Notas iniciais
Olá, Mermaids do meu Brasil! Voltei-me. Espero não ter demorado muito... Se demorei, me desculpem por favor. Quero agradecer à todo mundo que está comentando nos capítulos, principalmente no capítulo passada (estava com medo de postá-lo), muuuuuito obrigada! BOM CAPÍTULO

Quando saí da água já era manhã. O Sebastian havia me deixado sozinha há menos duas horas atrás, e só partiu porque eu havia pedido. Precisava pensar, e precisa fazer fazê-lo sozinha.

Ao me aproximar da praia, olhei em volta e não vi ninguém, caminhei pela areia até as minhas roupas e me vesti calmamente, prendi os meus cabelos úmidos em um coque e me virei para sair. Arregalei os olhos quando o vi. Há quanto tempo ele estava ali? O que ele viu?

—Sempre nada nua? -Senti meu rosto esquentar. Ele havia me visto sair da água, ótimo, que situação embaraçosa, era tudo o que eu precisava naquele momento.

—Ah… Eu… -Comecei a gaguejar tentando formar uma resposta ou pelo menos dissesse algo que fizesse sentido.

—Jace! -Desvie o olhar para a Izzy que se aproximava. Os cabelos longos estavam presos em um coque, mas este já estava frouxo o suficiente para que algumas mexas caíssem por seu rosto e nuca. -Ah, oi Clary. -Ela franziu o cenho. -Por que está com os cabelos molhados? Estava nadando?

—É… Estava. -Passei a mão pela nuca em um sinal claro de nervosismo.

—Você sumiu, agora eu sei o motivo. -Abri um sorriso sem graça. Izzy mude de assunto, por favor.-Pensei. -Oh! -Ela olhou para o Jonathan, ele me olhava de uma maneira que eu nunca o tinha visto antes, havia intensidade em seu olhar, além de um claro brilho de divertimento. -Jace, essa é a Clary. Clary, esse é o Jace, meu irmão.

—Prazer conhecer você, Jace. -Abri o meu melhor sorriso, ele me olhou de cima abaixo e abriu um sorriso de canto. Oh, céus!

—O prazer é meu, Clary. -Nos encaramos pelo que pareceu uma eternidade, seus olhos não desviavam dos meus, esses que não se permitiam piscar.

—Ah… Jace, a Aline está te procurando. -A Isabelle nos chamou atenção, o que foi ótimo, pois por um segundo eu havia esquecido de sua presença. -Podia esperar até segunda. -Ele riu, um som que eu senti falta todos esse anos.

—O que posso fazer se sou irresistível? -O comentário dele a fez revirar os olhos, e parte de mim concordou com ele, uma parte pequena, mas havia concordado. -Até mais, irmãzinha. -Ele saiu andando tranquilamente pela areia em direção ao pier, e eu não consegui controlar os meus próprios olhos, que os seguiram até que a Izzy me assustasse com um gritinho estridente.

—O que foi? -Ela me olhou rindo e com os olhos brilhando como nunca.

—Ele está a fim de você! -Arregalei os olhos. -Oh! Meu Deus! Não acredito nisso! -Ela riu. Isabelle estava feliz por o irmão estar interessado em mim; se eu disse à ela que estou à 700 anos apaixonada por ele, e que além de ser uma Sereia, estou amaldiçoada, e que a maldição inclui o Jonathan, ela teria a mesma reação? Possivelmente não. -Está com a jaqueta do Alec? -Olhei para a jaqueta em meus ombros. -O que andou fazendo, Clarissa? -Vi pura malícia em seus olhos.

—Hey! -Protestei fazendo com que ela risse. Alec era um bom amigo, e ainda que eu o meu coração pertencesse ao Jonathan, eu jamais olharia para o Alec de uma maneira diferente da atual. Apenas aquela ideia absurda me fazia ter calafrios.

—Vamos, Clary.

Passei todo o fim de semana trancada em meu quarto, tanto minha mãe, quanto o Sebastian sabiam o motivo, e eu ficava extremamente agradecida por isso, não estava com disposição para falar com ninguém, ou ver alguém.

Em nenhum momento eu parei de pensar nele, era mais forte que eu, mais forte do que qualquer coisa, todo o meu ser clamava por ele. Sereias apenas se apaixonavam uma única vez, e eu fui a única estúpida o suficiente para amar um humano.

Era evidente para qualquer um que o Jonathan estava diferente, em todos esses anos eu nunca o vi agir da maneira que agiu na praia. Ele sempre foi uma pessoa respeitosa, e jamais deixava ninguém perceber que tinha algum interesse em mim, e até mesmo eu entendi o que o olhar que ele me lançou poderia dizer.

