Lightweight.
26 Own It.
Notas iniciais
"When you're stuck in a moment and your spark has been stolen, this is our time to own it."
Havia algo no estádio. Parecia mais medonho.
Assim que entramos, no mínimo, cinco policiais acenaram para nós. Eles tinham cintos com armas, spray de pimenta e cassetetes, como se a qualquer momento fosse haver uma briga nas arquibancadas. Passamos pelas barraquinhas, o que me causou um arrepio. Senti a mão de Percy me guiando, seu boné caia perfeitamente nele. Ao mesmo tempo, conseguia parecer descontraído e intimidador. Naquele momento, eu senti que poderia casar com ele e então, o sentimento passou.
Ele continuou me guiando até que estivéssemos em um ponto mediano da arquibancada, sem muito movimento, mas que tivéssemos uma visão ampla do gramado e dos arredores. Sentamo-nos e senti sua mão acariciando meu joelho.
– Vai ficar tudo bem, ok?
– Eu sei que vai. – bati em seu ombro com um sorriso – Sabe o que acho? Que estamos em uma missão superperigosa e...
Seu rosto ficou totalmente sério, sentia como se ele pudesse arrancar meu pescoço e me mandar calar a boca.
– Não fale isso. Não estamos em uma brincadeira.
– Eu... – lambi o lábio inferior
– Só... Não trate como se fosse brincadeira. Por favor.
– Tudo bem. Desculpas.
Percy não comentou mais nada, apenas enrolou meus ombros em um dos seus braços, como se estivesse me aninhando.
Os outros estavam atrasados. Quando Ethan começou a pular pela arquibancada, tentando nos alcançar, Olivia já estava caindo de uma pirâmide para o passo final.
– Estava um tremendo engarrafamento lá fora! – gritou quando sentou-se aos meus pés – É final?
Ergui os ombros, confusa.
– Deve ser. – Luke me deu um beijo na bochecha, ignorando Percy e sentando-se ao meu lado – Ah, ali está ela, cara! – ele bateu no ombro de Ethan com um sorriso orgulhoso – Olha, aquela garota parece uma princesa! Annie, ela é sua cara.
– Annie.
Nico mudou a posição do boné, colocando a aba para trás para que pudesse abraçar-me sobre o corpo de Percy.
– Obrigado pelo apoio. – piscou
Ergui meu punho para bater com sua mão e sorri.
– Sempre juntos, hm? – pisquei de volta
Ele sorriu e sentou-se ao lado de Percy entrando em uma conversa sobre segurança.
Thalia vinha pulando e xingando com um Ian sorridente ao seu lado.
– Tia Annie!
Ian empurrou Luke, ocupando seu lugar enquanto Thalia o fez descer para que ficasse perto do filho.
– E aí? Paris me disse que iria arrasar hoje! – Ian sussurrou, feliz, em seguida, gritou quando as líderes de torcidas se perderam no vestiário
– Ele vai, garoto. – cutuquei sua barriga – Ei, Thals! – acenei
– Com certeza, eles colocaram bastante policiais.
– Bastante bastante? – conferi
Ethan apertou meu tornozelo e confirmou.
– Bastante bastante.
– Ele não vai conseguir passar. A menos que esteja disfarçado, não acho que levantou essa possibilidade. – Nico resmungou
– Olha aqui, garoto da contabilidade, eu sei o que faço com meus policiais.
Percy sorriu.
– Olha, o garoto delegado sabe o que faz com os policiais.
Luke revirou os olhos.
– Você é tão infantil, Perseu.
– Sabe, Luke, eu estava pensando... Você realmente acha que não é gay. Porque isso foi tão gay.
– Qual o problema de ser gay? – Ian perguntou, seu tom de voz era inocente, acho
Engoli em seco e todos os olhares se voltaram para Percy, Nico foi o primeiro a se pronunciar.
– Nada, garoto, o negócio é não ser, ok?
– E qual o problema de ser? – insistiu
– Bem... – Percy inclinou-se para frente, desconfortável – Nenhum, não é, gente? Só...
– Cale a boca.
– Certo.
Luke e Ethan abafaram um sorriso enquanto Ian se distraia com os jogadores que começaram a entrar.
Foi um jogo árduo. Com gritos, xingamentos e tudo que se precisava em um bom jogo. Paris saiu com o nariz sangrando. Claro, tive uma vontade imensa de invadir o campo e cuidar dele, no entanto ele parecia bem o suficiente para voltar, além de que ele estava descontando toda sua raiva nos pobres adversários. Percy me cutucou de canto.
