Livin' On A Prayer

4 Welcome to the Family


Notas iniciais
* Peço desculpas pela demora, mas aqui está o capítulo, monstruosamente grande (mais de dez mil palavras). -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Peças de referência: *Música que dá nome ao título do capítulo: http://letras.mus.br/avenged-sevenfold/1710427/traducao.html *Rock and Roll by Led Zeppelin: http://www.youtube.com/watch?v=uMRfm_BqXqU * Voodoo Child by Jimi Hendrix: http://www.youtube.com/watch?v=DaMYKxkQZlw *Anesthesia (Pulling Teeth) by Metallica: http://www.youtube.com/watch?v=rRbZLSrrIo4 *Victo Wooten solo: http://www.youtube.com/watch?v=Ct52omeAsCk *Billy Sheehan solo: http://www.youtube.com/watch?v=5omFFeLEXFE *Battery by Metallica: http://www.youtube.com/watch?v=IZ7Aif5aXlQ *Take no Prisioners by Megadeth: http://www.youtube.com/watch?v=j9UeLylS_eA -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Boa leitura!

04/06/2012

Começou a procura dos músicos que iriam se juntar a Naruto e Sasuke em sua jornada até a fama. Os dois haviam feito cartazes na noite anterior com os seguintes dizeres:

"Procura-se baixista e baterista experientes e que tenham interesse em atingir nível profissional. Interessados, por favor, compareçam ao salão nobre do Horace Green, às 15h30min nesta sexta-feira (08/06), não será necessário trazer seus instrumentos, pois estaremos os disponibilizando."

Os jovens começaram a colar os cartazes nos postes das ruas logo que estavam indo, de manhã, para o colégio. Chegando à escola eles então fixaram os papéis em todos os espaços possíveis. Durante as aulas eles não se viam, pois tinham horários diferentes. No período da manhã, Naruto conversara com todos com quem possuía aulas na tentativa de encontrar algum interessado na vaga de baixista ou baterista, porém não obtivera êxito. Sasuke se inquietara durante esse meio tempo, o Uchiha era uma pessoa muito compenetrada e levava os estudos muito a sério, segundo ele, era melhor prestar atenção durante as aulas para não desperdiçar seu tempo com repetições desnecessárias.

Durante o almoço eles se encontraram no refeitório e, então, começaram a dividir ideias sobre qual seria a melhor maneira de conseguirem visibilidade no cenário musical de Los Angeles. A conversa durou um bom tempo, mas eles não chegaram a um consenso. Sasuke preferia chamar a atenção do público via internet, apresentar-se em festivais de música independente e juntar um dinheiro para poderem gravar um EP em um pequeno estúdio profissional. Naruto, por sua vez, queria se apresentar em pubs, comprar um microfone barato pelo e-Bay, gravar num pen drive algumas músicas demo e mandar para alguma gravadora.

Depois do almoço, ambos voltaram para suas classes. O tempo passou relativamente rápido para eles: sem nem perceberem, as aulas já tinham acabado. Logo depois que o último sinal da escola ecoou, encontraram-se no portão de entrada do colégio.

Estavam prestes a seguir o caminho para casa, quando Sasuke comentou que ainda gostaria de procurar um lugar para comprar o novo amplificador. Eles então começaram a caminhar pelas redondezas do colégio em busca do novo equipamento.

— Você tem certeza que a loja de penhores é por aqui? — indagou Naruto já cansado de andar em círculos.

— Tenho. Ela fica perto daquela sex shop em que você comprou aquela boneca inflável para dar de presente de aniversário para o seu tio.

— Putz, é mesmo! Tinha até me esquecido disso. Você lembra que ele ficou puto comigo e falou que aquilo era um presente de merda e blá, blá, blá. — Terminou de falar enquanto gesticulava com as mãos abrindo e fechando, imitando a movimentação de uma boca.

— Porra, claro que eu lembro! Naquele dia, ele só não fez a chinela estalar no seu lombo porque eu, como pessoa responsável que sempre fui, tinha lhe advertido sobre isso e havia bolado um plano B. – disse o Uchiha com voz de superioridade.

— Plano B, como assim? Eu lembro que você foi junto, mas não lembro de nenhum plano B. — respondeu Naruto confuso.

— Na boa, vai procurar um geriatra porque o Alzheimer tá foda!

— Vai se foder. Conta logo o que era esse plano. — replicou enquanto mostrava o dedo médio.

— Fui junto contigo comprar o presente. Enquanto você estava tentando convencer algum adulto a comprar aquela porcaria e te entregar, eu estava olhando nas lojas aqui perto tentando encontrar algum livro de um escritor que seu tio gostasse. Acabei entrando na loja de penhores, porque estava com pouco dinheiro, já que você pegou uma grande parcela pra comprar aquela bosta de plástico. De qualquer forma, fiquei revirando pilhas e mais pilhas de livros antigos até que encontrei Mulheres de Ch...

— Charles Bukowski, autografado! — interrompeu aos gritos.

— Obrigado por me interromper. — retrucou sarcástico.

— Agora me lembrei. Você comprou esse livro e mais alguns vinis, o Itachi uma daquelas máquinas vintage de escrever e eu aquela boneca. Fui o primeiro a dar os presentes, o tio ficou muito bravo e ia me trucidar, mas você me puxou pro canto e me empurrou esse livro. Depois entreguei a ele e falei que a boneca era apenas uma brincadeira, um "troco" pelo presente que ele tinha me dado no Natal passado. Aí, tudo ficou certo.

— O que ele tinha te dado? Lembro que era alguma coisa te sacaneando por passar muito tempo no banheiro. – disse Sasuke às gargalhadas.

— Antes de me entregar a caixa com o PS3, ele tinha me dado um pente daqueles que os velhos usam pra pentear o bigode e um cartãozinho escrito: "Feliz Natal, meu querido sobrinho da mão cabeluda. Desejo-te muita saúde, energia e disposição, porque só assim você conseguirá ficar tanto tempo no banheiro lustrando.". — falou meio constrangido.

— Puta que pariu! Saudades de quando tínhamos treze anos. – falou rindo intensamente.

— Muito engraçado. – replicou ironicamente.

— Tá, não vou rir mais porque você me deixou ficar uma semana com seu PS3 para que eu não contasse isso pra ninguém. Sei que vou me arrepender se perguntar, mas que se dane, o que seu tio fez com aquela coisa bizarra?

— O tio não a devolveu. Acho que guardou, não sei se a usou, mas guardar eu garanto que sim. Pode parecer loucura, mas tenho quase certeza que aquilo tem um grande valor sentimental pra ele.

— Que porra é essa?!

— Sério. Um dia eu cheguei em casa e ele estava deitado no chão da sala só com um robe e com uma garrafa de absinto praticamente vazia ao lado. Preocupado, fui perguntar a ele se gostaria de ir para o hospital, mas ele balançou a cabeça negativamente e então começou a resmungar: "Sempre te amei. Seus lábios carnudos, seios fartos e cabelos louros me encantaram desde o primeiro dia em que nos vimos. Você é a única que me entende, boneca.".

— Chega das bizarrices da sua família! A sex shop é logo ali então quer dizer que a loja fica aqui. Ué, cadê ela?! – exclamou o jovem Uchiha.

— Ô bocó, olha só esse papel. – disse o loiro enquanto pegava um papel que havia sido afixado na parede da antiga loja – Viu? Aqui tá dizendo que eles mudaram de endereço.

— Para onde eles foram?

— Me deixa dar uma olhada. – O Uzumaki encarou a folha por alguns instantes, fez uma pequena pausa e então continuou. – Você não vai gostar de saber pra onde eles se mudaram.

— Para de frescura e me diz logo pra onde eles foram!

— Você lembra aquela minha prima super-ultra-mega-power-legal que você namorou algum tempo a trás?

— Porra, não fode! Não me diga que é perto da casa dela!

— Então, coleguinha, eu falei pra você não namorar ela, mas você não me escutou. Eu falei pra você não comer ela, mas você também não me escutou. E por último e mais importante, eu falei pra você não dar um pé na bunda dela justo no dia de aniversário de um mês de namoro... – O jovem Uzumaki foi interrompido no meio de seu discurso jocoso.

— Tá bom, eu já entendi! – o moreno esbravejou.

— Então, você ainda quer ir nessa loja de penhores ou prefere procurar por outra?

— Eu ainda quero ir nessa, ela tinha um bom acervo de coisas relacionadas à música. – Sasuke pegou o papel com o novo endereço da loja enquanto respondia.

— Você tem certeza que você quer ir lá? Lembre-se de que a Karin é meio maluca, ela tentou cortar seus bagos fora no dia em que você terminou o namoro. – disse gargalhando.

— Nem me lembre. – disse Sasuke se arrepiando por inteiro – Naruto, quanto você quer pra conversar com sua querida prima e fazer ela me perdoar? – perguntou retirando a carteira do bolso.