Ele também estava mais bonito, algo que não devo negar. Seus olhos tinham um brilho único e intenso, e o dourado dos mesmo resumia-se em apenas uma pequena mancha em seu olho esquerdo. A cada vez que eu o encontrava, uma parte daquele dourado se perdia.

Seus cabelos, que antes eram cachos dourados, tinham um corte diferente e estavam um tanto quando lisos. Quando o encontrei na praia, ele não usava mais a jaqueta de couro que usava quando esbarrou em mim, estava com a camisa azul marinho, e o tecido marcava o seu corpo, e quando eu o vi, uma parte desconhecida do meu corpo se manifestou; não era o físico de uma pessoa que passa todos os dias na academia, mas sim o físico de um atleta do time de basquete, ombros largos e músculos definidos. Provavelmente eu teria pensamentos nada puro sobre ele dali à uns dias.

Embora eu tenha ficado extremamente surpresa e abalado com a volta dele, eu consegui perceber que algo nele estava diferente, algo que eu podia sentir que ele carregava enterrado em seu coração, e aquele peso o incomodava diariamente. Desejei saber o que era, e dizer a ele que faria o possível e o impossível para que aquilo melhorasse.

Mas eu não podia. O Jonathan não era meu. Eramos amaldiçoados mas odas as vezes ele levava um tempo para se apaixonar por mim, não passava de alguns dias, mas daquela vez, eu faria o possível para que fosse diferente. Eu estava decidida que morreria, e que faria o possível para que ele ficasse vivo e bem, mesmo que significasse quebrar o meu próprio coração em milhares de pedaços, apenas para vê-lo feliz.

E com tudo o que aconteceu, eu não pude conter as lembranças que vieram a tona…

237 anos atrás….

—Senhorita Fray. -Abri um pequeno sorriso. -É muito bom vê-la novamente.-Seus cabelos cacheados faziam uma coroa sobre a sua cabeça, dando ainda mais destaque aos seus olhos.

—Digo o mesmo, Senhor Herondale. -Ele sorriu e indicou o caminho para o um lugar mais reservado. -Vejo que o Senhor recuperou-se bem. -Ele assentiu sorrindo. -Isso me alegra.

—Devo a minha recuperação à senhorita. -Senti o meu rosto esquentar. Ele havia sido ferido em uma batalha há algumas milhas daquela residência, e eu pedi permissão à minha mãe que me deixasse curá-lo.-A senhorita tem mãos mágicas.

—Oh, não é para tanto, apenas fiz o que…

—Salvou minha vida, senhorita. -Ele tomou minha mão esquerda. -Serei eternamente grato. -Senti seus lábios sobre a minha pele coberta pela fina luva de renda. Mesmo que o contato não houvesse ocorrido diretamente, eu pude sentir a minha pele queimar perante o toque rápido e casto de seus lábios.-É de meu conhecimento a partida de seu irmão. -Desviei o olhar, o Sebastian havia ido para a guerra. Uma loucura sem dúvida alguma. -Aprecio a coragem dele. -Aquela atitude estúpida havia sido tomada após a última briga dele com o nosso pai. Enquanto eu tinha problemas de relacionamento com a minha mãe, bem, o meu irmão mal tinha um relacionamento com o meu pai.

—Sua partida me deixou preocupada. -Ele me olhou. -É o meu único irmão, tenho medo de perdê-lo, a guerra pode nos tirar mais do que a independência.

—Entendo. -Ele acariciou minha mão que ainda segurava. -Seria, de fato, uma pena perder um homem tão bom como o seu irmão. -Eu assenti. -E seria ainda pior ver a senhorita sofrer. -Abri um pequeno sorriso. -Não se preocupe, tenho certeza que ele voltará para casa, são e salvo.

—Assim espero.

—Clarissa. -Olhei para a minha mãe que se aproximava. -Oh, Senhor Herondale. — Ele soltou minha mão e cumprimentou a minha mãe. -Devemos nos apressar. -Eu assenti. -A viagem será longa.

—Irão viajar? -Nós o olhamos. -Desculpe, pela…

—Não há problema algum. -Minha mãe sorriu. -Iremos visitar uma velha amiga. -Ele me olhou e abriu um pequeno sorriso.

—Espero vê-la novamente, senhorita Fray.

