Lightweight.
34 So Weak.
Notas iniciais
"Would you lie for me? Cross your sorry heart and hope to die for me?"
– Annie! — Percy gritou da escada
Segurei as fotos com força, sentindo minha respiração ficar rasa. Não daria tempo de esconder e por que eu esconderia?
– Annabeth! — ele continuou gritando
Ergui o olhar. O cabelo dele estava molhado, ele usava uma calça social junto com uma camisa de botões, puxando até os cotovelos daquele jeito estranho.
– Você viu aquela gravata? Aquela verde de listras?
Respirei fundo.
– Annie? Amor?
Ele se aproximou de mim. Rapidamente, senti suas mãos envolverem meu rosto, seus olhos me analisaram. Seus lábios beijaram qualquer parte dele enquanto eu sentia meus olhos arderem.
– O que mais eu irei descobrir de você? — funguei
As lágrimas deslizavam sem pudor. Tentei me afastar dele, seus polegares limpavam os rastros.
– Do que está falando, meu amor? — sua voz era suave e aveludada, ele deu um sorriso falho
– O que mais? Quem é que guarda segredo, afinal? Eu ou você?
Percy se afastou de mim, enfiou os dedos nos cabelos, com raiva. Seus olhos, mais uma vez, pararam sobre as fotos.
– Quem te deu isso?
– Do que importa agora?
– Do que importa agora? – repetiu, o tom de voz ainda mais alto
– O que você estava fazendo? Me responda!
Percy estava com raiva, era fato.
– Dá pra parar de gritar?
– Não! Não dá! Como posso confiar em você quando tudo que faz é mentir para mim? Bem na minha cara?
– Eu não menti para você!
– E o que é isso?
– Eu estava te protegendo. – murmurou
– Claro, porque tudo de errado que você faz é para me proteger. Como se convence tão bem disso?
– Porque sempre é para te proteger!
– Não, não é!
– Esse cara... – ele pega a primeira foto – Você acha que eu não me sinto um matador? Mercenário? Eu me perguntei se ele não tinha uma família, se ele não tinha filhos e se não tinha uma mulher que o amava esperando em casa. Eu me perguntei tudo isso porque eu tenho vocês para voltar!
– E por que fez isso? Por que o matou, então?
– Por causa do meu pai. Por causa de mim. Por causa de minha família. – ele parou, ergueu os olhos e apoiou os braços na pia – Por causa de você.
– De mim? – soltei um riso irônico
– Ele estava procurando pela minha família. Não é a primeira vez. Meu pai tem essas merdas de inimigos ou sei lá o quê e eles não vão só atrás do meu pai. Nunca atrás do meu pai. Sempre atrás de mim. De nós.
– Então, Thalia estava certa. É tudo culpa de vocês. Dos Grandes Jackson’s.
– Jay? Claro que não! Ele tem algo a ver comigo, sim, mas deve ter sido envolvido com seu pai.
– Não envolva meu pai nisso! – levantei o tom de voz
– Até quando vai achar que seu pai era um santo? Que seu pai não cometia erros? Por que acha que ele não poderia ter ficado quieto e deixado Jack para lá?
– Ele estava fazendo o trabalho dele!
Senti meus olhos arderem. Engoli em seco, pronta para bater de frente com Percy pela milésima vez de minha vida, embora o assunto fosse ainda mais delicado que qualquer um que eu já tivesse tomado frente.
– Ele teve que bancar o herói. – Percy franziu o cenho, seus olhos eram firmes em mim – Ele poderia dar um passo para trás e dar dois para frente, mas ele preferiu bancar o herói. E o incêndio em minha casa? – ele fechou os olhos – Aquilo foi um atentado.
– Como sabe disso?
– Ficou tão óbvio depois de alguns anos. Era por isso que eu ainda tinha aquela arma. Se alguém pode causar um incêndio, eu tinha que proteger meus filhos.
– Calma. – passei as mãos pelo rosto – Deixe-me ver se entendi. Você acha que meu pai “bancou o herói”, que há pessoas, além de Jay, atrás de nós e... – olhei para o teto – Quando essa loucura vai parar?