— Nada. Eu prefiro ver ela tentar te castrar de novo. – Riu novamente, porém dessa vez fora mais intenso.

— Que beleza de amigo é você, hein? Com amigos assim quem precisa de inimigos?

— Tá bom, eu converso com ela, mas você tem que ir se desculpar primeiro. Quero dizer, você transou com ela e logo em seguida a dispensou. Você foi o primeiro dela, isso deveria ter sido algo especial, mas você não estava nem aí, por isso ela ficou tão brava. – Naruto fez uma breve pausa, pensou um pouco e então continuou – Se bem que nada justifica ela ter arrombado a sua casa no meio na noite com uma motosserra e tentado te transformar em um eunuco.

— Dá pra parar de falar nisso?! Toda vez que você me lembra disso, minhas bolas gelam. – Sasuke disse enquanto colocava as mãos em suas partes baixas – Ok, eu conversarei com ela.

— Tá bom então. Agora vamos pra sua casa porque a gente ainda tem que ensaiar hoje.

08/06/2012

A semana havia passado rapidamente. Tanto Sasuke quanto Naruto estavam muito ansiosos pelo grande dia em que iriam escolher as pessoas que os acompanhariam na busca pelo sucesso.

Durante a semana os dois amigos ensaiaram arduamente, queriam causar uma boa impressão no dia das seletivas. Para isso, eles estudaram de tudo um pouco, desde o rockabilly dos anos 60 até as músicas indies atuais.

Sasuke ainda não havia visto seu tão sonhado amplificador, pois ainda não havia conversado com Karin frente a frente, apenas havia mandado uma mensagem dizendo que precisava falar com ela. Para sua surpresa, ela aceitou de bom grado e marcou para eles se encontrarem no sábado em um café em frente à praia.

As aulas já haviam acabado, o relógio marcava 15h 45min, mas ninguém havia aparecido no auditório da escola. Mais uma porção de minutos se passou e ninguém apareceu. Naruto já estava ficando furioso com isso, pois ele havia tido um grande trabalho para reservar o auditório e pegar os instrumentos emprestados com o pessoal do clube do coral.

— Porra! Cadê esses filhos da puta?! – Naruto gritava a plenos pulmões enquanto chutava uma das poltronas do auditório.

— Ô sua bicha, para de dar chilique. Não faz nem uma hora que estamos aqui. – repreendeu o moreno.

— Mas cara, ninguém apareceu! Já se passou um bom tempo e nenhum puto se quer pisou aqui!

— Você é imbecil ou o quê? Você esperava que, de uma hora para outra, um monte de gente se prontificasse a vir aqui só por que você quer? Não é assim que a coisa funciona. – ralhou com tom seco os comentários do amigo.

— Tá, eu sabia que não ia ser fácil, mas ninguém vir aqui já é sacanagem!

— Só uma pergunta: – Um breve suspiro. – se fosse você quem visse o cartaz, você viria até aqui? Você não faz a mínima ideia de quem colocou o cartaz ali, não sabe se eles são pessoas sérias ou apenas picaretas tentando crescer com o talento alheio.

— Mas a gente não é assim! – Exclamou o loiro interrompendo a fala do outro. – As pessoas já nos viram tocando, sabem que somos bons no que fazemos... – Dessa vez fora o Uchiha quem interrompeu a fala do amigo.

— Por favor, preste atenção nisso: “Procura-se baixista e baterista experientes e que tenham interesse em atingir nível profissional. Interessados, por favor, compareçam ao salão nobre do Horace Green às 15h30min nesta sexta feira (08/06), não será necessário trazer seus instrumentos, pois nós estaremos os disponibilizando.”. – Sasuke terminou de ler.

— Tá, e daí? Esse é um dos nossos cartazes. – respondeu Naruto sem compreender o que o moreno queria dizer.

— Você reparou que em momento nenhum você mencionou quem nós somos? Ou ao menos deixou alguma forma de contado para que eles pudessem tirar alguma dúvida?

— Agora a culpa é só minha? Só por que fui eu quem imprimiu os cartazes. Você bem que podia ter falado alguma coisa ou feito eles, já que os meus são uma porcaria. Aliás, por que você não disse nada antes da gente começar colá-los por todos os lados? – respondeu com raiva.

— Eu tinha te advertido na primeira vez que você os mostrou. Não se lembra?

— Hum. – Naruto fez uma cara de indiferença.

— É, pelo jeito não. Foi por isso que eu refiz os cartazes no dia seguinte e os troquei sem nem perguntar para você, veja como ficou. – disse o moreno tirando um papel do bolso.

O cartaz feito por Sasuke dizia o seguinte: “Procura-se baixista e baterista experientes e que tenham interesse em atingir nível profissional. Interessados, por favor, compareçam ao salão nobre do Horace Green às 16h00min nesta sexta feira (08/06) ou no sábado (09/06), não será preciso trazer seus instrumentos, pois nós estaremos os disponibilizando. Para mais informações, entrem em contado com Sasuke Uchiha (n° cel xxx). Ps: entrem em www.youtube.com/user/UchihaSasuke e nos vejam tocando.”

— Seu emo desgraçado, não sei se eu te beijo ou eu te soco. – falou Naruto abraçando o Uchiha.

— Chega de viadagem, nós temos mais coisas a fazer. – disse o moreno empurrando o corpo que o apertava para longe.

— Só uma coisa: por que você não me disse nada e mudou o horário para as quatro?

— Eu mudei o horário para as quatro porque não sabia se íamos demorar a trazer os instrumentos do clube do coral para cá; e eu não te avisei, pois eu tinha certeza que você ia ficar putinho porque eu mexi nos seus cartazes. Enfim, chega de ficar papeando, já chegou o nosso primeiro candidato. – disse apontando para a entrada do auditório.

Ao longe, era possível ver uma pessoa de costas para a porta, vindo em direção à dupla que, até instantes atrás, estava discutindo. Era um garoto baixinho, cabelos castanhos e arrepiados, usava roupas bem largas e, estranhamente, estava usando um comprido cachecol azul em época de verão. Ele, lentamente, desceu as escadas até atingir o plano mais baixo do local.

— Olá. Prazer em conhecê-lo, meu nome é Naruto e esse aqui é o Sasuke. – disse alegremente enquanto apontava para o amigo – Qual o seu nome?

— Oi. Meu nome é Konohamaru, vim aceitar de bom grado ser seu baterista. Vocês podem até parar de procurar outros candidatos, porque eu sou foda pra caralho. – falou de forma pedante – Eu vi o anúncio de vocês, porém não havia botado muita fé em suas habilidades musicais antes de ver os vídeos colocados no YouTube . – Ele fez uma pequena pausa e logo em seguida exclamou. – Puta que me pariu! Você são animais, parecem até o Dave Murray e o Adrian Smith (Iron Maiden) tocando juntos, a sincronia é perfeita!

— Ok, muito obrigado pelos elogios. Mas chega de papo, suba no palco e nos mostre o que sabe fazer. – disse o Uchiha.

— Mas eu gostaria de conversar mais com vocês antes de me apresentar. – respondeu o aspirante a baterista.

— O que você quer saber? – Perguntou o loiro sorridente, pois estava muito feliz que alguém havia aparecido no auditório.

Enquanto isso, Sasuke foi em direção a uma das poltronas e se sentou. Não estava com muita paciência para conversa fiada, além do mais, ele não fora com a cara de Konohamaru, pois o julgara muito novo e prepotente.

— Vocês tocam juntos há quanto tempo? Qual o nome da banda? Qual a idade de vocês? Vocês não vão tocar junto comigo hoje? Quais são seus...

— Hey, calma aí! – bradou Naruto interrompendo o garoto – Eu vou responder só essas perguntas por agora, depois a gente continua. Nós tocamos juntos desde que o Sasuke começou a me ensinar a tocar violão, isso já deve fazer uns treze anos. A banda ainda não tem nome, queremos ouvir as opiniões dos outros integrantes, por isso vamos escolher só depois que ela estiver completa. Ambos temos dezessete anos. E queremos escutar você tocando primeiro sozinho para entender melhor seu estilo, depois quem sabe a gente toque junto. Só por curiosidade, quantos anos você tem?

— Quinze. – respondeu gaguejando.

— Hum. Ok, então, por favor, suba no palco agora. – disse apontando para a bateria.

O pequeno músico fez menção de dizer alguma coisa, porém se conteve e foi em direção ao palco. Enquanto subia, Naruto foi a Sasuke e tomou posse de uma poltrona ao lado.

— Desde quando temos vídeos tocando juntos? Eu não me lembro de ter gravado nada. – sussurrou o Uzumaki intrigado.

— Eu gravei pelo iPhone, essa semana, os nossos ensaios e os postei no YouTube. – respondeu sem mudar a expressão séria que estava fitando o provável companheiro de banda – Tem algo me incomodando nesse moleque. Eu acho que esse filho da puta arrogante está mentindo, ele não tem quinze anos, nem fodendo. Eu juro que se ele não tocar bem eu vou...

