Like Phantoms Forever. - Frerard.
4 Passado.
Notas iniciais
Gerard’s POV.
– Eu não aguento mais você. Suas manias, seu jeito de desprezo perante as coisas, tudo isso se tornou insuportável desde que ele se foi. – Gritou ela enraivecida.
Respirei fundo.
– Então você pode ir se ferrar junto com aquele seu filho bastardo. Tudo isso é culpa dele! Desde que aquilo nasceu nunca mais tivemos paz. – Ele se levantou da poltrona ficando de frente para ela.
– Não culpe Gerard pela sua fraqueza! – Ela o empurrou, fazendo cambalear e escorar-se na primeira coisa que vira.
– A culpa já é dele. Ele matou o irmão e ainda tem a coragem de aparecer na minha frente como se estivesse tudo bem. Ele era quem deveria ter morrido no lugar de Mikey! – Disse alto, com a intenção que eu escutasse.
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– Eu não me importaria.– Pensei entre soluços enquanto escutava a discussão no andar de baixo.
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– Você é mesmo um monstro! A culpa de tudo é sua! Você quem deveria ter cuidado de Mikey. Gerard era só uma criança.
– Já chega! Não posso passar mais nem um minuto nessa casa! – Gritou ele enquanto fechava a porta atrás de si.
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– Nem eu! – Pulei a janela e corri para a escuridão. Eu estava correndo para a única pessoa em quem eu me permitira confiar depois de todos esses anos sozinho. Eu estava correndo para ele.
Frank’s POV.
Ouvi batidas na porta e levantei-me. Provavelmente era meu tio que havia voltado mais cedo esquecera a chave. Desci cambaleando entre os degraus da escada, tomando cuidado para não fazer barulho e acordar Brian. Abri a porta ainda sonolento, mas logo despertei observando a figura á minha frente. Era Gerard, um Gerard totalmente destruído. Chorava baixo, estava com as roupas amassadas e os cabelos bagunçados. Ele parecia ter corrido muito até chegar aqui, dava pra notar pelos ofegos que soltava entre as lágrimas e os soluços.
– Gerard! – Chamei espantado. Ele envolveu seus braços na minha cintura, escorando a cabeça no meu peito, como eu havia feito no dia em que ele me salvou. Senti minha camiseta umedecer e retribuí seu abraço, o que fez um arrepio correr pelo meu corpo. Mas o que o havia feito vir até aqui a essa hora?
– Desculpe-me, Frank. – disse ele ainda sem olhar para mim. – Desculpe-me por aparecer aqui a esta hora e chorar no seu ombro. – respirava fraco enquanto ia diminuindo a força com que apertava minha cintura entre seus braços. Estava pálido e gélido; ele ia desmaiar. – Mas... Mas você é a única pessoa em quem eu s-sinto que posso confiar. – Se atrapalhou entre as palavras e cedeu. Senti quando seu corpo começou a escorregar do meu peito. Peguei-o como pude e o levei até o sofá. Não estava com condições de carrega-lo pelas escadas naquele estado.
Deitei-o da maneira que o corpo dele cooperava e me ajoelhei no chão a sua frente. Comecei a observar seu rosto que parecia cansado e triste. As pálpebras fechadas pesadamente pareciam querer esconder a cor de seus olhos. Sua boca estava sem aquele sorriso carismático que eu gostava tanto, até mesmo aquela expressão calma e distante que ele tinha enquanto estava na sala de aula desapareceu do seu rosto agora pálido. Eu estava odiando ver ele daquela maneira, parecendo acabado e derrotado. Gerard não era assim, isso se via de longe, ele não era o tipo de pessoa que cai desse jeito em meio as suas emoções.
Enquanto eu o encarava pensando no motivo que deixara Gerard tão atordoado ele abria os olhos com dificuldade, como se esperasse que algo o atingisse.
– F-Frank. – Sentou-se no sofá apressado assim que viu meu rosto. – O que houve? – Perguntou ele coçando a nuca e me encarando ainda um pouco espantado.
– Você desmaiou assim que chegou aqui. Gerard, tá tudo bem? – Perguntei hesitante, sem certeza se aquele era o momento pra perguntar aquilo.
