Notas iniciais
E vocês pensando que eu não apareceria, né? Apareci em um final de domingo bem propício para uma leitura. Espero que gostem, até as notas finais.

Look the real me is really still the real me

I swear you gotta feel me before they try and kill me.

▬ In my feelings, Drake. ▬

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Haviam se passado longos sete anos desde a quase batalha contra os Volturi. Algumas coisas haviam mudado, outras nem tanto. Apesar de não ter muito tempo disponível, graças às rondas constantes da matilha, eu resolvi voltar a estudar. Conclui meu ensino médio e com o tempo, Jake me ensinou a amar carros tanto quanto ele, o que me fez querer estudar ainda mais.

Fiz vários cursos sobre mecânica e comecei a trabalhar na oficina do Carl, uma das mais antigas de Forks, e onde eu aprendi muito mais do que em qualquer curso que havia feito. Eu trabalhava em carros de última geração e até mais antigos em processo de reforma. E eu não tinha como negar, eu amava meu trabalho, amava o cheiro do motor, os barulhos incessantes e até do sorriso frouxo de Carl.

Devido à ainda estar na matilha, eu não mudei muito. Na verdade, fisicamente eu havia crescido bastante, agora media por volta de 2,10 cm de altura e meu peso se baseava a músculos. Não que eu me importasse com a academia, na verdade nunca havia ido a uma, mas as longas rondas faziam seu trabalho muito bem. Deixei meus cabelos crescerem, hoje eles estão abaixo dos meus ombros, para que disfarçassem mais o meu rosto, que deveria aparentar ter 22 anos, mas ainda era o mesmo que eu possuía aos 16.

“Ei cabeludo, preciso de uma forcinha aqui!” Carl me chamou enquanto deslizava de baixo de um silverado¹ preto.

“Achei que você não fosse o tipo de cara que pede ajuda, velhote” Respondi indo correndo o socorrer enquanto gargalhava.

“Não esqueça que eu ainda sou seu chefe, seu bundão” Resmungou enquanto apontava aonde eu deveria mexer. Eu gargalhei novamente. Peguei uma nova correia dentada e a posicionei no local correto, esse era o único problema do carro, mas a dona sempre arrumava um jeito de trazê-lo para a sua oficina novamente.

“Eu já até me cansei de olhar esse carro. Ela traz aqui toda semana. Não que eu esteja reclamando, dinheiro é dinheiro, mas não acho que ela esteja interessada na minha barriga de tanquinho” Ele disse enquanto esfregava sua barriga de cerveja, que ele sempre disse ter muito orgulho.

“E como não? Ela é louca por esses seus cabelos brancos” Ri enquanto amarrava os meus cabelos.

“Não diga isso à Marlene, ela comeria meu fígado se soubesse que tem alguma mulher rondando, mesmo que não esteja. Não consigo entender como depois de quase 40 anos de casamento essa mulher ainda tem ciúmes como se fôssemos namorados.” Eu sorri quando olhava para ele suavizar o olhar só de pensar nela, Marlene era realmente uma mulher incrível. “Você deveria dar uma chance a Nora, ela é uma garota legal e muito interessante”. Ele continuou.

Carl não estava mentindo, Nora era realmente uma mulher interessante, era uma morena de olhos dourados e um corpo bonito, estava na minha faixa de idade. Nos conhecemos no consultório do meu dentista, onde ela trabalha na recepção. Saímos muitas vezes, transamos na maioria delas, mas não passou disso, pelo menos pra mim. Passados dois meses do nosso último encontro, Nora ainda me ligava, trazia seu carro para consertar toda semana e sempre que o vinha buscar, estava bem perfumada.

“Eu sei que ela é, por isso não pude prolongar isso. Nora merece ser amada Carl e eu não posso dar isso a ela, não totalmente. “ Expliquei evitando pensar sobre ainda ter esperanças de ter um imprinting, coisa que me rondava desde que Jacob teve o seu com Renesmee.

