Light Up The Stars

4 Perigo! Altamente Inflamável!


Notas iniciais
Primeiro, peço desculpas pela demora, acabei postando no animespirit e achando que já tinha postado aqui u-u Mas meu maior lema: Eu tardo, mas não falho! Então aqui está um capitulo novinho pra vocês :3
Muito obrigada mesmo pelos reviews, leio cada um com muito carinho e um sorriso no rosto, me sentindo ainda mais motivada a escrever s2
Boa leitura e espero que gostem!
ps. eu brincando de editar fotos, rsrs
ps2. O vestido da Lucy é esse da foto :3
ps3. um milhão de vezes obrigada pela recomendação linda e incrível, além de ser a primeira foi muito bem escrita, e me deixou boba de felicidade!
ps4. gostaram da capa nova?


\"\"



"Às vezes, a coisa mais difícil de fazer é não fazer nada."

__________

Ela não entendia muito bem essa história de gostar, de roupas íntimas, de tabu entre meninos e meninas se trocando um na frente do outro, de corações acelerados e rostos avermelhados, mas seu corpo parecia entender o que seu cérebro não acompanhava, pois sentiu um nós na garganta e uma ardência nos olhos, seguidos por uma pontadinha, mesmo que mínima, no lado esquerdo do peito.

Isso é o que chamam de ciúmes?


– E quem é Lisanna? – indagou, levando inconscientemente a mão direita ao coração, como que para provar a si mesma que nada o alfinetava, apesar das pontadas que sentira. Já se achava tola por pensar que tinha aprendido tudo que seria necessário em sua vida com Stellaire, se sentia iludida. Do que adiantou aprender a se defender fisicamente quando essa avalanche de sentimentos desconhecidos a atormentava?

– Uma amiga. – respondeu simplesmente, ainda tampando a boca de Happy com uma das mãos, já recuperado do rubor que havia tomado seu rosto. E dissera a verdade, Lisanna era apenas uma amiga. Ele mesmo não sabia como se sentia em relação a amiga de infância, apesar de ter sido tomado por uma felicidade sem fim quando a albina retornou de Edolas, quando todos a julgavam morta. Porém, desde que retornara, não era a mesma com Natsu, a amizade de ambos parecia ter esfriado, por mais que ele tentasse se reaproximar dela. Esse foi um dos motivos de sua “misteriosa busca” atrás de um presente para ela, que na realidade não passava de uma promessa que fizeram quando crianças. Ele prometera encontrar uma flor que fosse unicamente e incrivelmente composta por um belo e celestial azul, assim como seus olhos.

– Não vejo a hora de conhece-la. – falou a loira com sinceridade, abrindo um singelo sorriso, por algum motivo sentira um peso sair de seu coração assim que o rosado afirmou que a tal Lisanna era apenas sua amiga. Isso quer dizer que ele não a “ama”? E por que ela se importaria com isso afinal? Um dos poucos sentimentos que Stellaire lhe explicara era o amor, no mesmo dia em que lhe contara sobre a marca de um Dragon Slayer. E ainda assim, não o compreendia direito, talvez fosse porque o único ser vivo que chegara a amar tenha sido a própria mãe, mas a mesma lhe explicara que há diferentes tipos de amor.

– Tenho certeza de que vocês duas vão se dar bem. – abriu um largo sorriso ao libertar um sonolento Happy de seus braços, este resmungou baixinho antes de cair no sono sobre os lençóis muito brancos e macios de Lucy, cansado pela falta de ar que sentira ao ter sua boca tampada por tanto tempo – Eu não acredito que ele dormiu! – exclamou o rosado indignado ao observar o pequeno amigo “desmaiar” de sono ao seu lado, arrancando um risinho baixo de Lucy, ela não queria acordar o gatinho.

– Você foi muito duro com ele, não entendo o motivo de tanto segredo. – declarou, se lembrando da reação do rosado assim que Happy soltou a tão indesejada informação – A casa de vocês é perto daqui? Ele pode dormir aqui se estiver tudo bem pra você..

– Não seja boba Luce, eu sou forte o suficiente para carregar o Happy até nossa casa! – retrucou com um sorriso debochado, mas o tom de voz divertido, sem entender o verdadeiro motivo da pergunta da loira. Ela não queria dormir sozinha. Na verdade, sabia que mal havia passado das onze horas da noite, o que significa que ela estava longe de sentir sono. As estrelas não “dormem” a noite, tem mais o que fazer, é nesse horário que elas brilham, rasgando a escuridão do céu noturno com suas luzes tão belas. Lucy estava longe de sentir sono, e pior do que isso, tinha receio de ficar sozinha agora que parou para pensar nisso. Era esse sentimento que a prendia e a fazia recuar diante do desconhecido mundo da civilização: O receio. Sentiu receio ao caminhar pelas ruas da cidade, sentiu receio ao conhecer Natsu na floresta, sentiu receio ao se ver perto de tantos humanos, e agora, mais do que tudo, sentia receio de ficar naquele apartamento, grande e desconhecido, sozinha. Sem raciocinar direito, assim que notou que o rosado começara a se levantar da cama, agarrou seu pulso com força, o forçando a parar.

– Luce, o que.. – começou, mas parou de imediato ao se virar e se deparar com a expressão no rosto da estrela. Os orbes avelãs brilhavam em um pedido mudo, e os lábios cheios fechados em uma linha fina e trêmula.

– Por favor.. – foi tudo o que ela conseguiu dizer, mas para sua sorte foi o necessário para ele entendesse. Devia ter pensado nisso antes, afinal, como uma garota estranha daquelas poderia se sentir bem dormindo sozinha em sua primeira noite na cidade? O pouco que conhecia sobre a loira já era o suficiente para que se sentisse culpado por não ter pensado melhor sobre isso antes. Como pudera deixar sua nova nakama amedrontada?

Abrindo um largo e reconfortante sorriso, voltou a se sentar sobre os lençóis brancos e macios, se repreendendo mentalmente ao pensar que sua maciez não era nada se comparada a pele de Lucy.

