Like I'm Gonna Lose You - Leia a sinopse por favor
3 Capítulo 2 - Gift
Notas iniciais
—Clary! -Olhei para a pessoa que me chamava.
—Ah, oi Isabelle. -Ela abriu o armário.
—Como foi o primeiro dia? Quero dizer, ontem você saiu sem mais nem menos. Meu irmão achou que ele havia feito algo. -Eu desviei o olhar. Sereias tem algumas habilidades, poderes até se você preferir, e uma das minhas habilidades é saber quando estão mentindo, eu posso sentir quando as pessoas são mentirosas. E dependendo da mentira eu sentia uma forte dor de cabeça e as vezes me sentia tonta. E ontem eu senti exatamente aquilo, podia sentir que a Isabelle mentia, mas o irmão dela mentia por toda a família. -O Alec fez algo errado? -Provavelmente.
—Não. Claro que não. É que… Eu sou um pouco anti social demais e quando muitas pessoas assim falam comigo eu fico nervosa e prefiro me afastar. -Ela sorriu.
—Não esquenta com isso, nós não somos tão selvagens como parecemos. -Ela fechou o armário. -Você verá. -Algo em seus olhos me fez acreditar nela, não só pelo fato dela não estar mentindo. -Qual a sua primeira aula?
—Ah… -Parei para pensar. -Acho que educação física.
—Eu também, você irá amar o Raphael. -Ela agarrou o meu braço.
Em poucos minutos nós chegamos no vestiário e trocamos de roupa, segundo a Isabelle nós estávamos atrasadas. O que era mentira, esperamos por cerca de vinte minutos os outros alunos aparecerem.
—Bom dia. -Desejou o homem que entrou no ginásio. Ele aparentava ser bem novo para ser um professor, mas eu podia sentir que ele tinha 26.
—Não vai nos fazer correr novamente, vai Raphael? -Alguém perguntou.
—Vou sim, Simon. -Eu o olhei, ele consertava os seus óculos, e para um nerd ele tinha ombros bastante largos.
—Isabelle Lightwood. -A morena olhou para o professor. -Junte-se a Simon Lewis e comecem a correr. -Ela bufou e se levantou, o menino do outro lado fez o mesmo, os dois se encararam por alguns segundos, eles pareciam se odiar, mas foi só eu olhar para a cena e que eu senti a minha cabeça doer; e com uma segunda olhada aprofundada, eu pude perceber que aqueles dois fingiam muito mal que se odiava, porém, pareciam convencer todos além de mim. -Theresa Gray, e Aline Penhallow. -Assim se seguiu até ele chamar o meu nome. -James Carstairs e Clarissa Fairchild. -Eu me levantei e me juntei ao Jem. Começamos a nos aquecer. Eu podia sentir a sua insegurança.
—Jem, o que foi?
—Isso é tão chato. -Ele bufou e eu ri. -Maryse está vindo para cá. -Eu arregalei os olhos.
—O que? Por quê? O que ela vem fazer aqui? Quem chamou ela aqui?
—Hey, calma. -Eu suspirei. Ele lançou um olhar para a Tessa e para o Will, eles assentiram. Por um estranho motivo desconhecido, eu era mais ligada a Jem do que aos outros dois.
—Ela me dá medo.
—Sua mãe quer que ela te ajude com os seus pesadelos. -Senti o meu rosto esquentar. -Jocelyn está achando que podem não ser só sonhos. -Eu o olhei. -Ela vai te explicar melhor que eu. -Balancei a minha cabeça em afirmação, já prevendo os encontros desconfortáveis e intimidantes com a Maryse. -Tem mais.
—O que foi?
—Nós vamos para Londres. -Eu arregalei os olhos. -Eu, Will e Tessa. Temos assuntos para resolver lá, e não podemos deixar Londres sozinha já que Maryse está vindo. -Deixei que um suspiro preguiçoso de desânimo escapasse pelos meus lábios. -Vamos sentir sua falta ruivinha.
—Vão demorar muito?
—Não sei dizer. -Eu assenti. -Prometemos ligar.
—Por que está me dizendo isso agora? Estamos na escola.
—Por que nós já estamos em Londres, e você está dormindo na sala de aula.
—O que…
—CLARY! -Me levantei rapidamente e olhei em volta. -Você está bem? -Cocei os olhos, bocejei e tentei falar um “sim” ao mesmo tempo. Maldito seja James Carstairs! Pensei. -A noite foi boa? -Senti o meu rosto esquentar. -Estou brincando.
—Fiquei acordada até tarde… -Parei para pensar. -Estudando. -Isabelle assentiu, até eu podia sentir a minha própria mentira. Nós ficamos a noite inteira na água, nadamos até o Havaí, que era um longo percurso, e nós já estávamos um tempo longe da água. Minhas pernas estavam doloridas, e eu estava morrendo de sono. -O que vai fazer depois da escola? -O professor Raphael me olhava de cara feia. Ótimo.
—Provavelmente, vou dormir.
—Não vai mais, eu, Alec, Simon… -O meu dom de descobrir mentiras além de me dar dor de cabeças e tonturas, ele me dava um pressentimento, e naquele momento, eu tinha esse pressentimento sobre a Isabelle, principalmente no que se referia ao Simon. -Maia, Jordan, Meliorn e mais um pessoal do time de basquete iremos ao Java Jones.
—E o que seria isso? -Ela riu.
—Você verá.
…
—Tem certeza que eu preciso ir?
