Livin' On A Prayer

5 Boulevard of Broken Dreams


Notas iniciais
Peças de referência: *Música que dá nome ao título do capítulo: http://www.vagalume.com.br/green-day/boulevard-of-broken-dreams-traducao.html * Only by Anthrax: http://www.youtube.com/watch?v=PjwdKqPOp4Q -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Boa leitura!

16/06/2012

Depois do primeiro show, três dos músicos estavam sentados na beirada do palco, cada um com uma garrafa de cerveja em mãos, enquanto o quarto estava desmaiado no meio do tablado, deitado em cima da poça do próprio vômito. Cansados, frustrados e com os olhos fixos no horizonte, eles saboreavam o malte de suas bebidas em silêncio.

O bar já estava vazio, só restara os quatro rapazes e o dono do estabelecimento. O local estava todo bagunçado, havia cacos de vidro e pedaços de alvenaria espalhados por todos os cantos, um cheiro azedo de vômito pairava no ar, algumas paredes de madeira apresentavam rombos, a água dos vasos sanitários se espalhava pelo chão fazendo companhia a alguns pedaços de porcelana rachada e, para finalizar a paisagem caótica, pequeninos buracos, manchados de pólvora, estampavam o centro do teto do estabelecimento.

Quão efêmero pode ser o sucesso? Em um momento você está no topo do mundo, todos o exaltam como um deus, no momento seguinte você comete um erro e logo é tido como a escória da existência humana.

— Vocês estão cientes que vão ter que arcar com os prejuízos não é mesmo? – indagou o dono do bar, um homem assustador, muito alto e musculoso, com duas grandes cicatrizes no rosto pouco amistoso.

— Que culpa nós temos? – perguntou Sasuke.

— Desculpe, era para rir? Isso foi uma piada? – questionou de maneira exaltada.

— Mas tio... – tentou intervir Choji, que ainda estava de maquiagem, apenas de meias e cueca, porque o restante de suas vestimentas, deixado em uma das cabines do banheiro, havia sumido depois da confusão.

— Tio é o caralho, pivete! Meu nome é Ibiki Morino! – interrompeu o discurso do introvertido baterista que já não possuía a mesma desenvoltura de seu alterego.

— Mas senhor, não fomos nós que depredamos seu bar. Foram seus clientes. – tentou argumentar Shikamaru.

— Claro, vocês não tiveram nada haver com isso! – falou ironicamente o brutamonte com cicatrizes – Vocês começaram a brigar em cima do palco, incitaram a violência, mobilizaram uma massa alcoolizada, quebraram o acordo que nós tínhamos feito e ainda são santos! – continuou com seu tom sardônico – Vocês vão pagar pelos gastos de reparo ou eu vou ter que chamar a polícia?

— Chame a polícia imediatamente, acho uma ideia genial. – respondeu o Uchiha com todo o seu cinismo – Você irá dizer o quê? Que contratou uma banda para entreter o seu estabelecimento, mas por infortúnio do álcool o público depredou o seu muquifo. E para conter a baderna você fez uso de uma arma de uso militar, provavelmente, adquirida no mercado negro. Aliás, você vai mencionar para as autoridades que planejava pagar a banda, que é formada integralmente por menores, com um engradado de cerveja? – Terminou com a voz trêmula, enquanto suava gélidas gotas de suor.

— Tudo bem. Você está certo, pra que chamar a polícia, não é mesmo? Nós vamos resolver isso aqui e agora. – Ibiki respondeu com a voz calma enquanto caminhava em direção ao balcão – E vai ser no dedo! – falou enquanto mudava o tom de voz, empunhando uma espingarda calibre doze que acabara de pegar atrás do balcão. A arma ainda exalava o aroma de pólvora recém-queimada.

— Whou, calma aí senhor! – exclamou Choji enquanto se esforçava para não gaguejar e deixar as lágrimas escorrerem de seus olhos.

— Vai! Atira, seu pau no cu, bem aqui ó! – disse Sasuke apontando para a própria testa – Nos mate e você passará o resto de seus dias na cadeia. – Ele estava em desespero e as palavras simplesmente brotavam de sua boca sem que ponderasse o que estava sendo dito.

