Like I'm Gonna Lose You - Leia a sinopse por favor
2 Capítulo 1 -Nightmare
Notas iniciais
—Oi, meu nome é Clary Fray. -Eu repeti pela milésima vez na frente do espelho. -Não está funcionando. -Me joguei na cama em frustração.
Odiava o primeiro dia de aula, não que fosse o primeiro dia, mas eu havia acabado de me mudar para a Califórnia. O que há de errado nisso? Simples, as férias de inverno haviam terminado, ou seja, estávamos na metade do ano letivo. Aquilo seria perfeito.
As aulas já haviam começado há uma semana, e durante esse tempo minha mãe me obrigou a ficar em casa arrumando as coisas. Jocelyn Fray podia ser chata quando queria. Não só quando queria, na maior parte do tempo ela vivia enchendo o meu saco. Como se já não bastasse o Sebastian para me encher, a minha mãe ajudava.
—Hey. -Eu ergui os olhos. -Por que não vai dormir? Vai acordar cedo amanhã. -Eu assenti com um a frustração ainda reinando dentro de mim. -Boa noite, querida. -Desejou ao depositar um beijo em minha testa e sair do quarto em silêncio. Assim que a porta foi fechada eu apaguei o abajur e ajeitei o meu travesseiro. Fechei os meus olhos e em pouco tempo estava dormindo.
Podia ouvir ao longe o barulho dos trovões, mesmo que o céu estivesse claro. Eu olhei em volta, queria saber onde estava. Conseguia ver o mar a poucos metros de distância, tanto que sentia as minhas pernas formigarem, em um pedido por contato. Um homem passou por mim, correndo em direção ao mar. Ele parou há poucos metros da água e me olhou. Eu reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar.
—Jonathan? -Eu perguntei em um sussurro. -O que…
—Clarissa. -Ele sorriu e caminhou em minha direção.
Antes que ele pudesse chegar até mim um raio caiu entre nós. Eu acabei caindo no chão, me apoiei em meus braços e procurei pelo Jonathan em desespero. Ele estava caído no chão, sua camisa estava chamuscada; corri até ele e me ajoelhei ao seu lado. Seu peito estava queimado, assim como parte de seu rosto.
—Clarissa… -Ele sussurrou.
—Oh, meu Deus! Jonathan, o que… -Gritei quando senti uma forte dor em meu peito, olhei para baixo e vi um punhal cravado nele. -O que… -Ele segurou o meu pescoço e olhou em meus olhos. Seus olhos se tornaram agressivos.
—Mar e terra, sereia e humano, patético. -Sua risada era fria. -Um não poderá viver enquanto o outro estiver vivo. -Ele disse, sua voz estava grossa e grave, como se não fosse ele quem estava falando. -Se quer vê-lo feliz, você deve morrer. -Eu estava tão apavorada que não sentia mais a faca em meu peito.
—Jonathan… -Ele fechou os olhos e balançou a cabeça de um lado para o outro.
—Clarissa. -Ele olhou em meus olhos. -Quebre a maldição. -Ele disse pouco antes de me beijar.
—Jonathan! -Me sentei na cama ofegante.
Passei a mãos pelos meus cabelos e tentei normalizar a respiração. Minhas mãos tremiam sobre os meus cabelos, eu não conseguia manter o foco em nada. Estava apavorada. Tanto que quando o meu celular tocou eu gritei. Olhei para o aparelho e suspirei aliviada, era apenas o meu despertador. Levantei da cama e segui para o banheiro, lavei o meu rosto e olhei o meu reflexo no espelho.
Foi só um sonho. -Pensei.
Me despi e entrei no box, tentei deixar a água me acalmar. Precisava pôr os meus pensamentos em ordem. Aquele sonho havia sido tão real. E era a primeira vez que eu havia sonhado com ele. Nunca mantivemos contato por mais de alguns minutos, mas a nossa relação sempre foi intensa, e sempre trágica.
—Clarissa. -Me virei rapidamente e arregalei os olhos. Ele estava parado atrás de mim, seus cabelos estavam tão úmidos quanto os meus, e seus olhos tinham o brilho do mar quando recebia os raios do sol.
—Jonathan… -Ele me jogou contra a parede com força e segurou o meu pescoço com força.
—Quebre a maldição. -Ele disse enquanto me enforcava. Em desespero acabei usando mais força que o necessário para afastá-lo, ele escorregou e bateu com a cabeça. Uma grande poça de sangue começou a ser formada no chão.
