Light and Darkness
8 Capítulo Sete
"Todos estão a perceber...A Luz e a Escuridão, finalmente, renasceram! Porém...Quem é verdadeiramente confiável? Quem não o é? Tome cuidado, minhas doces crianças. Há alguns cuja o desejo de destruir vocês é o que os movem..."
Katsuo Pov's
Já fazia uns dez minutos que a aula da professora Madeleine havia acabado e o fora substituída pelas aulas desinteressantes do professor Akihito de Japonês, porém, ele deixara-nos ficar nas duplas depois de muitos implorarem com a promessa de que não atrapalharíamos suas aulas. Fazia uns cinco minutos, mais ou menos, que decidi que ia ser divertido e menos entediante encarar a hime-sama ao meu lado e ver quanto tempo ela aguentava sem começar a xingar.
— Tá olhando o quê, Vossa Alteza?— ouvi-a perguntar ao perder a paciência com minha brincadeira.- Perdeu algo na...- arrotou sem querer, fazendo-me sorrir para provocá-la. Normalmente, uma garota tentaria não fazer isso quando estivesse perto de mim...Algo muito tedioso.- Não. Fale. Nada...- ameaçou.
— Não falei...- sorri mais ainda para provocá-la. Os caninos à mostra. Era divertido provocá-la dessa forma. Tão sem paciência...- Darling~.
— You little piece of...- rosnou baixo, perdendo a paciência.
— Olha a boca, baby. Um rostinho bonito como o seu não deve ter a boca tão suja.- brinquei, rindo baixo para não chamar atenção indesejada.
— Ah, é?- perguntou, acalmando-se e dando um sorriso mínimo. Lá vem a melhor cena.- Eu não ligo, sweet prince. So fuck.- deu ênfase no palavrão em inglês, sorrindo torto.
— Anda precisando aprender umas lições de educação, naõ?- me aproximei mais, sorrindo com malícia para ela. Mesmo aparentando ser imune ao sentido das palavras maliciosas que diria por causa dessa inocência toda...Ainda sinto quando ela começa a aparentar desconforto pela aproximação indesejada.- Ser punida, talvez...- encarei seus olhos, mordendo o lábio inferior para deixar mais claro o sentido do que dissera.
— Hã?- ergueu uma sobrancelha, afastando-se um pouco, o máximo que conseguia sem chamar muito a atenção.- O que você quer dizer com isso?- perguntou com desconfiança...Dessa vez não deu pra segurar. Comecei a gargalhar. 17 anos e ela não compreende nem uma brincadeira pervertida tão óbvia?
— Yoshioka e Nakamura!- ouvi o professor gritar com impaciência e irritação. Agora é uma boa hora para um avião passar lá fora, escrevendo nas nuvens um "Se fodeu!" bem grande e visível.
— Sim?- perguntamos juntos ao nos levantar, nos encarando com o canto dos olhos de forma ameaçadora. A culpa era dela por me distrair...
"A culpa era dele por me provocar...", pensava Tanya.
— Os dois...- começou, o tom ameaçador de tão irritado.- Pra fora...Já!- ordenou, apontando para a porta da classe...Todos nos encaravam, confusos com o que tinha acontecido para tal.
— O quê?!- hime-sama perguntou, irritando-se com a ordem.
— Por que?!- perguntei logo após, já estava me irritando também. Ele não tem o direito de nos mandar pra fora sem motivo!
— Por que?!- ergueu o tom de voz.- Ainda perguntam?!- gritou para quem quisesse ouvir.- Vocês dois estão de namorico desde quando eu cheguei!- ouvi alguns resmungos e xingamentos baixos vindos de uma parte das garotas. Irritantes...Hime-sama também pareceu desconfortável com a afirmação. Pude sentir a aura irritada sendo quase inteiramente substituída pelo desconforto e vergonha.- Não param de conversar e rir faz vinte minutos!- que absurdo! Não faz tanto tempo assim.- Só saiam daqui e eu não os perturbarei enquanto namoram!- mais resmungos que todos ignoraram.
— N...- tentara falar algo, porém, a voz dela saíra baixa demais para ser escutada, por isso, pausara para limpar a garganta e retomar o controle de si mesma.- Nós não somos namorados! E não fizemos nada de errado!
— Concordo com a hime-sama...- murmurei alto o suficiente para que aquela gárgula escutasse e outros xingamentos foram direcionados à ela pelo apelido que falei.- Não fizemos nada de errado.
— Ah...Tenha paciência.- ouvi-o resmungar, antes de suspirar e rosnar, parando para pensar se valia a pena brigar conosco.- Última chance...- dissera ao concluir que não sairíamos nem arrastados.- Façam isso de novo e os mando para a diretoria...Esperem até as aulas acabarem para fazer isso!- mais xingamentos e resmungos baixos vindos dessas meninas.
— Fazer o quê?- ouvi Tanya murmurar do meu lado, sentando-se ao mesmo tempo em que me sentava.- Brigar...?
