Lightweight.
2 Maybe.
Notas iniciais
"Hold on til yesterday is far away"
Meus pés estavam extremamente cansados. Meu corpo transpirava de alívio assim que meu carro entrou em minha rua; um lugar arborizado com casas de famílias de classe média, algumas crianças saíam para passear com seus cachorros nos jardins e outras mães que eram sustentadas pelos maridos cuidavam destes.
Era sexta feira, e embora eu trabalhasse meio período, algumas sextas eu tinha que visitar meus clientes, como suas casas estavam e procurar mobiliárias que tinham os preços mais baratos para decorar as casas.
Poderia dizer que eu virara uma arquiteta frustrada que não criara tudo que queria, mas trabalhara para uma grande multinacional que atendia clientes ricos.
No entanto, às nove, eu chegava em casa. Estacionei o carro no meio fio, vendo o carro do meu marido na garagem.
Peguei minha pasta, minha bolsa, calcei meus saltos e andei pela passarela de pedrarias artesanais arrodeada pelo jardim que Pattie cuidara antes de morrer. Senti a leve nostalgia tomar conta de mim, antes de abrir a porta e me deparar com minha filha mais nova e Percy com um avental, debruçado tranquilamente no balcão de mármore que dividia a sala da cozinha.
– Annie. — Percy mandou um beijo no ar
– Onde está Paris? — perguntei, tirando meus sapatos e meu casaco
Olivia, minha filha mais nova, espreguiçou-se e levantou do sofá, desligando a televisão.
– Estava esperando você, mamãe. — ela disse e beijou meu rosto — Posso sair amanhã com as garotas?
– Já pediu pro seu pai?
– Estou fora dessa. — ele ergueu as mãos e tirou o avental, vindo em nossa direção
– Veremos, Liv. E Paris?
– Por que só está preocupada com Paris?
– Porque ele tem dezessete anos e o mundo é perigoso, Olivia.
– Perigoso. — ela bufou — Eu vou dormir.
– Own, Liv. — Percy a pegou em um abraço e beijou sua testa — Vamos pegar seu avô no aeroporto amanhã, não se esqueça. — ele a soltou e ela começou a subir as escadas — Não esqueça!
Ela não respondeu, apenas continuou subindo com passos fundos.
– Ela só está brava porque Paris não a levou.
Arqueei a sobrancelha, afrouxando o lenço ao redor do meu pescoço. Encarei Percy, confusa.
– A levou pra onde?
– Ops. Olha, você deveria ficar de boa, ele é um garoto e garotos fazem isso. Você não deveria se meter.
– Ele é meu filho e sim, eu me meto quando eu quiser.
– Não me meto nos seus assuntos com Liv.
– Mas deveria! — rebati e apoiei minhas mãos na costa do sofá
– Não deveria nada. — Percy se inclinou com um sorriso e beijou meus lábios, acariciando meu rosto — O que aconteceu no trabalho?
– Aqueles clientes riquinhos de merda. Você não sabe quanto eu os odeio.
– Você sabe que posso sustentar a todos nós, sozinho. Não precisa trabalhar.
Fiz uma careta com aquela possibilidade.
– Prefiro me estressar com esses clientes babacas do que virar sua escrava.
– Só de um modo. — ele piscou, com um sorriso safado
Revirei os olhos, sentindo seus dedos continuarem a acariciar meu rosto com calma.
– E então? Onde está Paris?
Seus lábios se debruçaram sobre meu pescoço, afastando meus cabelos enquanto me beijava. Apoiei minha mão em seu ombro, inclinando meu pescoço e aproveitando a carícia. Seus beijos subiram para minha mandíbula e espalhando selinhos pelos meus lábios.
– Para você, ele foi com os caras para um show indie na Interestadual.
Eu sabia desses joguinhos masculinos que acontecia em minha casa. Para mim, Paris ia para lugares normais onde adolescentes bem educados e inteligentes iam, para o pai e a irmã, ele ia pra lugares loucos que eu frequentara quando tinha sua idade.
Nós tentamos afasta-lo dos piores lugares quando ele completou quinze anos e interessou-se para participar do time de futebol. Percy tinha contatos, e conseguiu com que ele entrasse, mas com isso vinha a popularidade e as festas que tanto sabíamos.
