Lightning
12 Give me the bright lights
Notas iniciais
E... Não me batam.
- Oi? – Tinha as sobrancelhas arqueadas enquanto fitava o estranho a minha frente. Ahhh, claro. Estava bêbado, mas não burro. – Então é você? – Perguntei sorrindo de canto.
Ele não respondeu, apenas colocou suas mãos sobre meu tórax, e me empurrou até que minhas costas se chocassem contra a parede fria do banheiro. Até então, ele sorria, e só parou quando seus lábios foram colados nos meus. Sentia sua língua roçar na minha em seguida, suas mãos me puxavam pelo pescoço, e meus braços envolviam sua cintura. Não sabia muito bem o porquê de estar correspondendo aquilo. Mas ele era realmente bonito, e o álcool só o ajudava.
Provavelmente tinha perdido a noção do tempo enquanto o beijava, poderia até dizer que Suigetsu ficaria preocupado se eu não voltasse logo, mas com certeza ele já estava alto demais pra se lembrar de mim. Mas Karin com certeza encheria o saco quando eu voltasse. Ele beijava bem, não podia negar, tentava – em vão – não compará-lo ao Uzumaki, mas eram completamente diferentes, então decidi não pensar no assunto. Finalizei nosso beijo com um selinho demorado, e olhei para ele. Seus olhos verdes claros me encaravam, como se me desafiassem para algo que eu com certeza aceitaria, e iria gostar.
- Posso saber seu nome agora? – Perguntei com deboche.
- Gaara. – Sorriu de canto.
- Hm. Vai me contar como sabe tanta coisa a meu respeito?
- Não.
- Imaginei.
- Então, Uchiha… Que tal se fossemos beber?
Dei de ombros e o acompanhei até a saída do banheiro. Antes de sair, notei que estranhamente, não havia ninguém ali, além de nós dois. Isso era um alívio. Fomos até a bancada do bar, e logo eu bebia novamente. Às vezes me questionava se deveria estar fazendo aquilo, mas já estava irritado demais com tudo que me aconteceu, que nem queria mais me limitar a ficar sóbrio.
Nós conversávamos, e eu mal prestava atenção no quanto estava bebendo. Tudo parecia mais legal que o normal, e eu estranhava isso, mas não me importava. Gaara sussurrou alguma coisa que eu não entendi, e me puxou pela mão. Não conseguia prestar atenção para onde estava indo, mas logo estava sentado num banco muito confortável de um carro desconhecido. Encarava a paisagem passando rápido do outro lado da janela, porém em pouco tempo Gaara havia estacionado o carro. Ainda não conseguia entender o que acontecia ao meu redor, só sabia que estava sendo puxado para dentro de uma casa, e em seguida meu corpo caía sobre algo macio. Percebi que o ruivo desabotoava minha camisa, então o fitei. Ele me olhava e sorria, e algo naquele sorriso me fez estremecer.
—
Abri os olhos devagar, ainda estava com muito sono, queria ficar dormindo, mas o quarto estava claro demais. Encarei a janela aberta, e entendi o porque de toda essa claridade. Mas hein, essa não é a janela do meu quarto. Passei os olhos por todo o cômodo e parei ao avistar Gaara com o braço sobre a minha barriga, e dormia com a cabeça apoiada no meu peito. Por um momento, o pânico tomou conta de mim, não acredito que fiz isso! Nenhuma dor estranha? Não. Ufa. Suspirei em alívio, e tentei tirá-lo de cima de mim, sem acordá-lo. Enfim consegui, e me levantei, tentando não fazer barulho, recolhi minhas roupas do chão, e me vesti rapidamente. Saí do quarto e graças à Deus não havia ninguém acordado pela casa, e logo saí de lá. Peguei meu celular e o liguei, logo me deparei com vinte e seis ligações não atendidas. Ótimo. Karin havia me ligado, Suigetsu havia me ligado, Itachi também, minha mãe também, e… Naruto? Erm, eu tinha me esquecido dele. Argh, foda-se também. Olhei a minha volta, e percebi que não sabia como voltar pra casa. Suspirei, e liguei para o Itachi.
- Fala, otouto.
- Itachi, preciso que venha me buscar…
- Onde você tá?
- Erm… – Caminhava tentando achar uma placa, e disse para ele qual era o nome da rua.
- Tá longe hein! – Comentou rindo.
- Vem logo, Itachi!
- Tá, tá. To saindo já. – E desligou.
Fiquei, por um bom tempo, encostado na parede de uma casa na esquina. Olhei no visor do celular, e notei que já eram duas da tarde. Como posso ter dormido até agora? Enquanto esperava Itachi chegar, resolvi ligar pro Suigetsu.