– S-sim. Desculpe por ter vindo tão tarde. Acho que te acordei né? Sinto muito. – Abaixou a cabeça como uma criança arrependida.
– Pare de se desculpar, Gerard. Você parece uma namorada ciumenta se desculpando por ter mexido no celular do namorado. – Disse divertido e ele riu.
– E você me perdoa, amor? – Senti um arrepio ao ouvir a última palavra. Mas que porra tá acontecendo? Senti-o hesitar, como se tivesse se arrependido. Soltei uma risada divertida e ele voltou ao normal.
– Agora me diga, o que aconteceu? – Tentei soar compreensivo. Ele hesitou em responder, parecia triste e amedrontado. Aquele não era Gerard.
– É melhor eu ir embora agora, você precisa dormir. – Levantou-se caminhando para a porta. Peguei seu braço e o puxei de volta.
– Não sem antes me dizer o que deixou você assim. – Sentei-o no sofá e me sentei ao seu lado. – Antes você disse que sentia que poderia confiar em mim. E pode. – Senti ele me abraçar novamente, mas era um gesto que me pedia para ajuda-lo. Para ouvi-lo e estar lá com ele quando precisava. Era um pedido.
– Gerard, eu não posso te proteger se não souber do que se trata. – Ele riu irônico, num tom triste.
–Você não pode me proteger, Frank. – Me apertou mais ainda. – Mas, por favor, deixe-me confiar em você. Deixe-me saber como é contar com alguém.
– Eu estou esperando que você confie em mim, Gerard. – Ele começou a chorar e aquilo me fez meu peito se rasgar. Doía vê-lo daquela forma.
–Eu... – Começou com dificuldade, escolhendo suas palavras. – Eu perdi meu irmão á anos atrás. E é tudo culpa minha.
– Gerard nã...
– Por favor, deixe-me terminar. – Ele me cortou e eu o abracei mais forte. – Ele morreu em um acidente, éramos muito novos e costumávamos passar os finais de semana na casa da minha avó. Eu e Mikey gostávamos de pescar no lago atrás da casa, onde aconteceu.. Eu, mamãe e Mikey fomOS pescar, e ele, como sempre levara seu boneco do Homem-aranha, era o brinquedo preferido dele, carregava aonde fosse. Mamãe foi buscar as iscas e Mikey ficou brincando com o boneco nos pés de uma laranjeira. Como minha mãe estava demorando, fui atrás para ver o que aconteceu. Quando eu voltei, Mikey estava se empinando para frente, acredito que tenha deixado cair o boneco no água e queria pegá-lo. Mas ele escorregou. Era um lago fundo, por isso não nadávamos e nem ficávamos muito perto para pescar. Eu corri para tentar puxa-lo de volta mas foi inútil, ele estava se afogando e eu não podia fazer nada para ajuda-lo. Pulei no lago, mesmo não sabendo nadar, mas quando alcancei Mikey ele já não respirava. Eu gritava o seu nome, mas ele não mais respondia, até que eu decidi que morreria junto com ele. Parei de me debater para tentar ficar na superfície e me deixei afogar. Minha vida não tinha mais sentido sem ele. Não poderia viver sabendo que nunca mais iria ver seus olhos brilhantes olhando para as panquecas da mamãe em cima da mesa, ou senti-lo puxar a minha camiseta quando o ameaçavam na escola. Éramos crianças felizes, por que tínhamos um ao outro para sempre. Pelo menos era isso que eu achava. Eu desmaiei e acordei no hospital. Minha mãe andava de um lado para o outro no quarto, apreensiva. E eu via uma silhueta do lado de fora da janela que acreditava ser o meu pai. Chamei-a e perguntei sobre Mikey, ela abaixou a cabeça e começou a chorar desesperada, mas eu ainda não podia acreditar. – Ele se pôs a chorar em meu ombro, dessa vez as lágrimas ensoparam minha camiseta. Eu estava estático, Gerard tivera uma vida tão horrível quanto a minha e eu havia sonhado com a morte de seu irmão.
– Gerard... – Não sabia o que fazer. Era horrível mas, como ele previu, eu não podia salva-lo.
