Linhagens e Amizades
25 Capítulo 25 - Não Tenha Medo de Sentir (Parte 1)
Notas iniciais
*snnif, snif*
Nota: Naruto & Cia não me pertencem, mas ao tio Kishimoto.
Capítulo 14 — Não tenha medo de sentir (Parte 1)
Já contavam seis dias de viagem. Naruto e Hinata seguiam em direçãoao extintos País do Redemoinho e a Vila Oculta da Cachoreira, hoje absorvidas pelo país da Água e da Vila Oculta da Névoa. Naruto tomava conta dela como se fosse sua jóia única e tentava a todo o tempo demonstrar-lhe um carinho que foi impossível para os dois antes daquela noite em que ambos deixaram o coração falar mais alto.
Hinata agora acreditava que aquilo tudo era realmente verdade, pois seu coração lhe dizia o que seus olhos não podiam enxergar: ele estava com ela de corpo e alma. Era um sonho realizado.
Ao longo dos dias, durante a jornada, Naruto começou a contar a história de sua família: de como a mãe era de uma família muito influente e a própria Hinata lembrava de já ter lido na biblioteca dos Hyuuga documentos antigos que falavam da grande influência da Vila e do País, mas nunca se perguntou como uma Vila que parecia ser mais poderosa que Konoha, sucumbiu de maneira tão singular, sem deixar traço de sua existência.
Mas ainda era estranho ver seu amado como "filho de alguém". Estava feliz por ele, que realmente parecia excitado em cada palavra que pronunciava. Hinata podia sentir a alegria dele em compartilhar aquilo com ela e a garota não tinha motivos para duvidar de seus sentimentos. Afinal, Naruto agora poderia dizer que tinha origens, assim como ela. Não se tratava mais de um errante abandonado no mundo que a todo custo tentava provar sua existência. Agora ele era alguém... Era um Uzumaki. E aquele nome tinha algum peso, então. Pensou em como isto poderia ajudar com sua família... Mesmo sendo irracional, sabia que o pai não permitiria que ele abandonasse um Uchiha pra ficar com um Zé Ninguém... Afinal, apensar de todas as circunstâncias, ela oficialmente seria a líder do clã e seu casamento deveria se uma união poderosa para o clã. E agora ela via com esperanças uma aceitação de seu pai: Naruto era de uma família tradicional de outra Vila... E ainda... Bem, ainda aquilo que ela só acreditava por ter saído dos lábios dele...
Era filho do Quarto!
Definitivamente eram parecidos. Haviam fotografias do Quarto Hokage espalhadas por toda Konoha, ele foi um herói, inegavelmente. E depois que Naruto contou a história de amor entre seu pai e sua mãe, ele pôde compreender que só poderia ser verdade, pois não havia como o fruto de um amor menor resultar no seu Naruto.
Aquilo tinha que ser o bastante!
Nas noites quentes do início de dezembro, eles se amavam debaixo das estrelas. Ele sentia uma necessidade inominável dela, de satisfazê-la e a pele macia parecia eletrocutá-lo a cada contado, não podia imaginar que estar com a mulher amada fosse uma sensação tão agradável. Quando estavam juntos ele tentava de toda forma fazê-la completa, para que não lamentasse o que ainda não podia ver. Mas ele não sabia que cada toque entre os dois, cada carícia era sentida de maneira especial por ela e agora que os dois já demonstravam mais conhecimento do corpo um do outro, ambos conseguiam ler os movimentos próximos, era vibrante e misterioso, cada experiência revelada com a cumplicidade de um casal que aparentava sempre ter estado unido.
Ao final do nono dia, a noite caía pesada naquele ponto da floresta. Tinham ultrapassado os limites entre os países e agora poderiam até mesmo ser atacados por shinobis da Névoa. Naruto estava ciente do risco, mas colocaria a própria vida para defender Hinata. E depois do aviso que enviaram pelos dois sobreviventes que Gaara insistiu em mandar como mensageiros esperava que não fossem loucos o bastante. Afinal, nessas horas o apelo de sangue da Kyuubi quase falava mais alto. E por uma segunda vez, ele não sabia se conseguiria segurar. Não se ousassem tocar nela novamente.
