Light and Darkness

5 Capítulo Quatro


"Lembranças esquecidas pelo tempo e pela dor podem retornar. Cuidado...O seu retorno só trará mais sofrimento à sua alma aprisionada e dolorida...Não sucumba pela dor que virá ou se arrependerá futuramente."

Enquanto as meninas conversavam e Tanya observava a tudo com olhos atentos, os minutos passaram rápido e, logo, tiveram de correr para a sala para que não se atrasassem. A garota fez questão de se separar das meninas para ser a última a entrar e fora recebida pelo professor no momento em que o sinal tocou, que olhou-a de cima a baixo antes de sorrir...Um sorriso bem forçado e desinteressado.

— Olá, Nakamura-san. Sou Takahiro, seu professor de Matemática.- apresentou-se, colocando sua mão no ombro da jovem que, por sinal, era maior que ele e puxou-a para ficar em frente à classe e os alunos que conversavam sem se dar conta do que acontecia.- Crianças...— chamou-os dessa forma para provocar aqueles adolescentes e os fazerem olhar para frente, prontos para reclamarem.- Este é seu novo colega, tratem-no bem.- utilizou de substantivos masculinos. Provavelmente não tinha consciência do gênero de Tanya. Muitos cochichos foram escutados quando o olhar de todos fora direcionado para a jovem.- Pode se apresentar...- permitiu.

— É...- pensara no que dizer, nunca fora boa em se comunicar.- S-Sou Nakamura...É...Tanya.- finalizara, lutando contra a vontade de suspirar ou olhar para qualquer outro lugar que não fosse os alunos em si. Antes que a garota pudesse se virar para perguntar pelo lugar onde ficaria, um aluno levantara a mão.

— Por que seu nome é tão feminino?- perguntou.

— Porque....Eu sou uma garota...?- perguntara, lutando contra a vontade de responder de forma sarcástica ou desdenhosa.- Eu sou uma garota.- desta vez afirmara, escutando muitos resmungos femininos de pura decepção ou zombaria. Os garotos somente pareceram surpresos e, vez ou outra, comentavam algo entre si.

— ...- outro aluno levantara a mão. Uma garota loira bonita com uma maquiagem leve no rosto e expressão de superioridade.- Que tipo de I.H você é?

— ...- tal pergunta fizera a garota ficar completamente confusa. Que siglas eram aquelas e o que significavam...?- E-Etto...- começara após se recuperar da confusão, mesmo assim, ainda tentava compreender o que significava aquelas siglas.

— Ehhh?!- uma outra garota pronunciara-se, sorrindo para a autora daquela pergunta.- Você, por um acaso, seria humana?!- fingira surpresa e levara todos em sua conversa. Logo, a sala ficara cheia de cochichos e burburinhos em relação ao que a menina dissera.

— Ah...- somente após a pergunta dessa outra garota que Tanya fora capaz de compreender a pergunta da menina loira. Porém, não saberia o que responder mesmo assim...O professor olhara para a jovem do seu lado, querendo que ela respondesse logo para iniciar a aula.- É...Eu sou...Humana.- optara por concordar com a menina. Não era uma mentira de qualquer jeito...Não tinha lembranças do que exatamente era, mas sabia que, pelo menos uns 35% de seu ser era humano. Percebia as características humanas em seu próprio ser. Tal afirmação fizera com que uma nova enxurrada de cochichos e burburinhos surgisse, fazendo-a sentir-se desconfortável por ser, novamente, o centro das atenções.

— Então...— o professor interrompera aquela enxurrada ao chamar a atenção de todos com uma voz profunda e perigosa.- Por favor, Nakamura-san...- começara, fazendo-a abaixar sua cabeça levemente para olhar em seus olhos.- Sente-se ao lado de Yoshioka-san.- finalizou, apontando para uma carteira vaga ao lado de um garoto. O garoto do dia anterior.

Tanya Pov's

Lutei contra a vontade de bufar e revirar os olhos quando reconheci o garoto de antes. Mesmo que à contragosto, comecei a andar em direção ao meu lugar.

Conforme seguia, pude notar que várias das garotas da classe, que antes riam às minhas custas, agora me lançavam olhares hostis. Além de riquinho e rude, também era amado pelas garotas...? Por que não me surpreendia...? Isso vai ser muito problemático.

Quando tomei meu assento, o professor não esperou mais nem um segundo para iniciar a aula sobre algo que não me interessava realmente. Apesar de ter passado mais da metade de minha vida na rua, conseguia compreender bem o que era passado. Talvez os dias que eu passava escondida do lado de uma sala de aula não tivessem sido em vão.

O tempo correu normalmente, tirando o fato do garoto sempre me encarar, sorrindo ou rindo baixinho. Provavelmente estava testando minha paciência. Ah...Ele não teria o gostinho de me ver explodir dentro da sala de aula.

Assim que o sinal do intervalo bateu, saí o mais depressa possível para algum lugar onde pudesse ficar sozinha e em paz. Estava começando a ficar com sono por causa da noite mau dormida e cheia de pesadelos, então decidi procurar um lugar silencioso e pouco movimentado para descansar. Acabei por optar por uma enorme árvore no final do jardim onde podíamos descansar. Ninguém vinha aqui ao que percebi.

O intervalo todo passei descansando em baixo das sombras que a árvore fazia. Sempre gostei de lugares escuros e sielnciosos. Quando deu o horário, voltei lentamente para a sala, entrando furtivamente para a professora não me perceber e reclamar por ter chego atrasada.

