Light and Darkness
7 Capítulo Seis
"Filha da Escuridão, onde se encontra trancado a sua alma? E o seu coração? Não escolha o caminho errado, pequena. Confie no Guardião e ele te mostrará a chave que te libertará..."
Tanya Pov's
Com um suspiro pesado, acordei. Sem pesadelos ou sonhos...Somente a escuridão e o silêncio. Meus olhos dourados encontraram-se com mais escuridão e silêncio ao se abrirem. Olhei no relógio, só quatro e quinze da manhã. Não dormi nada, praticamente. Quem liga, de qualquer jeito? Eu mesma não...
Quando me mexi, desfazendo a posição encolhida ao qual me encontrava, sentira tudo estralar. Meu pescoço doeu com o movimento e senti minha cabeça girar, minha visão escurecendo momentaneamente com a onda de dor que se seguiu à tontura.
Após alguns minutos, tentei a sorte ao me levantar. Quase caí, porém, conseguira manter meu equilíbrio. Minhas pernas estavam bambas e meio endurecidas, mas ainda conseguia me mover sem cair de dor.
— ...- ri com desgosto.- Agora saberemos de quem foi a culpa se eu estiver doente...- suspirei, cambaleando até o banheiro. Ainda era muito cedo, porém, sabia que não conseguiria dormir mais. Sempre foi assim. Tivesse pesadelos ou não, quando acordava não dormia mais. Devo agradecer minha resistência, pois, se não a tivesse em alta, já deveria ter desmaiado faz muito tempo.
Já no banheiro, olhei para o meu reflexo pálido, magro demais e com olheiras pesadas sob os olhos. As orelhas e cauda mexendo-se vez ou outra. Os cabelos negros contrastantes com minha palidez. Os olhos dourados meio foscos. Fazia quanto tempo que tinha perdido o brilho? Acho que fazia anos já...Não lembrava-me da última vez que os vi brilhar de verdade.
— Qual o problema dessas pupilas?- murmurei, encarando meu próprio reflexo. Os olhos cuja as pupilas pareciam as de um gato. Logo quebrei o contato com meu próprio reflexo. Estava com uma aparência horrível. Não que eu já tivesse uma boa aparência...
Com passos lentos, segui para o chuveiro, abrindo-o, já sentindo a água gélida acariciar minhas costas. Respirava mesmo quando água entrava pelas narinas. Por um segundo, fechei os olhos. Flash's de memória me visitaram nesse momento de guarda baixa. O rosto de um homem, olhos vermelhos como sangue, cabelos negros na altura dos ombros e um sorriso horripilante surgiu sob minhas pálpebras. Senti meu interior borbulhar com uma sensação fria...Parecia ódio. Por que ódio?
— Vamos parar com essa loucura.- comentei para mim mesma, abrindo os olhos.- Isso é irritante...
Para não ter mais nenhum flash indesejado, procurei não fechar mais meu olhos ou relaxar demais como fizera antes. Manter-se atenta a qualquer inimigo. Sejam reais ou não. Quando finalizei de lavar meu cabelo e secá-lo, saí do banheiro com uma toalha envolvendo o corpo para me trocar no meu quarto.
Ainda não era cinco e meia quando olhei no relógio após me arrumar. É chato como o tempo parece passar sempre lentamente e de uma forma entediante. Fucei em minha mochila algo que pudesse me divertir, encontrando um livro de capa dura. Era negro com detalhes em prata. Era bonito, porém, não tinha título. Era estranho, mas...Não era ruim. Procurei ajeitar tudo e saí do quarto. Esperaria o tempo passar no refeitório mesmo. Ninguém estaria lá antes das seis e dez. Ainda tinha cinquenta minutos.
— Acho que vou ler um pouco desse livro antes de terminar meu desenho de ontem...- murmurei quando já estava sentada numa mesa mais longe das outras. Era a mesma que ficamos ontem. Abrindo a primeira página do livro, notei que ele estava em inglês. Seria melhor para mim assim.
"Numa época perdida, cuja História esqueceu, Monstros foram surgindo sem explicações um a um. E um caos instalara-se nas vilas Humanas quando eles começaram a atacar. Estavam quase entrando em guerra quando um grupo de Humanos e Monstros encontrou uma forma de Harmonia na criação de duas espécies únicas. Não eram Humanos, mas não eram Monstros também. Eram criaturas feitas de Luz e Trevas.
As criaturas de Luz mantinham a forma e os sentimentos puros dos Humanos na claridade do dia, porém, mudavam de forma e personalidade no silêncio da noite. Tornavam-se criaturas que amavam a carnificina e os gritos de medo e dor.
Já as criaturas de Trevas tinham sua forma e humanidade durante a escuridão da noite e tornavam-se completos demônios na luz do dia. Com prazer em destruir as mentes e corpos de dentro para fora. Perseguir até conseguir ter o prazer de ver o medo nos olhos daqueles que eram sua caça.