— Tá, tá, tá. – falou interrompendo o fluxo de ideias do outro rapaz – Depois você continua destilando seu veneno, agora cala a boca e vamos ver a apresentação.

O garoto começou a tocar o instrumento, fazia caras e bocas enquanto acertava as baquetas nas caixas e nos pratos, ele as atacava de forma violenta e rápida, cheio de energia, porém de maneira desordenada. Mais alguns minutos e terminou o solo de bateria, ele estava derramando algumas gotas de suor e estampava um sorriso gigante em seu rosto feliz, parecia estar satisfeito com a apresentação. Já os dois amigos que estavam assistindo permaneceram calados durante toda a execução e, no final, demonstravam caras de espanto.

— E aí, mandei bem ou não? – perguntou o jovem ofegante.

— Tá bom, obrigado por ter vindo. Deixe seus dados e nós lhe contataremos depois, caso seja selecionado. – Sasuke respondeu de forma seca.

— Como assim?! Seus putos, eu fui bem pra caralho! Mandei ver na minha interpretação de Rock and Roll (Led Zeppelin)! Eu posso ver até pelas suas caras de surpresa que eu toquei demais, suas vadias! Por que não pulamos logo essa parte e vocês me colocam de vez na banda?!

— Seu moleque insolente do caralho, filho duma puta! – esganiçou Naruto enquanto se levantava para ir em direção ao garoto e espancá-lo, porém Sasuke o deteve.

— Pode deixar comigo. – disse o moreno estendo o braço na frente do loiro enquanto se levantava – Primeiro de tudo: fecha o cu pra falar comigo! Segundo: essa tua apresentação foi medíocre, que merda é essa que você apresentou?! Se John Bonham escutasse isso ele iria se contorcer no caixão! Terceiro: as caras de espanto que tanto eu quanto meu amigo demonstramos é porque você estava tocando parecendo um macaco tendo um ataque de epilepsia com uma baqueta enfiada no cu! Você é um bosta, não sabe tocar porra nenhuma e fica pagando de pica das galáxias! Vai embora antes que eu pegue um martelo, rache seu crânio, arranque seus olhos, foda tua cavidade ocular, te sodomize com uma faca, te estrangule com suas próprias vísceras e depois estupre seu corpo morto. – vociferou, terminando seu discurso de ódio quase sem fôlego.

O jovem baterista começou a chorar depois de ouvir as palavras de revolta. Seus olhos transbordavam iguais a uma cachoeira, havia catarro escorrendo próximo a seus lábios, sua voz ficara trêmula e só conseguia balbuciar palavras de arrependimento.

— O que foi agora, valentão, está com medinho e quer a ajuda da mamãe? – o Uchiha questionou com zombaria.

— Hey Sasuke, já chega, você já disse tudo o que precisava. – falou o Uzumaki com voz de pena ao ver o moleque chorando – Cara, escuta: nós só lhe respondemos dessa maneira porque você foi mal educado com a gente, mas relaxa, teu cu tá salvo, o emo não vai fazer nada. Gostamos da sua apresentação, ela estava cheia de energia.

— Verdade? – Perguntou Konohamaru, surpreso, interrompendo as lágrimas.

— Sim é verdade, não é mesmo, Sasuke?

O moreno não respondeu apenas manteve sua cara de indiferença.

— Então, por favor, preencha esse formulário e talvez a gente ligue pra você. – disse o Uzumaki.

— Tá bom, obrigado. – respondeu o pequeno enxugando as lágrimas.

Logo após preencher o formulário, Konohamaru se desculpou e foi para casa. Ao verem a ficha, descobriram que aquele garoto mentira a idade, na realidade, tinha apenas doze anos, possuía um pouco mais de um ano de prática com a bateria e, aparentemente, pelo seu sobrenome, Sarutobi, era parente da professora de literatura.

Os outros dois músicos continuaram as audições até o final da tarde, mas nada de relevante aconteceu. Apareceram algumas dezenas de pessoas, mas nenhuma aparentava ter o dom ou carisma necessários. Naruto e Sasuke decidiram então voltar para casa, um pouco frustrados eles conversavam sobre os candidatos que se apresentaram naquele dia.

— Eu sabia que aquele moleque não tinha quinze anos. – disse o Uchiha com ar de vitória – Aquele desgraçado vem falar um monte de bosta pra gente e você ainda o defendeu tentando colocar panos quentes. Por que fez aquilo? Eu sei que você também não gostou da maneira como ele tocou ou agiu.

— É, você tinha razão quando disse que ele parecia um macaco tocando bateria, mas eu senti pena de vê-lo chorando. Você sabe que eu não consigo ver ninguém chorando. Além do mais, ninguém merece essa sua atuação de psicopata que fapeia pra letras mórbidas de metal trevoso.

— Como é? – indagou curioso.

— Tá de sacanagem? Achou mesmo que eu não ia notar aquele monte de letras do Cannibal Corpse vomitadas na cabeça do guri? "Vou te sodomizar com uma faca e esmagar seu crânio..." – rosnou em gutural antes de começar a tossir – Chega! Não consigo mais imitar aquela voz de demônio. – Continuou tossindo.

— Parabéns. Toma aqui um Troféu Joinha por ter tentado copiar aquela voz e agora está quase morrendo engasgado. – Sasuke falou ironicamente enquanto colocava a mão direita fechada com o polegar apontado para cima sobre a palma da mão esquerda. – Agora que você já fez sua piadinha infame, vamos voltar a falar sério? O que você achou do pessoal que foi lá no auditório? Você acredita que algum tenha o potencial necessário?

— Não, eu não consegui achar ninguém que me agradasse. E você, o que achou? – Naruto respondeu enquanto massageava seu pomo-de-adão.

— Eu também não gostei de nenhum. Pra falar a verdade, o que eu mais gostei foi o moleque macaco, ele pelo menos tinha a atitude de um rock star.

— Verdade. – concordou rindo – Deixando a banda de lado por um instante, você já foi conversar com a Karin pra ela não tentar te matar quando você chegar perto da loja?

— Ainda não, eu marquei com ela da gente se encontrar num café amanhã de manhã. Espero que ela me perdoe e não tente fazer nada estranho dessa vez.

— Ela vai te perdoar, relaxa. – o Uzumaki falou enquanto tentava segurar o riso.

— Tomara.

— Você vai querer ir à loja de penhores amanhã, antes de irmos pro colégio?

— Pode ser.

09/06/2012

Era o dia do encontro de Sasuke e Karin. O jovem Uchiha estava ressabiado com o evento, sabia que não podia abaixar a guarda, pois sua infame ex já cometera alguns atos que fariam qualquer um levantar suspeitas sobre seu equilíbrio mental. Mesmo assim, ele estava sentado no café em frente à praia esperando a garota chegar.

O dia estava ameno, com raios de sol suaves, ventos calmos vindos do mar e nuvens claras no céu. O moreno estava sentado em uma mesa do lado de fora do café admirando as ondas, saboreando uma bela xícara de Caffè macchiato, quando repentinamente alguém agarrou com força seu pescoço. Ele se assustou, derrubou um pouco de café em suas roupas e acabou queimando seu peitoral. A pessoa quem o abraçara de forma bruta era uma garota ruiva, baixinha, de olhos castanhos claros, que estava vestindo uma blusa lilás básica, um short preto e um par de óculos pequeninos.

— Calma, meu amorzinho, sou eu. – sussurrou uma voz aguda estridente no ouvido direito de Sasuke.

— Oi, Karin, há quanto tempo. Por favor, sente-se. – falou com uma voz sem muito ânimo.

— Então, o que você quer conversar comigo? Será que finalmente percebeu que foi um erro ter me largado? Veio implorar para que voltemos? – indagou com a voz lasciva.

— Por favor, vamos com calma. Peça alguma coisa antes da gente começar a conversar. Por favor, garçonete. – disse o moreno levantando o braço chamando pela atendente.

— O que a senhorita vai querer? – perguntou a garçonete com simpatia.

— Me traga um cappuccino gelado grande com cubinhos de marshmallow e um crepe suíço de chocolate. – respondeu a ruiva com soberba.

— Mais alguma coisa?

— Não, muito obrigado. – respondeu o Uchiha.

A garçonete logo foi para a cozinha entregar o pedido. Não demorou muito, e ela retornou com o cappuccino. Nesse meio tempo, Karin fizera um monte de perguntas para Sasuke, muitas delas eram sobre sua vida amorosa. Por razões lógicas, ele omitiu grande parte da verdade.

— Aqui está, senhorita. Desculpe a demora. – disse a atendente apenas por cordialidade.

— É bom mesmo se desculpar. – implicou a prima de Naruto; a única coisa que tinha em comum com o rapaz loiro era o sobrenome – Que droga é essa?! Eu disse cubinhos, ou seja, pequenas porções de marshmallow e não esses icebergs brancos!

