Acordei junto com o sol, como de costume. Era uma coisa boa eu precisar de poucas horas de sono. É claro que eu não tinha dormido no chão, muito menos solicitei colchões extras para a direção – até parece! – me arranjei perfeitamente em uma das poltronas extra-confortáveis que existiam no quarto. Eu a arrastei para a varanda, em parte por que gostava de dormir a céu aberto, em parte porque não queria mais ficar olhando Luce dormir. Já era ruim o suficiente ter que ficar longe dela acordada, dormindo tão linda naquela cama enorme e sozinha, então, nem se fala.
Esperei até o primeiro horário do café e desci para o restaurante do hotel. Era estranho àquela hora da manhã, meio vazio e com pessoas de mais idade, mas era a hora que eu sempre vinha tomar o café, uma vez que sempre acordava muito cedo. Eu estava pensando em tudo o que tinha acontecido e em como vim parar aqui com ela. Eu ainda estava com um pressentimento estranho, sabia que o ataque dos banidos e dos Primeiros tinha sido armação interna. Eu não sabia como eu sabia, mas podia farejar essas coisas, a questão era: quem?
Assim que acabei fui até as ruas já movimentadas de Vegas, essa cidade era fantástica, nunca parava. Entrei em algumas lojas famosas e comprei pouca roupa pra passar as semanas que viriam. Entrei também nas mais famosas grifes femininas e comprei algumas peças pra Lucinda, embora eu tenha adorado vê-la dormir com o roupão do hotel.
Retornei ainda cedo e sabia que ela ainda estaria dormindo, seu corpo necessitava de descanso, e muito. Fiquei surpreso ao vê-la acordada de pé na varanda.
- Bom dia. – eu disse deixando as inúmeras sacolas sobre a mesa de vidro trabalhado.
- Bom dia. – ela se voltou a mim e imediatamente encarou as comprar sobre a mesa... mulheres...
- Trouxe umas coisas pra você se trocar. Tem fome?
Ela andou em direção as sacolas – Céus, como ela estava linda!
- Espero que goste da sua langerie bem pequena e rendada... – falei atrevido andando em sua direção – Foi bom imaginar você dentro delas enquanto comprava.
Ela ruborizou na hora. Era magnífico poder fazer isso.
- Você nunca ouviu que preferimos as confortáveis? – ela perguntou desviando-se de mim e olhando para longe.
- Sim, mas eu prefiro as mais ousadas. – disse enviando meu olhar mais torto. Ela estremeceu levemente e eu sorri.
- Então não vou te agradecer por isso! – ela disse meio irritada pegando duas sacolas da mesa e andando a passos largos pro banheiro. O sorriso se estendeu em meu rosto.
Naquele dia eu fiz um passeio que nunca pensei em fazer em Vegas: fui a um museu. É obvio que a idéia foi totalmente de Luce, mas... até que foi interessante. Nós visitamos o Museu de História Natural e foi divertido contar a minha versão da história a ela. É engraçado como os fatos se deturpam através do tempo e como as pessoas têm imagens equivocadas de personagens históricos ou datas importantes. Quando se é imortal, é possível presenciar coisas que marcam época. A verdade é que eu pensei que não estaria nem aí pro museu e para aquelas esculturas de argila, mas Lucinda sempre me fazia enxergar coisas interessantes até em lugares extremamente chatos. No fim do dia eu me peguei em uma discussão árdua com ela sobre o incentivo do governo à cultura e sobre a importância disso na educação... Por todos os santos! Desde quando isso me interessava? Essa garota conseguia me deixar totalmente sem noção.
Nos dias seguintes almoçamos no Luxor, MGM Grand e Excalibur e passamos em alguns locais históricos e pontos turísticos. Ela estava encantada com a cidade, mas sempre voltávamos no fim da tarde para o hotel. Eu não gostaria de arriscar a segurança dela saindo durante a noite.
Vegas podia ser interessante, mas era sem dúvida um antro de banidos e demônios. Infelizmente, pra mim, os dias ao seu lado passavam rápido demais.
- Vamos apostar mais tarde? – ela perguntou enquanto esperávamos o elevador, após chegarmos de outro passeio pela cidade.
- Só não me diga que vai se tronar uma viciada em jogos de azar, eu não poderia conviver com isso. – eu disse meio sério, instigando-a.
