Lightweight.
20 Kids.
Notas iniciais
"They're driving fast cars but they don't know where they're going in the fast lane living life without knowing."
Thalia marcou nossas reversas para um restaurante elegante. Optei por um vestido preto um pouco abaixo dos joelhos com um corte do lado e saltos brilhantes. Eu acabava de passar meu batom vermelho quando Percy acomodou-se ao meu lado na penteadeira.
– Não me canso de olhar para você.
Sorri e arqueei a sobrancelha, fechando o batom.
– Sério?
– É só mais um motivo para deixar claro que você não precisa ficar com ciúmes de nenhuma mulher. – ele segurou meu queixo com seus dedos firmes e depositou um selinho leve, no mesmo momento, chamas deslizaram pela minha pele – Você está maravilhosa, meu amor.
– Obrigada, querido. – ergui os ombros e suspirei – E então, está faltando alguma coisa?
– Sim. Droga, claro que sim. – ele deu a volta no quarto e bateu na testa, antes de entrar em nosso closet e voltar com um antigo colar
Balancei a cabeça quando ele depositou a gargantilha ao redor do meu pescoço. A joia fria fez meu corpo se arrepiar e Percy afastou meu cabelo, beijando um pouco acima do feixe. Fechei os olhos, lembrando do dia em seu quarto em Hampshire que ele havia depositado a gargantilha e implorado para que só usasse com ele. Abri os olhos de imediato antes que as outras lembranças me atingissem também.
– Achei que iria ficar um pouco mais maravilhosa. – seu hálito frio causou mais uma sessão de arrepios
– Aham. Obrigada mais uma vez. – virei-me em seus braços e ajeitei a gola de sua camisa
Ele assentiu, beijou minha testa e pegou seu paletó. Agarrei meu casaco e minha bolsa.
– Meu pai disse que já estava chegando. Só foi pegar uma pizza... – agarrei-me em seu ombro ainda na escada com medo de tropeçar em meus saltos quando ele parou
Percy soltou uma risada, a beira da gargalhada e franzi o cenho confusa, descendo logo atrás dele.
Minha mãe estava sentada com sua postura elegante e confiante em minha poltrona enquanto Paris estava debruçado sobre o balcão da cozinha, antes falando com Kaya, presumi. Poseidon tinha um dos braços por cima dos ombros de Liv.
– Ótimo. – resmunguei enquanto terminava meu caminho e seguia Percy
Kaya usava um vestido verde extremamente brilhante. Usava brincos que pareciam mais caros que minha casa, em seus pés, sandálias mais altas que a minha.
Aquela garota me tirava do sério. Parecia que ia para o maior clube de Los Angeles quando, na verdade, só íamos jantar.
Depois de bufar e controlar minha raiva, fui em direção a Atena.
– Mamãe. – inclinei-me sobre ela e beijei suas bochechas
Os olhos experientes e cansados de minha mãe me avaliaram até ela ajeitar minha gargantilha com a ponta dos dedos e colocar minha franja para o lado, tocando meu coque com a ponta dos dedos.
– Você está linda, querida.
– Obrigada, mamãe. – suspirei e virei-me para Percy – Amor, temos que ir. Não quero chegar atrasada.
– Ah, claro. Obrigado por quebrar essa, pai.
– Sogrinho. – dei um abraço em Poseidon
– Cuide deles. – ele sussurrou rente ao meu ouvido – Ou o contrário?
– Hoje? – dei um sorriso quando me afastei – Eu vou ter que tomar conta, ok?
Ele soltou um risinho e apontei para Liv e Paris com a ponta do indicador.
– Olha aqui, se vocês fizerem alguma coisa e eu ficar sabendo, você – apontei para Paris – não vai ter seu carro tão cedo e você, mocinha... – Liv revirou os olhos – Não me teste, Olivia.
– Aproveite seu jantar, mãe. – bufou
– Você os trata como se fosse criança, Annabeth.
– São meus filhos, Kaya. – grunhi – Eu os trato do jeito que eu quiser. Aliás, não sabia que iria para o jantar.
– Pareceu mais interessante do que ficar em casa.
Paris bufou e cruzou os braços.
– Por que não podemos ir, afinal?
– Não nos faça explicar de novo, filho. – Percy avisou – Não vamos demorar. Por volta das dez, estaremos de volta. Divirtam-se.
Agarrei seu braço antes que sua irmã atrevida fizesse algo do tipo, mas ela ficou para trás, por sorte.
Assim que ocupamos nossos lugares no carro, Percy sorriu e olhou para trás com os olhos brilhando.
– Você está deslumbrante, irmãzinha. Vai mesmo ficar conosco?