— Chega! – interrompeu o baixista fumante de forma assertiva e direta, sem gritar, mas ao mesmo tempo com um tom mais elevado e sério – Vocês dois, por favor, cuidem do Naruto e depois guardem os instrumentos. – ordenou aos colegas que reagiram de formas distintas. O baterista prontamente obedeceu as ordens, enquanto Sasuke ficou o encarando com um olhar de ódio por alguns instantes, pois detestava receber ordens, mas estava desesperado, já não raciocinava corretamente, por esse motivo, mesmo a contra gosto, foi em direção aos equipamentos – Perdoe meu amigos, eles não irão incomodar mais. Agora eu e o senhor poderemos resolver esse impasse de maneira civilizada. – O músico iniciou sua oferta diplomática.

Enquanto Shikamaru e Ibiki se aproximavam do balcão de bebidas para começarem a negociata. Choji começou a desmontar as partes da bateria e colocá-las em suas caixas de transporte. Sasuke guardou os instrumentos de corda e amplificadores, em seus respectivos cases, com muita pressa e desdém.

Antes mesmo da bateria estar com metade do seu set desmontado, o Uchiha já havia guardado todo o restante dos equipamentos, estava taciturno, mesmo assim dispôs-se a ajudar o baterista a terminar seu serviço.

Ao terminarem de guardar todos os instrumentos, decidiram carregar Naruto para dentro da caminhonete, que havia sido estacionada na rua ao lado, antes de levarem as caixas com os equipamentos para a caçamba do veículo. Porém havia um grande problema: não existia mais automóvel, a única coisa que restara depois da multidão enfurecida ter deixado o local eram marcas de pneus traçadas no asfalto e alguns cacos de vidro.

— Acorda aí, bundão! Deu merda! – gritou Sasuke ríspido enquanto soltava um dos braços que dava sustentação ao amigo inconsciente.

— Ei segura aí, se não ele vai cair. – disse Choji preocupado, enquanto tentava equilibrar o corpo do rapaz loiro.

— Ai! – exclamou Naruto ao acordar depois de cair no chão – Onde a gente tá? O que é que tá acontecendo?

— Tá vendo aqueles pedacinhos de vidro? Então, aquilo é o que sobrou do teu carro. – disse Sasuke apontando para frente – Agora liga pro seu tio pra ele vir nos buscar, porque se não, fodeu!

— Puta que pariu! O que é que aconteceu?! Eu vou te matar, seu lazarento, que porra você fez com meu carro?! – gritou o jovem Uzumaki enquanto se levantava.

— Calma, Naruto, não foi ele que fez isso. – interrompeu o moreno de bochechas gordas.

— Que porra tá acontecendo aqui?! Cadê todo mundo? Cadê o cabeludo fumante? Por que você está seminu na rua? Por que eu estou com a camiseta toda fedida e melada? – disparou o loiro.

— Liga pro seu tio, depois te explicamos. – pediu Choji educadamente.

Enquanto Naruto ligava para pedir carona, os outros dois foram buscar as caixas com os equipamentos e, enquanto as carregavam, viram o Sr. Morino rindo e batendo as mãos nas costas de Shikamaru. Aparentemente o baixista havia conseguido resolver a situação e até conquistara a simpatia daquele homem amedrontador.

Jiraya estava no meio de mais uma de suas pesquisas de campo, em palavras mais claras, estava em casa com mais uma mulher, quando recebeu o telefonema. A ligação veio a calhar, pois estava querendo se livrar daquela desconhecida, que possuía fetiche em fazer fio-terra. O escritor não gostava de tal prática, contudo ela era insistente e se recusava a ir embora antes de lhe realizar um exame de toque.

Graças ao problema que acabara de surgir ele convenceu a mulher a sair de sua casa sem mais discussões. Enquanto Jiraya ia em direção ao bar em que os jovens estavam, Sasuke e Choji relembraram Naruto o que havia acontecido durante o show.

Para explicar de maneira completa tudo o que ocorreu fora necessário prestar atenção a alguns fatos anteriores à apresentação em si. Foram vários pequenos erros que culminaram naquela catástrofe.