– Boa noite, Luce. – foi tudo o que disse antes de puxar os lençóis para cima e se enfiar entre eles, deixando um sonolento Happy aos pés da cama, e uma Lucy extremamente surpresa. Ele havia entendido o que ela queria apenas com a rápida troca de olhares? E ainda assim, havia levado seu pedido ao extremo, pois tudo que ela iria pedir era para que deixasse o pequeno exceed passar a noite em seu apartamento. Não queria admitir para si mesma, mas saber que o rosado estaria ali era muito melhor. Há anos ela não se sentia segura e protegida assim.

Natsu já dormia profundamente, soltando roncos e suspiros, chamando a atenção da estrela, a fazendo se questionar se todos os humanos dormiam assim, sendo tão barulhentos. Ele havia se deitado do lado direito da cama, o lado virado para o chão, a deixando com o lado da janela, que ainda se encontrava aberta. Seus pensamentos já se dirigiam as estrelas, passar as noites em claro as observando já se tornara sua rotina há muito tempo, mas seu corpo reagia ao oposto, era como se fosse atraído pela presença do Dragon Slayer ao seu lado. Cedendo as vontades de seu corpo, ela se inclinou com cuidado sobre ele, para poder fitar seu rosto, abrindo um sorriso ao analisar seu semblante adormecido, a expressão relaxada e tranquila, agora respirando profundamente. Seus dedos formigavam, dominados por uma vontade incontrolável de toca-lo, e foi o que fez, já não conseguia escutar os “gritos” insistentes de seu cérebro, onde seu subconsciente a mandava parar. Assim que seus dedos tocaram o cabelo róseo e desgrenhado, uma onda de eletricidade percorreu seu corpo, desde a ponta dos dedos até o cérebro, a impedindo de tirar a mão dali. Passou a acariciar o cabelo róseo, desembaraçando alguns nós entre os fios finos e macios, sorrindo divertida e encantada, pois nunca imaginou que fosse ver uma cor tão diferentemente bela nos cabelos de alguém.

E ficou ali, passando as carícias para o rosto relaxado dele, arrancando suspiros satisfeitos do mesmo, que ainda dormia tranquilo, e depois retornando para os cabelos bagunçados, os acariciando com todo o cuidado para não acorda-lo. Era fascinante vê-lo dormir, parecia que toda a energia interminável que ele aparentava possuir quando estava acordado fosse transportada para outro lugar. "Ele fica uma gracinha dormindo, como um anjo..", pensou a estrela, um sorriso doce nos lábios fechados, distraída diante da beleza do humano. Nunca imaginara que um simples humano seria tão interessante.

Depois de horas, que para ela passaram voando, os primeiros raios de sol começaram a nascer, e um bocejo de cansaço escapou de seus lábios. Agora sim estava pronta para dormir. Se virou de costas para o rosado, que ainda dormia tranquilamente, e após fitar o céu uma ultima vez, agora o azul escuro começara a ser raiado por um forte laranja acompanhado de amarelo, sussurrou um “Boa noite” para as últimas estrelas visíveis no céu, e adormeceu.


– Bom dia.. Lu-ce. – sussurrou pausadamente no ouvido da loira, com a voz rouca, provocando um arrepio por todo seu corpo. Sem esperar por resposta, inalou profundamente o cheiro de seus cabelos, já se sentindo inebriado pela doce fragrância. Não iria admitir, mas estava acordado quando sentiu o toque delicado na mesma em seus cabelos, e após as leves caricias, acabou adormecendo. Cada minuto passado junto da novata, o fazia questionar os sentimentos que pensou ter por Lisanna. Em todo o tempo que passou junto da albina, nunca se sentiu tão inebriado, controlado, com um desejo tão grande de toca-la que fazia suas terminações nervosas despertarem e clamarem pelo toque. Seria esse o verdadeiro e instintivo desejo? Algo verdadeiramente selvagem, primordial e indomável? Mas como podia se sentir tão atraído por alguém que acabara de conhecer? A beleza da loira era não era algo ignorável, isso é um fato, mas esse desejo parecia ir muito além disso. Não deveria sentir tais sentimentos pela albina que conhecia há tanto tempo?

Se já não sentisse como se conhecesse a voz como a palma de sua mão, e não estivesse morta de sono, teria pulado em posição de ataque, mas apenas cerrou os olhos já fechados com mais força e mordeu os lábios, reprimindo um bocejo, seu corpo parecia lutar contra o ato de acordar, as articulações doíam de cansaço. Se passara quanto tempo desde que adormecera? Quinze minutos? Tentando ignorar a voz e os arrepios, decidiu voltar a dormir, mas as novas palavras sussurradas a deixaram estática e desperta – Obrigada pelo cafuné, me fez dormir feito pedra.

Mais uma vez, sentiu a forte e incontrolável onda de calor tomar seu rosto, e abriu os olhos de imediato, presenciando a cena em que se encontrava. Agora entendia porque se sentia tão aquecida e confortável apesar de não estar coberta pelos lençóis. Estava deitada na mesma posição em que adormecera, o rosto voltado para a janela e de costas para o rosado, a diferença era que agora este a abraçava por trás, um dos braços entrelaçados em sua cintura, os deixando na famosa posição de “conchinha”. O forte calor que emanava da pele do Dragon Slayer do fogo a manteve aquecida enquanto dormia, mas agora seu rosto parecia se aquecer por um motivo diferente. Se debateu desesperada, se libertando do abraço para se sentar na cama, e o encarar de olhos arregalados. O que ele pensa que está fazendo?

– Ei, não me olhe assim! – protestou, ainda deitado, colocando ambas as mãos abertas na frente do corpo, em sinal de defesa – Você estava tremendo de frio, e a janela tava tão longe.. – deu de ombros, a pequena distância que se encontrava da janela já era o suficiente para lhe dar preguiça – Então a esquentei com o meu corpo.

A frase que foi dita da maneira mais inocente possível com a intenção de tranquiliza-la (ele não queria assusta-la e estragar a possível amizade dos dois, por isso decidiu se fazer de desentendido), acabou a deixando ainda mais constrangida e nervosa. Alguns dias atrás, teria achado isso completamente normal, mas agora, só conseguia pensar nas palavras que martelavam em sua cabeça. “Aquecer. Corpo. Dele. Quente. Abraçados.”, e por aí foi, o rubor em seu rosto já atingia um tom desconhecido de vermelho.

