Livre Arbítrio: Eu Escolho Você.
44 Capítulo 44
Notas iniciais
No final, tem POV Cam..
Boa leitura!
A comida estava divina e o vinho maravilhoso. Parece que depois que eu me acalmei a fome que eu estava sentindo se duplicou. Acho que Cam ficou bastante surpreso com meu apetite.
Eu saboreava minha sobremesa enquanto tentava não reparar nas pessoas me encarando. Parecia mesmo que Cam era conhecido por aqui e que eu estava... destoando.- Tá legal, eu acho que vou subir – eu disse já bastante incomodada com os olhares tortos das pessoas.- O que houve, Luce? Você não vai pra terceira sobremesa? – Cam perguntou irônico como sempre.- Engraçado. – respondi dando um sorriso igualmente irônico – Eu acho que vou preservar sua reputação e me retirar.- Do que você está falando? – ele perguntou levando a mão ao meu pulso e me prendendo na mesa.Eu ri.- Ah, Cam, qual é? Eu imagino que você está doido pra aproveitar seu tempo em Vegas. Não se preocupe comigo, estarei segura dormindo lá em cima.- Mas você não quer conhecer o cassino? – ele perguntou tentando me comprar. Golpe muito baixo.- Eu acho melhor não, obrigada. – respondi pouco antes de me levantar. – E obrigada pelo jantar.Fui na direção dos elevadores, mas precisei ir ao toalhete. Enquanto eu estava na cabine, ouvi duas mulheres entrarem. Elas pareciam levemente embriagadas e conversavam desinibidamente.- Minha nossa, mas hoje a coisa tá feia pro meu lado. – uma delas disse deprimida.- Nem me fala, você viu quem está aqui? – a outra perguntou enquanto abria a torneira. – Cameron Briel.- Sério? Diz que ele tá sozinho! – a outra se animou. Minhas sobrancelhas se arquearam automaticamente, eu não sabia o que estava sentindo.- Bem, eu não diria sozinho... mas também não diria que está acompanhado.- Como assim?- Ele está com uma menina, mas eu não sei se eles estão juntos.- Estão no mesmo quarto, não? – a outra mulher perguntou curiosa.- Acho que sim, mas ele está distante, não parecem estar juntos.- Mas a garota é bonita?- Bom, não é feia. Mas convenhamos, está muito abaixo dos padrões dele.Meu sangue ferveu e eu não pude ouvir mais, ainda mais depois disso.Saí da cabine respirando fundo. A mulher que estava na pia me olhou através do espelho. Ambas interromperam a conversa. Eu lavei as mãos e ajeitei o cabelo. Eu estava bem apesar de tudo. Meu vestido ainda estava lindo.- A propósito... – eu disse a elas em tom tranqüilo antes de sair – o Sr. Briel está livre....Retornei a presença de Cam, que ainda estava na mesa em que jantamos e saboreava seu vinho lentamente.- Mudou de idéia? – ele perguntou assim que sentiu minha presença ao seu lado, não foi preciso me olhar pra isso.- Se você me garantir que eu não vou pagar um mico sendo barrada na porta do cassino por ser menor de idade, eu gostaria de ir com você. – respondi atrevida, meu sangue ainda estava quente com o que tinha ouvido anteriormente.Cameron não pestanejou, entornou de uma vez o que restava n a taçae se levantou. Fui andando atrás dele, que me guiou até a parte de trás do hotel fabuloso, onde se instalava o cassino. OK, era realmente impressionante o lugar. Caça-níqueis, mesas de Black Jack, roletas e dados se viam por todo o local e eram magníficos.O lugar estava fervilhando de pessoas dos mais diversos tipos, desde o tipo gângster italiano até o rapper famoso repleto de beldades a sua volta. Tudo ali cheirava a dinheiro, a diversão e trapaça. Fiquei encantada com o brilho, os sons e a energia que senti.Passamos pela entrada sem problemas, embora eu tenha sentido a mão de Cam se alojar suavemente em minha cintura enquanto passávamos pelos seguranças na entrada. Os grandalhões mal-encarados se limitaram a acenar respeitosamente com a cabeça e não me fizeram nenhum tipo de pergunta inconveniente. Parecia que Cameron mandava no lugar – ou seria apenas sua postura segura?- Muito bem, o que quer tentar primeiro? – ele perguntou alegre e eu via um brilho de excitação em seus olhos verdes.- Hummm... eu não faço idéia, me diz você.Um sorriso de lado surgiu em seu rosto e ele disse:- Eu costumo dizer que pra saber se alguém deve ou não continuar nesse lugar deve primeiro tentar a sorte mais clássica.Eu não compreendi o que ele falou no princípio, mas logo que estávamos parados em frente ao croupier e entendi o recado. Um homem estava no final da sua jogada e tinha perdido, ao que parece, todas as suas fichas. O jogador frustrado se levantou e saiu de vista.- Joga 21? – Cam perguntou pra mim, apoiando-se na mesa com um cotovelo. Com ele conseguis estar tão lindo?- Bom, a teoria é bastante simples. – respondi desviando o olhar dele, passando a admirar a velocidade e a destreza do empregado ao embaralhar as cartas.- Veremos de que você é feita... – Cam disse pouco antes de sair de perto de mim. Ele retornou pouco tempo depois com um punhado de fichas pretas na mão.Cam colocou três das fichas na mesa e indicou ao Croupier que podia começar. Ele começou a dispor as cartas. Meu monte começou com um dois de espadas e o dele com um oito de paus.
