Lightweight.
8 Tonight.
Notas iniciais
"We both know we're after a happy ever after, something ever lasting"
Percy havia chegado e deveria ser por volta de uma hora da manhã quando ele fechou a minha janela. Fingi que estava dormindo até o ver perambular pelo quarto incansavelmente.
Ele tomou banho e ficou sentado ao meu lado, não me atrevi a encará-lo, até realmente dormir. O que não durou por muito tempo.
Deveria ser quatro da manhã. Percy estava debruçado sobre o balcão de mármore na cozinha, bebericando uma xicara de café. Encolhi-me dentro de meu hobby branco, encostando meu quadril nas costas do sofá.
– E então...? – perguntei, cruzando os braços – Já está mais calmo para conversar?
– Se você acha que vou mudar minha...
– Não quero brigar. Só quero que peça desculpas pra Liv. Aquilo... Aquilo que fez ontem, Perseu, foi o estopim.
– Eu sei o que fiz ontem, Annabeth. – ele disse com o tom de voz duro e arrogante
– Sei que você sabe e espero fielmente que esteja arrependido daquela... Merda.
– O que você acharia se seu... – ele engoliu em seco — Uma ex-namorada minha que tinha me sequestrado, não, nos sequestrado aparecesse e a filha dela estivesse namorando Paris.
– Tirando a parte do sequestrar, com certeza, eu não estaria me importando com as namoradas que Paris tem ou deixa de ter. É a vida dele e você deveria aceitar isso.
– E se fosse Rachel...
– Ótimo. – apontei com um sorriso cínico – Você tocou no ponto que eu queria tocar desde que fomos pra reunião. Se você não sabe, Rob e Rachel são irmãos...
Percy gesticulou com o dedo enquanto bebericava seu café.
– Sabe o que senti quando soube que Rachel estava aqui. Não por você, mas pelo Luke?
– Só podia ser ele. – Percy revirou os olhos, nenhum pouco surpreso
– Então você sabia que ele ia me contar? E provavelmente você sabia que Rob estava aqui! – passei a mão pelo meu rosto – Como pude ser tão ingênua?
– Não, querida Annabeth, eu não sabia que esse sequestrador estava na cidade porque pode ter certeza que se eu soubesse ou ele estaria morto ou ele estaria bem longe de minha família.
– Então... – inclinei-me em sua direção – Isso quer dizer que você sabia que Rachel estava aqui. Sabia, claro que sabia. – revirei os olhos, fungando – Você me esconde que seu pai veio pegar o cargo do meu avô, que a festa foi no dia da morte do meu avô, que Rachel está aqui? Quais são os outros segredos, Perseu? Você tem uma família paralela a nossa? Não iria ficar surpresa se você e Rachel estivessem tendo um caso, ok?
– Você está falando besteira. Talvez, devesse ir dormir.
– Dormir? É, talvez, você vá se encontrar com ela ou...
– Eu não estou te traindo, se quer saber. Acabamos nossa conversa?
– Não! Sabe como estou me sentindo? Sabe como é ter um relacionamento sem confiança, Perseu?
– Annabeth... – ele coçou a pele entre seu nariz e seu lábio superior, aparentemente nervoso
– Você não sabe. Não sabe porque nunca te escondi nada. Nunca te escondi um segredo que seja e você me esconde... – corri meus dedos pelo meu rosto – Céus, você me esconde tudo. Absolutamente tudo que você acha que pode me machucar. Percy, eu não sou um jarro de porcelana. Você já deveria saber disso ao longo de todos esses anos.
– Você não aguentaria saber da metade do que eu sei. – murmurou, o rosto escondido por trás da xícara, os cotovelos apoiados sobre o mármore de maneira tensa
– Por que ela é seu anjo? – perguntei, cruzando os braços diante de meu corpo, tentando me manter dura, acabei por inclinar minha cabeça para o lado, procurando uma visão de seus olhos – Por que ela é tudo isso pra você?
Percy riu e revirou os olhos.
– Você não vai ter essa conversa às quatro da manhã.
