Lirou Lader — Parte 1
5 Perigo no Shopping
A mulher que entrava no prédio possuía um visual excêntrico: seu cabelo era ondulado e tingido em várias cores diferentes, cada mexa tinha uma coloração única; ela usava um casaco parka com uma coloração abstrata e tinha um chapéu vintage branco. Ela também carregava consigo um objeto de metal comprido; sua haste era fina como um cabo de vassoura, em uma das pontas havia dois círculos espirais que se dividiam em lados opostos enquanto a outra se assemelhava a uma ponta de caneta; quase como uma flecha.
Ela era acompanhada por dois homens de terno que a conduziam para dentro do clube noturno — que a essa hora estava vazio. Os homens abriram a porta dupla, dando passagem para ela entrar sozinha no cômodo. Um terceiro homem a esperava sentado em sua mesa fumando um cigarro enquanto assistia à um jornal na televisão. Ele tinha um cavanhaque e usava uma jaqueta de couro marrom.
— Então, finalmente chegou. Sabe, se você fosse um dos meus homens eu provavelmente te daria um castigo pelo atraso.
— Que pena que sou uma mulher.
— Sim; e, também, não me pertence. — Ele se levanta e vai até uma das cadeiras a puxando gentilmente para a mulher. — Por favor.
Ela se senta delicadamente colocando seu objeto em pé apoiado ao lado da mesa, enquanto o homem vai até um frigobar presente na sala e pega uma garrafa de whisky.
— Pode ser esse? — Diz o homem mostrando a garrafa à mulher.
— Vou deixar você escolher.
— Bom, então vai este mesmo. Sabe, não tenho o costume de beber com muita gente; as poucas vezes que eu fiz eu acabei atirando na cabeça da pessoa.
— Ora, que coincidência! Eu meio que já fiz coisa similar.
Ele pega dois copos e entrega um a mulher, voltando ao seu assento e servindo os dois.
— E então, sem muita enrolação. Sua chefe quer respostas, e eu quero dinheiro. Eu topo a parceria prolongada. Durante a semana eu mando uma pequena lista de lugares que pretendo... requisitar a ajuda de vocês. Mas já vou começar pedindo ajuda para aquele lance de hoje.
— Foi muito gentil da sua parte ter nos cedido o espaço do armazém aqui de Myura.
— Imagina, é só uma forma de agradecer o suporte de vocês. E devo dizer que entrar em contato com "aquele" pessoal rendeu uma boa solução para o pequeno desfalque que passamos...
— Foi realmente uma pena o que aconteceu, teria sido muito mais fácil usá-la. Eu admito que seria problemático não ter aquela garota do nosso lado, já que a habilidade dela era tão única.
— A propósito, sobre esse nosso pequeno problema mútuo...
— Não se preocupe, tenho a intenção de resolvê-lo até o fim da semana.
— Isso é uma notícia boa! Mas eu gostaria que, se possível, você trouxesse ela viva para mim.
— Não posso prometer isso. Sabe, ela estragou algo muito importante para minha chefe...
— Sim, mas veja bem, nós conseguimos recuperar o conteúdo, então não tem problema, certo?
— Normalmente eu aceitaria as coisas como estão, mas minha chefe não é tão benevolente quanto eu. Sua garota nos deu dor de cabeça, sem falar que minha chefe também se interessou por ela.
O homem rapidamente saca uma pistola e aponta para a cabeça da mulher, que ri em resposta.
— Se tocar um dedo na Laila eu acabo com vocês. Ela é minha propriedade.
A mulher fica encarando os olhos do homem com um sorriso; ambos demonstravam bastante frieza em suas pupilas, eram olhos de dois assassinos experientes se encarando.
— Nós precisamos de estoque, vocês de dinheiro. Por que se apegar tanto à uma criança rebelde?
— Laila me rende uns bons trocados. Além do mais, ela é o meu brinquedo preferido.
— Sempre dá para arrumar outros brinquedos por aí.
O homem puxa o gatilho, derrubando a mulher da cadeira com o impacto da bala. Ele gira a pistola e assopra o cano dela, se levanta e vai até o corpo que permanecia caído no chão.
— Isso realmente doeu... — Dizia a mulher se levantando com a mão na testa. — Sabia que aquela garota tem um potencial mágico interessante?
O homem estende a mão para ela ajudando-a a se levantar.
— Eu avisei, não consigo beber com ninguém sem acabar atirando na pessoa. Mas eu falo sério, não me importa esse lance de magia, se vocês tocarem na Laila eu arrumo um jeito de matar vocês. Não se esqueça que também sou um usuário de magia.
Ela encara o sujeito com bastante curiosidade nos olhos, dá um sorriso sugestivo e encosta seu corpo nele enquanto acaricia seu rosto.
— Tudo bem, vou tentar negociar com minha chefe sobre isso. Mas você fica me devendo.
