"Não vou desistir de nós

Mesmo que o céu se destrua

Vou te dar todo meu amor

Ainda estou melhorando"

Daayene estava em estado de euforia. Pelo menos era assim que ela conseguia se descrever.

Nunca ligou muito pro dia dos namorados. Ou melhor, nunca ligou muito em ter um namorado. Claro, teve sua parcela de garotos apaixonantes em sua vida. Já fora em encontros românticos e já até recebeu serenatas.

Mas não é que sentisse a necessidade de ter isso todos os anos. Gostava de se sentir livre e leve. Gostava de ir pra festas de dia dos namorados usando uma roupa rosa brilhante e se divertir, mesmo que não recebesse um beijo apaixonante no final da noite.

Por isso estava mais do que alegre em ir pra um parque de diversões lotado de casais dividindo algodões doces rosas e tirando fotos fofinhas. Ela até mesmo oferecera pra tirar foto de um casal de meninas que estavam com dificuldade de tirar uma foto na frente da roda gigante sem ofuscar o brilho da roupa delas.

Daayene acreditava muito no amor. E mesmo que não fosse pra ela, gostava de estar perto de pessoas apaixonadas.

O que era meio inevitável, considerando que seis melhores amigas suas e uma irmã estavam namorando. E ela desejava o melhor pra todas. Via como estavam felizes. Não conseguia nem sentir inveja.

Mas esses eram os fatos. Ela adorava dia dos namorados, mesmo sem querer adorar.

E por isso ficou chocada quando recebeu uma mensagem de Kou perguntando onde ela estava pra eles passarem a tarde juntos.

Ela respondeu, claro. Adorava companhia. Mas é que ela tinha 90% de certeza que vampiros não acreditavam no amor.

Mesmo os que estavam namorando as pessoas que ela mais gostava no mundo. Tinha suas dúvidas se eles olhavam pras Herbert e pra sua irmã e pensavam "É. É amor.".

O que era meio frustante, porque ela já havia testemunhado as meninas olhando pra eles como se realmente os amassem.

Daayene podia ser irritante, mas ficava irritada quando cuspiam no nome do amor.

Kou pediu pra ela o esperar na frente do carrinho de pipoca. Ela fez isso, e comeu dois saquinhos antes dele chegar.

—Não tem chance das suas fangirls te reconhecerem?- Daayene perguntou assim que o viu.

—Minhas esperanças são que os humanos vão ficar vidrados no amor e vão esquecer da minha existência.- Kou riu- MNeko-chan, onde você quer ir?

Daayene olhou ao redor.

Vários balões em forma de coração, e luzes rosas banhavam o parque.

—O que você gosta de fazer?- Daayene questionou.

E claro que o primeiro lugar que Kou o levou foi pra casa do medo.

Daayene sabia que eram todos atores pagos miseravelmente para ficarem assombrando pessoas numa casa que tinha o tamanho de uma caixa. Mas toda pessoa sã ficava ansiosa num lugar daqueles.

Mas Daayene não gritou. Talvez sua voz ás vez parecesse um guincho e não uma voz de verdade. Mas não gritou com os sustos.

Talvez tenha até quase desmaiado, mas não gritou.

Depois foi a vez dela de escolher, e ela quis ir numa vibe mas light.

Então por que não um carrinho de bate bate?

Os dois pareciam crianças. Escolheram o carrinho Rosa pra "combinar com a alma deles". E conseguiram arrasar no brinquedo feito pra crianças de 9 anos ou menos.

Daayene riu muito enquanto Kou tentava dirigir miseravelmente, e riu mais ainda de si mesma quando notou que ela conseguia ser pior que ele.

Os dois saíram sem nem sentir as pernas direito, e sem fôlego.

—Aceita uma água?- Daayene foi até uma barraquinha- A gente pode comprar alguma coisa pra comer também.

Ele aceitou de forma animada. Daayene insistiu em pagar, mas Kou conseguia ser mais insuportável que ela. Então Daayene comprou uma água e um refrigerante pra eles dividirem e Kou comprou espetinho de queijo frito e algodão doce pros dois.

Eles se sentaram em um banco que estava por lá e comeram tudo, saboreando.

—Isso não é Vongole Bianco, mas é tão bom quanto.- Kou mordeu o espetinho- Vocês humanos compram isso sempre?

—Quem me dera.- Daayene riu- Eu comeria todo dia se eu pudesse.

—Então eu vou ter que pedir pro Ruki fazer isso pra você.- Kou brincou, e Daayene brilhou um pouco com a vergonha.

Sentados de lados opostos do banco, Kou admirou a menina.

Não havia visto muito ela não usando rosa ou vermelho. Isso era surpreendente.

Ela usava uma regata branca de alcinha, que ficava a mostra quando a segunda blusa colorida e listrada que usava deslizava pelo ombro mordível.