– Se conseguirmos acabar com Jay, tudo vai ficar bem no final. – Percy voltou a se aproximar
– É o que você sempre diz. Vai ficar bem no final. Não vai ficar bem no final.
– Olhe, isso. – ele pegou as fotos, com o cenho franzido – Não foi uma afronta a você ou o que esteja pensando. Foi para nos salvar, literalmente. Espero que confie em mim a ponto de acreditar em mim.
Respirei fundo. Não confirmei nada, apenas rasguei as fotos e as joguei no lixo.
– Você está atrasado, não é?
Percy bufou, passando ambas as mãos pelo rosto com força.
– Não vou deixar você aqui.
Cruzei os braços, firmando meu olhar nele, em seus movimentos nervosos.
– Tome um banho, vamos para casa do meu pai.
– Não. Não vou para casa do seu pai.
– Você realmente acha que deixarei você aqui pensando todas essas merdas sobre mim? Achando que eu sou um mercenário feito minha irmã?
Dei de ombros.
– Vocês se parecem muito. Me assusta, até.
– Somos irmãos, oras. Dos mesmos pais.
– Não ficaria assustada se fosse um mercenário feito ela.
Ele deu um passo para mim.
– Kaya trouxe isso aqui. – ele arqueou as sobrancelhas – Por quê?
– Vou tomar banho.
Um segundo depois que me virei, Percy segurou meu braço. Meu quadril se bateu no canto da pia, gemi de dor, os olhos dele mudaram em um minuto e voltou a expressão de antes rapidamente.
– Por que Kaya trouxe essas fotos?
– Por que não pergunta a sua irmã querida?
– Estou perguntando a você, porra! – ele gritou contra mim
Encolhi-me sem querer, logo em seguida ergui o queixo, puxei meu braço e me afastei.
– Não sou seu brinquedinho, Percy. Trate de colocar isso em sua cabeça. Se me der licença.
Forcei meus pés a subir as escadas em uma velocidade devagar. Percy não gritou ou me chamou apenas continuou lá parado, percebi que foi a melhor decisão que ele pode ter.
Não demorei muito no banho já que eu queria sair de lá, tão logo quanto ele.
Abri a porta do banheiro e Percy estava sentado na cama.
– Me perdoe pela... – sua cabeça estava abaixada, enfiada entre as mãos – Não queria que... Eu te amo, Annabeth. – ele ergueu a cabeça, por fim
Não respondi. Atravessei o quarto até nosso closet. Escolhi um vestido longo roxo junto com uma jaqueta jeans, sapatilhas e uma bolsa pequena.
– Annabeth? – ele voltou a me chamar quando saí do closet – Annie?
– Estou pronta, podemos ir?
– Quero conversar sobre aquilo. Não queria falar aquilo sobre seu pai, só tenho uma ideia diferente sobre... – ele arqueou a sobrancelha, dando um passo em minha direção – Você, ao menos, está me ouvindo?
– Não. – retruquei
– Você vai fingir que não vai me ouvir? – Percy levantou a ponta de seus lábios – Tão maduro de sua parte.
– Sabe por quê não irei ouvir? Porque está falando tudo da boca pra fora. Olhe como voltou a me tratar. Vou repetir, Percy: não sou sua boneca, nunca fui e nunca serei. E irei provar isso para você.
– Como? Andando com uma arma por aí e achando que pode bancar a melhor mulher do mundo.
– Talvez. Muito provavelmente sim.
– Você só vai me matar de preocupação, matar seus filhos de preocupação...
– Não os coloque nessa história, seu mentiroso cafajeste! – gritei com todos os pulmões – Se você não pensou neles quando fez isso, acha que pode jogar esse argumento contra mim? Se você não sair agora, saio eu!
Percy crispou os lábios. Finalmente, ele percebeu que eu estava falando sério. Ele nem ao menos pegou seu blazer, apenas pegou suas chaves, uma de suas pastas e saiu do quarto. Acompanhei seu passo até que ambos estivéssemos sentados no carro.