A mulher se vira e sai da sala, enquanto o homem colocava as mãos no bolso e encarava o belo corpo da mulher se afastando. Ele então chama a atenção dela mais uma vez.
— Aí, só uma curiosidade.
A mulher se vira novamente para o homem em resposta ao chamado.
— Diga.
— Lá embaixo é colorido também?
Ela abre um sorriso sugestivo e encara o rosto do homem sem qualquer escrúpulo.
— Eu depilo lá embaixo.
— Legal.
Ela se vira e vai embora. O homem então encara o copo em cima da mesa e solta uma leve risada.
— Ela nem tocou na droga do whisky. — Ele pega o copo e vira o conteúdo de uma só vez.
A mulher, assim que sai do prédio, coloca a mão em sua têmpora e fecha os olhos com um rosto de concentração.
"Aquela estação... entendo, então é para lá que estão indo."
...
Lucy se sentava em uma mesa vazia da praça de alimentação junto com as garotas. Kate assim que se senta suspira tensa.
— Isso é mais difícil do que eu pensei...
— Não se preocupe tanto com isso Kate, você vai acabar pegando o jeito. Eu ainda estou impressionada com a forma que conseguiu aprender magia tão rápido, então sei que vai conseguir dominar a sincronização também.
— Você diz isso, Amanda, mas você também ainda não consegue sincronizar direito, não é?
— Conseguir eu consigo, mas demoro mais do que eu deveria. No fim das contas, eu acabo usando o gatilho emocional normal antes da sincronização terminar.
Kate coloca a mão sobre o queixo escorando seu cotovelo na mesa enquanto solta uma longa interjeição de impaciência.
— A propósito, Lucy, não deveríamos estar nos focando mais na missão? Afinal de contas, tem um bom tempo que não fazemos isso...
— É, por aí... — Responde a mulher sem muito interesse.
— Ei, que tipo de resposta é essa?
— Calma, Amanda, a gente acabou de chegar, vamos aproveitar um pouco.
— É isso que você diz... Sinceramente, esperava mais de você. No fim das contas eu estava mesmo certa sobre a sua decisão de vir aqui!
— Relaxa! Quando foi a última vez que o amuleto reagiu em uma situação dessas? Ficar nos preocupando não vai nos levar a nada. Vamos só aproveitar o momento um pouco.
Amanda suspira e se escora em seu braço igual a Kate. Lucy relaxava enquanto admirava algumas vitrines em lojas, quando seu celular tocou. Ela reconheceu o número, era Larry.
— Alô.
— Lucy, preciso conversar algo com você, está ocupada?
— Não, pode falar.
— Fiquei sabendo que vocês estão em Myura, é verdade? Devido ao fato de você estar ausente do serviço e tudo mais... se for o caso, poderia pedir que investigasse algo para mim?
— Claro, o que seria?
Nesse meio tempo um grupo se aproximava do local onde as garotas estavam. Um deles se afasta um pouco do grupo e puxa um rádio.
— Achei elas chefe, é como a de cabelos coloridos falou, são quatro. Uma delas é uma loira mais velha. O que fazemos?
— Essa é uma pergunta difícil... normalmente eu diria que é problema daquela mulher, mas... sigam o plano.
— Tem certeza? E se elas tentarem reagir ou algo assim?
— Aí nesse caso vocês podem usar os brinquedos que nos deram, simples assim.
— Mas chefe...
— Escuta, essa é uma operação grande, você sabe da importância dela para o sucesso dos nossos planos. Além do mais, é quase certeza que ela vai acabar aparecendo também. Não tenho dúvidas do motivo de ela não ter deixado a cidade.
— Nesse caso, não seria melhor adaptar o plano? Aquela menina é problema, chefe!
Ele fica pensativo. Enquanto isso Amanda começou a notar um certo movimento em uma região do shopping e foi então que ela teve uma epifania.
— Sua desgraçada! — Gritou ela em tom cômico. — Descobri o que te fez vir aqui hoje!
— Ei, não está vendo que estou no celular?
— Celular é o caramba! — Gritava ela apontando para Lucy! — Hoje tem um show beneficente daquela banda que você vive me falando! Eu sabia que tinha coisa sua nessa sua decisão de vir aqui no shopping!
Lucy tentava ignorar Amanda enquanto conversava com Larry.
— Está tudo bem aí? — Perguntou o homem preocupado pelo celular.
— Apenas ignore-a... — Dizia ela em tom baixo. — Então, sobre o que é a investigação?
— Bem, é sobre uma série de ataques que têm ocorrido na cidade. Assaltos e arrombamentos em locais estratégicos, sequestros e várias outras coisas que têm deixado a polícia atenta na região.
— E por que isso te preocupa? Para mim parece coisa da máfia dos lobos.
— Bom, sim, e é esse o problema. Alguns desses casos não me parecem normais. A polícia simplesmente não sabe como aconteceram. Na semana passada, por exemplo, encontraram vários corpos boiando no cais da cidade, e eles tinham queimaduras estranhas por todo o corpo, alguns tinha os órgãos expostos e todos eles tinham várias manchas pretas espalhadas por todo o corpo.
