Lightweight.
21 A woman.
Notas iniciais
"You're all I want, you're all I need."
Senti leves beijos em meu ombro. Um arrepio percorreu meu corpo, me fazendo soltar um resmungo. Ouvi o riso baixo, mas as carícias não pararam. Agora, eram mãos que deslizavam sobre minhas costas e sobre meus braços.
O estresse do dia interior me afundava contra a cama e nem mesmo as melhores caricias me fariam acordar de bom humor. E era o que Percy tentava.
Virei-me e encarei o teto.
Seus lábios deslizaram sobre minha bochecha e seus olhos, tão verdes quanto alguma água cristalina da Grécia, se postarem a minha frente.
– Bom dia, meu amor.
Queria abafar o sorriso, contudo ele me atingira tão rápido que não percebi quando ergui minha mão, afagando sua bochecha com sua barba por fazer.
Por que ele tinha que ser tão malditamente bom? Por que eu estava com raiva dele mesmo?
Minha droga. E eu o amava com todo meu ser. Por tentar. E por me suportar. E ele deveria me amar ainda mais porque eu deveria estar a ponto de mata-lo.
– Eu sei que foi dormir com o pior humor do mundo e acho que tive uma parte de culpa nisso...
– Percy. – resmunguei, passando a mão com raiva pelo meu rosto
– Eu sei, eu sei. Tenho que admitir que Kaya passou, sim, dos limites. Mas... – ele deu um sorriso e deslizou as pernas ao redor do meu quadril – Eu fiz uma surpresa.
– Percy, minha cabeça está doendo muito. Só queria dormir, mas eu tenho duas obras para visitar, além de dar baixa em alguns desenhos, então não posso me dar o luxo de sair com suas surpresas. – coloquei o braço em cima dos meus olhos, tentando me afastar de sua inocente hipnose
– Annie! – ele gritou e arrancou meus braços para que me pudesse ver claramente – Vem.
– Percy... – ronronei
Ele se inclinou sobre mim, segurou meu rosto com dois dedos e me encarou tão intensamente que senti que ele encarava todo meu ser com aquele par de esmeraldas atento e delicado.
– Não aceito um não como resposta, garota. Agora, sai dessa cama antes que eu tenha que te arrancar daí.
– Já acordou os meninos? – resmunguei
– Annabeth. – seu dedo apontou a porta do banheiro
– Se você sair de cima de mim, também será de grande ajuda, meu amor.
Percy me ajudou a sair da cama, um eufemismo para dizer que ele me carregou, literalmente, até a banheira.
Os fatos do dia anterior não demoraram muito para me atingir e trazer a raiva, mas as mãos gloriosas de Percy que me deliciavam com uma massagem suave nos pés me fez esquecer tão rápido quanto tinha aparecido.
– É como eu sempre digo, — afundei um pouquinho mais nas espumas da banheira, fechando os olhos – se um homem fizer boa massagem, você deve se casar com ele imediatamente.
Percy soltou uma risada, inclinando a cabeça para o lado.
– Engraçado que você ainda não tenha casado.
Fingi pensar e apoiei meus dedos no queixo.
– Engraçado. Vou comentar com meu advogado sobre isso e adiantar imediatamente nosso casamento.
– Na praia? – seus olhos brilharam, o que me fez sentir a pior vadia de todas por ainda não ter me casado com ele
Também passou tão rápido quanto veio.
– Na praia. – confirmei
Percy revirou os olhos e se afastou.
– Vou tomar uma ducha no quarto do Paris e então, nós tomamos café como uma família que sempre fomos. Tudo certo?
– Absolutamente. – sorri abertamente
Ele me encarou por mais alguns segundos, e então deu um suspiro e seguiu para fora do banheiro.
Me peguei pensando porque Kaya tivera que arruinar tudo, quem era o homem com quem ela conversava e se eu deveria contar isso para Percy.
Claro que não.
Ele não precisa saber. Talvez só seja um peguete dela, o que me leva a pensar que ela só esteja enganando o Paris, o que atola mais ainda minha cabeça, o que, novamente, me faz pensar que estou escondendo coisa demais de Percy. Mas não consigo imaginar como ele agiria se sua irmãzinha estivesse saindo com nosso filho. Nosso primogênito.
Tenho vontade de vomitar só de imaginar o que eles podem ter feito. Digo, ela o viu nascer! Ela cuidou dele quando tínhamos muito trabalho, ela ficou nas férias de verão quando ele tinha três anos e fomos visitar Sally em Londres.