- Não poderia conviver com o fato de que foi você quem me introduziu ao vício? – ela perguntou sorridente e eu logo tratei de responder:
- Não, não poderia suportar ter que perder dinheiro pra você e sua sorte descomunal no 21.
- AH! — ela exclamou ao mesmo tempo em que me deu um tapa de leve no ombro.
Andes que ela pudesse responder, o elevador chegou e entramos junto com duas mulheres que se apressaram para entrar antes de as portas fecharem.
- Cameron Briel! – Uma das mulheres falou olhando em minha direção.
Era uma loira espetacular. Cabelos lisos até a cintura, olhos azuis escuros e um vestido vermelho que mostrava exatamente o que qualquer homem gostaria de ver. A outra também era loira, um pouco mais baixa, mas igualmente bonita. Tinha olhos cor de mel e cabelos cacheados artificialmente. Em qualquer outro momento eu teria achado que elas eram exatamente o que eu precisava para uma noite em Vegas, mas não mais.
- Olá. – respondi cordial, sem o menor interesse, ao mesmo tempo em que informava o andar ao acessorista.
- Não lembra de mim? – a loira alta do vestido vermelho disse dando um passo a frente, encobrindo parcialmente minha visão de Lucinda.
- Desculpa. – eu disse controlando os nervos. Como essa mulher se atrevia a me afastar de Luce e a agir como se ela não fosse ninguém? Provavelmente nem reparou que eu estava acompanhado.
- Ashley Forbs. – ela disse alongando desnecessariamente as sílabas, acho que estava tentando ser sensual. Falhou completamente. – Nos conhecemos no verão passado aqui em Vegas.
Ela agora estava totalmente na frente de Luce e se inclinava sutilmente em minha direção, seus seios grandes saltando do decote do vestido estavam encostando em meu ombro.
Em um movimento rápido e dei um passo pro lado e desviei o corpo, de forma que me pus ao lado de Luce e deixei os seios da loira na direção do rosto do acessorista – o cara esbugalhou tanto os olhos que teria uma dor de cabeça mais tarde.
- Me desculpa, Srta. Forbs, mas acho que me confundiu.
A garota insistiu.
- Duvido. Eu não seria capaz de esquecer alguém como você.
Ela se pôs novamente em minha direção e acariciou meu pescoço. O Elevador alcançou o décimo quarto andar e eu desviei de suas garras mais uma vez.
- Lamento não poder dizer o mesmo. – eu disse a ela sem nem mesmo olhá-la nos olhos, a única coisa que eu vi foi Luce sair do elevador ao meu lado com uma cara que não saberia dizer qual era.
O elevador fechou as portas e eu sabia que Ashley estava furiosa.
...
- Então... você não lembra mesmo dela?
Eu fechei a porta e sorri esperando que no meio de sua expressão indecifrável estivesse um traço de ciúme.
- Não. – menti. A verdade era que eu não me importava.
Ela se sentou na cama e ligou a imensa TV de plasma.
- Por quê? – perguntei andando em direção a cama e tirando a camisa. – Tá com ciúme?
Ela riu nervosamente e trocou de canal, sem me responder. Eu me deitei ao seu lado, apoiando a cabeça nas almofadas e pondo um dos braços pra trás, acima da cabeça.
Ela prendeu a respiração quando viu meu corpo seminu e trocou de canal rapidamente, olhando pra frente fixamente. Eu fingi que não percebi.
- Você pode parar de passar os canais, assim não dá pra assistir nada. – como ela não respondeu, eu acrescentei – Não precisa ficar nervosa comigo.
Ela me encarou notavelmente se esforçando pra manter os olhos em meu rosto, não em meu peito.
- Você acha mesmo que tudo gira em torno de você, não é? – ela perguntou meio irritada. Eu só não sabia se era comigo ou com ela mesma.
- Nem tudo. – falei encarando-a e com meu olhar eu disse o que queria que girasse em torno de mim.
- Eu... vou tomar uma banho. – ela falou se levantando rapidamente ainda parecendo alterada.
Eu dei um impulso e saí da cama voando – literalmente- e abracei-a por trás.
- Eu queria que você tivesse olhos pra mim, Lucinda. – eu sussurrei em seu ouvido. Eu não podia me controlar mais. Tê-la tão perto e tão longe de mim me dava nos nervos.
Ela parou de andar com meu abraço e senti que seu corpo estava rígido, como se estivesse se contendo. Eu odiava seu auto-controle.
