Notas iniciais
Tá, esse capítulo está estranho. Mas é só o primeiro capítulo, dá um desconto.

Belleville, Nova Jersey. O que parecia ser só mais uma tarde tediosa se tornou num grande feito para a polícia local. Finalmente, depois de meses de várias buscas incansáveis, o oficial Onik e seu time de policiais e detetives conseguiram capturar “the speed”, apelido dado pela mídia a um assassino de colegiais. Mas isso não tem nada a ver com a história; pelo menos por enquanto.

Se você entrar na sala 7-a da escola John Stello, talvez não note, mas haverá um garoto sentado na última classe ao lado da janela, olhando para o nada, desatento e com um livro de mistério aberto nas últimas páginas, provavelmente atirado desleixadamente na mesa. Poucas pessoas se dão ao trabalho de falar com ele. Não por medo ou menosprezo, simplesmente por não terem o que dizer. O garoto tem ótimas notas, uma educação impecável e um olho clínico incrível para qualquer coisa, apesar de sempre parecer estar fora da realidade. Talvez seja por isso que eu o acho tão interessante.

Ah, sim, me chamo Frank e acabo de me mudar da cidade vizinha. Não sou bem o tipo de garoto que alguém iria querer ter por perto, mas você provavelmente não entenderia o porquê. Mas de qualquer maneira, estar nessa cidade não é divertido. Aqui, ou você sai com seus amigos, ou fica em casa vendo filmes de terror e escutando as bandas que passam no rádio. E como eu não tenho amigos e nem estava com humor para ficar em casa, resolvi ir até a biblioteca, parasse que esse é o único lugar tranquilo onde você pode sentar e desenhar por aqui.

Quando cheguei, tudo estava no mais profundo silêncio, tudo bem, bibliotecas são lugar de silêncio, mas era um silêncio vazio, solitário. Como eu esperava. Sentei-me a mesa mais ao fundo da biblioteca, de frente para a porta. Podia sentir os raios de sol da tarde de verão colidirem contra as minhas costas. Coloquei meus fones e comecei a traçar as linhas que me levariam de Jersey ao meu mundinho particular. Mas essa sensação de liberdade não durou muito. Logo ouvi ao longe e muito baixo o som da porta bater e olhei para frente para encarar quem havia me interrompido. Era ele. O garoto do olhar distante. Ele olhou para mim e se desculpou por estar atrapalhando. Estava com uma camiseta preta desbotada que agora parecia marrom na luz laranja da tarde e tinha como estampa uma caveira com olhos. The Misfits. Pensei, talvez um pouco alto demais.

– Você gosta? — Perguntou com um olhar surpreso.

– É uma das minhas favoritas. — Tentei parecer desinteressado.

– Que coincidência, é difícil achar pessoas que conheçam, ainda é uma banda nova.

– Mas com certeza muito talentosa. — Tentei completar o que ele viria a dizer.

– É. Bem, vi que estou atrapalhando então é melhor eu ir embora. Tchau!

– Antes que eu pudesse responder vi a porta bater. Nunca tinha olvido-o falar antes, ele tinha uma voz tão calma e que, se você prestasse atenção, poderia transbordar o calor da primavera.

No fim de tarde eu já havia terminado o desenho, quero dizer, estava mais para uma paródia que um desenho. Era um gato com um moicano e roupa de punk e que não deu tanto trabalho para fazer quanto eu esperava. Voltei para a casa e esquentei o jantar no micro-ondas, mas acabei decidindo não comer. Estava muito quente, mesmo para uma noite de verão que costuma ser muito fria. Então eu tomei um banho e adormeci lendo um livro de suspense.

Acordei exaltado no meio da noite, tive um pesadelo terrível. Estava no mar, tudo em volta de mim era somente a água de um azul cristalino, límpido. E de repente comecei a ser puxado para baixo, podia sentir a água a minha volta começar a me pressionar e empurrar para mais fundo. Eu conseguia respirar, mas não importa quanto me esforçasse, não conseguia chegar a superfície. Então eu desisti. Fechei meus olhos e esperei o fim. Foi quando eu senti dedos apertarem meu pulso, me puxando de volta para cima. Não abri meus olhos, não importava quem era; aquela pessoa estava me salvando. Foi a alguns segundos antes de chegar á superfície que eu acordei. Estava suando e quase não conseguia respirar. Enxergava tudo com um tom branco por cima, como se realmente tivesse acabado de voltar de um mergulho com os olhos abertos.

Depois disso, só consegui ficar lá sentado olhando para a luz azulada que vinha da janela, esperando aquela sensação que ainda me consumia passar. Até que eu ouvi os primeiros pássaros se apressando para cantar antes do sol nascer. Só então tomei coragem para levantar e me arrumar para mais um dia de merda na escola.


Notas finais
Desculpe por ter feito isso e por existir mas que tal rewiews?