– Ah, fala sério, Percy. O Rise é caminho para o restaurante idiota que vocês vão. Pode me deixar lá. Pego um táxi na volta.
– Você vai pro Rise? – arqueei a sobrancelha, o carro já em movimento
– Sei que não queria minha companhia no jantar, cunhada.
– Kaya! – Percy a repreendeu
– Não. Por que não pegou seu próprio carro, então?
– Isso é um insulto?
– O quê? Não! – apressei-me a dizer
– Por que está tão na defensiva? – Percy perguntou, encarando-a pelo retrovisor – Não tem nada a temer, tem?
– Percy! Até você? Por favor, eu realmente deveria ter negado o tempo que podemos ter junto mesmo com... Annabeth.
– Tudo bem, tudo bem. Perdão. Não abro minha boca para mais nada.
– Ótimo.
Não demorou muito para chegarmos ao Rise.
– Se cuida! – ele gritou assim quando ela saiu
Observei Kaya ajeitar o vestido. Percy arrastou o carro, mas tive tempo de vê-la dando seu nome ao segurança.
– Ela cresceu, hm?
– O quê?
– Kaya. Ela cresceu. – repetiu
– Sim. O que acha disso?
– Bom. Eu acho. Por quê?
– Não sei. – encarei-o e cruzei os braços – O que você acharia se ela estivesse namorando?
– Não seria a primeira vez. – ele soltou um sorrisinho
– É. Não seria. Se fosse com um cara que você não gostasse?
– No mínimo? Meu pai se daria o trabalho de afastá-lo. Algum problema com Kaya que queira me contar, Annie?
– Eu? Problema com Kaya? Como se dedicasse minhas preciosas horas para tomar conta de sua irmã. – revirei os olhos, encarando a rua através do vidro
Percy riu e me encarou, brevemente.
– Foi o que imaginei.
Ele estacionou o carro um pouco antes do restaurante, o que nos levou a caminhar com aqueles saltos tortuosos até nosso restaurante.
Era vermelho, com decorações pretas. Tinha uma escada de madeira bem rústica e o um maître nos convidou com um sorriso.
– Boa noite, senhores.
– Uma reserva no nome de... Grace? – Percy me encarou, em dúvida.
– Sra. Grace? Sim, ela nos disse que estaria a sua espera. Por favor, me sigam.
Obedecemo-lo até uma mesa privada, aos fundos. Todos estavam lá, conversando e bebendo e aquilo fez meu coração se aliviar de imediato. Foi como se todas as preocupações estivessem evaporado dos meus ombros.
Percy ocupou a cadeira ao lado de Nico que o recebeu com um abraço e tapinhas nas costas, Luke e Ethan foram mais comportados com apertos de mãos, enquanto eu e Thalia nos abraçamos com força e sentava-me a sua frente.
– E então, o que pediram? – Percy perguntou com um sorriso
– Pedimos frango com... Que molho, querido?
– Um molho estranho. – Luke respondeu por Nico – Um molho, que fique claro, que eu não concordei com isso.
– Ah, o vovô adorava! Nós comíamos...
– Quando tinha reunião! – lembrei-me — Era bom, sim, Luke.
Uma nostalgia me atingiu rapidamente. Percy sorriu, carinhoso e afagou meu joelho.
– Um frango? Podiam ser um pouquinho mais originais.
– Íamos para um jantar japonês, porém... – Ethan falava, olhando Percy de esguelha – Alguém tem uma alergia hipotética por peixes.
– Não é uma alergia hipotética, eu já...
– Entendemos, Percy. – Nico revirou os olhos – Pedimos um vinho, também. Acabamos de chegar, na verdade.
– Na verdade, — Thalia colocou sua franja para trás e deu um sorriso – estávamos conversando sobre ter mais uma pessoa na família Moore.
– Quem? – Percy apoiou o cotovelo na mesa
Nico soltou uma risadinha e pude ver o nariz de Luke ficar vermelho.
– Kaya. – Thalia disse – Ela ficaria perfeita como Kaya Jackson Moore. O que acham?
Revirei os olhos. Percy me encarou com uma das sobrancelhas arqueadas e cruzou os braços.
– Ah, por favor! – Percy resmungou – Isso é idiotice!
– Estou de acordo. Por que querem ter alguém tão mesquinha quanto ela em nossa família?
– Annie! – me repreendeu
Eu e minha prima gargalhamos.
Um garçom nos trouxe vinho que encheu nossas taças enquanto ríamos e conversávamos. Talvez, umas três vezes seguidas.
– Não, não. – Ethan nos interrompeu – E o Percy apareceu cheio de raivinha porque a Annabeth tinha mordido o beicinho. Own!