Lucy fica pensativa. Larry continua falando.
— Também tivemos sinais de arrombamentos de cofres de algumas empresas que, por incrível que pareça, não demonstravam sinais de destruição nenhum. O conteúdo deles simplesmente sumiu.
— Você acha que isso tudo pode ser obras de corruptores?
— Ou talvez pior...
Ela franze a testa entendendo a mensagem. O que Larry sugeria era que, talvez, todos esses casos tivessem relação com o grupo que as atacara em busca do amuleto Volcano.
Dentro de alguns metros do lugar, no segundo andar do prédio, um pequeno grupo de três homens andavam por uma das diversas lojas de roupas quando um deles para e começa a apalpar o bolso.
— Sumiu... ei, o rádio sumiu!
— Que? Droga, como você perdeu ele?
— Eu não sei! Eu estava com ele agora a pouco!
— Droga, mas tudo bem, é só a gente se reunir com o grupo D, eles estão logo ali. E falem baixo, não queremos chamar a atenção.
Enquanto isso, no banheiro feminino, Laila se trancava em uma das portas enquanto sintonizava o rádio na frequência correta.
— ...e dentro de alguns minutos a equipe A vai fechar a entrada do shopping. É muito importante que todos os seguranças sejam derrubados ao mesmo tempo...
"Achei" pensou ela.
— Ah, chefe, ainda vamos usar o blecaute?
— Não, já falei, é inviável. Mesmo o shopping sendo grande as vidraças e o teto de vidro ainda seriam o suficiente para manter o ambiente iluminado; sem a habilidade da Laila é impossível usar aquele plano. Mais alguma dúvida?
— Eu tenho uma, é sobre a mudança no plano de ação na área de alimentação.
— É simples, é só segurar as pessoas lá.
"Praça de alimentação? Por que se preocupar com isso agora? Será que tem alguma coisa a ver com a sensação de que estou tendo referente àquele lugar?"
— Apenas lembrem-se, não precisamos de todos, apenas dos mais aptos. Usem os aparelhos que distribuímos para descobrir quem se encaixa na descrição. Quanto aquelas quatro, todos vocês, hajam de forma natural com elas também. A dos cabelos coloridos ficou de lidar com as quatro.
"Foi como pensei, eles não dependem mais da minha habilidade. Devem ter achado um jeito de contornar essa situação. Bom, não adianta ficar reclamando agora, preciso achar um jeito de parar isso."
— Não esqueçam de levar todos para a estação de metrô, vamos usar ela para levar a mercadoria. Aquela mulher vai nos ajudar na locomoção dele.
Laila desliga o rádio e o guarda com cuidado em um dos bolsos. Ela começa a andar para fora do banheiro e se esgueira entre as várias pessoas no prédio.
"Sem o meu equipamento eu vou ter sérios problemas para resolver essa questão. Olhando a planta do prédio são poucos os lugares que poderia usar minha habilidade, mas por sorte eu sei um que vai servir perfeitamente".
...
Amanda e Kate se encaravam com rostos sérios enquanto Lily se aproximava com algo em mãos. Lucy estava um pouco afastada da mesa, em um canto um pouco isolado, falando ao celular.
— Tudo bem, eu quero uma luta justa! Nada de gracinhas! — Ela coloca o pote de plástico na mesa.
— Eu não acredito que concordei com isso... — Dizia Amanda com muito arrependimento. — Era para você estar treinando.
— Bem... a Lily insistiu... e a Lucy disse que não era bom eu ficar tentando sincronizar o dia todo, já que isso é meio desgastante no começo de certa forma.
— Bom, nisso ela está certa.
Lily dá um leve tapinha na mesa, chamando a atenção das duas.
— Ei, foquem aqui! É uma competição séria!
— Como você tem coragem de dizer isso com essa cara? — Pergunta Amanda enquanto pegava um dos objetos no pote que Lily trouxera.
Era uma bolinha frita, uma espécie de nugget.
— Essas coisas não são simples frituras! São as frituras mais quentes da história do mundo! Vindas direto do "Robusto Joe"! — Dizia ela apontando para a loja de mesmo nome presente na praça de alimentação, enquanto um homem de olhos puxados fazia um sinal de joia para ela.
— Presumo que aquele acenando seja o Joe.
— Ele é o melhor cozinheiro do mundo! Aliás, agradeçam depois, ele deu um mega desconto para mim já que sou cliente dele há bastante tempo.
— Então Lily, — dizia Kate, — O desafio...
— Quem conseguir comer mais, vence!
— Eu sabia que seria algo desse tipo.
As três, cada uma com um nugget na mão, se preparam para provar.
— No três, todas juntas! Um, dois...
