Notas iniciais
A palavra do dia 22 é: rebotalhos (aprendi com mainha essa).

Benjamin mal tocou na comida, o que significava que uma refeição inteira viraria rebotalhos. Mas esse nem era o problema maior. Não gostava era da expressão fechada e da ruga na testa dele.

— O que está acontecendo, Benji?

Por um instante, achou que não teria resposta, porque Benji ficou encarando o prato.

— Gosto de você pra caramba, Dan, tipo, pra querer passar a vida toda.

— Ei, vai com calma! — Tentou disfarçar o coração acelerado e as mãos geladas. Ao mesmo tempo a declaração era um alento e apavorante. Seu maior medo era não conseguir corresponder àquele sentimento de forma plena.

— Não dá pra ir devagar porque só tenho mais três ou quatro semanas pra ficar com você.

— Do que você tá falando?

— Meu pai vai ser transferido e, sem nem me perguntar o que eu acho, já aceitou.

— Quer dizer que você vai embora? — verbalizou o óbvio apenas pela necessidade de preencher o silêncio.

— Quer dizer que ele quer me levar, mas se você me pedir, eu fico.

— Mas seu pai…

— Vive dizendo que só quer o melhor pra mim, mas não se preocupa com o que eu quero. E ficar longe de você não é o melhor. Simples assim.

Notas finais
O pobre do Daniel nunca vai se achar bom o bastante pra alguém :( Queria ter feito um capítulo com a conversa do Miguel com o filho, mas achei melhor adiantar as coisas, já que já estamos na reta final. O motivo de o Benji tá tão puto é que o pai dele quer levá-lo pra outro país, quando ele disse que é simples estava sendo irônico, porque o Miguel nunca deixará que ele fique. Mas como resolver isso?