Linha alternativa
1 Episódio 1: Um pequeno fragmento de tempo
Notas iniciais
Eu estava olhando diretamente para Mrs. Grant que se posicionava logo à frente da sala, ela parecia estar explicando alguma coisa, mas eu não conseguia entender o que. Eu estava afogado em meus pensamentos que agora rondavam em torno dela, Max, Maxine, aquela linda garota de olhos azuis.
Ela era linda, e diferente de qualquer outra garota em Blackwell ela havia realmente chamado minha atenção. Eu estava fugindo dos estereótipos gostando dela, enquanto todos os garotos corriam atrás de tipo como a Dana, Juliet, etc ... eu apenas tinha olhos para Max.
Conseguia sentir meu coração entrar em chamas apenas de pensar naquela primeira vez que nossos olhos se cruzaram, aquela vez que eu passei na frente dela justo na hora que ela ia tirar uma foto de uma borboleta azul. Eu me lembrava de cada minuto desde que ela levantou aqueles lindos olhos ao encontro dos meus, enquanto ela me xingava por ter estragado a “foto da vida dela”.
O sinal que indicava o término da aula soou, fazendo com que eu me desligasse dos meus pensamentos. Levantei-me e comecei a arrumar os meus livros que se encontravam em cima da mesa, bagunçados e abertos em uma página aleatória.
̶̶̶̶ Ei cara, está tudo bem? Você parece meio desligado. – O garoto do meu lado cutucou o meu braço, meio preocupado. Os seus cabelos eram castanhos, e ele era um nerd bastante engraçado. Ele tinha um sorriso de lado, como quem tenta entender um enigma. Sua cabeça também pendia.
No pouco tempo que estava em Blackwell, tive muita sorte de ter logo de cara conhecido um amigo como o Warren, principalmente em uma escola no exterior. As pessoas geralmente não se comunicavam tanto em lugares assim.
̶̶̶̶ Ah, não Warren. Está tudo bem! – Respondi-lhe, dando um pequeno sorriso de canto. – Eu apenas fiquei meio distraído. – Ele assentiu com a cabeça, e começou a arrumar as suas coisas também. Por alguns segundos deixei meu pensamento vagar, até que uma voz tirou meus devaneios.
̶̶̶̶ Guilherme, venha aqui!– Ouvi a professora Grant me chamando, fazendo um sinal com as mãos.
Terminei de pegar meus livros e fui até ela. Estava curioso para saber o que ela queria de mim, mas meio apreensivo, pois sabia que uma bronca estava por vir. Ela respirou fundo antes de começar:
— Olha sei que é uma coisa difícil mudar de país e ficar longe dos pais e da família, ainda mais quando se é um adolescente com os hormônios aos saltos… Mas você precisa se concentrar mais! – Ralhou. Eu sabia que ela tinha notado, e realmente ela tinha razão. –Eu sempre vejo você olhando para mim, mas não tenho certeza se você está prestando atenção!
̶̶̶̶ Desculpe, eu apenas estou um pouco chocado com toda essa mudança. – Disse, coçando a nuca. Eu não sabia se era realmente verdade, mas foi a desculpa que serviu a ser dita. – Eu acho que preciso de um tempo até conseguir me ajeitar com o ritmo dos estudos.
Ela abaixou a cabeça por um momento. Pegou o apagador, seguiu até a lousa e começou apagá-la. Ela parecia pensar cuidadosamente no que ia falar, depois se virou para mim e continuou.
̶̶̶̶ Como você está lidando com tudo isso? – Cruzou os braços sobre o peito. Suas feições estavam sérias.
̶̶̶̶ Eu até que estou indo muito bem... Eu até já fiz um amigo.– Sorri, de forma que ela não se preocupasse tanto comigo.
̶̶̶̶ Sim, fico muito feliz de ver que você está começando a se enturmar. Principalmente com o Warren, ele sempre foi muito solitário aqui, raramente via o conversando com os outros garotos, ele é um dos meus melhores alunos e... –Ela parou por um momento e ficou pensativa. — Olha, vou deixar essa passar, mas mais concentração na aula! – Ela me advertiu, apontando o dedo para mim. Apesar das feições sérias, ela carregava um sorriso leve nos lábios finos.