A cada carta que se passava eu ía indicando que continuasse. A idéia era fazer 21 pontos, ou se aproximar ao máximo desse valor sem ultrapassá-lo. Eu Tinha quinze pontos na mesa e o croupier dezoito. Respirei fundo. Qualquer carta acima de seis pontos me faria perder o jogo, mas eu também não poderia ficar abaixo dele.- Mais uma. – pedi.Vi o três de copas diante de mim. Isso igualava meu score com o dele. Agora estava em minhas mãos seguir ou não. Eu precisava de outro três para ganhar, mas as chances de perder eram imensamente maiores.Cam permaneceu imóvel, estava se divertindo com minha concentração.- Mais uma. – pedi com convicção.Não pude evitar soltar um gritinho de satisfação quando vi um três de ouros sendo posto na mesa.- Vinte e um, a banca perde. – o cara jovem de uniforme elegante pronunciou, pouco antes de devolver as fichas que apostamos em quantidade dobrada.Cam soltou um sonoro palavrão e um sorriso se estendeu de orelha a orelha em seu rosto, iluminando-o.- Nem vem com essa ladainha de sorte de principiante pra mim. – eu o adverti antes mesmo que pudesse dizer algo.Ele levantou os braços em rendição, pegou três das seis fichas que ainda estavam sobre a mesa e as guardou. Outras três permaneceram.- Mais uma, senhorita? – o rapaz perguntou sorridente pra mim. Eu encarei Cam apenas por um segundo antes de ver seus olhos em aprovação e respondi ao garoto:- Por favor....Eu passei uma noite como a muito tempo não tinha. Tá certo que eu estava no passado, mas o que importava? Estar perto daquela garota me fazia muito bem.Eu levei Luce para conhecer o cassino, queria distraí-la. Eu sabia o quanto estava preocupada pelo o que tinha acontecido mais cedo e queria que se sentisse melhor. Fiquei muito feliz quando ela aceitou meu convite e ainda mais contente quando vi a tremenda sorte que ela tinha nos jogos. Em menos de dez minutos jogando com ela, eu já tinha ganhado mais de dois mill dólares. Vinte e um era mesmo um jogo muito bom.Apostamos na roleta e nos dados, onde não nos saímos tão bem. Nós fizemos uma aposta: ver quem se sairia melhor no fim da noite. Dividi as fichas igualmente entre nós e veríamos o resultado no final. Pro meu completo espanto, eu perdi. Essa garota tinha uma percepção tremenda de quando apostar e quando parar e isso fazia dela uma jogadora sábia, embora inexperiente. Além disso, ela tinha a incrível capacidade de me fazer ficar sem ação.Eu era um demônio, não como os de verdade, os Primeiros, mas era um cara que gostava da boa vida, de não ter responsabilidades. Eu gostava de aproveitar o que essa vida patética na Terra tinha de melhor. Desde sempre, ou melhor, desde que caí, eu desfrutei como ninguém dos prazeres terrenos, nunca me preocupando com nada, exceto com meu próprio bem- estar. Isso mudou completamente há algumas décadas atrás, quando estava na festa de um aristocrata qualquer, que nem me era importante, mas a quem minhas posses haviam interessado grandemente. Tinha saído para tomar um ar e estava pensando no local que levaria a bela cantora que animava a festa com sua linda voz. Era formosa, como diria-se na época. Eu a tinha encantado assim que pousei meus olhos nela e sabia que seria uma diversão fácil.Estava me deleitando com meus pensamentos luxuriosos quando ouvi um grito sendo abafado. Instintivamente me direcionei ao local e vi uma bela jovem sendo atacada por um bastardo qualquer. Eu não tive o menor problema em me livrar do sujeito e foi então que conheci Margarett.Ela era linda, doce, delicada, gentil. Mas era orgulhosa em certo nível e muito educada. Eu gostava de moças requintadas. Elas me agradavam mais que as presas fáceis. Eu teria que conquistá-la para ter o que eu queria, mas tudo foi diferente com aquela garota. Margarett tinha um jeito de ser e de pensar que era totalmente diferente de todas as moças que eu já tinha conhecido –e não eram poucas. Eu fiquei semanas felizes ao seu lado. Pela primeira vez em minha vida eu tinha sentido algo por uma mulher. Até que Daniel apareceu.Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas, mas no meu caso, Ele, além disso, escreveu de cabeça para baixo. A única mulher que tinha me interessado de verdade era também a garota amaldiçoada por amar Daniel. O universo tinha mesmo um senso de humor cítrico... ou talvez fosse apenas a maneira que Ele encontrou por me fazer padecer, vai saber.O fato era que eu já não podia negar meus sentimentos por Lucinda, nem mesmo para mim. Desde quando perdi Margarett eu tinha tentado voltar à normalidade fútil da minha vida miserável, mas sempre, sempre ela estava comigo, em minhas mais íntimas lembranças e pensamentos.Encontrá-la nessa época como Luce foi incrivelmente complicado. Ela, de algum jeito, já não estava mais atada ao fardo de morrer ao ser tocada por Daniel e isso era uma coisa boa e ruim. O bom era que eu não teria mais que vê-la morrer e o ruim era que EU não poderia tocá-la. Sua alma e seu corpo pertenciam a ele exclusivamente e isso me deixava com um sentimento que eu detestava sentir: inveja.Contar-lhe a verdade sobre tudo havia despertado sua alma para as encarnações e habilidades anteriores, e também para sentimentos antigos. Luce, ou pelo menos uma pequena parte dela, conseguia se lembrar de mim, do tempo em que Margarett e eu nos conhecemos e da intensidade da nossa relação. É claro que eu nunca a toquei, nunca além de beijos cálidos e algumas poucas carícias mais ousadas pra época, mas a verdade era que eu, estupidamente, não queria fazer a ela o que fazia as outras. Simplesmente não conseguiria. Foi exatamente quando percebi isso foi que vi que estava apaixonado e isso foi uma merda.Agora eu estava em uma situação delicada: sua vida tinha sido posta em minhas mãos por Daniel e eu teria um tempo razoavelmente grande para estar com ela, longe da influência dele e isso era bom. O lado ruim era que ela estava noiva e sua relação com Daniel havia avançado níveis consideráveis. Outra coisa ruim era o fato de eu não conseguir avançar como gostaria. Por alguma razão que eu também desconhecia, eu nunca a forçava a nada. Por diversas vezes estive com ela em meus braços, em meus lábios, e sentia a vontade dela em me ter, mas sempre que ela resistia, eu não conseguia insistir. A parte babaca e apaixonada em mim não queria fazer nada a ela de pudesse se arrepender... mas era tão difícil. Ficar perto dela era difícil demais sem poder tê-la como eu queria.Com Luce era tudo complicado e estranho pra mim. Era intenso e tudo misturado: era tesão e respeito, amor e vontade. Sempre sentimentos opostos aflorando de uma vez só. Eu sempre tentava me controlar, passar a ela a impressão de que eu estava bem e seguro e tentava agir com meu sarcasmo e leveza habituais, mas o instinto de protegê-la e de possuí-la eram grandes demais pra eu suportar às vezes.Passamos uma noite muito interessante e eu finalmente tinha conseguido fazer ela esquecer um pouco o assunto morte. E também ela estava ocupada demais contabilizando seus ganhos e jogando-os na minha cara.- Muito bem, e já que eu venci e ganhei mais que você eu digo o que quero de prêmio. – ela disse enquanto estávamos de volta no quarto, tarde da noite.- E o que seria? – perguntei curioso.- A cama é minha, caro Sr. Briel. – ela disse voltando seu corpo lindo em minha direção antes de sentar sobre a imensa e confortável cama que ocupava o fabuloso quarto.É claro que eu não tinha pedido um quarto com camas separadas quando fizemos o check in.Sorri desdenhoso.- E você espera que eu durma no chão, enquanto você dorme na cama, é isso?Ela se limitou a sorrir lindamente.Sufoquei um palavrão, mordendo o lábio inferior. Pra ela, provavelmente, eu parecia estar contendo um sorriso, mas a verdade era que eu queria xingar a todos os santos quando ela sorria assim pra mim. Esse sorriso tinha um poder imenso.Ela não esperou minha resposta e foi se encaminhado para a suíte. Ela pretendia tomar uma ducha antes de dormir. Engoli em seco quando a ouvi trancar a porta do banheiro e desejei muito poder estar com ela lá dentro. Maldição.
Notas finais
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