Lilian
3 Reza sombria
Notas iniciais
— Eu não sou seu amigo.- Cam encarou a figura pálida e de olhos brancos em sua frente.
— Isso é uma pena.- disse o pária.
— O que está fazendo aqui?- sua voz saiu seca.
— Ouvi falar que nessa casa mora uma tal de Lilian, acho que você já ouviu falar...
— O que você quer com ela?
— Não sei se você sabe, mas sua antiga noiva era descendente de um demônio muito poderoso.
— Sim, mas Lilith não existe mais.
O pária estalou a língua 3 vezes.
— Está muito enganado e sabe disso. Você mesmo viu a reencarnação dela em carne e osso. Nós, párias, não poderíamos deixar que isso passasse sem averiguarmos. Ela pode ser a nossa chave para o inferno.
— Você sabe que Lúcifer nunca vai aceitar vocês.- o menino cerrou os punhos.
— Correremos o risco.
O menino de cabelos negros agarrou a gola do terno do pária em sua frente e rosnou:
— Onde ela está?
— Meu querido, onde mais ela estaria?- aqueles olhos como tempestades pareciam que fitavam a alma do demônio.- Ela está em Troia. O corpo...
Cam nunca soube o que o pária queria dizer, pois seu punho derrubou o garoto no chão o deixando desacordado. Ele desejou muito ter uma seta estelar para enfiar no peito daquele pária imundo.
Fazia muito tempo que não libertava suas asas. Elas abriram como mantos negros cobrindo a noite.
O ex- estudante da Sword and Cross pousou no endereço que Ariane dera para ele junto ao seu telefone. A menina saiu assustada da pequena casa.
— Que diabos você tá fazendo, Cam?!
— Preciso da sua ajuda. Eles pegaram Lilian.
— Mas meu Deus, você não consegue fazer nada sozinho? Nem proteger uma garota?- ela bufou.- Sabe pelo menos onde ela está?
— Em Troia.
Ariane parou estatelada. Nenhum dos dois lembrava-se daquele lugar carinhosamente.
— Párias nojentos.
Os dois abriram as asas- uma tão branca como nuvens e a outra negra como a escuridão no coração do demônio- e seguiram em direção à cidade que há muito tempo os recebera na Queda.
Mais uma vez, os dois anjos caídos encaravam a cidade de Troia, agora em ruínas e sem vida. Aquilo fez a espinha de Cam se arrepiar ao lembrar dos 9 dias e 9 noites caindo no vazio. Ao seu lado, Ariane também fitava séria e apreensiva a cidade.Ele desconfiou que ela não iria querer entrar, mas quando já estava bolando um argumento para persuadi -la, ela disse:
— Vamos.
Andaram entre as ruínas da cidade até se virem no alto do que parecia ter sido um estádio há muito tempo. Quando se aproximaram, ouviram vozes como um canto, uma reza chamando Lúcifer. Uma roda de párias se encontrava no centro do antigo estádio e, no meio da roda,havia uma menina de cabelos negros amordaçada e desacordada. Uma luz negra saia dela e seus cabelos voavam seguindo o vento.
— Lilian.- O menino deu um passo, mas Ariane o segurou.
— Não podemos atacá- los assim, temos que ser cautelosos. Párias podem ser fáceis de bater, mas não temos setas estelares para matá-los.- como sempre, Cam não deu ouvidos à Ariane.
Ele cortou os céus com seu manto negro em direção ao centro do estádio. Fazia tanto tempo que ele não mostrava sua verdadeira natureza que Ariane quase esquecera que ele era um demônio. Agora ela percebia que ele ainda não a tinha mostrado em todos esses anos.
Sua sede de sangue o cegava. Seus olhos estavam totalmente negros. Ele avançou na direção dos párias e pousou em cima de um deles. “Como são inúteis”, pensou o demônio, em cima do corpo caído do pária. Agora os outros párias abriam os olhos um por um e o canto cessava.
— Cameron, já estávamos o esperando.- a voz era a mesma do menino que Cam socara.
— Quer outro soco? Tenho muitos pra você ainda.- cerrou os punhos.
— Meu querido, isso não é necessário. Todos nós estamos aqui para o bem comum.
— Vocês me dão nos nervos.
Ele curvou-se para pegar Lilian nos braços, mas a fumaça negra ainda irradiava da menina.
— Se eu fosse você não faria isso.- provocou o pária.
Quando ele a tocou, sua mão queimou.
— O que fizeram com ela?!
— Só um feitiço para que você não pudesse levá -la.
— Seus desgraçados!- Cam avançou na direção do pária, mas ele sacou uma seta estelar da jaqueta. O demônio parou.
— Agora você não tem para onde correr, Cameron Briel.- o pária lançou a seta em direção ao menino de olhos verdes, mas Ariane, que estava afastada até aquele momento, surgiu atrás do pária e agarrou a seta. Ela virou e a enfiou no peito do pária. Ele desapareceu em fumaça branca.
Nesse momento, Cam sacou uma seta que havia pego do pária sobre o qual derrubara antes. Agora, os dois seguravam setas, eles avançaram em direção ao restante dos párias.
Elas passavam zanindo perto do ouvido do demônio enquanto ele e Ariane golpeavam o coração dos párias um por um e eles desapareciam como fumaça na noite escura. Os dois desviavam e golpeavam até que todos os párias tinham desaparecido.
Ofegante, o menino se sentia triunfante. Mas, quando se virou para Lilian, observou algo estranho parado ao lado de seu corpo caído. O demônio se apavorou.
Era…
— Olá, me chamaram?- disse a gárgula.
Lúcifer.
Fale com o autor