Pra começar, o amplificador que Sasuke havia comprado não recebera a atenção necessária. Ele apenas mexera no cabo de energia do velho equipamento e descobrira que havia um problema de mau contato. Ao invés de levá-lo a um técnico, o jovem arrogante fez apenas umas gambiarras, acreditando que seu raso conhecimento iria sanar o problema. A manutenção feita fez com que o aparelho funcionasse novamente, mas a qualquer mudança de posição do fio ele parava de funcionar.

Choji não alertara os outros sobre sua fobia a locais com aglomerações, mesmo assim sugerira a ideia de se apresentarem naquele local. A omissão desse medo custou-lhes tempo, que poderia ter sido utilizado para realizar uma passagem de som apropriada, além de causar um grande estresse antes do show.

Naruto, por sua vez, muito animado pela primeira apresentação da banda resolveu celebrar bebendo alguns copos de whisky com Coca-Cola, uma receita muito apreciada por Lemmy Kilmister (Motorhead), mas acabou exagerando na dose e ficou com o ânimo alterado.

Por último, mas não menos relevante, Shikamaru, cujo hábito maldito causou um grande tumulto que, além de ter sido o estopim para as depredações, poderia ter lhe custado uma das mãos. Talvez os danos pudessem ter sido evitados, ou ao menos minimizados, se aquele acidente não tivesse ocorrido, mas o cigarro não o deixou.

A performance da banda estava excelente, o público estava cativado pelas músicas, tudo, aparentemente, estava caminhando para um desfecho memorável para noite. Seria um grande show, um "bem-vindos ao mundo da música profissional" em grande estilo. Infelizmente quando os músicos estavam tocando Only (Anthrax) as coisas começaram a dar errado. Até o momento do solo tudo estava prosseguindo da mesma maneira que as outras duas canções.

Everything is perfect

(Tudo é perfeito)

Everything is sick, that's it

(Tudo está doente, é isso)

You can't tell me to stop it

(Você não pode me dizer para parar)

You can't tell me not to quit, that's it

(Você não pode me dizer para não sair, é isso)

***

Revolve around yourself

(Giram em torno de si mesmo)

It's you and no one elsee

(É você e mais ninguém)

Hard for me to stay

(Difícil para mim ficar)

Swinging moods that change

(Humores oscilantes que mudam)

From calmness to deranged

(De calma para demente)

Unpredictable, unpredictable

(Imprevisível, imprevisível)

***

You would see if

(Você iria ver se)

Only

(Apenas)

You hadn't taken things out of my hands

(Você não tivesse tomado as coisas das minhas mãos)

Only

(Apenas)

You never wanted to understand

(Você nunca quis entender)

Foi a partir do começo do quarto verso e final do terceiro que as coisas começaram a dar sinais de que algo ruim estava prestes a acontecer. A maquiagem que Choji estava utilizando começara a escorrer junto às suas gotas de suor, que lentamente pingavam em seus olhos. Isso começou a criar um grande incômodo, que o obrigava a coçar na vã tentativa de parar a ardência. Porém, as passadas de mão só pioravam sua situação, porque a cada vez que seu punho deslizava sobre o rosto, mais uma porção daquela tinta era passada em seus globos oculares. Mesmo assim o robusto rapaz conseguiu continuar a tocar, errando o tempo de algumas notas.

Clasing ways to live here

(Choque de maneiras para viver aqui)

Compromise for me

(Compromisso para mim)

I'm at both ends of the spectrum

(Eu estou em ambas as extremidades do espectro)

You're somewhere in the between

(Você está em algum lugar no meio)

Ah, come clean

(Ah, vamos limpar)

O Uzumaki estava frenético, pulando o tempo inteiro, gritando blasfêmias a todos pulmões, dando comandos de atos violentos e balançando sua cabeça enquanto tocava sua guitarra. Isso poderia ser visto como uma simples catarse, porém suas palavras foram entendidas como ordens e algumas pessoas começaram a trocar socos e ofensas a cada palavrão proferido.

