Lightning
13 I need that one thing
Beijava meu pescoço, e tentava desabotoar minha camisa. O encarava com indiferença porém estava ficando irritado com a situação. Estava bravo há dias e ele parecia não se importar com isso. Suspirei e segurei suas mãos, antes que ele conseguisse tirar a minha camisa.
- Pare com isso. – Disse, como se fosse adiantar. Continuava mordiscando a minha pele, e tentando tirar a minha roupa. – Já disse pra parar. – Dizia com calma, mas ele sabia que estava falando sério.
- Mas, Sasuke… – Sussurrou enquanto me olhava.
- Chega. – Levantei-me da cama, cruzei os braços e o encarei.
Sabia que ele iria vir atrás de mim para se desculpar, mas eu estava irritado demais com tudo isso.
- Uchiha, para de cu doce. – Ajoelhou-se na cama, e tentava me puxar pela cintura.
- Você não tinha nem que ter ido na faculdade, quanto mais me beijado, Gaara. Você não entende isso?
- Era seu aniversário, então era óbvio que eu iria lá. E eu sei que você não está tão irritado assim por eu ter te beijado, mas foi porque o Uzumaki viu, e você não queria isso. – Suspirou e sentou-se na cama.
- Você anda se drogando?
- Fala sério, Uchiha. Eu sabia que você gostava dele, mas achei que tivesse tomado vergonha na cara. – Revirei os olhos e ele balançou a cabeça. – Você sabe que eu tenho razão, você só não quer aceitar isso. – Se levantou e envolveu os braços no meu pescoço. – Quando você parar de gostar dele, sabe quem deve procurar. – Sorriu de canto, me beijou e foi embora.
Me sentei na beirada da cama, e deixei que meu corpo caísse sobre o colchão. Fechei os olhos e suspirei. Ele não pode estar certo. Não pode.
—
Apoiei a cabeça sobre um dos vários livros que estavam sobre minha escrivaninha, e suspirei. Teria uma prova amanhã, e por mais que não precisasse me esforçar, pois já tinha nota suficiente, queria me sair bem. Só que… Argh, não conseguia me concentrar. Passava os olhos sobre as palavras e quando chegava no final do parágrafo, percebia que não havia entendido nada do que estava escrito. Sentia todo aquele sentimento de vazio voltando, sentia a saudade cada vez mais forte, tudo aquilo estava voltando. As palavras de Gaara ecoavam na minha mente, e eu odiava isso. Eu não queria aceitar, mas ele estava certo. Eu gostava daquele maldito, e não podia fazer nada, absolutamente nada.
Ouvi batidas na porta, e virei-me na cadeira para ver quem era.
- Entra.
- Ei, Sasuke. – Disse Itachi ao entrar no quarto e fechar a porta em seguida. – Tá ocupado?
- Não. O que foi? — Sentou-se na cama e me encarou, ele estava sério, e aquilo me deixava desconfiado. – Fala logo!
- Calma. – Riu baixo e suspirou. – Mês que vem eu vou ter que ir pra capital, porque o legal do Fugaku me obrigou a aceitar um caso, e os clientes são de lá. E é um caso complicado, que vai durar um bom tempo, então vou ter que ficar lá até acabar. A questão é… Você não quer vir comigo? – Arqueei minha sobrancelha e o encarei com indignação. Por que ele queria que eu fosse com ele? – Veja bem, Sasuke… Todos sabemos que tem algo que está te incomodando aqui, você nunca foi a pessoa mais feliz do mundo, mas a situação piorou muito de um tempo pra cá. Seria bom pra você conhecer gente nova. Sem contar que as faculdades de lá são melhores que a sua. Ahh, e também não é pra sempre. Você pode fazer o segundo semestre lá, e voltar pra cá, ou se você quiser, a gente pode se mudar pra lá, sem problema algum.
Eu não o respondi. A ideia de morar na capital era tentadora, tanto quanto a de ficar aqui. Olhei para Itachi e ele sorriu.
- Você tem um tempo pra pensar, Sasuke. Acho que seria bom pra você, e também não gostaria de ficar sozinho lá. – Riu e logo saiu do meu quarto.
Ótimo, mais uma coisa pra perturbar a minha mente.
—
— VOCÊ O QUÊ?
- Não grita, Hinata.
- Tá, tá. – Suspirou e me encarou. – Você vai?
- Não sei.
- Como não sabe? Sasuke, você não pode ir! Você não pode abandonar tudo desse jeito, e… E a sua mãe? E o Suigetsu? Já contou isso pra ele? Aposto que ele vai te matar se disser que vai nos abandonar. Sasuke, você não pode!
- Meu pai e o Itachi acham uma ótima ideia. – Dei de ombros. – Minha mãe não gostou muito disso, mas ela está preocupada, e… De qualquer forma, não disse que vou, e mesmo se eu for, posso voltar no final do ano, e acabou.