– Vocês se gooooxxtam! – murmurou o exceed enrolando a língua, se pronunciando pela primeira vez enquanto ainda se espreguiçava, havia acordado antes de Natsu e a primeira coisa que viu foi a cena dos dois amigos dormindo abraçados.

– E você é volúvel demais, não acha? – perguntou a loira irritada, quase gritando, enquanto apertava suas próprias bochechas, em uma tentativa inútil de fazer o calor passar – O que você está fazendo comigo? Por que meu rosto está queimando? MALDITO DRAGÃO DE FOGO E SUA MAGIA ESTRANHA! – gritou descontrolada, agarrando os ombros do Dragneel e o chacoalhando com força, o fazendo gargalhar alto, acompanhado de Happy que rolava na cama de tanto rir.

– A única estranha aqui é você! – retrucou, tentando parar de rir, ele sabia que ela havia corado porque ele a deixava nervosa, e isso o dominou com uma felicidade inexplicável – Isso não tem nada a ver com a minha magia Luce, você é a Rainha da Estranheza!

– Aye! – exclamou o exceed, nem conseguia zombar da estrela, pois ainda rolava na cama de tanto rir.

– Não me de um Aye como resposta! Vão embora da minha casa! AGORA! – ordenou, jogando travesseiros nos dois com tanta força que ambos caíram no chão, Happy nocauteado e Natsu ainda gargalhando, os olhos esverdeados já lacrimejavam.

– Ok ok, também não precisa nos agredir! – se deu por vencido, pegando o gatinho desmaiado no colo e saltando até o parapeito da janela em um movimento hábil e rápido, como se fosse a coisa mais simples do mundo – Nos vemos na guilda! Hoje é seu primeiro dia de treino!

Soltando as últimas palavras com um sorriso no rosto, deixou o apartamento pela janela, sendo observado por olhos castanhos raivosos e impotentes.


Assim que se acalmou, Lucy se espreguiçou e se levantou da cama contra sua vontade, ainda sentia como se tivesse dormido por míseros quinze minutos. Como iria se habituar ao “fuso horário humano”? Deu uma boa olhada no seu apartamento, ainda não acreditava que aquele lugar maravilhoso era dela, e apenas dela.

– Nada mal para alguém cujo melhor teto que já teve foi o de uma caverna. – declarou em voz alta para si mesma, soltando um suspiro de cansaço e abrindo um sorriso em seguida, as lembranças de sua vida nas florestas já pareciam tão distantes. Se ela ainda tinha receio em relação a cidade e aos humanos? Com certeza. Mas também tem a coragem que Stellaire passou para ela, e estava decidida a enfrentar esse novo desafio de cabeça erguida. Fora que não passaria por isso sozinha, tinha a Fairy Tail agora. Tocou a marca rosada em sua mão com a ponta dos dedos, sentindo o formigamento agradável que parecia vir dali. “Fairy Tail.”, pensou com carinho, antes de se dirigir ao banheiro para seu segundo banho de água quente, algo que ela ainda considerava a melhor magia já inventada na face da terra. Não havia nem como comparar a sensação de estar mergulhada em uma banheira de água borbulhante e sais com cheiros de frutas, com a sensação de se banhar em um lago gelado, ao relento.

Depois de outro fantástico banho, se enrolou em uma das toalhas brancas e felpudas, mas parou em frente ao espelho, admirada com o próprio reflexo. Outra coisa que a deixava encantada, e que não poderia ser comparado com o trêmulo reflexo que se podia ver nas águas de rios e lagos. Sorriu e fez caretas em frente ao espelho, se divertindo com a simplicidade do objeto, parando apenas quando avistou um objeto prateado sobre a pia. Era de metal e com cerdas macias, talvez Erza tivesse lhe explicado para que servia, mas não conseguia se lembrar, por mais que tentasse.

E tarde demais, se lembrou o que era o tal objeto misterioso. Uma escova de cabelo. E ela a havia comido, deixando apenas as cerdas e a parte de plástico, devorou todo o metal.

Deixando o pequeno ocorrido de lado, pegou algo muito simular a escova de cabelos, porém menor e mais fina, e da cor rosa, seguido de um tubo de pasta cremosa. Hora de escovar os dentes. Abriu o tubo, mas quando o apertou com intenção de testa-lo, não controlou sua força e metade da pasta cremosa espirrou para fora, sujando o espelho, a pia, o chão, suas mãos, e caindo apenas um pouco na escova de dentes. Ela deu de ombros, lavou a pasta que caiu em suas mãos, e enfiou a escova na boca. Uma sujeirinha no banheiro não faz mal a ninguém. Se deliciou com o sabor refrescante e suave de menta, e acabou se empolgando, escovando os dentes por longos trinta minutos. Sorriu satisfeita para seu reflexo assim que terminou de lavar a boca, e deixou o banheiro, rumando para seu quarto.

Inalou fundo a mistura agradável de cheiros que começava a dominar o local, uma mistura do seu próprio cheiro com menta, sais de frutas, madeira e o cheiro de Natsu. Quando abriu o guarda-roupas, o revirou de cima a baixo, sem conseguir decidir qual roupa usar. Nunca se importou em usar apenas as roupas velhas que Stellaire conseguia para ela, tirando o belo colar de safira. Mas desde que chegou a cidade, não pode deixar de reparar que todos se vestiam muito bem, com roupas bonitas, bem cuidadas e coloridas. Acabou por fazer uma bagunça, deixando espalhas pelo chão todas as roupas organizadas por Erza(na verdade ela havia obrigado o Gray a guardar tudo do jeito que ela mandava), com exceção de um delicado vestido branco tomara que caia, acompanhado de um laço branco. O vestido escolhido pela Wendy. Escolheu um conjunto de lingerie qualquer do chão, e o vestiu por cima, sem conseguir decidir o que fazer com o laço avulso. As imagens do dia anterior de compras passaram por sua cabeça como em um filme, e ela logo teve uma ideia, que a fez bater palmas em comemoração. Ela estava gostando dessa coisa toda de se arrumar, banhos com cheiros bons e pastas cremosas com gosto de menta.