—Digo o mesmo, senhor… -Minha frase foi interrompida pelo som do mosquete, senti o meu peito arder e olhei para baixo, havia um mancha de sangue manchando o meu vestido, aquilo não me mataria, mas eu não podia simplesmente sair andando. Senti os meus joelhos fraquejarem e minha cabeça rodar.

—É ferro puro. -Minha mãe disse e abaixou-se ao meu lado. -Clarissa.

—Senhorita Fray. -Vi seus olhos marejados e cheios de preocupação. -Meu Deus!

—Senhor temos que ir. -Vi um homem o puxar.

—Não vou deixá-la…

—Jonatham! -Ele saiu o puxando e a última coisa que eu vi foram seus olhos perdendo mais uma parte do perfeito dourado.

Presente…

Respirei fundo e balancei a cabeça, se continuasse daquela maneira iria passar o dia inteiro chorando. Era domingo e eu precisava estar bem no dia seguinte. Virei para o lado e deixei o sono me consumir.

Acordei com o meu celular tocando, tateei até achá-lo, desliguei o despertador e enquanto soltava um suspiro; mesmo que e quisesse não voltaria a dormir, os pesadelos haviam me assombrado durante toda a noite. Porém, ao mesmo tempo não me sentia preparada para ir à escola.

Vamos Clarissa, você é forte, vamos.

Fiz minha higiene rapidamente e me vesti, uma calça jeans escura, uma camisa estampada com várias flores, um all-star e um rabo de cavalo, o melhor estilo Clary Fray. Naquela manhã uma Clary Fray triste e desanimada.

Saí do quarto e encontrei meu irmão e minha mãe comendo em silêncio, me sentei e comecei a comer no mesmo silêncio. Escovei os dentes e esperei o Sebastiam, o silêncio continuou até a escola, quando fui descer do carro, não consegui, ele havia bloqueado as portas, suspirei e o olhei.

—Preciso saber se está bem.

—Claro que estou. -Ele suspirou. -Olha, não é nada demais.

—Não, só o cara que você passou 700 anos esperando resolveu aparecer no maior estilo bad-boy cafajeste.

—Podia ser pior. -Dei de ombros. -Vamos, não quero me atrasar.

Saltei do carro e entrei na escola, peguei o meu material e segui para a sala, sentei no meu lugar de sempre e fiquei ali até o sinal tocar. Afinal, eu podia ter aula com ele, não podia? Precisava estar preparada para tudo, tudo mesmo.

Vamos lá, é só ignorá-lo. —Pensei.

O sinal bateu e todos começaram a entrar, vi a Izzy entrar na sala e sentar-se atrás de mim. Começamos a conversar, ela me contou sobre o que havia ocorrido na festa, coisas do tipo, o Alec havia “sumido” duas vezes, o Simon havia ficado com a Maureen, o Jace havia matado as saudades de casa, e com isso ela quis dizer que ele dormiu com duas garotas, Helen Blackthorn e Aline Penhallow. Devo dizer que não esperava por essa última parte. E algo dentro de mim havia ficado diferente, algo que nunca havia sentido antes, e não era ciúmes.

—Bom dia alunos. -Luke, nosso professor de história, desejou assim que entrou na sala. -Senhor Herondale, é muito bom tê-lo conosco. -Todos olharam para o fim da sala, o dito cujo abriu um sorriso e acenou para o professor.

—É bom estar de volta.

Devo dizer que foi difícil prestar atenção na aula depois daquilo, me pegava olhando para ele de três em três minutos, e devo dizer que não era nem um pouco discreta. Até a Izzy já estava percebendo, o que não era uma coisa tão boa assim, afinal era irmão dela, não que ela se importasse muito com esse fato, afinal ela tinha um enorme sorriso no rosto.

Assim que o sinal bateu eu saí correndo, nunca fiquei tão feliz em ter aula com Amatis, entrei na sala e suspirei. Senti uma mão em meu ombro e olhei para trás, lá estava ele, Alec Lightwood. Abri o meu melhor sorriso para ele, afinal, ele não tinha nada a ver com a minha confusão interna.

—Oi. -Disse enquanto me sentava.

—Você está esquisita.

—Não dormi muito bem. -Ele sentou-se ao meu lado.

—O que achou da festa do sábado?

—Foi boa.

—Que bom, temos outra amanhã, e você irá comigo. -Arregalei os olhos. -Não vai me dar um fora, vai?

—Ah… -O olhei por alguns segundos. -Claro que não. -Ele sorriu.

—Talvez minha irmã te sequestre novamente.

—Não! -Ele riu.

