Lightweight.
18 Your Guts.
Notas iniciais
"Because I hate your guts and I wish I didn't love you anymore"
Um dia sem meus filhos tinha servido para uma coisa: tirar o atraso.
Havia me tocado que fazer amor com o cara que mais se ama no mundo é uma das melhores coisas.
Mas o dia de preguiça, comida em caixa, e sexo em todos os lugares possíveis já tinha acabado.
Eu tinha que voltar para o trabalho e Percy tinha trabalho a fazer.
Peguei minha bolsa, minha pasta, enfiando um último pãozinho em minha boca. Percy pulou até mim com a gravata para ser feita enquanto mordia uma maçã.
– Preciso que se atrase no trabalho.
Arqueei a sobrancelha enquanto deslizava meus dedos sobre seus ombros e puxava a gravata para fazer o nó.
– Tem aquela filial que te falei, lembra? Então, a empresa de corretores disse que tinha um ótimo lugar no centro de Los Angeles. Na verdade é um andar em um prédio novo, não sei ao certo. Queria que fosse comigo.
– E Nico? Ele não vai se incomodar?
– Ele tirou o dia de folga para ficar com Ian. – Percy franziu os lábios e encarou o nó em sua gravata vermelha – Obrigado, amor. Acho que posso dar conta da agenda dele por hoje.
– Você não acha que vai se sobrecarregar?
– Vou ficar bem. E então? Posso te deixar na Mazzali umas dez horas.
– Não sei... Preciso ver minha agenda com Naomi antes, venho faltado demais desde... Aquela perseguição maluca.
Percy assentiu, acariciou minha bochecha e beijou-me.
– Ligue para ela agora. Veja como estão as coisas. Você nem precisa desse emprego mesmo. – ele deu de ombros
– Mas é o único que eu tenho.
– Ligue. Disse que eu chegaria lá umas oito horas.
Procurei meu celular em minha bolsa, discando o número decorado de Naomi.
– E como estão as crianças?
– Meu pai disse que as levaria na escola.
– Vou pegá-los depois de meu expediente.
– Tudo bem. – Percy falou – A casa fica muito silenciosa sem eles.
Dei um sorriso e inclinei-me para depositar um selinho em seus lábios.
– Sra. Chase?
– Naomi. O que tenho para hoje de manhã?
– Uma visita em um hotel e duas reuniões, senhora.
– E a tarde?
– Uma reunião com o Sr. Mazzali.
– Hm, ele quer me despedir. Transfira a visita para dez e meia, as reuniões para a tarde, tudo bem?
– Sim, senhora.
– Obrigada, Naomi.
Encerrei a chamada. Percy me mandou mais um sorriso enquanto seguíamos para seu carro. Senti-me preenchida e feliz naquele momento. Eu só estava voltando a minha rotina normal. Sem nenhum maníaco atrás de minha família. Só eu e Percy indo trabalhar juntos. O que poderia ser mais fofo?
Demoramos quase uma hora para chegar ao centro de Los Angeles. Movimentado. Cheio de lojas piscando com suas novas tendências para o começo do inverno. O que me fez lembrar que a primavera já estava acabando e logo, viria o natal. Percy entrou em um estacionamento de um prédio espelhado. Pegamos um elevador para o térreo, seguindo para a recepção.
– Percy Jackson. Andar onze. Alguém já chegou para a avaliação?
– Não, senhor. Assim que o corretor chegar, ele irá subir. Tenha um bom dia.
Percy me guiou novamente até o elevador. Estava vazio. Mas eu me sentia totalmente confortável no silêncio que ele proporcionava.
As portas se abriram e eu senti o ar faltar.
Não estava novo. Mas a elegância estava no ponto em ser velho.
As paredes eram de um tom bege amarronzado, o carpete, vinho. Havia apenas quatro paredes que pareciam ser as fixas. Abri minha boca várias vezes enquanto Percy me guiava para dentro do lugar.
– Estava pensando em deixar os escritórios por ali. – ele apontou para a direita – Uma sala de reunião e outra de teleconferência, queria deixar mais um arquiteto da empresa com a gente. Estava pensando em apenas uma secretária para os três. Acha demais? O que achou do lugar? Sei que precisa de uma boa reforma. Está um pouco caro também, mas vale a pena.
– Nossa. – suspirei, ideias pipocando em minha cabeça – Você tem um papel, um lápis...
– Algo para apoiar?
Percy estava longe de mim. Em cima de uma mesa relativamente média estava uma prancheta, algumas folhas e um lápis azul.
