Linhagens e Amizades

18 Capítulo 18 - A Herança que Nunca Pedi (Parte 1)


Notas iniciais
GEnte, trago mais um cap fresquinho... ou parte... ah, corrigi o capítulo 16 (que raiva, toda hora a formatação muda... espero que esteja corrigido... peço que vcs voltem e leiam, porque muita informação foi cortada!)
(essa parte da fic é narrada pelo amor da minha vida... não sabem quem é? OMFG! – Hyuuga Neji!)

- Neji-niisan, acho melhor pararmos, daqui a pouco o papai entra brigando comigo por atrasar você.

Hanabi-sama estava certa, nosso treinamento matinal durou mais que o necessário. Mas diferente de Hinata-sama que tinha aptidões quase artísticas e uma habilidade em jutsus que precisavam de mais concentração, Hanabi-sama era pura força em seus movimentos. A intensidade do seu taijutsu, mesmo para o Estilo Hyuuga era visível: às vezes supunha ser pelo fato de ser aluna do Lee, mas a verdade é que aquela urgência sempre esteve em Hanabi-sama.

- Certo, é melhor mesmo. Hanabi-sama ainda tem treino com Lee, não?

- Neji-niisan... pare de me chamar assim, nem minha irmã ou eu gostamos dessa formalidade toda... você foi criado conosco, para nós é como um irmão.

- Há certas formalidades que não devem ser esquecidas, Hanabi-sama – Fiz uma leve reverência e saí, certo de que deixei a garota raivosa.

Mas existem coisas que jamais devem ser ultrapassadas. Minha atual posição no clã era, no mínimo, desconfortável.

Hiashi-sama me encontrou pouco depois, quando estava prestes a sair da casa principal.

- Neji, vejo que continua treinando Hanabi pelas manhãs. Não foi dispensado disto?

- Hiashi-sama, não costumo esquecer minhas obrigações. Como membro da Bouke devo servir à Souke da melhor maneira possível. E também não conheço ninguém capacitado o suficiente dentro do clã para ensinar Hanabi-sama.

- Você sabe muito bem que não é uma pessoa qualquer dentro deste clã. Além de meu sobrinho, você é inegavelmente o mais forte entre nós. E será o futuro guia de nossa família.

Aquela fora uma das muitas decisões da qual já discordara de Hiashi-sama, mas foi a primeira que realmente demonstrei desgosto.

- Hiashi-sama, não vejo como isto será possível. Quero servir à família, mas não vou usurpar os direitos de Hinata-sama e Hanabi-sama. Posso ajudar as duas, se assim for necessário. Mas é preciso que a Souke continue a governar-nos. O conselho não está satisfeito com isto e esta decisão tem me colocado em situações desagradáveis.

- Rapaz... está tentando me dizer como devo fazer meu trabalho?

Então era isso. Sempre que sentia-se ameaçado, Hiashi-sama perdia o poder de argumetnação e impunha sua posição.

Porém aquilo já não me impressionava há muitos anos.

- De maneira alguma. Apenas fazendo o meu papel como conselheiro: aconselhando. Dê uma chance para suas filhas, pois o maior sinal de fraqueza está partindo de sua pessoa, por não confiar nelas.

Vi fúria em seus olhos. Por mais que ele tenha alguma consideração por mim, sei que estava sendo desrespeitoso. Mas já tinha bem definido em minha mente que não aceitaria aquela posição, não aceitaria nada mais imposto.

Minha missão era apenas uma: proteger Hinata-sama e Hanabi-sama. Todo meu empenho era em cumprir tal missão.

- Neji, vá se trocar e esteja de volta o mais rápido possível.

Fiz uma leve reverência e já estava de partida, quando ele me chamou.

- A propósito, a comitiva de Hinata foi atacada, novamente.

Hinata-sama estava ferida? Ou morta? Eui insisti para estar nesse comboio, mas minha presença foi vetada, tanto pela Hokage, como por Hiashi-sama. E agora... Hiashi-sama não ia me contar do ocorrido, usou aquilo como uma maneira de castigar-me pela minha petulância.