“Eu entendo, espero que um dia essa garota que tanto procura pareça, rapaz.” Disse me dando um afago no ombro e sorrindo gentilmente. “Agora arraste sua bunda daí porque já deu sua hora.” Completou e eu sorri. Somente Carl sabia muito bem ser amoroso e brigão em uma mesma frase.

Me afastei indo buscar minhas coisas no pequeno escritório que ficava no fundo da oficina. Já passavam das 17 horas e ao ligar meu celular haviam várias ligações e mensagens tanto dos meus amigos e de algumas outras garotas que estava me envolvendo, mas apenas uma me chamou atenção, uma mensagem de minha mãe, Sue.

“Querido, venha jantar conosco hoje, sei que é sua ronda e que vai estar cansado demais para fazer algo descente para comer.

Farei bistecas.

Te amo e estou com saudades.

Mamãe.”

Ao ler a mensagem eu sorri instantaneamente, minha mãe sabia muito bem como me fazer jantar com ela, eu amava bistecas. Entrei no meu carro, um Opala 65 com muita personalidade, e fui direto para a casa dela e de seu novo marido, Charlie Swan, o xerife da cidade.

Foram apenas cinco minutos de carro pelas ruas cinzas e úmidas de Forks, mas assim que encostei próximo a calçada da pequena casa de cor clara, pude ver minha mãe com um enorme sorriso no rosto, me aguardando na varanda.

“Querido!” Ela me saudou com um forte abraço e eu a levantei do chão para que pudesse a abraçar melhor, algo que a pegou desprevenida pois deu um gritinho e depois gargalhou.

“Oi, mãe!” Terminei o abraço com um doce beijo no rosto e a segui para dentro da casa.

Sue Clearwater era linda, beirava os 55 anos de idade, era baixinha, magra e com longos cabelos negros. Uma verdadeira índia. Seus cabelos estavam trançados e ela falava sobre algo que eu não entendi bem, mas suspeitava que fosse sobre Leah, minha irmã mais velha e o motivo da maioria dos cabelos brancos que apareceram em minha mãe.

A casa de Charlie não era muito grande e por isso não precisei aguçar muito os ouvidos para ouvi-lo na cozinha. Quando chegamos lá, ele estava no telefone, acenou pra mim e sorriu.

“Billy, eu sei que precisa de uma certa pressa, mas o Dr. Nolan está enviando a papelada hoje mesmo. O juiz Sanders já aprovou, a guarda dela é sua.” Explicou Charlie ao telefone em sua voz amena.

No mesmo momento olhei para minha mãe que colocava os pratos enquanto eu recolhia os talheres da gaveta.

“Depois explico” ela sussurrou e continuou colocando a mesa.

“Sim, Billy, conversei com Jacob mais cedo e ele estará aí com os rapazes no fim de semana para a mudança.”

“Charlie, muito obrigado! Essas últimas semanas tem sido difíceis e agora que Karen se foi, quero que Lilly tenha um lugar tranquilo para se estar.” Ouvi com minha audição lupina Billy ao telefone.

Meu estômago deu um pulo no mesmo instante, aquilo cheirava a problema e dos grandes.

Assim que Charlie desligou, me cumprimentou corretamente. Ele era um homem bom para minha mãe, era carinhoso e honesto, foi um sopro de felicidade que aconteceu em sua vida depois da morte de meu pai, Harry, há alguns anos.

“Não sei se Jacob chegou a comentar com você o que está acontecendo.” Iniciou Charlie se sentando na minha frente à mesa. Como não respondi, ele prosseguiu.

“Uma amiga de infância de Sarah estava lutando contra um câncer há alguns anos, e há poucos dias ela veio a falecer. Mas deixou uma filha, Lillian e apesar de ainda ter alguns familiares distantes ainda vivos, Karen pediu para que Billy cuidasse dela, já que sempre confiou muito nele e em Sarah.” Ele suspirou e eu assenti devagar. Eu sabia muito bem como era perder um parente tão próximo, esperava que a garota encontrasse um lar em La Push e que pudesse ser feliz por aqui.