O percurso até a guilda era rápido, e descobriu isso ao deixar seu apartamento, que ficava em um pequeno prédio de frente para o rio que cortava a cidade, repleto de barcos. A estrela não estava com pressa, mas foi logo apertando o passo assim que notou muitos olhares voltados para ela, que a deixaram nervosa. Andava tão depressa pelas calçadas de pedra, desviando rapidamente de todas as pessoas, que estava mais para “correr devagar”. Quando avistou a enorme construção e a bandeira laranja, suspirou aliviada. Havia chegado.

Cruzou os portões abertos, e contou até três antes de abrir as portas de madeira, não como Natsu que as abria com um chute, e sim com cuidado, segurando a maçaneta com as mãos tremulas.

Para seu desespero, todos os olhares se voltaram para ela, uma vez que ninguém ali estava acostumado com as portas serem abertas com tanta delicadeza. Ela se forçou a adentrar a guilda, tentando ao máximo ignorar toda a atenção indesejável que recebia, e se dirigiu até o bar ao fundo, sendo recebida pela albina.

– Bom dia Lucy, dormiu bem? – perguntou, com o habitual sorriso gentil no rosto, os olhos tão azuis quanto o céu, enquanto limpava alguns copos do outro lado do balcão do bar.

– B-bom dia Mira, d-dormi.. – gaguejou, constrangida só de lembrar de como acordou, sendo abraçada pelo rosado.

– Que bom, e não precisa ficar nervosa, daqui a pouco você se acostuma. – tentou a tranquilizar, interpretando erroneamente o seu nervosismo – Você deve estar morrendo de fome! Espere aqui que vou pegar algo para você! – exclamou de repente, abandonando o bar e indo para os fundos.

– Não pre.. – tentou começar, mas a albina já sumira de vista, e ela realmente estava morrendo de fome de qualquer jeito, a escova de metal fora um petisco.

Apesar de estar de costas para o resto da guilda, ela ainda sentia os olhares fixos em suas costas, causando arrepios em sua espinha.

Assim como os homens por quem ela passara na rua, os homens e garotos da Fairy Tail ainda se encontravam encantados pela beleza da novata. Estava tão bela que nem parecia a mesma de ontem, o cabelo loiro agora limpo e mais curto escorria pelas costas com apenas uma mecha presa por uma fita branca, o vestido branco tomara que caia possuía um bom decote, revelando seus seios fartos e era justo até a cintura, onde se abria rodado. Tão inumanamente linda, loira, envolta em panos brancos, que mais parecia um anjo caído do céu. Mal sabiam que ela era quase isso.

– Aqui está Lucy, bom apetite! – disse animada, deixando o prato de pão e ovos fresquinhos sobre o balcão, tirando a loira de seus devaneios.

– Obrigada Mira. – agradeceu, os olhos já brilhando de felicidade ao sentir o cheiro delicioso e colocar os olhos no prato bem feito. A fome era tanta, e a comida tão boa, que se esqueceu completamente dos olhares fixos sobre ela.

– Dois copos, por favor. – pediu o homem loiro, dono da cicatriz em forma de raio no olho direito, se sentando em um dos bancos ao lado de Lucy. Recebeu um sorriso de Mira, que o faziam arrepiar-se por dentro, apesar de se manter firme e sério por fora. Assim que a albina se retirou para buscar dois copos de água, ele voltou sua atenção para a loira ao seu lado, que comia rapidamente, saciando a fome pouco a pouco. Ele e a examinou com os analíticos e calculistas olhos azuis, mas não com admiração ou desejo como a maioria dos outros homens fazia, e sim com curiosidade. Queria saber se a novata era realmente forte como todos na guilda falavam insistentemente.

– Lucy? – chamou-a, por fim, e recebeu um olhar confuso em resposta. Ele havia mudado muito desde o “pequeno incidente” que provocou na guilda, onde tentara assumir o posto de Mestre. E ele se orgulhava dessa mudança. Ainda continuava sério e quieto, mas aprendera o verdadeiro significado de fazer parte da Fairy Tail.

– Sim? – respondeu com outra pergunta após mastigar o último pedaço de pão, aguentaria comer pelo menos mais cinco pratos daquele, mas não queria ser inconveniente então se daria por satisfeita. Ela o examinou de volta, desde os cabelos loiros espetados até a estranha cicatriz.

– Que tipo de magia você usa? – perguntou, na lata. Gostava de ser direto. Antes que ela pudesse responder, a albina retornou com um sorrio gentil no rosto, depositando os copos em frente a Laxus, atraindo a atenção do loiro para si, mesmo que por apenas segundos.

Lucy avaliou a cena, ainda pensando em como responde-lo, e acabou abrindo um pequeno sorriso. O julgara frio e sério, mas assim que o estranho loiro colocou os olhos em Mira, um brilho surgiu neles, mesmo que por apenas segundos, feito um flash. Natsu falara sobre ele, se ela se recordava bem. Era o Dragon Slayer da lácrima. Estava ansiosa para conhece-lo!

– Sou a Dragon Slayer das Estrelas. – respondeu calmamente, tomando um gole de suco e se virando para ele novamente.

Mesmo que por pouco tempo, a informação o deixou surpreso, aumento seu interesse pela força da novata. Queria lutar com ela para testa-la, mas não sabia bem como falar isso, ela parecia uma gatinha assustada.

– Esse rabugento de poucas palavras é o Laxus, neto do Mestre. Ele sente muito por te perguntar algo sim sem se apresentar antes! – declarou Mira, brincalhona, lançando um olhar reprovador ao loiro que virou o rosto, visivelmente envergonhado.

– Não tem problema. – sorrindo para os dois, ela se levantou do banco, voltando a atenção para o resto da guilda, que nos poucos minutos em que passara comendo, se enchera. Queria fazer muitas perguntas a Laxus, mas sua intuição dizia para deixar os dois a sós. O pouco que sabia sobre o amor lhe alertava sobre isso, era fácil até para ela ao ver o jeito que o loiro agia perto da bondosa Mirajane. Não queria incomodar os dois.

– Ei, loira! Aqui! – acenou Gray, chamando sua atenção a uma das mesas, se encontrava sentado em uma das largas mesas de madeira, com o peitoral nu e exposto logo cedo, acompanhado de Erza, Wendy, Charles e duas pessoas que ela não conhecia.