Antes que pudesse terminar a contagem as três são surpreendidas por um alto barulho vindo do centro do lugar; um alto som de tiro.
— Todo mundo parado! Isso é um assalto!
As garotas puderam ouvir o mesmo som se repetindo por todo o prédio.
— Ah, droga, era só o que me faltava... — dizia Lily com bastante tédio.
Lucy calmamente abaixa o telefone, enquanto um dos homens se aproximava dela com uma arma apontada em sua direção.
— Calma, já desliguei.
— Acho bom mesmo, loirinha. Me passa para cá. Agora se junta lá com suas amiguinhas.
Ela se aproxima das três com um rosto sério e falando em um tom baixo.
— Não façam nada. Principalmente você, Loreley. Sei que está doida para reagir.
— Mas...
— Sabe que em situações assim nós não podemos usar nossos poderes em vão. Lembrem-se que não é só a vida de vocês que está em jogo aqui, olhem ao seu redor.
— E se eles pegarem os amuletos Lucy?
— Não se preocupe, Kate, isso não é um problema. Depois eu explico o porquê.
Um deles, com uma metralhadora, sobe em uma das mesas e começa a falar.
— Tá legal, todo mundo formando uma fila aqui! Vamos, não temos o dia todo! Qualquer um que desobedecer vai levar pipoco!
— Por enquanto vamos só obedecê-los.
Todos no lugar formam uma fila lateral, enquanto um dos homens preparava um aparelho com a ajuda de seus comparsas. Eles abriam várias maletas e iam montando o aparelho rapidamente, como se tivessem ensaiado a montagem várias vezes. Dentro de poucos segundos a máquina é ligada. Era como uma grande caixa branca com vários botões e luzes e tinha uma espécie de escâner.
— Tá legal, um por um, sem pressa! Vocês um por um vão se aproximando à medida que sua vez for chegando! Você primeiro!
O garoto se aproxima com bastante medo do homem. Ele então aponta o escâner para o rapaz e uma luz verde sai do aparelho, enquanto ele passava o escâner vagarosamente pelo corpo do rapaz.
— Que coisa é essa? — Pergunta Amanda. — Achei que eles iam assaltar a gente...
Um outro homem encarava a tela do aparelho enquanto fazia um sinal para o companheiro.
— Tá legal, você vai para lá garoto! Próximo!
Eles continuaram fazendo isso por mais uns cinco indivíduos, até que chegou em uma criança. O homem escaneou o garoto e no mesmo instante o outro que checava a tela deu um sinal diferente para ele.
— Finalmente, achei que não íamos encontrar nenhum! Você vai para o outro lado, garotinho!
— Ei, esperem! — Gritou uma mulher. — O que vão fazer com ele?
— Não é da sua conta! Ele agora é propriedade da Alcateia!
"Como eu pensei..." constata Lucy.
— Por favor! Não façam nada com meu filho!
Um dos homens que estava próximo a mulher dá uma coronhada nela, derrubando-a no chão e apontando a arma para ela.
— Calada! Você é a próxima! Vamos!
— Por favor, não!
Lily apertava o próprio punho, receosa, ela então sente algo frio encostando em seu pulso. Ela reconheceu essa sensação na mesma hora. Lucy segurava seu amuleto contra a pele de Lily.
— Você pega os da direita e eu os da esquerda. Temos três segundos.
Mas antes que elas pudessem fazer algo elas são surpreendidas por um vulto que passa correndo na frente delas e se coloca entre o homem e a mulher.
— Espera! — Gritou Kate. — Não atire, por favor! Você não precisa fazer isso!
— Sai da frente garota! Ou eu vou abrir um buraco em você também!
— O que você ganharia atirando nela? Só vai fazer bagunça e gerar mais confusão! Tenho certeza de que não é mais vantajoso para vocês assim, certo? — Ela então se vira para a mulher. — E você, o que faria se eles te matassem? Você não poderia ficar mais ao lado do seu filho se isso acontecesse, então a melhor alternativa que você tem no momento é obedecer a eles!
A mulher se levanta hesitante, mas segue até a máquina, enquanto o homem segurava o braço de Kate e levava-a de volta a fila.
— Se tentar bancar a heroína de novo vai levar chumbo, tá ouvindo?! Isso vale para o resto!
Amanda dá um soco em Kate, com um rosto preocupado.
— Ficou maluca por acaso?!
Lucy e Lily, no entanto, encaravam a menina de forma pensativa. Lucy então recolhe o amuleto, colocando novamente no bolso.
Enquanto isso, na sala de controle do shopping, a garota encapuzada já havia derrubado todos os capangas que guardavam o local. Ela entra dentro da sala e rapidamente vai até os interruptores do lugar. Antes de alcançá-los, no entanto, ela para a fim de olhar os monitores.
"Essa sensação estranha... está vindo dessas quatro pessoas? É o mesmo sentimento que tenho quando vejo aquela mulher. Seria dessas quatro que ele estava falando no rádio mais cedo?"