Sozinhos poderiam causar a destruição total de Humanos e Monstros, pois eram incontroláveis, porém, juntos, tornaram-se criaturas de Harmonia. Um protegia o Dia e o outro a Noite..."
Quase gritei quando senti alguém assoprar meu ouvido, causando-me arrepios irritantes. Quem me interrompera na leitura?
— Estava tão concentrada que não me viu chegando, darling?— ouvi a voz dele me provocando. Não era necessário olhar para saber quem era. Uma carranca lutava para pintar meu rosto neste momento. Ah, que vontade de socá-lo.
— Estava bom, sabe, Vossa Alteza?— retornei a provocação, olhando-o nos olhos.
— ...- ele riu, estava sentado do meu lado. Como não percebi antes? Devo andar muito fora de ar ultimamente...- Sabe, você me surpreende.- comentou, apoiando o queixo numa mão enquanto me encarava.- Sem medo de me provocar.
— Não vou ser submissa só pelo fato de você ser rico...- sorri minimamente, apoiando o queixo numa mão também para encará-lo.
— ...- ele riu de novo, irritando-me.- Irritante...
— Estúpido.- sorri com desdém.
— Pobretona.- retornou meu sorriso com um provocativo.
— Mimado.- bocejei, propositalmente, sorrindo de forma desafiadora dessa vez.
— Boa língua afiada, mas...- ele se aproximou demais, invadindo meu espaço pessoal. Ai, que vontade de lhe dar uma cabeçada agora...- Será que ela é boa de outra formas?- perguntou, lambendo os lábios enquanto me encarava.
— O quê?- perguntei, confusa.- Isso foi uma ofensa?
— ...- ele me encarou com cara de paisagem antes de gargalhar até quase perder o ar.- Sério que você não entendeu?- neguei, ainda mais confusa com isso.- Ah...Considere que foi uma ofensa mesmo.- dera de ombros.- Suas amigas estão vindo, já vou.- e ele sumiu na minha frente.
— Eu, hein...?- murmurei com uma sobrancelha arqueada.- Bicho doido...
— T-Tanya-san?- ouvi uma voz doce me chamando, logo olhei para encontrar o olhar de Hotaru.
— Sim?- perguntei, observando de canto de olho as outras meninas se sentarem.
— V-Você...Está bem?- perguntou, fazendo-me olhá-la com confusão.- A-Ah! S-Sobre ontem, sabe?- complementou, envergonhada.
— Katsuo fez algo contra você?- perguntou Izumi antes que eu pudesse responder Hotaru.
— Nada demais...- dei de ombros.- Só me ameaçou. Mas...
— O QUÊ?!- perguntaram em uníssono, interrompendo-me.
— M...- tentei novamente, mas elas já começaram a me fazer inúmeras perguntas e ameaças de morte ao Vampiro.- Meninas...- murmurei com a voz profunda, estava irritando-me ser interrompida.- Não é nem ele o problema...
— Como assim?- Sakuya perguntou após se acalmar.
— Umas lembranças indesejadas vieram. Isso abalou meu emocional, nada demais...- dei de ombros.- O Vampirinho não me assusta.- bocejei, notando como o refeitório ficara cheio tão rapidamente.
Notando que não falaria mais nada, elas voltaram a conversar entre si sobre qualquer coisa que lhe viessem à mente. Na maior parte da conversa delas eu estive somente observando o refeitório sem nem prestar atenção.
Quando o sinal tocou, nós fomos calmamente até a classe. Eu, principalmente, parecia uma lesma de tão calmamente. Não tinha pressa em ver a cara dele...Íamos ficar só nas alfinetadas pelo olhar. Ia ser irritante. Uma pena eu não poder lhe dar um soco...Uma pena.
— ...- ouvi uma risada vinda dele quando me sentei, encarei-o, pois sabia que era uma forma de me chamar a atenção.- Se prepare para fazer par comigo na aula de Música.
— Hã...?- perguntei, confusa. Ele enlouqueceu ou o quê? Par com ele na aula Música? Nem!- Como se fosse...- murmurei, logo me virando ao notar que o professor entrara...Ou melhor, professora.
Era uma mulher baixa, cabelos rosas presos num coque impecável, olhos lilases, pele branca e impecável, corpo bem estruturado e cuidado...Era uma mulher bonita. Estava com um terno feminino, porém, sem o blazer.
— Bom dia, meus alunos.- ela sorriu, tinha uma voz suave, serena, e um leve sotaque que comprovava que ela não era japonesa. Talvez francesa. Acho que era uma sereia pela voz dela também.- Vocês sabem que, conforme tinha dito na semana passada, hoje iríamos compor um dueto que vocês iriam apresentar daqui três semanas. Sei que estão animados, porém, eu escolherei as duplas, certo?- mesmo com algumas reclamações, todos pareceram aceitar. Uma voz calmante.