Uma garota baixinha, que apesar de possuir um rosto bonito e jovial, tinha o corpo magro e pequeno, os cabelos azuis e rebeldes presos por um lenço laranja, da cor de seu vestido de mangas compridas. Ao seu lado, um garoto de longos cabelos negros e arrepiantes olhos vermelhos, um amontoado de piercings no rosto e roupas negras, lhe dando uma assustadora aparência de roqueiro. Apesar do visual, um sorriso brincalhão estava estampado em seu rosto, enquanto repetia a mesma palavra para a pequena azulada diversas vezes, e com sua boa audição, era audível a Lucy: ”Baixinha, baixinha, baixinha, baixinha! Bai-xi-nha!”, e aquilo parecia deixar a garota possessa, pois o esmurrava com toda a sua força, entretanto, provocava apenas cócegas e mais risadas no garoto.

– Bom dia Lucy, espero que tenha passado bem a primeira noite no apartamento. – a recebeu Erza assim que ela se aproximou da mesa, colocando um dos morangos do prato de bolo que comia na boca em seguida, e voltando a atenção para a loira – Estes são Gajeel e Levy. Se apresentem! – ordenou a ruiva, apesar de já os ter apresentado, fazendo o moreno bufar.

– Muito prazer Lu-chan! Posso te chamar assim? Já ouvi tanto sobre você que sinto como se já fossemos amigas! – disse animada e meio rápido demais, a baixinha chamada Levy.

– Tsc. – murmurou Gajeel, mas tremeu e sentiu as mãos suarem frio devido ao olhar macabro lançado por Erza – Prazer, Gajeel. – disse por fim, se dando por vencido.

– Bom dia Lucy-san! – exclamou a azulada mais nova, o cabelo azul escuro preso em duas maria-chiquinha, usando um vestido branco de babados vermelhos que a fazia parecer uma boneca. A gatinha branca ao seu lado deu um sorriso para Lucy, e logo voltou a comer os biscoitos em seu prato.

– Bom dia pessoal, e muito prazer em conhece-los. – respondeu por fim, sorrindo para todos e cumprimentando os novos conhecidos, encarando Gajeel por alguns segundos a mais, se lembrava dele ser o Dragon Slayer do Ferro.

– Seja bem vinda, me chamo Lily. – a cumprimentou um gatinho preto ao lado de Gajeel, com um sorriso confiante no rosto, só havia dado por sua presença agora. Todos os dragon slayers possuem gatinhos voadores? Todos.. menos ela? Sorriu tristemente em resposta, só conseguia pensar nos gatos voadores, afinal, não sabia o que eram os exceeds.

– Já passei por isso. – murmurou Gajeel de um jeito sombrio, ao notar o olhar triste da loira em direção aos dois exceeds, arrancando risadas de todos e um sorriso de Erza.

– Isso o que? – perguntou confusa. Foi a única que não entendeu a piada?

– Tsc, com o tempo você entende. – finalizou o assunto, voltando sua atenção para a azulada chamada Levy, batendo no alto de sua cabeça e a provocando, o rosto da mesma já se encontrava vermelho de raiva e vergonha.

– Senta aí loira, como foi no apartamento? Pensamos em te fazer uma visita, mas já tava tarde.

– Já está sem roupas? – perguntou, sorrindo debochada, dando o troco por ele chama-la tanto de “loira” – E foi.. bom. – fez uma longa pausa antes da palavra “bom”, ainda se sentia envergonhada pelo ocorrido com Natsu.

– E onde está o Natsu? Ele está atrasado! Desse jeito terei que puni-lo severamente, atrasos não são toleráveis. – indagou a ruiva, mudando o tom de voz para reprovador, cruzando os braços e olhando para a porta.

– Atrasado? Atrasado para o que? – perguntou a loira, curiosa.

– Francamente Lucy, você não presta atenção quando os outros estão falando?

– E-erza, ela não estava quando..

– Não me interrompa. – falou para Gray, ameaçadora – Atrasado para o seu treinamento. Como você nunca participou de uma guilda e não parece ter conhecimento sobre coisas básicas, decidimos testa-la.

– Por “decidimos” ela se referiu a ela mesma e ao Natsu, mas aquela fogueira ambulante concorda com qualquer coisa que envolva lutas, então.. – murmurou Gray, enquanto congelava e descongelava alguns copos que se encontravam sobre a mesa, aparentando estar entediado.

A informação fez Lucy engolir em seco e se sentar a mesa, por medo de cair dura no chão devido ao choque. Testa-la? Treinamento? Ela teria que lutar com eles? Pior.. com a Erza?

Devido ao atraso de Natsu, acabaram ficando por ali por algum tempo, mas aproveitaram a oportunidade para falar mais sobre a Fairy Tail para Lucy, recebendo a ajuda de uma empolgada Mira e um aparentemente desinteressado Laxus, que na verdade queria saber mais sobre a estrela, mas ficaria ali desde que Mira ficasse também, mesmo que estivesse apenas sentado em silêncio.

Contaram para ela sobre Edolas, a outra dimensão onde a magia deixou de existir e de onde Lisanna retornara, deixando Mira com lágrimas de felicidade nos olhos, para depois explicar que era sua irmã, algo meio obvio uma vez que são tão parecidas. Contaram sobre como o Mestre trouxe Gajeel de uma guilda das trevas que derrotaram em uma missão, e sobre como Wendy entrou para a guilda após descobrir que a Cait Shelter na realidade nunca existira. Contaram sobre o terrível incidente na Ilha Tenrou, a deixando perplexa com a informação de que há dragões maus como Acnologia e humanos tão perversos quanto Purehito, e com a dor visível em seus rostos, com exceção de Laxus, contaram sobre o vazio que seus sete anos de ausência deixou na Fairy Tail e em suas vidas. Mudando para um tom orgulhoso, alegre e animado, a contaram sobre como foram campeões dos Grandes Jogos Mágicos há apenas um mês atrás, de como reconquistaram o orgulho da guilda e o posto de mais forte do Reino de Fiore. Mal entrara na guilda e já compartilhava com eles da felicidade de terem sido campeões, já se sentia orgulhosa da Fairy Tail e de seus novos nakamas.