Laila então vai a caixa de força do shopping e mais que rápida começa a desligar todos os interruptores, desativando toda a energia do ambiente. No mesmo instante os homens espalhados pelo shopping ficam alertas.
— Ei, não disseram que não iam apagar as luzes?
— Sim, isso é estranho.
Mesmo sem a iluminação artificial, o shopping não ficava necessariamente escuro. Ainda era possível enxergar tranquilamente, mas a meia-luz do ambiente ainda perturbava a visão.
— Ninguém se mexe! — Gritou um dos homens para os reféns. — Se eu perceber algum movimento eu vou atirar!
Gradativamente, no entanto, o ambiente ia ficando mais escuro. Os homens começaram a ligar algumas lanternas, mas mesmo usando a luz das lanternas eles percebiam que a escuridão não se esvaía por completo. Era como se a luz da lanterna estivesse lutando para empurrar a escuridão, como um líquido viscoso se espalhando sobre uma superfície.
— É ela?
— Não tenho dúvidas... isso é coisa da Laila.
— Então o chefe estava certo... ela veio mesmo.
— Todo mundo calmo, todos sigam o plano!
Lucy fica perplexa com a cena, notando rapidamente a natureza daquela escuridão.
— Isso é magia. — Disse ela em voz baixa para suas companheiras.
— Mas que tipo de magia? Nunca vi algo assim antes.
— Isso é magia das sombras...
Lily então sente algo fervendo em seu bolso e um leve brilho roxo começa a emergir dele.
— Ei... o amuleto está reagindo.
Lucy ao ouvir isso começa a olhar em volta, a procura de qualquer coisa que pudesse estar gerando aquela névoa negra. Enquanto isso os homens continuavam o procedimento, ao mesmo tempo que aumentavam a segurança. Um deles se afasta um pouco do grupo, dando um comando para que todos ficassem em silêncio enquanto trabalhavam; ele então começa a falar ao vento.
— Tá legal, Laila, eu sei que nesse nível de escuridão você já é capaz de ao menos ouvir. Como tem passado? O chefe está realmente querendo te ver, sabe. É uma boa tentativa essa sua de querer nos assustar, mas é realmente uma pena não poder fazer nada de verdade, não estou certo? Eu sei que sem o seu equipamento isso daqui é o máximo que você consegue fazer.
A garota, sentada na parte mais escura da sala de controle, rangia os dentes com raiva.
"Por mais que me doa ouvir isso... ele tem razão. Sem o meu equipamento eu não tenho muita utilidade aqui. O que eu estou fazendo? É inútil tentar pará-los? Não... mesmo sem meus equipamentos eu sei que posso fazer alguma coisa."
— Você é mesmo uma ingrata, Laila. — Continuava o homem. — Depois de tudo que o chefe fez por você, você nos trai. Todo o treinamento e benefícios que ele te dava. Mas eu acho que é isso que acontece mesmo quando damos valor para uma pessoa demais, não é?!
A garota fica cabisbaixa e pensativa. Ela tinha um sentimento complexo que nem mesmo ela podia explicar; algo em seu peito que ardia em dúvidas e medo. Segurando a frente de seu casaco ela se levanta com um rosto determinado.
"Isso mesmo" pensava ela, "ele me treinou muito bem. E eu vou usar todo esse conhecimento que ele me deu para pará-lo."
Impulsionada por esse sentimento de determinação ela finalmente começa a se mover, correndo para fora da sala de controle. Enquanto corria sua mente simulava diversas cenas e possíveis táticas que poderia empregar à situação, mas mesmo com todo aquele foco ela não conseguia prever com clareza o que realmente poderia acontecer.
"De qualquer forma eu não posso deixar que eles escaneiem aquelas quatro garotas. Se descobrirem sobre elas com certeza eles vão se mover. O potencial mágico delas é algo completamente diferente de qualquer outro que já vi. É como o daquela mulher..." e é nesse momento que ela freia no meio do corredor ficando atônita. "Espera um pouco... por que elas não reagem? Se o potencial delas é tão grande com certeza elas já devem saber usar magia, então por que elas permanecem paradas ali? E se elas na verdade estiverem com os lobos?" Laila morde a unha de seu polegar, com um rosto claramente nervoso. "E mesmo que elas não estejam... existe uma boa chance de eles já saberem sobre elas. Mas se esse for o caso, por que não se movem? Por que eles agem tão naturalmente sobre as quatro?"
A vez das quatro se aproximavam enquanto o tempo passava. Lucy parecia ansiosa, sem saber o que aconteceria quando eles as escaneassem.
"Normalmente esse tipo de situação não seria um problema," pensava Amanda; "Qualquer uma de nós é capaz de sobreviver à alguns tiros se tivermos nossa aura mágica ativa... o problema é que, se qualquer uma de nós reagisse, eles logo perceberiam que não somos pessoas normais. Fora que os tiros poderiam ricochetear e atingir outra pessoa. Mas mesmo com tudo isso em mente..." Ela estava tão perturbada quanto Lucy naquele momento. "Por que esses homens parecem tão calmos?"