– Você acha que ele está bem? Não devemos procurar um psiquiatra ou sei lá?
Revirei os olhos.
– Ele está bem, ok?
– E quem é a garota? Acho que você sabe.
Meu corpo gelou, Thalia se inclinou para o meu lado.
– Por que vocês não prestam atenção no jogo?
Percy revirou os olhos, cruzou os braços e pousou a atenção no jogo.
Pareceu ter sido muito rápido. Em alguns minutos, nós seguíamos o fluxo da multidão para o estacionamento, tentei ligar para Olivia ou para Paris, mas eles pareciam estar festejando, então deixei de ser a mãe coruja. Eles mereciam isso.
– Acha que está tudo bem? – perguntei para Percy enquanto seguíamos nossos amigos – Será que estão salvos?
Percy encarou ao nosso redor.
– Creio que sim. Não podemos virar paranoicos...
Luke parou em nossa frente com o celular na mão.
– Deixei uma viatura aqui, eles vão segui-los quando acabar, algum problema com isso?
– Tudo bem. – Percy disse
– Legal, o que vocês acham de um hambúrguer agora?
– A melhor coisa que ouvi nessa noite. – Ian concordou
Thalia sorriu, abraçando-o.
– Ótimo, então comeremos hambúrguer.
– E Coca.
– Talvez um suco.
Ethan bufou.
– O que adianta comer algo gorduroso sem algo gorduroso para acompanhar?
– Sem Coca. – Thalia falou convincente
Percy revirou os olhos e segurou os ombros de Ian.
– Vamos conseguir uma Pepsi para você, garoto.
Nico riu, acompanhando-os.
***
Não houve nada.
Absolutamente nada.
Era como um vazio impossível.
Eu não sabia se estava mais amedrontada ou aliviada.
Era segunda. Eu estava muito nervosa para dormir, então simplesmente me libertei dos braços de Percy, da segurança que eles me proporcionavam e desci as escadas, andando de um lado para o outro.
Agarrei minhas pastas, onde havia ainda alguns contratos e desenhos, procurei as cartas do meu pai e lá estavam elas: amassadas e escondidas.
Segurei-as contra meu peito, como se fossem um bote salva vida em meio a uma tempestade. Abri-as, procurando por mais algumas que pudessem ter ido para Hampshire.
Encontrei uma para Meredith, a mulher que não via desde que saí do hospital com Percy.
A letra do canto era ilegível, como se fosse um tipo de símbolo. Foi aí que percebi que as letras do canto significavam alguma coisa.
Espero que tenha recebido todas as informações necessárias. Sinto muito pelos contratempos, precisamos conversar pessoalmente. É urgente.
Perguntei-me o que aquela carta queria dizer. Todas aquelas cartas. Cartas que pessoas não haviam recebido e que nunca iriam receber, nunca.
Era importante, a urgência nas letras, nas palavras, era como se fosse algo que não devesse esperar. Pensei que se aquela carta tivesse chegado às mãos de Meredith, talvez meu pai ainda estivesse aqui. Ainda fizesse cookies para mim. Ainda fosse meu pai.
Não. Esse era um passado que eu não queria retornar, um passado que eu havia aceitado e aprendido a seguir em frente. Era minha bagagem. Mas ali. Naquele momento, eu me senti uma garotinha que precisava do pai.
Minha cabeça latejou, como se alguém tivesse me dado uma coronhada. Inclinei a cabeça para o lado, soltando um suspiro pesado ao ver que não conseguiria fugir daquilo. Daquilo que estava prestes a começar.
Então, tudo girou e eu estava sentada na beira da praia.
Meu pai me trazia uma xícara de café, um prato cheio de cookies, um sorriso no rosto, os cabelos negros balançando contra a brisa marítima. Eu o amava, meu coração doía. A imagem mudou e pude nos ver quando ele foi visitar minha mãe em Nova York, disse que estava lá a trabalho e não demoraria muito, ele me levou ao museu.
Foi uma boa tarde. E então, eu estava correndo pela areia, minha pele queimava.
A imagem mudava rapidamente, ora eu estava correndo na antiga casa do meu pai, ora eu estava me escondendo na casa de Percy.
Não sabia ao certo onde estava.