– Com a minha força, não tinha como perdermos. – se vangloriou Natsu, após adentrar a guilda com um chute nas portas, as arrancando dos batentes.

Sem dizer nada, a Titânia o socou com tanta força que afundou o piso de madeira e deixou todos de olhos arregalados.

– Você sabe que eu odeio atrasos. E arrume as portas e o piso. – declarou com a voz firme, se dirigindo até a porta, chamando o resto dos amigos sentados a mesa, sem olhar para trás – Vamos. Já estou ficando sem paciência.

Todos se levantaram de imediato e a seguiram, com exceção de Mirajane, Laxus, Levy e Gajeel, que não fariam parte do treinamento.

“Por favor, que ela não me mate. Por favor que ela não me mate. Por favor!”, pensou a estrela em uma prece desesperada, temendo o treinando da Titânia mais do que qualquer outra coisa.



Três semanas se passaram desde que Lucy se tornou membro da Fairy Tail, e agora, mais do que nunca, ela se sentia em casa. Se sentia membro de uma família, não de uma guilda. E hoje, estava especialmente animada, pois seria a sua primeira missão. Já fortalecera seus laços com os primeiros amigos, e começava a se tornar amiga de outros, todos na guilda se encantavam com a força, doçura e gentileza da jovem estrela. Apesar de delicada no modo de agir, era exatamente o oposto quando estava lutando, e descobriram isso logo de cara, no primeiro dia de treino, semanas atrás.


Flash Back ~


– Pode vir Luce! – chamou o rosado, fazendo um sinal positivo com uma das mãos, parado tranquilamente do outro lado da enorme clareira em que se encontravam, no meio da floresta que contornava Magnólia. Era um lugar muito bonito, as arvores altas e verdes eram escassas apenas ao redor da espaçosa clareira, composta por uma grama rala misturada a terra. Todas as árvores eram repletas de flores muito coloridas, deixando a estrela encantada – ACORDA! – gritou, com um sorriso no rosto, se lançando em direção a ela, as mãos em chamas. Ela estava aparentemente distraída, os orbes avelãs brilhando ao olhar para as flores iluminadas pelo sol, mas assim que ele se aproximou o suficiente para acerta-la com um soco fraco, afinal só queriam testa-la, em um reflexo rápido e instintivo, ela flexionou as pernas pegando impulso e saltou graciosamente, voltando ao chão com um chute preciso bem no meio das costas do rosado, que caiu de cara no chão, comendo areia, e fazendo todos os presentes caírem na risada. Ali estavam, no canto da clareira próximos as árvores: Erza, que observava tudo atentamente para analisar cada movimento, Wendy que fora junto com Charles para apenas observar, Gray que seria o próximo a lutar, Happy que fora junto para torcer e zombar de Lucy ao mesmo tempo, e Laxus, que deixando todos surpresos, apareceu junto de Natsu logo depois que este terminou de colocar a porta da guilda nos trincos.

– Isok..nons..jusdh – murmurou o rosado, a boca cheia de terra, ao se levantar do chão, indignado. Contra sua vontade, ia começar pegando leve com Lucy, e é assim que ela retribui?

– Claro que é justo! – retrucou Gray, ainda rindo – Você a atacou enquanto ela estava distraída!

– Eu sinto muito Natsu! – desculpou-se, aflita, indo até ele para ajuda-lo.

– Tudo bem Luce, não foi nada.. – começou, mas um sorriso mal intencionado apareceu em seu rosto assim que ela estava perto o suficiente, então ele avançou, e desferiu um soco no estômago da loira, a fazendo voar longe.

– Então.. – tomou folego, esfregando o local acertado com uma expressão de raiva – É assim... que vai ser?

O rosado nada disse, apenas fez um sinal com as mãos como quem diz “poder vir”, a provocando. E assim ela fez, arrancando em direção a ele com toda sua velocidade, iniciando uma batalha feroz e empolgante, pois ambos queriam superar seu oponente, se mostrar fortes um para o outro. Queriam impressionar um ao outro.

Lucy se movia elegante e rápida, feito uma tigresa, os reflexos graciosos de um felino, totalmente diferente da gatinha assustada e cheia de receios. Mas era fácil para Natsu bloquear seus ataques, apesar de ter os seus bloqueados também. Ela rodou no ar, esticando a perna pronta para acerta-lo no rosto, mas este desvia no ultimo segundo, se abaixando e se preparando para soca-la no estomago novamente, onde ela parecia estar de guarda baixa, entretanto, ela o para com a outra perna, chutando seu punho cerrado e tomando impulso para recuar.

Após quinze minutos de luta, ambos já começavam a suar e as respirações se encontravam aceleradas.

– Muito bom. – aprovou Erza, os braços cruzados, trajando uma roupa de professora que era um tanto “sensual” demais, uma camisa branca amarrada deixando sua barriga a mostra, com botões demais abertos revelando um exagerado decote, e uma saia de couro preta, acompanhada de meia calça e salto alto, fora os óculos de grau em seu rosto e o cabelo preso em um coque meio solto. Mas disse que era apropriada para a ocasião, uma vez que seriam os “professores” de Lucy.

– Eu não achei que ela fosse tão boa assim, eles nem se quer estão usando magia. – concordou Gray, já se encontrava apenas de cueca, as roupas largadas em outro canto da clareira sem que ele percebesse.

Laxus analisava cada movimento da novata, sem abrir a boca ou se quer piscar, tinha que dar o braço a torcer, ela até que era forte.

– Já está cansada? Se quiser desistir, prometo tentar não rir de você. – provocou o rosado, secando o suor da testa com as costas das mãos e abrindo um sorriso torto, não estava lutando a sério, mas já reconhecia a força da loira. Apesar de que, ao contrário do que ele esperava, se mostrou um sacrifício lutar contra ela, uma vez que não queria machuca-la, e cada vez que seu vestido branco rodopiava demais revelando uma boa quantidade de pele e renda branca, alguma coisa dentro dele se inquietava e queimava, uma vontade demasiada de rasgar o fino tecido e seguir seus mais primitivos instintos. Controlar tais desejos se provou uma tortura sem fim, ele mal conseguia se concentrar na luta.

