Light and Death - Interativa
5 Ato 4 - Família
Notas iniciais
ANTES...
Issa havia sido expulsa da sala de novo e deixou a classe batendo o pé. O professor de Química a havia pego desenhando um croqui de um traje esportivo, e pediu que ela deixasse a sala. (Depois dela te-lo mandado cuidar de sua vida e tomar naquele lugar). Como Issa odiava vir a escola, diferente de Soraya, ela não se dava bem com os estudos, cálculos e essas outras besteiras. A única aula que gostava era a de Ed. Física. Issa estava em todos os clubes de luta e artes marciais do Colégio Stormground. Era faixa preta em Karatê, tinha experiência com Jiu Jitsu, e dominava taewkondo. Quem mexia com ela já deveria estar pronto para perder os dentes.
Enquanto zanzava pelos corredores, todos os professores e alunos que a viam corriam para a sala mais próxima.
— Otários!!!-murmurou para si mesma.
Desceu até o jardim e pulou a janela do clube de karate que só abria após as aulas e começou a praticar chutes e outros golpes num dos bonecos. Estava com muita raiva e precisava descarregar. Quando terminou, já suada percebeu a marca de queimadura na lateral do boneco.
A porta se abriu e Soraya adentrou na sala. As vezes, Issa esquecia que a irmã tinha a chave de todas as salas por ser a representante da escola. Soraya era o oposto de Issa, enquanto Issa era o problema da escola, Soraya era motivo de orgulho. Issa odiava as comparações, as pessoas não acreditavam que as duas poderiam ser irmãs.
-Issa Shuzen! Você sabe que é proibido invadir os clubes extracurriculares durante o horário de aulas...E arrebentar a janela também-Disse Soraya encarando o que havia sobrado da janela.
Issa deu de ombros.
-Eles não podem me expulsar, nosso pai é o dono do colégio! -Disse Issa mostrando a língua para Soraya.
-Se ele não fosse você já teria sido expulsa! Mas não foi para isso que vim conversar com você...
A expressão de Issa mudou. Era raro Soraya conversar com ela se não fosse para dar uma bronca. Ela sabia que a irmã a entendia, mas não aprovava seus atos. Diferente das Irmãs, Issa fora criada no orfanato desde bebê. Antes da família adota-las, Issa não conhecia outro lugar senão o orfanato. As três não eram irmãs biológicas, eram irmãs adotivas. Sora tinha 5 anos quando fora abandonada no orfanato, agora tinha 15, e havia guardado sua mágoa até os 10 anos quando foi adotada e ganhou duas irmãs, bem na verdade três...
— Yamino volta pra casa hoje!-Disse Issa. Yamino era a única filha biológica do pai e raramente ficava em casa. A maior parte do tempo estava "a trabalho".
-Yami vem pra casa hoje e... Qual a novidade disso?
Sora respirou fundo paciente.
-Acontece que ela não vem sozinha. Ela vem com o noivo!!!
Issa estava de boca aberta, surpresa.
— NOIVO!? A Yami vai se casar?
*****Ω*****
O Mercedez parou em frente ao colégio. Sora e Issa esperavam Yoko do lado do edifício principal. Issa já estava impaciente.
-Cadê a Yoyo! Ela nunca demorou tanto assim! — Disse Issa, a garota tinha cabelos castanhos escuros, olhos da mesma cor e cabelos amarrados em um rabo de cavalo com uma fita preta.
Já Soraya tinha cabelos curtos castanho claro, olhos cor de mel, ela sempre usava uma presilha de estrela que era de sua mãe biologica. Seu pai a havia mandado ao orfanato após a morte desta.
Yoko, uma garotinha de 11 anos de cabelos loiros amarrados em duas maria chiquinhas e olhos azuis, saiu de dentro do prédio segurando uma flor.
— Até que enfim, Yoyo!- Disse Issa.
Soraya olhou desconfiada para a flor.
—Onde arranjou essa flor, Yoko?