Lutei contra a vontade de rir de novo. Tinha como ela ser mais cabeça de vento que isso? Ai, ai...Mas ela não é irritante para se conversar...Sem risinhos estúpidos, sem medo de xingar qualquer um, sem medo de não ser educada...Talvez pudesse apresentá-la a minha mãe um dia. Ela iria amar conhecer a hime-sama. Como ia...
Pov's Off
Mudando de continente para ir à Europa, mais precisamente em Lyon, na França, um garoto de cabelos castanhos claros até metade da nuca e olhos rosa-arroxeados caminhava sem rumo pelas ruas estreitas. Estava entediado enquanto via o sol sumir e a noite assumir seu posto. Sorrira sem nem mesmo notar, estava bom. A noite esfriava ainda mais esse simples dia de Outono.
Talvez, quando ficasse mais escuro e as ruas esvaziassem, fosse procurar alguma vitima para se alimentar. Só segui-la até sua casa e, quando dormisse, pudesse se divertir e alimentar ao mesmo tempo. Não pretendia matá-la, porém. Somente se alimentar.
Notara, enquanto andava, estrelas movendo-se em direção à Terra. Sabia o que significava o fato delas estarem, simplesmente, saindo de seu conforto para ir para a Terra...O renascimento começara. Era surpreendente imaginar que algo assim começara...Para ele, essa história era uma simples lenda contada por humanos e I.H na esperança de que as futuras gerações não iniciassem uma guerra que destruiria o planeta.
— ...- um suspiro pesado fora ouvido enquanto colocava as mãos nos bolsos do casaco que tinha para esquentar seu corpo.- Não é da minha conta de qualquer jeito...- murmurou, recaindo os olhos sob uma jovem sereia disfarçada de mulher humana. Seguia para um prédio decadente, talvez a casa improvisada. Sorriu, ela seria a presa perfeita para a noite!
??? Pov's
— Olá...- murmurei para a atendente daquele condomínio meio degradante ao me aproximar. Fazia dias que procurava um lugar para ficar por algum tempo...Era minha quinta e última opção.- Posso...Alugar?- perguntei, meio indecisa nas palavras, não era boa conversando com os outros. Nunca me importei...
Notei que estava escurecendo...Sentia-me desconfortável na escuridão da noite, principalmente quando acordei no meio de uma floresta, à margem de um rio, coberta de sangue e dinheiro a mais do que tinha levado. Mesmo desesperada, tentei seguir em frente sem aparentar me importar.
— O preço para alugar sairá por...- arregalei os olhos pera preço...Era caro demais se comparado com o ar deteriorado do local. Mas dava pro gasto...Precisaria procurar um emprego o quanto antes. E outro lugar para passar as noites...- Aceitará?
— Hum...- murmurei, assentindo.- Aceito.
— Certo, tenha um bom descanso, senhorita.- respondera no automático, já entregando uma chave de algum dos quartos.- É o quinto andar.- informara com tédio.
Com um bocejo simples, subi até o quinto andar, como me fora informada, com as escadas ao lado do elevador. Estava cansada...Não sabia os motivos, afinal, não fiz, praticamente, nada o dia inteiro. Mas estava cansada de qualquer jeito...Os dias eram assim...Cansada demais.
Já no corredor, com passos lentos, fui passando de porta em porta, verificando os números até encontrar a minha. Estava no fim do corredor. Porta de madeira velha e desgastada e números que antes eram pintados em dourado, porém, agora estava escurecido. Tudo caindo aos pedaços. Esperava que, pelo menos, o interior não parecesse tão ruim quanto o exterior.
Abri a porta, observando o quarto escuro com, somente, a iluminação fraca do Sol que se punha visto pela janela. Era bonito, entretanto, gostava mais da Lua e das estrelas...Eram mais belas e convidativas para mim.
— O quarto não parece tão ruim...- sussurrei para mim mesma enquanto analisava o que tinha. Havia algumas rachaduras, a pintura estava desgastada e com mofo, os móveis velhos e meio quebrados, a cama era uma de solteiro bem pequena com lençóis finos encostada a uma das paredes, uma cozinha pequena num canto com um armário e uma geladeira velha, uma porta velha de madeira que deveria dar para o banheiro no lado oposto da cama, uma estante e um armário de roupas pequenos num outro canto, uma janela pequena com cortinas meio rasgadas ao lado da cama...Nem sala ou paredes que separassem os cômodos tinha. Era algo meio decadente, mas daria pro gasto.
Com um suspiro cansado, entrei completamente no meu novo lar temporário, trancando a porta atrás de mim e sentando-me na cama dura. Talvez acabasse com a minha coluna dormindo num colchão quase sem forro, porém, meu corpo toda estava cansado demais para reclamar...Não ligaria para isso agora. Talvez depois...Mas não agora. Deitei-me, virando de frente para a parede meio mofada e fedorenta, fechando os olhos e esperando a escuridão me embalar no seu sono confortável...
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