Eu esperava o alívio. Eu sabia como o surto do meu pai terminava, eu deixando meu corpo se afogar no mar, o alívio das ondas frias sugando todo o calor de minha pele, as lágrimas se misturando com as águas salgadas e sempre que aquilo passava, eu tentava focar em detalhes. No som do carro de Jack, em sua expressão surpresa, no céu estrelado e no fogo que brilhava diante dos meus olhos.
Dessa vez, no entanto, não houve alívio. Eu quis gritar, me debater, sair dali.
Por sorte, a visão acabou e eu levantei, sobressaltada e suada, como se tivesse acabado de sair de uma sauna.
O fogo sempre afasta o urso.
Nunca perguntei o porquê daquela metáfora porque sempre a entendi. Naquele momento, queria que ele me explicasse.
Enrolei as cartas, jogando-as no fundo da minha pasta.
Jay estava escondido em algum lugar, planejando algo bem maior e tudo que eu podia fazer era ser vigiada por algumas viaturas de policiais com medo de que ele atingisse pessoas que amo.
***
Paris e Olivia ainda não estavam no melhor clima, embora tivessem ganhado o jogo.
– Mãe, estou pensando em passar o dia na casa do vovô. Algum problema? – Paris perguntou, parecia indiferente enquanto comia seus cereais
– Claro que não. – Percy respondeu – Não há. Por que não o acompanha, Ollie?
– Não me chame assim. – ela grunhiu – Sabe que odeio. E sim, posso dar uma passada lá.
– Pode te esquecer do garoto. – ele deu de ombros
Ela lhe lançou um olhar medonho. Peguei as chaves da Mercedes de Paris, colocando-as em cima da mesa.
– Não se atrasem para a escola.
Percy me encarou com uma sobrancelha arqueada enquanto terminava suas rabanadas.
Paris sorriu, meio ressentido.
– Obrigado. Olivia?
– Terminei. – ela limpou a boca com o guardanapo, pulou da cadeira e pegou sua mochila
Ergui o dedo para ele.
– Só por hoje. E então, me entrega de volta.
Paris revirou os olhos e saiu antes que eu pudesse mudar de ideia.
Peguei minha bolsa quando eles saíram. Eu alisei meu vestido azul escuro comportado, Naomi me ligara avisando que eu tinha duas visitas e um almoço com Graham. Finalmente.
Dei um beijo na testa de Percy, em seguida em seus lábios.
– O que houve com a mãe durona? – ele inclinou-se para trás na cadeira com um sorriso enorme – Eu meio que tinha um tesão por ela.
Abri um sorriso, também.
– Hm... Você gostava dela?
Quase me arrependi quando Percy agarrou minhas pernas, fazendo-me sentar em cima dele. Inclinei minha cabeça rindo, sentindo seus dedos subindo meu vestido.
– Ele quase rasgou, Percy. – acariciei seu pescoço
– Bem... Ele não rasgou. – piscou e beijou meu colo – O que me diz de comemorar uma semana feliz?
Segurei seu pescoço, arranhando-o.
– Quando eu chegar... – mordi seu lóbulo – Eu estarei sem nenhuma peça abaixo desse vestido.
Suas mãos apertaram ainda mais meu quadril.
– E Percy, eu preciso ir.
– Você realmente acha que depois de me atiçar desse jeito, eu vou deixar você ir tão facilmente?
Antes que eu pudesse responder com um gritante “não”, que realmente queria que ele me agarrasse e me atirasse no sofá, que ficássemos enroscados toda a manhã porque eu não estava com um mínimo de vontade de deixa-lo ali e ir trabalhar, o telefone dele tocou.
Ele bufou, antes de depositar mais um beijo em meu colo, prendendo-me entre a mesa e seu corpo.
– Jackson. Sim... Os contratos foram liberados desde sexta-feira, só preciso que o proprietário vá visitar, e então o assine, junto com o cheque. – ele massageou o ponto entre as sobrancelhas – Sim, a inauguração ainda está de pé. Sexta-feira, eu sei.
Sorri, vendo-o preocupado. Adorava quando ele mergulhava no trabalho, na verdade, até sentia falta de vê-lo abrindo cartolinas em cima de nosso balcão e começando a desenhar sem parar, como ele fazia quando eu tive Paris e ele tinha infinitos trabalhos para entregar na faculdade.
Beijei a ponta de seu nariz.
– Preciso ir.