—JONATHAN! -Me ajoelhei ao seu lado. -Não, por favor… -Ele abriu os olhos.
—Você vai morrer, Clarissa. -Não era a voz dele. -Essa será a última vez que você o verá. -Ele riu, e novamente eu ouvi aquela risada fria, que me fazia arrepiar. -Você vai morrer!
—Aaaaaaaaaah! -Abri os meus olhos e me sentei ofegante na cama.
—Clary! -Minha mãe estava ao meu lado com os olhos arregalados. -Clary, você está bem? -Eu engoli em seco e assenti.
—Eu tive um pesadelo. -Disse ainda tremendo. -Foi tão real. -Sussurrei.
—Com o que sonhou? -Eu a olhei.
—Sonhei com o Jonathan. -Ela umedeceu os lábios e abaixou o olhar.
—Oh, querida. -Ela me abraçou. -Eu sinto tanto por isso. -Eu sabia que ela não estava falando do meu pesadelo, ela sentia pelo Jonathan. -Se quiser não precisa ir a escola. -Eu balancei a cabeça em negação.
—Preciso me distrair. -Ela assentiu e beijou a minha testa.
Ela saiu em seguida. Olhei para o meu relógio e vi que eram 06h34min. Saltei da cama e corri para o banheiro. Demorei alguns segundos até conseguir tomar banho, mas por fim entrei no box. Me vesti em tempo recorde, não me dei o trabalho de passar maquiagem, prendi os meus cabelos em um rabo de cavalo e segui para a cozinha.
Engoli o meu café da manhã, sob os olhos reprovadores da minha mãe. Eu não consegui nem mastigar direito. Ouvi a buzina do carro do Sebastian e corri para o banheiro escovar os dentes novamente. Quando entrei no carro eu o ouvi rir, o que me fez olhá-lo.
—O que foi? -Perguntei.
—Você está bem?
—Claro. -Ele riu novamente. -Por quê?
—Parece que passou por um furacão. -Eu revirei os olhos. -Atrasada?
—Como sempre. -Ele deu partida no carro.
O Sebastian mal parecia ser meu irmão, eu tinha cabelos ruivos e ele platinados, ele era muito mais alto que eu, e a pele era pálida, como se ele nunca tivesse pego sol, o que seria uma grande mentira. E também tínhamos personalidades totalmente diferentes, quero dizer, eu era do tipo que ficava na minha e tentava passar despercebida, e o meu irmão era do time de basquete, não que isso indique muita diferença, mas dá para você ter uma noção.
—Vai precisar de carona hoje? -Ele perguntou.
—Por que a pergunta? -Ele sabia que eu iria precisar, eu sempre ia e voltava com ele na antiga escola, aquela não seria diferente. -Quem é a vítima? -Ele riu.
—Não vou demorar.
—Vou fingir que acredito. -Suspirei e comecei ajeitar o meu cabelo no rabo de cavalo. -Não precisa se preocupar eu dou um jeito.
Diferentemente de mim o Sebastian havia ido para a escola na semana anterior enquanto eu fiquei arrumando as coisas. Não que tivesse sido ruim, o Sebastian pode ser um saco quando quer, e até quando não quer, então ficar o dia inteiro sem ouví-lo reclamar de algo era bom.
Ele estacionou no estacionamento da escola e eu saltei do carro. A vaga não ficava muito longe da entrada da escola, mas o fato de eu ter que andar no meio daquela gente toda não me agradava muito.
—Hey! -Olhei para o meu irmão. -Tem certeza que vai ficar bem? -Eu sorri para ele, por mais que o meu irmão fosse um pé no saco ele se preocupava comigo.
—Vou sim. -Ele assentiu. Avistei um garoto um pouco mais baixo que ele vindo em nossa direção, tinha cabelos castanhos escuros e era dono de um sorriso conquistador de suspiros.
—Oi, Clary. -Eu sorri e acenei para ele.
—Oi, Jem. -Ele sorriu. -Vejo vocês mais tarde.
Girei os calcanhares e comecei a caminhar até o colégio. Podia perceber que algumas pessoas olhavam para mim, ignorei o fato e segui até o meu armário. Abri-o e comecei a separar os meus livros.
—Se não queria chamar atenção, devia pintar o cabelo. -Olhei para o lado, ela riu e me olhou.
