Linhagens e Amizades
30 Capítulo 30 - Respirar Você
Notas iniciais
(Essa parte da fic é narrada pela Sakura)
De todas as coisas que esperei para esse momento, a única que realmente combinava com minha imaginação era a presença dele ali, porque de resto... não pensava em fazer tudo tão... sem o calor do momento... sem beijos ardentes e toques sugestivos. Não, definitivamente não foi assim que planejei esse momento.
Mas ele estava ali, tentando ser o mais gentil que podia, ou o que sua carapaça de Vingador lhe permitia demonstrar. Há minutos que ele me olhava sem dizer nada, deitado ao meu lado na cama do quarto dele. Sem me tocar, sem falar, apenas me olhando. Em outra oportunidade eu teria ficado constrangida, mas hoje não posso dizer que ele me intimide daquela maneira. Aprendi a não ter mais medo do novo Uchiha Sasuke. Mas aqueles olhos ônix que tanto me hipnotizaram quando enxergava um brilho escondido e que há tanto eu achava não exercer qualquer influência sobre mim, estavam começando a me inquietar de uma maneira nova, não familiar e desconfiada como antes. Não tinha receio do que ele pensava de mim, ou do que faria comigo. Sabia que ali estava protegida e tinha ido por vontade própria. Conhecia também o meu destino depois daquilo: com o raiar do dia eu partiria e nunca mais saberia dele. Assim escolhi e assim seria. Portanto, me entregar àquele homem era a coisa que mais queria, que ainda quero ou que um dia vá desejar. Mas ainda assim tenho ressalvas quanto ao contato dele comigo, se forem tão tocantes e profundos quanto seus olhos, peço a Kami-sama força para deixá-lo pela manhã, pois minha alma e coração estarão afetados por toda a vida.
Por mais que falasse ou indagasse em meus pensamentos, Sasuke permanecia calado, apenas me fitando. Aquilo já estava mais que perturbador, soava como se ele... tivesse medo. E medo é uma coisa que não combina com ele, nunca. Sasuke prefere a morte ao medo.
- Você sabe que...
Ele não me deixou continuar, depositou a mão sobre minha boca e fez sinal para eu me calar.
- Por favor... não fale. Ainda estou gravando você...
Me gravando?, tive vontade de perguntar, mas então entendi o que ele queria dizer e me assustei tremendamente com aquilo. Sasuke, por favor, não me diga que você...
- Sakura eu... fiz muitas coisas das quais me arrependo. Mas talvez a que mais lamentarei até o fim dos meus dias seja essa... ter apenas uma única oportunidade de respirar você.
Por Kami-sama! Eu ia falar alguma coisa, mas ele fez sinal para que continuasse calada.
- De todos os sonhos, sempre foi o meu segundo maior reconstruir meu clã. E sei que no dia em que pedi que me ajudasse com isso, não fiz da maneira correta, nem como queria. Mas, tudo pelo que estou vivendo, ou pelo que morrerei tentando, não me permitia falar.
Aquele filho... ele jamais esqueceria disso. Como queria compartilhar ainda do mesmo sonho que ele... dar ao Sasuke a continuação do seu nome... Quantas vezes pensei em voltar atrás e dizer que me aceitava casar com ele. Mas não podia... Eu...
- Só quero que saiba que sei por que você nunca aceitou meu pedido.
Preciso dizer que neste momento meus sentidos me abandonaram por uma fração de segundos. Essa era a mais trancafiada verdade sobre mim, como...? Abaixei minha cabeça, envergonhada e entristecida. Queria ir embora dali, para qualquer lugar que fosse. Entretanto, ele não me permitiu sequer ficar com a cabeça prostrada.
- Não faça isso, nunca mais. Nem para mim, nem para ninguém. Você é simplesmente a kunoichi mais forte da nossa vila e talvez a mais forte que conheço. É admirável para qualquer um, ainda mais para mim. Sakura, por favor, nunca mais se diminua. Se você pensa que isso me importou... serei sincero: num primeiro momento eu fiquei revoltado. Não por mim, mas por você. Sei o quanto acalentou meus sonhos como se fossem seus e... o quanto fui egoísta em não reconhecer isto.
- Sasuke, eu... por favor, não continue...