— Me desculpe, senhorita, eu o levarei de volta e trarei da forma que mais lhe agradar.

— Vamos, Karin, seja legal com a moça. – disse Sasuke tomando para si o copo e tomando um pouco do cappuccino – Ele está muito bom e os marshmallows nem são tão grandes assim.

— Ok, pode ir para lá! – ordenou Karin enquanto abanava a mão para a atendente.

A garçonete fez um contato visual com Sasuke antes de voltar a tomar conta das outras mesas, esse gesto seria apenas algo inocente, como “obrigada, você me salvou; te devo uma” ou qualquer coisa do gênero, mas na concepção de Karin isso era um flerte e, portanto, era uma afronta.

— Foi pra isso que você me chamou aqui?! Para me humilhar mais uma vez?! – gritava a jovem ruiva enquanto batia a mão na mesa.

— Shiu. – fez o Uchiha colocando suavemente a ponta do seu dedo indicador na boca da garota que estava gritando – Calma. Foi apenas um mal entendido.

— Tá bom, meu príncipe. – respondeu a jovem Uzumaki com uma voz doce.

— Ok, obrigado. – O moreno suspirou profundamente e então continuou. – Então, Karin, eu te chamei aqui, pois queria conversar sobre como a gente terminou. Eu sei quenão te tratei como deveria, eu fui um canalha.

— Foi mesmo.

— Você merece ser tratada como uma princesa. – mesmo que sua face demonstrasse gentileza e arrependimento, seu interior se opunha completamente e gritava: “essa vadia é maluca, ela vai cortar seus bagos fora, corre enquanto pode seu idiota”.

— É. Eu mereço! – falou com uma voz dengosa – Eu já sei o que você queria ao me chamar aqui.

— O quê?

— Você quer reatar nosso namoro, eu sei que está arrependido e prometo que pensarei no seu caso, mas você terá que ser um bom menino. – terminou enquanto piscava para o Uchiha.

— Não... – Antes mesmo de completar a frase, Karin o interrompeu com gritos agudos que causariam inveja a qualquer cantora de ópera.

— Como assim não?!

— Posso explicar? – Fez um breve momento de silêncio – Bom, eu não quero voltar a namorar, pelo menos não agora. Eu te chamei aqui porque eu realmente me senti mal pelo jeito que as coisas acabaram, eu não queria que você tivesse sido presa, mas você invadiu minha casa no meio da madrugada para tentar me castrar com uma motosserra...

— Você tinha que lembrar disso, não é mesmo? Me chamou aqui só pra ficar me chamando de maluca?! – interrompeu quase aos prantos.

— Não é isso, me perdoe. Eu sei que você não fez por mal. Só queria dizer que gostaria de deixar tanto os meus erros quanto os seus no passado e tentar apagar isso de nossas memórias. Isso foi só um episódio ruim e ele não deve macular nossa amizade. Eu gostaria mesmo que pudéssemos voltar a nos dar bem e sermos amigos novamente. Então, o que você me diz? Me perdoa? Porque eu já te perdoei. – Finalizou com um sorriso dissimulado.

— Tá bom, seu bobinho, eu te perdoo também. – a ruiva voltara a falar com a voz dengosa de antes – Que bom que a gente conseguiu se entender.

Mais algumas palavras aqui e ali, uns minutos a mais e os dois decidiram ir embora. Sasuke pagou a conta de ambos. Eles se despediram com um abraço e, enquanto se abraçavam, a garota dos óculos diminutos agarrou o membro sexual do ex enquanto sussurrava em seu ouvido. O moreno se arrepiou por inteiro imaginando que ela iria machucar seu amiguinho, em sua mente um monte de coisas passavam ao mesmo tempo, em especial, reavivara a memória do atentado da motosserra. Estava muito assustado e queria empurrá-la para longe, porém o susto o manteve imóvel.

— Eu sei o que você quis dizer com amigos. Nós seremos friends with benefits (amigos coloridos). – sussurrou Karin ao pé do ouvido do Uchiha enquanto acariciava-o na parte baixa, antes de lhe morder o lóbulo da orelha. Logo em seguida ela o soltou e correu sorridente para longe.

Mais tarde, Sasuke se encontrou com Naruto por volta de 15h para irem à loja de penhores. O Uzumaki havia pego a Hilux do tio emprestada para carregar o amplificador do amigo até a loja.

Segundo o Uchiha, aquela loja era ótima, os preços eram bons, a qualidade dos produtos era excepcional e a variedade oferecida era imensa.

— E aí, como foi com a Karin? Ela tentou arrancar seu pau fora de novo? – perguntou aos risos.

— Foi estranho, mas acho que estamos bem. Eu falei que estava arrependido por ter feito aquilo com ela, disse que gostaria de esquecer tudo e queria que ela voltasse a ser minha amiga.

— E ela aceitou isso numa boa? Sem reclamar ou surtar nem um pouquinho?

— É, mais ou menos. Você sabe, aquele jeitinho bipolar dela, não sabe?

— Hum. Que bom que ela não tentou agarrar no tua rola de novo. – Terminou gargalhando.

— Aí que tá. Eu ainda não te contei, mas ela agarrou, não para realizar o castraste e me deixar com a voz fininha, e sim para ficar acariciando, enquanto sussurrava no meu ouvido que ia ser minha “amiga colorida”. – O moreno soltou um suspiro e então concluiu. – Essa vadia é louca! Tenho medo dela invadir minha casa de madrugada novamente.

— Hey! É da minha prima de quem a gente tá falando, olha o respeito! – repreendeu fazendo a defesa da ruiva.

— Mas você a chama assim também! – retrucou Sasuke.

— Mas eu posso. Eu sou parente dela mesmo.

— Vai se foder! Chega de falar daquela desgraçada!

— Olha ali. Falando do diabo, veja de quem é essa casa. – disse Naruto apontando para a casa da prima.

— Isso quer dizer que já estamos perto da loja. Estaciona logo, porque ainda temos que ir para escola daqui a pouco. – Falou ignorando completamente o que o outro lhe havia dito.

Depois de estacionar, os dois descarregaram o aparelho colocado na caçamba e foram para a loja. Ambos estavam ansiosos para entrar nela, Naruto queria ver se era realmente tudo aquilo que o amigo havia dito e Sasuke queria saber se encontraria seu tão sonhado brinquedinho. Ao entrarem lá, a animação foi subitamente transformada em decepção. O local era imenso, porém não possuía muitas coisas relacionadas à música, as mercadorias que ali estavam eram todas bem gastas e velhas.

— Que bosta hein? – sussurrou o Uzumaki para que o vendedor não o escutasse – Não era aqui o lugar fodástico? – questionou ironicamente.

— É, eu sei! Ela não está do jeito como eu me lembrava. – respondeu o moreno meio contrariado.

— O que você vai fazer? Vai querer procurar aqui mesmo no meio desse monte de sucata ou prefere ir em outro lugar?

— Já que estamos aqui, vou ver se acho alguma coisa útil.

— Boa sorte, otário. – falou rindo enquanto se divertia com a cara de decepção do outro rapaz.

Depois de terminar sua frase de escárnio, Naruto foi em direção ao fundo de um dos corredores, enquanto Sasuke permanecera em frente do balcão de entrada para conversar com o dono do estabelecimento.

— Boa tarde senhor, tenho uma oferta a lhe fazer. Você estaria interessado em comprar um amplificador Spider IV 150 watts da Line 6? Ele está seminovo.

— Quanto você quer por ele?

— Bom, na época eu paguei U$500,00 pelo cabeçote e U$250,00 pelo alto-falante, então acho que posso te vender por U$600,00.

— Garoto, você não acha que está querendo muito por ele?

— Não. Ele é o melhor modelo da atualidade quando o assunto é modulação digital, além disso, foi pouquíssimo utilizado.

— Deixe-me dar uma olhada nele. – Falou o homem saindo de trás do balcão para examinar o equipamento.

O vendedor ficou alguns minutos verificando as condições daqueles aparelhos, os ligou na tomada e os testou com uma guitarra qualquer que ele havia pego em uma das sessões. Após os testes, ele falou que pagaria, mesmo a contra gosto, aquele preço. Sasuke, antes que o homem lhe entregasse o dinheiro, interveio e avisou que preferiria trocar o valor em produtos da loja.

Depois da negociação, o Uchiha ficou procurando um amplificador valvulado decente durante algumas dezenas de minutos. Infelizmente o acervo musical era restrito a ponto de ele até desistir de comprar um Marshall, estava até repensando a ideia de trocar seu amplificador digital.

Enquanto isso, Naruto ficou andando pela loja analisando seus produtos. Achou alguns objetos interessantes como espadas e HQs antigas, assim como alguns objetos realmente estranhos: um quadro em que um homem era retratado de forma grotesca chorando sangue com uma etiqueta dizendo "Man of Sorrow", um mictório sujo com algumas inscrições feitas à caneta preta e um pênis enorme, esculpido em madeira, com uma etiqueta escrita com caracteres japoneses.