Não trocamos uma palavra durante o trajeto e achei bem melhor assim. Não estava com ar para conversar ou continuar brigando com ele.
Percy estacionou o carro no jardim, jogou a pasta para o banco de trás e bateu a porta com força quando saiu. Fechei a porta com calma, quase imediatamente, minha mãe abriu a porta com um sorriso animado fazendo um grandioso contraste com a cara fechado de Percy.
– Ah! Estou tão feliz que estejam aqui! Eu queria falar sobre o Natal.
– Podemos falar sobre isso depois, Atena. Onde Kaya está?
– Provavelmente longe. – respondi, cruzando os braços – Ninguém é obrigado a estar sempre aos seus domínios.
– Não estou falando com você, Annabeth.
– Quem é o imaturo agora? – resmunguei
Os olhos verdes de Percy pareceram perfurar minha pele.
– Continuo não me dirigindo a você, querida. – ironizou
– Ok, ok! Vamos nos acalmar aqui! – minha mãe ergueu as mãos – O que você aprontou com minha filha?
– Ah, claro, a culpa vai recair sobre mim!
– Porque a culpa é sua! – respondi
– A culpa não é minha por te proteger!
– Você falou do meu pai!
– Você é um bebê que não consegue se proteger!
– Você não quer que eu aprenda a me proteger!
– Porque você não consegue!
Arregalei os olhos, minha mão voou em direção a seu rosto. Percy não teve tempo de pensar quando seu rosto virou, em seguida soquei seu queixo com toda a força que tinha, sentindo os nós dos meus dedos gritarem.
Minha mãe nos olhava aterrorizada.
Percy não me olhou quando adentrou a casa.
– O que inferno aconteceu bem aqui?
– Kaya está em casa? – perguntei, fechando a porta atrás de mim
– Ela saiu desde cedo e ainda não voltou.
– Ótimo. Poseidon?
– No escritório. Querida, o que...
Não esperei mais um segundo. Subi as escadas às pressas. A porta do escritório dele estava entreaberta. Adentrei sem pedir permissão, Percy estava inclinado sobre o espelho enquanto Poseidon sorria para ele.
– Ah, aí está ela! Mão pesada, hein.
– Isso não é uma brincadeira. – sentei-me em frente a ele – A culpa é sua! Da sua maldita família, do seu maldito nome!
– Ei, calma. O que aconteceu que não estou sabendo?
– Tinha achado que aquelas fotos tinham sido queimadas. Vaporizadas. – Percy resmungou, afastando-se do espelho – Preciso pegar gelo.
Tentei abafar meu sorriso. Agora, eu me sentia uma super e maravilhosa mulher. Tinha que bater em Percy mais vezes.
– O que aconteceu foi que consegui as fotos em que Nico e Percy mataram um cara. Aliás, Thalia sabe disso?
– O casamento deles não é seu. Até porque eles têm um casamento, você, não. – Percy retrucou antes de sair
Revirei os olhos.
– Quais fotos e onde você conseguiu isso?
– Onde consegui é o de menos, o que quero saber é porque você deixou seu filho participar de uma coisa como essa.
Poseidon ficou sério rapidamente, ele apoiou os cotovelos em sua mesa de mogno e me encarou firmemente.
– Percy tem consciência de tudo que faz, Annabeth. Além do mais, esses caras estão atrás do meu filho, consequentemente dos seus.
– Eu sei disso, a pergunta é: por quê?
– Você acha que não tinha pessoas atrás de você quando seu avô era vivo? Acha que não havia, no mínimo, cinco guardas para você e Thalia? – franzi o cenho, confusa – Seu avô nunca deixaria vocês andarem por aí com trezentas pessoas querendo acabar com o diretor da CIA. A melhor maneira de afetar um homem, querida nora, é pela sua família. Percy sabe muito bem disso.
– Ele não nos vê como família e sim, como prioridade. – revidei
– Ele ama vocês. Não importa o modo que ele vê vocês, tudo que ele faz é por vocês. Achei que já soubesse disso.