- Me deixe terminar... Sakura, há muito tempo me conformei em ser o último Uchiha. E depois dos acontecimentos... não poderia pensar em nada mais danoso que ter um filho. Mas ainda assim eu o teria, se fosse seu... Eu correria todos os riscos se hoje soubesse que você seria a mãe dele, sendo de sua vontade e seu desejo.
O que ele estava tentando me dizer? Sasuke, por favor, não me torture mais... não me faça acreditar que você não está agindo como o egoísta que sempre foi...
- Mas hoje eu sei que não é o que você deseja e que, nem que quisesse, poderia realizar.
- Sasuke, não continue... por favor.
- Vou continuar sim, você precisa me ouvir. Desde a última vez que nos falamos no hospital, há meses atrás quando o Naruto estava desesperado com a Hinata... desde aquele dia eu sei o motivo de você ter realmente se afastado de mim.
- Pare! Não continue... eu não quero ouvir isso!
(essa parte da fic é narrada pela Sasuke [não o ofenderei neste capítulo, em homenagem à Dreamer que está prestigiando o trabalho])
Ah, por favor, não fique assim... Eu não quero que te ver nesse desespero... Não foi por isso que comecei a falar. Realmente tenho que pensar muito antes de dizer qualquer coisa, pois parece que cada palavra saída da minha boca é produzida com a única intenção de manchar seu rosto com lágrimas intrujonas. Nunca foi essa a intenção.
Tentei o mais gentil possível retirar as mãos dela que cobriam os ouvidos, como se assim fosse possível mudar a realidade das coisas, mas não era. A verdade é que nada poderia alterar aquilo, e em momentos de grande angústia, me vi lamentando por tê-la colocado naquela posição.
- Sakura... não chore... não grite... nem se desespere. Não faça isso, nada disso. Você é muito mais forte que qualquer coisa que lhe acontecer. Você se sente menos completa porque não pode ter filhos?
Parece que a pergunta atingiu-a em cheio e ela voltou aqueles lindos olhos verdes embargados para mim. Como eu conseguia vê-la ali, tão presente, como antes. Indefesa, precisando de mim. Nessas horas me sentia, como agora, a pessoa mais felizarda do mundo. Era minha chance de ser o herói, enfim.
- Como... como você...?
Suspirei profundamente, antes de relatar como aquela verdade veio parar em minhas mãos.
- Quando você me olhou tão desolada naquele hospital, dizendo para mim que não poderia ser apenas uma máquina de fabricar Uchihas... realmente não entendi nada, mas achei que tinha perdido você pela minha arrogância, que fazia questão de dominar minhas ações. Mas Sakura... sempre estive observando você. Hoje não foi a primeira vez que me encontrei na frente da sua sacada... Eu o fiz todos os dias, e neste em especial, depois de ter tido uma conversa esclarecedora com o Dobe... Então, fiquei esperando você no seu quarto, mas naquele dia você não voltou para casa. Num móvel tinha um envelope aberto, com a folha do exame amassada e manchada em algumas partes... Fiquei preocupado com o que pudesse ser, e li (resolvi ler).
- Você não tinha esse direito, Sasuke!
Ela batia violentamente em mim, como se eu a tivesse violado em seu mais íntimo e sinistro segredo. Só queria fazê-la entender como me senti depois disso... Tomei os lábios dela pela segunda vez naquele dia e, aos poucos, desarmei a resistência dela, restando apenas um coração doído precisando de consolo. Quando por fim nos separamos, ela me parecia nunca ter estado tão vulnerável.
- Você... não devia ter feito... não devia ter lido... E por que não me procurou?
- Acha mesmo que eu tinha o direito de questioná-la sobre isso? Se quisesse me contar, você teria jogado isso na minha cara no mesmo dia. Mas não, você se calou e deu qualquer outro motivo, menos o verdadeiro. Que direito eu tinha para exigir a verdade de você? Nenhum... Nunca dei para você o pouco de atenção e carinho em retorno, por menor que fosse. E hoje você me odeia por isso.
Então ela me abraçou, sofrida. Pude sentir a minha Sakura... Aquela que me pertence desde sempre... Afaguei-a em meus braços como em tantos momentos quis fazer... e teria dado qualquer coisa para prolongar aquele momento o suficiente para que ficasse em minha mente. Contudo, aquela nova Sakura ainda estava resistente a mim e não queria demonstrar suas fraquezas, muito menos que eu a consolasse. Afastou-se com o mesmo ímpeto com o qual me trouxe para perto.
- Vou embora. Não há mais o que fazer aqui.