– Perseu, eu não estou brincando! E sim, parece que estou tendo essa conversa às quatro da manhã! – elevei o tom e respirei fundo ao ver seus olhos assustados contra mim – Não me tire do sério, por que ela é seu anjo? – falei pausadamente
– Então, quer dizer que, apenas porque moramos juntos, eu tenho que te contar tudo? Nem ao menos somos casados.
– Isso não te impediu de fazer tudo isso. De criar uma família. E eu tenho certeza que não vai te impedir de me dizer algo que eu queria saber a muito tempo.
– Tudo bem. – Percy suspirou e veio em minha direção, ficando a alguns passos de mim – Quer saber por que Rachel é meu anjo. Certo. Sabe quando eu voltei de Califórnia, assim que você teve sua amnésia? A Rachel estava lá. Ela me tirou de um poço fundo que eu mesmo estava criando dentro de mim. E quer saber se eu já encontrei-a, bem, não. Mas, sim, estou pensando seriamente em jantar com ela.
Aproximei-me dele e cruzei minhas mãos atrás de meu corpo.
– Se... – encarei o teto – Percy, eu sou uma ótima pessoa, você sabe disso, mas posso ser horrível na hora que eu bem entender. E quer saber? Se prepare porque irei procurar muito mais. Não irei parar até saber de tudo.
Ele jogou um envelope de cor parda em cima do balcão. Meus olhos se arregalaram e o peguei com os dedos firmes, abrindo o selo já aberto. Um pequeno papel da mesma cor estava escrito à mão.
Seu prazo está acabando, lady.
Ainda há tempo antes que eu acabe um por um de vocês. Sua família é muito bonita para que eu faça isso, não é?
Com amor e carinho, Jay.
Engoli em seco, meus dedos começando a tremer enquanto o bilhete caía em meus pés.
– É isso. Isso que quer procurar? – Percy me encarou com os olhos verdes escuros
– Isso ainda não é uma desculpa para o que você fez com Olivia ou que vai fazer comigo ao se encontrar com Rachel.
Ele passou os dedos pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais.
– Até quando você vai achar que tenho algo com ela? Rachel é apenas uma amiga e olha, eu sei o que fiz com Olivia, sim, me arrependo, eu estava fora de mim, e sim, eu ainda não concordo com esse namoro ridículo com aquele cara.
Fechei os olhos.
– Me diz que isso é mentira. Me diz que você inventou isso.
– Você acha que eu inventaria isso, Annabeth?
Pisquei, afastando as lágrimas que voltavam como uma avalanche em direção dos meus olhos.
– Eu ainda não te perdoei. – apontei – E não importa o que você faça, só irei perdoá-lo quando Liv o fizer. E sobre Rachel, esse assunto não está acabado e sobre... Esse bastardo — franzi os lábios em nojo – pode tomar conta disso.
Virei-lhe as costas, tentando ignorar tudo aquilo que começava a crescer dentro de mim, era um misto de medo, raiva e terror. Como se uma avalanche de problemas estivesse se formando e fosse demorar muito pouco para que ela caísse sobre nós.
Eu poderia aguentá-la, eu e Percy poderíamos tomar conta disso, meus filhos, não.
***
Percy havia deixado o café da manhã pronto, o que foi ótimo já que eu estava atrasada.
Eu fui a última a descer e Paris já estava lavando os pratos apenas com dois pães na chapa em cima do balcão.
– Tudo bem, meu amor? – inclinei-me sobre Olivia
Ela se afastou de minha mão e percebi que todo seu rosto estava coberto de pó compacto. Mordi o lábio inferior e coloquei as mechas de seus cabelos tão loiros quanto os meus atrás de sua orelha.
– Ei... Eu te amo, sabe disso, não é?
Ela passou os dedos pelos fios dourados e pulou do banco.
– Já podemos ir?
Paris me encarou, balançando a cabeça.
– Vocês viram seu pai?
– Ele disse que ia chegar mais tarde hoje.
– Ele falou com Olivia?
– Eu ainda estou aqui. – ela resmungou – E sim, ele falou comigo e não, não vou perdoá-lo. Ele ainda quer que eu termine com Jake, mãe. Isso... É fora de cogitação...