Logo depois minha mãe começou um assunto sobre a reserva e sobre as rondas, me perguntou sobre o trabalho e no final, já estava falando sobre futebol com Charlie. O fim da refeição foi maravilhoso, por estar em família e preciso confessar, as bistecas da minha mãe são as melhores.

Por volta das oito da noite, novamente me encaminhei ao meu carro, daqui a uma hora eu precisaria cobrir a ronda de Embry e para isso, eu precisava tomar um banho e tirar o macacão da oficina. Foram apenas vinte minutos de estrada pela rodovia que ligava Forks a La Push, Starboy tocava ao fundo, eu cantarolava e batucava no momento em que estacionei o carro em frente à minha casa.

Ela não era muita coisa, era uma pequena casa de madeira rústica, muito semelhante a um chalé. Ela era bem simples, não havia nada de última geração, mas era meu lar. Não podia dizer que era uma casa organizada, porque seria uma grande mentira, mas eu tentava.

Corri para dentro da casa enquanto ia me despindo pelo caminho até o pequeno banheiro. Não me dei o luxo de demorar muito no banho, mas deixei a água cair por meu corpo e cabelos de uma forma que consegui aliviar meus músculos para conseguir estar tranquilo para uma ronda de doze horas.

“Seth, está por ai?” Ouvi a voz de Jake na porta enquanto vestia a bermuda em meu quarto bagunçado.

“Estou, cara. Entre, a porta está aberta.” Disse me encaminhando para a pequena sala, indo encontrar meu alpha. O cumprimentei com um soquinho no ombro, que era algo nosso, desde o começo. “Aconteceu algo?” Perguntei me sentando no sofá e ele se aconchegou na poltrona na minha frente.

“Não é exatamente um problema, mas eu vou precisar da sua ajuda.”

“Pode falar”

“Bem, meu pai-“ o interrompi dando um sorriso fraco.

“Eu sei, Jake, sinto muito” Ele assentiu e olhou para o chão. Jake é mais que meu alpha, é um amigo e eu senti a tristeza que inundava seu coração.

“Ela era minha madrinha. Não nos vimos muito desde que ela ficou doente devido a matilha, mas eu a amava muito, estávamos sempre nos falando por telefone. Estou triste por Lilly também.” Ele disse baixo e suspirou.

“Vá ficar com a menina, arrume tudo para a mudança, eu seguro as pontas por aqui com os novatos e com Leah.” Ele sorriu fracamente e me abraçou. Jake havia me ajudado muito quando meu pai faleceu, eu não poderia deixar de ajuda-lo naquele momento.

Conversamos um pouco mais e depois ele se foi para que eu finalmente pudesse fazer minha ronda.

Corri pela floresta usando apenas um moletom, meus pés estavam molhados pela terra úmida, desviava com facilidade das árvores e quando elas se tornaram mais densas, eu me transformei. Agora eu era o animal, o lobo gigante cor de areia, que corria, sentindo o vento no rosto e sorrindo com a liberdade.

Notas finais
¹ É uma picape gigantesca que é bem comum nos EUA, movida à diesel. Bom, esse capítulo não foi tão triste que o anterior, mas eu quis dar um bônus para que vocês conheçam um pouquinho do Seth. Minhas considerações sobre ele: O Seth não é mais um menino, hoje é um homem de 22 anos, que tem suas responsabilidades e vida, mas ainda sim é muito solitário e inseguro em relação ao coração, já que ainda não teve um imprinting. E uma das coisas que eu mais gosto: ele é um cafa do bem, não magoa, não ilude, enfim, Seth é um neném que precisa ser exaltado. E vocês? O que acham desse cafa? E não menos importante, gostaria de agradecer a Tatay e Puca Sophie pelos comentários no último capítulo. E também as 5 novas pessoas que estão acompanhando a história de Lilly e Seth. E aos leitores fantasmas, apareçam, vamos interagir, não sei se perceberam, mas falar é comigo mesma! Beijos e lírios, Harmony.