Antes que desaparecesse num sunshin, segurei-a em meus braços novamente, agora alarmado e quase desesperado.
- Não, você não vai. Sua promessa foi a de estar comigo hoje, por toda a noite.
- Você mesmo já disse o motivo pelo qual não seria interessante estar comigo. Não posso ser aquilo que quer... De que adianta ficar comigo por uma noite?
Realmente, eu não era bom com palavras, mas teria de dizê-las todas. Ela merecia.
- Sakura, o que quero é pura e simplesmente o que meus olhos alcançam agora.
Percebi a confusão na mente dela. Nessas horas entendo o quanto fui nocivo a ela. O motivo pelo qual ela não se achava interessante para mim. Por todos os Kages, ela só pode ser cega ao que enxergo agora...
- Sasuke-kun..?
- Por que a dúvida? Você é mais que suficiente para mim, Sakura. E se durante todos esses anos não consegui demonstrar isso, não me eximo da culpa. Quero estar ao seu lado, sentir seu cheiro. — Deslizava agora minhas mãos pelos contornos daquela jovem mulher que tanto desejava. — O que quero é ter meu maior desejo realizado hoje: ter você.
(essa parte da fic é narrada pela Sakura)
Não sabia o que dizer, realmente. E mesmo que soubesse, não diria. Era... o Sasuke-kun dizendo que me... desejava? Como se lendo meus pensamentos, ele continuou a me bombardear com tantas revelações que meu cérebro levava segundos incontáveis para entender tudo.
- Hoje a minha missão é redimir um dos meus erros, antes que seja tarde demais. Sei que amanhã você vai partir e que no final de tudo pode não existir retorno. — Nesta parte, não identifiquei se ele falava de mim ou dele... O semblante era distante, como se soubesse de algo que eu mesma desconhecia, o entendimento de um futuro ainda obscuro para mim.
- Não precisa fazer isso, não precisa! Não por pena, ou porque acha que deve se corrigir... Não comigo, não me faça ser mais humilhada ainda!
Novamente estava nos braços dele, mas dessa vez com uma urgência sem igual. Ele me fitava tão friamente, que fazia meu peito congelar ao mínimo sinal de movimento. O que ele realmente queria fazer? Minha mente estava confusa, tudo a respeito do Sasuke-kun sempre foi tão confuso...
- Sakura, entenda de uma vez! — Fez uma pausa antes de recomeçar, num tom mais controlado, sem deixar de me perfurar com seu olhar fulminante: — Eu a quero, porque amo você.
Posso dizer com certeza que meus sentidos me pregaram a pior das peças, a que menos precisava para manter minha sanidade naquele momento. Só mesmo acreditando ser brincadeira para digerir essas palavras dele.
- Sasuke-kun... já disse que vou ficar com você, não precisa tripudiar de antigos sentimentos.
Novamente ele me fitava, mas agora podia jurar ter visto alguma coisa de desapontamento nele, como se desvendar a clareza daquelas palavras fosse a tarefa mais complicada de sua vida.
- Sabe muito bem que não perco meu tempo falando bobagens. Nem estaria aqui dizendo alguma mentira para você. Pense Sakura, já estivemos numa situação parecida, onde eu não precisava ter falado nada para tê-la, mas mesmo assim não fiz. Você se foi, jurando uma vingança que está se cumprindo hoje. Lembra-se o que me disse? Se não, vou relembrá-la: "Da próxima vez, Uchiha Sasuke, será você quem virá me pedir isto".
Realmente, ele lembrava! Palavra por palavra daquilo que disse... naquele maldito dia, onde pensei que poderia ganhar algum tempo...
- Pois então Sakura... Você, como sempre, estava certa. Hoje eu pedi para você ficar comigo, estar comigo. Mas não pedi apenas para que eu pudesse te tocar ou realizar qualquer fantasia. O que quero é a sua imagem... gravada, cravada em mim! Que usem tudo que for possível na minha mente e no meu coração, mas que a sua imagem nunca se apague de nenhum dos dois. — Agora ele acariciava meu rosto, como no início, como se estivesse absorvendo meus detalhes. — Mesmo que morra, que não retorne da batalha, quero ter a certeza que quando os meus olhos fecharem, serão seus cabelos rosados e sua pele delicada... esses olhos e esse rosto todo... perfeito... que essa seja a última imagem que a minha consciência me permita distinguir. — Meu pranto companheiro estava se manifestando mais uma vez, contra a minha vontade, diante das palavras doídas e sinceras que não esperava ouvir, mas que conseguiam falar tão claramente aos meus sentimentos. — Não entenda minha imensa vontade de tê-la em meus braços como um desejo puramente carnal, porque o meu amor não se resume a tão pouco. A minha vontade é estar para sempre ao seu lado.