- Já tem muitas mulheres que tem olhos pra você, não precisa de mais uma.
- Eu não quero ninguém, só quero você, só você. – minhas palavras foram tão verdadeiras que até eu me assustei. Eu ainda não conseguia compreender esse sentimento. Era muito intenso, muito profundo e muito diferente do que eu estava acostumado.
Senti que ela fechou os olhos e apertou com força a mão com o anel que Daniel a tinha dado. Eu queria muito que ela perdesse o controle comigo, ao menos uma vez. Eu precisava dela.
Um de meus braços deslizou para baixo e eu acariciei com suavidade sua barriga. Ela se sobressaltou com meu toque e empurrou o corpo pra trás, colando-o ainda mais ao meu. Meu corpo respondeu na hora e minha excitação já estava evidente. Eu tinha que tê-la pra mim.
- Cameron... –ela disse em um som meio morto, minha mão passeava por seu abdômen liso fazendo a pressão certa e minha outra mão já estava em seu pescoço, guiando sua cabeça para o lado.
- Lucinda... – sussurrei em seu ouvido pouco antes de beijá-lo. Desci lentamente minha boca saboreando seu pescoço esbelto. – Até seu cheiro me deixa louco, sabia? – falei mais pra mim do que pra ela, ainda beijando próximo a sua jugular.
Meu corpo estava fervendo por ela. Sentir seu calor e suas curvas contra mim só aumentou a urgência que sentia.
Eu a virei de frente pra mim, ela estava com os olhos fechados e respirando duramente. Estava se contendo, se controlando. Eu não queria isso.
- Abre os olhos, Luce. – ordenei. Minha voz saía rouca de desejo.
Ela os abriu lentamente e ficou me encarando, ainda respirando forte. Seu olhar percorreu meu torso descoberto e o volume em minhas calças. Seu olhar só me aqueceu mais. Peguei suas mãos e as pus em meu peito, pressionando, fazendo-a sentir meu corpo quente. Ela ofegou e eu a beijei, abraçando-a contra mim.
Luce não correspondeu ao beijo de início, mas eu comecei a explorar seu corço com minhas mãos: nuca, pescoço, quadris, sempre pressionando, sempre carinhando. Até que ela finalmente me correspondeu e eu me perdi em seu beijo ardente.
...
Cameron. Era tudo o que eu sentia naquele momento. Seu beijo tão intenso e profundo me fez esquecer, por um segundo, tudo no mundo. Minhas mãos sentiam seus músculos abundantes se tensionando ao me abraçar e eu só conseguia esfregar minhas mãos mais ainda em seu corpo perfeito. Escorreguei-as para suas costas e enrolei os dedos em seus cabelos negros, apertando Cam mais contra minha boca. Deus, como isso estava acontecendo?
Eu estava agindo por puro impulso, puro desejo. Era isso o que eu estava sentindo, vontade dele. Desci uma de minhas mãos lentamente por toda a extensão de suas costas, arranhando-o. Ele gemeu. Quando dei por mim ele estava deitado sobre mim na cama e eu senti toda a pressão de seu corpo aceso contra meu ventre.
Nosso beijo foi tão longo e intenso que me deixou sem fôlego.
- Cameron... – eu disse virando um pouco a cabeça, estávamos ofegantes.
- Céus! Não fala meu nome desse jeito... – ele sussurrou enquanto me beijava o pescoço e mordiscava meu ouvido – Eu quero fazer uma loucura com você, Luce, agora.
Minha respiração estava acelerada demais e meu pulso frenético. Minha cabeça dizia – berrava! – claramente pra eu me afastar, mas meu corpo não obedecia, eu era somente fogo.
Eu fiz força para girar o corpo e ele permitiu. Me posicionei sobre ele, sentada em seu quadril. As mãos dele pressionavam minha cintura e as minhas não conseguiam sair de seu corpo maravilhoso, eram como ímãs. Eu apertava seus braços e tateava seu abdômen e nada parecia ser o suficiente.
Ele levou as mãos aos meus quadris e fez uma pressão pra baixo, me apertando contra sua excitação. Meu Deus, eu não podia agüentar mais isso.