A hora da seleção dos candidatos para a banda já estava chegando e Sasuke ainda não havia encontrado seu precioso valvulado. Porém, nesse meio tempo, encontrara meia dúzia de pedais de efeitos e os separara.

Já pensando em desistir, eis que, debaixo de um pano todo empoeirado, o moreno encontrou um amplificador velho todo surrado e carcomido, não possuía nada que identificasse sua marca, mesmo assim, fascinava o jovem Uchiha, porque o visual lembrava bastante os utilizados por bandas dos anos 80.

Sem pensar muito, pegou aquele aparelho antigo e foi até o dono da loja acertar e testar os equipamentos.

— O total dos pedais vai dar U$200,00. Já o amplificador eu vou querer U$500,00

— Mas como eu vou saber se esses aparelhos estão ainda funcionando? – Sasuke argumentou.

— Vamos fazer o seguinte: eu os ligo aqui e pego uma dessas guitarras velhas que estão por ali, aí testo os equipamentos. Se eles estiverem todos funcionando perfeitamente então o preço é esse, caso contrário, negociamos.

— Ok.

O vendedor logo plugou todos os cabos nos lugares, porém o valvulado não ligava, aparentemente estava quebrado. Ele então pegou o antigo amplificador de Sasuke, testou os pedais e constatou que todos eles estavam funcionando perfeitamente.

— Então façamos assim: os pedais pelos U$200,00 que já tínhamos combinado e o amplificador eu faço por U$350,00. O que você acha?

— Ainda acho que está muito caro por um aparelho quebrado. Que tal U$450,00 pelos dois?

— Moleque, você está louco! Eu faço U$300,00 pelo amplificador, U$200,00 pelos pedais e te devolvo U$100,00 da diferença, oferta final.

— Tudo bem então. – disse Sasuke sério, enquanto sentia-se satisfeito pelas aquisições.

Após fazer a troca, o moreno saiu à procura de seu amigo, que há algum tempo não o via. Ele procurou pelo loiro dentro da loja toda, mas não o encontrou, foi até a caminhonete, mas também não estava lá. A paciência do Uchiha já estava se esvaindo, o horário do ensaio já estava se aproximando e o outro rapaz havia desaparecido. Mais algum tempo de espera e uma figura familiar aparecia ao fim da esquina, era Naruto se aproximando lentamente com algo na boca.

— E ai, conseguiu achar seu tão sonhado amplificador? – perguntou o Uzumaki enquanto mastigava uma donut.

— Idiota onde você estava?! A gente já está atrasado! – falou com voz seca repreendendo o outro.

— Calma aí desvairada, só fui comprar algo para comer. Você estava demorando muito e eu fiquei com fome. – respondeu de forma descomprometida enquanto dava outra mordida na rosquinha.

— Vamos logo. Já são quase quatro horas, as audições já estão prestes a começar.

— Tá bom, vamos. – disse Naruto terminando de comer seu doce e entrando no veículo — E aí, conseguiu ou não achar o que você queria?

— Sim. Achei algo interessante, depois eu te mostro.

— Ué, cadê ele?

— Eu já o coloquei na caçamba.

— Você tampou direito com a lona?

— Sim.

O jovem Uzumaki partiu acelerado em direção ao colégio. Ao chegarem lá eles correram em direção ao auditório e perceberam que já havia uma pessoa esperando. Não era ninguém novo, era apenas o garoto macaco que havia aparecido na tarde de ontem.

— O que você está fazendo aqui? – perguntou Naruto ofegante.

— Eu vim me redimir pelo que fiz ontem. – respondeu Konohamaru meio cabisbaixo – Eu sei que ontem minha apresentação não foi tão boa assim, mesmo assim você foi legal comigo, então hoje vim aqui pra ver se poderia ajuda-los de alguma forma.

— Não, obrigado. Pode ir embora. – retrucou Sasuke com tom ranzinza.

— Calma aí Sasuke, ele está tentando pedir desculpas. Deixa ele. – interveio o loiro.

— Obrigado, farei meu melhor. – falou o garoto macaco.

— Escuta aqui garoto – disse Naruto abraçando o jovenzinho aspirante à baterista por debaixo do braço com bastante força, parecia mais uma chave de MMA do que uma demonstração de afeto –, de hoje em diante, você será nosso mascote. Eu gostei de você, mas vai ter que nos obedecer se quiser ficar aqui.

— Tá bom, mas o que eu faço? – perguntou o jovem Sarutobi muito animado.

— Vai lá no palco e arrume as coisas.

— OK. – falou enquanto corria em direção do palco.

Enquanto o garoto fora arrumar os instrumentos, Naruto e Sasuke foram se sentar em algum local enquanto esperavam os candidatos chegarem.

— Por que você está sendo tão bonzinho com o moleque? Você ontem queria matar o guri? – perguntou Sasuke muito intrigado com as ações do amigo.

— Pensa um pouco. Use esse cérebro de ameba por um instante. Se formos legal com ele, podemos ter o nosso faz tudo. Pense bem, se você quiser alguma coisa pede pra ele ir buscar, além disso, ele pode carregar e montar os nossos equipamentos.

— Porra, velho, isso foi genial! Eu não sabia que você era tão esperto! – respondeu surpreso com a ideia.

O tempo passou e as audições foram muito bem, apareceram pessoas com níveis técnicos muito superiores do que no outro dia, porém não havia alguém que conseguisse cativar os dois amigos que possuíam um censo crítico muito aguçado. Ambos estavam começando a ficar preocupados, a tarde já estava acabando e já fazia algum tempo que ninguém mais pisava naquele local.

Quando o relógio marcava cerca de 19h:20min mais um rapaz apareceu para se apresentar, este seria o último do dia, já estava ficando tarde para ficarem na escola. Era um jovem moreno com rabo de cavalo, seu andar era vagaroso e seus olhos pareciam cansados. Ele descia lentamente em direção ao encontro dos três que estavam sentados na primeira fila. No canto de sua boca havia um cigarro que era tragado lentamente.

— Oi, seja bem-vindo. – disse entusiasmado. – Meu nome é Naruto, eu sou um dos guitarristas, aquele é o Sasuke o outro guitarrista e pianista e esse moleque é o Konohamaru, nosso aprendiz/mascote/faz-tudo/estagiário.

— Olá. Shikamaru Nara, baixista, dezenove anos. – falou breve e desanimado.

—Você é direto e seco. Ainda bem, já ganhou pontos por isso. Agora, suba até o palco e toque alguma coisa. – disse Sasuke um tanto aliviado, o Uchiha já estava ficando com saco cheio de ver as apresentações e aturar as pessoas contando a biografia de suas vidas antes de começarem a mostar suas habilidades.

— Vocês não vão tocar junto? – perguntou o rapaz de rabo de cavalo enquanto jogava o cigarro fora.

— Não, nós queremos ver você tocando sozinho primeiro para entender seu estilo, toque uma música ou faça um solo para nós. – respondeu Naruto.

— Solo? – questionou o baixista em voz baixa enquanto subia ao palco.

Ao subir no palco, Shikamaru foi até os pedais de guitarra e pegou emprestado dois deles: um Cry Baby, aparelho com aparência de um acelerador de carro, imortalizado na introdução de Voodoo Child (Jimi Hendrix), que intensifica algumas frequências dependendo da forma como é pressionado, a alternância entre agudo e grave cria um som que se assemelha a onomatopeia wah wah; e um Big Muff, dispositivo que aumenta o volume do instrumento até saturar o som original e criar distorção. Logo em seguida, ele os plugou no baixo e ligou o amplificador.

Os três que estavam sentados acharam aquilo estranho, afinal de contas, os pedais eram para guitarra. Depois de ligar seus equipamentos, um som chiado e desconfortável preencheu a sala, era a microfonia causada pela presença dos captadores em frente à caixa de som. Lentamente o baixista regulou as configurações e fez o chiado estranho ir embora.

Antes de começar, o jovem de rabo de cavalo pegou um cigarro, colocou-o na boca, acendeu, deu uma longa tragada e logo em seguida começou a tocar. O timbre por ele produzido era estranho, nem um pouco usual, mas tanto Sasuke quanto Naruto pareciam já ter escutado esse som em algum lugar, só não lembravam onde. A melodia começou lenta e progressivamente foi ficando mais rápida e pesada, à medida que isso ocorria, os guitarristas ali presentes começavam a se surpreender e se interessar pela maneira como aquele baixista tocava.

Ao final da apresentação, dois espectadores estavam boquiabertos, porém quietos. Konohamaru, por outro lado, estava histérico gritando e aplaudindo freneticamente.

— Meus parabéns cara isso foi fantástico! – gritou Naruto – Por mim, você já é o nosso baixista! De longe você foi o melhor cara que veio aqui!