Depois de anos, anos de luta, de sofrimento, de busca, de perda... tudo por causa dele... tudo por causa dessas palavras... depois de sentimentos enterrados com a mais profunda das amarguras e desejos reprimidos no mais interior do meu ser... depois de não ter restado mais nada de uma menina ingênua que sonhava com a felicidade ao lado do seu grande príncipe, depois de ter me desiludido completamente e entregado minha vida a um objetivo maior que eu... ainda assim... com apenas esse pequeno grupo de palavras, pude sentir o calor da vida penetrar raivosamente em mim, sem pedir passagem, lavando e limpando o meu coração ressentido. Porque não eram quaisquer palavras: eram os sentimentos mais bem guardados de um homem que encarnava o mistério em pessoa... talvez dos mais indecifráveis... apenas... Não! Todas aquelas maravilhosas palavras que soavam como correntes libertas para mim eram a recompensa de tudo...
Por aquilo, tudo valeu à pena.
Por aquilo, tudo valeria à pena.
Por ele, pelo nosso momento, meu eu interior repreendia ferozmente minha falta de fé num amor que sempre soube estar ali. Entretanto, não estávamos perdidos, ainda havia uma chance para nós. Acreditaria nisso naquele momento, ou era apenas uma coisa que se dissiparia pela manhã?
(fim da narrativa da Sakura)
A kunoichi ficou por vários minutos em silêncio, trazendo uma angústia sem igual para o rapaz. Ele sabia que não era digno dela, mas também queria fazê-la entender que ele sempre lhe pertenceu, assim como seu coração sempre fora dele e jamais duvidou daquilo. Ainda que tenha sido fraco e nunca assumido, por pensar que ela precisava de proteção contra tudo de ruim que poderia afetar quem estivesse ao seu lado, achava que tinha a obrigação; devia àquela linda mulher à sua frente uma fração daquilo que sempre dedicou sem exigir nada. Ele a amava, mas seus olhos estavam incertos quanto aos sentimentos dela.
Então ela pegou as mãos dele entre as suas, sentiu a firmeza do toque dele contrastando com a delicadeza do seu, e a voz soou com a candura que nunca abandonou aquele corpo:
- Sasuke, por favor, seque minhas lágrimas... e aqueça meu coração.
O peito aliviado soltou o ar longamente, enquanto as mãos dele faziam as lágrimas desaparecerem e ele a puxava para si, envolvendo a cintura dela e mantendo-a o mais próximo possível que era permitido sem que um invadisse o corpo do outro. Ele sentiu o cheiro dela e queria impregnar-se dele, enquanto as mãos de ambos exploravam os corpos um do outro. Agora eles estavam unidos pelos lábios, numa sintonia perfeita e única, tal qual a moça sempre sonhou e imaginou.
Noite afora ele a tomou para si por vezes, e uniram-se com tanto ardor e urgência que não duvidaram nenhum momento que um tinha sido feito para completar o outro. Com o dia quase raiando, ela repousava com o corpo nu sobre o peito dele, que não conseguia retirar as mãos do corpo da kunoichi em momento algum, acariciando os cabelos dela, enquanto esta ressonava exausta em seus braços.
- Como sou idiota...
Ela acordou com aquelas palavras e passou a acariciar o peito dele com a ponta dos dedos
- Eu disse que você se arrependeria... — Deu uma pausa antes de completar: -Sasuke?
- Hum?
- Por que você está fazendo isto tudo?
- Tudo o que?
- Com a Vila... Por que você está nos traindo novamente? É tudo por causa do seu irmão?
Fez-se um novo silêncio, como se ele não quisesse deixar o mundo real interferir em suas vidas.
- Meu irmão está morto.
Ela assentiu com a cabeça, levantando-se a ponto de encará-lo.
- Eu sei... de tudo.
Olhar de maior surpresa não poderia estar estampado no rosto de alguém. Porque ele sabia que ela falava a verdade. Sakura não era uma garotinha, e o tom que usou com ele desde o início... as acusações...