- Oi.
- Suigetsu?
- Não.
- Quem é, porra?
- O Sai. – Respondeu e eu ouvi uma risada de fundo. - Oi, Sasuke. Você tá vivo?– Agora sim era Suigetsu.
- Sim, estou.
- Onde você tá?
- Não faço ideia.
- Como assim?
- Eu… – Suspirei e continuei. – Acordei na casa do Gaara. Pelo menos deve ser a casa dele…
- Você o quê?! – Berrou e depois começou a rir. – Não acredito que você fez isso.
- Nem eu.
- Passivinho lindo. Orgulho do Suigetsu!
- Passivo é o caralho, vai se foder.
- Ah, não deu a bunda então? Pelo menos isso, né. – Riu e eu suspirei.
- Enfim, depois que o Sai for embora, vá em casa, precisamos conversar.
- Tá bom, viado, eu vou.
- Olha quem fala. – Disse e finalizei a ligação.
Em pouco tempo, Itachi finalmente apareceu, e eu entrei no carro.
- Nossa, Sasuke, você apanhou?
- Não, por quê?
- Você tá acabado. Sua camisa tá rasgada, seu pescoço tá marcado, e seu cabelo tá todo bagunçado. – Explicou rindo.
- Não ria.
- Tá bom, Itachi tem orgulho de você, sempre fazendo sucesso com as mulheres. – É… Mulheres… Claro.
—
Estava deitado na minha cama, encarando o teto, perdido em pensamentos, quando a porta foi brutalmente aberta, e Suigetsu entrou no meu quarto.
- Fala, maldito!
- Argh, não berra, estou com dor de cabeça.
- Own, neném tá com ressaca, tá? – Disse ao afagar meu cabelo.
- Sim. – Respondi e empurrei sua mão pra longe de mim.
- Ê grosseria. – Riu e sentou-se ao meu lado. – O que aconteceu ontem? Você foi no banheiro e nunca mais voltou.
- Encontrei com o Gaara lá.
- Gaara é o que te mandava mensagens, certo?
- Certo. Enfim, fui agarrado no banheiro, e depois a gente foi beber mais.
- E daí você foi estuprado.
- Praticamente isso. Não lembro de quase nada. Só de vez em quando que vem uns flashs na minha cabeça, mas nada de mais.
- Já falou com ele depois disso?
- Não, só mandei um sms avisando que precisei ir embora, e que depois a gente conversava.
- Ai, Sasuke… – Gargalhou e balançou a cabeça.
- Eu sei! Tenho que parar de beber.
- É, tem mesmo. – Concordou ainda rindo. – Mas… E o… Você sabe.
- Suigetsu… Ele me ligou ontem. – Comentei ao me sentar na cama e o encarei.
- Você atendeu?
- Não, meu celular tava desligado.
- Vai ligar de volta?
- Adivinha.
- É, imaginei. – Soltou uma risada baixa. – O que será que ele queria?
- Não faço ideia, e nem quero saber.
—
Apoiava a cabeça no encosto da cadeira, enquanto fingia prestar atenção no filme que passava. O professor trouxe a minha sala pro teatro, porque queria nos fazer assistir um filme tedioso sobre escravos. Tinha dormido mal, então estava sendo difícil me manter acordado, e esse filme só ajudava.
“Presta atenção, com certeza ele vai mandar vocês fazerem algo sobre o filme.“
“Como vou prestar atenção se estamos trocando mensagens, gênio?“
“Haha, eu sei que eu tiro a sua concentração.“
“Continue sonhando.“
“Com certeza. Nós pudíamos estudar juntos, né, Uchiha.“
“Me dê um motivo.“
“Você é inteligente, e eu não entendo nada de Sociologia.“
Ele tinha mesmo que se aproveitar do fato de que também faz faculdade de Direito, pra se aproximar de mim? Ainda bem que não faz na mesma universidade que eu, hmpf.
“Argh, certo, pelo menos eu aproveito, e já reviso a matéria. Três horas, na minha casa. Que é claro que você sabe onde é.“
—
Os livros que antes estavam sobre minhas coxas, agora estavam jogados no chão. Gaara simplesmente perdia a compostura quando eu era grosso com ele, ou seja, sempre. Empurrara meus livros, fazendo-os cair, e logo estava sentado no meu colo, me beijando. Puxava meu cabelo com força, desceu os lábios para o meu pescoço, deslizou a língua pelo meu pescoço, sugou a minha pele em seguida, e eu o empurrei.
- Não, você não vai me marcar.