— Obrigado. Mas eu quero saber a opinião do seu amigo também. – respondeu o enquanto tragava seu cigarro.

— Eu não consigo lembrar aonde eu já escutei esse solo, é alguma coisa do Metallica? – indagou Sasuke.

— Sim, é a música (Anesthesia) — Pulling Teeth do primeiro cd deles, Kill 'em All.

— Devo admitir que foi muito boa sua apresentação, mas mesmo assim não me convenceu. Por favor, toque alguma coisa diferente, eu quero ver o quão versátil você é. – disse o Uchiha.

Depois disso Shikamaru desligou os pedais e fez algumas modificações nos parâmetros do amplificador. Logo em seguida ele voltou a tocar, mas dessa vez era um ritmo funkeado, improvisou por alguns instantes naquele estilo e em seguida começou a tocar um hard-rock muito rápido.

— Pode parar, já vi que estava errado. Você é realmente muito técnico, versátil e preciso. Seja bem-vindo a banda. – interrompeu Sasuke meio a contra gosto, mas ele precisava admitir que o cara era bom, conseguia tocar funk igual a Victor Wooten e logo em seguida “fritar” igual a Billy Sheehan.

— Muito obrigado. – respondeu Shikamaru estendendo a mão para os dois. – Vai ser uma honra tocar ao lado de vocês.

— Cara, isso é excelente! Agora a gente só precisa de um batera! – exclamava Naruto enquanto abraçava o novo amigo de banda.

— Dá pra me soltar?! – reclamou o cara do rabo de cavalo, enquanto tentava se desvencilhar do recente companheiro.

— Desculpa. – falou Naruto envergonhado ao soltar o baixista.

— Você disse batera? Eu acho que eu sei de alguém que poderia tocar conosco. Ele é um velho amigo meu. – disse Shikamru enquanto acendia outro cigarro.

15/06/2012

— PUTA QUE PARIU! CADÊ AQUELE LEITÃO ARROMBADO FILHO DUMA PUTA?! – vociferou Naruto, impaciente, enquanto andava de um lado para o outro.

— Calma Naruto, o Choji falou que ia tomar um ar fresco, ele já deve estar voltando... – tentou dialogar Shikamaru antes de ser abruptamente interrompido.

— Já faz quarenta minutos que ele foi! – disse Sasuke lacônico – Não tenho problema nenhum em descartar seu amigo depois desse show, mas hoje nós precisamos dele. – falou olhando para o baixista – Se ele não aparecer logo você sabe o que vai acontecer, não sabe? – indagou de maneira fria com ares de preocupação.

— Eu sei. Vamos ser espancados por um exército de malucos... Ele já vai aparecer, só esperem mais um pouco está bem? – Respondeu o moreno de rabo de cavalo, que pela primeira vez desde que havia conhecido os colegas de banda, apresentava uma expressão diferente daquela face entediada e calma.

— Nós vamos morrer, nós vamos morrer. – murmurou o garoto loiro, que agora estava agachado no chão com as mãos na cabeça.

— Naruto, pare com isso. Ficar choramingando não vai ajudar em nada. – ralhou o Uchiha – Shikamaru você tem o número do celular do Choji?

— Já tentei ligar, mas só cai na caixa postal. Acho melhor irmos procurá-lo. – disse enquanto acendia um cigarro com as mãos trêmulas.

— Não adianta, a gente já foi procurar no banheiro e lá fora, e nada. Nós até demos a volta no quarteirão, mas não há nenhum sinal dele. Merda!, estamos ficando sem tempo. – praguejou Sasuke.

— Vocês viram quem são as pessoas que estão nos esperando? – questionou Naruto quase chorando – Headbangers fanáticos, sendo que hoje tem um monte de fãs xiitas de Manowar, Slayer e Mayhem! Simplesmente, a trindade de fãs malucos de metal. Um bando de nego marombado, maiores que o Schwarzenegger quando ele era “xigante”, e que se acham vikings modernos; uns idiotas insanos o suficiente para arrancar um naco de carne e depois tacar fogo em cima só pra ficar com uma cicatriz huge motherfucker escrita SLAYER; e um bando de.... Ah eu não quero morrer!

— Porra, cala a boca seu bêbado inútil! – repreendeu Sasuke – Por que você foi beber antes do show? Como vamos tocar agora? Não era você que queria uma porra de uma banda séria?!

— É mas... – Antes que pudesse continuar, o jovem Uzumaki foi interrompido por um grito de alívio.

— Consegui falar com ele. – exclamou Shikamaru.

— Onde ele está? – perguntaram em uníssono.

— Ele tá na viela de trás do bar, é só a gente sair pela porta dos fundos do bar que encontraremos ele.

Os três partiram, muito rapidamente, para os fundos do bar com feições de preocupação. Estavam afoitos, o primeiro show da banda estava prestes a começar e eles ainda nem haviam feito a passagem de som, não haviam chegado a um consenso de como a banda deveria se chamar, mesmo assim foram corajosos, talvez estúpidos, o suficiente para tocarem no bar From Dusk Till Dawn.

Segundo o baterista, o bar era famoso por reunir diversas pessoas que se identificavam com gêneros musicais extremos e atrair pessoas peculiares. Não que todos os fãs dessas bandas citadas ou de metal em geral sejam psicopatas em potencial ou coisa do tipo, mas o local tinha fama de só reunir gente com a cabeça fechada, que não sabe respeitar as opiniões alheias, um bando de bípedes descerebrados e violentos.

A ideia de tocarem nesse local partiu do novíssimo integrante, Choji Akimichi, dezoito anos, gordo, alto, cabeludo e introvertido. O baterista, amigo de Shikamaru, logo no segundo dia de ensaio trouxe a ideia para ser discutida, já que era um entusiasta do metal e apreciador de técnicas percussivas que demandam muita velocidade e força. Tanto Sasuke quanto Shikamaru negaram tal proposta, pois concordaram que eles não possuíam o entrosamento necessário para uma apresentação. Afinal de contas, a banda não tinha nem uma semana de formação, mas Naruto com muito otimismo e persuasão conseguiu convencê-los do contrário.

Boa ideia ou não, estavam eles agora a alguns minutos da apresentação. Conversaram com o dono do bar e fizeram um acordo de quarenta e cinco minutos de músicas covers por um engradado de cerveja vagabunda. Acordo enfadonho, mas foi assim que muitos outros também começaram a ganhar espaço no mundo musical.

— Porra! Onde você estava?! – perguntou Naruto aos berros, mas com um ar descontraído.

— Nós te procuramos em toda parte. Aconteceu alguma coisa contigo? – questionou Shikamaru.

— Nada, só minha costumeira crise de ansiedade. – respondeu Choji enquanto mantinha sua respiração inconstante e voz tremula.

Enquanto a conversa se desenrolava, Sasuke se manteve afastado, impassível, com sua habitual cara de desdém. Alguns minutos se passaram enquanto Naruto e Shikamaru tentavam acalmar o amigo batera.

— Relaxa cara, vai dar tudo certo. Lembre-se de quando a gente era criança. Você contava até dez, respirava fundo e depois fazia o que era necessário. – falou o fumante tentando animar o amigo.

— Não vai dar. Você viu quantas pessoas estão lá fora? Se eu errar eles vão me massacrar. – disse o jovem de bochechas rechonchudas.

— Não fode com a gente, baleião inútil do caralho, essa apresentação foi ideia sua. Agora levanta esse seu rabo gordo do chão e vem tocar. – ralhou Sasuke com seu tom de velho ranzinza – Cinco minutos. A apresentação começa daqui a cinco minutos, estou esperando vocês lá. Se você não aparecer lá, eu juro que você vai apanhar tanto que toda sua gordura irá espirrar pra fora de sua bunda. – falou retirando-se em direção ao bar.

— Seu emo mal comido, assim você não vai ajudar em nada! – retrucou Naruto – Não liga pro que o Sasuke disse.

— Ele tem razão, a culpa é minha, eu que tive a ideia da gente vir aqui. Eu sou apenas um gordo fracassado, não consigo tocar...

Subitamente, o Uzumaki começou (ou tentou) a cantar Welcome to the Family (Avengend Sevenfold). O loiro não conseguia se lembrar direito da letra ou da melodia da canção, mesmo assim ele se empenhou em tentar animar o outro músico:

Hey kid! Do I have your attention?

(Hey garoto! Eu tenho sua atenção?)

I know the way you've been living

(Eu conheço o caminho que você está vivendo)

Life's so reckless, tragedy endless

(A vida é tão imprudente, uma tragédia sem fim)

Welcome to the family

(Bem-vindo à família)

***

Not long ago you'd find the answers were so crystal clear

(Há pouco tempo você descobriria que as respostas eram tão cristalinas)

Within a day you'll find yourself living in constant fear

(Dentro de um dia você vai encontrar-se vivendo em constante medo)

Can you look at yourself now? Can you look at yourself?