– Você pensa em tudo. – sorri, abraçando seu pescoço e beijando seus lábios
– Aham. – concordou – Penso bastante em você, também.
Ri e revirei os olhos.
– Está vendo como um dia de domingo faz diferença em nossas vidas?
– Cale a boca.
– Estou falando sério. – insistiu enquanto eu avaliava o lugar com meus olhos atentamente – Deveríamos expulsar os meninos mais vezes de casa.
– Pare de ser ridículo. – resmunguei enquanto ele beijava meu pescoço – Estou trabalhando, não está vendo?
– E você fica extremamente sexy assim. – sussurrou
– Você me trouxe aqui para trabalhar ou me provocar?
– A segunda opção é bastante tentadora.
Ouvimos um som de alguém pigarreando, o que tomou minha atenção, mas não ergui os olhos do meu desenho. Estava ficando tão bom quanto eu imaginava. Podíamos tirar uma parede, fazer alguma decoração de gesso, abrir outra parede na metade e fazer outro tipo de iluminação, céus, havia tantas possibilidades. Meus pés começavam a caminhar por vontade própria enquanto meus dedos rabiscavam no papel. Sem chance que o deixaria trocar o carpete. O ar sombrio era simplesmente elegante e simples. Um balcão de mogno na entrada com uma secretária seria o suficiente, e assistentes pessoais. Mas isso não era do meu trabalho. Os escritórios teriam que ter paredes de vidro. E mogno. Bastante mogno. Iluminação escura nos corredores, um pouco mais clara na recepção e extremamente brilhante nos escritórios.
– Annie? – a voz fria de Percy cortou minha linha de raciocínio e por fim, ergui os olhos
– Vai ficar perfeito, amor. Realmente. Você vai ter que comprar isso. Além de que, o local é extremamente bom. Estamos no centro. Aposto que outras empresas vão comprar isso aqui e vai ser um bom lugar.
– Exatamente, senhorita.
Franzi o cenho e encarei Rob a nossa frente. Meu coração errou algumas batidas. Intercalei o olhar entre ele e Percy.
– Não sabia que ele era seu corretor.
– Nem eu. – ele vociferou, afastando-se dele
– Como disse, Sr. Jackson, o local é muito bem estacionado. Tenho certeza que ficará estabelecido por um bom tempo.
Engoli em seco e continuei olhando para ele. Seu cabelo negro estava bem penteado para trás, diferente de Percy que continuava com os cabelos desgrenhados. Ambos eram poderosos e sexys. Que merda eu estava fazendo ali?
– Além de que, com uma arquiteta tão boa quanto a Srta. Chase no comando, tenho que certeza que irá valorizar mais um pouco. – ele se inclinou com um sorriso pequeno e recatado
– Obrigada.
– Senhora. – Percy corrigiu — E você está fazendo isso para me provocar? Por favor, Rogers.
– Claro que não, senhor Jackson. – Rogers avançou dois passos para o lado com um sorriso enorme – Esse andar está em reforma desde que o prédio começou suas vendas. Talvez seja por isso que ele esteja com um preço tão bom. A vista dele não é a melhor, mas, convenhamos, nenhum cliente vai se concentrar na vista quando tiver uma boa decoração.
Assenti, diante de sua afirmativa.
– Eles prestam atenção em detalhes. Acho que se colocássemos alguns lustres. Não muito, ficaria exagerado. Deixaríamos as paredes centrais e então, poderíamos fazer espelhos fumês separando algumas salas. Ficaria elegante... Ah, a iluminação! Poderíamos fazer uma iluminação clara na recepção para mostrar seriedade e uma mais escura ao longo dos escritórios para ficar mais despojado e confortável.
Rob me encarou, seus olhos brilhavam e ele juntou as palmas.
– Perfeito.
Senti minhas bochechas arderem, o que era ridículo e desviei o olhar, continuando minhas anotações.
Levantei os olhos rapidamente para Percy, apenas para vê-lo engolir em seco.
– E como eu faço o pagamento?
– Poderá assinar o contrato. Terá que passar na imobiliária para resolver alguns termos, mas se quiser. Isso aqui já é seu.
– Ótimo. Amor. – Percy tocou em minha cintura, tirando-me a visão de Rob – Pode nos dar um minuto?
Não! Eu quis gritar.
Mesmo depois de nosso dia maravilhoso de ontem, eu não achava que Percy poderia reger minha vida. E eu não queria me afastar de Rob. De novo.
Encarei novamente os olhos verdes de Percy. Tão escuros quanto um maravilhoso mar revolto. Seus dedos se apertaram em minha cintura e sorri, abertamente.