Agora ela estava em seus braços, fez questão de carregá-la, pois aquela fenda era perigosa até mesmo para quem possuía a visão completa e a noite não ajudava em nada. Além do que, era muito agradável sentir o cheiro dela inebriar-lhe os sentidos.
Alguns minutos depois e estavam frente uma grande pedra, que parecia a entrada fechada de uma caverna obscura pela grande fenda.
- Hinata, chegamos.
Ela então desceu do colo dele, o coração nervoso. Mesmo sabendo que os pais dele não estavam mais vivos, ela iria conhecer a história da família dele... E saber que foi a primeira para quem ele revelou seu maior segredo, fazia sempre com que os sentidos dela ficassem alterados. Ainda precisava trabalhar sua autoconfiança.
O lugar tinha o cheiro adocicado. "Que estranho" pensou ela. Mas não sentia medo, afinal, estava com Naruto ao seu lado. E a idéia de que ele a protegeria sempre era uma certeza firmada em sua mente e coração.
Ao ver que Hinata estava ambientando-se à sua maneira ao local, ele pensou que seria melhor entrarem antes que qualquer coisa pudesse acontecer. Uma vez dentro, estariam definitivamente seguros. Fez selos com as mãos e tocou na grande pedra com a mão direita. Estranhamente a mão parecia mergulhar pela rocha sólida, como se a densidade desta fosse muito inferior à que realmente possuía. Parecia que havia uma maçaneta por detrás daquela pedra e ele ao alcançá-la girou algumas vezes até que um estrondo indicou que estava aberta.
Hinata sentiu um leve tremor e pensou que fosse algum desmoronamento, procurou o corpo dele, que estava a menos de um braço de distância e aconchegou-se ali, pois enquanto ele não estivesse alarmado, tudo estaria bem. Naruto retirou a mão da pedra e logo esta abriu passagem, revelando uma cripta realmente obscura por detrás. Ele então conduziu a kunoichi para dentro e ela pôde sentir uma brisa diferente afertar seu rosto delicadamente. O cheiro adocicado então vinha dali e a cada passo que davam podia sentir que o odor agradável ficava mais marcante. Certamente seria um lindo lugar.
Naruto acomodou-a delicadamente no que ela conseguiu definir como uma espécie de sofá fino, com o asento suave e impregnado daquele cheiro. Não sabia definir qual a origem, pois nunca sentira odor parecido. Seria um tipo de incenso, uma erva? A sensação de paz, de lar, de segurança... Todas embaladas naquele aroma misterioso.
O rapaz colocou-se frente a ela e da maneira mais gentil que podia, segurou suas mãos.
- Hinata, estamos enfim, onde queria te trazer.
- Sim? E onde estamos?
- Em algum lugar no antigo País do Redemoinho. Você sabe muito bem que as famílias possuem seus esconderijos e que eles são restritos aos membros do clã. Pois muito bem, você é a primeira pessoa não pertencente ao clã Uzumaki a adentrar neste local.
Ele viu a emoção representada pelo leve rubor da face dela. Era tão bom vê-la assim!
- Si-sinto-me honrada... Naruto-kun.
- Deixe disso... Ninguém vai brigar comigo, ou com você... Afinal, sou o último... E você AINDA não é uma Uzumaki... E isto apenas em teoria, porque para mim não existe outra para levar o nome da minha família adiante.
Então ele a beijou levemente, apenas acariciando os lábios dela.
- Quero que você saiba que este foi nosso último beijo.
Último beijo? Como assim? Aquela certeza de antes estava agora abalada por aquelas palavras. O que estaria acontecendo?
- O-o-o que... Foi que.. Que... Que e-e-e-eu fiz?
A risada dele ecoou por todo o lugar e tentou soar repreendedor, mas era visível que não conseguia esconder o tom cômico na voz.
- Hinata-sama — utilizou a maneira formal como o primo sempre se referia a ela — já disse que não quero que peça mais desculpas.