Como ela pôde?
Balancei a cabeça e saí da banheira.
Optei por um vestido azul escuro, coloquei meus sapatos, separei toda a papelada que estava guardando para levar ao escritório e pronto. Dei uma olhada em minha maquiagem, enfiei o batom vermelho na bolsa, baguncei meus cabelos só mais um pouquinho e me apressei para descer.
Percy usava um avental verde enquanto colocava a mesa. Sua mão segurou minha cintura, dando-me um beijo.
Não um selinho qualquer de bom dia.
Um bom, delicioso e demorado beijo.
– Eca! Vocês poderiam muito bem fazer isso lá em cima. É uma falta de respeito fazerem isso enquanto estamos prestes a comer...
– Cale a boca, Olive.
– Odeio quando me chama assim. – ela grunhiu de volta
Dei-lhe um sorriso e inclinei-me sobre sua testa, afastando seus fios loiros e dando-lhe um beijo.
Liv estava com um vestido rosado e coturnos. Ela sentou-se a mesa, pegando uma das panquecas e enchendo-a de mel.
– Filha, você poderia esperar o Paris? E esperar todo mundo sentar a mesa? – bati em sua mão enquanto Percy falava – Obrigado, amor.
– De nada, querido. Onde está nosso querido progênito?
– Cartas. – Liv deu de ombros, servindo-se de um copo de suco
Encarei Percy, uma preocupação instantânea apoderando-se de meu corpo.
– Já disse que ele deveria parar com isso. – ele tirou o avental, preparando-se para sair
Antes que pudesse fazê-lo, Paris chegou, folheando todas as cartas.
– Conta. Conta. Cartão de crédito da Liv. – deu um sorrisinho, jogando-as no balcão – Nenhum sinal do nosso psicopata preferido, mas... – ele tirou um envelope branco com desenhos de peças mecânicas em alto relevo – Temos um convite de casamento!
– Um convite de casamento? – arqueei a sobrancelha
Percy, entretanto, desabou os ombros em um alívio notório. Ele bateu no ombro de Paris e ocupou seu lugar a mesa.
– Não acredito! Temos um convite de casamento! – Liv pulou até pegar e abrir o envelope – Ah! Que lindo! Olha, mamãe, é maravilhoso. – dei um sorriso ao ver o jeito que ela falou – Ai, não acredito! É de Silena! Céus. Aqui diz: Silena Beauregard e Charles Beckendorf convidam Percy e Annabeth Jackson para seu casamento em um paradisíaco conto de fadas afundando em uma tecnologia avançada.
– Silena vai se casar com um mecânico? – Paris revirou os olhos e bufou – Que perda de tempo.
– Paris! – repreendi – Achei que eles tivessem terminado o noivado.
– É. – Percy franziu o cenho – Fiquei sabendo que ele estava morando no Japão. Fazendo alguma especialização ou sei lá o quê. Não sabia que eles tinham reatado.
– Ela apareceu na Vogue com um modelo. – Liv continuou encarando o envelope – Sem ofensas, mas o modelo era trilhões de vezes mais bonito que esse Charles.
– Beckendorf. – eu e Percy falamos ao mesmo tempo e rimos, logo em seguida
Olivia fez uma careta e jogou o envelope em cima da pilha das contas.
– O casamento vai ser em Hampshire. Ou seja, sem chances de irmos.
– Talvez ela pague as passagens e hospedagens. – Paris deu de ombros, servindo-se
– Sem chance. – Olivia retrucou
– Quem sabe. Ela é uma estilista e modelo famosíssima e é amiga de nossa mãe, então, sim, ela pode pagar algumas passagens.
– Para mim e para seu pai, claro que sim, ela pode pagar. Para duas crianças que merecem castigo eterno, não, talvez não.
Ambos me encararam com a mesma expressão. Os olhos semicerrados, as mãos congeladas, reviraram os olhos em seguida.
– Risos.
– Por que vocês não adiantam e depois resolvemos isso de casamento? Vai demorar ainda, então vocês podem terminar logo e não me atrasar.
– Mãe. – Paris chamou – O carro.
– Vamos conversar sobre isso. Ainda hoje.
Encarei o relógio de Percy em seu pulso. Droga. Não podia estar atrasada. Podia ser a melhor do estado, até do país, mas estava prestes a ser despedida por Mazzali.
– De qualquer maneira, eu preciso ir. Amo vocês, crianças. – dei um selinho em Percy – Te amo também.
– Já? Ainda são sete horas.