– Ah, claro, porque me ver como prioridade não é uma coisa doentia. Por favor! – ergui as mãos no ar, revoltada
– Quero não acreditar que vocês vieram brigando aqui por causa disso. E deu um soco nele por causa disso. De uma besteira como essa.
– É óbvio que vai defender seu filho. Céus. – massageei minha testa
Não demorou muito para Percy voltar, ele sentou-se na poltrona ao lado e tirou a caixinha que eu havia dado para ele mais cedo.
– Eu ia passar aqui de qualquer jeito. É o cartão de memória.
Antes que Poseidon possa tocar nele, coloquei minha mão em cima dele.
– O que você sabe sobre a morte do meu pai? Sobre ele?
Poseidon arqueou as sobrancelhas e intercalou olhar com Percy.
– O que quer dizer?
– Ele queria bancar o herói?
– Não vai ser eu que vai desfazer a memória que tem de seu pai, Annabeth. Seu pai é seu pai. Frederick, o homem que trabalhei, é uma pessoa totalmente diferente.
Arqueei a sobrancelha.
– Essa Lista... Foi realmente ele que a fez?
– Sim. Foi ele. Todos sabem disso. – inclinou a cabeça – O que você disse a ela, Percy?
Percy pressionou o gelo contra seu queixo e fechou os olhos.
– Só pare de enrolar e ande logo com isso. – pediu
– Você é tão mole.
– Cale a boca, garota. – resmungou Percy
Respirei fundo e entreguei a caixinha para Poseidon.
Ele tirou o celular do bolso no segundo seguinte.
– Quero o pessoal da estrada em frente da minha casa em cinco minutos. E quero proteção redobrada aqui, na casa do meu filho e em cima dos meus netos. – as ordens eram rápidas, me perdi quando ele citou meus filhos
Desviei o olhar para Percy. Os olhos fechados com força, os lábios crispados. Senti tanta raiva que poderia dar mais um soco nele. Por fim, suspirei e cutuquei sua canela com minha sapatilha. Ele arqueou a sobrancelha para mim, apoiou o cotovelo no descanso da poltrona e sorriu.
– Não sabia que você tinha uma mão pesada.
Eu ainda estava com raiva. Tinha raiva de ele mentir para mim, tinha raiva de ele esconder coisas de mim sempre que achava necessário.
Eu tinha tanta raiva guardada em mim que eu poderia incendiá-lo vivo apenas por achar que vaporizar todas essas evidências era me proteger.
Eu me sentia fraca e por um segundo, pensei em não revidar, pensei em revirar meus olhos e manda-lo se foder. O problema era que, mesmo com todas as mentiras de ambas as partes, eu confiava nele. De certa forma, sabia que ele seria a única pessoa que poderia me proteger de mim mesma e nesse momento, era o que eu mais estava precisando.
– Tem várias coisas que você não sabe sobre mim, Percy. – revidei
– É disso que tenho mais medo.
Em seguida, voltou a fechar os olhos e a pressionar o gelo no queixo.
– Ligue para Nico. Vocês podem perder o dia hoje?
– Ah, por que eu diria não a um pedido tão querido do meu pai? – Percy resmungou, tirando o celular do bolso
Depois de tudo estar programado como Poseidon queria, eu e Percy ficamos na sala ouvindo o sermão de minha mãe sobre ter educação enquanto ela insistia em nos preparar um chá de camomila. Percy aceitou e eu quase voei em cima dela.
Minha mãe saiu da sala, peguei meu celular para mandar uma mensagem para Thalia. Pensei novamente. Ainda conseguia me lembrar das palavras de Nico sobre ela estar estressada. Não poderia fazer isso com minha prima.
– Me desculpe. – ergui a cabeça para encarar Percy, surpresa – Eu... – ele engoliu em seco – Não sei por quê... Quer dizer, eu sei por que gritei com você e não posso prometer que não vou fazer de novo, você me tira do sério, Annabeth. Acho que é isso que amo em você.
– Você é um idiota.
Ele se inclinou sobre mim. Sua mão direita estava fria quando segurou minha nuca.
– Só quero que fique bem e protegida.