Em certo ponto, enquanto realizava seus movimentos performáticos, ele começou a esbarrar na bateria e no rapaz que estava cantando. Essas ações inconsequentes começaram a criar uma grande tensão em cima do palco, pois Sasuke tinha que se concentrar em tocar, cantar e manter Naruto longe, assim como Choji deveria manter o ritmo da música, não deixar o amigo derrubar seus equipamentos e ainda se preocupar com a maquiagem que lhe ardia os olhos.

A medida em que ia pulando, Naruto começava a sentir enjoos, que lhe obrigaram a parar por uns instantes e voltar a apenas tocar seu instrumento.

Revolve around yourself

(Giram em torno de si mesmo)

It's you and no one else

(É você e mais ninguém)

Hard for me to stay

(Difícil para mim ficar)

Swinging moods that change

(Humores oscilantes que mudam)

From calmness to deranged

(De calma para demente)

Unpredictable, unpredictable

(Imprevisível, imprevisível)

***

You would see if

(Você iria ver se)

Only

(Apenas)

You hadn't taken things out of my hands

(Você não tivesse tomado as coisas das minhas mãos)

Only

(Apenas)

You never wanted to understand

(Você nunca quis entender)

O momento do solo chegara. Desta vez quem iria realizá-lo era o Uzumaki, que já não sentia tanta ânsia. Ao começar a solar, sentiu-se livre para voltar a fazer seus movimentos ousados. Deitou-se no chão e se contorceu por inteiro enquanto tocava.

Em meio a esses movimentos, o bêbado bateu no amplificador do outro guitarrista, que na mesma hora parou de funcionar. Logo após o ocorrido, Sasuke tentou sair rapidamente do centro e ir arrumar seu equipamento, entretanto acabou pisando em cheio na barriga do loiro que estava solando, que por sua vez regurgitou todo o líquido que havia bebido anteriormente e logo em seguida desmaiou.

Um pouco antes, do outro lado do palco, Shikamaru, observando o que estava acontecendo, se aproximou da bateria para tentar dar suporte a Choji, caso Naruto continuasse a empurrá-la, ela não cairia. Ao chegar mais perto do instrumento percussivo, ele viu que o guitarrista loiro fora pisoteado e logo em seguida ficara inconsciente. Preocupado, tentou se comunicar com os outros músicos para entender o que estava acontecendo.

Era impossível trocar palavras naquele ambiente, além da música executada em volume considerável, havia também gritos e urros na plateia, logo, seria necessário berrar se quisesse ser ouvido. Em certo momento enquanto gritava, o baixista deixou o cigarro cair em sua mão, que instantaneamente virou uma labareda enorme. Por reflexo, acabou batendo na bateria ao tentar apagar o fogo, que começou a tombar, mas foi segurada por Choji, que parara de tocar após o ocorrido.

O fogo só durou apenas uns segundos e não o machucou, mas foi o suficiente para assustar a todos. Isso ocorreu devido à tinta que fora usada para pintar o rosto do baterista medroso. Quando a utilizaram, não sabiam que aquilo era, na verdade, graxa. Era impossível saber, afinal de contas, ninguém iria imaginar que as outras pessoas que estavam pintando seus rostos iriam fazer uso de tal material.

Choji, em desespero, levantou-se abruptamente e empurrou um dos pratos, que acabou por atingir o queixo de Sasuke. O golpe fora tão repentino que ele nada fez a não ser perder o equilíbrio e retribuir um golpe certeiro da ponta da guitarra no peito do baterista. Logo em seguida ambos se dirigiram a Shikamaru pra ver como se algo grave ocorrera.

— Porra! Tu pisou em mim? – vociferou Naruto enquanto cheirava suas roupas.

— A culpa não foi minha, seu imbecil! A culpa é sua por ficar fazendo putaria durante a apresentação. — retrucou Sasuke.

— Porra! Não enche! – |O loiro continuou a gritar, depois fez uma curta pausa e perguntou intrigado – O que aconteceu com aquele monte de psicopatas? Achei que eles iam tentar nos apedrejar depois dessa bosta.

— Galera boas e más notícias. – disse Shikamaru saindo do bar – Consegui convencer o cara aliviar pro nosso lado.

— Menos mal. Pelo menos aquele homem não quer mais nos matar. Mas qual a má notícia? – perguntou o baterista.