Yoko parecia muito contente consigo mesma.
—Eu comprei do Tomás em troca da minha mesada!
Issa deu um tapa em sua própria cabeça.
-Yoyo!!! Aquele imbecil. Ah, mais ele vai pagar!-Gritava enquanto corria para dentro da escola. Issa a seguiu tentando evitar que ela fizesse alguma besteira.
Yoko era a mais nova do trio, a mais doce e também mais ingênua. Muita gente tentava se aproveitar disso, mas Issa sempre estava lá para auxilia-la.
Dois minutos...e vários gritos de socorro depois, Issa saiu do prédio com a mesada de Yoko e mais alguns trocados. Sora balançava a cabeça desaprovando a reação da irmã.
Yoko antes de ser mandada para o orfanato, sofria nas mãos de sua mãe que batia e a chamava de "Lixo Inútil"! Issa e as irmãs haviam prometido logo após serem adotadas que se ajudariam para sempre.
O trio adentrou no mercedes e o motorista deu partida!
Quando estavam a menos de um quilômetro da escola, um grupo de walkers cercou o colégio.
Sora e Yoko riam enquanto Issa fazia caretas quando um não morto apareceu do nada na frente da mercedes. O motorista gira o volante tentando desviar , ele bate na lateral de outro carro e a mercedez capota.
Issa solta o cinto e arrasta Soraya e Yoko para fora do veiculo que explode assim que estão fora do alcançe da explosão.
-Issa! Issa!-murmura Yoko desacordada.
-Calma, Yoyo! Eu estou aqui!- Ela se levanta com uma barra de ferro nas mãos. Zumbis atraídos pela explosão se aproximam!-E não vou deixar nada acontecer com vocês.
A barra de ferro se incendeia e Issa avança em direção aos zumbis.
*****Ω*****
Yamino utilizava o sobrenome da mãe: Ojo, apesar de não te-la conhecido e ter sido criada pelo pai. A garota entrou no escritório do pai que estava de costas para ela de frente para a janela.
-Como foi a missão?- Perguntou o lider da organização.
-Sem imprevistos. Como esperado, pai!- respondeu a garota.
-Sem testemunhas?
— Não, há uma. Mas Tenth achou melhor traze-la para a sede. Kurai está com ele.
O lider franziu a testa curioso.
— O que Tenth planeja fazer com essa testemunha?
Yamino deu de ombros.
— Ele crê que ela pode vir a ser útil!
O pai de Yamino pegou o relatório da missão sobre a mesa e começou a folhea-lo.
— Tenth nunca errou um julgamento! Filha me diga, qual o nome dessa testemunha?
-Magical! Magical Houdini!- respondeu a assasina. E após uma pausa- Quando começara o treinamento de minhas irmãs?
Seu pai a encarou com um olhar frio como um iceberg.
— Quando eu decidir! Não esqueça que sou eu que mando aqui! Agora me deixe a sós!
Yamino fez uma reverência e deixou a presença do pai.
"Você é o lider!" pensou Yamino. "Mas não por muito tempo!"
*****Ω*****
AGORA...
Deno segurou-se no banco quando Piettre pisou no acelerador destruindo uma cerca e adentrando num dos campos lotados de zumbis, só para atropela-los.
-Uhu! Mourir misérables!- Gritou o ex-motorista.
Deno trocou um olhar com Youseff, que estava no banco de trás, este ergueu uma sobrancelha sério. Youseff não gostava de transparecer suas emoções, achava isso uma fraqueza.
A única pessoa com a qual desabafava era com Deno, que era seu melhor amigo.
-Isso é mesmo necessário?- Questionou Deno.
-Não, mas é très divertido!- Disse Piettre.
Youseff continuou calado no banco de trás sem nada falar.
