Lily corria de volta para acudir a amiga, enquanto Laila corria no sentido oposto, em direção as outras duas. Alguns momentos antes, dentro do galpão, elas tentavam desesperadamente romper a barreira mágica imposta sobre a porta.

— Estamos presas! Droga, eu sabia que não podíamos confiar naquele cara!

— Se acalme, Lily, vou tirar a gente daqui.

— Como? O comunicador não funciona, e eu não sinto magia vindo de fora! Isso quer dizer que tem uma barreira mágica nessa porta! Não dá para derrubar isso nem com força!

— Tem certeza? Não tem nenhuma forma de derrubarmos isso?

Laila vê que Lily está nervosa e toma a palavra, colocando a mão sobre a porta, fechando os olhos e se concentrando.

— Para derrubar uma barreira dessas você precisaria de um poder de ataque mágico absurdo... acredito que nem mesmo a Zaira em sua época de ouro conseguiria derrubar uma coisa dessas.

Kate segura seu amuleto e, nesse mesmo instante que Laila falava, ela grita as palavras.

— Jay! Lirou Lader!

Assim que se transforma ela segura no ombro de Laila e a afasta da porta, gentilmente, colocando a mão sobre a mesma e fechando seus olhos.

— O que está fazendo?

Ela recitava palavras em um tom inaudível para as outras duas, quase como se sussurrasse.

A garota então avança sobre a porta, desferindo um golpe poderoso com todas as suas forças, enquanto queimava seu corpo com chamas intensas, mas a barreira a joga para trás assim que ela o faz. Assim que Kate é jogada para trás, Lily apara seu corpo, com um tom de razão na voz.

— Viu só! Eu disse, é impossív...

— Esse foi só o primeiro golpe, Lily. Está se esquecendo da minha habilidade específica?

Antes que Lily respondesse, Kate se atira novamente para frente, em chamas, não só destruindo a porta com uma estocada, como também jogando-a à metros de distância. Mesmo surpresa com a cena, a menina de cabelos loiros correu para fora do galpão gritando para suas amigas, enquanto Laila a seguia com a mesma disposição. Foi ao ver de relance o brilho avermelhado da transformação de Kate desaparecendo logo atrás dela que ela percebeu o que havia acontecido.

Lily cai de joelhos para acudir a amiga.

— Ei, Kate! Acorda! Droga...

A garota não respondia a nenhum dos estímulos que Lily dava a ela. O homem no ombro do gigante de pedra soltava interjeições de admiração e espanto, enquanto encarava as meninas saindo do galpão.

— Como vocês conseguiram destruir minha barreira? Estou surpreso... minhas criações são imbuídas com magia, então não é tão fácil destruir só com golpes simples. Tendo em mente que essa garota caiu no chão logo depois de derrubar a porta, eu imagino que ela deva ter usado um poder especial para fazê-lo.

Amanda encara de relance Kate sobre o chão.

— Ela deve ter usado tudo nesse ataque.

— Sim, ela provavelmente acabou com toda a mana dela para derrubar a barreira. — Assente Lucy.

Laila finalmente percebe o que aconteceu ao ver as meninas olhando para trás dela. Ela se vira no meio do caminho e volta a correr em direção a Lily e Kate; enquanto fazia isso, a criatura gigante aproveita a oportunidade para avançar contra Laila. O grande gigante desfere um soco contra a garota que é rapidamente defendido por Amanda, que pulara na frente do golpe com seu escudo; porém, a agarota é jogada para trás, batendo de costas contra Laila e rolando no chão, para próximo das duas garotas no galpão.

Lucy aproveita a oportunidade e atira uma rajada de flechas elétricas na direção dos dois no ombro do gigante, acertando duas flechas no homem e uma na mulher, que caem imediatamente enquanto eram eletrocutados.

— Ei, vocês duas estão bem?!

Ambas se levantam com a mão na cabeça.

— Desculpa por isso, Laila.

— Tá tudo bem, a culpa foi minha por dar as costas para o inimigo desse jeito. De qualquer forma, acho que teria sido pior se ele tivesse me acertado.

Com o ataque, os dois acabaram caindo do ombro da criatura, mas eles rapidamente se levantam do chão e entram em posição de batalha. Lucy se coloca entre o inimigo e as amigas, servindo como uma barreira.

Amanda se abaixa para analisar Kate e fica com uma expressão de alívio no rosto.

— Graças a Deus, ela só desmaiou de exaustão. Não é nada sério.

— É, mas não é hora de tirar um cochilo!

— O que aconteceu exatamente, Lily?

— Ela se transformou e atacou a porta.

— Como ela atacou? Ela deu mais de um ataque?

— Ela deu dois ataques. Ela bateu uma vez, mas a porta a jogou para trás, e então ela se atirou para frente e atacou de novo com uma estocada enquanto pegava fogo.

— Ela fez alguma coisa estranha antes de bater?

— Se ela fez? — Comenta Laila. — Ela colocou a mão sobre a porta primeiro, e ficou sussurrando alguma coisa...

Amanda olha para a amiga desmaiada e fica com um rosto irritado.

— Kate, sua tonta... ela deve ter usado uma combinação bem específica para ter sugado tanto poder de uma vez.

— O que quer dizer?

— O poder da Volcano não funciona tão bem assim quanto pensam. Se ele é igual a minha habilidade, um ataque sozinho não seria capaz de sobrepujar a defesa do alvo tão facilmente. Ela sabia que o primeiro ataque não derrubaria a porta, por isso ela criou runas mágicas para amplificar a defesa da barreira antes de dar o primeiro ataque; criar uma runa não é algo fácil, é necessário, acima de qualquer coisa, muito conhecimento. Mas vindo de Kate eu não me surpreenderia se ela tivesse lido isso em algum livro. Logo em seguida ela atacou com toda a sua força.