E era exatamente isso que Lucy pensava.
"Nesse momento, a polícia já deve estar na porta do shopping negociando com alguns homens. Em uma situação como essa, visto que o metrô passa dentro do shopping, eles com certeza já devem ter fechado a linha. E devem ter interditado toda a área para possíveis fugas. Eles claramente não têm vantagem alguma além dos reféns. Talvez a maior carta deles seja justamente a banda que ia se apresentar aqui hoje; mas mesmo eles não são famosos o suficiente para renderem um resgate tão mirabolante. Eles não deveriam estar tão calmos..., mas mesmo assim..." Lucy aperta sua mão contra o bíceps enquanto levava a outra sobre a boca. "E essa névoa negra... o amuleto reagiu a ela. Eu não tenho dúvidas de que há uma candidata a Lader por perto. Droga, justo em uma situação dessas. Fora que eles parecem saber algo sobre essa névoa... seria uma parceira deles? Não, eles reagiram de forma negativa quando a névoa apareceu. Alguma gangue rival talvez? De qualquer forma, eles não parecem estar tão preocupados com isso agora. A reação deve ter sido mais pelo susto, mas a pessoa responsável não deve representar perigo real para eles. Pelo menos é isso que eles acreditam."
Enquanto tudo isso acontecia um dos homens, passando pela mesa em que as garotas se encontravam antes, vê os nuggets e decide pegar um deles.
— Ei, adoro essas coisas. — Diz ele colocando um na boca. Em poucos segundos, no entanto, ele começa a gritar em pânico.
— O que aconteceu?! — Gritou um dos seus companheiros em resposta.
— Essa coisa é ardida! Preciso de água!
— Seu idiota, não assuste a gente assim! E quem mandou tocar nessa coisa?!
O homem sai correndo em direção aos bebedouros. Enquanto corria pelo escuro lugar ele acaba tropeçando em algo. Antes que pudesse perceber o que era ele sentiu alguma coisa subindo em cima dele e um golpe certeiro em sua cabeça o fez desmaiar. A garota pega a arma do homem e começa a analisá-la.
"Vai ser um pouco mais violento do que eu normalmente costumo fazer, mas eu não tenho muita opção."
Ela corre até algumas lojas e pega objetos precisos e certeiros, mirando em seu objetivo; tudo e qualquer coisa que pudesse se assemelhar ao seu equipamento. Em pouco tempo Laila junta todas as peças que precisava.
E é então que os homens na lanchonete são obrigados a parar o que faziam.
— Mas... como isso é possível? Está ficando mais escuro?
— A Laila deve ter dispersado a escuridão no resto do shopping e está focando aqui. Se preparem pessoal, ela está vindo para cá! Sabem o que fazer!
Eles abrem uma bolsa e distribuem entre si uma espécie de capacete. Os objetos tinham uma luz interna que iluminava todo o rosto dos homens, e um visor que os permitia enxergar alguns metros à frente deles, mesmo na escuridão que se formava.
Um silêncio se faz no local.
— Ei, conseguem me ouvir? — Perguntou um dos homens.
— Sim, — respondeu um de seus companheiros com uma voz metálica e com um pouco de estática, — essa com certeza foi uma boa aquisição.
— É um saco ter que andar com essa luz na nossa cara, mas é o jeito.
— Veem alguma coisa?
— Nada ainda.
Eles começaram a ignorar todo o resto ao redor e se focavam em procurar algum sinal da garota.
— Uma alcateia de lobos com medo de um mísero ratinho. Que vergonhoso.
O som reverberava pelo ambiente, como se a própria escuridão estivesse falando. Um dos homens se aproxima de um companheiro e cochicha para ele.
— Aí, eu sei que ela não é de nada..., mas isso é bem assustador.
— Continue focado, não deixa ela te assustar. Ela está sem o equipamento dela, não vai conseguir fazer muita coisa.
Assim que fala isso, o homem sente algo se enrolando em seu pé. Ele aponta a arma para baixo e começa a atirar, mas seja o que for que o agarrou começou a puxá-lo para longe dos colegas. Assustados, os outros começam a entrar em pânico.
— Ei, achei que ela estivesse sem o equipamento dela!
— E ela tá! Os caras ainda estão no apartamento dela! Eu liguei para eles agora pouco para confirmar!
— Então como explica isso?!
Eles escutam um tiro vindo de um de seus companheiros, que apontava sua arma para cima a fim de chamar a atenção dos demais.
— Calma, pessoal. Não vamos nos desesperar. Não esqueçam que ela era a ratinha de estimação do chefe. É óbvio que ela ia achar um jeito de usar as habilidades dela sem o equipamento. É por isso que previmos e trouxemos o nosso equipamento.