̶̶̶̶ Eu prometo ficar mais atento! – Sorri afetuosamente. – Até mais Mrs. Grant. – Eu acenei e coloquei a mochila nos ombros.
Warren já não estava mais na sala, então decidi seguir sozinho. Ao abrir a porta me deparei com a imagem do paraíso, Max, sim ela estava bem do outro lado do corredor. Suspirei.
“Como ela é linda.”-Pensei, enquanto olhava fixamente para ela.
A garota estava colocando os fones encostada em uma parede do lado oposto à porta da sala de ciências, e eu não podia parar de notar sua beleza, ela era simplesmente perfeita!
Eu a admirava desde aquelas sardas tão fofas que acentuavam seu rosto até aquele lindo contraste que seu cabelo fazia com seus olhos. Assim que terminou de colocar o aparelho em suas delicadas orelhas, seguiu em direção ao banheiro das meninas enquanto observava as pessoas ao redor. Era como se as quisesse conhecer através do olhar, como se fossem janelas.
̶̶̶̶ Ei cara, fecha essa boca! – Senti alguém me sacudindo. – Parece que está sonhando acordado.
̶̶̶̶ Hã? O que? – Saí de meus devaneios e me deparei com o sorriso cheio de dentes do Warren.
̶̶̶̶ É, você estava praticamente babando enquanto olhava para Max. – Ele se se dirigiu ao seu armário enquanto eu caminhava atrás dele, demonstrando timidez.
̶̶̶̶ Eu não estou apaixonado por ela! – Retruquei.
̶̶̶̶ Mas eu não disse isso. — Ele procurava algo no seu armário e guardava os livros de ciências já usados.
̶̶̶̶ Não? – Eu perguntei, sentindo o meu rosto queimar um pouco.
̶̶̶̶ Não. – Deu uma de suas risadas irônicas e debochadas.
̶̶̶̶ Mas foi o que você quis pontuar... – Concluí, abaixando o tom de voz.
Respirei fundo e comecei a caminhar pelo corredor, Warren me acompanhava mesmo sem dizer nada.
Assim que chegamos à parte mais ampla, mais na frente, olhei diretamente para o banheiro feminino e senti algo estranho. Como se alguém estivesse passando um cubo de gelo no meu tórax. Estremeci levemente, seguido de uma forte dor de cabeça diferente de qualquer coisa que já houvesse sentido, era como se alguém estivesse colocando arames farpados no meu cérebro enquanto ele por sua vez pressionava-se fortemente os quatro cantos, levei as mãos a cabeça tentando conter a dor.
̶̶̶̶ Você está bem? – Warren indagou. Sua voz saiu preocupada, e sua mão direita tocava levemente meu cotovelo. Parecia que ele estava pronto para me segurar caso eu desmaiasse.
̶̶̶̶ Sim, eu apenas estou com um mal pressentimento. – Suspirei meio inquieto e levantando levemente a cabeça.
Sentia que algo de ruim iria acontecer, mas não dei bola e apenas segui para a entradada escola.
Um barulho alto e estrondoso ecoou pelo corredor, fazendo com que eu ficasse surdo por poucos segundos. Olhei assustado em volta. Aquele barulho só poderia ser de uma coisa: tiro.
E aquele tiro tinha vindo de um lugar ali perto. Olhei em volta e gelei quando notei que o som tinha vindo do banheiro feminino.
Todos ficaram estáticos por um momento, estávamos tentando entender o que tinha acontecido, todos fitavam a porta procurando saber se o barulho realmente vinha de lá de dentro. Mas eu não tive dúvidas, e em um pulo, corri para dentro do local.
Assim que abri a porta meu coração ficou menos inquieto ao ver que Max estava bem, apesar de sua aparência destruída.
̶̶̶̶ Oh meu Deus! Chloe! – Ela gritava, totalmente confusa e desesperada e lágrimas escorriam lentamente por sua feição apavorada.
̶̶̶̶ Não, não, não! – Um garoto se estava com as mãos na cabeça e se afastava do corpo da menina lentamente.
̶̶̶̶ Max, você está bem? – Ajoelhei-me ao lado dela, manchando um pouco de minha calça com o sangue da garota.