Ele bufou, afastando o celular e aprofundando nosso possível selinho.
– Vou esperar ansiosamente sua chegada. Até vou chegar mais cedo.
Sorri, mandando uma piscadela.
Acenei para ele, sua expressão preocupada se abriu em um sorriso lindo e então, pude ver ele resmungar alguma coisa sobre não poder esperar, pois seus investidores estavam enchendo seu saco.
Por sorte, o trânsito estava maravilhoso. Até conseguir chegar de bom humor na recepção. Dei bom dia para Mazzali repleto de pastas e ignorei a maior parte de suas perguntas com um aceno de cabeça.
Quando cheguei ao meu andar, lá estava Naomi atrapalhada com um café em copo descartável e cookies.
Beberiquei o café com um sorriso.
– Obrigada, N. O que temos para hoje?
– Quer que eu prepare o carro? Vamos visitar uma casa no subúrbio, um prédio no centro, talvez fazer um orçamento para uma rede de hotel nova.
– Sério? Eles não tem um arquiteto fixo?
– Parecem que eles querem trazer um pouco da arquitetura original e misturar com a cidade litorânea.
– Nossa, legal. – apontei com meu copo, sentando-me na minha mesa – O que mais?
– E o almoço com o Graham. – sua voz tremeu no final e dei um sorriso
– Ele é adorável, hm?
Naomi corou e assentiu, colocando uma pasta em minha mesa.
– Aqui está a casa dele internamente. Já fiz a reserva, é um restaurante meio ao ar livre, acho que é vegetariano.
Fiz uma careta.
– Algum deles é vegetariano?
– Não. – ela ficou nervosa, novamente – Só que achei que diminuiria o clima se fosse um lugar mais clean.
Assenti.
– Você está certa, Naomi. Boa escolha. Só vou assinar alguns papéis. Quero que os mande imediatamente para o advogado e outros são desenhos para serem aprovados, vou deixar arquivados no meu computador, certo? Pode mandar tudo até o final da tarde?
– Sim, senhora.
Li alguns papéis enquanto bebericava meu café. Deixei todos assinados, arquivei os desenhos no computador e saí quando Naomi disse que o motorista estava pronto.
Primeiro, visitamos o subúrbio. Ótimo. A casa estava quase terminada com aquele ar vitoriano e moderno, estava uma beleza extraordinário. O prédio estava como previ, os espelhos entravam em contraste com a tintura marfim dos cantos, como se fosse uma coisa só. Moderno e antigo.
Estávamos no carro a caminho de uma reunião com o dono do hotel.
Naomi não parava de verificar seu telefone e seu Ipad. Verifiquei meu telefone em busca de mensagens ou e-mails, embora Naomi parecesse dar conta de tudo sozinha. Saímos do carro. Peguei minha bolsa, ajeitei meu vestido e entramos em um prédio deslumbroso. Médio, com aparência de velho com os tijolos esbranquiçados, meio rosas, não consegui identificar. Naomi conversou com a recepcionista enquanto subíamos para o primeiro andar onde o dono estaria.
Depois que anunciaram minha chegada, entramos.
Rob apertava a mão de um homem, talvez dois anos mais velhos que eu. Não muito longe dos trinta. Ele era bonito, alto, usava um terno que caia muito bem em seu corpo, ele parecia um daqueles surfistas do Havaí. Como se tivesse viajado o mundo todo.
– Annabeth. – ele disse assim que se virou em minha direção – Imaginei que ele procuraria a melhor arquiteta do estado. Você está em boas mãos, meu amigo.
– Assim espero. – o homem deu batidinhas nas costas de Rob – Lembre de levar Jake para uma visita.
– Assim que puder! – prometeu – Annie. – deu um beijo casto em minha testa
– Rob. Fico feliz em te ver.
– Mesmo? – seus olhos brilharam por um segundo
– Claro. – bati em seu braço – Agora, preciso trabalhar, se não tiver nenhum problema.
Ele riu, acenou novamente para o homem atrás dele e cumprimentou Naomi.
– Annabeth Chase, hm? – ele abriu uma pasta e ergueu a mão para mim – Taylor. É um prazer te conhecer.
– O prazer é meu, Taylor. Ouvi dizer que está abrindo a filial de um de seus hotéis.
– Devia ter feito isso antes. Digo, Los Angeles é o centro do mundo, não é?
Dei de ombros.
– Sou suspeita a falar.