— E você ainda diz para a gente se acalmar?! Desse jeito todos nós vamos... — Antes que terminasse a frase, ele também fora puxado para a escuridão, sumindo em meio a um grito de terror.
— É exatamente por isso que vocês devem manter a calma! Ela não consegue fazer isso se vocês não estiverem na dela! Lembrem do que o chefe falou! O poder dela tem um preço!
— Ele tá certo, — disse um deles com muito mais confiança, — no final ela é só uma ratinha do chefe.
Enquanto isso, as quatro garotas pareciam confusas assim como os demais reféns, que permaneciam no escuro e no silêncio. Era como se eles tivessem sido jogados em um vácuo no espaço. Lucy pôde sentir alguém segurando seu braço e escorregando até a sua mão, como se a procurasse desde o princípio. A mulher poderia jurar loucura naquele ponto, mas ela tinha quase certeza de que aquela mão era de sua aprendiz. Mesmo tentando pronunciar alguma palavra, ela não conseguia. Mesmo puxando o ar e soltando com toda a força nada saía.
Entretanto, para os homens de capacete, aquilo tudo não passava de um pequeno incômodo.
— Qual o limite de visão de vocês? — Perguntou um dos homens.
— Uns cinco metros...
— Mesma coisa aqui.
— Beleza, o grupo dos reféns permaneçam juntos. — Ele aponta para alguns homens que estavam perto dele. — Vocês vêm comigo. Tá na hora de usar os brinquedinhos que nos deram.
Eles se aproximaram e começaram a andar calmamente pela escuridão, tomando uma espécie de formação. O grupo começou a andar para fora da área da praça, tomando o caminho dos corredores em direção para onde seus amigos tinham sido puxados.
Laila, por sua vez, aproveitava a brecha que havia sido deixada para se aproximar mais da área dos reféns.
"Eu me esforcei de verdade para montar essas condições..., mas eu não sei por quanto tempo vou conseguir manter a penumbra. Preciso me apressar..."
Lucy apertava a mão de sua aprendiz enquanto tentava enxergar alguma coisa naquela escuridão, e foi então que algo veio a sua mente. A imagem daquela lanterna mais cedo não saia de sua cabeça. A mulher fechou seus olhos e se concentrou, criando várias correntes elétricas por todo seu corpo. Ela então abriu os olhos e concentrou-se a sua frente, e foi então que ela sentiu alguma coisa percorrendo seu corpo; era uma sensação diferente, um pouco nostálgica talvez, mas era algo que ela não estava acostumada. Em algum ponto de sua vida ela tinha certeza de que já havia sentido aquilo antes, mas não tinha certeza de quando.
De qualquer forma, mesmo no meio daquelas trevas, ela conseguiu sentir a nuvem se abrindo para ela. Sua visão estava voltando aos poucos. À medida que ela conseguia enxergar o próprio corpo reaparecendo no meio do escuro completo ela foi percebendo que aquela não era sua visão comum; era algo completamente diferente. Os olhos de Lucy não estavam funcionando da mesma forma que antes.
A mulher então olhou imediatamente para o lado e viu sua aprendiz segurando sua mão, completamente assustada; quase como se estivesse prendendo a respiração. Do seu outro lado ela viu as outras duas tão confusas quanto ela mesma estava há alguns segundos. Sua visão começou a se ampliar cada vez mais e ela pôde ver os demais reféns, completamente atônitos a situação... era quase como se estivessem hipnotizados. Lucy fez uma leve carícia na mão de sua aprendiz como se estivesse a acalmando, e em seguida soltou sua mão.
Ela começa a se mover em direção há alguns dos homens, mas sente algo agarrando sua canela e imediatamente para, olhando para baixo. Diferente dos homens que foram agarrados antes, no entanto, Lucy podia ver claramente o que era aquilo. Era um guarda-chuva, amarrado por uma longa corda; parecia algo muito improvisado. Ela seguiu a longa corda com os olhos e foi então que viu aquela figura se aproximando. A silhueta fantasmagórica estava completamente coberta por inúmeros panos e uma grande lona pairava por cima dela, como se estivesse flutuando. A cena foi tão chocante para Lucy que fez ela quase entrar em pânico. Porém foi a voz daquela mesma criatura que a fez cair em si novamente.
— Você está conseguindo enxergar?
A mulher se recompôs e fitou o que quer que fosse aquela coisa.
— Sim...
— Como?
— Eu... não sei ao certo...
— E até mesmo está conseguindo falar... ninguém nunca conseguiu fazer isso sem usar equipamentos. Você está com eles?
— Com eles? Você se refere aos lobos?
— Sim.
— Não, eu não estou com eles.
A criatura fitou Lucy e logo em seguida puxou de volta o guarda-chuva, soltando a mulher.
— Você não está mentindo. Então, quer me ajudar a dar um cabo deles?
— O que... é você?
— Não consegue dizer?