– Eu vou ficar bem. – contrabati
– E não peça proteção a Kaya. Nico é uma opção bem melhor, mais segura e mais confiável.
Arqueei a sobrancelha.
– O que está falando?
– Nico conhece algumas lutas, ele é bem melhor que Kaya e mais agradável para você também. – ele percebeu meu olhar confuso e se afastou brevemente – Não queria se defender?
– Achei que poderia fazer esse serviço.
– Não. Não posso. Sou um puto egoísta que odiaria ter que bater em você para que aprendesse a te defender. Nico é mais real. – ele deu de ombros
Seus lábios tocaram os meus levemente. Meu coração perdeu uma batida. Agarrei seus ombros, sorrindo por baixo do beijo.
– Você me tira do sério... De todas as maneiras possíveis.
– Você foi o culpado. – contrabati, recuperando minha respiração
– Eu sei. Eu escondi tudo de você, dessa vez.
Afastei-me.
– Ainda tem mais, não é?
Percy mordeu o lábio inferior, passou os olhos pelo meu rosto e acariciou minha nuca com carinho.
– Muito mais.
***
Nico chegou em dez minutos, mais rápido que a equipe de Poseidon. Percebi que a equipe de estrada que ele estava falando era uma equipe móvel: uma van disfarçada repleta de computadores por dentro. Senti-me em um episódio de White Collar fazendo uma busca perigosa.
Havia três homens que nos cumprimentaram sorridentes. Poseidon, autoritariamente, os fez sair.
Percy e seu pai eram idênticos. A posição de afastamento dos funcionários e de defesa, como se todos estivessem contra ele. Super diferente de como Nico e eu agíamos: com sorrisos, desculpas sussurrados.
Depois que todos saíram, Percy puxou uma cadeira, oferecendo-me com um balançar de cabeça. Aceitei-a, porque infelizmente, minha cabeça ainda doía.
– Aqui vamos nós, então.
Nico deu um sorriso fraco ao ocupar a poltrona mais pomposa. Ele abriu a caixinha e franziu o cenho.
– Tem alguém aí fora. – avisou
Poseidon balançou a cabeça.
– Claro que tem, filho, vamos logo com isso.
– Não. Aqui. – Nico mexeu a cadeira, apontando para dois corpos vermelhos que apareciam em uma tela pequena em meio a tantas telas espalhadas – Duas pessoas.
– Ah, não. – Percy murmurou – Desde quando eles têm acesso a tudo?
Poseidon soltou um suspiro pesado.
– Desde que eu tenho acesso a tudo.
Socos na lataria fizeram a van estremecer.
– Quem é? De quem estão falando? – perguntei
Nico encolheu os ombros. Percy bufou enquanto Poseidon abria a porta.
– Vocês iam começar a diversão sem nós! – Ethan esfregou uma palma a outra e puxou uma cadeira para ficar ao lado de Nico – E aí, amigão, estamos de volta!
Meu amigo revirou os olhos e socou o braço de Ethan.
– Parece que sim, não é? De volta ao trabalho.
– Ah, isso vai ser tão legal! – Ethan murmurou e piscou pra mim – Oi, loira.
Sorri e virei meus olhos para meu primo. Ele estava com aquela posição séria, de traído. Seus braços estavam tensionados, sua blusa social estava puxada metodicamente até os cotovelos – bem diferente de Percy. Seus cabelos loiros areia estavam espalhados pela testa.
– Parece que só falta uma pessoa aqui. – Luke estreitou os olhos
Mordi o lábio inferior, me encolhendo.
– Ela vai ficar longe disso. – Nico disse, sério e confiante
Engoli em seco. Droga, droga, droga.
– De novo querendo proteger a garota mais durona da gangue? – Ethan riu – Sabe que aquela morena é incontrolável, não é? Odeio quando ela aparece por lá.
– Como andam as coisas com Naomi? – Percy perguntou, mudando de assunto
Provavelmente, ele havia percebido a minha intenção de desaparecer, consequentemente entendido o que eu havia feito.