– Ei, ok, ok. – sussurrei, beijando sua testa – Eu te entendo, tive sua idade e fui triplamente pior que você. Sei cuidar de seu pai, tá? Agora, andem logo, não quero que enjoem de minha cara e me demitam.
Paris acabou por soltar um risinho enquanto vinha em minha direção.
– Poderia me dar as chaves, o que acha? – ele piscou
– Sem chance, sabichão.
Ele revirou os olhos e me jogou as minhas chaves.
Fomos em direção ao meu carro, pensei em ligar para Percy, saber onde ele estava ou que estava fazendo, hesitei, deixando pra lá e jogando o celular dentro da bolsa.
– Nós... – pigarreei enquanto íamos em direção a escola – Eu e seu pai estamos...
– Ouvimos a briga de ontem. – Olivia despejou – Digo, não ouvimos o porquê, apenas ouvimos os ruídos e tal.
– Não queremos nos intrometer nisso, mãe. – Paris deu de ombros, digitando algo em seu celular – Sabemos que o pai fez algo super errado ontem e... – ele pigarreou – Esperamos que faça alguma coisa a respeito.
– Seu pai já é maior de idade e não depende de nada para mim. De qualquer maneira, vocês podem até nos ver menos presentes ultimamente e eu imploro que deem uma chance para ele. Principalmente você, Liv, eu sei que ele não deveria ter levantado a mão ou... Tudo aquilo, mas... – virei-me para ela em um sinal vermelho – Ele te ama e faria qualquer coisa por você.
Ela deu de ombros, cruzando os braços e desviando o olhar.
– Poseidon vai almoçar com a gente hoje. – Paris avisou – Algum problema?
– Não... Será até melhor. – disse
Ficamos em silêncio pelo resto do caminho até eu deixa-los em frente à escola. Tirei meu celular da bolsa e disquei o número de Thalia, deixando no autofalante conectado ao carro.
– Annie! O que acha de um almoço hoje?
– Preciso falar com você. – despejei – Pode aparecer em meu escritório hoje?
– O quê? Seu escritório? O que é tão importante?
– Você não está ocupada com Ian ou nada do tipo? – perguntei, virando na esquina da avenida pro meu trabalho
– Claro que não. Ele acabou de ir pra escola. Estava resolvendo aquele jantar que você disse que queria fazer, lembra? Luke me disse que você brigou com Percy e ele teve que ir busca-lo...
– É, nós brigamos.
– Uh, que novidade. Eu estava pensando em ir naquele novo restaurante francês que abriu, o que acha?
– Thalia, o que eu tenho pra falar é importante.
Minha amiga bufou.
– Tá, te vejo em uma hora. E sim, nós vamos conversar sobre esse maldito jantar, ok?
Entrei na garagem interior e estacionei meu carro no lugar mais perto do elevador, passando meus dedos sobre meus cabelos.
– Tudo bem.
Ela encerrou a chamada.
Só se acalme.
A Mazzali tinha um prédio pequeno espelhado no centro de Los Angeles. O sobrenome italiano vinha do meu chefe, o idiota que me irritava nas horas que eu tinha que estar presentes em suas reuniões. Talvez, ele me irritasse porque era italiano, talvez porque eu odiasse italianos, embora não tivesse conhecido nenhum além dele.
Por sorte, o elevador só tinha um homem quando cheguei e por amor ao destino ou não, esse era meu chefe.
– Sr. Mazzali. – assenti, respeitosa
Ele deveria ter cinquenta anos – nunca tivemos uma conversa intima e longa o suficiente para perguntar sua idade, e eu não me importava também -, ele tinha uma barriga grande e sempre usava suéter com paletó ou só paletó. Seus cabelos grisalhos eram sempre penteados para trás com gel, sempre bem perfumado. Eu odiava seu perfume, dentro de mim, eu tinha quase certeza que ele também me odiava, no entanto só me mantinha ali porque nunca conseguiria alguém melhor que eu.
De qualquer maneira, eu não estava com muita paciência para refletir sobre seu ódio contra mim.