Ela além de tudo usava shorts jeans claros, e tinha uma bolsa marrom de ombro. Seus tênis eram brancos mas já estavam sujos pela terra do parque.

Seus óculos escuros estavam bem guardados no decote, e ela usava um colar dourado. Além de um batom rosado, é claro.

Estava bonita demais pro gosto de Kou. Mostrando pele demais.

Ele não comentou nada por saber que isso só ia fagulhar uma discussão entre os dois. Sabia que Daayene conseguia se cuidar bem demais. O cabelo platinado e os olhos avermelhados provam isso.

Mas era que olhando daquele jeito, Daayene parecia uma menina normal.

Alguém que ele veria na porta da agência dele tomando sorvete um dia e acharia bonita. Mas não chamaria pra sair por ser interrompido por um telefonema.

Daayene era exatamente aquele tipo de garota.

—Você acha que a gente devia ir onde depois?- Ela perguntou, animadamente puxando um pedaço do algodão doce rosa e colocando na boca.

—Hm?- Kou questionou.

—Em qual lugar a gente vai?- Daayene apontou pro parque.

—A gente podia ir numa roda gigante ou numa montanha russa.- Kou opinou, tentando não ficar distraído pela boca rosada da sua acompanhante.

—Nossa, você gosta do sentimento de quase-morte, hein?- Daayene revirou os olhos.

Kou estava vasculhando o parque, procurando algo pra fazerem.

E teve uma ideia maravilhosa:

—Vem comigo!

Ele então a puxou pra uma barraca.

—Tiro ao alvo?- Daayene tinha uma das sobrancelhas arqueadas- Que isso?

—Eu vou ganhar uma pelúcia pra você!- Kou riu.

—Ah, que fofo!- Daayene sorriu- Que nem naquelas comédias românticas clichês e chatas pra caramba?

Kou olhou assustado pra ela com o comentário.

—Pode ir, não vou te parar.- Daayene comentou.

Acontece que Kou era um cantor, não um atirador.

Daayene não sabia como era possível alguém errar todas as cinco bolas pra fora do buraco.

Era feito pra crianças jogarem aquilo!

Mas ela não queria comentar nada pra não humilhar o menino.

Então ela foi comprar uma maçã do amor enquanto ele fazia sua segunda tentativa.

Chegando lá, descobriu que ele estava na quarta.

—Você sabe que não precisa né?- Daayene mordeu sua maçã.

—Eu consigo!- Kou fingia plenitude- É de boas.

Ele errou mais uma vez.

—Quer que eu tente?- Daayene questionou.

Kou a olhou de cara feia.

—Ah, qual é.- Daayene riu.- Vai ser quase tão fofo quanto se eu ganhar uma pelúcia pra você.

Kou grunhiu e se afastou, deixando Daayene tomar o controle.

Não era que Daayene era um talento... ela só era um ser humano normal.

Foi por isso que conseguiu acertar na segunda bolinha.

O moço da barraca a parabenizou e perguntou qual ela queria.

Daayene se virou pro Kou. Ele resmungou:

—É pra você.

Daayene estava animada e pediu uma pelúcia de foca.

—Que bom que você ganhou, eu nunca teria comprado uma FOCA de todos animais possíveis pra você.- Kou parecia meio irritado.

—Focas são graciosas.- Daayene limpou a boca com a manga- Aaah, eu já sei o que você pode comprar! Moço, me empresta aquela tiara?

Kou estava com os olhos arregalados enquanto o moço pegava e entregava nas mãos da Hudison uma tiara de orelhas de gato.

—Eu não vou usar isso!- Kou recuou- MNeko-chan..

—Ah, para de reclamar!- Daayene fez beicinho- Se você gosta tanto de gatos, devia tentar fazer cosplay de um!

Kou estava prestes a reclamar, mas Daayene foi mais rápida e enfiou a tirara em seus cabelos.

E antes que Kou pudesse reagir, Daayene tirou seu celular da bolsa e tirou uma foto tremida e zoeira dela segurando seu novo bichinho enquanto Kou estava vermelho e bravo no fundo usando uma tiara de gato.

Daayene olhou a foto e riu:

—Ótima.

Kou nem tinha mais forças de reclamar, dada sua humilhação feita por aquela mulher.

—A gente devia sair mais juntos.- Daayene deu uma piscadela.- Criar mais memórias.

Kou estava sem palavras, então decidiu apelar pra provocação.

—Só se da próxima for mais particular, MNeko-chan~~- Ele cantarolou, e passou as mãos frias pelo seu ombro exposto.

Daayene teve a reação que ele queria, guinchou e se afastou vermelha.

Mas os dois queriam realmente criar mais memórias.

E foi por isso que Kou pagou pelas orelhas de gato.

"Diga que vai ser sempre meu amor, vamos fazer bilhar

Podemos durar pra sempre, um minuto de cada vez

Mais que uma mulher, você é

Mais do que uma mulher pra mim"