Linhagens e Amizades
31 Capítulo 31 - Antes de Dizer Adeus
Notas iniciais
Espero que gostem!
Ainda era um dos melhores shinobis da Folha. As responsabilidades de liderança de todo um clã não ofuscaram o enorme talento e aptidão de Hyuuga Hiashi. Num passado não muito distante, foi um dos membros mais promissores da ANBU, sendo por vezes considerado o melhor para infiltração e Espionagem. Não apenas pelo seu doujutsu, mas por sua faculdade única de conseguir captar vibraçoes expressivas num simples olhar. Afinal, como conseguir esconder as próprias emoções, se não as reconhecer em outras pessoas?
O jounin líder dos Hyuga e ex-ANBU agora maldizia as próprias habilidades. Há meses vinha com a certeza de que tinha tomado a decisão certa sobre Hinata. Mas quando os fantasmas de seu passado passaram a atormentá-lo de maneira constante como nunca antes, seus instintos indicaram que alguma coisa estava muito, muito errada.
E, como não poderia deixar de ser, tomou para si a responsabilidade de averiguar... detalhadamente os fatos. E quão enorme foi sua surpresa ao dar-se conta de que não só sua filha estava cotada para ser objeto principal de uma grande trama contra a vila, como também o fato de que os Hyuuga seriam vistos como traidores também, seria um sangue corrompido.
Corrompido por ele, que preferiu responsabilidade aos sentimentos de sua pequena garotinha.
Mas ainda assim, saber de tudo aquilo agora parecia tão mais... macabro... sinistro. Não acreditaria se não fosse por seus próprios sentidos terem captado as informações. Mas o objetivo de seguir para aquele esconderijo e espionar quem estava ali era sua atual função. Mas com qual surpresa descobriu que quem ele pensava ser Uchiha Itachi... tratava-se de Uchiha Madara... que se não fosse o suficiente para aterrorizá-lo, já seria um ótimo acrécimo. E ainda tinha aquela mulher mesquinha e maldita que estava com ele... usando um símbolo honrado que não fazia justiça... tudo giraria em torno dela e de sua filha... as duas com um mesmo papel... mas ainda assim tão diferentes... pensou em Hinata o tempo todo e seu peito estava pesado e realmente arrependido. Falhou como pai e como líder. Mas ainda havia uma possibilidade de remediar, de fazer com que tudo mudasse, ou ao menos que tivessem a possibilidade de mudá-la.
Da maneira mais furtiva que entrou, saiu. A mente trabalhando numa velocidade impossível para uma pessoa comum acompanhar. Mas ele não era uma pessoa comum, por isso fazia as conexões certas todo momento. Só pedia que tivesse tempo suficiente para chegar próximo à Konoha.
Sim, estava sendo seguido.
Poderia ainda ser muito bom com suas técnicas, mas sabia que no momento em que descobriu a identidade daquele que habitava o corpo do renegado Uchiha, sua vida valia menos que um punhado de grama seca. E estava sozinho, longe de sua vila, sem avisar a qualquer um de seu paradeiro. O que tentou, sem sucesso, foi ganhar ao menos algumas horas de vantagem, utilizando toda velocidade que possuía.
Afinal, ele era um jounin de elite.
Um ex-ANBU.
Um Hyuuga.
Ah, era exatamente isto que o tornava tão vulnerável... ele não era um Hyuuga qualquer. Era o líder sobrecarregado de afazeres administrativos e diplomáticos, que não saía em missões há quase uma década, que sempre tinha uma poderosa escolta para auxiliá-lo. Aquele cargo, tirara dele sua força, sua essência. Nem o maior dos poderes sobrevive ao esquecimento. A coisa mais próxima que chegou de uma batalha foram treinamentos com Neji e mesmo sabendo que o sobrinho levava todas as suas obrigações a sério, não seria de seu intuito ferí-lo mortalmente.
