Like Phantoms Forever. - Frerard.
2 Reencontro.
Notas iniciais
Alguns dias se passaram desde aquele sonho e o meu encontro inesperado a biblioteca. Durante esses dias nada de diferente aconteceu, o garoto dos livros de mistério continuava no seu mundinho distante da realidade e eu continuava o observando. Mas por que diabos eu o observava afinal? Pensei enquanto guardava meus cadernos na mochila.
Finalmente o intervalo. Sem professores, sem colegas barulhentos, somente eu e meus pensamentos. Sentei-me na grama, apoiei minha cabeça na árvore atrás de mim e fechei meus olhos na esperança de ter alguma paz. Sem sucesso. Ouvi passos em direção a mim, será que... Sim, era ele, o garoto que eu vinha observando por dias, com quem tinha trocado meia duzia de palavras alguns dias antes.
– Você é o garoto dos desenhos que eu encontrei na biblioteca esses dias, certo? — Disse ele num tom calmo.
– Só se você for o garoto que gosta de The Misfits. — Disse tentando ser tão simpático quanto ele.
– Posso me sentar? — Disse ele com um sorriso amistoso.
– Claro.
Ele se sentou ao meu lado e eu pude sentir seu cheiro intorpecente. O cabeço bagunçado pelo vento era negro e longo, tinha os olhos esverdiados de uma cor diferente de qual quer coisa que eu já tivesse visto e tinham pequenas machas castanhas sobre a íris, o que destacava ainda mais aquele verde. Na luz da manhã pude ver o quanto sua pele era pálida e o quanto ela parecia macia ao toque. Seus lábios eram pequenos e avermelhados que contrastavam com os dentes brancos. Ele aparentava estar cansado e eu estava me perguntando por que ele veio falar comigo logo agora.
– Seu nome é Frank, certo? — Corei. Como ele sabia meu nome se só tínhamos nos visto uma vez?
– Certo, mas, como você sabe? — Perguntei assustado.
– Somos da mesma turma e Frank não é um nome tão difícil de lembrar. — Me senti corar mais ainda. Eu ainda não sabia seu nome, sequer tinha prestado atenção em qualquer detalhe dele que não fosse seu amor por mistérios e seu jeito de quem vive num mundo distante.
– Me desculpe, mas eu não sei seu nome. — Abaixei os olhos de vergonha.
– Não se preocupe, não é algo tão incomum alguém não saber meu nome. — Ele deu um sorriso reconfortante. — Meu nome é Gerard.
"Gerard", aquele nome invadiu minha mente, ficou ali por alguns segundos quando percebi que ele me olhava intrigado e finalmente notei um sorriso idiota no meu rosto. Então ele me olhou nos olhos e estendeu mais seu sorriso de curiosidade, o que fez meu coração se acalmar e achar a paz que eu buscava quando me sentei ali.
Antes que pudessemos continuar, o sinal tocou e tivemos que voltar para a aula. Mas por algum motivo, eu não me incomodava mais com aquilo. Talvez Gerard teria um jeito de passar sua calma para mim. Talvez te-lo como amigo não seria tão ruim. Afinal, ele tinha algo que, por algum motivo, me atraia. Talvez tenha sido esse o motivo pelo qual eu não consegui tirar os olhos dele desde que cheguei. Ele era tão calmo, tão diferente de todas as pessoas que já conheci... Ele era tão especial...
Passamos as duas últimas aulas como sempre. Gerard sentado olhando para a janela e eu o observando. Eu realmente me sentia desconfortável por fitá-lo daquela maneira, mas tinha algo nele que eu não podia simplesmente ignorar. Algo que me prendia a ele de alguma forma.
Me afoguei nos meus pensamentos no meio da última aula e me perdi do tempo. Esqueci que o professor continuava ali, esqueci a bagunça que os alunos faziam, só não esqueci dele.
O professor se despediu e eu voltei a realidade. Pus meus cadernos de volta na mochila e a joguei contra as costas. Vi Gerard sair sem pressa da sala de aula, com um olhar baixo mirando o piso branco. Agora sua calmaria parecia mais triste do que nunca. Mas o que eu poderia fazer? Mal sabia todo o seu nome. Desci as escadas ainda pensativo, não poderia ser normal meu vício por Gerard, não poderia. Sai pela porta e o sol se jogou como uma rocha no meu rosto. Abaixei a cabeça e andei desanimado até o meio da rua mas senti algo me puxando de volta rapidamente. Levantei o olhar e assisti minha morte por centímetros, sequer tinha notado o carro escuro vindo em minha direção. Se não fosse... aquele toque, eu o conhecia de algum lugar. Poderia ser...?
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