Little Last Love Song
3 3 - O quarto só deles.
Antes que Kaito se desse conta, aquele inverno havia passado. E outro após aquele. Agora o céu pesava sobre a cidade em ruínas, ameaçando cair em flocos grossos de neve. Era época de fechar e aquecer a casa novamente.
Enquanto se encaminhava para o porão, lembrava do inverno de dois anos antes, quando o orfanato acolheu a pequenina Rin. Desde que se tornara órfão aos cinco anos até então, os dias vinham sendo um tanto iguais para ele. Mas foi a partir daquele inverno de dois anos antes que as coisas começaram a mudar em sua vida.
Pois foi mais ou menos naquela época que Kiyoteru permitiu que ele e Meiko tivessem um quarto reservado apenas para eles.
Kaito ainda lembrava de uma tarde naquele porão, quando seu tutor o chamara em particular e lhe indagou sobre a natureza de seus sentimentos por Meiko. O garoto não via em Kiyoteru menos do que um pai e um amigo, e por isso não hesitou em declarar, do alto dos seus treze anos, que Meiko era o amor de sua vida. O tutor pareceu satisfeito com a resposta, e disse que a partir de então eles precisariam de privacidade.
Só com o tempo Kaito entendeu as palavras dele. Tinha quinze anos agora, assim como sua amada, e as noites que passaram lado a lado naqueles últimos anos lhe mostraram que realmente precisavam ficar a sós. Tinham se descoberto aos poucos, sua intimidade se desenvolvendo junto com seus corpos, e com o desejo crescente que nutriam um pelo outro, de modo que, na última manhã do outono mais recente, Meiko abriu a janela do quarto deles, e a brisa que ele sentiu entrar no quarto soprou de leve no rosto da jovem mulher.
Sua mulher.
Ele sentiu o perfume conhecido, e os braços se apoiarem em suas costas de repente, as mãozinhas delicadas a lhe vendarem os olhos.
― Adivinha quem é?― a voz doce murmurou travessa em seu ouvido.
Kaito sorriu de lado, pondo as mãos sobre as dela.
― O que eu ganho se acertar?― indagou.
Meiko subiu na ponta dos pés, seus cabelos curtos e escuros roçando no pescoço do rapazinho. Ele sentiu o corpo se arrepiar, ainda mais com o calor úmido dos lábios dela acariciando sua orelha.
― O que quiser― ela sussurrou provocante.― Mas seja criativo...
Ele se voltou no mesmo momento, abraçando-a pela cintura e lhe puxando para junto dele. Meiko lhe enlaçou o pescoço, e Kaito tomou os lábios da garota num beijo intenso.
“Você a ama tanto assim?”, Kiyoteru tinha lhe indagado, anos antes. E diante da resposta firme e positiva do garoto, lhe falou algo que ele jamais esqueceu.
“Então viva esse amor com ela, o máximo que puder. Porque não posso garantir que vocês terão uma vida longa e feliz ao lado um do outro.
Certa vez eu fui trabalhar e deixei minha mulher e meus filhos em casa. Eram tudo o que eu tinha de mais valioso em minha vida, e perdi tudo em apenas uma noite. Havia coisas que eu queria ter dito a minha mulher, e havia lugares que eu queria levar meus filhos. Numa única noite, tudo o que eu deixei de viver ao lado deles se perdeu pra sempre, junto com eles. E tão doloroso quanto perder as pessoas que você ama, é passar o resto da vida assombrado pelas memórias do que você não foi capaz de realizar para elas.
Seja feliz, Kaito-kun. E faça Meiko-chan feliz. Sejam felizes juntos, pelo máximo de tempo que puderem.”
― Assim não vale― Meiko protestou aos risos, enquanto Kaito enchia seu rosto e seu pescoço de pequenos beijos.― Você me olhou. Agora não vai ganhar mais nada!
― Ah, nem vem― ele disse tranquilo.― É só eu te cobrir de cócegas, quero ver você não fazer tudo o que eu pedir.
― Eu fujo de você.
― Vai mesmo?
Ela sorriu, os olhos brilhando num desafio. Desvencilhou-se do namorado e correu até o pé da escada, onde Kaito a encurralou contra a parede sem muita dificuldade.
― Hm, acho que você não vai fugir pra muito longe― ele murmurou.
― Vai ver é porque eu não quero, seu bobo― a garota riu, as maçãs do rosto ruborizadas.
