Linha Tênue
41 Capítulo 41
Notas iniciais
Desfrutem.
“Por seres tão inventivo e pareceres contínuo, tempo tempo tempo tempo. És um dos deuses mais lindos...”– Trecho 3. Oração ao Tempo – Maria Gadú.
Já fazia um mês desde que Fatinha estava devidamente divorciada de Arthur, e ela havia feito como o combinado trouxe Florença com a mãe até o seu apartamento, ofereceu-lhes um lanche, levou a menina até o andar de Bruno. O mesmo brincou com ela, tinha adquirido um grande carinho pela criança, mesmo em tão pouco tempo. Teodora e Florença já tinham voltado pra Espanha, agora o destino das duas seria travado lá com Arthur.
Fatinha estava jantando com Juliana no shopping, comiam no japonês quando Ju sentiu o que aparentava ser uma pontada, ela fez uma careta e tentou disfarçar mais a amiga logo percebeu.
– Juliana, você esta sentindo alguma coisa? — ela prontamente largou o hashi ao lado da tigela de yakisoba e foi até o outro lado da mesa onde Ju estava.
– Não... É só uma pontada, só uma ponta... Ai! — Ju mordeu os lábios com força tentando controlar a dor.
– Juliana, fica calma. Você esta entrando em trabalho de parto, eu preciso que você me ajude. — Fatinha falou calmamente. E a morena assentiu já choramingando. — não chore eu vou te levar pro hospital, vamos entrar em contato com a sua obstetra no caminho, esta bem? — a morena novamente assentiu. Fatinha a deixou sozinha um instante pra ir até o balcão acertar a conta, o fez e voltou para ajudá-la a se levantar e foi caminhando junto com ela até o carro.
– Amiga, amiga pelo amor de Deus tá doendo muito. — Ju murmurou já acomodada no banco do carona.
– Se acalma Ju, nós já estamos indo pro hospital. — Fatinha deu a partida no carro e saiu pelas ruas da cidade até o caminho do hospital.
– Ai meu Deus, minha mala, a mala da Beta. Liga pro Gil, manda ele levar tudo, por favor. Agora Fat! — Juliana pediu mais calma, afinal ela tinha lido sobre os primeiros partos serem demorados.
– Vou ligar, respira fundo ai! — a loira catou seu celular nos bolsos da calça, quando achou discou o numero de Gil que no quarto toque atendeu.
– Alô? — Gil que estava cochilando no sofá, atendeu afoito ao ver no identificador o nome de Fatinha.
– Gil, a Ju esta entrando em trabalho de parto. Preciso que você vá para o hospital o mais rápido possível e leve a mala dela e da filhotinha. — ela soltou tudo de uma vez. E ele pareceu morrer do outro lado da linha. — GIL, ACORDA HOSPITAL AGORA! — foi preciso que ela gritar pra tirá-lo do transe.
– Já entendi, minha filha vai nascer, tenho que ir pro hospital, malas, marta... ai meu pai, eu não vou agüentar. Posso ligar pra minha mãe?
– Contanto que você voe pra lá agora, Gilberto. Ou eu nunca mais eu olharei na sua cara! — Juliana gritou com o namorado. Ela havia tirado o telefone da mão de Fatinha, ou aconteceria um acidente.
– Calma Ju, eu já estou indo. — ele nem esperou resposta desligou e já foi pegar tudo o que a namorada tinha pedido. Arrumou tudo direitinho, e saiu tão apressado que esqueceu as chaves de carro. Voltou se xingando em pensamentos, pegou as chaves e desceu agora pegando o carro e indo em direção do hospital.
As duas chegaram ao hospital e pra surpresa de Fatinha, Juliana estava calma. Saiu caminhando do carro e foi até a recepção.
– Oi, boa noite! — cumprimentou a recepcionista que devolveu o cumprimentou com um aceno. — Então, eu estou em trabalho de parto, sim, minha filha vai nascer. E eu preciso da minha obstetra. — a recepcionista a olhou assustada. Pegou o telefone e discou uns números no mesmo, devolveu-o a base. — AI! ARGH isso esta doendo, vamos logo moça! — Juliana gritou pra mulher e virou-se pra procurar a amiga, não avistou Fatinha e se desesperou. Começou um choro fino.
– Voltei! Vamos, eu vou te levar lá pra dentro. E você vai fazer tudo o que a outra medica disser, ok? — a morena assentiu. — Ótimo, agora vamos! Luíza, o namorado dela já deve estar chegando, peça a ele que preencha a ficha da paciente, ok? — a loira pediu a recepcionista que assentiu e então Fatinha pôde seguir com Juliana até a sala de pré-parto.
Na sala, que na verdade era uma suíte que as grávidas ficavam antes da hora do bebê nascer à doutora Viviana já esperava a nova mamãe já devidamente paramentada. Ela e Fatinha ajudaram Juliana a se deitar e a doutora começou uma serie de perguntas pra ela.
– Ju essas suas dores estão vindo de quanto em quanto tempo? — a mulher perguntou.
– Estão vindo três contrações a cada 5 minutos. — Ju respondeu enquanto controlava a respiração.
– Ótimo, vamos fazer o seguinte vá até o banheiro, tomei um banho e se vista com a camisola. Depois eu vou te examinar, ok? — A morena assentiu e desceu na cama com a ajuda da agora, amiga e cunhada.
Juliana fez o que a médica pediu, tomou um banho morno vestiu-se e voltou ao quarto, a medica estava a sua espera.