Se ele estava querendo dizer sobre isso...Até parece! São tantos alunos...A probabilidade é quase nula. Hahaha...Pelo menos, deve ser quase nula.
— Tanya?- ouvi a voz dela me chamar, involuntariamente, levantei a mão antes mesmo de cortar minha linha de pensamento.- Minha jovem aluna, como você é nova no Internato, devo colocá-la com Katsuo. Sendo o melhor da classe em minha aula, ele deve ser de grande ajuda para a senhorita, certo?- ela sorriu. Quem era Katsuo mes...Oh, shit. Como a vida pode ser tão...
— Claro, professora.- sorri meio falsa. Tem como as coisas piorarem? Acho que não. Espero que não.
— Não falei...?- ouvi-o sussurrar do meu lado, soltando uma risada baixa.
Como a professora não estava mais olhando para mim, virei para olhá-lo nos olhos. Peguei minha mochila discretamente, fingindo procurar algo somente para tirar minha mão fechada com somente um dedo levantado.
— Holy Crap!— sussurrei meio exclamado, me virando antes de me ferrar. Só o ouvi rir.
— Meus alunos, como é proibido a entrada de garotos no dormitório feminino e vice-versa, quero que aqueles que estão em dupla casal procurem agendar um horário para se encontrarem todos os dias e um local. Agora os outros podem se encontrar nos dormitórios se desejarem.- aconselhou.- Podem sentar-se nas suas devidas duplas para conversarem sobre, por favor?- todos fizeram o que lhes fora pedido em silêncio e passaram a conversar baixo.
— Então...- começou, interrompendo minha linha de pensamento novamente.- Vamos ir aonde?
— Na biblioteca?
— Pra escrever a música até que dá, mas...E ensaiar?- sorriu, apoiando o queixo nas mãos novamente e me encarando.
— Hum...- murmurei.- Atrás da escola perto da fonte e da mini floresta?- falei mais baixo, não queria que roubassem minha ideia.- Lá não é muito movimentado...
— É uma boa.- comentou, sorrindo com certa...Malícia? Algo assim.- Um horário?
— Qualquer um...- dei de ombros.- Sou uma desocupada na vida mesmo...- murmurei, olhando para a janela. De repente, senti frio e tive a sensação de que um vulto passara pela janela. Como? Estamos no...Quarto andar. Era...
— Tanya?- junto do meu nome sendo chamado, recebi um tapa na nuca. Nada forte, porém, assustara. E eu quase gritei pelo susto. Quase.
— Shit!— exclamei baixo, virando meu olhar para ele.- O que foi, Vossa Alteza?
— ...- ele riu.- Boca suja...- comentou.- Só queria saber se uma hora após sermos liberados das aulas estava bom. Que agressiva, darling.
— Tá, tá...- murmurei meio sem interesse. Sem nem mesmo perceber, tinha começado a fazer aquele mesmo desenho de ontem, porém, dessa vez o terminaria.
Era meio sombrio e bonito ao mesmo tempo. Árvores de casca escura e galhos retorcidos com folhas escuras também, solo cheio de plantas mortas e algumas flores de cores escuras. Uma trilha com algumas folhas num caminho que dava para algum lugar qualquer. O Sol ao horizonte de tudo aquilo.
— Desenha bem para uma desocupada.- ouvi-o comentar após finalizá-lo.
— Devo encarar como o quê? Um elogio ou uma ofensa?- sorri meio cansada.
— Encare como quiser, hime-sama.
— Mudou o apelido agora, sweet prince?
— Não sei...Quer que eu mude?- me encarou, sorrindo com malícia de novo.- E você? Mudou o meu?
— Faça como quiser.- sorri com diversão.- Talvez tenha...Talvez não.
Rimos baixo juntos após segundos tentando segurar a risada. Mesmo achando-o irritante na maior parte das vezes, ele sabia ser divertido. Fazia anos que não ria assim com alguém. Nem senti mais parte do frio e peso no coração que tinha. Como se algumas das correntes tivessem se soltado e parte do frio aquecido. Talvez pudéssemos ser bons amigos em algum momento...Ou não.
Pov's Off
— Você acha que vai demorar muito para capturá-las?- uma silhueta feminina sob um manto escuro perguntara para a silhueta mais alta e masculina ao lado.
— Não. Só precisamos uni-las e seus poderes farão o resto.
— Como assim?
— As filhas da Escuridão só precisam estar juntas para que flua o medo e a dor...
— Será difícil com o Guardião, irmão.
— Eu sei...- suspirou.- Mas conseguiremos. Por ele, nós conseguiremos.- e, com isso, ambas as figuras encapuzadas sumiram da entrada do Internato Saint Rose.
Continua no próximo...
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