– O pior – Continuou entre soluços. – É chegar em casa e dar de cara com meu pai, que está sempre me culpando. Eu já sei que a culpa é minha, e eu teria dado a minha vida pela de Mikey se pudesse.
– Gerard, não é sua culpa. V-você era uma criança, não poderia tê-lo salvado.
– Frank...
– Sem Frank! Eu escutei você, você confiou em mim, mas agora eu quero te ajudar! – Retruquei impaciente. – Gerard, nunca foi sua culpa, nem culpa de ninguém. Esse tipo de coisa... nós não podemos prever, ou mudar, ou impedir. Elas acontecem e não podemos fazer nada. Seria sua culpa se você soubesse que iria acontecer e não tivesse feito nada. Você quase deu a vida pelo seu irmão e está aqui até hoje, vivendo por vocês dois. Tenho certeza que Mikey teria orgulho de você por ter superado todas as dificuldades durante todos esses anos. – Puxei-o para perto, acariciando seus cabelos. Sua cabeça agora estava em meu ombro, ele ainda chorava, mas agora eram lágrimas de alívio. – Durante toda a minha vida eu me culpei pelas coisas que aconteceram na minha vida e pela morte dos meus pais. Mas eu aprendi que meus pais não iriam ficar felizes se me vissem fazer isso. Ainda dói, eu nunca superei e nem vou. A morte de alguém não tem como ser superada. Principalmente pessoas especiais, essas não tem substituição, nunca haverá alguém como elas lá para nos tranquilizar. Mas temos que aprender a conviver com a ausência delas e seguir em frente. Viver por nós e por essas pessoas que perdemos. – Não sabia mais o que falar, perder meus pais foi uma das piores experiências que eu já vivi e eu nunca havia parado de me culpar. Só queria parecer forte para ajudar Gerard.
– Eu entendi. Mas, preciso que você me ajude. Quero que você me ajude a viver por mim e por Mikey! – Sentou-se de frente para mim e me lançou um olhar determinado. Eu assenti. Não tinha ideia de como ajudar Gerard nisso. Mas eu iria faze-lo, por que não aguentava vê-lo daquela maneira.
– Agora vamos, você tem que tomar um banho e dormir. – Levantei-me estendendo a mão para que Gerard fizesse o mesmo.
–N-não. Eu vou para a casa, já atrapalhei demais. – Puxei-o para as escadas antes que pudesse se voltar para a porta.
– Não pode ir embora assim, Gerard. Esta tarde e escuro lá fora. Amanhã você volta para a casa. – Arrastei-o pela manga até o banheiro. – Tome um banho e eu vou pegar algumas roupas para te emprestar. – Senti sua mão agarrando meu braço e me virei. – Obrigado, Frank.
Deixei as roupas na porta do banheiro e ajeitei o colchão extra que ficava no meu quarto para ir dormir. No geral, não usávamos muito aquele colchão, só quando Brian via filmes de terror e me enchia até eu deixa-lo dormir no meu quarto.
Gerard’s POV.
A essa hora meu pai já deve ter voltado para a casa. Espero que já tenha saído quando eu voltar para a casa amanhã. Frank tem se tornado meu melhor amigo e a pessoa em quem eu mais confio, e eu mal o conheço. Éramos dois estranhos até duas semanas e agora eu já contei o meu maior trauma a ele. Parece estranho, mas sinto que temos algum tipo de ligação. Pode ser bobagem mas, ele consegue acalmar meus sentimentos quando estamos juntos. Consegue me fazer sorrir como não fazia há muito tempo. Frank é especial.
As roupas do pequeno couberam em mim. Uma bermuda e uma camiseta preta, nada muito extravagante, no estilo do Frank. Andei até seu quarto onde ele já estava adormecido num colchão no chão. Deduzi que ele havia deixado sua cama para eu dormir. Mas ele já fizera tanto por mim que eu me sentiria mal em deixa-lo no chão. Peguei-o no colo como pude e quase o derrubo, o garoto tinha um sono de pedra! Deite-o na cama e o cobri. Estiquei-me no colchão ao lado da cama e fiquei observando seu rosto pálido á luz do luar. Peguei no sono.
Notas finais
PS: Desculpem qualquer erro, é que eu não tive tempo para revisar ele.
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