—O que?
—Estou brincando. -Ela retirou o chapéu e o colocou dentro do armário. Não conseguia ver os seus olhos por trás dos óculos, mas podia jurar que eram castanhos, assim como o seu longo cabelo. -Primeiro dia, não é?
—Está tão na cara assim? -Perguntei sem jeito.
—Mais ou menos, e eu também nunca te vi por aqui.
—Ah…
—Lightwood. -Ela olhou para o homem que se aproximava. -Já avisei para não vir com essas roupas para a escola. -Ela suspirou. -Vai acabar sendo suspensa.
—Qual é, Hodge? Você adora me ver nessas roupas. -Ela disse rindo, ele apenas balançou a cabeça em negação.
—Não deixe a Jia te ver. -Ele saiu andando. Ela riu e se virou para mim.
—Esse é o Hodge Starkweather, ou apenas Hodge. Ele é o monitor da escola, e meu tio. -Então estava explicado o fato da conversa ter sido tão… estranha. -Oh! Eu sou Isabelle Lightwood. -Ela estendeu a mão.
—Clary Fray. Prazer em conhecê-la. -Apertei sua mão. –Você me lembra alguém. -Eu abri um sorriso sem graça. O sorriso dela me lembrava alguém, mas não sabia dizer quem exatamente. O sinal bateu e ela suspirou.
—Qual a sua primeira aula? -Perguntou enquanto fechava o armário.
—Filosofia.
—Boa sorte, Henry pode ser mais chato do que parece. -Ela pegou a mochila. -Te vejo por aí, Clary. -Disse enquanto se afastava.
Caminhei até a sala de aula e me sentei em uma das última cadeiras. Eu detestava sentar na frente, se o fizesse sentia como se todos estivessem olhando para mim. O professor entrou e logo começou a falar. Eu só conseguia pensar no que a Isabelle havia me dito, ele podia ser pior do que aparentava. Quero dizer, ele não era chato, era muito legal por sinal, o único problema era a matéria. Odiava filosofia.
…
Quando o sinal bateu eu agradeci a Calipso. Depois da aula de Henry, tive aula de Amatis, ela lecionava Sociologia. Não era ruim, mas eu não aguentava mais ouvi-la falar. Se Henry não fosse casado diria que ele formariam um ótimo casal, e nem iria querer imaginar as discussões entre eles.
Juntei o meu material sobre a mesa e o guardei na mochila. Caminhei pelos corredores até o ginásio, o time de basquete estaria ali naquele horário, de acordo com o Sebastian, então eu resolvi ir assisti-lo.
Me sentei em um dos últimos degraus, coloquei os meus fones e peguei o meu caderno de desenho. Em poucos minutos o time de basquete entrou, eles começaram a fazer aquecimentos e eu continuei a desenhar. Desenhava qualquer coisa que passava pela minha cabeça, runas antigas, o rosto da minha mãe, ou o do meu irmão, paisagens, com o tempo eu havia aprendido a desenhar incrivelmente rápido. Claro que depois de 500 anos fazendo a mesma coisa, você adquire certa técnica. Olhei para o meu desenho atual e vi que desenhava o rosto do Jonathan. Suspirei e virei a folha.
—Vai, Alec! -Ouvi alguém gritar mais alto que a música em meus fones. Retirei os mesmos e olhei em volta.
—Isabelle! É apenas um treino, okay? Não precisa torcer. -Ouvi alguém avisá-la.
—Desculpa, treinador. -Ela disse rindo. Havia um menino com ela, não conseguia ver o seu rosto, pois ele estava de costas. Ela olhou para trás e consequentemente para mim, acenou e eu retribui. Fez sinal para eu ir até lá e assim eu fiz. -Oi, Clary.
—Oi, Isabelle.
—Esse é o Meliorn. -Ela me apresentou ao garoto ao seu lado. -Ele é meu namorado.
—Ah, prazer em conhecê-lo.
—O prazer é meu. -Ele sorriu.
—O que faz aqui, Clary? Não vai dizer que já faz parte do fã clube dos meus irmãos? -Eu arregalei os olhos.
—O que? Não! -Eles riram.
—Não esquenta com isso. -Ela se ajeitou no peito do Meliorn. -Meus irmãos atraem as meninas, mas não tão rápido assim, quero dizer você é nova.
