velho pareceu relaxar. Era na terceira gaveta que ele teria que mexer.
Abriu novamente a gaveta. Foi tirando os lençóis e os jogando na cama. Assim que esvaziou a gaveta, ficou meio decepcionado, pois nada havia ali senão lençóis. Olhou para seu avô como quem pede respostas, mas ele nada disse, porém parecia estranhamente contente. Alan olhou por dentro da gaveta e ao colocar a mão dentro da gaveta para investigar, descobriu um fundo falso. Sentiu o coração palpitar forte, como sempre acontece quando ele está prestes a fazer algo errado ou escondido. Os dedos encontraram uma pequena caixa preta, pouco maior que sua mão, trancada com um cadeado. Puxou-a da gaveta e quando começou a pensar em um jeito de abri-la, ouviu a porta se abrindo e sua tia Marlen gritar:
– Solte isso agora! – Marlen arregalou os olhos como sempre fazia quando estava furiosa e espantada ao mesmo tempo, e agarrou Alan pelas orelhas, tirando a caixa da mão dele e jogando-a no chão. – Eu disse a você que não perturbasse seu avô!
– Mas...
– Sem mas! Volte para sua comemoração e comporte-se! – e sem dar mais explicações, entrou no quarto, trancando a porta logo em seguida.
Alan estava desapontado. Pela primeira vez o avô dele pedia para vê-lo. Pela primeira vez havia “falado” com seu avô. Estava prestes de descobrir algo importante, ele tinha certeza disso e a tia novamente o frustrara. Mas já estava decidido: na primeira oportunidade, ele iria se esgueirar no quarto do avô e recuperar a caixa para saber o que há dentro e o por quê de seu avô querer que ele a encontrasse.
Longe dali, Lohan estava arreando seu cavalo para poder voltar para casa. Estava atrasado novamente, logo no aniversário de Alan. Ele odiava estar ausente em momentos especiais de sua família, que ele tanto amava. Apesar de ter tentando adiantar o máximo o trabalho do dia, ele não conseguiu sair mais cedo. Iria se desculpar com Alan e prometer brincar com ele no lago perto da casa deles assim que pudesse. Ele o amava muito e o tomava como um filho, que devia cuidar e proteger. Estava prestes a subir no cavalo, quando ouviu um barulho dentro da casa de ferramentas. Lohan praguejou.
–Esses moleques novamente. Droga, vou acabar com isso.
Prendeu o cavalo novamente e se dirigiu para a casa de ferramentas. Mesmo sem uma vela consigo, ele não pretendia ver os pequenos invasores, queria apenas dar um susto neles. Abriu a porta e gritou para que saíssem dali, ou ele contaria para o senhor Malone, e que ele sabia exatamente quem estava ali.
– Doug, John, Sefir, saiam já daí. Já me cansei de vocês. Saiam, ou terei que notificar o senhor Malone e eu não quero fazer isso.
Como não escutou nada e nem viu os moleques, entrou para ver se conseguia pegá-los. Pegou um pequeno candelabro que estava próximo a porta e viu que não tinha velas nele. Praguejou mais uma vez e entrou adentrou assim mesmo na casa de ferramentas. Por entre algumas frestas entre as tábuas, a forte luz do luar entrava e iluminava algumas partes da casa. Poucos passos depois, a porta fechou-se com um estrondo. Lohan estranhou não ter ouvido passos, e voltou à porta e tentou abri-la. Ela não cedia. Começou a esmurrar a porta, até que uma voz conhecida o chamou atrás dele, mais ou menos no meio da casa de ferramentas:
– Não vai abrir. Me certifiquei nisso. – havia um certo deleite na voz ao informar que Lohan estava preso ali, quase como que saboreando a surpresa e leve desespero dele ao reconhecer a voz.
Lohan lentamente virou-se e tentou encarar aquele que havia lhe falado.
– O que está fazendo aqui? Você me abandonou.
Alan voltava meio tristonho para a mesa, com os olhos de Jon esbugalhados para ele, implorando por respostas Daniel, sem que os outros percebessem, comia um pedaço do pão que havia sobre a mesa.
– Está tudo bem, Jon. Está tudo bem. – tentou disfarçar.
– Está tudo bem, Lohan. Está tudo bem. Sei que deve estar com raiva. – disse o homem, com gosto de ver a raiva no rosto de Lohan, que estava tentando se controlar. Não conseguia ver o rosto do homem, mas tinha quase certeza de sua identidade. E se estivesse certo...
– Quem é você? O que quer?
–O que quer, querido? Pão,batata... – disse Helena, que estava cabisbaixa e triste.
– Nada, mãe. Quero dizer, pão obrigado. – e sentou-se a mesa com os outros.
–Nada. Quero dizer, quero conversar com você, Lohan. – respondeu o homem.
– Conversar? O que tem para conversar comigo? Você me abandonou! Nos abandonou! Nos deixou na miséria. Você é um covarde.
O homem riu com força agora. Tinha quase um gosto obsceno com o despejar da fúria de Lohan. Com um sorriso sádico que Lohan não pôde ver, respondeu:
– Ah, Lohan... Sei que a vida tem sido um tanto ingrata com você... Mas eu vou dar um jeito nisso. Eu vim te ajudar.