— Bom... pela voz parece ser apenas uma garota..., mas essa sua aparência.
A criatura solta um leve riso.
— É só um meio que achei de contornar a situação atual... ignore isso. O fato é que: com todo esse peso de roupas fica difícil me mover. Tive sorte de conseguir sair do caminho daqueles caras antes deles me alcançarem.
Lucy olhou para onde a garota apontou e viu o grupo de mais cedo procurando seus parceiros desaparecidos, fora da área da praça. A criatura de roupas virou seu rosto de forma curiosa para Lucy, enquanto ela encarava os sujeitos.
— Eu estou de fato impressionada... ninguém nunca conseguiu enxergar tão longe dentro da minha penumbra.
— Eu... meio que não estou enxergando de verdade..., é uma sensação completamente diferente de "enxergar". Eu consigo vê-los, mas...
— Tudo bem, não precisa me explicar. Estamos sem tempo. Eu consigo sentir quando alguém dentro da minha penumbra está mentindo, então eu sei que posso confiar em você. — A criatura se abaixa em meio à um leve gemido.
— Ei, tá tudo bem?
— Eu estou ficando sem tempo..., a penumbra está consumindo muita mana.
— O que eu preciso fazer? Apenas me diga.
— Derruba esses caras pra mim. Eu te dou cobertura.
— Mas e os reféns?
A criatura fez um sinal para Lucy na direção deles; a mulher os vê se abaixando e se deitando no chão voluntariamente.
— Pessoas com o mana fraco são facilmente controláveis dentro da minha penumbra se ficarem expostos. Aqueles homens conhecem como o meu poder funciona, então eles se precaveram criando aqueles capacetes.
Lucy acena com a cabeça com um sorriso confiante e se impulsiona em direção à um dos grupos armados. Antes que o homem pudesse perceber ela chegando ele fora derrubado; seu amigo, no entanto percebe a movimentação e aponta sua arma em direção a Lucy, que rapidamente desfere um golpe na arma, fazendo-o apontá-la para cima. Os tiros e o grito do homem alertaram os outros ao redor, que ser prepararam para atirar em Lucy. Porém suas armas caíram de suas mãos com o impacto de algo que as acertou. Lucy envolveu seu corpo com eletricidade e, como uma bola de bilhar, derrubou os homens um a um em um único e rápido movimento.
A mulher se recompõe depois do ataque e vira novamente para a criatura de roupas.
— Você atirou neles.
— Eu mirei nas armas. Não se preocupe, eu não tenho intenção de matar ninguém.
A mulher dá de ombros e se impulsiona para outro grupo, que já estava atento.
— Ei, o que aconteceu?! — Gritava um dos homens. — Respondam! Droga, estão pegando a gente!
Lucy continuou derrubando um por um com o auxílio da criatura de roupas.
— Imagino que você seja a "Laila" que esses caras tanto falam.
— E você, tem nome?
— Lucy Evans.
Assim que derrubam todos os homens do lugar, Laila se ajoelha no chão, soltando um longo suspiro enquanto a escuridão se esvaia. As roupas começaram a cair de seu corpo e a grande lona que estava flutuando em cima dela a cobre por completo.
— Ei, tá tudo bem?
— Só estou... cansada. Não se preocupe comigo.
As outras três garotas se aproximam de Lucy confusas.
— Ei, o que tá acontecendo?! — Gritou Amanda.
Lily se aproximava da lona com um rosto curioso, até que ela começa a se mexer.
— Ah! Um fantasma! — Gritou ela espantada.
Laila sai do meio das roupas e da lona, visivelmente cansada. Suas roupas estavam encharcadas de suor e ela parecia quase não conseguir ficar em pé, fatigante. Lucy se aproxima dela e a ajuda a chegar até uma cadeira.
— Você foi muito bem, agora descanse.
— Não... posso... ainda têm outros grupos... dentro do prédio.
— A gente cuida disso. Só se acalma e descansa um pouco.
Confusas e sem saber o que estava acontecendo, as outras três garotas se entreolham curiosas. Amanda finalmente decide se aproximar de Lucy com um tom mais profissional e moderado.
— Então, ela era a responsável pela escuridão?
— Sim.
Amanda vira seu rosto para Lily com muita seriedade, fazendo-a entender no ato o que significava o gesto. Lily se aproxima de Laila e retira o amuleto roxo de seu bolso.
— Segura isso pra mim.
Laila estranha o gesto da garota, ficando com um rosto desconfiado.
— O que é isso?
— Só segura.
Ela olha para Lucy, que acena com a cabeça para ela em um gesto de confiança. Laila então estende a mão para Lily que a entrega o amuleto. No mesmo instante o brilho roxo que sai do objeto faz Laila soltá-lo no chão, assustada. Na mente da garota uma voz soou, uma frase em daryano que percorreu o profundo de sua consciência.
— Que coisa é essa?!
As outras se encaram com felicidade no olhar.
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