- Eu não... Queria... Me d...
Percebendo que estava prestes a pedir desculpas outra vez, calou-se.
- O que está acontecendo? Por que... Você... Não vai mais... Ficar comigo?
Novamente ele a beijos, com a mesma ternura.
- Droga, eu disse que tinha sido o último, mas fica esquecido o que eu disse antes, tá valendo agora, ok?
- Não... Não entendo... Naruto-kun... O que...
As mãos dele tocaram carinhosamente o rosto dela, demorando-se nas bandagens que protegiam os olhos perolados. Será que ela tinha esquecido?
- Ah, você esqueceu? Estamos na noite do décimo dia... Lembra-se? Nem mais nem menos... Exatos dez dias...
Ela temia aquele momento e até mesmo estava feliz porque ele não tocou no assunto momento algum. Seria aquele o momento dela decepcioná-lo? Hinata temia aquilo, porque sabia que poderia dar errado e aquela felicidade... Aqueles momentos...
Reagiu imediatamente, retirando as mãos dele de seu rosto. Seria mesmo?
- Então... Se... Se.... Se.... Não... Puder mais.... Você sabe... Será a última... Vez?
Ele novamente beijou-a, mas desta vez mais profundamente.
- Tá, esse agora foi o último, pare de ficar me provocando também! Minha menina... Não fique assim... Eu só quis dizer que... Bem... Este foi o último das nossas vidas incertas. A partir de agora, independente do que acontecer, você e eu não vamos duvidar de mais nada. Muito menos de nós, entende?
Hinata sentiu que ele estava realmente falando a verdade, que aquilo era o que passavam em seu coração... Todas as suas dúvidas ainda estavam lá, mas ele sempre dava forças para acreditar, ainda que num momento.
Mas e se...?
Ele não queria aquilo, o correto era ser forte, como ele. Dar provas para a pessoa que está se dedicando a mim de que poderia retribuir, ao menos um pouco. Posicionou as mãos dele novamente nas bandagens. Enfim, era a hora.
Naruto entendeu o que ela quis dizer e foi retirando os curativos lentamente, ela teria tempo para se preparar. O coração do rapaz estava tão contrito quanto o dela, mas durante aqueles dias conseguiu enxergar nela mais força que ela mesma acreditava ter. Estava preparada para aquilo e ele... Bem, ele tinha que estar, pois ela dependia daquilo.
Ao retirar todas as bandagens, retaram apenas chumaços de algodão, que estavam secos, ele retirou um por um e carinhosamente beijos os olhos dela, ainda fechados.
- Para dar sorte... Abra os olhos quando estiver pronta.
Pronta? Então seria nunca... Mas disposta a superar, sim, estava na hora. Lentamente ela abriu os olhos, da maneira mais tímida que conseguia, onde a escuridão fosse alcançável e segura caso sentisse medo. As mãos estavam entrelaçadas com as dele... E ela apertava gradativamente, à medida que as pálpebras eram forçadas a subir.
Até que estavam totalmente abertas.
Naruto estava em silêncio, mas todo seu corpo gritava por uma resposta. Mas o tempo de Hinata, era o tempo dela. Momentos se passaram, intermináveis. Seu coração já estava pesando com a possibilidade de tudo ter falhado, neste momento ele viu que o amor que sentia por ela era ainda maior, pois naquele momento, onde ele viu a opacidade ainda presente em seus olhos entendeu que jamais a amou tanto.
Opacidade?
A princípio foi apenas um clarão cegante, uma intensa luz, mas era uma luz que não existia ali antes. E essa luz traria tudo para ela, sabia disso. Seu interior corria em direção ao ponto mais intenso do brilho, incansavelmente, não queria perder o foco, não poderia ter deixado tudo ser em vão... O brilho intenso, o foco... Os olhos dele!
- Naruto-kun!
A moça jogou-se nos braços dele, fechando os olhos, envolta em escuridão. Mas desta vez, sabia que quando os abrisse novamente, ele estaria lá.
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