- Ai, Sasuke, pense bem…
Certo, eu não queria ter contado isso pra ela, mas era minha melhor amiga, não poderia esconder algo assim. Ela me mataria se descobrisse por outra pessoa. Achava que Hinata havia sido dramática demais, mas conseguiram superá-la…
- QUAL É O SEU PROBLEMA? VOCÊ TÁ QUERENDO APANHAR, UCHIHA? VOCÊ TÁ SE DROGANDO? TÁ FICANDO LOUCO? SASUKE, SE VOCÊ DISSER QUE VAI, EU VOU TE BATER TANTO, MAS TANTO QUE VOCÊ NÃO VAI MAIS CONSEGUIR ANDAR!
- Obrigado pelo apoio, Suigetsu.
- Como você pode simplesmente pensar na possibilidade de me deixar aqui, seu maldito? E as nossas noites de farra? E os nossos esquemas? E nossas idas ao shopping? Como fica, Uchiha?
- Ahhh, para de ser dramático! Não fazemos esquemas desde você começou a ficar com o Sai. E eu não tenho mais vontade de sair.
- Mas, Sasuke… Puta que pariu! Beleza, você pode ir. Mas saiba que estarei aqui, te odiando muito por isso.
- Você sabe que chantagem emocional não funciona comigo.
- Eu sei. Mas eu realmente vou te odiar.
E as coisas só melhoram…
—
Fiz minha última prova, e agora, estava oficialmente de férias. Sentia um alívio enorme em saber que não precisaria estudar, e nem ter que vir à faculdade por um mês inteiro. Isso se eu não fosse embora com o Itachi, claro. Todos os dias eu pensava nessa possibilidade, estava cheia de pontos positivos… Não teria mais que ver o povo escroto da cidade, e principalmente da faculdade; não teria que aguentar as pessoas que atrasam a minha vida; não teria distrações; a faculdade provavelmente seria melhor; não teria meu pai pra me encher o saco; nem a minha mãe se preocupando comigo; não teria a Karin se descabelando por minha causa; e principalmente, não teria o Naruto. Logo poderia o esquece-lo com facilidade e continuar a minha vida.
Assim que pensei nele, me deparei com a Sakura sentada num banco, chorando muito, e sendo consolada por algumas amigas. Acho que vou para o Inferno, pois fiquei muito satisfeito em vê-la assim. Mas ainda acho pouco, ela merecia ser atropelada por um ônibus, cair num abismo, ser enforcada, e ainda ser decepada. Não me importava o motivo pelo qual ela chorava, já ficava feliz só por estar chorando desse jeito.
—
- Sasuke.
- Hm.
- Eu to grávida. Você é o pai. Então terá que se casar comigo, e não poderá ir embora. – Disse com expressão séria, mas assim que lhe olhei com desgosto, começou a rir.
- Para de ser babaca, e presta atenção no jogo.
Aproveitando que estava de férias, e que provavelmente não o veria por um tempo, chamei Suigetsu para jogar Mortal Kombat comigo. Jogo nostálgico…
- Você me engravida e quer me abandonar, Uchiha? É isso mesmo? Terei de conversar com os seus pais! Aposto que sua mãe ficará orgulhosa, e seu pai te obrigará a casar comigo, porque sou só uma adolescente indefesa e não posso criar uma criança sozinha.
- Não se preocupe, Hozuki, eu jamais comeria uma puta como você.
- Desse jeito você me magoa, Uchiha. – Brincou enquanto se esfregava no meu braço. O empurrei, fazendo-o se afastar, e ele grunhiu irritado. – Sei que você me ama, pare de negar isso.
- A cada dia que passa, você se torna mais gay. Daqui a pouco vai estar se travestindo…
- Se você quiser… – Respondeu sorrindo de canto.
- Suigetsu… – Pausei a luta e o encarei. – O que você quer?
- Seu corpo.
Ele não riu, eu não ri. Só nos encarávamos… Eu o olhava com uma expressão como se dissesse “você é doente, por favor procure um médico” e ele me olhava como se dissesse “tire as minhas roupas”. Revirei os olhos e voltei a jogar.
- Caso eu me mude, juro que estrearemos a minha nova cama. – Brinquei mas ele não respondeu, e parou de apertar os botões do controle, fazendo com que eu ganhasse dele em questão de segundos. – Que foi, porra?
- Você não vai, Sasuke.
- Argh, não começa.
- Não começa você. Já disse, não vai sair dessa casa nem fodendo.
Era a milésima vez que discutíamos por isso. Não aguentava mais.
Nota mental: não falar mais sobre isso perto do Suigetsu.
—
“Estava tudo escuro, mas eu conseguia enxergar seus olhos claros me olhando com carinho. Sua mão segurava a minha, e ele sussurrava que nunca mais a soltaria. Eu sorria, porque ele me fazia sorrir. Aproximou-se mais um pouco, sorriu e selou seus lábios nos meus.