— Está dizendo que... ela criou uma runa que aumentou o poder de defesa da barreira de propósito, e atacou só para aumentar o próximo ataque dela?

— Você me ouviu bem, mas tem um detalhe que você não pegou. Ela usou uma combinação bem específica; eu consigo reconhecer só de olhar o resultado. É uma runa que bloqueia o ataque, voltando-o cem por cento para a fonte dele, e desaparece assim que é ativada.

— Não é possível...

— É como se ela tivesse atacado ela mesma, mais o poder de defesa da barreira, mais o ataque que a abarreira absorveu... — Ela faz uma cara de confusão e desconforto — é algo tão complexo de se explicar que tá bugando até minha cabeça...

Antes que as meninas pudessem perguntar mais alguma coisa, elas ouvem Lucy gritando nervosa para elas.

— Eu só queria lembrar vocês que a luta ainda não acabou! Parem de conversinha aí e me ajudem aqui!

Enquanto Lucy dizia tais palavras, ela atirava flechas a esmo contra os dois inimigos, que se esquivavam e se afastavam.

Amanda vira para Lily com uma expressão de determinação.

— Podem ir, eu cuido da Kate.

Elas assentem e vão em direção a Lucy. Amanda começa a usar sua magia de cura em Kate, com um rosto pensativo.

“Mesmo assim... é impressionante como ela conseguiu pensar em um plano tão rápido. Mesmo tendo sido uma escolha questionável, foi melhor que ela ter crescido o ataque vagarosamente com vários golpes. Ela poupou tempo e energia fazendo o que fez. E pensar que ela aprendeu a fazer esse tipo de runa apenas lendo livros.”

Laila e Lily se posicionam ao lado de Lucy, e Laila finalmente puxa seu amuleto.

— Eu devo ser capaz de me transformar se usar aquelas dicas que você me deu, certo?

— Imagino que sim. Você já é uma usuária de magia experiente, não deve ser algo difícil para você.

Ela coloca o amuleto a frente do rosto, segurando-o com as costas da mão virada para si. Ao fechar os olhos, ela começa a pensar em muitas coisas, várias imagens começam a passar por sua mente. Zaira, Robert e a imagem de Zefira.

— Jay! Lirou Lader!

A explosão de luz roxa cobre todo o corpo da menina enquanto suas roupas são desintegradas.

Em seus pés um par de sandálias com tiras em forma de redes que subiam por sua canela até chegar em seu joelho. Um short preto em seu quadril e uma grande tira preta cobria seus seios. As suas mãos e braços eram cobertas com luvas de rede. Acima de seu torso, um kimono roxo surgia, se estendendo até acima do short com uma minissaia roxa aberta nas laterais. Pequenas placas de couro roxo apareceram em seus antebraços e suas canelas. Em seu pescoço um enorme pano começa a se estender e envolvê-lo, como um grande cachecol, que parecia ter vida própria. Em sua mão direita, uma mini foice aparece, se ligando por uma corrente com uma bola de ferro em sua mão esquerda, do tamanho de um punho fechado. Os cabelos de Laila tomaram uma coloração roxa e escura.

Lucy segura o pulso de Lily, a transformando também.

— Você parece uma ninja com essa roupa!

— Uma ninja, hein? Que engraçado... — Pensava ela ao se lembrar de Zaira.

O gigante começa a se mover novamente, se colocando logo atrás dos dois sujeitos parados a frente delas. No mesmo instante, Amanda reaparece, colocando-se ao lado das meninas.

— Ei, como está a Kate?

— Ela deve acordar com uma pequena dor de cabeça, mas no geral ela está bem. Eu a coloquei em um local seguro e criei uma barreira ao redor dela.

— Hora de acabar com isso então, não concordam?

Todos são surpreendidos com uma voz que vem de trás dos dois sujeitos. Acima de um dos containers, aquela figura familiar as encarava com um rosto sério.

— É melhor andarem rápido! M’lady está impaciente. Apareceu um imprevisto e, se não se apressarem, ela me pediu para trazê-los de volta a força.

— Você de novo! — Gritou Lily.

— Sim, o seu nêmesis favorito! Infelizmente não estou com bom humor para fazer piadas hoje, então vou só assistir vocês lutarem.

— Não vai interferir? — Pergunta Lucy de forma calma.

O homem de cartola se senta, confortavelmente, mas com um rosto totalmente diferente do comum.

— Vocês têm dez minutos.

— O que aconteceu? — Pergunta a mulher de cabelos coloridos.

— A lamparina. Aquelas duas finalmente alcançaram a lamparina.

Lucy, Lily e Amanda ficam hesitantes ao ouvirem isso.

— “Lamparina”? Você não estaria se referindo...

O homem de cartola faz um rosto irritado, mostrando os dentes, em fúria.

— É isso mesmo! — Gritou ele. — A sua preciosa Lader Lux está nos dando trabalho de novo!

— Ayla... — balbucia Lucy com uma voz trêmula.

— Nesse caso, não seria melhor voltarmos imediatamente? — Comenta o homem de branco. — O Lemuria tem mais prioridade que os amuletos, no momento.

O mágico encara as quatro meninas e fica pensativo.

— Elas estão em vantagem numérica, e nós já falhamos em emboscá-las... ainda nos falta experiência humana.

— Quanta ingenuidade a nossa... — Diz a Pintora colocando sua mão sobre o rosto com uma expressão de decepção.