Fechou os olhos ao sentir os dedos dele lhe acariciarem a face. As mãos pequenas deslizavam do peito dele ao seu pescoço lentamente. Era tão linda, Kaito pensou por um momento, contemplando os traços delicados do rosto, emoldurado pelos fios curtos e castanhos a lhe roçar a nuca. Desde que a conhecera, havia lhe achado a menina mais bonita que já tinha visto. E sua opinião foi ficando mais forte com o passar do tempo. Estava mais e mais apaixonado por ela, a cada dia.
― Fica comigo pra sempre, Meiko?
Os grandes olhos castanhos abriram-se, fitando surpresos os azuis à sua frente.
― Estou com você agora, não estou? ―ela respondeu. ―Pra onde mais eu iria?
Kaito sorriu levemente, mas parou, assustado.
As palavras dela pareciam ter um estranho tom profético naquele momento. Ele não soube definir o pressentimento que lhe assaltou naquele instante, mas tinha certeza de que era ruim.
― Kaito...?― Meiko indagou preocupada, vendo a sombra que passara repentinamente pelo rosto dele.
― Nada― ele sacudiu a cabeça, como se tentasse espantar aquilo para longe.
Beijaram-se novamente, com calma a princípio, com ardor logo em seguida. Abraçando-se com mais força, dedos se entrelaçando nos cabelos, arranhando de leve as costas um do outro. Kaito respirou fundo, tentando recuperar a calma que ia se perdendo. Ainda era dia, aquele não era o local adequado, e algum dos garotos podia entrar ali. Meiko seguia seu raciocínio e diminuiu a intensidade das carícias. Haveria tempo mais tarde, eles pensaram, olhando nos olhos um do outro. Teriam a noite inteira para eles.
Os dois trocavam selinhos carinhosos quando Len apareceu no topo da escada.
― Estou vendo vocês dois se comendo― avisou enquanto descia animadamente, pulando os degraus até chegar no solo do porão.
― Olha só pra esse tampinha― Kaito exclamou, bagunçando os cabelos loiros do garoto, enquanto Meiko ria.― Pra sua informação, não estamos nos comendo. Isso se chama beijo.
― Ah, é?― Ele olhou interessado para o mais velho. ― E é bom? Ah, deve ser né, vocês estão sempre fazendo isso quando ninguém olha.
― Vai saber quando sua idade chegar ― Meiko disse. ―Por enquanto, nos ajude a levar essas toras lá pra cima, sim?
Ele assentiu enérgico, e lançou-se ao trabalho com vontade. Len agora tinha cinco anos e fazia questão de ajudar em todos os serviços de casa que não lhe permitiam quando ele era menor. Ser útil aos mais velhos era algo que sempre lhe animava.
Os dias seguintes foram de frio e tempestades incessantes. Kiyoteru não permitia que ninguém saísse da casa; embora nenhum deles realmente quisesse se afastar do ambiente aquecido. As noites eram longas e gastas quase todas em claro, com as crianças brincando diante da lareira. Kiyoteru fazia com que elas lessem histórias – havia lhes ensinado a ler razoavelmente bem – ou inventassem alguma. Brincavam de adivinhações e outros jogos lúdicos e ainda encontravam energia para brincar de pegador por toda a casa. Na manhã seguinte estavam esgotados, e adormeciam pelo resto do dia, abraçados uns aos outros junto ao calor do fogo.
Kiyoteru sorria ao passar pela sala e ver Len largado no tapete, dormindo com uma perninha atravessada sobre a barriga de Piko, Miki abraçada à Gumi, e Rin no meio de todos, aninhada no colo de Miku. Então subia para apanhar um edredom no quarto, e passava diante da porta trancada a sete chaves de Kaito e Meiko. E sorria também, porque tinha plena convicção de que estava fazendo o possível pela felicidade de todas aquelas crianças.
Enquanto ouviam a chuva gelada fustigar a vidraça, os dois jovens estavam encolhidos na cama, abraçados, nus debaixo de vários cobertores. Já tinham se aquecido o bastante para não precisarem compartilhar do calor da lareira junto com os outros, e embora ainda sentissem um pouco de frio, não desejavam abandonar aquele momento.
Meiko tinha o rosto deitado sobre o braço de Kaito, bem próximo ao dele, sentindo sua respiração e ouvindo seu ressonar. Ele sempre ficava sonolento depois que se amavam. Beijou suavemente o ombro sob ela e voltou a deitar-se ali, fitando o rosto calmo de seu companheiro, afastando os fios negro-azulados dos olhos que moveram-se lentamente, abrindo aos poucos.