– Claro. Te espero no carro. – segurei seu queixo com meus dedos e lhe dei um selinho – Não demore.
Afastei-me de suas mãos e fui até Rob, dando o abraço mais educado que eu poderia dar junto com dois beijinhos.
– Fique bem, Rob.
– Idem, Annie.
Mandei-lhe mais um sorriso e adiantei meus passos para o elevador, tentando parecer tão elegante quanto queria.
Quando as portas se fecharam, deixei de ver Percy com uma das mãos no bolso e outra, bagunçando os cabelos, um suspiro escapou dos meus lábios. Forcei minha mente a parar de pensar nos dois homens gostosos que deveriam estar brigando.
Meus olhos caíram no rabisco que fiz. Apenas traços do que seria um escritório, linhas paralelas que indicavam corredores. Todos os cômodos separados.
Procurei um dos sofás vagos no hall do térreo e sentei-me com pernas cruzadas em uma poltrona azul escuro. Em frente ao elevador.
O que eu estava fazendo ali? Eu tinha que trabalhar. Por que...? Um dia de sexo e Percy me tirava dos eixos.
Peguei meu celular e fiz várias chamadas para todos os meus clientes que vim atrasando. O que me fez levantar e ficar andando de um lado para o outro com uma voz simpática. Minhas desculpas eram claramente forçadas, mas rezei para que nenhum deles percebesse aquilo.
Uma mão tocou meu braço, assim que terminei uma das ligações para Joshua.
– Percy, nós... Rob. – arregalei os olhos, procurando por Percy
Onde estaria ele? Por que...?
– Onde está Percy? – vociferei
Rob pareceu ligeiramente magoado e afastou-se, engolindo em seco.
– Acho que se víssemos no mesmo elevador, não pararíamos até que um não respirasse.
– Isso é ridículo. – joguei parte do meu cabelo para trás – Droga, eu sinto muito por qualquer coisa que Percy tenha dito ou feito...
– Não, está tudo bem. Não precisa se desculpar.
Segurei seus ombros com as mãos. Não foque nos olhos!
– Eu preciso me desculpar. Sei que ele foi grosso. Só não estamos em um bom momento e acho que ele jogou tudo isso em você. Por favor, não se preocupe com isso.
– Realmente, Annie. Está tudo bem. Só vim me despedir. – ele sorriu e acariciou minhas mãos, tirando-as de seu ombro – Fica bem.
Sorri e o observei atravessar as portas para o clima ameno de Los Angeles.
– Vamos? – Percy segurou minha mão
Alcancei minha bolsa e minha prancheta em um segundo enquanto corria em meus saltos para acompanhar seu passo.
– O que você fez? – rosnei
Ele arqueou as sobrancelhas enquanto pegávamos o elevador para o estacionamento. Seus olhos estavam focados na porta.
– Nada.
– Claro que você fez algo.
– Só assinei o contrato, o que há de ruim nisso?
– Sério, você precisa parar de agir como um troglodita quando se trata do Rob.
– E como você quer que eu aja? – ele parou na porta do motorista, os olhos ainda escuros
– Como uma pessoa normal trataria um desconhecido.
– Ah, por favor, Annabeth, ele continua sendo um desconhecido para mim.
– E o que disse para ele? Sério.
Percy não me respondeu. Entrou no carro, o que me obrigou a fazer o mesmo para não ficar para trás. Continuamos calados, o que me fez pensar que eu tinha estragado tudo.
O carro parou em frente ao prédio da Mazzali. Não me despedi. Fechei a porta e bati os saltos até a recepção.
A primeira visão foi de Naomi com um homem de corte militar, um pouco mais alto que eu e um corpo relativamente bem exercitado por baixo da jaqueta de couro e os jeans.
Arqueei as sobrancelhas e fui em sua direção.
– Naomi, podemos começar as visitas. O carro está pronto? – deslizei meus olhos pelo homem, como em uma explicação clara de quem era ele, principalmente por ele não fazer o tipo de pessoa que entraria na Mazzali
– Sim, senhora. Irei preparar imediatamente. Quer que eu lhe prepare um café enquanto chamo o motorista?
Meus olhos ainda estavam cravados no homem que me encarava com a mesma curiosidade e interesse. Era intenso, amedrontador e me fez tremer, sem deixar de manter o mesmo porte que manteria com qualquer homem mal encarado.
– Por favor, saia. – ouvi Naomi murmurar
– É um novo cliente? Se for, preciso que agende, quero deixar claro que minha agenda está lotada.