— Combinei que vamos pagar em dinheiro 40% dos reparos e nos apresentar de graça mais algumas vezes até que mais 10% seja pago.

— Pagar? Pagar pelo que? – interrompeu Naruto, que não fazia a menor ideia do que estava acontecendo, pois estava dormindo até agora pouco e não vira o estrago feito.Foram mais alguns minutos de conversa para lhe deixarem a par da depredação furiosa.

— Tá bom. Deixa eu ver se eu entendi direito. Depois que o retardado ali me nocauteou – disse apontando para Sasuke – o povo simplesmente pirou e começou a quebrar tudo? E agora a gente tem que pagar “nhenhentas” pratas, além de ter que tocar aqui até que mais uma parte da dívida seja paga em consumação?

— Puta que pariu. Deve ser verdade que todo veado é surdo! – resmungou o Uchiha.

— Não, Naruto, você não entendeu direito. – disse Choji pacientemente – A que tudo indica eles acharam que começamos a brigar no palco, gostaram da ideia e a consideraram mais legal do que escutar mais músicas e decidiram anarquizar geral. Agora temos que pagar o reparo do bar. O dono daqui estava com uma 12 ameaçando matar...

— Não foi isso que eu falei? – interrompeu a fala do amigo gorducho – Por que eles acharam que a gente estava brigando? – perguntou Naruto.

— Eles não te contaram o que aconteceu? – perguntou Shikamaru.

— Contaram, mas não entendi porque eles acharam que a gente estava brigando. – respondeu o loiro.

— Que saco. – sussurrou, enquanto apertava com os dedos, polegar e médio, o osso situado entre os olhos–Vou tentar simplificar ao máximo: bêbado, fez merda – disse apontando para seu interlocutor –, nocaute – falou enquanto movimentava o indicador da direção de Sasuke até o loiro. –, acidente – mostrou-lhe a mão chamuscada –, Mais acidentes. – apontou para o queixo do Uchiha, que estava com um hematoma, e depois para a marca vermelha no peito de Choji.

— Hum... É, parando pra pensar, faz sentido. – respondeu enquanto coçava o queixo com olhar pensativo.

— Colocando em valores, quanto teremos que pagar? – indagou Sasuke muito sério.

— Ainda não sei, o dono falou que vai chamar algum arquiteto para fazer o orçamento da reforma e depois nos avisará. Mas estimo que seja algo em torno de vinte mil... Talvez vinte e cinco. – o baixista respondeu entre bocejos.

— Como você pode ter tanta certeza disso? Aliás, por que você e aquele neandertal estavam conversando tão amistosamente? Será que você combinou ganhar um troco em cima das nossas costas? – questionou o irônico Uchiha.

— Não, de maneira alguma tentaria ganhar dinheiro de maneira tão vil, minha ética está muito acima dessas banalidades. – Shikamaru respondeu calmamente, enquanto tentava acender mais um de seus cigarros – O Sr. Morino ficou agradecido por meus conselhos para aumentar a clientela, por isso estava tão amigável. E a razão de já saber, mais ou menos, quanto serão os custos, deve-se ao fato de eu trabalhar, ocasionalmente, no escritório de advocacia de nossos pais – falou apontando, com a cabeça, para Choji – fazendo levantamento de bens dos clientes em casos de danos à propriedade privada.

— Espera um pouco. Se os pais de vocês são advogados, por que ainda vamos pagar pelo conserto? Não fizemos nada de errado e além disso ele nos ameaçou de morte, não é mesmo? – perguntou Naruto.

— Não quero envolver meu pai nesse assunto, porque já estou com problemas demais em casa. Fora isso, acho que também temos uma parcela de culpa nisso tudo. – respondeu o moreno fumante.

— Eu sabia que formar uma banda com você seria uma péssima ideia. – resmungou o Uchiha enquanto apontava para o amigo loiro – Assim que a gente acertar nossas dívidas eu vou sair da banda.

— Ô, seu pau no cu, você prometeu que ia ficar, fazer e acontecer... – esganiçou o jovem Uzumaki enquanto se levantava com os punhos cerrados em direção de Sasuke.