– Eu preciso deixar várias coisas organizadas com Naomi, depois tenho que correr para algumas obras, um pouco longes daqui. Vou almoçar com Thalia, se quiser nos acompanhar.
– Vou tentar.
– Enfim, tchau. Liv, Paris.
– Tchau, mãe. – responderam, entediados
Revirei os olhos, soprei mais um beijo para Percy que me encarava com os olhos levemente preocupados e com o cenho completamente franzido. Peguei minha bolsa e corri para meu carro.
Por um instante, ao ver o maço de cigarro no porta-malas, eu me senti tentada.
Só uma tragada.
Eu não era forte o suficiente, entretanto, o que me fez jogá-lo em minha bolsa antes de ligar o carro.
Tudo bem, eu não teria tempo para isso. Não teria tempo para qualquer coisa que não estivesse em minha agenda.
***
Algo dentro de mim se remexeu com orgulho. Eu poderia odiar onde eu trabalhava, mas nunca odiaria o que escolhi.
Construir casas, edifícios, lugares em que as pessoas viveriam e seria parte da rotina delas. Lugares que guardaria felicidade, mágoa, amor.
Ah, era lindo. Meu peito se inflava, meu estômago se remexia e era como se eu visse meu filho pela primeira vez.
– E então, Sra. Chase? O que achou?
– Você foi ótimo, Joey. — dei um sorriso e apertei a prancheta de desenhos contra meu peito
– Ah, Sra. Chase, não seja humilde. Você se superou. Mais uma vez.
Sorri. Era verdade. Eu havia me superado. A casa de estilo vitoriano com janelas grandes e colunas altas era surpreendente. O jardim ficaria alto, do jeito que planejara, a porta de madeira havia sido colocada no meio com um arco em cima da mesma cor bege. Além disso, havia a área da piscina. Uma área de transição que trazia a elegância do vitoriano e a facilidade de uma casa moderna do século 21.
– Você fez jus ao desenho, Joey. E ponto. — encerrei
Joey me entregou o capacete de segurança e me guiou adentro o jardim.
– O engenheiro esteve aqui essa semana. Verificar equipamentos, etc. Ele admirou o desenho pela milésima vez e disse que você poderia ganhar o prêmio de arquiteta do ano.
– É muito gentil da parte dele.
– Sua secretária deve estar verificando os preços dos projetos. Eles disseram que queriam você como designer interior.
Revirei os olhos. A pior parte de ser tão boa é que as pessoas achavam que você poderia ser boa em tudo.
– É, não creio que irei aceitar. Mas... Céus, eu queria ter coragem e dinheiro para ter essa casa pra mim.
Joey riu e afagou meu ombro.
– Você merece, Sra. Chase. Enfim, foi maravilhoso ter mais uma conversa com a senhora. Você vem próxima semana?
– Na verdade, eu queria que você fosse chefe da construção no Four Seasons. Algum problema?
Joey sorriu abertamente.
– Preciso levar minha equipe. E...
– Podemos resolver isso. Vou pedir para Naomi resolver o mais rápido possível. Obrigada por tornar meus desenhos realidade, Joey. Você é ótimo.
O homem de sorriso carinhoso desapareceu, dando ordens e acenando para outros.
Ele seria ótimo para o Four Seasons.
Dei uma volta em meu próprio eixo, observando os equipamentos dos pedreiros. Ficaria ótimo daqui a uma semana. As paredes seriam pintadas de bege e tudo estaria como planejei. Talvez, eu pudesse... Dar um bege mais forte, puxado mais para o marrom. Anotei isso em minha prancheta, puxando setas na entrada da casa.
– Annabeth Chase! — virei-me, desnorteada, dando de cara com um homem alto de grande porte
Ele tinha uma aparência familiar. Talvez a pele bronzeada, o cabelo marrom meio loiro, ou o sorriso radiante. Com certeza, ele era da Califórnia. Um colega da Goode ou da UCLA?
– Olá... Você deve ser... — encarei a prancheta — Graham.
– Você continua a mesma.
– Nos conhecemos? — argumentei quando ele se aproximou junto com uma mulher que mais se assemelhava a uma modelo
– Ah. Não nos vemos depois de você ter se formado na Inglaterra e ter vindo para UCLA. Eu fui para Stanford.
– Bem, que ótimo. – dei um sorriso, apertando sua mão — Então, essa é sua casa?
– Possivelmente. Ah, essa é minha mulher, Kacey Graham.
