Eu estava sonhando. Podia sentir a terra sob meus pés descalços, sentir o ar fresco penetrar meus pulmões e ouvir o a corredeira lenta do rio ao meu lado. O cenário estava perfeito. Eu não estava. Eu estava assustada e com medo; muito medo. Eu apertei o par de sai nervosamente em minhas mãos suadas, mas eu sabia que seria inútil. Bem no meu íntimo eu conseguia sentir que, se ele me alcançasse, eu estaria perdida. Virei-me em direção a densa floresta e corri. Corri para tentar me esconder daquele enorme par de asas que voava em minha direção.

...

Acordei assustada quando sendo senti alguém se mexer ao meu lado na cama. Daniel. Ele me abraçou por trás, seus braços me envolvendo gentilmente. Meu medo se foi instantaneamente. Ainda estávamos nus, embora um macio e alvo lençol repousasse delicadamente abaixo da linha de nossas cinturas. Eu estava segura com ele, além de plenamente feliz e satisfeita.

- Volte a dormir, meu anjo. Ainda é muito cedo. Vou ficar aqui com você. – ele disse suavemente em meu ouvido enquanto beijava a parte de trás do meu pescoço.

Sorri. Respirando fundo, virei-me de barriga para cima, ainda dentro do círculo de seus braços protetores.

Daniel apoiou-se na cama com um de seus braços, enquanto sua outra mão começou a passear gentilmente sobre mim. Com a ponta dos dedos, ele traçou a curva de minha cintura e, vagarosamente, circulou ao redor do meu umbigo. Meu arrepio se intensificou quando aqueles dedos quentes e macios caminharam até meus seios, enviando ondas de choques por onde tocavam.

Eu o encarei e imediatamente deixei escapar uma exclamação, tamanha minha surpresa.

- Seus olhos... – falei praticamente sem ar.

Os olhos dele estavam tão brilhantes e magníficos! Havia um tom surreal de violeta e minúsculos riscos roxos brilhavam perto de suas pupilas. Era tão incrível que me deixou sem palavras.

- É culpa sua eles estarem assim. – ele falou sorrindo pra mim. Seus dedos continuavam a explorar meu corpo nu. – Volte a dormir não vou sair daqui, prometo. – ele falou me dando um rápido beijo e me tirando do transe que seus olhos haviam me deixado.

Respirei fundo e passei meus braços ao redor de seu pescoço, emaranhando minhas mão naquele cabelo loiro macio e perfeito. Puxei-o para cima de mim, sem interromper o beijo, e o entrelacei em minhas pernas, prendendo-o.

- É claro que você não vai sair... eu não vou deixar. – falei sussurrando em seu ouvido em tom provocativo.

Daniel riu e eu aproveitei sua distração para girar nossos corpos e me posicionar sobre ele, que ainda sorria alegremente.

- Você é meu prisioneiro agora e nunca mais vou deixar você sair daqui. – falei enquanto tentava imobilizá-lo sob mim.

- Você já me tem, não precisa me prender. – ele disse olhando tão profundamente nos olhos, que fiquei sem reação – Até porque... – ele falou vagarosamente enquanto aproveitou minha hesitação para se livrar de meu inútil aperto e inverter nossas posições, me fazendo ficar por baixo novamente – fui eu quem te trouxe pra cá, a prisão é minha, Srta Price.

- OK, Sr Grigori – falei amarrando a cara um pouco. Por que ele sempre conseguia me vencer tão facilmente? Era tão injusto! – Então me fala por que acordamos tão cedo? São as regras da sua prisão?

Daniel riu ainda mais alto que antes e jogou o corpo um pouco para o lado, me libertando parcialmente. Ele estava radiante e tenho a leve sensação que minha birra só fez aumentar a graça da situação.

- Anjos sempre despertam quando o sol nasce, então acho que é uma regra da minha prisão acordar tão cedo... Mas como você é muito linda, pode voltar a descansar. – ele disse num tom de falsa autoridade pra mim.

- Hum, engraçadinho. – eu disse dando um breve sorriso e deitando-me sobre seu peito. Ele começou a acariciar meu cabelo, que eu nem queria ver em que situação se encontrava depois da noite anterior. Eu só esperava que ele não se importasse por eu parecer uma louca com aquela juba desgrenhada.