— Por favor, pessoal, vamos parar de brigar. Eu sei que todos estão com os ânimos exaltados, mas vamos nos acalmar por enquanto. Se ele quiser fazer isso depois, tudo bem. Mas nós não devemos criar mais problemas do que já temos. – disse Choji tentando cessar a discussão.

Antes que pudessem continuar o debate, um carro luxuoso prateado se aproximava.

— Oh meu Deus?! O que aconteceu com vocês quatro? – exclamou Jiraya que acabara de chegar e encostar seu Bentley ao lado da calçada – Vocês estão bem? Precisam ir para hospital?

— Não, tio, estamos bem, não precisa ficar preocupado. Muitas, muitas coisas aconteceram hoje. Depois a gente conversa. Hoje tá foda. – respondeu Naruto cansado.

— Uu...É... Sem querer desanimar vocês ainda mais, eu acho que não vai caber tudo isso aqui não. – disse o escritor de meia idade depois de olhar a quantidade de equipamentos – Agora é sério. O que aconteceu aqui? Vocês estão todos ferrados, por algum acaso começaram o seu próprio clube da luta? – perguntou em um tom jocoso, agora que fora informado que todos estavam bem.

— É muita coisa pra falar agora. Depois eu te conto, prometo. – o loiro respondeu novamente sem ânimo.

— Acho melhor vocês dois irem dormir lá em casa, se seus pais virem você assim, complicou. – disse Jiraya olhando para Shikamaru e Chouji. Ambos responderam que não era necessário, mas Jiraya, por meio de sua fala mansa, os convenceu a ligar para os pais e avisar que iriam dormir na casa de um amigo. – Só tem um problema agora: não vai dar pra eu leva tudo de uma vez. Vamos fazer assim, eu levo os instrumentos e depois passo lá na delegacia para fazer o B.O. da caminhonete. Enquanto isso, vocês vão a pé, a casa não é muito longe daqui.

Houve objeções, muitas objeções, mas por incrível que pareça, esse homem boêmio tinha um poder incrível sobre a retórica, talvez os anos fazendo “pesquisa de campo” o tenham ajudado a desenvolver um discurso infalível. Jiraya conseguiu convencer os quatro que a casa era perto e os protocolos da polícia seriam demorados, por isso seria mais rápido se fossem a pé, além disso poderiam parar para comer alguma coisa na lanchonete perto da casa.

Assim caminharam os quatro músicos ao longo da avenida. Com os sonhos despedaçados, seguiram pela estrada solitária da derrota. Suas sombras eram as imagens mais próximas de outros seres humanos à andar por aquelas ruas vazias, agora que a cidade dormia. Um deles com os sapatos manchados por vômito e o queixo inchado, outro cujas roupas estavam todas sujas por uma mancha fedida, o terceiro com as roupas manchadas com pó branco e pequenas partes chamuscadas e o último, seminu com o rosto manchado em tons de branco e preto.

Dentro do carro, Jiraya estava com um singelo sorriso estampado em sua face. Não por ter satisfeito seu lado sádico e revanchista ao convencer os quatro rapazes, que haviam feito sua caminhonete desaparecer, que 10 km era uma distância razoavelmente curta, mas sim porque via neles os mesmos jovens irreverentes, seus amigos, que já passaram por muitas situações parecidas no passado.

Ele sabia que essa era a melhor maneira dos garotos se entenderem, perceberem que não importava o que tinha acontecido, a amizade é algo maior e mais primoroso que uma noite ruim.

"Onde estão vocês meus velhos amigos? Sinto saudades de dias como esse. Tudo dava errado, mas no final estávamos rindo. Não importava se meus rascunhos eram rasgados pelo editor, se as fitas demo do linguarudo eram trituradas pelo produtor ou se a minha querida peituda era confundida com uma prostituta pelo diretor... O dia podia ter sido uma tragédia, mas nós sabíamos que havia um porto seguro nos esperando quando chegássemos em casa, alguém para nos ajudar a nos levantar quando sofrêssemos golpes da vida... Foram os melhores dias." pensava Jiraya enquanto seguia em direção à delegacia.

Notas finais
*Por favor deixe um review com sua crítica, elogio ou sugestão. *Forte abraço a todos e até a próxima.