Light and Darkness
6 Capítulo Cinco
"Lembranças esquecidas que retornam aos poucos em suas adolescências podem ser perigosas para suas vidas. E, também, podem revelar coisas que vocês jamais poderiam imaginar...Até onde um laço de sangue pode ir? Quantos frutos de destruição devem existir até que os humanos estejam satisfeitos? Meu doce Guardião...Proteja-os dessa loucura destrutiva..."
Numa vila praiana ao começo da manhã, mais precisamente num estabelecimento médio e cheio de crianças barulhentas, o silêncio do único cômodo escuro fora interrompido pela voz rígida de uma mulher.
— Garota, você está livre para ir embora daqui.- fora direta após ver que a garota de pele pálida estava acordada e escutando-a.- Está livre de ficar aqui a partir de hoje.- finalizou saindo.
— Heh...- sorrira. Não só ela, como todos do orfanato ansiavam pelo dia em que iria embora. Era inevitável...
Após anoitecer, a jovem arrumara tudo para ir embora daquele lugar, pegara um tanto de dinheiro escondido e saíra sem olhar para trás ou se despedir...Não tinha ninguém mesmo.
Enquanto andava pelas ruas movimentadas, atraía alguns olhares, afinal, era uma garota exótica. Além da pele pálida, seus cabelos longos e negros contrastando com os olhos vermelhos como sangue, tão brilhantes naquela noite escura. O corpo era magro e tinha uma estatura alta, deveria ter mais 1,70 cm de altura. Era dona de uma beleza misteriosa.
— Preciso achar um apartamento para alugar primeiro...- murmurou para si enquanto pensava em como deveria começar sua busca.
— Ei, ei...- ouvira uma voz que lhe interrompera sua linha de pensamento e, instintivamente, olhara para o maldito.- O que você faz sozinha numa rua deserta durante a noite, bonitinha?- perguntou, aproximando-se demais da garota que mantivera a expressão impassível. Só agora percebera que desvira o caminho e, agora, se encontrava numa rua deserta e escura.
— Saia...- dissera com rigidez e frieza na voz. Detestava ser interrompida quando estava pensando.
— Quê isso, bonitinha...- comentou, colocando um braço nos ombros da morena.- Só quero ajudar...
— Sério?- um sorriso diabólico surgiu em seus lábios finos e tão pálidos quanto a própria pele.- Que ótimo saber disso.- sorrira, segurando o pulso do homem e imobilizando-o contra uma parede com nem um pingo de gentileza. Para o azar daquela pobre alma, a morena era mais forte que ele.- Me dê todo o dinheiro que você tiver e estará me ajudando muito.
— Sua...AH...- antes que pudesse terminar a frase que diria, a jovem quebrou o braço dele ao puxá-lo até o limite, silenciando-o com uma mão na boca e já ameaçava quebrar o outro quando tocara no outro braço, puxando-o para trás de suas costas.- Tá bem, tá bem! Eu dou!
— Que bom!- sorrira radiante.- Só me diga onde está que eu pego.
— O que...?
— Onde está a carteira? Pensa que eu vou te soltar assim tão fácil? Não sou ingênua. Só o faria se tivesse quebrado suas pernas.- comentara.- Diga-me logo. Não tenho muita paciência.
— Está no meu bolso da calça!- falou rapidamente e com desespero crescente quando a jovem ameaçara quebrar seu outro braço novamente.
— Obrigada.- pegou a carteira e soltou, porém, antes que o homem pudesse fugir, ela segurou seu ombro, sorrindo.- Devo te recompensar por isso...
— ...- mesmo assustado, o homem sorrira, aproximando-se mais da garota. Seu erro fatal.
— Adieu.- murmurara, mordendo seu pescoço e arrastando as presas pela jugular, fazendo-o jorrar sangue que sujara a rua e o rosto da jovem.- Nada contra...Só não posso deixar testemunhas...- comentara após tirar suas presas de seu pescoço, soltando-o e deixando que afogasse no próprio sangue.- Que entediante...- dissera, antes de pegar todo dinheiro que havia na carteira do homem, jogando-a para ele e, logo após, virar as costas, sumindo em meio às sombras.
— Tem certeza de que ela não sabe mesmo de sua verdadeira espécie?- pronunciara-se uma das duas figuras encapuzadas que surgiram ao lado do corpo do homem.