—Hey, Alec! -Vi um vulto loiro se aproximar de nós e sentar-se na minha frente. -Preciso que me cubra hoje. -Vi o moreno revirar os olhos. -Qual é! Por favor. -O Jace riu. -Eu te cubro com…

—Tá! Já entendi. -O loiro riu. -Você é tão idiota, Herondale. -Eu estava meio perdida, e realmente não queria saber do que se tratava. -Aline, novamente? -Aquele nome me chamou atenção, era uma das garotas com que ele havia dormido.

—Lydia.

—Divirta-se.

Com a presença do Jonathan, ou Jace, eu preferi me afastar um pouco do grupo, claro que não passou despercebido, pelo menos não haviam perguntado nada, ou insinuado algo. O Sebastian havia tentado, mas sabia que eu iria preferir ficar sozinha, volta e meia ele olhava para mim, ou sentava-se ao meu lado e ficava em silêncio.

Na terça-feira, eu não fui à escola, o Sebastian disse aos outros que eu estava me sentindo mal. A Izzy e o Alec me ligaram para saber como eu estava, já que não respondia suas mensagens. Tive que me desculpar com o Alec por não ir com ele à festa, e para o meu alívio, ele entendeu perfeitamente.

E assim foram os dias que se seguiram, quando não ia a escola, não falava com ninguém, eu existia, mas não vivia. Não suportava olhar para o Jonathan, era doloroso demais, tudo era doloroso demais, principalmente olhar para a Izzy, para o Alec, para o Simon, ou para qualquer outra pessoa e ver como eles o amavam, esse amor era recíproco, era nítido para qualquer um, e saber que seria a causa do fim de tudo isso me tornava a pior pessoa do mundo, pessoa não, a pior criatura do mundo. No fim dessa história um de nós iria morrer, isso era inevitável, e pensar em perdê-lo, era doloroso demais, e mesmo que eu preferisse, minha mãe e meu irmão jamais permitiriam que eu me matasse.

A vinda de Maryse apenas deixava as coisas ainda piores, a tensão entre ela e a minha mãe não iria ajudar em nada, só me deixaria pior, e consequentemente, tudo ficaria pior. Maryse era uma mulher rígida, diria que era a Sereia mais fria que conhecia, porém, ainda assim preocupava-se com nossa espécie, ela jamais permitiria que uma Sereia morresse por um humano, e jamais permitiria que uma também morresse por uma maldição.

Entretanto, sua vinda me deixava tensa, ela iria fazer de tudo para impedir que eu morresse, e isso significava que caso fosse preciso ela mesma mataria o Jonathan, e isso era algo que eu não iria permitir. Se essa, talvez, fosse minha última vez, o que garantia que não seria a dele também? E viver sem ele, seria um destino pior que a morte.

Quando uma Sereia perde o amor, ela se torna depressiva, até que morre de desgosto, ou torna-se agressiva, e com isso, seus instintos mais primitivos vem a tona, e é daí que vem o mito das Sereias devoradoras de homens. Eu jamais me tornaria algo assim.

Lembro muito bem da guerra contra elas, muitos Tritões foram assassinados por outras sereias, o que tornou as outras agressivas. Passamos mais de uma década lutando contra elas, não diria que foram extintas, mas seus números foram absurdamente reduzidos, e agora nós as mantemos sob controle.

Por conta desse desgosto, algumas Sereias preferem manter-se fechadas a isso, como a minha mãe, ela casou com meu pai, mas nunca o amou, e contrário a ela, meu pai sempre foi perdidamente apaixonado por ela, tanto que aqui estamos eu e o Sebastian. Alguns dizem que Maryse nunca amou seu marido, outros dizem que ele nunca a amou, outro também dizem que nenhum dos dois nunca amou o outro, e ainda há outros que digam que ele se amam a sua forma, e eu concordo com eles, acho que depois de tanto tempo, eles se amam sim, mas da forma deles. Mesmo com todos esses anos de casados, eles só tiveram um filho, e isso foi há nove anos atrás, o pequeno Max, é o Tritão mais novo, e é uma fofura, espero que ele venha com a mãe.

—Clary. -Ergui os meus olhos para a porta. -Você precisa comer. -Suspirei, não tinha fome alguma. -Clarissa abra essa porta antes que eu abra.

—Tudo bem, mãe. -Fiz o que ela havia pedido e voltei para a cama.

—Minha filha, você precisa viver, eu sei que… -Ela suspirou. -Fale com seus amigos, Clary.