Ficamos em silêncio depois disso. Ele afagava meu cabelo e eu repousava em seu peito enquanto minha mão passeava lentamente por seu abdômen. Minha cabeça começou a processar tudo o que tinha acontecido. Eu ainda não conseguia acreditar que tínhamos feito amor. Foi tão de repente, tão inesperado... tão perfeito. Finalmente cedemos ao desejo e eu ainda estava ...viva. Aliás, nunca me senti tão viva antes! Eu me sentia realizada e sei lá, adulta.

De repente, um friozinho passou pela minha barriga. Como será que tinha sido pra ele? Será que foi bom? Quer dizer, eu não era a primeira da vida dele como era pra mim, ele já tinha experiência – e séculos dela! Céus, eu devo ter decepcionado ele, com certeza! Ele deve ter esperado tanto por isso e quando aconteceu, eu não sabia o que fazer! Patético. Bom, pra mim foi perfeito, mas eu não era nada comparada a outras mulheres experientes que ele tivera. Eu segui a liderança dele noite passada, mais confesso que não fui lá muito ousada. OK, foi minha primeira vez, ele podia me dar um desconto; mas eu queria tanto agradá-lo, fazer direito e ser uma boa amante e, sinceramente, não sei se consegui.

Esses pensamentos vinham como avalanches em minha cabeça. Desde que ele caiu – por me amar – muitos séculos se passaram e eu sabia que ele tinha estado com outras pessoas. Daniel me confessou que tinha feito. Ele tentou achar em outras mulheres o amor. Ele até tentou manter relacionamentos com algumas delas, mas tudo acabava quando ele me encontrava, nas minhas muitas vidas passadas. Era destino, eu sempre entrava na vida dele e ele nunca resistia a nosso amor. Eu entendo que ele tenha tentado ser feliz sem mim, apesar de meu coração se apertar com esse pensamento. Mas ele era um anjo caído e amaldiçoado, ele tinha que tentar ser feliz. Mas pensar em todas as mulheres lindas e experientes que devem ter passado por sua cama fez eu me sentir péssima, como uma criança querendo fazer coisas de adulto.

- O que houve meu anjo? Você ficou quieta de repente. – ele perguntou suavemente.

- Nada. Eu só... eu... – tentei, mas nada saiu. O que eu devia perguntar? Foi bom pra você?

- O quê? – ele encorajou.

Senti meu rosto corar instantaneamente. Eu era tão estúpida! Desviei meu olhar para longe do dele e comecei a fazer desenhos abstratos em seu abdômen com meu dedo. Ele me interrompeu colocando a mão gentilmente sobre a minha. Depois, levou a mão até meu queixo e levantou-o, para que eu encarasse seus olhos violetas.

- Fala amor, o que foi? – seu tom já exibia preocupação além da curiosidade.

- Eu só... eu queria... queria saber sobre ontem a noite.. você... – minha voz morreu, desviei o olhar. Meu rosto queimando.

- Você quer saber se eu gostei da nossa noite, é isso? – ele perguntou, claramente aliviado. Que droga! Como eu podia ser tão infantil? Mulheres de verdade não agem assim, elas perguntam e pronto! Talvez, no fundo, eu estava era com medo de ouvir a verdade.

Sacudi a cabeça em afirmação, ainda sem coragem para falar, e esperei.

- Eu esperei você por séculos, como acha que eu me sinto? – ele falou acariciando meu rosto.

- Eu sei que você me ama, mas isso não quer dizer que foi ...bom. – eu disse totalmente sem jeito.

Daniel sorriu. Seu mais lindo e sincero sorriso.

- Foi a noite mais incrível de toda minha existência. Você foi perfeita, nosso amor foi perfeito e eu nunca me senti tão feliz, meu anjo. Obrigado por isso. – ele falou docemente e um calor intenso substituiu aquele incômodo frio em meu estômago.

Um sorriso bobo se formou em meu rosto, ainda vermelho.

Nesse momento, eu só via Daniel, só respirava Daniel, e suas palavras foram penetrando lentamente em minha alma. Eu estava tão absolutamente feliz e nem fazia idéia do que estava por vir.

Notas finais
geeentee.. por favor deixem reviews!!! pq eu naum sei se estah ficando bom ou naum. please!!