(Essa parte da fic é narrada pelo Hiashi)
Mas agora, como a poucos minutos, preocupava-me com duas coisas: manter a velocidade no máximo suportado por seu corpo e preparar-me para um conflito iminente. Não sabia o que fazer contra Uchiha Madara e mesmo odiando, não teria grandes ilusões de que se o encontrasse, era um conflito onde o vencedor já estava estabelecido muito antes de meu nascimento.
Reconhecendo as proximidades da Folha, vi que seria inútil alimentar qualquer esperança. Meu adversário estava diante de mim, com algo desapontado.
- Mas então... não conseguiu fugir?
Aquela mulher... que com certeza teria o rosto escondido não por vergonha de seus atos horríveis, mas por não permitir a si mesma a vosão de seus atos.
- Confesso que estava mais preocupado que meu adversário fosse outro — respondi-lhe, agora esperanças renovadas. Afinal, não seria necessário aquela angústia. Arrependi-me de ter gasto tanta energia, antes tivessemos lutado milhas atrás, estaria bem mais disposto.
Ela tinha agora a voz contrariada. Ativei minha linhagem e espantado, dei-me conta do enorme erro que tinha cometido.
- Confesso que nunca pensei que um Hyuuga fugiria de uma batalha... mas entendo seu receio, completamente fundamentado — O sarcasmo na voz daquele homem era palpável e cruel. Com a frieza de todo bom shinobi, ignorava aqueles sentimentos, mas ainda assim, a simples presença daquela figura malígna e lendária, fazia meu corpo tremer em silêncio.
- Qual seu interesse em minha filha? — Com o mesmo tom que lidaria com meus subordinados, dirigi-me a ele. Não tinha motivos para mostrar respeito ou reverência, mesmo sendo povoado por aquela atmosfera de temor.
- Você já ouviu bastante por lá, não?
- Mas é de meu interesse saber a verdade.
- A verdade, Hyuuga? — A mulher dirigia-se para mim, num tom quase tão irônico quanto ele.
Fiz com que entendesse que ali, trataria apenas com ele. Apenas ignorando-a, o que causou um furor imenso na kunoichi. Certamente teria avançado em mim, não fosse o olhar completamente reprovador de seu mestre.
- Nayuri-chan... não vale seu aborrecimento. Bem... — Tomou então uma posição quase infantil, sentando no chão com as pernas cruzadas, fitando-me por instantes tortuosos. — Se quer a verdade, terá. Não preciso de sua filinha... muito menos de Uchiha Sasuke... mas acredite que o acrécimo de um poder significante como o Byakugan tornou-se interessante. Ainda assim, não é disto que se trata.
Se não era o casamento dos dois que seria interessante, por que dizer que um filho de Hinata teria igual papel para ele?
- Ah sim, deve estar tudo muito confuso, mas repare, não é: Nayuri carrega o herdeiro primogênito de Uchiha Itachi, ainda que o prazer de tê-lo feito foi totalmente meu... — um sorriso malicioso e zombeteiro surgiu nos lábios dele, antes que voltasse à narrativa — este corpo ainda é o antigo, portanto, não seria um filho meu, nem muito menos o primogênito.
Não olhava para a mulher diretamente, mas minha linhagem mostrava que estava próxima, atenta às palavras dele.
- Mas que coisa, eu disse o que quero com Nayuri, mas não o que quero com aquela garotinha patética... muito simples: eu preciso do jinchuuriki. Mais especificamente, de minha velha conhecida, a raposa de nove caldas que está tão injustamente presa naquele corpo. Mas devo confessar, apenas o moleque suportaria. A maravilhosa linhagem dos Uzumaki permite esse verdadeiro milagre. Sem saber o Yondaime fez-me um enorme favor, meu único obstáculo para retirar a Kyuubi daquele corpo era ter um novo que pudesse recebê-la quando o serviço estivesse terminado. E bem, pode perguntar-se então por que não colocá-la no rebento que está por vir, certo? Não... claro que não. Depois que todos os fracos forem dizimados, haverá os mais forte dentre eles...os novos Uchiha... com todo o poder necessário para dominar e subjulgar. Esta criança que virá ao mundo, será abençoada com o maior dos poderes. E quando retirarmos a Kyuubi de seu descanso, ela será abrigada novamente em outro, mas não no filho de Uchiha Itachi e Uzumaki Nayuri.