Percy, como sempre, fez um ótimo trabalho. Paris era inteligente, calmo e até onde sabíamos ou até onde eu sabia, ele nunca tinha se envolvido com drogas. Brigas, claro, por garotas ou por "honra" como insistia em dizer.
– Pra mim... — Percy sussurrou, beijando minha têmpora e afastando meu cabelo — Ele foi a uma racha na Interestadual.
– Não. — afastei-o pelos ombros — Você não deixou Paris ir pra uma racha.
– Qual é, Annie, você foi pra uma racha.
– Sim, eu fui! — esbravejei, andando de um lado para o outro — E por isso mesmo, nós sabemos por que não podemos deixa-lo ir. E ainda queria levar Liv? Você tem algum problema, Percy?
– Nenhum, meu amor. Mas você deveria parar de fazer isso com ele. Ele tem dezessete anos!
– Tem vinte um? Mora sozinho? Trabalha?
– Não, mas... — Percy continuou e segurou meus braços — Olhe pra mim. Ele está bem. Quando for quatro horas da manhã...
– Quatro horas da manhã?! — gritei contra ele — Vou ligar pro Luke.
– Ah, não. — Percy resmungou, passando a mão pelo rosto — De novo? Ele nem deve estar fazendo ronda.
– Eu o vi por perto antes de chegar.
– Ele não vai deixar o trabalho pra ir pegar o Paris...
– Cale a boca! — mandei
– Annie, fala sério, é idiota. O garoto é responsável, quase um adulto e nós vamos o fazer ser quase humilhado.
– Eu disse que ele não deveria ir para rachas, então, tecnicamente a culpa é sua.
– Tudo bem. Eu prometo que nunca mais o deixo ir, portanto vamos dormir, posso fazer uma massagem em você e vamos ficar felizes.
Ignorei seus pedidos, suas carícias em meu ombro e peguei meu telefone, ligando pra Luke.
– Annie, por favor. — implorou
– Sem chance, e me solte. — empurrei-o
Luke atendeu no terceiro toque. Sua voz era grossa e pareci cansado.
– Luke, sou eu, Annie.
– Prima. Como vai?
– Preciso de sua ajuda. — calcei os chinelos ao lado da porta, jogando a chave do carro pra Percy — Está livre?
– Pra envergonhar Paris? Sempre.
– Está com Ethan?
– Uhum.
– Onde ele está, Percy?
– Não vou dizer. — falou, cruzando os braços
– Vou passar em sua casa e bater nesse cara que você chama de marido.– Luke rebateu
– Não somos casados. — grunhi
Percy havia se acostumado com meu jeito bravo de dizer o quanto eu odiava casamentos e por sorte, ele havia superado o fato de que casamento era a mesma coisa de morar juntos e ter uma família feliz.
– Você vai deixar Liv aqui? Solitária? Nesse mundo perigoso?
– Pare de ser idiota. — ralhei — Vai me dizer onde seu filho está ou vou ter que revirar toda essa estrada atrás dele.
Percy me encarou. Seus olhos verdes eram fundos, duros e reprovadores. Ele descruzou os braços e pegou uma camiseta em cima do sofá.
– Se você fosse minha mãe, eu te odiaria.
– Não me importo que ele me odeie, contanto que ele esteja seguro.
– Ele está seguro! Sua mãe não fazia metade do que você faz e olha que você fazia coisas bem piores do que ele.
Ergui meus olhos para ele. Senti a raiva borbulhar dentro de mim e cruzei os braços.
– Talvez se ela tivesse feito tudo que eu faço, eu não teria me metido em tanta merda.
– É o destino! E pode apostar que Paris sabe disso e está bem encarregado, você deveria se preocupar com Olivia.
– Olivia. — ri, esnobe — Ela é um anjo, nunca aprontaria metade do que fazíamos.
Uma buzina estridente ecoou pela casa.
Percy bufou.
– Vou deixar um aviso pra ela.
Ele foi até a cozinha, escreveu algo no bloco de notas com uma lentidão sôfrega.