– É o que me falaram. Sente-se, por favor. Olhe minhas manias.
Sorri, aceitando seu pedido.
Taylor parecia um cara legal. Ele comentou sobre seu sonho de ter uma filial em várias outras cidades, afirmando em cada frase que seu hotel era seu sonho e que ele não lidava com negócios, mas com sonhos. Deixou claro que se eu estivesse dentro, teria que concordar com isso.
Obviamente que concordei porque o valor inicial que ele me passou era extremamente assustador. Assim que a reunião terminou, peguei a prancheta que Naomi tinha me entregado com minhas anotações quando estava na casa dos Graham.
No canto, minha caligrafia tinha anotado para ligar à Silena. Verifiquei no meu telefone, tinha vinte minutos até o carro chegar e me levar para o restaurante.
Procurei seu número e fiz a chamada.
– Beauregard. – sua voz era séria e profissional, perguntei-me se não liguei em um péssimo horário
– Silena? Aqui é a Annie.
Ela soltou um suspiro.
– Ótimo, eu não aguento mais falar com modelos ou organizadores.
Soltei uma risada.
Entrei no carro assim que ele chegou.
– E como está indo o casamento?
– O terceiro em cinco anos?
– O primeiro que eu vou e o primeiro que eu conheço o cara.
– O que é ridículo de sua parte. – bufou – Bem, está tudo bem até agora. E se você não aparecer no meu casamento, Chase, pode ter certeza que eu não caso.
Revirei os olhos. Tão dramática.
– Claro, Si. Eu estarei aí, pode ter certeza.
– Own! E as crianças virão também, hm?
– Silena, não estamos nadando em dinheiro para carregar dois adolescentes conosco, ok?
– Eu disse que...
– Não quero nem discutir isso com você. Na verdade, só fiquei com saudades. Queria saber como estão as coisas em Hampshire e com você.
– Também sinto saudades, Annie.
– E como está Afrodite?
Ela riu.
– Da última vez que chequei, estava em um SPA na Austrália.
– Definitivamente, eu quero ter o emprego de sua mãe. – resmunguei e encarei o relógio – Bem, Si, adorei ter essa conversa rápida com você. Temos que nos comunicar mais.
– Bem, eu me comunico com Liv por diversos meios de comunicação. – retrucou – Não tenho culpa se você é a arquiteta ocupada da história. Ei! Não... Diga a ela que estou ocupada.
– Sei que estou te atrapalhando e de qualquer maneira, tenho que ir, Si. Nos falamos depois?
– Claro! Droga, ei, mande um beijo para meu priminho. Tenho saudades dele também.
Sorri e concordei.
O gosto de cookies com gotas de chocolates e o chá fresco ainda estavam impregnados em minha boca, perguntei-me se teria estômago para comer um bife agora. Em seguida, concentrei-me nos clientes.
Fiz uma anotação mental de como eles queriam a casa. Algo moderno, aconchegante, carinhoso e confortável. O típico casal recém-casados, louco para morarem juntos.
Naomi me mostrou mais imagens internas da casa, avisando que iria resolver os contratos na empresa e deixaria o motorista a pronto. Ela me passou o Ipad, fiz pesquisas rápidas sobre móveis que seriam bons ou casas semelhantes a dele que tínhamos em nossos arquivos. Naomi ainda deu dicas de hotéis que eles poderiam gostar.
Concordei e entrei no restaurante.
Era clean, como Naomi falou. A rua era pouco movimentada, com poucos carros estacionados, o restaurante não estava cheio, embora parecesse bom. O clima era leve e toda a entrada era feita por madeira, com colunas grossas erguendo o teto.
Parecia rústico, o que achei perfeito, de imediato.
Subi os degraus que mais pareciam árvores cortadas ao meio, as mesas eram de vidro e a mesma impressão de árvores cortadas.
– Annabeth Chase. – disse quando uma mulher com um vestido florido longo veio me atender com um sorriso caloroso
– Sua mesa está ali.
Ao ar livre. Ótimo lugar para combinar com meu estado de humor.
Dei um sorriso ao ver Graham e sua esposa de costas para mim. Seu braço estava sobre os ombros dela, ele beijava seu ombro desnudo despreocupadamente, aquilo me encheu de saudades de Percy. Quase de imediato.
Decidi começar o meu trabalho.
