Lights In The Camp
6 O jogo de patadas começa
Notas iniciais
Por Júlia Martínez:
Meu pai pediu para eu não morder ninguém. E no meu primeiro dia no acampamento, quase quebro os ovos de um garoto. QUAL O MEU GRANDE PROBLEMA? Apesar de toda essa onda de estranhas descobertas nesse meu mundo novo, eu estava sabendo surfar. Já tinha feito algumas “amizades”, já tinha listado nomes de lindos garotos (não que eu iria dar em cima de algum deles), já tinha aprendido a me localizar dentro daquele grandioso acampamento e já tinha providenciado minhas aulas de grego antigo e mitologia com a Anne. Fiquei feliz por saber que eu ia aprender grego antigo. Porém, nessa maré de felicidade, alguns dilúvios precisavam ser listados.
1 — Quase fui morta por uma Erínia ou Fúria, e pior, foi a mais cruel das três;
2 — Explodi uma companhia de energia e quase matei meu melhor amigo;
3 — Descobri que meu pai é um deus e não um empresário comum do Rio de Janeiro.
4 — Vim para os Estados Unidos, totalmente no escuro sobre quem eu era, com um trio de desconhecidos;
5 — Cheguei num acampamento que tem criaturas mágicas que te matam se você estiver fora da cama;
6 — Eu era uma semideusa;
7 — Chamei um deus de arrogante;
8 — Tinha chutado o saco de um desconhecido;
9 — Tinha que explorar várias áreas com inúmeras coisas para ver quais meus talentos que provavelmente são interligados com meu pai/deus/possivelmente babaca.
10 — E por último: Eu estava encrencada.
Estou encrencada desde que nasci. Na verdade, meu nome devia ser Encrenca Martínez. Eu NASCI e coloquei minha mãe em uma encrenca.
Encrenca Martínez. Haha.
Mas, enfim. Desde que cheguei nesse lugar, sinto que estou encrencada. E sinto que a cada minuto que passa, mas chego perto do momento em que irei descobri que merda eu fiz pra ter a vingadora de assassinatos querendo meu pescoço. Eu tinha doze anos, oras. O que diabos eu tinha feito? ALÉM DE TUDO ISSO, algo mais aconteceu. Ainda da tempo de acrescentar um itemzinho àquela lista mental que eu estava fazendo enquanto escovava meus dentes no banheiro do acampamento? Ok.
11 — Uma garota fantasma apareceu pra mim.
Ainda é difícil assimilar que uma garota de aproximadamente sete anos saltita por aí ao meu lado e só eu posso vê-la.
...
— Garota fantasma? – Annabeth tinha uma expressão indiferente no rosto, mas seus olhos demonstravam confusão.
— Sim. Eu estava no banheiro escovando meus dentes e uma garotinha entrou no banheiro. Ela devia ter uns sete anos, eu acho. Vestia um vestido azul com girassóis por todo ele. – Olhei pros lados pra ver se não havia ninguém pra ouvir minha loucura. – Ela tinha a pele escura e os olhos claros, cabelos cacheados e esvoaçantes. – Passei a sussurrar. – E não tinha alguma janela aberta no banheiro.
— Isso é estranho, mas não é impossível, Ju. – Anne sorriu pra mim. – Será que não era um dos lares e você se confundiu?
Ela não acreditava em mim.
— Ninguém mais viu. Lares não são fantasmas que todos nós podemos ver? – Perguntei, confusa. Olhei pra ela com as sobrancelhas erguidas.
— Só você? – O azul dos olhos de Annabeth estava mais escuro.
— A garotinha entrou no banheiro. Sorriu pra mim e mexeu no vestido, como se estivesse provando-o pela primeira vez. – Ela chegou mais perto de mim. – Depois, olhou pra mim e para as outras garotas. Ninguém a notou, só eu. Cutuquei uma menina, que eu não sei o nome, e perguntei a ela quem era a garotinha. Ela me olhou como se eu fosse louca, Anne. Disse que não tem nenhuma garota de sete ou próximo a isso aqui.
Annabeth me estudou e depois olhou para o chão.