— Tenho...- respondera a outra.- Ela não se lembrará disso ao amanhecer.
— Sério?
— Sim...O estado atual de ambas as garotas não permite que elas saibam o que são ou deixaram de ser.
— Nossa...- suspirou.- Maldito Guardião que aquela mulher criou...
Sakuya Pov's
Todas estávamos sentadas no chão do nosso dormitório conversando sobre coisas como habilidades, primeiro beijo, sonhos para o futuro e algumas outras banalidades. Isto é, até Izumi-chan nos interromper:
— A Tanya chegou.- disse com simplicidade e sendo direta como sempre fazia. Não era segredo que sua audição era invejável por muitos, então...Nos entreolhamos, confusas e curiosas de saber onde ela estava.- Foi para o quarto...Parecia meio...Estranha.
— Estranha? Como assim?- Inori-chan perguntou.
— Não sei dizer ao certo...Somente parecia meio estranha...
— Deveríamos falar com ela...?- perguntei, incerta sobre o que deveríamos ou não fazer.
— ...- antes que qualquer uma de nós pudesse dizer algo, Hotaru-chan levantara-se, já se adiantando em bater na porta.- T-Tanya-san...Você está bem?- perguntara, indecisa sobre as palavras que deveria usar.- A-Algo aconteceu?
— Hotaru...?- ouvimos uma voz vinda do outro lado da porta, com certeza era a voz de Tanya-chan.- Eu estou bem. Só quero ficar sozinha...- murmurou e não se foi mais escutado nada vindo dela.
— O-O que será que aconteceu com T-Tanya-san?- Hotaru-chan estava extremamente preocupada, isso era algo fofo da personalidade dela.
— ...- Izumi-chan bufou, fazendo com que nós olhássemos para ela com curiosidade.- Katsuo deve ter feito alguma coisa.
— Agora que você disse...- começou Inori-chan.- Eu o vi encarando muito a Tanya e, vez ou outra, ela o encarava também.
— Hum...- murmurei.- Katsuo deve ter feito algo mesmo.- concluí.
— Deve não...Ele com certeza FEZ algo.- Izumi-chan acrescentou, olhando para seu relógio de pulso.- E nós precisamos ir. O horário de recolher está perto de bater.- avisou, segurando o pulso de Inori-chan e arrastando-a para fora.- Até mais, gente!- despedira-se.
— A-Acha que Katsuo fez algo grave?- Hotaru-chan perguntou-me após trancar a porta. Parecia ainda mais preocupada com tudo isso que antes.
— Não se preocupe com isso, Hotaru-chan.- sorri para ela antes de dar um bocejo e me levantar.- Acho que é bom já irmos dormir...- murmurei, seguindo para meu quarto.- Boa noite.
— B-Boa noite.- dissera antes de bocejar e se levantar, seguindo para o próprio quarto.
Tanya Pov's
Confesso...Fiquei surpresa quando ouvi Hotaru perguntar sobre mim. Ela aparentava estar tão preocupada que me incomodava. Tal preocupação fora o suficiente para meu coração de gelo se aquecer um pouco, porém, qualquer magia que tivesse, fora quebrada quando as imagens das lembranças que o Yoshi-sei-lá-o-quê ajudou-me, indiretamente, a recuperar. E, novamente, não pude conter as lágrimas que teimavam em cair de meus olhos.
Involuntariamente, deixei-me escorregar pela parede até sentar-me no chão frio, encolhendo-me e escondendo meu rosto entre os joelhos. Senti quando meu cabelo começou a acariciar minha face quando se soltou de seu coque...Senti quando minhas orelhas de lobo empurraram a bandana que usava em cima da cabeça para escondê-las. E senti quando minha cauda acariciou um de meus tornozelos. Porém, nada disso me importava. Só queria que aquelas imagens se fossem...
A Escuridão, novamente, me embalou em seus braços frios e fora a única testemunha de minhas lágrimas. A única testemunha de meu momento de fraqueza. Um momento que esperava que não ocorreria nunca mais.
Por que essas coisas tinham de voltar somente agora? Eu não preciso mais dessas memórias...Não quero mais respostas do que exatamente ocorreu naquela noite. Não quero que minha mente fique se revirando com tudo isso agora...Não quero...
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