– Kacey. Graham. – cumprimentei ambos com um sorriso e beijinhos educados
– Annabeth. Estávamos tão ansiosos com a reunião. Adorei o lugar. – seus olhos castanhos eram calorosos e combinavam perfeitamente com o tom queimado na ponta de seus cabelos, assim como sua roupa aparentemente casual
– Minha secretária tem um bom gosto. Sinto muito se os fiz esperar, eu acabei de sair de uma reunião...
– Não, sem problemas, chegamos cedo demais. – Graham me interrompeu enquanto um garçom se aproximava de nós – Esperamos você para fazer o pedido, então...
Chequei rapidamente o cardápio. Saladas, sucos... Bife. Quase soltei um suspiro de alívio.
– Bife e o acompanhamento, por favor. E um suco de uva. Obrigada. – pedi
Kacey pediu uma salada estranha enquanto Graham pedia um frango grelhado.
– Então, já fizeram mais visitas a casa? – comecei, inclinando-me na mesa
Graham enrolou a mão de sua esposa contra a sua, parecia cansado, embora seus olhos transmitissem divertimento.
– Estamos ficando em um hotel, por enquanto.
– É como uma lua de mel prolongada. – Kacey deu de ombros
– Claro, vocês não tem filhos ainda. – brinquei – Não posso me dar o luxo disso por enquanto.
Kacey fez uma careta, quase de compaixão.
– Graham me disse que ficou grávida cedo. Deve ter sido difícil.
– Querida.
Sorri, despreocupada.
– Não é nada. Digo, não me arrependo. Foi muito difícil, mas conseguimos superar tudo isso.
– Imagino. – suspirou – Eu tinha algumas ideias. Tenho algumas fotos de como quero no celular, se não se importar.
– Claro que não. Também tenho algumas dicas aqui, podemos juntar tudo e fazer do gosto que vocês quiserem.
Ambos sorriram um para o outro. Até podia apalpar o amor entre eles. Era tão bonito. Será que aquilo só acontecia com recém-casados ou comigo também aconteceu e não percebi?
Céus, a ideia de casamento estava sendo impregnada em minha cabeça. Aquilo tinha que parar.
Kacey me mostrou dezenas de imagens de uma sala clean. Uma das paredes era de tijolos avermelhados com poltronas espalhadas, sofás de cores claras e madeira no piso. Percebi que coisas que não podia faltar eram: a parede de tijolos, um sofá marfim, poltronas, uma estante com livros e alguma planta que se encaixasse em tudo aquilo.
Graham parecia concordar com tudo aquilo, ele deu a opinião uma duas vezes sobre como queria o quarto algo menos branco. Meio esverdeado, confirmou.
– Acho que se colocássemos plantas na varanda... – Kacey opinou
– Vocês querem um jardim? Porque já o temos na frente. – fiz menção de sorrir e tentar fazer daquilo uma brincadeira, não uma crítica – Podemos pintar uma as paredes de um verde claro, ou trocar as poltronas por um estofado verde pastel. Talvez um papel de parede pode dar a cara que vocês procuram.
O garçom deixou nossas comidas. O bife estava dos deuses, maravilhoso. Beberiquei o suco enquanto mostrava alguns tipos de paredes de papéis, explicando como ficaria bonito e clean se colocássemos um deles na parede central, ficaria clean e esverdeado ao mesmo tempo... Tudo aconteceu nesse momento.
Enquanto eu falava. Enquanto eu os mostrava alguns papéis de paredes esverdeados, como um mapa, acho. Não tenho muitas recordações porque queria apagar aquilo.
Realmente queria.
Minha cadeira se afastou quando o tiro foi ouvido. De primeira, pensei que fosse algum tipo de comemoração, quando pisquei, o corpo de Graham caiu em frente a mesa, sua camisa branca de botões ensopada de sangue.
De começo, não entendi nada. Apenas o grito de Kacey.
Ela mal acreditou no que viu.
Engoli em seco. O que era aquilo?
As poucas pessoas que estavam ali, gritaram e saíram do restaurante com medo. O garçom chamou a polícia, outro chamava a ambulância.
Eu não sabia o que fazer.
Então, meu corpo entrou em momento automático.
Pulei da cadeira. Afastei o corpo de Graham, desmaiado. Deitei-o no chão, rapidamente, vendo Kacey me acompanhar. Suas mãos tremiam, seu rosto também estava manchado com sangue, misturados com as lágrimas de pavor.
– O que aconteceu? Eu pisquei e...