— Depois, ela entrou em um dos boxes. Eu sempre curiosa, fui até ele e olhei, já que ela não trancou a porta. Não tinha ninguém. – Passei as mãos por meus cabelos. – Isso é normal? – Perguntei à loira, que tinha o primeiro volume de Harry Potter em suas mãos. Eu havia pedido a ela emprestado.
— Eu acho que não. – Anne me olhou profundamente. – Vamos até Quíron.
...
Por Annabeth Chase:
— O que você acha, Quíron? – Perguntei a ele, enquanto me sentava em um dos degraus da casa grande. Quíron me olhava, incisivo. Júlia tinha contado o caso a ele e conversamos um pouco. Quíron tentou confortá-la, mas pude perceber que Júlia não tinha comprado a ideia. Logo após, Travis tinha vindo chamá-la para uma partida de vôlei, já que era um dos itens da lista que ela tinha que experimentar. O que eu estranhei, pois achei que o vôlei ia ficar com um os filhos de Apolo, mas Travis era um ótimo jogador.
— Eu acho que temos um novo coringa em mãos. Quer dizer, nunca tivemos um semideus com tantas histórias nas costas, certo? Primeiro a companhia de energia, depois Tisífone e agora isso? Júlia é com certeza importante. – Ele estudou o chão e passou um dos cascos na grama.
O vento fez seu rabo balançar.
— Acha que ela pode ser o semideus da profecia? – Perguntei, não querendo saber a resposta.
Júlia tinha acabado de chegar, não podia ter esse peso por sobre as costas. Seria cruel demais.
— Acha que ela pode estar na mira de Cronos? – Perguntei novamente.
Quíron pensou um pouco.
— Annabeth, eu peço que fique de olho nela. Vocês se tornaram próximas. – Ele fez uma careta como se dissesse que tinha ocorrido rápido demais. – Sugira que ela venha falar comigo sempre que algo como esse acontecer.
Assenti.
Ele não respondeu nenhuma das minhas perguntas.
Isso era ruim.
...
Por Júlia Martínez:
Eu não servia para esportes. Júlia Martínez e vôlei na mesma frase, só em redação. E eu tinha descoberto isso após errar cinco lances seguidos e perder a bola três vezes para o chão. Travis ria de mim, devolvia a bola e me incentivava a continuar tentando. Ele ainda não tinha entendido? EU NÃO NASCI PARA ESPORTES.
— Travis, você pode parar de perder o seu tempo. Por que não vamos comer algo no refeitório e fica tudo bem? – Eu estava suada e exausta.
— Eu não vou desistir de você. Calma lá. – O ruivo era extremamente parecido com Connor Stoll, até dava medo. Ele estava com o rosto brilhando por causa do suor. Travis era lindo, eles eram. Todo mundo desse acampamento parecia ter saído de um comercial de margarina.
— E se eu já desisti? Você só vai bater na mesma tecla. E é uma tecla quebrada. – Ri de mim mesma e tentei fazer uma manchete com as mãos. A bola foi alta, mas passou longe das mãos de Travis. Eu, além de ruim, tinha uma péssima coordenação motora e um péssimo instinto de direção e proporcionalidade.
Resumindo, uma merda.
Tentei mais uma vez e dessa vez eu errei por culpa de outra pessoa além de mim. A garotinha que eu tinha visto mais cedo passara ali por perto, correndo alegremente. Vestia o mesmo vestido e tinha os cabelos negros voando pelo ar. Ela olhou pra mim e sorriu, me dando um tchauzinho. Devolvi seu tchau e Travis me olhou confuso. Olhei pra ele e quando retornei, ela havia sumido.
— Pra quem deu tchau? – Ele perguntou e eu o olhei.
— Ah, Will passou por ali rapidamente. – Menti.
— Achei que Will estava na enfermaria. – Travis deu de ombros e me lançou a bola.
Não consegui pegar a maldita bola.
— Há uma garota, ou havia, com uns sete ou oito anos de idade? – Perguntei a ele, não mais quicando a bola.
— Aqui no acampamento? – Ele perguntou e pensou um pouco. Assenti. – Júlia, é um pouco difícil termos semideuses novos, geralmente temos entre dez e treze anos. É a idade normal que as pessoas chegam por aqui. E não, não há ninguém tão novo. – Devolvi a bola pra ele e ele me lançou outra vez.
