Like Phantoms Forever. - Frerard.
3 Confiança.
Notas iniciais
Levantei o olhar e assisti minha morte por centímetros, sequer tinha notado o carro escuro vindo em minha direção. Se não fosse... aquele toque, eu o conhecia de algum lugar. Poderia ser...?
E era. O mesmo calor, o mesmo toque; a mesma pessoa que me salvara. Virei-me pasmo e apressado para encontrar a pessoa a qual devia minha vida. Era ele. Gerard segurava firme meu pulso, amedrontado. Trazia um olhar pasmo e assim que nossos olhares se cruzaram ele soltou meu braço, me trazendo para junto de si.
– Você está bem? – Perguntou enquanto me abraçava. – Onde você estava com a cabeça? Poderia ter morrido.
–Eu... eu... – Não fazia ideia de como retrucar. Ele parecia realmente com medo de que algo me acontecesse. Cá entre nós isso não era muito comum das pessoas quando se tratava de mim.
– Nunca mais faça isso novamente. Preciso bancar seu pai e te dizer para cuidar quando atravessar a rua? – Agarrou meus braços e me parou á sua frente olhando diretamente em meus olhos.
Pai. Estremeci ao ouvir isso. Essa era uma palavra que eu jamais conheci o significado. Perdi meus pais a muito tempo e ninguém ousava comentar sobre isso na minha frente.
– Eu não estava prestando atenção, não vi o carro. Sinto muito. – Sem pensar apoiei minha cabeça sobre seu peito, ainda mantendo a distância entre nós. E surpreso senti seus braços me envolverem novamente, puxando me para mais perto em um gesto reconfortante que fez meu coração pular. Mas por quê? Eu mal conhecia Gerard. Sequer poderia o chamar de amigo. No entanto sempre que o via podia sentir que algo em mim mudava. Mas não poderia ser amor. Não, eu não sou assim.
– Vamos, você não me parece em condições de ir para a casa sozinho. – Disse ele me puxando antes que eu pudesse negar.
Passamos o caminho em silêncio. Gerard largou meus pulsos e deixou que eu guiasse o caminho. Chegamos ao portão enferrujado e enfiei as mãos nos bolos vasculhando e procurando pelas chaves até que senti o metal frio no bolso do casaco. Abri-o e fiz um gesto com as mãos para que Gerard entrasse. Ele hesitou e eu repeti o gesto até enfim ele se pronunciar e adentrar. Fechei o portão e passei a sua frente para abrir a porta. Antes que pudesse girar a chave vi algo me puxar para um abraço. Era meu primo, Brian, a única pessoa que realmente se preocupava sobre como eu estava. Ele era mais novo e sua mãe morreu no parto.
– Frankie! – Gritou ele me apertando mais ainda. – Como foi a escola? O que aprendeu? O que você vai fazer para o almoço? Ah, você trouxe um amigo! Como é seu nome? – Peguei-o no colo e entrei na casa, Gerard veio logo atrás.
– Hey, calma garotão. – Ele se debateu em meu colo e eu o soltei. – Mas eu estou curioso. – retrucou ele olhando para mim e para Gerard, que mantinha os olhos baixos.
– Diga-me a novidade. – Eu disse rindo. Ele mostrou a língua e correu para a mesa onde estavam seus materiais escolares e puxou algo debaixo do caderno.
– Olha o desenho que eu fiz, Frank. É você tocando guitarra como você sempre quis. – Olhou para mim sorrindo e eu retribuí seu sorriso. Não era um desenho muito bom, era mais algo do tipo que um criança da idade dele faria mas significava muito para mim.
– Minha professora perguntou se eu queria ser guitarrista. Mas eu disse que era você e que você era o melhor guitarrista que eu já tinha ouvido e que desenhava muito bem também. – Abracei-o e agradeci pelo desenho.
– Ok, agora vai lavar suas mãos para almoçar. – Disse o empurrando até o banheiro.
Voltei para a cozinha e Gerard que ainda encarava o chão olhou para mim com um olhar envergonhado. E depois de alguns segundos se pronunciou.
– Bem, agora você está são e salvo em casa. Meu trabalho está feito, então acho que vou indo. Virou-se em direção á porta e eu pus minha mão em seu braço o puxando de volta.
– Nem pensar! – Disse enquanto Gerard me olhava surpreso. – Você salvou minha vida, o mínimo que eu posso fazer é te convidar para almoçar. Bem, minha comida não é das melhores, mas dá pro gasto.
– Ele está sendo modesto! – Disse Brian da porta do banheiro. – Frank cozinha muito bem e você te que provar! – Brian puxou Gerard pela manga do casaco até a mesa.
– Bem, e é assim não posso recusar. – Sentou-se na cadeira e eu comecei a cozinhar.
Desde que minha tia morreu eu faço a comida, arrumo a casa e cuido de Brian. Como uma forma de retribuir ao meu tio por ter cuidado de mim todos esses anos. Não é tão difícil, Brian é um bom garoto. Somos só três pessoas, não é muita bagunça e eu faço o que posso na cozinha.
– Brian, pode por a mesa? – Pedi terminando de mexer o macarrão. – Claro! – Exclamou tentando pegar os pratos.
– Eu te ajudo. – Gerard disse em um tom que fez meu corpo estremecer. Mas que porra está acontecendo comigo, afinal?
Servi Brian e Gerard e voltei para a geladeira para pegar meu prato.
– Não vai comer macarrão? – Gerard perguntou curioso.
– Frank não come esse tipo de coisa. – Brian falou brincando. – Ele é vege... vege...
– Vegetariano. – Completei sua frase.
– Isso mesmo. – Disse Brain mostrando a língua.
– Interessante. – Gerard deu um sorriso e voltou a comer.