Apertei sua mão, oferecendo-lhe um sorriso doce.
– É um prazer. Seu talento é surpreendente.
Assim que ela se pôs ao seu lado, Graham passou o braço por cima de seus ombros, beijando sua testa. Pareciam recém-casados, que teriam um grande caminho pela frente. Imediatamente, fiquei mais sorridente. Tinha certeza que Silena sairia dando pulinhos pelo ar. E ah, ela iria se casar. Distraidamente, anotei no canto da página para ligar para ela.
– Obrigada. É um prazer conhecer um casal tão apaixonado. Espero que essa casa seja tão maravilhosa quanto ela está sendo para mim.
– Ah, é claro. Espero que sejamos muitos felizes.
– Como está sua família, Annabeth?
Dei de ombros, terminando minhas anotações e procurei Naomi com os olhos.
– Bem, ótima, obrigada. Infelizmente, terei que ir. Está tudo do jeito que vocês querem?
– Nada sem tirar ou pôr. Podemos entrar em contato sobre o design interno da casa?
Por isso que eu odiava falar com os proprietários.
– Claro. Podem marcar uma reunião com Naomi. — apertei a mão deles mais uma vez — Foi ótimo te reencontrar, Graham e te conhecer, Kacey. Felicidades.
Virei as costas e soltei um xingamento. Merda.
Naomi apareceu diante de mim, usando o mesmo capacete só que uma expressão mil vezes mais preocupada.
– Está tudo bem?
Ela pulou, colocou a mão no peito e suspirou.
– Sim, só estamos atrasadas para o próximo compromisso. — meu celular vibrou no bolso do blazer e Naomi ergueu a sobrancelha — Posso chamar o carro?
– Claro.
Encarei o número desconhecido e atendi.
– Ora, ora.
– Alô? Quem está falando?
– É um prazer ouvir sua voz, Annabeth.
– Quem é você? — minha voz ganhou um tom preocupado e temeroso imediatamente
– Sei que não conversamos muito. Não costumo fazer isso.– olhei ao meu redor, procurando qualquer pessoa suspeita, me sentia ameaçada e impotente, engoli em seco — Mas você é especial, Annabeth. Sempre foi.
– Vou perguntar pela última vez. Quem é você? — mas eu já sabia quem era
– Ah, por que tanta pressa? De qualquer maneira, sou Jay. É um prazer te conhecer, lady.
– Não posso dizer o mesmo. Agora me deixe em paz!
– Só quero conversar. Civilizadamente.
– Pois eu não quero. Quero que esqueça que eu e minha família existimos e volte a se esconder em sua vida de merda.
– Não seja tão agressiva, Annabeth. Eu quero a Lista. A tão querida Lista. Eu sei que você a tem, provavelmente ainda não a encontrou.
– E não irei procurar. Não para te dar.
– Bem. Coisas ruins acontecem quando pessoas boas não me dão o que eu quero.
Minhas mãos tremiam, cruzei meus braços, sentindo meus olhos lacrimejarem. Senti a necessidade de um cigarro.
– Não tenho medo de você.
– Sei que não.– ele suspirou – Eu achava que você seria mais receptiva e me ouviria, mas percebi que terei que agir antes.
– O quê? Não ouse chegar perto dos meus filhos! Seu desgraçado! Fique longe de minha família!
– Tenha um bom dia, Annabeth.
Ofeguei. Foi como um peso caindo sobre meus ombros. Um peso que eu não poderia aguentar.
– Senhora? O carro está pronto... Annabeth? Você está pálida. A senhora está bem?
– Naomi. Eu preciso de um cigarro.
– Senhora, nós vamos para outra casa agora.
– Eu não posso ir. Não posso. Me arranje um cigarro e me leve para a delegacia.
– Delegacia? Aconteceu alguma coisa?
– Sim. Agora, você visita essa obra para que não atrasemos ainda mais e me leva na delegacia.
Naomi assentiu e me carregou até que estivesse atrás do carro. Procurei avidamente por um cigarro, soluços irrompiam da minha garganta. Ele ia atrás de pessoas que eu amava, eu sabia disso. Mas eu não podia deixar isso acontecer.
Minhas mãos tremiam enquanto eu prendia o cigarro entre meus lábios e tentava acendê-lo.
– Senhora, senhora... – Naomi tentou pegar meu isqueiro e pulei para longe de suas mãos
– Se afaste de mim. Por favor. – resmunguei com as lágrimas atingindo meus lábios
Depois de um esforço extraordinário, eu dei minha primeira tragada, com um dos cotovelos fora da janela.