— Estranho.
Peguei a bola.
— Seria tão estranho quanto ter alguém de fora da América do Norte. – Ele riu, olhando pra mim.
Ri pra disfarçar e joguei a bola de volta pra ele e a mesma acertou sua cabeça.
Merda!
— Desculpe! – Falei e cheguei perto dele. – Foi mal.
— Tudo bem. – Ele riu e passou a mão atrás da cabeça. — Ok, talvez você não seja para esportes. – Ele jogou a bola para o alto e fez uma manchete com os punhos. Depois pegou a bola e jogou no carrinho de bolas de vôlei ali perto.
Que esperto ele, não?
— Vamos ao chalé de Apolo, eles irão te ajudar pra ver se seu ramo é no da música ou artes. — Já saíamos do campo de vôlei, quando avistei Annabeth andando com o que parecia ser um notebook nas mãos. Pensei que eles não podiam usar eletrônicos.
— Na verdade, eu marquei de passar um tempo com a Annabeth olhando livros. Livros são um talento que eu tenho certeza que tenho. – Ri junto com ele. – Mas, obrigada pela oferta e pela tentativa.
Ele sorriu e assentiu, indo até o chalé de Hermes, onde era minha atual casa. Fui de encontro a Anne, que tinha sentado em um banco e estava distraída com seu laptop. Cheguei de fininho e a abracei, toda suada.
— Júlia! – Ela reclamou e saiu de perto de mim, me fazendo rir alto.
— Amigos aturam o suor de amigos. – Eu disse entre risadas, abrindo os braços pra ela e ameaçando dar outro abraço suado nela.
Ela apontou o dedo pra mim e fechou os olhos como fendas.
— Nem se atreva. – Disse, com cara de séria. Mas, riu logo depois com a minha pequena trollada.
— O que é isso? – Perguntei, não olhando para a tela para não ser invasiva.
Ela me estudou, como se decidisse se me contaria ou não.
— Não precisa me dizer, se não quiser. Sei que ainda não somos tão íntimas pra certas coisas. – Fui completamente sincera com ela.
— Ok. – Ela olhou para o laptop e depois de volta pra mim. – Eu vou contar. Mas só por que eu sinto que posso confiar em você.
Sorri com isso. Ela estava confiando em mim para algo pessoal. Acho que tinha achado alguém realmente importante. Sentamos lado a lado no banco de madeira.
— Tudo bem. Palavra de semideusa ainda não reconhecida pelo pai. – Fiz uma continência daquelas do exército e Anne riu.
A loira de olhos bem azuis começou sua história. Era a primeira história que eu ouvia enquanto me dava conta de que era REAL. Não era mitologia. O labirinto não era apenas um mito. E Dédalo menos ainda. Ela narrou tudo. Desde a descida dela com Percy até as profundezas do labirinto mutável, até a batalha contra um exército de Cronos aqui no acampamento. Ela contou que perderam pessoas, assim como Connor tinha dito. E no final, disse que aquele laptop era um presente que Dédalo tinha lhe deixado. Aquilo era incrível e Anne e Percy pareciam ser semideuses bem importantes. UAU.
— Sinto muito pela perda de vocês. – Falei sincera e ela acenou.
Ficamos em silêncio por uns minutos, talvez ela estivesse absorvendo um pouco da dor que eles sentiram nos últimos tempos.
— E tem mais uma coisa. – Ela corou.
— O quê? – Eu meio que já imaginava o que era. Os olhos dela brilhavam de um jeito especial quando falava de Percy, era impossível não notar.
— Eu beijei Percy. – Anne escondeu o rosto entre as mãos e deu uma risada nervosa. – No monte Santa Helena, dentro de um vulcão.
Eu estava de queixo caído? Por que aquilo merecia um queixo caído.
— Uau. Seu primeiro beijo foi dentro de um vulcão? – Perguntei, extasiada. – Que incrível. Meu primeiro beijo foi num acampamento religioso.
Corei.
— Acampamento religioso? – Annabeth abriu a boca. – E você fala que o meu primeiro beijo foi surpreendente?