(Você pode olhar si mesmo agora? Você pode olhar par si mesmo?)

Welcome to the family

(Bem-vindo à família)

***

And in a way it seems there's no one to call

(E de uma forma parece que não há ninguém para chamar)

When our thoughts are so numb

(Quando nossos pensamentos estão tão dormentes)

And our feelings unsure

(E nossos sentimentos incertos)

We all have emptiness inside, we all have answers to find

(Nós todos temos um vazio no interior, todos nós temos que encontrar respostas)

Welcome to the family

(Bem-vindo à família)

***

l try and help you with the things that can't be justified

( Vou tentar ajudá-lo com as coisas que não podem ser justificadas)

I need to warn you that there is no way to rationalize

(Eu preciso te avisar que não há nenhuma maneira de racionalizar)

So have you figured it out now? So have you figured it out?

(Então, você já entendeu? Então, já entendeu tudo?)

Welcome to the family

(Bem-vindo à família)

***

Welcome to the fucking family

(Bem-vindo à maldita família)

— Conseguiram entender? Agora que estão na banda, vocês se tornaram meus irmãos, assim como o Sasuke. Não importa o que aconteça, irei ajudá-los. Então, não se preocupe Choji, se você errar, apenas grite "foda-se" e continue tocando. Estou esperando vocês lá – Naruto virou em direção ao bar –, se me dão licença, eu vou passar o som porque tenho certeza de que o emo revoltadinho não tá fazendo porra nenhuma. Tomem o tempo que for preciso, eu ajusto os equipamentos de vocês também.

O loiro deixou a viela e voltou para o bar, fez uma rápida passagem de som de todos os instrumentos juntamente com Sasuke. Os dois guitarristas já estavam prontos lá no palco, parados na frente de uma multidão truculenta que já estava com o estado etílico alterado.

Os vários olhos que encaravam os músicos pareciam raivosos e impacientes. O dono do bar, ao longe da vista de Sasuke, fazia um sinal com as mãos avisando que o show já estava na hora. Instantes depois do sinal ter sido feito, Shikamaru apareceu no palco por um breve momento e pediu para que eles já começassem conforme o ensaiado sem a presença da bateria e do baixo, ele havia arranjado uma solução para o ataque de nervos do amigo, só precisava de mais algum tempo.

Muito ressabiados os dois músicos começaram a tocar a introdução de Battery (Metallica), era uma introdução dividida em duas partes, a primeira bem calma, feita com tons limpos. A segunda com distorção, alguns acompanhamentos de bateria e baixo, mas sem o real peso da música.

Quando começaram a tocar a multidão olhou com pouco caso para a performance. Enquanto isso, Shikamaru havia saído em disparada em direção do banheiro.

Conforme a execução da música prosseguia os dois guitarristas trocavam olhares preocupados, porque a música que eles escolheram iria ter essa introdução sem a agressividade esperada, porém depois haveria uma grande quebra e começaria o espetáculo que a plateia tanto queria.

Faltando algumas notas para a mudança da atmosfera da música, tanto Naruto quanto Sasuke fecharam seus olhos e viraram levemente seus rostos esperando as latas e garrafas de cerveja vindo em suas direções. Quando de fato eles acionaram as distorções, para surpresa deles, escutaram batidas de caixa, bumbo, pratos e algumas notas graves os acompanhando.

Shikamaru estava ao lado deles com as roupas manchadas com um pó branco e mãos pintadas de preto, eles acharam aquilo estranho, porém, ao olharem para trás viram algo bizarro, Choji estava sem camisa, calça ou sapatos, apenas de cueca e meias, com o rosto coberto por um corpse paint feito de maneira tosca. Pode parecer loucura, mas aquele traje ínfimo serviu como chave para que o baterista desenvolvesse um alterego que conseguia exteriorizar tudo o que reprimia.

Ao ver aquilo, Naruto e Sasuke quiseram rir, mas não o fizeram, pois a sua frente havia pelo menos mais uns dez homens, como diria Naruto, “Xigantescos”, com pinturas similares em suas faces.

Quando a introdução estava completa, Sasuke começou o riff (fraseado musical) principal da música, com palhetadas rápidas, o moreno e sua Gibson Les Paul preta com detalhes em dourado foram o centro das atenções por alguns segundos, até que chegou a hora dos outros integrantes entrarem com seus instrumentos.

Choji, que até alguns minutos atrás se encontrava em estado quase catatônico, agora estava com o rosto fechado, parecia até um demônio impiedoso, atrás de um uma muralha de caixas da Pearl e pratos da Zildjian. Suas baquetas acertavam golpes violentos no instrumento percussivo.

Shikamaru voltara a ter seu tom blasé, parecendo até estar entediado. Seus dedos, porém, se moviam de maneira frenética pela escala de seu baixo, um Fender Precision branco com escudo amadeirado. Era estranho ver uma música tão rápida sendo executada de maneira magistral e ao mesmo tempo tão descompromissada.

Por último e não menos importante, estava Naruto no centro do palco, fazendo complementos aos arranjos de guitarra de Sasuke, utilizando sua Variax 700 dourada. Com muita paixão e energia cantava a clássica música de thrash metal, com a voz rasgada e agressiva, encantava a plateia, que por alguns momentos, acharam que era o próprio James Hetfield de 86 se apresentando.

Lashing out the action, returning the reaction

(Açoitando a ação, retornando a reação)

Weak are ripped and torn away

(Fracos são rasgados e partidos)

Hypnotizing power, crushing all that cower

(Poder hipnotizante, esmagando tudo que se acovarda)

Battery is here to stay

(Agressão está aqui para ficar)

***

Smashing through the boundries

(Esmagando através das fronteiras)

Lunacy has found me

(Loucura nos encontrou)

Cannot stop the Battery

(Impossível parar a agressão)

Pounding out aggression

(Batendo a agressão)

Turns into obsession

(Torna-se obsessão)

Cannot kill the Battery

(Impossível matar a agressão)

Cannot kill the family

(Impossível matar a família)

Battery is found in me

(Agressão se encontra em mim)

Battery, Battery

(Agressão, agressão)

A essa altura o público já estava em frenesi, balançando as cabeças violentamente, realizando um mosh pit que se estendia por todo o bar. Após Naruto berrar "Baterry" pela última vez, Sasuke fez um rápido solo de passagem, antes que eles passassem para o próximo verso.

Crushing all deceivers, mashing non-believers

(Esmagando todos os traidores, Esmagando os que não acreditam)

Never ending potency

(Potência sem fim. Perseguição)

Hungry violence seeker, feeding off the weaker

(Famintas por violência, Alimentando-se dos fracos)

Breeding on insanity

(Procriando através da insanidade)

***

Smashing through the boundries

(Esmagando através das fronteiras)

Lunacy has found me

(Loucura nos encontrou)

Cannot stop the Battery

(Impossível parar a agressão)

Pounding out aggression

(Batendo a agressão)

Turns into obsession

(Torna-se obsessão)

Cannot kill the Battery

(Impossível matar a agressão)

Cannot kill the family

(Impossível matar a família)

Battery is found in me

(Agressão se encontra em mim)

Battery, Battery

(Agressão, agressão)

Após o jovem loiro cantar o refrão pela segunda vez a música diminuiu um pouco sua velocidade e peso para se preparar para o clímax. Enquanto o território era preparado para o solo, foi possível escutar melhor a combinação da cozinha da banda (apelido dado à bateria e o baixo).

A bateria, com ataques fortes, conferia uma sonoridade com muito peso à música. O baixo era tocado de maneira clara, mesmo que a canção possuísse um andamento acelerado e o baixista tivesse optado por tocar sem palheta, o som do instrumento não era embolado.

Quando o momento do solo chegou, Sasuke o executou magistralmente. O Uchiha conseguira captar vários dos maneirismos sonoros de Kirk Hammett durante suas apresentações ao vivo, inclusive o timbre do seu wah wah. Depois de terminar o solo, o Uzumaki voltou a assumir o centro do palco e continuou a cantar.

Circle of Destruction, Hammer comes crushing

(Ciclo de destruição, Martelo vem esmagando)

Powerhouse of energy

(Usina de energia)

Whipping up a fury, Dominating flurry

(Empurrando uma fúria, Agitação dominante)

We create the Battery

(Nós criamos a agressão)

***

Smashing through the boundries

(Esmagando através das fronteiras)

Lunacy has found me

(Loucura nos encontrou)

Cannot stop the Battery

(Impossível parar a agressão)

Pounding out aggression

(Batendo a agressão)

Turns into obsession

(Torna-se obsessão)

Cannot kill the Battery

(Impossível matar a agressão)

Cannot kill the family

(Impossível matar a família)

Battery is found in me

(Agressão se encontra em mim)

Battery, Battery

(Agressão, agressão)

Ao terminarem de tocar a primeira música os quatro músicos estavam em êxtase, mal podiam acreditar que sua garra e força de vontade conseguiriam superar a falta de experiência como um grupo.