—Jem, Tessa e Will foram para Londres. -Abracei meus joelhos e apoiei meu rosto ali. -Izzy, Alec e Simon são amigo do Jonathan, e são humanos. -Ela suspirou e desviou o olhar. -O Sebastian já não deve mais aguentar me ouvir falando sobre, e a senhora…

—Então faça algo que gosta. -Ela me cortou. -Seu estúdio está pronto. -Abri um pequeno sorriso. -Vamos. -Ela me arrastou até o sótão.

Arregacei as mangas e comecei a pintar, depois de um tempo ela me deixou sozinha. Passei o resto da tarde ali, e quando terminei suspirei ao olhar o desenho. Você acertou se disse que era o Jonathan. Bufei e troquei a tela.

—Parada aí! -Arregalei os olhos, um furacão chamado Isabelle Lightwood se aproximava. -O que está acontecendo com você, Clarissa Fray?!

—Nada. -Dei de ombros e virei para o outro lado, entretanto, uma barreira chamada Alec Lightwood estava ali. Bufei e cruzei os braços. -O que vocês querem?

—Clary, você sumiu. -A Izzy suspirou.

—Estava doente.

—Está nos evitando desde a festa. -Apoiei a minha cabeça no armário.

—Foi o Jace? Ele fez alguma coisa, não fez? Me diz o que ele fez, Clary. Eu vou acabar com aquele loiro aguado. -Segurei a Izzy.

—Ele não fez nada, Isabelle. -Ela olhou em meus olhos e no mesmo segundo eu soube que ela sabia que tinha algo a ver com ele.

—Clary, não aconteceu nada? Tem certeza? -Assenti e olhei para o Alec. -Então, por que sumiu?

—Eu… -E agora Fray?

—Muito obrigada por me esperarem! Tive que vir com Hodge! O que era tão importante a ponto de me esquecerem em casa? Achei que… -Ele parou de falar quando seu olhar caiu sobre mim. -Oh! Ah… -Ele pareceu pensar. -Cami, certo?

—Clary. -Dissemos os três ao mesmo tempo.

—Desculpe, Clary. -Ele abriu um sorriso galanteador. -Esses são os piores irmãos do mundo, me deixaram vir… -Olhar para ele ali sorrindo para mim com a maior normalidade do mundo, sendo gentil, conversando como se fossemos íntimos, e ainda fazendo piada, foi demais para mim. Passei por eles e saí andando o mais rápido que conseguia, para não dizer correndo. -Disse algo errado?

Entrei no primeiro banheiro que vi e me tranquei na cabine. Tudo bem, respira Fray, só respira, você tem que aprender a se controlar. Se quer sobreviver a isso, tem que aprender a se controlar! Quando foi que você virou essa molenga? Você já lutou contra Sereias, tubarões, arraias, até com humanos, o que um sorriso idiota pode fazer com você? Nada!

—Clary. -Suspirei ao escutar a voz da Izzy. -Qual é o seu problema com o Jace? -Um hora ou outra eu teria que dizer algo a ela. Abri a porta e a olhei. -Ele fez alguma coisa? Pode me contar, ele é meu irmão, mas…

—Ele não fez nada, Izzy. -Passei a mão pelos cabelos.

—Então, o que foi? Você sempre some quando ele aparece, fica estranha perto dele, e mal fala com a gente desde que ele chegou.

—Izzy…

—Não vou sair daqui até você dizer. -Fray, você sente mentiras, agora está na hora de inventar uma.

—Ele… Ele… -Ele o que? Como eu sou idiota! -Ele parece com uma pessoa que eu conheci. -Parabéns Clarissa, você é uma completa idiota.

—Quem? -Obrigada, Isabelle, está ajudando muito.

—Meu ex… -Até eu pensei na minha resposta, mas como ela estava prestando atenção eu continuei com aquela mentira deslavada. -Ele era agressivo, e quis forçar as coisas, por isso viemos para a Califórnia. -Ela assentiu.

—Por que não disse antes? -Por que é mentira!

—Não sei… Acho que fiquei com receio, não sabia como iriam reagir.

—Oh, Clary, claro que iríamos entender, até o Jace. -Ela sorriu. -Se o seu ex era um babaca, o Jace é o completo oposto, ele é o cara mais legal que conheço. -Sorri. -Vamos.

—Onde?

—Falar com ele, oras. -O que?!

Notas finais
Coisa feia, dona Fray! Logo você Clarissa? E então, mermaids, o que acharam do capítulo? Acho que já está dando para perceber como a Clary vai ser dramática e como a maldição a afeta. Espero que tenham gostado. Kissus Lightwood