- Veremos. – Tentou mais uma vez se aproximar e eu segurei seu pescoço com uma mão. Ele sorria de canto, e tinha aquele olhar desafiador de novo. – Você ainda está muito calmo, Uchiha.
- Hmpf. – Puxei meu braço de volta, e ele pareceu decepcionado com isso.
Voltou a me beijar, e mesmo estando entretido com isso, senti algo vibrar sobre as minhas coxas.
- Gaara.
- Hm?
- Gaara! – Falei mais alto que o normal, fazendo-o afastar o rosto do meu. – A porra do seu celular ta vibrando!
- Ahh… – Tirou o celular do bolso, e atendeu a uma ligação. – Fala. O quê?! Porra, como conseguiu? Argh, já estou indo. – E desligou. – Tenho que ir… Meu irmão acha que quebrou o braço, e eu preciso levá-lo ao hospital.
Dei de ombros, ele me beijou de novo, e logo foi embora. Senti um alívio por isso, sabia que se ele continuasse aqui, logo minhas roupas seriam rasgadas novamente, tsk.
—
Hoje é o pior dia do ano. Sendo seguido pelo Natal, e ano novo. Alguns anos atrás, ainda tinha que lidar com o carinho falso das pessoas, mas parece que elas entenderam que eu as odeio, então alguns me deixaram em paz. Se não tivesse aula para revisar a matéria para prova, com certeza eu faltaria.
- Sasukeee! Parabéns! – Karin gritou enquanto me apertava num abraço.
- Tá, valeu. – Disse ao me afastar da ruiva.
Fui para a sala de aula, evitando que mais alguém viesse me encher o saco. A situação do dia era tão crítica, que nem saí da sala na hora do intervalo. Estranhei o fato de que o Gaara não me mandou uma mensagem se quer a manhã toda. Não achava isso ruim, uma vez que não atrapalhava mais a minha aula, mas ainda assim, era estranho.
Finalmente a aula acabou, me encontrei com Suigetsu, e estávamos indo embora. Antes de eu me ver livre daqueles idiotas que me rodeavam, Suigetsu pediu para que eu o esperasse, pois ia falar com o Sai. Passado algum tempo, percebi que ele ia me enrolar e encostei-me num carro qualquer, enquanto o esperava. Passava meu olhar pelas poucas pessoas presentes, pois a maioria já havia ido embora, e me deparei com Gaara passando pelo portão principal da universidade e vindo em minha direção. Quando este já estava na metade do caminho, Naruto apareceu de repente na minha frente, e me abraçou.
- Parabéns, teme. – Sussurrou e eu fiquei sem reação alguma até ele me soltar. – E-eu… – Antes que pudesse falar algo, Gaara apareceu do meu lado e me puxou pelo pulso, fazendo-me encara-lo. Não tive muito tempo pra pensar em nada, pois ele aproximou meu corpo do seu e selou meus lábios num beijo rápido.
- O que pensa que está fazendo?! – Empurrei-o para longe e olhei para os lados, tentando perceber se alguém havia visto aquela cena, e encontrei Naruto me olhando com a pior expressão que tinha. Por sorte, as pessoas estavam mais afastadas, mas podiam muito bem ter visto. Minha vontade de tentar me explicar pra ele foi esmagada por minha vontade de arrebentar a cara do Gaara. Desviei os olhos de Naruto e encarei o ruivo. – Você é algum tipo de idiota? Você sabe muito bem que…
- Ah, não seja assim, Sasuke. – Gaara deu um sorriso malicioso – Como é seu aniversário, eu pensei que…
- Pensou errado! Alguma vez eu te dei esse tipo de liberdade? Falei que você podia ficar me agarrando no meio das pessoas, ou na entrada da faculdade?!
- Então é verdade o que Sai me disse, você tá mesmo pegando outro cara! – Naruto me olhava com raiva.
- Por que não fica na sua, loirinho? Isso não te diz respeito. – Gaara disparou. Naruto encarou-o com desprezo e estava prestes a acertar sua cara com um soco, mas eu me pus entre os dois.
- Cale a boca, Gaara. Você me irrita. E você… Não se atreva a abrir a boca pra me julgar, Uzumaki. Você escolheu ficar longe de mim, então sugiro que o faça neste momento.
- Saaaalve, galera. – Suigetsu surgiu de repente e parou ao sentir o clima tenso que havíamos criado. – Porra, o que eu perdi dessa vez?!
- Vamos embora.
- Mas, Sasuke…
- Agora, Suigetsu. Dei as costas para os dois e saí, ouvindo apenas os passos de Suigetsu tentando me acompanhar, sem nem olhar para trás.
Notas finais
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