– Não sou um cliente, senhora. – retrucou
Franzi o cenho e encarei Naomi.
– Seu namorado? Ah, querida, sabe que esse não é um local para isso, certo?
– Peço que me perdoe, Sra... Chase, não é?
– Sim.
– Eu vim procurar Naomi. Sou Pete.
Ele ergueu a mão e a encarei, apertando-a também.
– Tudo bem. Pete. – virei-me para minha secretária com um olhar duro — Espero que isso não se repita e se repetir, será levado para o Sr. Mazzali, entendido, Naomi? Preciso fazer uma ligação. Vou ficar por aqui enquanto prepara o carro.
Dirigi-me para um sofá branco do lado do balcão da recepcionista, observando o tal de Pete sair. Enfiei o papel na minha bolsa, procurando meu celular novamente.
Digitei o número tão conhecido de minha prima e suspirei, feliz, quando ela atendeu.
– Thals.
– Annie. Como está indo as coisas?
– Ia fazer a mesma pergunta. Como o Ian está levando as coisas?
– Ah, ele já superou. Está enfiado nesse maldito joguinho. Vou começar a trabalhar hoje, achei que poderíamos jantar ou algo do tipo.
– Não sei... Preciso passar na casa de Poseidon depois do trabalho. E preciso fazer minha caminhada
Thalia bufou do outro lado.
– Por que você não compra uma esteira? É tão mais fácil.
Deixei uma risada escapar.
– É sério... Como estão as coisas? Falou com Luke sobre alguma coisa?
– Está saindo como deveria sair, Annie. – ela suspirou – Não se preocupe. Eu confio minha vida nas mãos de Luke e Ethan. Eles estão dando o máximo deles para conseguir pistas sobre Jay.
– Você não está metida nisso, está?
– Não! Claro que não. Nico não me deixa nem chegar perto, mas estou bem com isso. Não quero ter que olhar por cima do ombro sempre que estou sozinha.
– Sorte sua. – resmunguei
– Ei, prima. Isso vai passar. Jay só está desesperado por dinheiro, como Jack disse, essa Lista deve valer muito nas mãos dele. Ele está sendo muito precipitado. Vai cair logo.
– Espero que sim.
– E quando ele cair. Pode ter certeza, que vou dar meu máximo no julgamento para que ele fique eternos anos lá. Apodrecendo.
– Só queria falar com você mesmo. Se eu sair cedo da casa de Poseidon, talvez passe em sua casa.
– Por que vai à casa de Poseidon? Achei que quisesse distância de FBI, CIA e seus amiguinhos.
– Ah, quero muito. Mas infelizmente... Paris e Liv estão lá. Terei que trazê-los para casa nem que sejam amarrados.
– Ai, minha cabeça começou a doer quando você citou o nome desses pestes. Me diga que eles não estão em encrenca. Por favor.
– Espero que não, prima. Realmente.
Nos despedimos e encerrei a chamada.
Eles estariam?
***
Eu havia pegado um táxi até a casa de Poseidon e estava decidida a pagar por outro para tirar meus filhos de lá.
A casa de meu sogro ficava no mesmo bairro onde eu morei metade de minha vida com minha mãe. Um bairro nobre, rico e luxuoso. A casa dele tinha portões pretos e um jardim imenso com uma fonte, o táxi arrodeou e deixou-me em frente a escadaria.
Era uma mansão.
O que era de se esperar do diretor-chefe da CIA, certo?
Meus saltos se chocavam com os degraus enquanto eu adiantava meus passos. Toquei a campainha, impaciente.
Uma senhora de cabelos brancos puxados para trás foi minha primeira visão.
– Annabeth. – falei, empurrando a porta devagar, liberando minha entrada – Sou mãe de Paris e Olivia. – continuei atravessando a sala com passos rápidos, olhei por cima do ombro apenas para ver a mulher me acompanhando – Onde estão eles?
Parei de imediato quando cheguei à sala de jantar. Enorme, com umas quinze cadeiras.
Não deveria ser pega de surpresa, mas mesmo assim, meu ar faltou dos meus pulmões.
Kaya estava com uma camisola bem vulgar, o cabelo preto presos em uma bagunça de um coque.
– Sabia que deveria avisar sua entrada antes de entrar assim? – ela deslizou manteiga em uma torrada e me encarou sobre os cílios espessos
Como eu odiava aquela menina.
– Por favor, garota. Onde estão meus filhos?
– Melissa. Poderia nos deixar a sós? Obrigada por me servir. – Kaya deu um sorriso, dispensando a empregada que sumiu a nossa frente – Eles foram almoçar com meu pai. Tem algum problema com isso?