O público clamava por mais. Era uma sensação acolhedora que eles nunca haviam experimentado.

Sem que a última nota da música anterior terminasse de ecoar, eles emendaram Take no Prisioners (Megadeth), uma música ainda mais rápida e complexa.

Sasuke se aproximou do centro, ficou de frente para Naruto e ao lado do microfone, pois desta vez ele iria cantar alguns versos também.

Enquanto isso o coração rítmico da banda estava rodando os cabelos, fazendo caretas, malabarismos com as baquetas enquanto tocava, tudo sem manchar a maquiagem.

O rapaz do rabo de cavalo estava impassível como sempre, sua feição não demonstrava ânimo por estar ali, mas seu interior estava muito excitado com o calor da plateia.

Got one chance, infiltrate them

(Você tem uma chance, infiltra-los)

Get it right, terminate them

(Entenda bem, acabe com eles)

The Panzers will permeate them

(Os veículos blindados de guerra irão, impregna-los)

Break their pride, denigrate them

(Quebrar-lhes o orgulho, e denegri-los)

And their people, retrograde them

(E ao povo deles, retrocede-los)

Typhus, detriate them

(A tifo, os corrompem)

Epidemic, devastate them

(A epidemia, os devastam)

Take no prisoners, cremate them

(Não faça prisioneiros, creme-os)

Burn!

(Queime)

Sasuke completava os versos cantados por Naruto, utilizando um tom de voz mais grave.

A cada sílaba que os músicos pronunciavam, o público respondia com gritos de admiração, os ouvintes mais velhos sentiam um sentimento nostálgico que remetia à sua juventude, a energia que aqueles garotos transmitiam era semelhante a das bandas de metal da Bay Area dos anos 80.

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A música escolhida possuía uma estrutura interessante, pois nela havia momentos em que uma linha instrumental se sobressaia por alguns segundos, formando ao longo da canção micro solos de cada membro. Essa estranha característica permitia que eles expressassem suas habilidades individuais de maneira explícita.

Going to war, give them hell

(Indo para a guerra, dê a eles o inferno)

D-Day, next stop Normandy

(O dia D, a próxima parada, Normandia)

Beginning of the end

(O começo do fim)

We know how to and sure as shit we'll win

(Sabemos como e estamos seguros de que venceremos)

War is peace, sure man

(Guerra é paz com certeza, cara)

A retreat for the damned

(Um refúgio para os malditos)

A playground for the demented

(Um parque de diversões para os dementes)

A heaven for those who walk this world

(Um paraíso para aqueles que andam neste mundo)

Bereft of heart and soul

(Desprovidos de coração e alma)

***

Love and war, they say all is fair

(Amor e guerra eles dizem que isso vale a pena)

Take his life but won't take his hair

(Leve a vida dele mas não leve o cabelo)

Your body has parts, your country spares

(Seu corpo tem partes que seu país pode poupar)

By the way son, here's your wheelchair

(A propósito filho, aqui está sua cadeira de rodas)

***

He once had to be all he could be

(Ele já teve que ser, tudo o que poderia ser)

Now he's nothing for no one, nowhere to see

(Hoje ele não é nada, pois ninguém o vê)

Funny thing, he's like you and me

(Que coisa engraçada, ele é como eu e você)

It's a funny thing, funny thing

(É engraçado, uma coisa engraçada)

***

Tears streak his solemn stare

(Lágrimas riscam seu olhar solene)

Abandoned for wreckage, nobody cares

(Abandonado para o lixo, ninguém se importa)

No one knew what would happen there

(Ninguém sabia o que aconteceria lá)

No one spoke, no one even care

(Ninguém falou, ninguém se importou)

***

Don't ask what you can do for your country

(Não pergunte o que você pode fazer por seu país)

Ask what your country can do for you

(Pergunte o que seu país pode fazer por você)

***

Take no prisoners, take no shit!

(Não faça prisioneiros, não leve nada)

Ao final da segunda música, os instrumentos de corda começaram a esmaecer lentamente deixando que a bateria solasse a introdução da próxima música.

Enquanto a introdução era realizada, Naruto cedeu seu lugar ao centro para Sasuke, que cantaria sozinho desta vez.

Shikamaru aproveitou o tempo em que o amigo solava para acender mais um dos seus malditos vícios.

O grandalhão estava implacável, o medo que a pouco sentira parecia nunca ter existido, ele se sentia poderoso, tão poderoso quanto um herói mitológico. Não só ele, mas todos se sentiam invencíveis naquele momento, sentiam-se capazes de fazer o mundo curvar-se perante a eles, nada poderia derrubá-los.

Notas finais
Para todo capítulo gigante, há um glossário huge motherfucker para acompanhar. Então, continue sentado/a na frente do monitor, porque tio Teruuu vai explicar algumas palavrinhas do capítulo. *EP: sigla de Extended Play, definição comumente usada para definir produções musicais grandes demais para serem considerados singles e pequenas demais para serem álbuns, possuem, em média, de 2 a 8 faixas (algo entre 3 a 40 minutos). Há algumas pessoas que preferem definir EP como um mini-álbum. *Demo: abreviação de fita demo. Uma gravação musical amadora, que serve como portfólio para os músicos mostrarem seu trabalho para gravadoras. *Vintage: sinônimo de retrô, no caso do capítulo, a palavra foi utilizada para demonstrar que a máquina de datilografia era um modelo clássico, típico da época pré-computadores. *Eunuco: definição para homens cujos testículos foram removidos ou que nasceram com membros disfuncionais. *Rockabilly: uma das primeiras variações do rock and roll; é um subgênero que foi fortemente influenciado pela música country e possui como maiores expoentes Elvis Presley e Jerry Lewis *Indie: abreviação para independent. Em minha concepção, indie, enquanto música, é mais um posicionamento mercadológico do que propriamente um estilo musical, uma vez que o denominador comum entre as bandas não é a sonoridade e sim o fato dos artistas fazerem questão de manter o controle completo de sua música e carreira, lançando seus álbuns por selos independentes (algumas vezes os próprios artistas são os donos dessas empresas) e fazer a sua divulgação por meio de turnês e internet, nunca fazendo uso de veículos mainstream como televisão e rádios regulares como a JovemPan. Exemplos de referência: Franz Ferdinand, The Strokes, The White Stripes e a banda brasileira The Hell's Kitchen Project. *Cabeçote e alto-falante: abra o link a seguir pra melhor visualizar (http://i.imgur.com/pTMg3gV.jpg). Cabeçote é a parte de cima, tem como objetivo controlar os parâmetros do amplificador, alto-falante é a caixa de onde as vibrações são produzidas e fazem o som ecoar. *Diferença entre amplificadores valvulados e digitais: esse é, provavelmente, o tópico mais difícil para explicar. Não irei me aprofundar muito nesse assunto, porque ele é muito extenso (e porque eu quero evitar a fadiga :P). O timbre dos aparelhos são diferentes devido a maneira como a distorção é obtida, sendo o digital por intermédio de softwares e o valvulado por meio de tubos de vidro selados à vácuo. Muitos músicos puristas (me incluam nessa lista) preferem os amplificadores valvulados, porque eles produzem um chiado único, que por incrível que pareça, é agradável aos ouvidos humanos. *Headbanger: termo criado para designar fãs do heavy metal e seus subgêneros. No capítulo, citei bandas (que gosto, mas não sou fanático) que possuem alguns fãs extremistas ( eu tenho um leve medinho dessas pessoas). Fãs de Slayer(cenas fortes, não recomendo para pessoas de estômago fraco): http://whiplash.net/materias/curiosidades/122206-slayer.html#.Ut5uTbRTvIU Fãs de Manowar: http://www.youtube.com/watch?v=tdTCc_5NUeQ Fãs de Mayhem (e de black metal no geral): fazem uso de corpse paint quando vão em concertos. *Corpse paint: pintura facial , em preto e branco, que as pessoas utilizam para diversas finalidades, desde ir contra a cultura popular até exteriorizar sentimentos, como ódio, medo e agonia.(http://en.wikipedia.org/wiki/Corpse_paint) *Mosh pit: famosa rodinha de bate cabeça, um tipo de dança praticado em shows de gêneros musicais mais agressivos, em que os participantes fazem movimentos bruscos como cotoveladas e joelhadas, pulam, correm, empurram e colidem entre si dentro de uma área circular delimitada. Embora o caráter violento da dança, não existe a real intenção de causar danos aos participantes. (http://i.imgur.com/5DWwg8X.jpg) *Bay Area: importante expoente de bandas de thrash metal dos anos 80. O movimento ocorreu na área da baía da Califórnia e teve como participantes bandas como Metallica, Slayer, Exodus e Testament. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- *Ufa, até que enfim acabei. Por favor deixe um comentário com sua crítica, sugestão ou elogio. *Forte abraço a todos e até a próxima.