– E então, fizeram sexo loucamente. – Nico completou
– Vocês são nojentos. – Luke retrucou, mas continha um sorriso no rosto
– Sinceramente... – ergui a mão, depois de beber o resto de minha terceira taça – Vocês são os melhores amigos do mundo. Sério. Faria qualquer coisa por vocês, seus babacas.
– Awwwww! – Thalia gritou em um tom exagerado enquanto apoiava a cabeça no ombro de Nico – Está vendo, fomos feitos para ficarmos juntos. Podemos relembrar nossas memórias pelo resto dos dias. Por exemplo, podemos comentar quando vimos Percy e Annabeth na praia da antiga casa do vovô.
– Por que todas as lembranças têm que nos envolver? – Percy resmungou, exibindo um sorriso de canto
– Por que você não pode deixar de ser um pouquinho carrancudo? – Thalia retrucou, inclinando-se sobre a mesa e apertando sua bochecha – Own, fofinho!
– Amor, acho que está ficando um pouco bêbada. – Nico segurou-a pela cintura e beijou seu pescoço
– Você adora quando eu fico bêbada, seu safadinho.
Ethan e Luke arquearam a sobrancelha.
– Imagino o que ela deve fazer quando está assim. – Luke comentou, bebericando seu uísque
– Bem, não imagine. – Nico retrucou quase de imediato
Rimos, em conjunto. O telefone escandaloso de Luke nos atrapalhou.
– Luke! – Thalia bateu em seu ombro – Não pode deixar o telefone ligado durante nossas reuniões de amigos!
– Eu sei. Um minuto. Alô? Rocco, eu não posso... O quê? O que é tão importante que nós vamos querer ver? Carregamento? No Rise?
Percy ficou atento quase de imediato quando a palavra saiu da boca do meu primo.
– Não. Eu tinha deixado claro que se houvesse alguma ocorrência... Há mais que isso? Droga, Rocco, há quanto tempo está aí? Tudo bem. Estamos a caminho. Dez minutos, no máximo. – Luke suspirou, ao seu lado, Ethan já guardava o celular e tirava o dinheiro do bolso
– O que houve no Rise? – Percy perguntou antes que ele tivesse tempo de se explicar
– Houve uma briga. Um carregamento de drogas, entre outras coisas.
– Droga, droga, droga.
– O que aconteceu com ele? Achei que eu fosse o estressado da noite.
– Kaya está no Rise. Vamos para lá, não é? – a minha voz estava tão entediada que pude ver o olhar raivoso de Percy sobre mim
– Ela é minha irmã!
– Sei disso. Mas ter uma briga no Rise e com ela lá, não quer dizer que ela fosse parte da briga.
– Não vou brigar com você, Annabeth.
Suspirei, vendo-o levantar-se.
– Vamos, todos. – Nico disse
Cada um tirou o dinheiro do bolso, deixando em cima da mesa.
– Não precisam ir. É melhor que Thalia vá para casa.
– Não estou bêbada o suficiente para perder uma boa briga de família. E então, todo mundo pronto? Estou me sentindo em Hampshire indo comemorar a vitória de um jogo.
Revirei os olhos e acompanhei os passos apressados de Percy.
Aconchegamo-nos no carro e seguimos logo atrás no carro de Luke.
– Só acho que está se preocupando a toa. Quando chegarmos lá, Kaya estará bem com mil e um namorados e... – soltei um grunhido
– Do jeito que está falando, acho que está me escondendo algo de novo.
– Não estou te escondendo nada! Talvez você... Não. Eu confio em você. – bufei – Não vou me intrometer na vida de sua irmã. Ou entre vocês dois. Então, pode continuar dirigindo.
Chegamos ao Rise. Havia duas viaturas de polícia em frente ao clube onde antes havia dois enormes seguranças e agora, ali estava lotado. Havia câmeras, policiais tentando acalmar as pessoas e um monte de adolescentes.
Saí do carro, acompanhando minha prima que arqueava a sobrancelha.
– Eles estão quilômetros-luz mais bêbados que eu. – ela comentou
Assenti, concordando.
– Está vendo a peste em algum lugar?
– Vamos dar uma volta. – Thalia disse
Procurei Percy com os olhos, mas ele estava ao lado de Luke, ouvindo atentamente o que um policial falava, assim como Ethan e Nico.
– Ok.
Thalia se apoiou em meu ombro enquanto passeávamos entre os repórteres e nos afastávamos de algumas pessoas loucas demais. Havia algumas pessoas algemadas no capô das viaturas e podia ver boa parte das pessoas que deveriam estar dentro do clube, olhando ao redor, confusos.