– Bem, ela está presa. – o ruivo deu de ombros – Código de Miranda, etc. O advogado não permite que ela fale nada até que tenha um julgamento e só falta mais uma evidência para Thalia entrar contra ela.
Ethan franziu o cenho.
– Cara... – suspirou – Cara! Isso é uma câmera de calor? Luke, nós definitivamente precisamos de uma dessa! Cara! Tem mais alguém aí fora. Ai, cara, isso é sensacional.
– Ethan, estamos atrás de um maníaco que está atrás de mim.
Ele ficou sério e assentiu.
– É, desculpa pela empolgação, loira, mas... Cara! É uma câmera de calor. E está se aproximando.
Mais socos preencheram a van. Ai, meu Deus.
Poseidon cruzou os braços.
– Quem pode ser?
– Se vocês não abrirem essa porra imediatamente, eu... Eu vou abrir um processo contra vocês! Não sei sobre o quê exatamente, mas irei e irei vencer, entendido?
Ethan explodiu em gargalhadas. Nico franziu o cenho e me mandou o pior olhar que me fez encolher ainda mais em minha cadeira. Ele me entenderia depois, certo? Eu não conseguiria passar por isso sem minha melhor amiga. Luke deu um sorriso de canto, Percy balançou a cabeça e abriu a porta.
– Entra aí.
– Bom. – ela ergueu o queixo, ajeitando seu blazer negro
Com sua pose de sempre, ela subiu a van com seus saltos enormes sem falhar por um momento.
Melhor mulher do mundo.
– É bom que você tenha me chamado. Poseidon, por favor. – Thalia deixou a porta aberta
Ethan gargalhou ainda mais, como se tivesse tendo um ataque cardíaco. Luke deu uma risadinha, abaixando a cabeça e escondendo os olhos entre os dedos. Percy e Nico estavam com as bocas entreabertas. Dei um sorriso, quase gritando “essa é minha garota!”.
– O que está querendo insinuar com isso, Thalia?
– Isso é um trabalho pro esquadrão. Saberemos o que fazer e, bem... – ela revirou os olhos – Nós saberemos o que fazer. Ficaria extremamente agradecida se saísse por boa vontade e eu não precisasse usar a força do meu querido Ethan ali, porque vamos combinar, ele está mais em forma que você.
Poseidon sorriu.
– Minha equipe está aí fora.
Thalia deu um sorriso ainda maior.
– Essa é a nossa diferença: você tem uma equipe, eu tenho uma família.
Meu sogro ponderou com a cabeça. Ainda com um sorriso, ele desceu e fechou as portas da van.
– Cara! – Ethan bateu as mãos, virando a cadeira para Thalia
– Ela falou que nem o Vin Diesel em Velozes e Furiosos! – Luke completou
– Sim! Foi algo meio – Ethan engrossou a voz – Eu não tenho um time, eu tenho uma família.
– Paul Walker era maneiro.
O ruivo assentiu diante do comentário do meu primo.
– Era. Pena que morreu. Ok, voltando ao trabaaalho.
– Digo, eu sou um Vin Diesel que usa coturno, sem uma careca com um adicional, tenho um poder de sedução
Dei uma risada, aproximando minha cadeira entre a de Ethan e Nico – que continuava embasbacado pela atitude de sua esposa.
– Cara. – Nico murmurou ainda virado para Thalia – Você é a mulher mais sexy do mundo.
Thalia deu um sorriso, prendendo o cabelo em um coque.
– Cara. – Percy cruzou os braços, encostando-se do outro lado da van ao lado de Luke – Vocês precisam de um quarto.
– Definitivamente. – Thalia e Nico disseram juntos, sorrindo logo em seguida.
– Awn! Essa foi a cena mais fofa do dia! – dei um sorriso, pulando em minha própria cadeira
– Sabe o que é isso? – minha prima me empurrou até que estivesse sentada ao meu lado – É a aproximação do casamento daquela mulher maluca e obcecada. Está vendo? Ugh, olha isso, até me arrepiei. Distância de Silena Para Sempre.
Nico riu, segurando seu queixo e dando um selinho em seus lábios antes de virar-se para o computador.