— Claro que foi surpreendente. O meu não teve nada demais. E o menino babava muito. – Fiz uma careta. Eu não tinha beijado muitos garotos. Na verdade só tinha beijado dois. O segundo foi ótimo, mas o primeiro...
— Eca! – Ela riu de mim e eu empurrei seu ombro de leve.
— Percy beija bem? – Levantei as sobrancelhas freneticamente e ela riu ainda mais de mim.
— Não foi um beijo completo MESMO. Mas, eu sugiro que sim. – Anne corou mais ainda.
— Ele babou? – Afastei a lembrança do quão babão era aquele menino.
— Só enquanto dorme. – Ela riu e eu fiquei confusa. Então ela explicou que em um dos primeiros momentos entre os dois, ela tinha dito a ele que ele babava enquanto dormia.
— Nossa, Annabeth Chase. Acho que o mundo dá voltas, hein. Antes você riu dele e agora quer a boca dele na sua. – Fiz uma cara maliciosa e ela riu levantando-se do banco.
— Seu mundo também vai dar voltas viu, mocinha. – Ela fechou os olhos em fendas e sentou-se novamente.
Ficamos lá umas horas conversando e rindo até que eu tomei coragem pra ir tomar banho antes do jantar. Era meu segundo dia no acampamento e eu já sabia um pouco sobre algumas coisas, mas sentia que tinha uma imensidão de coisas pra explorar aqui. Eu conhecia Annabeth há três dias e sentia que a conhecia há décadas. Isso era possível? Fiquei pronta rapidamente e saí para reencontrar a loira que disse-me para nos encontrarmos no punho de Zeus, que ela precisava me mostrar uma coisa. Eu sabia que o punho de Zeus era um conjunto de pedras que iam até o alto. Fui até lá e subi até o topo daquele rochedo. E caraca, que vista linda. Olhei para tudo. As estrelas, os campos de morangos, o lago que eu ainda não tive tempo de nadar, os chalés, o refeitório com as luzes acesas, algumas criaturas voando ou andando por ali, Lares flutuando pelos cantos. Mas, as estrelas. Uau. Era tudo tão lindo. Estava super distraída até escutar um barulho de máquina fotográfica, como um clique de polaroid. Fiquei atenta, olhando para os lados. Até que eu o vi. Um pouco longe de mim, lá estava o garoto solitário que eu tinha chutado. Ele estava tirando uma foto do céu escuro e olhava atentamente para a máquina enquanto esperava a foto se revelar. Vestia uma calça jeans com alguns rasgos, tênis preto e jaqueta de aviador também preta. Eu tinha uma queda por jaquetas pretas, mas eu não sabia se gostava muito do dono dela. Cheguei de mansinho, assim como ele tinha feito comigo. Mas, assim como eu tinha feito na noite anterior, ele se virou de súbito e me encarou com seus olhos negros. Eu não tinha reparado que ele tinha olhos tão escuros e eram tão bonitos. Pena que ele era um porre.
— O que está fazendo? – Ele arqueou a sobrancelha, me olhando.
— Reencenando sua participação no filme de ontem à noite. – Sorri com desgosto e ele também, mas sem mostrar os dentes.
— Você é um péssimo Nico Di Ângelo. – Ele ironizou e voltou a olhar a foto.
Nico Di Ângelo? Esse era o nome do cara pálida?
— Vai ver por que o próprio Nico Di Ângelo não seja lá um personagem muito bom. – Dei um sorrisinho à altura do dele.
Ele queria jogar um jogo perigoso de patadas? Eu sabia jogá-lo muito bem. Nico revirou os olhos. Assim que eu havia chegado, ele tinha escondido a polaroid atrás de si. Eu não ia dizê-lo que eu tinha visto ele tirando fotos da vista, ele poderia não gostar.
— Você não me conhece. – Nico disse, cortante.
— Nem você me conhece e mesmo assim parece ser o Sherlock Holmes. – Eu falei olhando para a paisagem.
Lembrei-me de como ele havia me estudado e suposto algumas coisas sobre mim. Eu não tinha me irritado com isso, mas agora ele estava me irritando e essa era a única resposta que eu tinha na ponta da língua.