– Ali... – Thalia cerrou os olhos – É Kaya? Com aquele homem de... Dois metros?
Procurei Kaya com os olhos, seu vestido verde brilhante a iluminou ao meio de um bando de adolescentes que nos empurravam. Ela gritava com um homem, não de dois metros, mas bem alto. Ele estava com o dedo apontado em seu rosto.
– Devemos ir lá? – minha prima me perguntou
– Não tenho ideia.
– Não devemos chamar o Percy?
– Não. Você consegue parecer intimidante?
– Querida, eu nasci intimidante.
Respirei fundo, verificando se Thalia não cairia nos próximos passos e fui em direção a eles.
– Seu tempo está acabando, gata, e olha, quando ele acabar, eu ficarei feliz em fazer o trabalho sujo.
– Não me faça rir! Eu nunca deixei um trabalho mal feito para trás. Eu conseguirei o que ele quer. Já disse. Não vai demorar muito.
– Estamos interrompendo algo? – Thalia cruzou os braços
Ela parecia uma garota bêbada e babaca, tentando parecer intimidante, o que me fez arrepender da ideia imediatamente. Além de que, a conversa que eles tinham poderia render e eu poderia muito bem saber o que Kaya estava aprontando. O que agora, parecia grandioso e importante.
– Não. Claro que não. – Kaya apressou-se a dizer
– Kaya!
Luke apareceu ao nosso lado.
– Estava procurando você.
Arqueei as sobrancelhas.
– Por que você estava procurando ela? – controlei minha voz para não gritar
– O gerente disse que você estava quando eles foram entregar o carregamento. Preciso que vá comigo a delegacia.
– Uh. – Thalia segurou um sorriso – O que a Srta. Jackson estava aprontando?
– Kaya.
– Onde está o homem? – perguntei, do nada
– Homem? Que homem? – Luke retrucou
– O homem que estava conversando com você! – apontei para Kaya
– Não havia nenhum homem, Annie. Kaya?
– Claro, eu vou. – ela me mandou um sorriso – Meu irmão está aqui também?
– Sim. Annie e Thals, venham conosco. Não sei o que está acontecendo aqui. Ou vocês vão para casa ou nos acompanham até a delegacia. Até um lugar que vocês estejam seguras.
– Vamos a delegacia.
– Hm, minha cabeça dói. Não quero ir a delegacia.
– Não me diga.
***
A delegacia era o único lugar onde eu poderia ver a face que meu primo escondia de todos nós.
No entanto, essa face foi escondida quando ele foi interrogar Kaya.
Aquela garota me tirava do sério.
– Por que ele está sendo tão delicado? – resmunguei encarando-os.
– Porque é minha irmã, Annabeth. E ela foi vítima. Você entendeu muito bem o que o gerente disse, por que você insiste em fazer isso com ela?
– Não insisto em fazer isso com ela! Ela insiste em fazer isso conosco! Por que ela teve que ir a um clube agora que estávamos felizes em nossa reunião de amigos?
– Ela não foi culpada!
– Ah, ela não foi culpada. Por favor, Percy. Kaya não é mais uma garotinha de seis anos. Ela é uma mulher! Quando vai se dar conta nisso?
– Quando você parar de ser egoísta!
Franzi o cenho. Assenti e direcionei-me até os bancos em que Thalia e Nico estavam sentados.
– Ele só está estressado. – Nico comentou
– E essa garota está sendo ridícula, está sendo acobertada e agindo como uma garotinha mimada.
Percy sentou ao meu lado em um vulto.
– Sinto muito. Não quero gritar com você. Não quero brigar com você. Mas é minha irmã. Pode, por favor, me entender e me compreender?
– Eu te entendo, mas te compreender é um pouquinho difícil, Percy.
Ele bufou e cruzou os braços.
– Então, vou pedir que vá para casa com Nico. Porque não quero que interrompa o que Luke está fazendo, não quero que interrompa nada disso e nesse exato momento, você está interrompendo.
Sorri, cínica.
– Você ainda não me viu interromper, querido. – cuspi – E olhe, quando eu interromper, você vai ficar louco. – agarrei a chave do carro em suas mãos e sorri – Tenha uma boa noite salvando sua irmã da delegacia.
Passei por Nico e Thalia sem me despedir. Tentei não dirigir tão rápido, escolhendo os caminhos mais longes. Por um segundo, eu senti o ódio me atingir tão forte que meus olhos perderam o foco. O que Kaya queria? O que aquele homem queria?
Assim que estacionei no meio fio, respirei fundo.
Sem problemas. Não me atingiu, nem atingiu meus filhos, então tudo estava certo. Não queria um inferno em minha vida. Jay estava longe e tudo estava ótimo.
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