Tirei minha blusa com um puxão. Era uma peça linda da Dolce & Gabbana, vermelha, que ele me tinha comprado. Seus olhos verdes faiscaram quando me viram e suas mãos passearam gentilmente em minha barriga e foram subindo até meus seios. A visão que eu tinha dele era maravilhosa e me excitava e seus dedos ágeis deslizavam em mim com delicadeza, como se eu fosse irreal. Ele parou no fecho do sutiã, que era feito de um pequeno jogo de presilhas entre meus seios.
Ele abriu o fecho e retirou a peça deslizando suas mãos em meus ombros. Cam me olhou de um jeito único, um jeito que eu nunca esperei ver nos olhos dele, que já tinham um tom de verde mesclado com violeta.
Antes que eu pudesse pensar, ele se jogou novamente sobre mim, invertendo mais uma vez nossas posições e me prendendo entre seus braços. Sua boca começou a traçar um caminho perigoso e delicioso em mim, passou pelo meu pescoço e clavículas e foi descendo lentamente. Soltei um gemido leve quando senti meus seios em sua boca e minha perna o puxou para mais perto, enroscando-me em seu corpo.
Ele se deteve ali por um tempo e eu estava fora desse mundo, apenas sentindo ele contra mim e o prazer que me proporcionava.
- Deus, não posso agüentar mais. – ele rugiu em meu ouvido de repente e me pegou com força em seus braços fortes, me colocando sentada, encaixada nele, sobre a cama.
Só Deus sabe como nossas calças ainda estava em nossos corpos, mas isso não durou muito tempo. Com uma habilidade fora do comum ele me beijava e se despia simultaneamente. Eu o
ajudei. Meu corpo também clamava pelo dele. Minha calça Juice saiu tão rápido que eu nem percebi, e só o que restava era a minúscula calcinha da Victoria’s Secret que ele me deu.
Ele me olhou por inteiro, com fome, com desejo, mas também com amor, e se deitou sobre mim. Meu cérebro estava gritando o nome de alguém, mas parecia que uma fumaça embaçava minha vista e meus sentidos. Cameron era o único que eu via e o único que eu queria.
- Eu te quero tanto Luce... Você é perfeita. – ele sussurrava pra mim, enquanto o peso de seu corpo imenso caía sobre o meu. Senti suas mãos retirando o único empecilho que restava e minha calcinha deslizou para longe. Ele pegou minhas mãos e as prendeu sobre minha cabeça, apenas usando a mãos esquerda, enquanto que com a outra ele acariciava minha pele e com a boca me enlouquecia. Não havia mais volta, eu me entregaria a toda luxúria por ele de uma vez por todas, era tudo o que eu queria. Mas pouco antes disso acontecer, ele me encarou e seus olhos estavam tão violetas que eu sufoquei. Eram exatamente como os de Daniel.
Somente a lembrança dele me fez recuar. Eu me debati até que ele soltou minhas mãos e se afastou um pouco.
- O que foi, Luce? – a voz rouca como veludo em meus ouvidos – Eu te machuquei?
A preocupação na sua voz foi cortante pra mim. Ele me amava, eu via claramente em seus olhos, e meu corpo o desejava intensamente. Mas meu coração estava doendo. Eu não podia fazer isso, não podia transar com ele, não quando me casaria com outro, com meu anjo.
- Cameron, pare, por favor. – foi tudo o que eu consegui dizer.
Estávamos nus, ele deitado sobre mim e quase me consumindo, mas mesmo assim ele respeitou meu pedido e se afastou.
Eu ofegava e lágrimas escorreram dos meus olhos.
- Luce... – ele disse lentamente, levando a mão a meu rosto.
Eu sacudi a cabeça em negativa e rapidamente levantei da cama. Os soluços ecoavam em meu peito e minha visão estava embaçada. Não sabia como tinha ido tão longe, como pude trair Daniel dessa maneira?
Eu catei minhas roupas do chão e da cama e corri para o banheiro. Em menos de um minuto eu já estava inteiramente vestida, mas continuava desorientada. Quando saí, Cam estava com suas calças jeans, com o zíper aberto mostrando a boxer preta. Seu rosto era um misto de preocupação e decepção mas o desejo ainda presente, vívido. Ele deu um passo em minha direção.
- Não! – eu gritei. Minha mão tremia, eu tremia.
Fui correndo em direção a porta do quarto e saí.