Lucy solta uma interjeição de impaciência e se impulsiona em direção a eles, repartindo seu arco em adagas. Ela ataca os dois em conjunto, separando-os e obrigando-os a recuar. No mesmo instante o gigante ataca a mulher, mas é parado por Amanda, que defendera o ataque bem a tempo.

— Foco Lucy! O que deu em você?

Amanda se esforçava para segurar a mão pesada do gigante com seu escudo. Laila e Lily avançam e atacam o peito da criatura, fazendo-a recuar um pouco.

— O primeiro ataque tinha jogado você para longe; — Comenta Laila, — mas agora parece que consegue ao menos segurar os ataques dele.

— Foi graças a habilidade do meu escudo... e esse foi mais fraco que o outro.

— Mais fraco? — Pergunta Lucy com uma expressão pensativa.

Elas percebem que o gigante começa a diminuir seu tamanho.

— O que está fazendo, Escultor?!

— Eu disse, o Lemuria tem mais prioridade no momento. Vamos poupar mana e voltar.

— Como se fossemos deixar! — Laila atira sua bola de ferro em direção a eles; suas correntes se multiplicavam em número e estendiam-se enquanto a bola voava e alcançava o pé dele, envolvendo-o e prendendo-o. Laila o puxa rapidamente, levantando-o no ar; a criatura gigante tenta segurá-lo, mas não consegue. Lucy avança em direção ao homem e ataca-o, mas a Pintora defende com sua haste. Ela tenta atacar a corrente, mas não consegue rompê-la.

Assim que o homem toca o chão, ele faz um movimento com a mão para cima, fazendo o chão abaixo dele se liquefazer e envolver seu pé, juntamente com as correntes da garota; no mesmo instante Laila percebe uma resistência maior em puxar as correntes; agora elas estavam presas juntamente com o homem.

— Então é assim que sua habilidade funciona...

— Eu posso criar o que quiser usando qualquer matéria prima que não possui mana. Ao envolvê-la com meu próprio mana, posso moldá-la a meu bel prazer.

Agora a situação estava assim; Laila segurava suas correntes, que estavam presas ao amontoado de concreto, no mesmo lugar onde o pé do Escultor estava. A parceira dele estava um pouco atrás, trocando golpes com Lucy, enquanto Lily avançava até o homem para acertá-lo.

Lily se aproximava do Escultor, mas é parada por uma parede que surge do chão a sua frente e envolve o homem por completo, como um invólucro.

— Maldito...

— Não vai ajudar mesmo, não é?! — Gritava a mulher, enquanto defendia os golpes de Lucy.

— Eu já disse, se virem aí! Não vou me intrometer. A propósito, nosso acordo com a Alcateia acabou.

Ao ouvir isso, a mulher desfere um ataque poderoso contra Lucy, obrigando-a a se afastar. As duas param de trocar golpes e encaram o mágico.

— O que?! O que aconteceu?

— A polícia acabou de invadir o prédio principal deles. Derrubaram tudo.

A arma de Laila desaparece no ar e reaparece em sua mão, livrando-se do homem. Ela fica desacreditada com a fala do Mágico.

— E o Robert? O que aconteceu com ele?!

— Eu não faço ideia... — Diz ele com desinteresse.

A Pintora solta um bufo de raiva e grita.

— Pode nos dar uma ajuda aqui pelo menos?! Você nunca faz nada!

— Ei! Como assim eu nunca faço nada?! Quer que eu faça alguma coisa?! Então tá!

Ele puxa a arma de Flora e começa a invocar várias vinhas que crescem pelo chão de forma desenfreada e aleatória, obrigando as meninas a se afastarem. Assim que elas tomam uma distância considerável, ele puxa uma esfera negra de dentro de seu paletó.

— Aquilo é uma semente de foco? — Pergunta Lucy, assustada.

O homem a joga no chão e ela explode, produzindo uma fumaça negra que começa a se espalhar pelo solo. Várias vinhas negras começam a surgir, se rebatendo e contorcendo, e logo a flor negra começa a emergir. As meninas, no entanto, perceberam que a velocidade com que o foco crescia era anormal, não parecia um foco comum.

— Isso vai ficar feio... — Comenta Amanda.

A Pintora faz um rosto preocupado para ele.

— Ei, tem certeza de que foi uma boa ideia usar isso aqui? A M’lady não ficará irritada com isso?

— Ela me autorizou a usar, se sentisse que era necessário.

— Então é sério mesmo...

Lucy faz um sinal para as garotas com a mãos.

— Recuem! Agora!

— O que?! — Gritava Lily. — Por quê?!

Ela olha de volta para o foco crescendo e começa a suar frio.

— Aquilo é um foco de Soldado Corrupto...

Amanda hesita ao ouvir Lucy.

— O grau acima do Corruptor Tirano?! Como eles conseguiram algo assim?!

— Laila, leve a Kate para um lugar seguro. Eu e as meninas vamos tentar cuidar daquilo.

— Mas...

— Faça o que estou mandando! Você não tem experiência lutando contra corrupção, só vai atrapalhar!

Enquanto falava, o Escultor sai de seu casulo de concreto e se junta aos outros dois, que assistiam a cena de cima de um container.

— Então, podemos ir?

— Sim. Voltamos depois para pegar o que sobrar.

A Pintora faz um expressão de fúria.

— Usar um trunfo desses para fugir... que decepção!

— Fazer o que, é a vida.

Ele segura o pulso dos dois e ambos desaparecem envoltos em fumaça.