Piettre devia ser apenas alguns anos mais velho que Youseff, mas os dois eram muito diferentes. Piettre não tinha medo de falar o que pensava e tinha alguém para cuidar, a tal Larimar. Youseff só tinha a Deno, seu pai fora morto e ele havia sido criado pelo tio...que não era a melhor das pessoas, mas era o único parente do rapaz.
Já Deno tinha praticamente toda a família viva, seu pai Noah era o lider da resistência, nada acontecia sem seu consentimento. E era muito rígido com os filhos. Principalmente com Deno, por causa de suas...habilidades.
Ele fora aconselhado pela mãe a nunca mostrar esses poderes para os outros sobreviventes.
"São tempos sombrios, meu filho!" dissera Vanessa. "É impossível saber o que essas pessoas farão para proteger suas famílias se acharem que você é uma ameaça em potencial!"
E Deno Aino sabia que ela estava certa. Tirando Youseff, ninguém de fora da família sabia de seus poderes.
Os zumbis batiam no para brisa e eram arremessados para trás, quando a picape parou em frente ao portão da resistência o para choque do carro estava todo sujo de sangue.
Outros sobreviventes apareceram para ajudar a descarregar as provisões e Deno acompanhado de Youseff se mandaram para a cozinha da casa da família Aino.
Vanessa preparava o almoço com a ajuda de Cloe, a irmã mais velha dos Aino. Youseff se largou numa cadeira e roubou um dos bolinhos de cima da mesa sem ninguém perceber.
-You pode devolver o bolinho que acabou de pegar!- diz Vanessa sem nem se virar.
Youseff joga o bolinho de volta da bandeja. Cloe e Deno riem.
Deno se aproxima para ajudar no preparo da comida, mas Cloe entra na sua frente na mesma hora.
-Nem pense nisso! Na última vez que tentou ajudar acabou queimando tudo, Deno. Deixa que eu e mamãe cuidamos disso!
Deno tentou protestar.
— Só queria ajudar, Cloe-chan!
Mas Cloe o interrompeu.
— Nem mais um passo! Vá treinar com Elena, soube que ela está te procurando feito louca.
Elena era prima dos dois e Deno treinava kendo com a garota desde pequeno.
-E não passou pela sua cabeça me avisar antes?
Cloe apoiou a colher de madeira no queixo fazendo pose pensativa.
-Até pensei! Mas lembrei quanto mais você demorasse mais a Elena ficaria puta com você, então fiquei caladinha! Acho melhor você se apressar, Elena costuma pegar pesado no treinamento quando é deixada plantada!-Disse com uma cara maldosa.
Como Deno não gostava de discutir com outras pessoas, odiava conflitos...e como Cloe disse, quanto mais tivesse que esperar mais Elena ficaria brava.
Deno saiu correndo pela porta da cozinha em direção a área de treinamento.
-Ele esqueceu de pegar a espada não é?- Disse Vanessa.
-Sim-confirmou Cloe.
Youseff suspirou e se levantou.
-Eu pego para ele-disse subindo as escadas e voltando com a katana embainhada deixando a casa.
Mas não antes de pegar um bolinho sorrateiramente.
*****Ω*****
Vigiar as pessoas não era do fetio de uma dama. Mas Larimar queria respostas.
Ela, Piettre e Léo haviam chegado na Safe Zone havia uma semana. Léo havia se recuperado e Piettre havia se enturmado rapido. Lari preferiu ficar na dela e só conversava com Vanessa que aparecia na casa oferecida a eles com algum prato e sempre educada Larimar a agradescia e fazia sala.
Mesmo depois do fim do mundo, as aulas de etiqueta eram úteis. Larimar havia deixado Vanessa encantada com sua educação e boas maneiras.
Léo estava se recuperando e havia se mostrado gentil com todos. Mas Lari ainda não confiava no rapaz, ela sentia que ele escondia algo. Todo dia por recomendação de Carl, filho de Noah e Vanessa, o mais próximo de médico que eles tinham, Léo dava uma volta pela fazenda e demorava cerca de meia hora nisso.