Alguns dos sentimentos daquele homem, se é que poderia chamá-los assim, intrigavam-me de maneiras diversas. Por vezes eu o vi chorando solitariamente em seus refúgios, sabia que suas lágrimas eram por ela. Minha admiração por nosso líder apenas cresceu, pois Hiashi-sama deixava visível as emoções necessárias para cuidar dos assuntos do clã, aquelas que não eram pertinentes, guardava para si.

O correto é não demonstrar nossas fraquezas nem mesmo para nossos aliados, pois não há certeza de que eles assim permanecerão.

Procurei imprimir em minha voz a mesma casualidade que ele, sendo bem sucedido.

- Baixas?

- Sim.

Fiz um leve momento de reflexão e calculei que não poderia tratar-se de Hinata-sama. O clã estava muito silencioso para a notícia de que a futura herdeira tinha morrido.

- Vou me retirar, retornarei em breve, Hiashi-sama.

Aquele jogo também poderia ser jogado por dois.

Meus aposentos ficavam na casa principal, mas apenas utilizava-os para dormir. Não me sentia à vontade numa casa que não me pertencia. Assumia meu posto como guardião ao final da tarde e de lá me retirava apenas com o raiar do dia, ou um pouco mais tarde, como hoje.

Mas para realmente descansar, escolhia sempre a antiga casa que morei com meu pai, quando ainda era pequeno. O lugar estava bem cuidado por mim e unicamente por mim. Não permitia que qualquer um estivesse ali, pois aquele era um santuário em homenagem à memória de meu pai. Embora todas as propriedades do clã Hyuuga fossem da família, aquela era a única que possuía um único particular como proprietário. Foi uma maneira do conselho homenagear o sacrifício de meu pai: ninguém jamais ocuparia sua residência, se não fosse de meu agrado. E não era.

Meus pensamentos pela segurança de Hinata-sama estavam apaziguados. Isoladamente. Pois ainda tinha um assunto a tratar, para certificar sua paz. Uchiha Sasuke sentiria toda minha fúria. Aquele traidor... não existe coisa pior para mim que uma traição. Posso não demonstrar fraquezas, mas também vivi por uma vingança durante muitos anos, tal como ele. Ainda assim não virei às costas para minha vila ou meus companheiros de equipe, tal como ele fez.

E por mim pouco me importava se as pessoas estavam atrás dele para que voltasse, se o perdoaram, ou não. Realmente a vida dele não me acrescentava em nada, até o momento em que ousou aceitar a infame proposta de Hiashi-sama. Como líder, Hiashi-sama era de uma competência única, mas aquela foi a decisão mais errada que já tomou. E pessoas que jamais contrariaram suas decisões começaram a fazê-lo. Mas ainda era tempo de restituir em todos a confiança que Hiashi-sama merecia.

A água fria quebrava em minha pele afastando as decisões complicadas para depois. Precisava de um momento para pensar, mas seria depois.

Vesti minhas roupas habituais e ao chegar nos portões da casa principal, um dos chuunins responsáveis pela segurança informou-me que a Hokage me chamava, urgentemente, em seu escritório.

Um alarme ressou ainda tímido em minha cabeça: Hinata-sama?

O mais rápido que pude, sem soar temerosidade, dirigi-me até o escritório de Tsunade-sama. Chegando lá, não reparei qualquer movimentação estranha, usando minha linhagem, pude ver que na sala da Hokage estavam apenas a própria e ela... mas o que “ela” estaria fazendo ali?

Desativei minha linhagem, fiz-me anunciar e entrei. Pelo visto, estavam me aguardando há algum tempo.

- Desculpe o atraso, Hokage-sama.

A Godaime estava pensativa como sempre, ou não? Em seu semblante vislumbrei alguma coisa nova. Ela começoua falar e tive certeza que tratava-se de algo mais complicado.

- Hyuuga Neji, gostaria que você me explicasse seus motivos para estar tramando a morte de Uchiha Sasuke.

Devo confessar que meus sentidos pararam por um momento, mas não o suficiente para me tirar a concentração. Certamente Kakashi-san não cumpriu nossa parte no acordo e foi queixar-se com a Hokage na esperança de salvar seu aluno. Mas aquilo não era uma situação negociável.