A criatura que emergia da flor negra tinha um aspecto horrendo. Ele era enorme, quase tão grande quanto uma arvore; seu formato lembrava um humano, mas ele andava como um quadrupede; seus músculos eram grandes e definidos; acima de seus ombros, na região do pescoço, não havia uma cabeça, apenas um leve monte de carne negra que se assemelhava a uma flor. Em suas costas, vários espinhos e tentáculos se moviam. Ele solta um grande rugido, ensurdecedor, que se assemelhava a um trovão.

Lily e Amanda deram um passo para trás assim que a criatura rugiu, hesitando ao fazê-lo. Lucy, no entanto, focava-se cada vez mais, segurando suas adagas uma contra a outra, formando seu arco.

— Nós não vamos conseguir ferir essa coisa com ataques comuns. Temos que usar magia e ataques a distância. Não o deixem chegar perto de vocês!

— Mestra...

— Eu sei Lily! Mas não pense nisso agora!

Ela sabia o que Lily ia dizer. Algo assim já havia acontecido com elas antes. A roupa de Lily começa a brilhar e algumas placas de metal começam a aparecer a esmo sobre seu corpo. Algo semelhante ocorre com Amanda; sua armadura começa a brilhar em um azul celeste e em seu escudo mais placas começam a aparecer, enrijecendo-o. Lucy vê isso acontecendo com as duas e começa a ficar preocupada.

“Elas devem estar morrendo de medo... para o amuleto ter feito isso com elas, é porque os sentimentos delas estão mais fortes do que nunca, estão ficando descontrolados.”

Lucy fecha os olhos e solta um grito.

— Parem de pensar demais! Vocês duas são Laders!

Elas hesitam e olham para Lucy. A criatura ainda não havia se mexido, ela parecia estar se recuperando do sono.

— Mestra...

— Se essa coisa nos derrotar, a cidade vai ser destruída! Talvez a região inteira vire um grande deserto sem vida! Se nós fugirmos, exatamente a mesma coisa vai acontecer! É isso que vocês querem?!

Elas se olham e Amanda se lembra da conversa que teve com Kate.

“Pensa, Amanda. Se nós, Laders, não lutarmos contra os corruptores; se nós, Laders, não nos submetêssemos a esse tipo de coisa, quem teria que fazê-lo?”

— Sim... ela tem razão. Não é hora de ficar com medo.

— Errado, Amanda, — Grita Lucy com um sorriso confiante, — essa é a hora perfeita para ficar com medo. O sentimento alimenta o amuleto, ele nos dá poder, então tremam diante dessa criatura! E enquanto o fazem, destruam-na!

Enquanto isso, Laila corria com Kate nos braços, quando um tiro próximo a sua perna a faz parar. Ela estende a visão para frente e vê Robert com uma arma apontada para ela, se aproximando calmamente.

— O que eu te disse mais cedo?

— Robert... agora não é hora...

— Calada! Eu fui claro, não fui?!

Laila percebeu algo estranho nele; sua voz estava hesitante. Além disso, ela pensava no que fora dito mais cedo pelo homem de cartola, sobre a Alcateia.

— Ei... o que aconteceu com o prédio da Alcateia?

— Você já está sabendo? As notícias correm rápido, não é?

Laila coloca Kate cuidadosa e confortavelmente no chão, se posicionando novamente a frente de Robert.

— Pois bem, é a mim que você quer, certo?

— O que houve com ela?

— Não interessa.

— Só me fala. Estou curioso. Prometo não tocar um dedo nela.

— Ela... ficou sem mana e desmaiou.

Ele solta uma interjeição de compreensão e volta a pontar sua arma para Laila.

— Então vamos acabar com isso.

— Espera... quero te perguntar umas coisas antes, tudo bem?

— Vá em frente.

— Primeiro, onde está a Zaira?

— Não se preocupe, ela está bem. Apenas isso que vou lhe dizer.

— Entendo. Eu queria saber mais uma coisa... o ataque ao shopping... o que você queria com aquilo?

Ele fica pensativo, fechando os olhos e abaixando a arma.

— Aquilo foi um capricho meu.

— Um capricho? Me pareceu mais um teste... mas para quem era aquele teste? Para mim? Você queria ver se eu ainda tinha algum potencial para ser uma assassina? Ou algum interesse de voltar a Alcateia? Para a Pintora? Queria ver o quão leal ela seria ao acordo?

Ele solta uma risada.

— Aquele ataque ao shopping foi um teste, você está certa... mas eu não mirava ninguém especial. Aquele era um teste para mim mesmo.

— O que quer dizer?

— A Alcateia acabou, garota. Eu me desfiz dela.

— O que? Por quê?

— Sabe... eu estou cansado de fingir que o que aconteceu com a Zefira não foi culpa minha. Eu estou cansado de fazer as coisas para aliviar essa minha frustração. E me sinto mal por tudo que te fiz passar. Essa foi minha forma de me redimir. Me desculpe, Laila.

Ela fica sem reação com a fala dele. Robert aponta mais uma vez a arma para ela, mas antes de puxar o gatilho, ele a abaixa um pouco, atirando entre os pés de Laila. Logo após fazer isso ele solta a arma no chão, e Zaira aparece atrás dele, com um leve sorriso.

— Olá, criança.

— Zaira!

Ela corre e a abraça fortemente, entrando em prantos.

— Ei, tudo bem, não precisa chorar.

— Mas... o que significa isso?

— Foi o que eu disse, garota. Eu estou cansado da Alcateia. Ela me fez perder tudo que era mais precioso para mim... eu acabei percebendo tarde demais, no entanto.

— Robert... você...