– Jon, amanhã eu preciso fazer uma coisa, e você precisa me ajudar. – sussurrou Alan, para que sua mãe e Daniel não ouvissem, apesar dele ter quase certeza de que Daniel tivesse ouvido muito melhor que Jon.
– Odeio quando você fala isso... – resmungou Jon.
– Me ajudar? Você não tem nem a decência de mostrar o rosto! Revele-se, covarde!
– Acalme-se, Lohan. Eu vou me revelar. Aah, vou sim. Mas antes, eu gostaria de perguntar. Como anda nossa amiga Mary?
– O que você fez com ela? – esse comentário tirou o pouco controle que Lohan tinha de sua raiva. – O que você fez com ela, seu covarde?
A gargalhada do homem era demoníaca. Ele sentia imenso prazer em ver que estava conseguindo tirar a paz que Lohan tanto se esforçava em transmitir.
–Responda, responda agora seu...
–Ela está conosco, Lohan. Ou acha que perderia a nossa festa de reencontro?
Assim que o homem terminou de falar, uma parte do chão da casa de ferramentas começou a pegar fogo e acabou iluminando uma das vigas que sustentava a casa, ao lado do homem. Nessa viga, estava amarrada Mary, a prometida de Lohan. No mesmo momento que Lohan a viu, ela pareceu despertar, e começou a tentar falar com ele, mas o pano que estava amarrado em sua boca não a permitia. Ela começou a chorar e a tentar gritar, visivelmente pedindo socorro.
– Solte-a agora, seu monstro! Solte-a agora ou eu...
– Ou você, o que, pequeno Lohan? Vai chorar?
– Ora seu... – e partiu para cima do homem.
Assim que ele tentou dar o primeiro passo, o homem estendeu a mão, e ele não conseguiu mais mexer os braços e pernas.
– Então Lohan? O que vai fazer? Ah sim, acho que vai assistir sua querida Mary sofrer, estou certo?
Lohan tentava falar, lutava para se mexer, mas nada surtia efeito. O homem estava em êxtase. Olhou maldosamente para Lohan, como uma criança que está prestes a fazer algo que sabe que é errado, e começou a arranhar uma das pernas de Mary. Uma grande quantidade de sangue saiu da perna dela, e ela estava aos urros. Chorava e suava muito, tentando gritar por socorro. Lohan quase tremia de tanta raiva e impotência. Queria quebrá-lo inteiro, todos os ossos, enfiando o punho em seu peito até atravessá-lo, certificando-se assim de que ele nunca mais voltaria.
– Oh, porque tão tristes, vocês dois? Não estão gostando de me ver de novo? Quanta ingratidão! – e ao dizer isso, arranhou mais uma vez a perna de Mary, fazendo-a urrar ainda mais, e mais sangue descer. O fogo logo abaixo dela, parecia ganhar força a cada gota de sangue que caia sobre ele.
O homem foi atrás da viga de madeira onde Mary estava amarrada, e logo depois enfiou as mãos nas costelas dela, uma de cada lado, arrancando pedaços da pele e muito sangue. A cor do rosto de Mary se esvanecia. Ela perdia as forças. Estava morrendo.
– NÃO! Mary, aguente firme, por favor. Aguente firme, eu vou te salvar, acalme-se...
– Salvar? HAHAHA Olhe nosso pequeno Lohan, tentando bancar o heroi. Não hoje, meu filho. Não hoje.
– Senhora Helena, a senhora poderia me passar mais um pouco de pão?
– Claro, Jon.
Mary morreu. Ela não aguentou os ferimentos. Morreu pedindo socorro, suplicando ao seu futuro marido por socorro e ele sem poder fazer coisa alguma para ajudá-la.
–Maldito! Maldito! Eu vou matar você, eu vou matar você!
– Me matar? Nem quando você teve oportunidade, você teve coragem suficiente para e matar, filho.
– Para de me chamar de filho!
– De que mais você quer que eu te chame? Você é sangue do meu sangue, meu descendente, querendo ou não Lohan. – O brilho demoníaco no olhar do homem era terrível. Parecia o próprio diabo, se deliciando em uma vitória sangrenta e cruel.
– Você deixou de ser meu pai quando começou a ficar maluco e nos abandonou!
– Mãe, posso apagar logo a vela? Quero dormir. – Alan reclamou. Estava ansioso para que o outro dia chegasse logo e pudesse aplicar seu plano. –Estou cansado.
– Claro, querido. – Helena continuava com a expressão triste e distante.
Alan se preparou para poder apagar a vela.
– Maluco? Você nunca entende, não é, pequeno Lohan? E é por isso que vai morrer hoje. E o próximo é o bebê Alan.
– Você não vai encostar essas suas mãos fétidas no meu irmão!
– Cale a boca, Lohan. Já me cansei de suas grosserias! Tenho coisas muito mais importantes a fazer, portanto, vamos acabar logo com isso. – E enfiou um dedo em cada olho de Lohan
O sangue escorria dos olhos furados de Lohan, enquanto ele ia morrendo e tentava urrar de ódio e dor, porém nada saía de sua boca.
Alan inclinou-se para apagar a vela.
Viktor inclinou-se para sussurrar para Lohan.
Alan encheu a boca de ar.
Viktor disse:
– Te vejo no inferno, pequeno Lohan.
Alan apagou o fogo da vela.
Viktor acendeu o fogo da casa de ferramentas.
E tudo lá dentro foi incinerado.
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