Incomodou-me discutir na presença dela, não gosto que me veja sendo contrariado, mas era a Godaime, não havia como me esquivar. Fiquei na expectativa que se retirasse, mas no íntimo sabia que não arredaria o pé enquanto não ouvisse de minha boca que estava errado.

- Hokage-sama, não há motivos para esconder-lhe nada. Se sabe que eu irei matálo, sabe também os motivos, por que repetir agora?

Tsunade-sama me reparou por alguns momentos. Assim como ela... e observá-la medindo minha ações me reprovando conscientemente, fez algo manifestar-se em mim. De todos, o perdão dela seria o mais difícil de conseguir. Mas ainda assim aquilo tinha de ser feito e no final, as pessoas entenderiam que a morte do Uchiha seria mais para bem que mau. Evitar a humilhação e o sofrimento que ele causará não são obrigações nossas? Não seria errado corrigir um mau antes que ele suceda?

Para mim sim, mas estava pronto para as consequências.

- Você sabe que está colocando todo seu clã em risco, sabe o que você representará num futuro bem próximo para os Hyuuga, vale isso Neji?

Apenas concordei balançando a cabeça, esperando a reprovação de todas. Mas não seria uma coisa justificável, para nenhuma delas, infelizmente. São razões próprias e motivos internos.

- Isto também será corrigido com isso, Tsunade-sama. Mas eu preciso saber se sairei daqui livre para continuar com meus planos ou se a presença dela é apenas para me escoltar até à prisão.

O rosto dela pareceu divertido, com meu comentário.

— Ela? Escoltar você? E iria voluntariamente?

Uma rápida análise passou por mim e também pelos olhos dela. Se assim tivesse de ser feito.

- Lamento se não puder sair daqui pacificamente. Não gosto de ferir meus companheiros de vila.

Senti a aproximação dela, então seria da maneira bruta. Lamentei internamente e senti vontade de que aquilo pudesse ser evitado, mas dada às circunstâncias, a Hokage já estava ciente de minha decisão. Estava estático, mas não de receio, não seria necessário uma postura agressiva, meu estilo de luta já há muito estava aperfeiçoado para um tipo de abordagem tão direta.

A realidade é que minha surpresa foi, como nenhuma outra vez, total. Podia ver lágrimas em seus olhos, como muitas vezes vi. Num primeiro momento achei que ia me pedir para mudar de idéia, mas quando segurou minhas mãos, vislumbrei em seu olhar mais que simples dor.

- Neji... não faça nada sem mim.

Como assim? Preciso que seja mais clara, está muito misteriosa...

- Ninguém quer acabar com o Sasuke-kun mais que eu...

Sorri, involuntariamente. O que ele teria feito para que finalmente despertasse o ódio dela? Virei-me para a Hokage, que mantinha um olhar distante, mas não diria reprovador.

- O que significa tudo isto, Hokage-sama?

- O que você está pensando Neji. Se quer realmente uma vingança, ninguém na Vila vai impedí-lo. Já sabemos o que virá e não temos como impedir... essa é a nova missão de vocês... não irão matar Uchiha Sasuke, mas vão vigiá-lo, até o dia do casamento dele com sua prima. Então, apenas neste dia, iremos confrontá-lo. Nem antes, nem depois. A força necessária será utilizada, mas priorizaremos a captura, não a morte. Mas tem minha palavra de que ele será punido severamente.

Mais pensamentos reflexivos. A sala estava em silêncio e a calmaria da manhã impedia que novos afazeres para a Hokage interrompessem nossa conversa. Precisava ser prático e objetivo. Sasuke preso, realmente preso, seria uma condição quase igual à morte. Ao menos estaria fora da vida de Hinata-sama... e também dela. Sasuke preso traria menos dor... mas Sasuke vivo me daria a certeza de que tudo isso jamais voltaria a acontecer.

- Certo, Hokage-sama, concordo.

- Agiu bem Neji, como um verdadeiro líder.

Sakura fitou-me, cúmplice. E pela primeira vez percebi que alguém conseguira ler meus pensamentos.

Notas finais
Aguardo os reviews de quem realmente gostou... estão valendo muito esses comentários para mim!