̶̶̶̶ C-Chame uma ambulância, rápido! – Ela falava com certa dificuldade devido ao choro e à respiração acelerada. – Por favor, Chloe, não morra! – Seu desespero me deixava agoniado e de coração partido.
Peguei o celular pronto para discar 192 quando lembrei que não estava no Brasil e que o número da emergência era diferente em outro país. Estava perdido, e me sentia inútil por não saber para onde ligar neste tipo de situação. Levantei-me rapidamente e olhei ao redor, encontrando um Warren boquiaberto.
̶̶̶̶ Warren, liga para a ambulância, rápido! – Disse estendendo o celular para ele. Ele o agarrou rapidamente e começou a ligar.
O chefe de segurança de Blackwell entrou no banheiro também, de súbito, ele parecia revoltado com a grande concentração de alunos no banheiro feminino. Mas ao se deparar com o ocorrido, sua feição mudou de desdém para agonia.
̶̶̶̶ Não, meu Deus, Chloe! – Caiu ao lado do corpo imerso. Se o silêncio fosse mantido, daria para sentir o ar parado e ouvir o som dos corações batendo ao enfrentar a realidade. Ele pegou seu braço frágil e tentou encontrar pulso, depois colocou as mãos sobre o peito dela e tentou checar se ela respirava enquanto outras pessoas foram entrando ao recinto.
Passou alguns minutos até que a ambulância chegasse para pegar a garota e levá-la, Max ficou em choque e a seguiu até ser barrada na entrada da ambulância. Eu assistia a tudo, claramente chocado. Permaneci calado enquanto os procedimentos eram tomados e a menina era levada para o hospital em uma ambulância de sirene ligada. Essas coisas nunca representavam boa coisa.
(...)
Quando me dei conta já era noite e eu estava em meu quarto. E em um súbito movimento coloquei a mão sobre minha testa, inclinei-me na cadeira em que estava sentado e olhei ao redor. O quarto era tanto quanto comum, era igual a qualquer outro, tem um formato retangular, com um pequeno armário embutido no canto, uma escrivaninha e uma cama que ficava no lado esquerdo e a escrivaninha por sua vez ficava encostada à parede do lado direito do local, mas, além disso, não havia muitas outras coisas; já que era recém chegado e ainda não havia tido tempo para ter comprado nada para decorar um pouco mais. Meu pai tinha me dado mil dólares como um presente de aniversário, além da promessa de me mandar um dinheiro mensalmente.
Voltei-me novamente para a escrivaninha e me deparei com aquela enorme quantidade de livros amontoados nela, todos de escola. Provavelmente após o ocorrido eu tivesse me afundado nos estudos. Eu ainda tentava lembrar o que havia acontecido, era como se meu corpo tivesse ligado o modo automático e eu só tivesse me dado conta de estar fazendo algo naquele momento.
Tudo estava muito escuro e quieto, algo incomum para o dormitório dos garotos, principalmente quando seu “vizinho” é um gamer. O som do meu celular e cortou o silencio daquele lugar, era o Warren me mandando uma mensagem.
“Oi Já conseguiu dormir?”
“Uma menina foi baleada, claro que eu não vou conseguir dormir.”
“Nem eu… Quais motivos você acha que o Nathan teria para atirar naquela garota?”
“Não sei, eu só estudo aqui a umas semanas. Esse é o tipo de coisa que você deveria saber”
“Eu não sou mt do tipo fofoqueiro para saber tudo que rola aqui.”
“Você acha que a Max está bem?”
“Ela com certeza não está. Você não viu o jeito que ela estava chorando no banheiro? Pelo que eu soube ela nem voltou do hospital ainda.”
Vi a mensagem e joguei o celular na cama um pouco revoltado, saber que ela estava mal fazia meu sangue ferver. Provavelmente, ela, tinha ficado o dia inteiro ao lado daquela menina, mas afinal, qual era a relação delas? Eram amigas? Irmãs? Namora...
Fiquei um pouco pensativo com a possibilidade; se elas fossem namoradas significaria que eu não teria chance alguma.
“Será que elas estavam se pegando no banheiro?” – Sacudi a cabeça rapidamente como se quisesse interromper aquele pensamento, eu não gostava nem de pensar nas intimidades dos outros, mesmo que fosse apenas por pensamento.