- Não se preocupe, teme, eu vou cuidar de você.“
Meus olhos se arregalaram e notei que estava apertando meus dedos no colchão. Suspirei, levei meus dedos às minhas têmporas, e fechei os olhos. Fazia semanas que não o via, eu nunca tinha sonhado com ele, por que tinha que acontecer bem agora? Foi tão real, tão… Eu tentava tanto não pensar nele, mas era tão difícil. Ainda mais agora que estava de férias, e não tinha absolutamente nada pra fazer. E ainda tinha só até o final de semana para decidir se iria embora com o Itachi ou ficava.
Estava tão cansado de tudo, de todos. E pela primeira vez na vida, não sabia o que fazer.
—
Estávamos todos sentados à mesa para almoçar, o que era difícil de acontecer. Era difícil o horário de um membro da família bater com o do outro, e eu devo admitir que sentia falta disso. Olhei para minha mãe ao notar a maneira brusca com a qual ela havia colocado seu prato na mesa… É claro que isso ia acontecer.
- Então… Vocês partem amanhã? – Meu pai resolveu quebrar o silêncio.
Encarei minha mãe, que tinha uma expressão triste em seu rosto, e suspirei; não me agradava vê-la assim. Olhei para Itachi, que sorriu na intenção de me consolar.
- Sim, amanhã de manhã. – Ele respondeu.
- Mãe… Eu…
Não pude completar minha frase, pois quando percebi, minha mãe havia levantado da cadeira e se retirado dali. Levei as mãos em meu rosto, preocupado com ela. Levantei-me e fui até a porta de seu quarto, que estava fechada. Bati e ninguém respondeu. É claro que eu entrei mesmo assim, e me deparei com minha mãe chorando em sua cama.
- Mãe? Por favor, não faça isso. Vê-la assim só dificulta mais a minha ida. – Sentei na cama e a abracei.
- Eu sei, Sasuke. Me desculpe, mas eu não imagino essa casa sem meus filhos. Sem você, principalmente, que é mais novo.
- Mãe, eu entendo o que quer dizer, mas eu não vou ficar lá pra sempre. Só acho que vai ser uma boa experiência frequentar outra faculdade, em outro lugar…
- Eu vejo que você tem agido diferente, Sasuke, só não sei o por quê.
- Eu… Só ando muito cansado da mesma rotina. Por isso acredito que vai ser bom. É só o próximo semestre, mãe, eu prometo. Vai passar rápido, e conversaremos sempre que der. – Forcei o melhor sorriso que consegui no momento.
- Acho que tem razão. – Ela enxugou as lágrimas. – Eu vou precisar ficar de plantão na clínica esta noite, mas venho logo cedo pra poder me despedir de vocês dois, está bem? – Me apertou num abraço e eu acenei positivamente com a cabeça.
Nos separamos ao ouvir batidas na porta e olhamos ao mesmo tempo. Era Fugaku.
— Acabei de receber uma ligação, vou precisar sair da cidade pra resolver alguns assuntos da empresa.
- Agora? – O encarei com espanto.
- Agora. – Disse começando a arrumar suas coisas.
Revirei os olhos e saí do quarto. Sei que era trabalho, mas a falta de importância que meu pai dava a certas coisas conseguia me irritar.
Passado algum tempo, ele apareceu na sala com uma mala e despediu-se.
- Boa sorte, Sasuke. – Me abraçou. – Quero que se esforce. Se fizer isso, tudo dará certo.
Palavras inspiradoras, pai. Pff. Deu um abraço rápido no Itachi e saiu. Mesmo com seu jeito complicado, sentiria falta dele.
Lembrei-me de Suigetsu, Hinata, dos meus amigos. Tinha resolvido não contar nada pra eles, eles tornariam tudo mais difícil. Decidi passar na casa de cada um na manhã da viagem, e aí sim me despedir. Seria melhor.
—
Lá fora, chovia muito, como há muito tempo não acontecia. Minha mãe já havia saído para o plantão na clínica, meu pai provavelmente já havia chego na outra cidade, e Itachi estava vadiando por aí com seus amigos. Me sentia ainda mais depressivo.
Encarava a TV desligada, e as lembranças invadiam minha mente. Tentava, em vão, não pensar Nele, mas era impossível. Era impossível não sentir saudades, era impossível não sentir raiva por tudo o que aconteceu, era impossível não sentir o que eu sinto por ele. Argh, não aguentava mais isso!
A campainha tocou, e eu suspirei. Quem diabos viria aqui, às dez da noite, com essa chuva? Hmpf. Caminhei até a porta e assim que abri a mesma, fiquei perplexo e senti um nó enorme na garganta.
- Sasuke…
Notas finais
Obs: Sim, último, to chorando. :( Não me matem.
Fale com o autor