Ele assente, desviando o olhar dela. Zaira vai em direção a Kate e começa a analisar seu corpo. Rapidamente, ela dá um golpe com o indicador em pontos específicos do corpo dela; Kate subitamente se levanta em meio a um susto.

— O que?! — Gritava ela em pânico.

— Kate! Zaira, o que você fez?

— Só apliquei uns golpes em seu fluxo de mana ativo, acelerando sua recuperação. Mas isso não vai fazê-la recuperar todo o mana, é só para ficar mais fácil vocês fugirem.

Kate se levanta meio cambaleante.

— O que aconteceu, Laila? Quem são essas pessoas?

— Elas são...

Kate encara os dois e entende imediatamente.

— São as pessoas com que você se preocupava, certo? Eu entendo.

Ela assente com a cabeça, com um sorriso.

Robert vai até o buraco do tiro que ele havia dado mais cedo e pega o projétil.

— Aqui, garota. — Ele entrega a Kate. — Se você absorver essa coisa, seu mana vai se recuperar.

— O que é isso? — Ele era como um pequeno cristal rosado; o objeto tinha um brilho especial.

— É Atonita. Um cristal mágico capaz de absorver e armazenar mana. Se usado como um projétil, é capaz de penetrar escudos e barreiras mágicas, tal como auras mágicas também. Você só precisa segurar com sua mão e sugar o mana, se concentrando.

— Assim? — Ela fecha os olhos e aperta o objeto com sua mão. Um leve brilho começa a sair de sua mão e percorrer todo seu corpo. Dentro de poucos segundos ela abre a mão e os olhos e percebe que o cristal havia virado pó.

— Legal... me sinto totalmente bem de novo.

— Kate... nós temos que fugir!

— Fugir? O que está dizendo? Onde estão as outras?

— Elas... elas estão enfrentando um corruptor enorme.

— O que estamos fazendo aqui então?! Vamos ajudá-las!

— O que planeja fazer?!

— Não é óbvio?! Eu vou lutar! É isso que fazemos!

— É perigoso Kate!

— Então é exatamente por isso que temos que ir! Temos que ajudar elas!

— Mas... nós somos inexperientes ainda, não vamos conseguir fazer muita coisa... e se todas morrerem lá não vai ter ninguém para lutar contra aquela coisa depois.

— Se está com medo de lutar contra ele por causa disso, é aí que deveria repensar sobre. Se nós não conseguirmos derrotar ele agora, enquanto estamos todas juntas, não vamos conseguir derrotar ele “depois”, quando estivermos sozinhas.

— Mas...

— Se não quiser vir, tudo bem. Eu lido com aquela coisa por você. Mas saiba que vai ser pior ter que lutar contra ela sozinha “depois”.

Laila fica pensativa, encarando Kate. Ela solta uma leve risada.

— De onde você tira toda essa determinação?

— Eu sou uma Lirou Lader. — Responde ela com um sorriso.

— Ah, que frase clichê, nem deveria ter perguntado. Você me convenceu. Robert, tira a Zaira daqui.

As três garotas enfrentavam a criatura gigante que aparecera. O monstro atacava com seus tentáculos como chicotes, enquanto Lucy e Lily desviavam com certa dificuldade. Lily se afasta um pouco e coleta algumas pedras no chão, envolvendo-as com eletricidade e atirando-as em direção ao monstro em uma velocidade absurda; eram quase como tiros. Porém, o máximo que faziam era incomodar o monstro. Amanda soltava alguns discos, destruindo alguns tentáculos, mas em poucos segundos outros cresciam no lugar.

O monstro começa a se mover em direção a elas, vagarosamente, andando de forma quadrupede.

Lucy solta um tiro concentrado de energia com seu arco, que faz o monstro parar.

— Agora! — Grita ela, enquanto as três avançavam em direção ao foco em sua cabeça. Porém, assim que se aproximaram, a criatura desferiu um golpe com seu braço, acertando as três e jogando-as contra um dos galpões do lugar, derrubando tudo no caminho.

As três se levantam com muita dificuldade. Lily e Amanda cuspiam sangue enquanto se levantavam. Lucy fica temerosa ao ver a cena e começa a pensar o pior.

“Da última vez que uma coisa dessas apareceu... não, Lucy, não pense nisso! Vamos lá, você tem que pensar num plano.”

O monstro andava em direção a elas calmamente.

“Ele é bem lento, mas é forte. Aquele golpe foi algo planejado? Ele fingiu ter sentido meu ataque com o arco? É difícil pensar que um corruptor teria tal ideia.”

Ela vê Lily caindo de joelhos, ao tentar se mover. Lucy fecha os olhos e abaixa a cabeça, abrindo sua boca para falar algo.

— Garotas...

— Nem pense em dizer o que eu acho que você vai dizer! — Grita Lily, a interrompendo, com uma voz em fúria.

— Eu concordo com ela. Nós somos Laders, não podemos fugir agora e te abandonar aqui.

— Mas se as meninas da Lux estivessem com vocês, eu tenho certeza...

— Lucy Evans! — Grita Lily com emoção na voz. — O que eu te disse mais cedo?!

— Loreley...

Amanda da alguns passos à frente e encara a criatura se aproximando.

— Vamos lá, Lucy, aquela coisa é lenta. Temos tempo para pensar num plano.

— Um plano... o que podemos fazer?

— Eu posso servir de isca. Posso usar aquele poder... a canção...

— Amanda?! — Grita Lucy, interrompendo-a. — O que está dizendo?! Não vamos te sacrificar para derrotar essa coisa!

— Não seja idiota, Lucy; você sabe o que aconteceu da última vez que uma criatura dessas apareceu.

— Sim, eu sei. Eu estava lá no dia, esqueceu?