Outra mensagem do Warren no meu celular chamou minha atenção. Deitei-me na cama e então peguei o celular que estava quase caindo no buraco da divisão com a parede.
"Vou visitá-la amanhã, você quer vir?”
“Claro! Que horas você vai?”
“Depois da aula da Mrs. Grant.”
“Te vejo amanhã então, boa noite ~XoGui “
Desliguei o celular e então fui me trocar. Peguei um pijama com o qual eu costumava dormir e então me deitei naquela cama que agora parecia mais um cubo de gelo, mas a medida que me cobria com aquele cobertor quentinho fui sentindo o calor subir pelo meu corpo. Era uma ótima sensação.
Eu apenas não consegui dormir, olhava para aquele imenso lugar escuro iluminado pelo fulgor da lua cheia que banhava suavemente aquele local e eu pensava na Max, e em como ela estaria reagindo a tudo aquilo sozinha. Logo me veio à mente que ela teria os pais para consolá-la, mas mesmo assim, eu queria estar lá para ajudá-la, mesmo que ela não confiasse em mim, mesmo sabendo que provavelmente levaria um fora. Eu queria estar lá.
Meu quarto naquela noite não estava igual ao dos outros dias, eu sentia uma presença sobrenatural ali, como se alguém estivesse me observando. Por isso, eu estava morrendo de medo de alguma coisa aparecer do nada e me matar de susto, com meu corpo, em choque, eu não tinha coragem de mover minhas mãos até o abajur para trazer-me um pouco de segurança. A pior parte daquilo tudo é que eu só conseguia dormir virado para à parede, o que me deixava com ainda mais medo.
Fechei os olhos, inutilmente, tentando apenas ignorar meu incômodo com aquela posição, virei-me, lentamente, como se estivesse evitando de fazer algum ruído que atraísse algo para cima de mim, e, então, fiquei de bruços para ver se conseguia ao menos diminuir o incomodo a ponto de conseguir adormecer. Com isto, a imagem da Max, me veio subitamente na memória. Eu lembrava claramente da cena no banheiro. Seu cabelo, curto e castanho, estava colado ao rosto, e de seus lindos olhos azuis saiam lágrimas doloridas que escorriam por suas bochechas, as quais, eram cobertas de sardas desconexas. Eu achava todos aqueles detalhes parte de sua perfeição, ela conseguia ser linda, mesmo estando em desespero.
Enquanto mantinha o pensamento nela, virei-me rapidamente e acendi o abajur. A luz amarelada trouxe alguma vida ao quarto silencioso e monótono, me dando paz de espírito. Novamente, virei-me para a parede e fechei os olhos, focando em dormir.
(...)
Acordei no meio da noite com um barulho de choro, era um grunhido meio estridente e sofrido, sua nitidez fazia-me acreditar que, seja lá o que fosse, estava no meu quarto. Meus cabelos se eriçaram e minha coluna ficou ereta. Agucei os ouvidos e alternei a respiração.
“Eu sabia!” - Recriminei-me mentalmente.
O acontecimento me deixou sem reação, apenas fiquei ouvindo aquela horrível trilha de horror no meu quarto. Tive a ideia de me virar lentamente para tentar ver o que era. Fingi que estava dormindo e mantive os olhos semicerrados. Virei-me ao encontro da escrivaninha encostada na parede, porém, mesmo assim, não consegui ver o que estava ali. Suspeitei que ela estaria no mini sofá que, por padrão, era colocado em todos os quartos em Blackwell. Engoli em seco e desci minha visão, lentamente, enquanto puxava o cobertor para me dar visão. Uma garota estava no quarto, e, realmente, estava no sofá, eu sabia que ela não era humana, eu conseguia sentir o frio de seu corpo mesmo em baixo daquelas cobertas que deviam me deixar quente. A minha reação instintiva seria gritar, mas, aquela situação, pareceu roubar qualquer resquício de voz que eu tinha.
A garota não era exatamente colorida, ela era em algumas partes preta e em outras totalmente branca, como em uma foto negativa.
Meu coração parecia ter vontade de sair pela boca, senti meus dedos das mãos congelarem e um frio tomar conta do meu corpo, como se eu estivesse na neve sem casaco. O medo me dominava por completo, todo o meu corpo estava rígido e atento para qualquer movimento suspeito da criatura parada em meu quarto.