– Na verdade... – deixei minha bolsa na cadeira da cabeceira e sentei-me em frente a ela – Não. Queria muito conversar com você.
Ela arqueou a sobrancelha, enfiando a torrada na boca com a maior elegância do mundo.
– Comigo?
– Sim, querida. – inclinei-me sobre a mesa, com os antebraços debruçados – Diga-me, Kaya, por que chamou o Paris para te pegar no aeroporto?
Ela não saiu de sua pose. Séria, elegante e totalmente introspectiva.
– Não o chamei. Ele disse que estava por perto e poderia me dar uma carona.
– Engraçado. Percy me disse que você pegou um táxi e o Paris me disse que você pediu para que ele fosse pegá-la.
Ela continuou com a mesma posição, jogando mais uma torrada em sua boca.
– O quê? – ela argumentou – Quer que eu te dê satisfações sobre a vida de seu filho?
– Eu sei o que está fazendo, Kaya. – encostei-me na cadeira
– Sabe? Pois então, me explique, querida cunhada.
– Você não acha isso ridículo? Você está ficando com seu sobrinho, Kaya.
– Olha, Annabeth, eu acho que Paris é crescido o suficiente para saber o que faz ou deixa de fazer.
Engoli em seco. É, seria uma grande batalha.
– Kaya, olhe para você! Tem uma grande vida pela frente, arranje alguém de sua vida. Arranje alguém que já tenha vivido o que você viveu. Paris não precisa de uma mente mais irresponsável que a dele.
– Ah, e você quer que eu fique com seu primo? Aquele delegado babaca?
Sua fala me lembrou do fato dela ter batido no homem que segurou uma arma contra mim enquanto eu ficava parada. Também queria perguntar com quem ela aprendeu aquilo, mas deixaria aquilo para depois.
– Luke. É o nome dele, Kaya.
Sentia a raiva ferver em meu sangue enquanto ela continuava com a mesma feição. Odiava aquele autocontrole dela.
– Ótimo. Se for isso que queria falar, pode esperar seus filhos na sala de estar.
– Não, querida. Não era só isso. Quero que fique longe do meu filho.
Dessa vez, pareceu que atingi algum lugar em especial.
– Também queria que ficasse longe do meu irmão.
– Mesmo que todos aceitem você, Kaya, nunca será boa o suficiente para Paris. Ele precisa de mais.
– Você nunca foi boa o suficiente para Percy, Annabeth. Nunca.
– Então, não sei por que continuamos juntos até hoje.
Ela grunhiu e saiu do seu lugar, passou a mão pelo rosto com raiva e virou-se para mim, com seu dedo no lugar.
– Preste atenção: não vou ficar longe de Paris só porque é mais um de seus charminhos.
– Não estamos falando de você, Kaya. Paris não é um charminho para mim... Já para você...
– Ele nunca foi um charminho! – gritou
– Então, você admite que está tendo uma relação com meu filho? – aumentei o nível de minha voz, saindo da cadeira também – Você admite que está tendo um caso amoroso com um garoto de dezessete anos, Kaya?
– Pare de ser idiota! Paris sabe o que faz, não precisa de você para vigiá-lo!
– Ele só tem dezessete anos. Você, por acaso, pensou nisso antes de... – encarei-a com nojo em meu olhar – Kaya, você tem vinte e cinco anos! Não é mais uma garotinha.
– Mas parece que você continua me vendo como uma. – ela grunhiu quando eu avancei para perto dela – Não preciso de você, Annabeth. – seus olhos estavam cheios de lágrimas – E você não vai tirar o Paris de mim. Não vou permitir. – grunhiu
– Não quero tirá-lo de você, Kaya. – sussurrei – Ele sempre será seu sobrinho, mas o que vocês estão tendo... Kaya, isso não é saudável.
Ela balançou a cabeça e passou a mão pelo rosto, afastando as lágrimas.
– O que você sabe sobre uma relação saudável? Nunca teve uma. Sempre afundada em sua própria fossa, fazendo-se de mocinha que o papai morreu, perdeu a memória. Ah, por favor, Annabeth.
Respirei fundo. Kaya só era uma adolescente mimada que não sabia o sentido do que dizia. Só isso. E eu estava sendo grossa demais. Sabia a hora de atacar, mas era mais sábia quando soubesse o momento de recuar.
– Tudo bem. Poderemos ter essa conversa quando você se recuperar e entender o que está falando.
– De fato, queridas, posso ouvir a voz de vocês desde a sala de estar.
Fale com o autor