- Por que não contou conosco? Naruto e eu estaríamos ao seu lado...
- É exatamente isso que não quero. — O semblante dele estava quase tão frio como sempre. — Sakura... você precisa confiar em mim. E sei que não posso te pedir isto. Foi por isso que pedi para você estar comigo hoje. Eu... não posso correr o risco de perder as duas pessoas que mais me importam na vida.
Ela o abraçou com força, muita força.
- Sasuke-kun... eu nunca o abandonei, e jamais o deixarei sozinho. Se você não me disser o que pretende, vou ajudar da maneira que achar melhor... e isso sim pode atrapalhar você! Desta vez terá de confiar em mim. Não sou mais uma menininha que você pode deixar desacordada no banco da saída da vila.
A mulher à sua frente estava oferecendo toda a ajuda que pudesse. E por mais que desejasse protegê-la, era preciso correr certos riscos.
- Você entende que todos nós podemos morrer, não?
- Sim. Mas me diga por que está fazendo isso tudo.
- Porque o meu irmão... o meu irmão de verdade, está correndo um grande perigo, junto com toda Konoha.
Ele passou as horas seguintes, compartilhando cada detalhe finalmente, alguns deles até mesmo ignorados por seu sensei. Ela absorvia cada palavra dele, anotando mentalmente e refletindo enquanto escutava a narrativa dele. Ao final, já estavam quase no horário do almoço, e exausto, ele finalizou:
- Compreende?
Parecia demais para ela, mas vindo dele, sabia que não poderia ser menos.
- Então é por isso que você fingiu o interesse no casamento? Você sabe que quase matou o Naruto? Ele está magoado demais...
- Eu sei... A intenção era essa.
- Mas, Sasuke-kun, você vai contar a verdade, ele precisa saber...
- Não, nem você vai. Estou compartilhando isto com você, Sakura. E apenas porque é a única pessoa que confio. Sakura, você tem que me prometer que não vai dizer nada ao Naruto. Você tem que me jurar que, independente do que aconteça, ele não saberá de nada.
Um novo silêncio fez-se no local. Até ser interrompido pelo jovem jounin.
- Minha Sakura... minha Sakura... não vou esquecer de hoje... nem de você, jamais. Mas a luta está muito próxima e será tudo muito difícil, para todos. Se os nossos esforços legítimos de luta forem dissipados, a única alternativa para que Konoha não caia, é manter a Kyuubi dentro do Naruto. Para que isso seja feito, ele vai precisar estar tão dominado pelas sombras que vai chegar a romper os maiores laços que tem. Não se engane, tenho orgulho de ser o melhor amigo dele.
- Sasuke-kun... por favor, não fale assim, nós vamos lutar! Somos fortes, não nos subestime!
- Não estou... Apenas não duvido do poder do inimigo, minha menina... Se o Naruto tiver que fazer alguma coisa... conto com você para não deixar que ele fique absorto pelo ódio... Você sempre foi aquela que nos unia, não será diferente agora. Saiba que estou confiando a você uma tarefa que não pode ser feita por ninguém mais.
Ele a tomou nos braços mais uma vez, gentil e carinhoso como fora por toda a noite. Uma última vez ele a tomou para si, obrigando seu corpo a memorizar os contornos da delicada estrutura dela. Depois, deixou-a dormindo em silêncio e preparou um lanche para quando acordasse, deixando tudo ao lado dela, que dormia profundamente, e se foi, indo ao encontro de Kakashi. Ao chegar na floresta densa, onde treinavam isolados, Kakashi já o aguardava, lendo seu Icha Icha Paradise.
- Ora... em anos essa é a primeira vez que me fazem esperar. O que estava fazendo de tão importante que se atrasou tantas horas?
Um sorriso de canto de boca formou-se e rapidamente se desfez ao terminar de pronunciar as palavras.
- Sendo feliz.
Kakashi olhou-o surpreso, mas ainda assim satisfeito. Será que ele deixou de ser cabeça dura?
- Vamos, temos muita coisa a fazer, já chega de descanso para nós dois. A partir de hoje não quero mais ser conhecido como um Vingador. O que estou fazendo... por tudo aquilo que vou pagar e viver daqui em diante... pelo que irei morrer, é apenas para salvar aqueles que amo.
Notas finais
Tá, confesso, eu escrevi, mas não se repetirá! (Mentira...)
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