Ela abaixa a cabeça em um ar depressivo e fala em voz baixa.

— Então, se alguém tiver que morrer, que seja eu.

— Por que está dizendo algo assim?

— Eu sempre sou um peso morto nas batalhas. Eu sempre dou trabalho para vocês. Me deixe ser útil pelo menos uma vez.

— Não diga algo tão egoísta em uma situação dessas, Amanda! — Grita Lily, em repreensão. — Se é para alguém morrer tem que ser eu!

— Calada as duas! Ninguém vai morrer hoje aqui!

Elas escutam passos se aproximando e ficam surpresas ao ver quem são.

— Por que vocês três estão falando sobre morte?

— Kate?! O que está fazendo aqui?!

— Pergunta idiota, hein...

— Laila, eu disse para vocês fugirem!

A menina coça a cabeça com uma expressão de culpa.

— Vocês conhecem a Kate melhor do que eu... deveriam saber que ela não fugiria...

— Como está se sentido, Kate?

— Não se preocupem, tá tudo bem.

Ela se vira e encara o enorme monstro se aproximando. Ao vê-lo, ela solta uma interjeição de admiração.

— Essa coisa é enorme!

— Kate...

— Eu sei, diretora Lucy; fiz minha lição de casa. Um soldado corrupto. Acima dele somente o capitão e o rei corrupto. As últimas vezes que um desses apareceu, uma Lader acabou morrendo.

— Então...

— Mas vocês não tinham uma Volcano com vocês, tinham? — Diz ela com um sorriso. — Não se preocupem, eu tenho um plano.

Lucy fica em silêncio, segurando seu braço ensanguentado. Elas saem do galpão e se afastam mais da criatura, se posicionando acima de um outro galpão, onde podiam ter uma visão melhor da área.

— Aquela coisa é esperta para um corruptor, mas ainda é um corruptor. Pelo que eu li, eles são bem lentos... e pelo que estou vendo, eu posso confirmar isso. Ele está demorando se mover. Sua área de ataque com os tentáculos são cerca de doze metros ao redor dele...

— Como sabe disso?

— Eu consigo dizer só de ver o comprimento daquelas coisas.

As meninas ficam encarando Kate enquanto ela continuava.

— Se mantivermos uma distância segura podemos lidar com ele facilmente.

— Mas nossos ataques a distância não são ofensivos o suficiente para feri-lo...

Ela coloca a mão sobre o queixo e fica pensativa.

— Eu ainda não tenho mana o suficiente para me transformar de novo. Mas se descansar um pouco, posso conseguir me transformar. E além do mais, acho que tenho um plano quanto a esses dois pontos...

— O que tem em mente?

— Vocês disseram que as armas dos amuletos possuem outras formas, então eu queria tentar usar uma nova forma na minha espada.

— Outras formas? — Pergunta Laila para si mesma, encarando sua Kusarigama. Ela fecha os olhos e faz um movimento sutil com a mão, fazendo kunais aparecerem. As meninas olham para ela, surpresas. — Entendo...

— Acha que consegue usar uma arma de ataque a distância? Não existem registros da Lader Volcano possuir algo assim.

— De fato, mas tem registro de uma outra arma tão incrível quanto...

— Ei, não está sugerindo...

— Eu não vou atacar a distância. Eu disse, aquela coisa é lenta.

Amanda se aproxima da amiga com um rosto repreensivo.

— Kate, isso é muito arriscado!

— É por isso que vou precisar de você, Amanda.

— De mim?

— Você vai ser meu escudo. Acha que consegue?

— Eu não tenho certeza...

— Sei que consegue, ainda mais com o segundo ponto do plano... — Ela olha com um sorriso sugestivo para Lucy.

— O que foi?

— Você vai ser nossa bateria.

— Quer que eu use minha habilidade para sobrecarregar vocês duas?

— Você pega rápido, diretora. Enquanto isso, Lily e Laila vão flanquear ele, distraindo-o para que eu e Amanda possamos acabar com ele.

As meninas ficam pensativas enquanto encaram a criatura, que parara de se mexer; ele começa a rugir ferozmente, enquanto parece encarar as meninas.

— Por que ele não se mexe?

— Está esperando a gente atacar. — Comenta Kate com um sorriso. — Eu disse, ele não é idiota como os outros corruptores. Ele deve ter um plano também.

— Você está sugerindo que aquela coisa tem consciência? — Pergunta Lucy, boquiaberta.

Kate encarava o monstro com um leve sorriso.

— Não por muito tempo.

Amanda se senta enquanto se curava com magia.

— Mas é estranho... ele até agora não tentou nem sequer criar corruptores menores com seu foco.

— É porque ele não consegue. — Responde Lucy.

— Não consegue?

— Ele acabou de nascer de uma semente, e eu tinha percebido isso antes, mas agora está claro para mim depois desse comentário de Kate. Aquela coisa foi criada artificialmente. É como aqueles do shopping, mas esse foi um que deu certo.

— Entendo... então é por isso que ele é tão forte. Corruptores criados artificialmente não podem se reproduzir como os demais.

— Não só isso, é como Kate disse, ele claramente tem uma consciência.

Kate bate sua mão fechada contra a outra e encara as amigas.

— E então, já estou me sentindo bem, vamos ou não?

Lucy fica hesitante.

— É um bom plano, mas é arriscado demais.

Kate se transforma e segura na mão de Amanda e Lucy.

— Confia em mim, eu sei que vai dar certo.

As duas se encaram e finalmente aceitam.

Lucy começa a energizar as duas garotas, enquanto elas se preparavam para ir para cima da criatura. Lily e Laila começam a circundar o monstro em uma distância segura.