– Já disse que isso é muita frescura de sua parte. É só uma racha.
– Rachas são proibidas por lei. — retruquei — Os meninos vão ficar felizes de assustar alguns adolescentes.
Percy revirou os olhos e girou a chave entre os dedos.
– Estou louco pra que Liv fique bem pior que você.
– Você só quer vê-los sofrer.
– Falso. Eu quero os ver amadurecer. — ele abriu a porta e me encarou longamente — E se esse for o jeito que assim seja.
Ignorei-o. Percy começara a fazer esse tipo de coisa: deixar os filhos a toa para que eles pudessem crescer.
Isso me dava raiva. Eu não podia brigar com ele por ser um pai ausente ou coisas do tipo, porque ele não era, mas recompensava sendo um grande babaca quando estamos falando sobre ser um pai a toa.
Deixamos de comentar sobre isso e concordamos em cuidar deles da melhor maneira possível, Percy, no entanto, achava que esse melhor jeito era eles sofrerem do pior maneira para aprenderem quais seriam as melhores decisões.
Claro que eu evitava isso ao máximo. Até porque eles não mereciam, vivíamos em uma nova época, em um novo mundo, uma nova geração com mais segurança.
Assim que saímos, a viatura policial de Luke estava estacionada em frente a nossa casa.
Percy bufou. Mesmo de anos, eles ainda mantinham a leve ignorância e briga sem sentidos.
Ethan colocou a cabeça pra fora e sorriu.
– E aí, loira, o que o moleque está aprontando?
– Uma racha.
– Ele organizou uma racha? — Ethan assoviou — Puxou ao pai mesmo.
– Cala a boca, babaca. — Percy retrucou — Não estamos pedindo sua ajuda, porque sabemos criar nosso filho e não, ele não está organizando uma racha, ele está na racha.
Ethan encolheu os ombros e os puxou de volta pro carro.
Luke não saiu, então achei que ele estivesse ocupado com algo.
– Vão em frente. — Ethan pediu antes de entrarmos no carro
Percy entrou no carro com uma carranca, estava irritado e logo, logo fora de controle como costumava ficar quando eu acabava com a festa de Paris.
Não me leve a mal, eu apenas queria o bem dos meus filhos. Muitas mães adorariam ver o filho com várias garotas, saindo de festa em festa, pagando de "machão", mas Paris não era desse jeito. Sempre fora calmo, estudioso e quieto. Totalmente diferente do que Percy queria.
Então, quando ele começou a sair mais, a curtir mais com os "caras", ele aprovou de primeira e passava a esconder tudo que ele estivesse aprontando. Isso me irritava, claro, era como se estivesse desvirtuando o único filho que seria mais calmo.
Olivia, no entanto, era a cópia dos pensamentos de Percy. Fisicamente ela aparentava com minha família. Os cabelos dourados, os olhos azulados quase verdes e a pele bronzeada entregavam que ela não puxara nenhum traço da família inglesa de Percy, entretanto ela se aparentava totalmente com ele.
Era teimosa, ciumenta e sempre queria as coisas de seu jeito. Encrenqueira desde pequena e extremamente vaidosa.
Luke brincava que ela seria nossa perdição e, muitas vezes, eu não negava.
Percy insistia em brigar que eu tinha Paris como filho preferido, mas isso nunca existiu.
Ele dirigiu em silêncio até estarmos na Interestadual por meia hora. Uma música alta demais fez meus braços estremecerem e Percy lamber o lábio inferior, nervoso.
– Ainda dá tempo de voltarmos e você esquecer tudo isso. É idiotice.
– Não vou mudar de ideia, sabe disso.
– Eu tinha que tentar, pelo menos.
Não respondi. Luke levantou a mão com o polegar pra cima, inclinei-me para buzinar, como uma afirmação.
Percy desacelerou o carro e foi lentamente atrás da viatura de policial.
– A festa acabou, crianças! — Luke falava no alto-falante com a voz mandona. — Ninguém se mova porque temos mais viaturas cercando vocês.
Ethan acelerou até que eles estivessem no meio da festa. Os carros caros que eles deveriam usar não estariam ali. Luke saiu do carro, colocando a mão na arma.