― Durma― ela lhe sussurrou, fazendo-o fechar os olhos outra vez.
De algum modo, ela sempre soube. Desde quando foram apresentados ainda crianças. Desde a primeira vez que ele tomou sua mão. Ela sabia que seu destino e o dele haviam de prosseguir juntos, e por Deus, ela não queria que fosse de outro modo. Amava-o mais do que podia sequer conceber.
― Fica difícil, com você passando as pernas em mim desse jeito― ela o ouviu murmurar de volta, rindo baixinho.
― Então não durma― Meiko respondeu.
Kaito levantou-se e se debruçou sobre ela, lhe beijando o rosto ternamente. Ela passou os braços pelas costas dele, afastando as pernas para lhe dar espaço, e estremecendo ao lhe sentir roçar exatamente onde ela queria que estivesse.
Ele lhe percebeu arquear as costas e suspirou fundo, descendo os beijos pelo pescoço dela e demorando-se nos seios, passando a língua lentamente pelos mamilos pequenos e endurecidos. Meiko ofegava de prazer, escondendo a boca nas mãos para esconder seus gemidos. Sentia Kaito alterado, o membro rijo pressionado contra a perna dela conforme descia pelo seu corpo; mas ele sempre se demorava um pouquinho explorando o corpo dela, acariciando-lhe o sexo, mordiscando sua pele, suspirando fundo ao ouvi-la gemer. Era como se vê-la excitada como ele conseguia lhe deixar fizesse uma parte muito importante da satisfação dele.
― Deixe eu te ouvir― ele pediu rouco, afastando a mão que cobria seus lábios, e beijando-os logo em seguida.
― Se eu fizer isso... Todo mundo vai ouvir― ela disse entrecortada, a pulsação elevada acelerando em seu peito.
― Está chovendo― ele insistiu suave, segurando a cintura delgada, descendo pelo ventre aveludado e correndo os dedos ao redor da cavidade incandescente, sorrindo ao vê-la arquear sobre a cama.― Por favor...
― Kaito...
Ela gemia baixo, sentindo os dedos dele deslizarem, para dentro e para fora dela, lentos a princípio, rápidos em questão de segundos. Meiko alcançou o lençol ao lado, a mão se fechando em garra sobre a fibra enquanto a mente rodopiava. Ele voltou a se aninhar entre as pernas dela, estocando-a suavemente, observando o rosto dela, atento a cada feição, a cada som.
Meiko agarrou os ombros dele, sentindo-os tencionarem com o esforço que ele fazia. Fechou os olhos, embevecida no calor de sua pele, de sua respiração, do membro dele abrindo espaço em seu corpo e lhe possuindo devagar. Era perfeito, ela refletiu. Como se ele fosse parte dela desde o nascimento, como se só agora tivessem se reencontrado. Sempre pensava nisso quando estavam juntos, no quanto sentia que se completavam. Ainda mais naquele momento, em que se aquietavam no corpo um do outro e, por um instante breve, eram um só.
Ele terminava ofegante nos braços dela, vencido pelo próprio esforço, pela intensidade do próprio prazer, o rosto enterrado em seu pescoço, suspirando fundo. E ela o recebia carinhosa, amolecida depois do orgasmo. Seu cheiro e o dele, seu calor, se misturavam debaixo dos lençóis, aquecendo-os por uma eternidade, ou pelo menos o suficiente para que dormissem em paz.
― Kaito...
― Hm...?
― Será que... me ouviram...?
― ...
― Acho que me ouviram. Ai, que vergonha...
― ...
― Está dormindo, Kaito... já?
Ela olhou para baixo, tentando fitar seu rosto. O rapaz realmente tinha fechado os olhos e respirava pesadamente, mas ainda não dormia. Murmurou algo que a jovem não entendeu, e então levantou a cabeça para que seus lábios alcançassem o ouvido dela. Depois voltou a deitar sobre o colo dela, adormecendo imediatamente.
― Seu... bobo― ela murmurou exausta, os dedos acariciando o rosto dele.― Também te amo.
Notas finais
Minhas desculpas a quem esteve esperando o novo capítulo. Vou fazer o que puder pra não demorar tanto no próximo >.
Comentem se possível, farão uma ficwritter muito feliz! Té maisinho :*******
Fale com o autor