Naquele dia, Larimar esperou que Léo saisse para caminhar e subiu até o segundo andar.
Entrou no quarto do rapaz e com cuidado para não tirar nada do lugar começou a procurar por pistas. Depois de dez minutos deixou-se cair na cama frustrada. Foi quando sentiu algo dentro no colchão. Léo havia escondido algo ali.
A garota desceu até a cozinha para pegar um estilete. E quando ia deixando o comodo deu de cara com Piettre.
-Porque o susto, mademoiselle?- perguntou o rapaz- Sou tão feio assim?
Lari escondeu o estilete nas costas, mas Piettre já havia o visto.
— O que pretende fazer com o estilete?
Lari ficou muda, mas refletiu por um instante e respondeu.
-Vou dar uma modernisé em algumas das minhas roupas. Várias delas estão un chiffon!- respondeu Lari.
Piettre riu parecendo acreditar na garota.
-Os vestidos são seus mesmo! Faça o que quiser com eles...- Lari deixou o comodo e correu em direção as escadas- E não esqueça que jantaremos com os Aino há noite!- Gritou Piettre para a amiga da cozinha.
Lari respondeu um "merci" e voltou ao quarto de Léo. Fechou a porta, retirou o lençol do colchão e o abriu.
A menina retirou um pequeno caderno e um mapa de dentro do colchão...
-Por quê está mexendo em minhas coisas?
Larimar se vira e vê Léo parado no batente da porta com uma cara nada amigável.
-Responda!!!
*****Ω*****
Deno vai ao chão pela décima sexta vez, só naquele dia. Elena estava realmente pegando pesado. Deno odiava ver pessoas zangadas, mesmo que não fosse com ele, era uma pessoa sensível, mas odiava ver Elena especialmente zangada.
Elena tinha quase trinta anos, pele escura e cabelos vermelhos e lisos. E quando estava zangada, bem ninguém gostaria de estar na pele de Deno.
Eles se encontravam nos fundos da casa de Elena.
Youseff, que havia trazido a katana de Deno, assistia tudo da varanda. O rapaz árabe tinha cabelos até o pescoço e usava barba. Era quatro anos mais velho do que Deno, que tinha 14 anos.
-Acalme-se, Elena-chan. Mal humor não faz bem a pele e...-começou Deno caído.
-Tá me chamando de velha ?!-Gritou Elena atingindo Deno na cabeça com a espada de kendô.
Youseff esboça um pequeno sorriso, mas logo disfarça.
Deno massageia sua cabeça.
-Porquê, Elena-chan? Porquê?- murmura.
Elena insistia para que ele lutasse com a katana enquanto ela usava a espada de bambu. Poderia parecer injusto, mas mesmo com a espada de kendô, Elena era muito superior a Deno. Mas isso não significava que ele era ruim, ninguém em todo acampamento, com excessão de Elena, era tão bom com espada quanto ele.
-Acho que está bom por hoje!- Diz Elena se espreguiçando- Isso foi relaxante!
Deno se levantou com dificuldade.
-Só se for para você...
Deno tinha pele clara, cabelos pretos e desarrumados com uma mecha azul, usava uma camisa azul, casaco preto e jeans. Sua roupa estava toda suja e rasgada.
Elena ajudou o primo a se levantar.
-Que foi primo? Está ficando mole! — disse Elena-Acho que deveríamos ter sessões extra de treinamento para...
Mas Youseff lambendo os dedos sujos de cobertura de bolo a interrompe.
— Talvez a professora que tenha ficado incompetente!- Diz sério.
Youseff é o único que conseguia falar desse jeito com Elena sem levar uma espadada na cabeça.
-O que está dizendo, You...- diz Elena se aproximando da varanda e começando a discutir com Youseff.
Deno sorriu. Mesmo com todo esse apocalipse todas as pessoas que prezava estavam vivas e perto dele. Ele havia tido muita sorte. E faria de tudo para proteger essas pessoas.
Fale com o autor