– Ok, vamos lá.
Meu amigo inclinou-se sobre as telas, em seguida abaixou-se até achar algum lugar onde pudesse conectar o cartão de memória. Ethan o ajudou, achando um dispositivo que conectava ao lado dos teclados. Todas as telas apagaram de repente. Luke e Percy se aproximaram de nós, vidrados no que poderia acontecer.
Quando elas voltaram a se acender estavam verdes, descendo várias letras.
– Codificado. – Ethan sussurrou
– Já era de se esperar. – Nico disse, contrariado – Ele não deixaria sem uma boa proteção. Consegue tirar a codificação?
– Provavelmente vai levar um ou dois dias. – Ethan deu de ombros
– Deve ter alguma senha por trás disso. Uma codificação seria muito pouco.
– Uma senha seria útil. – Ethan me encarou por cima do ombro – Tem alguma ideia de qual seria a senha?
– Siga com isso primeiro. – Thalia ordenou – Veja se consegue usar... Aqueles programas de hacker para descobrir a senha.
Nico deu uma risada.
– A codificação dele foi praticamente feita a mão. Como um artesanato perfeito, sabe? Não creio que vamos conseguir a senha apenas com programas baratos de hacker.
Na tela principal, a cor azul preencheu todos os detalhes, apenas uma palavra gritava: AUTORIZAÇÃO REJEITADA.
Ethan e Nico soltaram suspiros conjuntos.
– E aqui vamos nós.
Então, começaram a digitar furiosamente.
– Isso vai levar dois dias, mesmo? – argumentei
– Se tivermos sorte. – Ethan respondeu, focado nos letreiros das telas do lado esquerdo
– Certo. Bem, eu preciso trabalhar. – Percy anunciou – Thalia, quer uma carona?
– Não. Acho que vou aproveitar a recepção de sua casa. Ouvi dizer que Atena aprendeu a fazer cookies maravilhosos.
– Luke? – Percy perguntou
– Vou ficar por aqui também. A delegacia está em boas mãos, por enquanto.
Percy franziu o cenho.
– Ok. Qualquer notícia, me avisem.
Assentimos.
Ele veio em minha direção, agachando-se até que estivesse a minha altura.
– Posso falar com você? Lá fora?
Balancei a cabeça, concordando. Luke ocupou meu lugar, brincando com um dos fios de minha prima, ambos sorriram. Acompanhei Percy até o lado de fora.
Toda a equipe estava conversando. Apoiamo-nos na lataria da van.
– Você vai ficar bem?
Franzi as sobrancelhas.
– Você me tirou de lá de dentro para falar isso?
– Eu... Não sei como ficou as coisas entre a gente. É isso. Não quero implorar seu perdão porque, ao meu ver, eu não estou... Completamente errado.
– As coisas estão bem, Percy.
Ele me encarou por um bom tempo, avaliando-me cuidadosamente.
– Sinto que não está falando a verdade.
– As coisas estão bem. Só... Tenho que anexar tudo isso. Pensar. Saber o que estou fazendo e o que quero fazer.
– Seu direito, claro.
Percy segurou minha mão, subindo a outra até meu pescoço. Seus lábios beijaram o meu com calma. Mais uma vez, senti meu coração perder uma batida habitual. Eu ainda estava com raiva, claro, ela não desapareceria de uma hora para outra. Ela estava ali, queimando, pedindo por espaço e eu pretendia ceder.
Infelizmente, Percy tinha uma ótima habilidade com os lábios.
– Nos vemos depois, então.
– Verifique se os garotos estão bem.
– Aham. – sussurrou – Eu te amo. Sabe disso, não é?
– Sei. – afaguei sua bochecha – Sabe que ainda não foi perdoado, não é? Não adianta vir com palavrinhas bonitas.
Bufou, sorrindo.
– Não sei por que quero me casar com você.
Percy deu dois passos para trás, ainda me encarando, em seguida, começou a andar em direção ao seu carro. Respirei fundo, jogando minha cabeça para trás e fechando os olhos para conseguir deixar meus pensamentos em ordem.
– Eu também não sei.
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