– Nem pensar. Por que? Você por acaso já quer dar o braço a torcer? – retrucou a provocação enquanto ajeitava seu vestido já sujo e com alguns rasgos, o alisando para baixo, os orbes avelãs presos nos ônix dele. Era como se o rosado despertasse nela uma personalidade completamente diferente da habitual.

– Só nos seus sonhos! – exclamou, rindo, pois apesar de tudo, a luta se mostrara divertida para ambos, e então avançou para cima dela novamente, mas dessa vez com os punhos em chamas, pronto para usar magia.

Não querendo ficar para atrás, ela cerrou os punhos e puxou uma grande quantidade de ar a fazendo arquear suas costas. O movimento familiar fez Natsu parar o ataque de imediato, boquiaberto.

– Rugido do Dragão das Estrelas! – gritou, soltando pela boca uma imensa e poderosa quantidade de magia dourada e raiada de prata, um brilho que parecia capaz de cegar, a consistência mais estranha que os magos ali presentes ja presenciaram, não parecia se igualar ao fogo, nem a algo liquido, solido ou gasoso, era mais como uma mistura, talvez algo próximo do plasma, pois parecia surreal. E era inegavelmente maravilhoso, algo tão bonito ao iluminar a clareira e o rosto de todos ali presentes, que nem parecia um ataque.

Não ficando para trás, o rosado imitou seu movimento, puxou o ar e arqueou as costas com mais rapidez do que a estrela.

– Rugido do Dragão de Fogo! – gritou em resposta, soltando uma enorme quantidade de fogo pela boca, fazendo os rugidos se chocarem, provocando um choque de poder que cobriu ambos os Dragon Slayers, abrindo um buraco no chão e provocando tamanha ventania que fez os magos expectadores recuarem alguns passos, e Gray segurar a pequena Wendy pelo pulso, a impedindo de sair voando.

Ambos se encontravam no fundo do buraco aberto por seus ataques, mais uma vez, em uma constrangedora posição, mas dessa vez invertida, uma vez que era Lucy quem se encontrava sobre Natsu, segurando o rosado contra o chão da cratera que abriram ali, onde seus ataques se chocaram.

– Pronto para se render? – perguntou a loira, esboçando um sorriso vitorioso no rosto. Seu vestido branco agora não passava de algumas tiras de pano queimado, deixando grande parte de seu corpo amostra, mas isso agora pouco importava, o instinto competitivo tomara posse dela.

– Para o seu azar.. – começou, provocante, um sorriso malicioso nos lábios finos, os olhos antes verdes agora negros com as pupilas dilatadas de desejo, tal olhar fez a loira tremer dos pés a cabeça e afrouxar o aperto, e aproveitando essa oportunidade, ele a jogou contra o chão, invertendo as posições – Essa palavra não consta no meu vocabulário.

Eles se encaravam, em silêncio, se comunicando através de olhares, os olhos ônix presos nos avelãs dela. A energia e tensão entre os dois era tanta que pareciam prestes a soltar faíscas. Nenhum dos dois sabia o que pensar ou como agir, mas o desejo em seus olhares era evidente. Nunca haviam se sentido desse jeito.

Os arrancando da aparente “hipnose”, uma voz grave e conhecida os chamou de fora da cratera.

– Natsu? Lucy? – chamou Gray, não conseguiam ver nada devido a fumaça que demorava a se dissipar, então por ordens de Erza, foi até lá ver se ambos estavam bem, apesar de estar mais preocupado com a doce Lucy, que fora obrigada a lutar contra o idiota do cérebro derretido.

A voz os fez voltar a realidade, e ele rapidamente a soltou e se levantou, oferecendo sua mão para ajuda-la a se levantar. O rosto da loira se encontrava ruborizado, o que arrancou um sorriso prazeroso do rosado.

– Parece que eu venci. – declarou, enquanto a levantava do chão, fazendo a loira o encarar indignada.

– E em qual fato você se baseou para afirmar isso? Nós dois caídos e cansados no chão? – indagou irritada, soltando a mão dele rapidamente assim que se viu em pé ao seu lado.

– Mais um minuto de luta e eu teria vencido, Luce. Admita. – a provocou, dando um passo para se aproximar dela.

– A única coisa da qual eu tenho certeza, é de que você é altamente inflamável. – respondeu, suspirando, assim que colocou os olhos em seu vestido branco, que comprara com tanto carinho. Estava destruído, arruinado e chamuscado. Entretanto, apenas ela sabia do duplo sentido em suas palavras. Sim, ele era altamente inflamável. Ele a fez arder tanto por fora, quanto por dentro. Não era apenas o seu rosto e suas roupas que estavam em chamas, e sim o seu coração.



Flash Back off ~



E desde seu primeiro treinamento, ela havia retornado com os amigos naquela mesma clareira todos os dias, nas ultimas três semanas. Ainda não se acostumara com o negócio do “fuso horário humano”, mas se esforçava bastante para isso, tirando rápidos e secretos cochilos no meio da tarde. Os únicos que compareceram a todos os treinos foram o Natsu, e para surpresa de todos, Laxus, que nesse pouco tempo, ganhara imenso afeto pela estrela, como se esta fosse sua irmãzinha mais nova. O que foi motivo de grande ciúmes para os Raijinshuu, que sentiam seu tempo com Laxus ser limitado, mas no fim, acabaram por se apegar a loirinha também. A estrela parecia encantar todos na guilda, sendo as vezes até mesmo motivo de discussão entre homens na guilda, que eram rapidamente silenciados por um violento Natsu, que negava estar com ciúmes logo em seguida. Agora, já fora julgada pronta por Erza para sair em sua primeira missão, o que a fez pular e gritar em comemoração, não via a hora de ganhar dinheiro para pagar seus amigos, e de se envolver em batalhas mais interessantes. Por bem ou por mal, a dupla de dragon slayers a transformou em uma viciada em batalhas, tanto quanto eles.


– LAX-KUN! – gritou contente, um sorriso largo esboçado no rosto, ao se pendurar nas costas do loiro.

– Eu já mandei você não me chamar assim! – retrucou, zangado.