— Não se esqueçam, doze metros é o limite!

Laila atirava suas kunais, enquanto Lily atirava pedras energizadas. Assim que Kate e Amanda se sentem prontas a menina ruiva dá um sinal para Lucy. Amanda encara sua amiga com um rosto sério.

— Então, vamos?

— Ah, tem só mais uma coisinha, Amanda...

— E o que ser... — Ela é interrompida com um ataque repentino de Kate. Tanto Lucy quanto Amanda ficam assustadas com a atitude da garota, mas assim que Amanda defende o ataque de Kate elas percebem o que ela acabara de fazer.

— Uau! A espada avançou uns três níveis com esse ataque! Sua defesa já está bem alt... — Ela é interrompida por um grito de Amanda.

— Avisa antes, sua tonta! Tá querendo me matar?!

Lucy fica com os olhos arregalados enquanto fitava Kate.

— Você é um gênio...

— O que, eu só fiz algo óbvio... se as habilidades minha e de Amanda são parecidas, mas inversas, seria lógico usá-las dessa forma, para fortalecer uma a outra.

As duas saem do telhado e vão em direção ao corruptor. Enquanto as meninas o distraiam, Lucy ficava de prontidão para dar cobertura caso precisasse. Kate faz um movimento com sua espada e ela começa a brilhar; vagarosamente a arma começa a mudar de forma. Sua lâmina fica mais curva e fina, levemente mais alongada; seu aspecto agora era similar ao de uma Katana.

Assim que elas atingem o alcance, a criatura começa a atacar as duas; Amanda se colocava a frente, defendendo os ataques com seu escudo, enquanto Kate cortava o que conseguia dos tentáculos. Elas se aproximavam enquanto Amanda defendia os ataques. A criatura então se prepara para dar um ataque com seu enorme braço em Amanda, mas ela já esperava por isso.

Kate fora clara nas instruções a Amanda.

“Apenas defenda os ataques dele”

O soco do monstro foi parado pelo escudo de Amanda, que segurou o golpe quase sem esforço, porém Kate percebeu que aquele seria o último ataque que Amanda defenderia. Kate rapidamente desfere um corte horizontal na mão do monstro, a afastando o suficiente do escudo para que a garota pudesse agarrar a cintura da amiga e se afastar. Ela rapidamente sai da zona de ataque da criatura, carregando Amanda — que agora já não estava mais transformada.

Kate a coloca no chão enquanto a menina se lamentava.

— Desculpa, Kate, acho que é o meu limite.

— Tudo bem, você cumpriu seu papel, eu já esperava por isso. Agora vamos para a segunda parte do plano.

— Segunda parte?

Enquanto falavam, Lily e Laila se junta ao grupo.

— Ei, a Amanda tá bem?!

— Não se preocupem, eu só estou cansada... — dizia a menina ainda acordada.

Kate se levanta e segura a ponta da lâmina de sua espada com o indicador e o polegar. Ela olha em direção a criatura e faz um rosto confiante.

— Vamos ver se deu certo.

Ela leva seu braço para trás e atira a espada com todas as forças na direção da criatura, como uma faca de arremesso. A lâmina voa em linha reta como um foguete, entrando em chamas e girando velozmente enquanto se deslocava pelo ar. O monstro tenta defendê-la com seus tentáculos, mas a espada cortava tudo que se colocava a sua frente. Por fim o monstro levanta seu enorme braço, defendendo o foco de ser perfurado pela lâmina. A espada penetra até o meio de sua lâmina na pele do monstro.

Lucy, Lily e Amanda olham para Kate com rostos espantados.

— Você conseguiu penetrar a armadura natural dele com um ataque físico? — Grita Lucy surpresa.

Kate estende sua mão para a criatura e faz sua espada ressurgir em sua mão. Ela olha para as garotas com um sorriso.

— Essa vai ser a última investida, eu prometo.

— Espera, Kate, — Diz a diretora com uma expressão preocupada, — Eu tenho que admitir, você está forte, mas... eu tenho certeza de que seu mana deve estar no limite agora. Seu corpo... deve estar...

— O que? Do que está falando?

— Ei, é sério? Não está sentindo dor nenhuma?

Ela balança a cabeça negativamente. Lucy franze a testa em relutância e dúvida.

“Essa garota... é um monstro. Como é possível ela conseguir usar tanto mana e não ficar... espera um pouco.”

Lucy segura o pulso de Kate e fecha seus olhos, se concentrando.

“Se eu usar essa minha habilidade talvez eu seja capaz de... enxergar a quantidade de mana dela. Vale a pena tentar.”

A mulher fica ali, segurando Kate por uns bons segundos, deixando as meninas curiosas.

— O que está fazendo, mestra?

Lucy abre os olhos espantada, encarando o nada.

— Agora faz sentido... isso explica muita coisa...

— Qual o problema, diretora Lucy?

— Kate, você é uma “nível dragão”.

Lily e Amanda ficam espantadas com a colocação de Lucy.

— Nível... dragão?

— Significa que sua reserva de mana é absurdamente maior que as reservas comuns. Você dizer que a sua luta contra a pintora foi fácil, sua habilidade de destruir aquela porta do galpão tão rápido; e até o fato de você ter recuperado seu mana tão rápido depois daquilo... tudo agora faz sentido.

— Eu recuperei meu mana graças aos amigos da Laila...