– Iremos revistar vocês, crianças. Fiquem calmos antes que tenhamos que tomar decisões drásticas, ei, você, parado aí. Ethan, aqui. — Luke pegou o alto falante novamente e rodou seu próprio eixo
Ele analisou calmamente o som diminuindo, as garotas seminuas que começavam a descer das caminhonetes com medo.
– Merda.
Segui o olhar de Percy. Paris andava rápido entre as pessoas, empurrando algumas para que estivesse longe dos nossos olhares.
– Paris Jackson! — desci do carro, com passos fundos
Luke repetiu minhas palavras no alto-falante, ele gelou no lugar.
– Vamos, Paris, sinto muito, mas não tem para onde fugir, você está capturado. Sinto muito, crianças, esse garoto é mais perigoso que pensam.
Encarei-o, batendo o pé enquanto Percy continuava dentro do carro.
– Esse garoto traficou algumas drogas, é melhor se manterem longe dele se não quiserem arranjar problemas.
Paris virou-se, seu semblante preenchido pela raiva e marchou sem nem ao menos olhar para os lados, empurrando qualquer pessoa que estivesse a sua frente. Ele passou por mim, batendo o ombro com o meu.
Suspirei, aliviada.
Caminhei até Luke e Ethan, batendo em seus ombros.
– Obrigada, gente.
– Estamos sempre aqui. — Luke disse, com sua voz cansada
– Polícia federal cansa, não é?
Ethan sorriu.
– Você não sabe o quanto.
Encarei a racha paralisada atrás de mim.
– Vocês tem alguns adolescentes pra prender... Passe lá em casa amanhã, vamos colocar os papos em dia, tudo bem?
– Vou tentar. — Luke disse e deu um beijo em minha testa
Abracei Ethan, agradecendo mais uma vez antes de virar as costas e sentar no banco de carona.
Percy deu a ré.
– Eu te odeio. — Paris grunhiu
Engoli em seco. Sem saber como reagir e como começar meu discurso de boa mãe.
– Não fale assim com ela, Paris.
– E você... — ele riu, esnobe — Disse que eu poderia vir sem problemas, mas o que é sem problemas para você, pai?
– Não me culpe, moleque. — ele ralhou — Sinto muito se não deu certo, mas essa é a sua mãe.
– E é por isso que eu a odeio.
– Prefiro que me odeie a te ver metido com coisas que não deveria, Paris.
– É, mãe? O que acha melhor? – ele se colocou entre os dois bancos, me encarando com seus olhos azuis fatais – Me matar de vergonha? Pois eu acho que me trancar em casa é uma ótima alternativa.
– Paris. Menos. – pedi, massageando minhas têmporas
– Menos? Menos para quê?! – ele gritou – Para sua obsessão louca de me manter seguro? Eu estou seguro! Você é a única louca aqui! Não vê que está estragando minha vida? Todos falam que você teve a melhor vida que qualquer adolescente pode querer, por que não me deixa fazer o mesmo?!
– Que vida eu tive? – gritei, virando-me no banco e encarando-o – Se fumar, se embebedar, perder tempo com minha mãe é vida para você, então vai lá, pode sair desse carro agora e não voltar nunca mais!
Seus olhos se arregalaram, assustados. Sua mandíbula se mexeu, um velho hábito quando tinha perdido o que falar.
– Você é a pior mãe do mundo e quero que fique claro o quanto eu te odeio e o quanto eu quero me livrar de você.
O carro freou abruptamente. Senti meu corpo ser jogado para frente, assim como o de Paris que se segurou no painel do som. Voltei meus olhos para Percy, totalmente atônita.
– O que acha que está falando com sua mãe, moleque? – ele lambeu os lábios e socou o volante – Sente agora mesmo e eu não quero ver você falando mais uma palavra para ela, entendido?
– Você disse que eu poderia vir! Disse que me daria cobertura!
– Não para gritar com ela, humilhá-la, Paris! Que tipo de homem você está se tornando? – Percy o encarou, mas não via nada além de dor em seus olhos – Não é esse homem que eu quero em minha casa. Agora... – ele engoliu em seco – Sente-se no banco.