—Ela está ficando vermelha Isabelle. -Eu abri um sorriso sem graça.
—Oh, desculpe, Clary. Eu sou meio assim. -Ela abriu o mesmo sorriso que eu.
—Não tem problema.
—Hey, Izzy! Já está torrando o saco da novata? -Eu olhei para o garoto que se aproximava.
—É o que eu faço de melhor, Alec. -Ele riu e sentou-se ao lado dela. -Clary, esse é o meu irmão Alec. Alec, essa é a Clary. -Ele me olhou. Devo admitir que Alec Lightwood era realmente muito bonito, olhos claros, cabelos castanhos, barba por fazer, era muito alto, tipo alto de verdade. Senti algo estranho vindo dele. Me senti tonta e fechei os olhos por alguns segundos.
—Sabe, eu acho que já vou indo. -Eu me levantei. -Prazer em conhecê-los.
Não os deixei responder, saí de lá o mais rápido que eu pude.
…
O vento batia em meus cabelos me trazendo uma sensação boa. Eu me sentia cada vez mais relaxada. Por mais que já tivesse me acostumado eu sempre sentia falta do mar. Querendo ou não era a minha casa, o lugar em que nasci e fui criada, e o único lugar que jamais irei morrer. Sereias não podem ser mortas na água, uma das vantagens, e se formos feridas em terra podemos correr para a água e nos curar. Algumas Sereias tem mais um milênio de existência. O que não é o meu caso. Tenho pouco mais de 700 anos de existência, e a minha aparência ainda é de uma adolescente. Diferente da minha mãe, ela tem pouco mais de 1000 anos, sim ela teve filhos cedo. Como ela aparenta ser mais velha? Bom, de acordo com minha mãe, nós envelhecemos de acordo com o tempo que passamos fora da água. Podemos ficar fora da água por no máximo uma semana, caso o contrário começamos a envelhecer, e se não voltarmos para a água morremos.
—Hey. -Olhei para o meu irmão. -O que tanto olha?
—Sinto falta do mar, sinto falta da época que passávamos todos os dias na água, não tínhamos que nos preocupar com o tempo que ficamos fora d’água. -Ele riu.
—Sente falta daqueles marinheiros bêbados? -Eu ri. -Qual é, a carne deles tinha gosto de rum.
—Mas as águas eram muito menos poluídas.
—Nisso concordamos.
—Crianças! -Minha mãe insistia em nos chamar assim, não importa a idade que tivéssemos, sempre seríamos seus bebês. -Vamos. Está na hora.
Retirei as minhas sandálias e as coloquei sobre a pedra, fiz o mesmo com as minhas roupas. Eu odiava essa parte, ter que ficar nua na frente de todos. Joguei o meu cabelo para frente e comecei a caminhar até a água. Estava gelada, muito gelada, e eu amava aquela temperatura. Molhei os meus pés e fechei os olhos sentindo as minhas pernas formigarem ainda mais. Soltei um grito quando senti algo se chocar contra mim, emergi e o fuzilei com os olhos.
—Jem! -Ele riu.
—Feche os olhos ou ficará traumatizada.
—O que…
—Olha para mim Clary! -Meu irmão gritou, eu me virei bem a tempo de vê-lo correr como um louco com os braços para cima. Ele se jogou na água e emergiu ao meu lado.
—Estou traumatizada. -Eles riram. -Onde está a Tessa? -Como se respondesse a minha pergunta algo me puxou.
Abri os olhos e a vi rindo. Balancei a cabeça em negação rindo também. Eu já podia ver a sua cauda. Começava no mesmo tom de sua pele, e quando chegava próximo a sua intimidade ficava verde água. Era linda, grande e forte. E era permanente. Diferente da minha no momento era preta, começava como a dela, no tom da minha pele e ficava preta, eu particularmente não gostava dela. E não via a hora de mudar. E como mudava? Aí estava o problema.
Havia duas formas, a primeira era eu morrer, e a segunda era eu ser beijada pela pessoa que amava em forma de Sereia. A segunda forma nunca aconteceu, mas a pessoa que amo já havia me matado.
Balancei a cabeça para espantar os pensamentos e fechei os olhos, respirei fundo e juntei as minhas pernas, senti o formigamento aumentar, deixei a água me consumir balancei minhas pernas. Sorri quando não as senti mais. Abri os olhos e vi a imensidão azul, eu finalmente estava em casa.
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