Não respondi. Pressionei meus dedos em seu pescoço. Senti lágrimas de alívio queimando meus olhos, ele estava vivo. Não por muito tempo. Abri sua camisa.
– O que você vai fazer? Você não é nenhuma médica.
– Precisamos estancar o sangue. Se ele perder muito sangue... – comecei a falar, sem processar as palavras
– Ele está morto? Ele...
– Ligue para a ambulância, Kacey.
– Quem fez isso? – ela gaguejou
Balancei a cabeça, ignorando sua pergunta.
– Já ligou para ambulância? – perguntei ao garçom que veio até nós
– Sim, senhora. Eles estão a caminho.
Kacey se debruçou sobre Graham, sussurrando coisas como “vai ficar tudo bem, meu amor”, acariciando a testa dele e o cabelo dele. Senti lágrimas deslizarem pelas minhas bochechas.
Ele não podia morrer. Não.
Graham estava bem a minha frente, com um sorriso e dizendo que preferia a cor verde. E por que ele estava desmaiado? Ele não deveria estar acordado?
Minhas mãos estavam tentando pressionar o peito dele, estancar o sangue em seu peito, não sei se fiz o trabalho muito bem, no segundo seguinte só senti braços arrancando eu e Kacey de lá.
– Eu vou com ele! – ela gritou – Sou a esposa dele, deixem-me ir. – sua voz estava misturado com o gaguejar de seu choro
Ela entrou na ambulância enquanto eu fiquei ali parada, com as mãos encharcadas de sangue. O garçom me trouxe toalhas limpas e molhadas, tentei limpá-las, embora minhas unhas ainda tivessem sangue, o que me enojou. Tive vontade de vomitar.
Minutos depois, Ethan saia de um dos carros da polícia. Ele correu até mim. Seus olhos verdes cobertos por um óculos de sol, ele segurou meus ombros.
– Ei, loira? Aconteceu algo com você?
Afastei-me.
Pisquei. Ele queria me ajudar. Ajudar. Por que não poderiam ajudar Graham?
Respirei fundo.
– Estou bem. – consegui responder
Em seguida, Luke se jogou em cima de mim, seus braços apertando-me. Seus dedos afastaram os fios loiros que grudaram em meu rosto, seus dedos ficaram manchados de vermelho, perguntei-me se meu rosto também estava sujo.
– O que aconteceu aqui?
Balancei a cabeça. Eu não sabia. Realmente não sabia.
– Vamos leva-la para a delegacia. Ela é testemunha. – Ethan começou, afastando um Luke preocupado de mim – Ei, Castellan. Não perca a cabeça agora. Você vai levar Annabeth daqui, vou ficar até os peritos tirarem tudo que podem daqui. Ok? Está me entendendo?
Meu primo assentiu e se afastou de mim. Ele tirou seus óculos escuros, ambos estavam próximos, o suficiente caso eu desmaiasse e eu gostei do ato.
– Sim... – ele apontou para um policial que conversava com um dos garçons – Pegue o depoimento do máximo de pessoas que puderem. A lista de quem esteve aqui durante toda a semana.
– É o restaurante renomado, acho, eles devem ter esse tipo de coisa. – Ethan balançou os ombros – Gravações nas câmeras. A lista de quem é esse cara. – continuou – Repasse tudo para sede.
– Sim, senhor.
Luke me encarou novamente.
– Ela está em estado de choque.
– Não deveria ser para menos. – Ethan concordou – Vou esperar eles isolarem o restaurante, leve-a para delegacia.
– Devo avisar ao Percy? – perguntou
Senti meu coração se aquecer, as lágrimas caíram mais fortes pelo meu rosto. Agarrei o braço de Luke, meu peito subindo e descendo tão rápido por meio dos soluços quando minha voz saiu.
– Preciso saber se ele está bem. Preciso saber se meus filhos estão bem, eu... preciso... – tentei continuar, contudo minha voz foi engolida pelos meus próprios soluços
Ethan abraçou meus ombros, em seguida, meu corpo, suas mãos acariciavam minhas costas.
– Está tudo bem, loira. Vamos entrar em contato, ok? Luke, leve-a para a delegacia. Quando chegar, provavelmente teremos todas as informações.
Senti meu corpo trocando de posição. Consegui avisar para que pegassem minha bolsa e o Ipad. Luke me colocou em um carro, arrastand-o, mais uma vez, para a delegacia.
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