Paris continuou, os olhos duros e frios como duas lâminas de gelo prontas para atacar. Senti meus ombros encolhidos quando Percy o encarou novamente.
– Não ouviu o que eu disse? – sua voz era rouca e baixa – Não vou repetir, Paris.
Novamente, Paris mexeu a mandíbula e socou o painel antes de se jogar para trás. Percy não o encarou, apenas continuou seguindo com o carro em meio a Interestadual.
Tentei manter a pose de mãe séria. Tentei esquecer as palavras de Paris que martelavam em minha cabeça e cruzei as mãos no colo, remexendo os dedos sem parar. Percy parecia esconder tudo que estivesse pensando até chegarmos em casa.
Paris, como esperávamos, foi o primeiro a descer do carro.
Suspirei e continuei no carro. Percy desligou o mesmo, vendo Paris abrir a porta com a sua chave e deixar a mesma aberta.
Senti minha garganta fechar, então meus olhos encheram de lágrimas, rolando pela minhas bochechas, não pude conter os soluços sôfregos que escaparam pela minha boca. Ouvi Percy bufar ao meu lado.
– Eu queria dizer “bem feito”, eu disse para você não ir atrás dele porque ele estava se divertindo como qualquer garoto normal... – meus soluços foram mais altos, eu era a culpada, eu era a única culpada por meu filho me odiar – Annie. – ele suspirou
Senti suas mãos pegando meus dedos, entrelaçando-os, então inclinou-se e beijou cada um dos meus dedos lentamente.
– Não vou te acusar, ele está errado. Prometo que vou falar com ele antes de ir pra escola.
– Eu não queria... – solucei – Não queria que ele estivessem em racha ou... Não quero que ele se envolva com essas coisas.
– Ele precisa saber como é a vida, Annabeth. Se continuar assim, ele nunca vai saber os riscos.
– Eles não precisam passar pelo que passamos.
– Não necessariamente. – Percy sorriu
Seus lábios encostaram-se a minha testa, seus dedos tirando as lágrimas das minhas bochechas, então descendo pelas mesmas e encostando com calma em meus lábios. Pude sentir parte de minha tristeza se dissipar e então, inclinei-me em sua direção, sua língua massageando meu lábio inferior. Enfiei meus dedos embaixo do colarinho de sua blusa azul, arranhei sua nuca, puxando-o contra mim. Era um desses momentos. Fora de casa. Longe dos problemas que eu podia me sentir segura. Bem.
– Vamos subir. – ele sussurrou, afastando-se o suficiente para que nossos lábios continuassem se roçando, descendo-os finalmente pelo meu pescoço
Franzi o cenho e bocejei.
– Podemos deixar isso pra amanhã? – peguei meu casaco, mandando-lhe um sorriso cansado
– Amanhã? – seus olhos estavam perplexo – Sabe quanto tempo você fala “vamos deixar para amanhã”? – ele fez uma imitação ridícula da minha voz
– Eu só estou cansada. Sinto muito. – pedi
Percy fechou a porta com uma força desnecessária enquanto eu seguia ao seu lado.
– Não fique chateado. É só... Não estou com cabeça para isso. Você sabe.
– Eu poderia te relaxar. – ele resmungou, fechando a porta
– Sei que pode, meu amor. – virei-me para ele, chocando-o contra a porta e segurando seu rosto entre meus dedos
Ele sorriu, engolindo em seco.
– Desse jeito, não sei se vou conseguir me controlar, Sra. Jackson.
Estreitei os olhos, enojada e joguei meu casaco no sofá.
– Você sabe o quanto odeio indiretas sobre casamento, não é?
Ele deu de ombros, abraçando minha cintura.
– É tentador fazer isso.
Afastei-me dele.
– Você vem? – perguntei quando estava na metade da escada
Percy balançou a cabeça, franzindo os lábios. Não esperei por ele, tirei minha roupa, pegando uma de suas blusas no closet. Afastei os edredons, enfiando-me entre eles.
Fechei os olhos, tentando esquecer as palavras de Paris, a pressão de Percy, e de mim. Era só dormir.
Deveria ser fácil.
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