– Sra. Chase, os projetos do senhor Joshua já estão prontos? Sabe que ele quer se mudar em duas semanas?
Forcei um sorriso.
– Sim, senhor, os projetos já foram mandados, mas eu não tenho culpa se a imobiliária ou a marcenaria ainda não cuidou disso.
O elevador deu um toque falando que eu havia chegado ao terceiro andar.
– Com licença. – falei, sem querer trocar nenhuma palavra com ele
Meu andar era dividido em quatro salas. Não conhecia metade das pessoas ali. A única pessoa que eu tinha intimidade o suficiente era minha secretária, Naomi. Uma japonesa de cabelos extremamente lisos. Ela era inteligente e fazia Arquitetura, ela estagiava comigo. Eu já a havia visto em algumas das minhas palestras e talvez, fosse por isso que eu aceitasse sua parceria comigo.
– Bom dia, Sra. Chase. Você tem duas visitas externas marcadas para hoje e mais três clientes que virão...
– Desmarque tudo.
– O quê? Digo, a senhora não pode fazer isso. Essas pessoas vêm esperando há um mês e meio...
– Naomi, eu posso fazer isso em um sábado. Ou amanhã, tanto faz. Só não quero receber ninguém, entendeu?
Ela engoliu em seco, com uma cara estranha. Nunca iria conseguir entender as caretas que um japonês fazia.
– Ok, senhora.
Assenti entrando em minha sala.
Encostei minhas costas na porta, respirando fundo. As janelas estavam abertas, o ar puro de Los Angeles entrava, como uma leve brisa que bagunçava minha mente.
Eu precisava de ideias. Precisava saber como me livrar de Rachel, como acalmar Percy e o que Jay queria.
Sentei-me em minha cadeira presidencial de fachada, encarando as fotos de Paris e Olivia juntos ao meu lado direito e meu sorriso e do Percy ao lado do computador.
Decidi fazer a coisa mais idiota do mundo.
Abri o Google com facilidade, digitei furiosamente o nome Rachel Elizabeth Dare. Cliquei nas imagens com uma curiosidade assustadora.
Seus cabelos ruivos foram uma das primeiras coisas que me chamou atenção. As sardas estavam mais claras em cima do nariz e as fotos a mostravam em cima de um palco, gesticulando alguma coisa. Ampliei uma em que ela sorria com um jaleco branco, com bordados de flores e seu nome escrito em cor verde no bolso. Seus olhos continuavam um verde de tons mais claros que o de Percy.
Mordi o lábio inferior, ela continuava linda. E agora, que eu finalmente sabia que ela era irmã de Rob, mesmo com os olhos e cabelos totalmente diferentes, eles tinham certas semelhanças, como o nariz e como franziam o lábio inferior quando sorriam.
Balancei a cabeça.
Esqueça-os.
– Sra. Chase, sua prima, Sra. Grace...
– Deixe-a entrar. – murmurei, balançando a mão com o queixo apoiado na mesma
Fechei a janela, forçando-me a esquecer como ela era parecida com Rob e como ela poderia estar a qualquer lugar em qualquer momento com Percy.
– O que houve dessa vez? – Thalia desabou na cadeira a minha frente com um cookie na mão
Puxei meu corpo para frente, apoiando meus cotovelos no mogno.
– É o seguinte, Rob está de volta. – seus olhos se arregalaram levemente – Se você não sabe, Rachel também.
– Isso é um encontro de ex-namorados e eu não estou sabendo?
– Parece que sim, querida prima. Enfim, nós vimos o Rob na reunião dos pais ontem, sim, ele é pai. – Thalia abriu a boca, quando percebeu que eu respondia suas perguntas antes que ela pudesse fazê-las
– Calma, não foi só isso. Na verdade, isso não seria tão relevante se... – gesticulou para que eu continuasse
– Se o filho dele não fosse o namorado de Olivia. – Thalia abriu a boca surpresa – E adivinhe quem teve um surto de raiva? Sim, Percy, e adivinhe o que ele fez?