Saí do hotel em prantos, sem conseguir enxergar direito pelas lágrimas descontroladas. Eu não conhecia a cidade, não sabia pra onde ir, mas eu tinha que me afastar dele.Eu sabia que ele estava vindo atrás de mim e precisava me afastar.Saí andando pelas ruas movimentadas, esbarrando nas pessoas pelo caminho. Deixei meus pés me levarem pra longe e me camuflei na multidão de Vegas. Andei pelo que me pareceram horas, ou dias, ou talvez apenas poucos minutos, não sabia, toda minha noção de tempo se perdeu, assim como minha fidelidade pelo anjo que eu amava. Meu coração estava destroçado, meu corpo ainda latejando com sensações que Cameron tinha despertado.
Eu reduzi a velocidade e minhas lágrimas finalmente secaram. Fazia uma noite quente de verão e a noite parecia estar bela. Fui andando sem rumo por ruas que ora estavam cheias, ora nem tanto. Passei por uma rua repleta de capelas temáticas – os famosos casamentos de um dia.
Quando dei por mim, havia duas figuras me seguindo. Eram dois homens. Eu tinha reparado antes que eles estavam atrás de mim há algum tempo, mas minha mente estava tão desnorteada, que nenhuma noção de perigo tinha passado por mim. Mas agora, mais calma, eu percebi que algo não estava correto.
Apertei o passo e dobrei a esquina. Pro meu completo azar a rua que entrei estava deserta. Parece que eu me desviei muito do centro e eu estava em um local mais residencial que comercial. Avistei uma porta iluminada por um letreiro danificado, há alguns metros. As poucas luzes que piscavam nele indicavam que era uma bar. Bom, melhor que nada, ali deveria ter pessoas e seria melhor que eu saísse da vista desses caras estranhos.
Pouco antes de eu alcançar a porta do bar, uma figura enorme entrou na minha frente. Era um terceiro cara que estava com eles e que eu não tinha percebido. Meus instintos de guerreira gritaram e minha reação instantânea foi dar-lhe um soco bem na cara.
O homem não esperava por uma reação como a minha e se dobrou com a força do impacto. Minha mão, no entanto, doía tanto que parecia que tinha quebrado. Eu estava nervosa e não tinha acertado o soco como deveria e provavelmente fraturei a mão com isso. Desviei pro outro lado da rua e comecei a correr. O homem que eu aceitei deu um grito de comando e os outros dois saíram correndo em minha direção. Eu corri o máximo que pude, tentando alcançar o fim da rua. Dobrei a direita, mas topei em um beco mal iluminado, sem saída.
- Que pena, docinho... – um deles falou. Sua voz rouca dava plenos sinais de embriaguês e sua roupa estava suja de sangue – Não tem pra onde correr agora.
O homem que eu soquei se juntou aos outros dois e os três, entre risos, andaram em minha direção. Eu fechei as mãos e entrei em posição de batalha. Isso provocou uma dor gritante em meu punho machucado e também aumentou o riso dos parasitas.
Eles me cercaram e vieram se aproximando tanto que eu pude sentir o bafo de cerveja misturado com cigarro, o cheiro me deu náuseas.
- Segurem bem firme, eu quero ser o primeiro. – disse o homem que atingi anteriormente fechando o espaço entre nós e abaixando o zíper da calça.
Eu não estava em minha melhor forma e muito menos estava com meu par de sai, mas com certeza eles não conseguiriam o vieram buscar.
Eu me esquivei dos dois homens que chegaram de cada lado e os avaliei rapidamente. O da minha direita pareceu mais bêbado e sem coordenação, então foi meu primeiro alvo. Girei o corpo em velocidade e acertei uma joelhada bem no seu estômago. O cara caiu com dor e o outro agarrou meu braço. Eu tentei sair, mas o terceiro já estava em cima, jogando o peso do corpo sobre o meu. Eu usei uma técnica de defesa em que consegui me desvencilhar do braço de um deles e plantei uma cabeçada no queixo do mais baixo, que se desequilibrou.
O grandão pôs mais força e seu corpo atingiu o meu com violência, me fazendo cair.
- A droga! Agora! – ele gritou enquanto tentava me manter sob seu corpo enorme e eu me debatia.

Apenas vi o vislumbre de algo fino e metálico que o cara que dei a joelhada tirou do bolso da camisa. Deus, era uma agulha. Eu sabia que se fosse drogada, tudo estaria perdido. Me debati com a força total de meus músculos, mas os três já estavam em cima. Senti uma picada aguda na perna direita e cinco segundos depois vi o mundo começar a embaçar e sumir.

Notas finais
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