Aquela mulher... uma Uzumaki? Desde quando eles possuíam uma kg? E tão poderosa a ponto de...
Mas então imagens antes bloqueadas, retornaram à minha mente. Sempre soube que o nome do garoto não me era estranho... mas com qual espanto dei-me conta de quem ele era filho...
Uzumaki Kushina... e Namikaze Minato.
Meus contemporâneos, tão poderosos que... apenas o sacrifício deles salvou vilas inteiras de sucumbirem... e ah, como fui tolo, é claro que o Quarto não iria colocar o monstro no próprio filho por falta de opção... mas porque sabia que ele era o único capaz de sufocá-la... devido à sua herança. Fosse em outro momento, estaria feliz pelo rapaz.
- Até agora, minha pergunta não foi respondida.
- Você está realmente com muita pressa... mas também tenho assuntos mais importantes a tratar... a verdade é que toda essa história de profecia, não passa de um engodo dos mais criativos... e divertidos... mas não deixa de ter um pouco de verdade. Da semente do fraco surgirá o primeiro sacrifício. Assim como a cobra come os próprios filhotes, o pai beberá do sangue de seu primogênito antes que esse viva seu primeiro solstício. Fazendo isso, seus olhos enxergarão aquele que procura."
Agora ele citava aquelas palavras que fizeram algum sentido para mim apenas quando achava que a intenção dele era que minha filha tivesse uma criança fruto de seu casamento com Uchiha Sasuke. Mas fazia-o de maneira tão... zombeteira.
- Deixe dizer uma coisa... essas palavras foram escritas sim, há muito tempo atrás, mas não por... mim...quem as disse, o maldito que proferiu essas sentenças... foi meu querido amigo, o Shodoaime Hokage... um amigo dos mais... infelizes, devo acrescentar. Mas isso nada mais era que a maior prova de que fracos não devem se misturar... eles tendem a ter um senso deturpado da verdade, ora essa. Tudo feito para obter poder é válido... de que importa matar um fraco, que se deixa ligar por amizades? De nada, se o poder virá com isso. Mas quanto à segunda parte... isso foi a resposta sádica que ele me deu para um dilema que me intrigava... sempre perguntei ao meu "querido amigo" como ele conseguia fazer para subtrair e subjulgar os bijuus, mais ainda, perguntava-lhe como seria o perfeito jinchuurinki... ele nunca me disse, mas sempre deu a entender que estaria ligado ao meu clã o poder de comandá-los, mas não de hospedá-los. E naquele dia eu descobri. Éramos fortes e abençoados com o pacto entre os bijuus... de todos eles, o que nos serviria melhor era o maior entre eles, a Kyuubi. Estava a ponto de trazê-la para nós, para que Konoha acabasse com todas as outras Vilas... e fôssemos soberanos em todos os sentidos. Mas os covardes não enxergaram isso...
Louco... aquele homem era um completo... louco...
- De qualquer forma... Tentei pegar o maior número possível de mulheres Uzumaki quando comandei o extermínio da Vila... mas os pais do moleque tinham uma vocação para herói e os incompetentes shinobis da névoa não deram conta de um bando de mulheres... ou melhor, de uma única... com o passar dos anos, descobri que apenas minha pequena Nayuri sobreviveu... imaculada e apta para gerar novos Uzumakis... legítimos e fortes o bastante. E então minha cara pequena juntou-se a mim nessa empreitada. Mas, não vou desperdiçar sangue Uchiha... não assim, desnecessariamente... se é de um Uzumaki que preciso... sua filha será a encarregada de colocá-lo no mundo.