Minha primeira vontade foi acender o abajur que tinha se apagado, mas eu não tinha coragem de mostrar que eu estava acordado. Minha segunda vontade voltou-se novamente a gritar, pois havia um monte de garotos ao redor e eles com certeza entrariam correndo no quarto e surpreenderiam a garota, mas mesmo assim, eu não tinha coragem. Meus músculos estavam estáticos, como se não respondessem meus comandos.
Uma voz que parecia mais distante me surpreendeu. Agucei os ouvidos e prendi a respiração.
̶̶̶̶ Ajude-me! –O fantasma falava.
Meus músculos relaxaram, e então pude tomar alguma atitude. Tirei lentamente o cobertor de cima de mim e fui me aproximando da garota.
–Ajude-me! – Ela repetiu, suplicando por ajuda. Seu rosto tinha uma expressão chorosa e dolorida.
̶̶̶̶ O... Oi? – Tentei pronunciar, mas minha voz saiu falhada por conta do medo.
̶̶̶̶ Venha! – O fantasma se levantou e passou pela porta quase como em um flash.
Fiquei em choque por alguns minutos olhando ao redor como se procurasse alguma explicação lógica para aquilo. Pensei em mandar uma mensagem para Warren, mas não. Meu corpo agiu totalmente sozinho naquele momento, como se ela estivesse me obrigando a me mexer, mas, ela, não parecia estar me puxando, eu apenas estava andando sem meu próprio consentimento, e então, sem opção, comecei a segui-la.
O corredor do dormitório parecia mais maligno do que o normal, estava cheio de fotos bizarras nas paredes e alguma espécie de ondas negativas pareciam dançar na escuridão. A lua cheia brilhava no fundo do corredor dando a única claridade do local, aquela cena era assustadoramente bem planejada e linda, algo digno de uma foto.
Ela andou pelo corredor do dormitório até chegar em uma parede na virada do campus, já do lado de fora, onde, ela desapareceu.
Já estava desistindo da ideia maluca de seguir um fantasma, quando, fui surpreendido por Mark Jeferson, que conversava com o diretor.
Dei dois passos para trás e então fiquei quieto para ouvir do que eles falavam.
̶̶̶̶ O Nathan não pode abrir a boca! – O diretor falou com um tom preocupado.
̶̶̶̶ Sim, mas se ele falar quem vai acreditar?! – Mark questionou. Sua voz era determinada, havia certeza nela.
̶̶̶̶ Em todo caso acho melhor encontrarmos ele ou ela, seja lá quem for logo. – O diretor parecia cansado, como se não dormisse a séculos.
̶̶̶̶ Não é uma tarefa tão fácil, certo? Estamos trabalhando duro para achá-lo, ou achá-la e assim que o fizermos tudo isso acaba, não vai demorar muito. – Mark falou cruzando os braços.
̶̶̶̶ Será que aquela coisa nunca está satisfeita?- O diretor colocou a mão na testa.
̶̶̶̶ Ele só vai parar quando acharmos ele, ou ela... Enfim temos de voltar às buscas.
̶̶̶̶ Você sabe como me sinto tendo de raptar essas pessoas para joga-las lá? – Ele se sentou pegando um copo de whisky com alguns cubos de gelo. Seu rosto estava repleto de suor e suas roupas estavam amarrotadas.
̶̶̶̶ Eu sei, eu sei, mas, um dia, nós vamos acertar. Tenha só mais um pouco de paciência. E sobre o Nathan, não se preocupe, ele sabe que tudo isso é para o bem de todos. – Aquela era uma resposta conclusiva que colocava fim à discussão. O professor se despediu, deixando o outro com a bebida entre as mãos um pouco gordas.
Com o medo e a tensão me dominando, voltei para o meu dormitório e joguei-me na cama de lençóis frios. Meu corpo demonstrava cansaço e meus olhos não paravam de pedir por descanso. Virei-me novamente, optando por deixar a luz acesa como prevenção. Aos poucos, fui me afundando em sonhos estranhos e sem conexão. Todos envolviam a fantasma, e a conversa dos dois homens, coisa que só seria processada quando eu estivesse disposto a pensar na manhã seguinte.
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