– Tenho que ir ao banheiro. – Larguei o prato em cima da mesa e corri para o banheiro.
Gerard’s POV.
– Então. — Comecei a falar tímido enquanto Brian me olhava. – Você gosta mesmo do Frank, não é?
– Frank é para mim o que o Batman é para o resto do mundo. Desde pequeno eu o tenho como única referência do que é ter um irmão. E um irmão incrível, diga-se de passagem. Ele sabe tocar guitarra, desenha e ainda tem tempo para ser a melhor pessoa do mundo. – Disse ele orgulhoso. Sorri em retorno e Frank voltou.
– Falando muito mal de mim? – Disse ele brincalhão.
– Você não imagina como. – Falei sorrindo e voltando ao meu prato. Isso está maravilhoso!
Gerard’s POV off.
Terminamos o almoço em silêncio. Recolhi os pratos, lavei a louça enquanto Gerard secava os pratos e Brian se arrumava para a escola. Terminamos e nos sentamos no sofá enquanto esperávamos Brain.
– Vamos? Disse ele descendo as escadas.
– Demorou baixinho. – Disse sorrindo.
Saímos e eu tranquei a porta. Estávamos em silêncio no caminho a não ser por Brian que estava pulando e rindo sozinho. Chegamos na escola e Brian se despediu com uma careta. Gerard resmungou algo sobre ir para a casa e agradeceu pelo almoço. Mas ele estava com aquele mesmo olhar de quando saiu da sala de aula. A tarde toda eu não havia o visto com um olhar divertido e agora isso...
– Espera! Tem muitas ruas até chegar em casa, e se eu quase morrer de novo? – Disse rindo ao notar um pequeno sorriso de canto de lábio nele. Ele não respondeu só andou de volta para onde tínhamos vindo.
– Sua casa é por ai? – Disse rindo.
– Não, é que eu tenho que levar um suicida em casa. – Ri mais alto.
Voltamos em silêncio. Quando chegamos eu pus uma musica do Pantera e comecei a arrumar meu quarto.
– Desculpa a bagunça, não esperava visitas. – Disse sem jeito fazendo sinal para que ele se sentasse na cama.
– Tudo bem. – Disse ele entre um sorriso.
Percebi que ele analisava cada centímetro do local, até que seus olhos pararam em um canto: meu mural de desenhos e fotografias.
– Posso ver? — ele disse.
– Claro, não tem problema.
Vi ele se levantando e caminhando até ali, olhava meus desenhos com um sorriso no rosto. Isso me fez corar levemente.
– É, até que o Brian tem razão. — Minto, eu corava muito.
– Obrigado. — murmurei.
Seus lindos orbes verdes passaram dos desenhos para as fotografias, pousando em uma em que estava eu e meus falecidos pais. Todos nós sorrindo na frente da nossa antiga casa, eu no colo do meu pai, e minha mãe me abraçando de lado. Senti um leve aperto no coração, aquilo trouxe as memórias à tona.
– Frankie, você tá legal? Está pálido. — disse bagunçando um pouco meus cabelos.
– Estou sim, é que nessa foto sou eu e meus pais. Eles morreram há alguns anos.
– Oh... Eu sinto muito.
– Não precisa você não sabia. — sorri levemente.
Olhei em seus olhos, havia um pouco de dor e arrependimento em seu brilho.
– Depois que eles morreram eu vim morar com os meus tios, mas minha tia morrem quando ela deu a luz ao Brian. Mas temos um grande laço juntos.
– Acho que te entendo um pouco. Perdi minha avó ano passado, e eu nem tive a chance de me despedir. Ela era muito especial para mim.
O abracei de leve, e senti uma lágrima quente caindo em meu ombro.
– Hey, não fica assim. — levantei seu rosto com uma mão, e enxuguei aquelas lágrimas com a outra, nossos rostos bastante próximos e nossos olhares colados.
– Cheguei! – Ouvimos meu tio gritar da ponta da escada. Gerard se soltou de mim e corou de leve.
–Hey, Frank, você está em casa? – Gritou ele subindo as escadas.
– Estou aqui, tio. – Disse enquanto saia na porta do quarto. Meu tio era médico e eram raras as vezes que ele podia chegar em casa cedo como hoje. Eu sempre me orgulhei dele, apesar de nunca tê-lo tratado como pai, ele era a coisa mais perto de um que eu já tive. Era um homem de seus 40 e tantos de idade. Esbelto, alto, com os olhos castanhos e o cabelo preto. Tinha uma leve falha na sobrancelha de quando caiu de bicicleta aos 10 anos. Era indiferente.
– Hey, o que você fez de almoço, estou faminto! – Exclamou ele parando de frente as escadas e observando a sombra pálida de cabelos negros parada no quarto.
– Oh, você trouxe um amigo. – Disse ele estendendo a mão para Gerard. – Meu nome é Claus. O garoto corou.
– Gerard. É um prazer conhece-lo. – Disse ele tímido.
– Digo o mesmo. Bem, acho que estou atrapalhando algo então eu acho que vou descer e comer algo. – Disse Claus saindo do quarto.
– Eu também vou indo para a casa, Frank. Meus pais devem estar preocupados. – Disse ele com um sorriso.
– Ok. Quer que eu te leve em casa?
– Não precisa. – Ele abriu mais seu sorriso e se despediu de mim. Desceu as escadas e eu ouvi ele se despedir de Claus. Fui até o alto da escada para vê-lo ir. Aquilo pesou em mim. Não queria que ele fosse embora, não agora. Eu tinha me acostumado com a presença de Gerard como um alguém em quem eu podia confiar. Naquele tarde ele me fez querer contar toda a minha história e chorar no seu ombro. Perdi-me em meus pensamentos enquanto olhava ele ir embora. Voltei para o quarto e peguei no sono.
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