Assim que atingimos a delegacia, eu peguei minha bolsa e cambaleei em meus saltos.
Ethan estava na recepção quando me viu chegar.
– Annie? Céus, você está acabada, o que...
– Luke. Onde ele está?
– De onde ela veio? – Ethan perguntou a Naomi
– Ethan! – agarrei seus ombros com força, sentindo meu pavor tomar conta de mim
– Você já se olhou no espelho? Não me culpe por não acreditar no que você fala, você está péssima. O que houve?
– Preciso falar com vocês. Onde está Luke?
Ethan me encarou, o suficiente para saber que eu não estava louca, em seguida, dispensou Naomi com um remexer de mãos enquanto segurava minha cintura me carregando.
– Annie, não importa o que tenha acontecido, vamos deixar um jeito...
Luke estava entre dois policiais, gesticulando e com um sorriso orgulhoso que se tornaram opacos e preocupados quando me atingiram.
– O que infernos está acontecendo?
– Sala. – Ethan avisou
Luke abriu a porta enquanto tocava minha testa com a palma. Joguei-me em seus braços assim que entramos na sala e me deixei chorar em sua camisa azul. Seu cheiro me lembrava casa, me lembrava meu avô. Talvez ele resolvesse tudo isso.
– Eu sinto tanta falta dele, Luke. Tanta. – solucei, abraçando-o mais forte
Senti sua palma tocar o topo do meu cabelo.
– Ah. Annie, eu sei o que sente. Sei que dói. Mas temos que superar.
– Ele veio atrás de mim. Ele me ligou. – apertei o tecido de sua camisa entre meus dedos – Ele me ligou e disse que se eu não der a Lista, algo ruim vai acontecer. Luke, eu...
– Ei. – ele ergueu meu rosto, seus olhos se intercalavam entre mim e Ethan – Calma. Quem te ligou?
– Jay. Jay me ligou.
Ele pareceu congelar. Imediatamente, Ethan tirou a bolsa do meu ombro, foi tão eficiente e sutil que mal percebi quando ele a pegou, em seguida, achou meu celular e saiu da sala.
– Me diga exatamente o que ele disse.
Expliquei o máximo que lembrava, entre soluços enquanto me sentava em seu sofá.
– Onde você estava? Com quem estava?
– Em uma das obras em Los Angeles. Perto da nossa antiga casa. Foi de repente, eu estava falando com os clientes e quando encontrei Naomi... Tocou. Eu não sei o que fazer. – as lágrimas continuavam a cair, rápidas, fazendo meus ombros tremerem – Eu estou com medo. Se ele for atrás dos meus filhos, Luke...
– Não vou deixar. Nem eu, nem Percy...
– Não. Não conte para Percy, eu...
– Ethan já deve ter ligado para ele. É seu marido e...
– Ele não é meu marido. – retruquei, tentando enxugar minhas lágrimas e parecer mais forte quando Percy chegasse
– Ele é pai de seus filhos. E isso é o bastante. Ethan foi procurar de onde veio o número, em nome de quem está... Agora, eu posso pedir legalmente para que algumas viaturas o vigiem.
– Só quero que ele seja preso e se... Se ele chegar perto de Paris ou de Olivia, eu o mato. Posso mata-lo e...
A porta se abriu, era a recepcionista com um sorriso enorme encarando Percy como se fosse um pedaço de carne. Por sorte, ele correu até mim, ajoelhando-se e segurando meu rosto com as mãos.
– Escute bem, está tudo bem. Eu estou aqui. Vamos dar um jeito.
– Você vai dar um jeito. Você vai procurar seu pai e...
– Não importa como , mas vou dar um jeito. Ele não vai chegar perto de nós. Nem um pouco.
– Luke. – Ethan abriu a porta, com o cenho franzido – Conseguimos um rastreamento. Talvez...
– Vamos agora. Imediatamente. Percy, você tem que leva-la para casa. É melhor que fique com ela pelo resto do dia. Assim que descobrirmos alguma coisa, entramos em contato.
Então, ele saiu. Percy se sentou ao meu lado e beijou o topo de minha cabeça. Ele engoliu em seco e percebi que ele também estava com medo.
– Vai ficar tudo bem. – repetiu
– Não sabemos com quem estamos lidando, por que não paramos de ser tão cegos? Onde podemos encontrar essa maldita Lista? — tentei
– Queria fazer ideia. – ele disse
Respirei fundo, balançando a cabeça.
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