— Não, eu tenho certeza. Eles podem ter ajudado você a acordar e ter dado uma carga inicial..., mas esse fluxo insano de mana que flui em você; isso com certeza é um fluxo de uma nível dragão. Você ter desmaiado àquela hora, depois de derrubar a porta do galpão, não foi só porque ficou sem mana, mas porque você usou uma quantidade absurda de mana toda de uma vez... é algo similar ao que acontece comigo quando abuso muito de minha energia infinita.

Lucy fica pensativa por um momento.

“E, conhecendo Katherine... tenho certeza de que ela acabou percebendo isso também. Eu realmente não tenho mais dúvidas sobre isso, ela realmente ensinou magia para Kate. É impossível alguém recém iniciada na área da magia ser capaz de tanta coisa assim. Sem falar da confiança dela em lutar. Kate é muito mais do que um prodígio. Sem falar que, para destruir a porta daquele jeito, e ter desmaiado logo em sequência, ela deve ter usado todo o mana disponível naquele momento... eu fico imaginando o quão insano deve ter sido aquele ataque. É bem provável que ela pudesse ser capaz de partir uma montanha ao meio com ele.”

A menina fica com um rosto levemente confuso.

— Isso é tão incrível assim?

— Ei, Kate, você pode até se sentir especial agora, mas não fique muito animada com isso. Existe outra pessoa no nosso grupo que é um nível dragão também... sabe quem?

A garota faz um rosto pensativo, imaginando saber a resposta.

— A Ayla?

Elas assentem.

— Mas chega de enrolar, qual seu plano?

— Laila, consegue me jogar no corruptor usando suas correntes?

— Te jogar? Tipo como uma pedra?!

— Sim, consegue?

— Eu... acho que talvez sim. Mas talvez eu não seja capaz de te jogar em um ponto específico...

— Sem problemas, eu posso reposicionar enquanto estiver no ar com algumas explosões controladas.

— Mas o que pretende?

— Eu acho que posso defender qualquer ataque dos tentáculos dele com minha espada agora.

— “Acha”?

— Bom... eu estou só fazendo cálculos na minha cabeça agora, mas acredito que sim.

Lucy a encara com bastante curiosidade.

— Tudo bem, mas eu tenho um outro plano também, Kate. Lily, você fica atrás do corruptor enquanto eu fico na frente, entendeu?

Lily faz um rosto confiante, entendendo imediatamente o que a mestra sugeriu.

— Sim!

— Laila, você vai jogar a Kate só ao meu sinal, tudo bem?

Ela assente. As duas se posicionam, enquanto Laila enrolava suas correntes sobre a cintura de Kate. Amanda assistia a tudo sentada em segurança longe delas.

Lily e Lucy estavam a pouco mais de doze metros da criatura, uma do lado oposto da outra. O monstro rugia enquanto as duas se energizavam. Elas então gritam ao mesmo tempo, como um trovão.

— Violous Puraili Ertei!

A grande tempestade de raios cobriu todo o corpo do monstro, criando uma grande luz e sons de trovão. Nesse momento Laila gira a garota com sua corrente e a atira para cima do monstro; enquanto Kate voava por cima da cena, seus olhos brilharam, admirando a incrível vista da tempestade de raios de suas amigas. Sua mente começou a assimilar aquela cena e, como um susto, seus olhos ficaram dourados como o ouro. Kate teve um vislumbre em sua mente do funcionamento daquela magia, e foi então que ela mesma quebrou seu devaneio.

A garota faz pequenas explosões no ar com sua mão, se reposicionando acima do monstro e caindo com sua espada na direção dele. A criatura não se mexia, parecia completamente atordoada pelos raios. A espada de Kate penetra na carne do monstro, enquanto chamas cobriam Kate e dançavam pelo ar; de repente as chamas começam a se transformar em raios, e os olhos de Kate começam a brilhar intensamente com um dourado intenso. Em meio a um súbito grito, ela fecha os olhos.

— Violous Puraili Ertei!

Os raios das outras duas garotas se concentram em Kate, penetrando a carne da criatura e gerando voltagem o suficiente para, não só matá-la, como eclodir sua pele em vários pontos diferentes. Assim que a tempestade de raios desaparece o monstro começa a se desfazer em meio a fumaça negra.

Lucy se atira em direção a Kate, a pegando no ar e se afastando logo em seguida.

O monstro fora derrotado, mas Lucy ainda permanecia com seu rosto assustado enquanto encarava Kate desmaiada.

— Como...

Lily se aproxima com um pouco de dificuldade das duas.

— Mestra... que merda a Kate acabou de fazer?! Ela usou nosso trunfo?! Níveis dragões podem fazer isso?!

— Não... isso... eu não entendo...

As outras meninas se aproximam com sorrisos no rosto.

— Eu não acredito, o plano dela realmente funcionou!

Porém tanto Lucy quanto Lily encaravam Kate assustadas. Como ela conseguiu copiar a habilidade suprema delas?

...

O homem de cartola chegava com os outros dois no anfiteatro, mas ambos tinham rostos preocupados. A mulher acima do palco tinha uma expressão completamente diferente de tudo que eles tinham visto até então; era como se qualquer palavra mal direcionada acabasse sendo motivo o suficiente para ela desintegrá-los.

O homem se curva com um rosto temeroso, enquanto suava frio.

— M’lady, eu os trouxe.

A mulher permanecia encarando o nada com seu rosto irritado. É então que, com um estalar de seus dedos, todos no anfiteatro param de se mexer. A boneca acima das cortinas cai no chão, sem vida. O homem que tinha acabado de se curvar se debruça no chão, como um manequim. Os outros dois apenas caem, como marionetes sem fio. A mulher fica encarando o nada com seu rosto bravo e preocupado.

— É melhor vocês duas fazerem bom uso desse mana.