—Sim. -Revirei os olhos e entrei em seu carro. -Você vai gostar. O Sebastian estará lá. -Ela sorriu. -Ele é gato, é legal. —Não é, não.
—Hum… -Foi a coisa inteligente que eu disse. Ela riu e deu partida no carro.
O caminho até o Java Jones não foi nada silencioso, a Isabelle cantava o tempo inteiro, na verdade gritava, e a música parecia estar no último volume. E ela também dançava, era até engraçado.
Mas eu estava preocupada com a volta de Maryse. Ela era uma mulher rígida e por um tempo teve uma rixa com minha mãe. Nunca soube o motivo, mas tiveram. O Sebastian diz que Maryse quebrou uma das regras, e minha mãe a ajudou, a culpa caiu sobre a minha mãe, e Maryse saiu impune. Bom é o que o meu irmão diz, talvez, não seja a verdadeira história.
—Yeah I know that I let you down, Is it too late to say I’m sorry now? -Ela continuou a cantar após desligar o rádio. -Eu sei, eu sou demais cantando. -Eu acabei rindo. -Vamos, eles já estão lá.
Ela saiu correndo na minha frente. Eu suspirei e passei a mão pelos cabelos. O Java Jones era um restaurante-Lanchonete-Casa de show-Eventos que ficava perto do Pier. Olhei para a frente e vi o mar, eu poderia muito bem falar qualquer coisa para a Isabelle e passar o resto da tarde na água. Mas não seria uma boa opção começar o ano usando meus talentos.
Respirei fundo e subi as escadas, abri a porta escutando o sino tocar. Haviam muitas pessoas ali, parecia ser o lugar que os adolescentes iam depois da escola. Avistei a Isabelle em uma mesa que ficava bem no centro do lugar, e também era a mesa mais lotada. Na mesa também se encontrava o irmão dela, o Simon, o Meliorn, e o meu irmão, pelo menos eram os que eu reconhecia. Caminhei até lá e a lancei um olhar para a Isabelle.
—Hey! -Ela chamou a atenção de todos. -Pessoal essa é a Clary. -Abri o meu melhor sorriso. -Não a assustem ainda, isso vai para você Sebastian, ela é tímida. -Aquilo foi como presentear um chocolatra com uma fábrica de chocolates. O Sebastian aprontaria alguma coisa, daquilo eu tinha certeza.. -Sejam cavalheiros e a deixe sentar. -O Simon levantou e eu lancei um olhar de agradecimento para ele.
—Ela é muda? -Alguém perguntou.
—Não, Jordan. -A Isabelle respondeu.
—Isabelle, eu acho que não é uma boa ideia…
—Hey, calma… Eles são grandes, mas não passam disso. -Eu acabei sorrindo.
—Achei de demoraria mais. -Olhei para o Sebastian. Todos estavam parados como na mesma posição de segundos atrás. Esse era o dom do Sebastian, ele podia parar o tempo por alguns minutos. Ele nunca conseguiu passar dos dez minutos no instante, como ele passou a chamar, e ele também podia selecionar quem pararia ou não. -Izzy? Me surpreendeu, Clarissa. -Ele sempre me chamava de Clarissa quando queria me zoar.
—Cala a boca, Sebastian. -Ele riu e fez sinal para o garçom. Ele já havia encerrado o instante e fez todos me encararem como se eu fosse louca.
—Mas eu não falei nada! -Rebateu como se fosse inocente. Eu queria esganá-lo, aquele dom era incrível, mas foi concedido à pessoa errada. E pior! O Sebastian sabia perfeitamente como usá-lo para me colocar em situações embaraçosas. -Controle-se Clary. -Revirei os olhos e me recostei no banco. Estávamos no instante novamente. -Jem falou com você?
—Sim.
—Ótimo. -Ele abriu um sorriso e olhou para o garçom. -Ela vai querer um…
—Uma limonada, e põe na conta dele. -Meu irmão ergueu uma das sobrancelhas. -O que foi? -O garçom saiu nos ignorando, bem diferente das pessoas na mesa.
—Ah… Eu perdi alguma coisa? -A Isabelle perguntou. Olhei para o Sebastian por alguns segundos, até que ele entendesse, e novamente os demais estavam parados.
—Não contou a ela?-Perguntei.
—Achei que você tivesse contado. -Revirei os olhos. -Eles já perceberam. -Ele deu de ombros e bebeu o seu refrigerante.
—Sebastian, quantas vezes as pessoas acertaram?
—Nunca.
—Você é um idiota. -Ele sorriu. -Não devia ter vindo aqui sabendo que você estaria. -Suspirei e afundei no banco.
—Relaxa, Clarissa. -As pessoas ao nosso redor voltaram a agir normalmente, mas eu já estava irritada o suficiente com ele.
—Para de me chamar de Clarissa! -Ele riu, meu rosto provavelmente estava da cor do meu cabelo. -Eu te odeio.
—Também te amo, irmãzinha.
—OI?-Todos da mesa perguntaram ao mesmo tempo.
—Sua limonada. -O garçom voltou e me entregou o copo.
—Obrigada. -Beberiquei meu suco.
—Vocês não são irmãos. -O Simon disse e eu o olhei. -Não são nada parecidos.
—Sabemos disso. -Dissemos ao mesmo tempo.
—Aaaaaaaaaah! -Olhamos todos para a Isabelle.
—O que foi isso? -O Alec perguntou.
—Jace está voltando! -Ela começou a fazer uma dancinha que deveria ser considerada no mínimo esquisita.
—Quem é Jace?
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