– vou fazer um exame de toque em você, para saber quanto tá a sua dilatação, esta bem? — a morena assentiu e se acomodou para o exame. A medica a examinou da forma necessária e constatou que ainda ia demorar um pouco, pois a morena ainda estava com quatro centímetros de dilatação. — Ju, a Roberta ainda vai demorar mais um pouquinho pra nascer, você ainda esta com pouca dilatação. Vamos fazer assim, que tal você dormir um pouco? E se quando acordar a Roberta já estiver preparada pra nascer, daremos inicio ao parto, tudo bem?
– Sim, doutora. Eu vou tentar dormir, mais eu quero o Gil. — ela choramingou e a loira fez carinho nos cabelos dela.
– Faz assim, descansa que eu vou lá fora ver, com certeza ele já esta lá mais perdido que cego em tiroteio. — a loira sorriu tentando acalmar a amiga.
– Aham, mais trás ele! — ela pediu em um sussurro estava começando a ficar com sono.
Viviana e Fatinha saíram do quarto e foram até a recepção. E a loira parecia ter adivinhado aquilo mais parecia um pandemônio, Marta e Olavo em um canto, Marcela e Lorenzo em outro, Gil? Ah esse estava enlouquecendo Bruno e a recepcionista no balcão.
– O que esta acontecendo aqui? — Viviana perguntou e Gil quando ouviu a voz da médica correu até ela.
– Cadê a Ju doutora? E a minha filha?
– Gil, calma. Juliana esta descansando, ainda vai demorar pra filha de vocês nascer. — ele assentiu e foi abraçar a mãe.
– Aham, mais eu posso ir vê-la? — ele perguntou enquanto enxugava uma lagrima que caia de seus olhos.
– Se você prometer ficar calmo, eu deixo você ir! — ela sorriu terna, sabia que desde o começo da gravidez de Ju, fora Gil o mais nervoso sempre.
– Eu estou calmo, me deixar entrar lá logo!
– Tudo bem, vá com a doutora Maria. — a mulher ordenou e ele saiu caminhando ao lado de Fatinha até o quarto de Ju.
Todos ficaram o restante da noite e o começo da madrugada ali na sala de espera, esperando pela chegada de Roberta. Que veio ao mundo às quarto da manhã, pesando 4 quilos e 459 gramas, fazendo o papai, a mamãe e a dinda, que acompanhou todo o parto de perto, chorarem feito criança. Depois de conhecer os papais, Roberta foi pro colinho da dinda, iria passar pelos exames de rotina de um recém-nascido. Foi feito o teste do pézinho, da orelhinha, aspiraram o liquido da boquinha da menina e a devolveram pra mamãe, ela precisava ficar quentinha. A loira que foi encarregada de ir dar a noticia pros avos e tios lá fora. Marta e Marcela choraram abraçadas, Olavo sorria bobo, assim como Bruno e Lourenço.
– Como ela é? — Bruno perguntou pra loira.
– É linda, moreninha os cabelinhos são pretos parecidos com os do Gil! — ela exclamou o abraçando.
– E quando poderemos vê-la? — Marta perguntou nervosa.
– Já devem estar levando ela pro berçário, vocês já pode ir pra lá. Agora a Ju não vai receber visita, ela precisa descansar. — todos anuíram concordando.
Eles foram até o berçário e se amontoaram na parede de vidro procurando alguma garotinha de aparência parecida com Juliana... Gil logo apareceu do lado de dentro do vidro segurando uma menininha morena e cabeluda nos braços. O papai babão foi até o vidro com a menininha ainda só de fralda e com a pulseirinha de identificação.
– Olavo ela é linda! – Marta exclamou emocionada para o marido enquanto olhava a neta através do vidro.
– É mesmo e grande. Benza Deus! – Ele também elogiou todo babão.
– Filho ela é linda mesmo, grande e de aparência saudável. – Marcela falava com o filho e sorria ao ver a cara de choro que Gil sustentava.
A enfermeira tirou a menina dos braços do pai e a colocou na cama que lhe fora resignada.
E todos foram até o café do hospital, aliás, alguns, pois marta e marcela foram até o apartamento da morena arrumar tudo pra chegada da mamãe e do bebe... Em três dias as duas já estavam bem e em casa, Marta e Marcela revezavam para dormir com Ju e Roberta, apenas com finalidade de ajudar dos cuidados com a neta.
Dois meses após o nascimento da mascote da família haviam se passado e Lia, Fat, Rita, Morgana e Ju estavam arrumando a casa para um bolinho de “mesversários” pra Roberta. Dois meses de vida e já encantava a todos, como já era esperado, ela foi batizada por Fatinha, Bruno e Lia. O casal foram os padrinhos de batismo e Lia de consagração. Sem brigas e nem ciúmes.
A relação de Bruno e Fatinha não poderia estar melhor, os amigos eram agora namorados oficiais. Com o aval e consentimento de todos. E mesmo se ninguém concordasse, pra eles pouco importava o que era importante ali era o amor que um sentia pelo outro. Muitos planos eram feitos pra ser executado dali a uns dez meses ou mais. Quando finalmente poderiam se casar e casar na verdade nem era uma vontade grande pra ambos, pra eles estavam bom do jeito que estava mais como o amanha era incerto, não custava planejar. Futuro é futuro né?
Roberta Menezes Porto — recém nascida e dois meses
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