— Sherlock? – Ele perguntou e se aproximou de mim, numa pose perigosa.
— É. Acha que por que tem um senso dedutivo pode acertar tudo sobre todo mundo. – Cruzei os braços e algumas mechas do meu cabelo voaram por sobre meus olhos.
— Isso é um elogio à minha pessoa. – Nico tinha olhos escuros, parecia que um pouco da essência do céu escuro sobre nossas cabeças estivesse guardada ali. Ele fechou-os como fendas, me estudando.
— Acontece. – Cheguei mais perto dele. – Que você não é o Sherlock.
Meu hálito deve ter batido em seu rosto levemente quando eu falei, já que eu podia sentir o dele. Ele era lindo, mas não parecia nem um pouco amigável. Parecia bastante deslocado naquele lugar tão sorridente, não que isso fosse ruim. Diferente é legal. Mas, Nico Di Ângelo estava me irritando. Na verdade, eu adorava um jogo de patadas.
— Eu lutei na guerra, garota brasileira. Eu vivi sozinho lá fora. Eu mandei o rei Minos de volta para o mundo dos mortos. Eu sou o Rei Fantasma. Quem afinal é você? – Ele falou tudo aquilo com os olhos semicerrados.
— Alguém que não fica se gabando dos feitos, com certeza. – Sorri e dei a meia volta, caminhando para longe dele e deixando-o para trás com cara de nada.
Encontrei com Annabeth minutos depois, enquanto eu caminhava lentamente, chutando os pedregulhos do chão. Ela me olhou e ficou com uma cara esquisita enquanto andava ao meu lado.
— O que aconteceu? – Ela me perguntou e eu a olhei fixamente.
— Como sabe que algo aconteceu?
— Por que você parece ter comido algo estragado. – Ela me olhou e eu acenei com a cabeça.
Minutos depois, eu tinha dito a ela tudo o que tinha “vivido” com Nico Cara Pálida. Desde o chute no saco até a partida de farpas e fagulhas. Annabeth fez caretas e deu risadas a medida que fui contando à ela. Até eu ri da situação. Mas, não mencionei que eu estava chorando no lago e por isso tinha ido pra tão longe. Eu detestava falar sobre meus momentos de choro. Era algo que eu deletava da minha cabeça.
— Que estranho. – Ela torceu o nariz e eu a olhei. – Nico não é de se gabar. Nunca o ouvi falar nada demais para se exaltar acima de alguém, como ele fez.
Eu assenti, mesmo não o conhecendo nem um pouco e não sabendo se queria ou não conhecer.
— Mas, primeiro dia no acampamento e você já chutou o saco de alguém? – Annabeth riu de mim. – Seu primeiro dia foi com certeza pior do que o meu.
Revirei os olhos, rindo a contra gosto.
— Enfim, o que queria me mostrar? – Mudei de assunto, por que detestava clima tenso.
— Você já viu, chegou cedo demais. Era pra eu te mostrar a vista que temos. Foi uma das primeiras coisas que me encantaram quando chegamos. – Ela fez bico. – Mas, você é agoniada.
Sorri. Meus pais me chamavam de agoniada o tempo todo. Talvez eu fosse mesmo.
— É realmente impressionante. – Falei lembrando-me da paisagem enquanto caminhávamos para o refeitório que estava barulhento.
...
Já tinham me avisado que semideuses sonham com coisas estranhas que às vezes são avisos e outras são reais. Mas, ninguém havia me preparado para aquilo.
Um garoto aparentemente alto, com a pele morena, cabelos escuros e um corte meio militar estava em um navio. Eu podia saber que era um navio, pois tinha água atrás dele, parecia estar num deck. Havia monstros perto dele, eu não sabia nomeá-los, mas eram feios e muito diferente uns dos outros. O garoto olhava pra frente e em seguida para o relógio em seu pulso o qual tentava esconder. Para o que ele estava olhando, eu não sabia. Mas, pude ver claramente o momento no qual ele retirou o relógio e tudo explodiu. Fogo e fumaça subiu no ar, explodindo o enorme navio. E tudo virou cinzas afundando no mar.
Acordei logo depois com uma quase parada cardíaca.
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