Fora somente eu me sentar que já sentira o olhar predatório do garoto ao meu lado. Desta vez não pude me conter, o olhei de volta com a mesma intensidade que ele me encarava. Desafiando-o a seja lá o que ele pensava enquanto encarava-me.

— ...- ouvi-o soltar uma baixa risada de escárnio antes de, simplesmente, virar a cabeça para frente, cortando qualquer contato visual que tínhamos.

Dando de ombros, também virei-me para frente, prestando atenção no que a professora estava palestrando.

Ao término das aulas, as garotas me convidaram para acompanhá-las até os dormitórios, pedido ao qual neguei educadamente, sorrindo minimamente e pedindo para que fossem na frente, pois tinha algo para finalizar antes. As mesmas se entreolharam antes de assentirem e saírem, deixando-me sozinha para finalizar um desenho que tinha começado ao final da aula...Um desenho estranho que me peguei fazendo no tédio.

Procurei terminar o mais rápido possível, pois sentia-me sufocada com algo. Sentia-me sendo observada. Sentia-me encurralada.

"Saia ou se lembrará..."

Ouvi um sussurro que me fizera, involuntariamente, fechar o caderno e começar a guardar tudo apressadamente. Assim que terminei de guardar tudo na mais bendita pressa, já coloquei a alça da mochila num dos ombros e correra para a porta quase saindo totalmente, porém, sentira alguém agarrar meu pulso com força desnecessária e me puxar para dentro da sala novamente. Claro que tinha de ser o garoto que me encarava...Yoshi alguma coisa.

— Ora essa...Você é a mesma vadiazinha de ontem, certo?- empurrou-me contra a parede com brusquidão, em resposta, somente rosnei para disfarçar o fato de que doera mesmo ele ter me empurrado desse jeito contra a parede.- Qual o seu nome mesmo...? Naka...Tanya?- sorriu com desdém.

— O que você quer...?- perguntei lentamente e com hostilidade, utilizando de minha melhor expressão fria e ameaçadora.

— ...- ele riu com deboche, ainda me encarando.- Somente um pequeno avisinho, darling...- sorrira torto.- Eu...

— Olha...- comecei, interrompendo sua fala.- Se pensa que vai conseguir me assustar assim, estás redondamente eng...- antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, sentira a língua áspera dele lamber meu pescoço, bem acima de minha veia carótida, fazendo-me engasgar e arregalar os olhos. Com tal ato atrevido, senti minha pressão cardíaca aumentar e meu rosto esquentar, corando muito. Esse tipo de contato é...O que ele PENSA que está fazendo?! Antes mesmo que eu pudesse lhe dar um soco bem dado na cara, meus pulsos forma presos acima de minha cabeça.

— Você não me deixou terminar...- comentou, sorrindo para o meu rosto corado de vergonha. Isso é abuso!! Ele estava se deliciando com a visão de meu ser indefeso.- Eu só queria te avisar que você poderia acabar saindo machucada ao se meter comigo...- ameaçou, raspando suas presas no mesmo local em que lambera. Um Vampiro...?- Tipo...MUITO machucada...- finalizou num tom cínico.

Tum-tum...

Tal tom despertou em mim uma lembrança amarga do dia em que meus pais foram assassinados. Percebi estar olhando para um homem, de certa forma, conhecido. Ele sorria para mim de forma cínica enquanto mandava aqueles dois Vampiros matarem meus pais, eu vi o sangue deles escorrendo pelo chão até onde me encontrava sentada com olhos arregalados e lágrimas quentes escorrendo pela face. Então...Um grito saíra de minha garganta e...Escuridão e...

— ...- antes que pudesse lembrar-me de algo a mais, senti-o me soltar e se afastar bruscamente, sorrindo para mim uma última vez. Só agora percebi que meu corpo estava dormente e minhas pernas bambas pela visão de um passado que esquecera.

— Foi isso. Agradeço sua atenção~!- acenou, sumindo de minha vista.

— ...- sem nem mesmo perceber, lágrimas quentes começaram a cair de meus olhos enquanto meu corpo cansado escorregava para o chão. A visão dos corpos de meus pais gravadas em minha mente. Meu coração batia de forma dolorosa e minha mente girava.- O que foi isso...?- senti minha voz falhar quando murmurei.

Mesmo que meu corpo clamasse por descanso, optei por me levantar, limpando as lágrimas que não tinha permitido que caíssem, mas teimaram comigo e caíram enquanto não percebia.

Lentamente, me arrastei para os dormitórios e, furtivamente entrei. Não queria que ninguém me visse num estado tão deplorável...Assim que alcancei a porta do meu quarto com sucesso e sem que me percebessem, entrei e tranquei-me lá. Na escuridão total. Embalada pelo silêncio da solidão novamente.

Só queria saber...Por que? Por que tinha de me lembrar de algo ruim justo agora? Justo quando não precisava de mais nenhuma lembrança para me mover? Era somente para me atormentar...? Será que nunca terei paz?!

Notas finais
Alguém sabe colocar imagem no capítulo...? Eu não sei fazer isso...- choramingando.- Bom, desculpe a demora e qualquer erro que possa ter...Também me desculpe se o capítulo não ficou lá essas coisas, eu estava com sono quando decidi fazê-lo, mas só deu para postar agora. É...Eu revisei, mas, tem coisas que passam despercebidas. Muito obrigada por comentarem, meninas! Eu amo muito vocês, minhas queridas irmãs! E até o próximo~!