– Não, me deixe adivinhar. Brigar com você é meio óbvio. Sei lá, ele deu um castigo de calcinha de chave pra Olivia? – franzi o cenho com sua sugestão – O quê? Sempre achei que ele fosse esse tipo de cara.
– Achei que você levasse as coisas mais a sério. Mas, não, ele bateu na Olivia.
– Bateu? – assenti – Você está me dizendo que Percy bateu na princesinha dos Céus, a garotinha santa, Deus no céu, Olivia na Terra?
– Não é pra tanto, Thalia.
– Provavelmente, eu ia falar que ele virou um pai de verdade, mas como isso tem a ver com Rob, talvez não seja isso que queira ouvir.
– Tirando o fato de que Rachel também está nisso. Céus, que confusão. São tantas coisas.
– Rachel, Rob... Mais alguma novidade para eu começar a falar minhas suposições?
– Jay. – suspirei, eu sentia todo meu corpo tremer ao falar o nome dele, mas um tremor de terror, de medo, de saber que ele poderia estar me vigiando ou perto de fazer algo que eu não era capaz de reverter – Ele... Nos mandou mais um bilhete. Dizendo que meu tempo estava acabando.
Thalia assentiu e passou o polegar sobre a extensão do mogno.
– Eu acho que você deveria esquecer Rachel, Rob. Eles são fichinha para o que Jay será quando ele parar de ameaçar.
– O que você quer que eu faça? Eu nem ao menos sei o que ele quer.
– Você deveria procurar alguém... Poseidon ainda está aqui?
– Eu não te disse? – minha prima balançou a cabeça, confusa – Poseidon assumiu o cargo de Cronos.
– Ele o quê? Isso... – ela passou a mão no rosto – Isso é... Não sei definir se é bom ou ruim.
– Nem me diga. Quero resolver isso depois, por enquanto, ele é a única pessoa que deve saber algo sobre isso. Tenho certeza que Percy não irá me dizer nada.
– Então, pergunte a ele. – ela deu de ombros – Diante da situação, ele é sua única opção, mesmo... Mesmo que tenha feito isso.
Omiti a parte que o dia que ele assumiu foi quando nosso avô morreu. Sabia que Thalia ainda estava frágil demais sobre a morte dele, a última coisa que ela precisava era de mais um problema em sua vida.
– Talvez ele me diga alguma coisa.
– Pressione-o. Diga de sua família. Ele não vai resistir. – ela deu de ombros – Se precisar de ajuda, me ligue. Voltando ao nosso assunto, como será esse jantar? Algo tipo normal ou algo tipo Afrodite?
– Normal parece ótimo para mim. Eu preferia aquele restaurante japonês perto de casa.
– É, tanto faz. Seria bom. Posso falar com Luke e os meninos.
– Por mim, tudo bem.
Thalia me encarou por um segundo e arqueou a sobrancelha.
– Você está magoada.
– Sério? – revirei os olhos – Quem não estaria? Ele teve um ataque de raiva e bateu em Olivia. Esperava mais dele. Muito mais.
Minha prima acariciou minha mão pousada na mesa, assentindo, em seguida, como se de alguma forma entendesse o que eu estava sentindo.
Mordi o lábio inferior e inclinei-me ainda mais sobre a mesa.
– Acha mesmo que tenho que falar com Poseidon?
Thalia revirou os olhos, sua maquiagem, antes pesada, tinha sofrido algumas mudanças ao longo do tempo, seus olhos azuis eram cansados, mas parecia continuar brilhante, em contra partida, ela não mudara seu jeito de se vestir: sempre de bom gosto. Hoje, ela usava uma calça de couro, uma blusa com abertura aos lados e um sutiã de renda com uma bolsa de franjas.
Minha prima, por fim, continuava a mesma de sempre e deveria ser por isso que ela sempre seria o porto seguro de tudo.
– Claro que sim, idiota. – ela levantou-se e olhou o relógio – Se tiver tempo, antes de voltar para casa, vou fazer algumas compras no shopping, o que acha?
– Acho que deveria sair um pouco mais com Ian. – apontei com um sorriso
– É, eu vou levar o pirralho também. Por isso que eu irei.
– Ok... Te ligo se puder ir.
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