- Você... não ouse... encostar um dedo em minha filha!
O maldito queria Hinata para si! Nessa hora eu queria, apenas para um único golpe, todo o poder, mesmo que corrupto, apenas para matá-lo com a dor que ele merecia.
- Calma papai... não, a mim não interessa sua filha... mas ao moloque Uzumaki... a ele sim. E pelo que me consta, neste momento já foram várias as tentativas em produziir o herdeiro... já que os dois estão vivendo uma bela lua-de-mel, fugitivos, pensando que todos estão contra o lindo amor dos dois...
Hinata... e Naruto? O que minha filha vai fazer a todos nós...
- Não a culpe, afinal... ela só o está fazendo porque não quer se casar com o Sasuke... e isto, quem programou foi você. Pois bem.... quando a criança nascer, estarei apto a matar o Naruto e ter um novo portador Uzumaki vivo para receber a Kyuubi quando a ação dela não se fizer mais necessária. E com um acrécimo de um valioso byakugan... animal interessante que virá ao mundo... E o filho de Nayuri... quem disse que seria necessário matar a criança para que eu possa beber do sangue dela? Apenas umas gotinhas... sabe? É mais pela "monstruosidade" do ato em si. E isto será o que me capacitará para retirar a Kyuubi de seu portador, apenas com um chamado — O tom debochado dele dava a importância que passava para a situação. Como aquela mulher conseguia ouvir todas aquelas coisas sobre si e ficar tão servil?
Ele fez uma pausa, levantando-se do chão e ficando de pé, frente a mim.
- Mas agora que sabe de toda a verdade... pronto para morrer, Hyuuga?
(fim da parte narrada pelo Hiashi)
Algum tempo depois, Neji preparava-se para deixar a vila. Hinata ainda não retornara da Areia e, mesmo avisado pelo Kazekage de que ela estava em segurança com Naruto, não poderia permitir que ficasse longe de seus olhos protetores. Afinal, era sua obrigação como Hyuuga e como primo zelar por ela.
Ao afastar-se alguns quilômetros, notou sinais de um conflito recente na região. Tratou de verificar com seu byakugan e deu-se conta de uma triste surpresa: Um Hyuuga encontrava-se ali. Caído, quase sem forças. A passos largos, aproximou-se da figura, que vinha com as mãos cravadas no chão, apoiando´se na terra, rastejando sofridamente. O corpo de seu tio estava irreconhecível, não fosse por seu chakra familiar e seus olhos de família...
- Hiashi-sama!
O rapaz correu e tomou-o nos braços, verificando o estado irremediável em que se encontrava. Já não havia o que fazer por ele.
Os olhos confusos dele, vislumbraram um Hiashi satisfeito por vê-lo, ao menos seu sacrifício não teria sido em vão. Mas aquilo não era propriamente um sacrifício, eram apenas as consequências de seus próprios erros, seus fantasmas próprios vindo cobrar o preço de seus atos falhos. Mas estava satisfeito. Partiria com a certeza de que Neji seria o interceptor de suas palavras.
Na euforia diante da visão de seu sobrinho, Hiashi não se deu conta de que suas forças foram todas gastas no ato de manter-se na estrada para Konoha. Ao abrir a boca, percebeu que teria impulso para uma única palavra. Ao fitar Neji, procurou impregnar-lhe a alma com o sentido daquela única palavra.
- Sharingan...
Ao terminar, seus olhos plácidos e fartos se fecharam e a última imagem que seus olhos permitiram ver, não em sentidos, mas os olhos de seu coração, foi o amor de sua vida, Harin, sorrindo.
Perdoando-o.
Notas finais
Ahn... eu sei que pode ter muita gente que não vai gostar... só não me procurem para fuzilamento... e não abandonem a fic, falta pouco prá terminar...
Bem, podem esculhambar nos review... eu mereço.
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