– Não seja tão rabugento! Ou vou ter que chamar a Mi.. – foi silenciada rapidamente pelo Dreyar, que a amaldiçoou nos pensamentos. Desde que o Happy, linguarudo e intrometido, soltara que ele “goooxtava” da albina, Lucy o importunava com essa estória.

– Se você abrir a boca, vou acabar com você. – ameaçou, mas em seguida abriu um sorriso, e deu duas palmadinhas no banco ao seu lado, indicando para ela se sentar. Era de manhã, e estavam sentados no bar da guilda como faziam todas as manhãs, prontos para tomar café, que era carinhosamente servido por Mira.

– Já estão brigando logo cedo? – perguntou Mira, o típico sorriso no rosto, enquanto servia os dois.

– Ele é muito mal humorado Mira-chan, desse jeito nunca vai arrumar uma namorada. – provocou Lucy, o fazendo se engasgar com a comida.

De todos na guilda, apesar de já ter um carinho profundo por cada membro, com exceção de Natsu, ela havia criado maior afeição por Laxus, e divertia-se com as brincadeiras sobre como derretera o coração de gelo do poderoso Dragon Slayer. Sua vida já se encontrava em uma prazerosa rotina, onde Natsu e Happy dormiam em sua casa todas as noites, para que não se sentisse sozinha, e a acordavam de manhã, sempre cedo demais na sua opinião, já que ainda não conseguia dormir a noite. Desde o incidente na clareira, Natsu tinha se comportado aos olhos da estrela, apesar de que na realidade, ele apenas não queria estragar a amizade dos dois, queria se aproximar mais dela, queria saber mais sobre essa “mulher” fascinante, que parecia despertar cada instinto e terminação nervosa de seu corpo apenas com o olhar. E para isso, se fazia de idiota e desentendido.

– Por que? Ele está interessado em alguém? – perguntou a albina, sentindo o rosto corar, de repente incomodada pelo que Lucy acabara de dizer, o que a fez rir.

– Nem se atreva a responder. – a ameaçou, já se recuperando do engasgo, e deixado Mira desapontada.

– Você precisa parar de mandar em mim! – bufou Lucy, fazendo biquinho e cruzando os braços – Eu sou o poderoso dragão de trovão, tomem cuidado, ou vou pifar todos os seus aparelhos eletrônicos. – debochou do loiro, fazendo uma voz grossa e fechando a cara.

– Como alguém tão pequeno pode ser tão irritante? – questionou-se, revirando os olhos azuis e empurrando o prato já vazio para Mira – Obrigado pela refeição. – esboçou um sorriso, o sorriso que guardava apenas para ela, Mirajane.

– LUUUUCEEE! – gritou o rosado, abrindo as portas da guilda com um chute – Está na hora, vamos! Tô empolgado! – declarou, um sorriso de orelha a orelha no rosto, que fez a loira sorrir em resposta, sentindo os joelhos amolecerem.

– Você demorou! – reclamou, brincando, enquanto se levantava do banco – Obrigada Mira-chan, estava delicioso! – agradeceu, antes de voltar sua atenção para o rosado novamente.

– Comporte-se, e não se esqueça, esmague todos eles. – declarou Laxus, um sorriso de canto no rosto, dando dois tapinhas no alto da cabeça da loira, recebendo um abraçado em resposta, que o deixou sem jeito.

– Até depois! – acenou para os dois no bar, seguindo o rosado e o exceed azul, correndo para alcança-los, o cabelo loiro balançando contra suas costas, sendo observada por toda a guilda. Foi seguida de — "Boa sorte Lucy!" — "Eu sei que você consegue!" — "Boa sorte Lu-chan, volte inteira!" — "Boa missão Lucy, comporte-se!". Todos a olhavam com carinho, alegria ou animação, com exceção de um par de olhos azuis, pertencentes a certa albina de cabelos curtos, presa em uma onda de remorso. Se arrependia de ter feito pouco caso das tentativas de reaproximação de Natsu, se arrependia de ter esperado tanto, querendo provar para si mesma até onde ele iria para chamar sua atenção. E agora ali estava ele, indo em missão com sua nova parceira de time, os dois com radiantes sorrisos nos rostos, sua alegria contagiando a todos da guilda, menos ela. Teria sido diferente se ela não tivesse sido tão estúpida? Nunca saberia a resposta, porque nas últimas semanas, ele a deixara de lado pouco a pouco. Ainda conversavam, trocavam sorrisos e abraços, mas o tempo que ele passava tentando conquista-la, agora passava sabe-se lá onde com a novata, fazendo sabe-se lá o que. Os sorriso afetuosos que antes eram direcionados a ela, agora eram guardados para a novata. E um olhar novo brilhava em seus orbes esverdeados toda vez que ele os colocava na loira, um olhar que ela nunca recebera. Uma mistura de desejo e paixão, e ela parecia ser a única a notar isso. Se sentia raiva de Lucy? Claro que não, apesar de tudo, se tornaram boas amigas, não havia como não gostar de Lucy. Ela era tão doce e gentil que praticamente “brilhava”. A única pessoa de quem sentia raiva, era de si mesma.


E assim eles foram, o trio radiante de alegria, em sua primeira missão juntos. A estrela mal se cabia em tanta felicidade e empolgação, ainda mais por saber que seriam aproximadamente três dias junto de Natsu. Seu único receio era o desconhecido, e para seu azar, mal sabia que havia algo lá fora a ser temido. Algo a sua espera.

Com um último sorriso direcionado a guilda que aprendera a amar, partiu em sua primeira missão, sem imaginar as surpresas que a aguardavam.


__________

"Baby, aqui estamos de pé cara a cara

Apenas nós dois trancados em seu abraço

Agora eu entendi isso mal, mas você tem algo de bom

Eu darei para você

O amor que você procura e muito mais"


Notas finais
Espero que tenham gostado! Esse cap foi exclusivamente para mostrar a adaptação da Lucy na guilda, então sinto muito se não ficou tão bom, mas o próximo virá até mesmo com lutas, então preparem-se! Mil vezes obrigada pelos últimos comentários incríveis que vocês deixaram, meus amados leitores *-*
ps. como notaram, o Gajeel não veio da PL, uma vez que não teria motivos para a guilda atacar a FT!
ps2. próximo cap terá uma aparição surpresa o/