Light And Darkness
3 Iced n. 6
Notas iniciais
— É muito difícil você me ouvir? Por que você nunca faz o que eu falo? Por quê? Eu só quero uma resposta.
Se fossem contar do que ela havia acabado de sair, ele tinha razão em querer ter uma resposta. Se Dan não estivesse lá para salvá-la, ela estaria nas mãos de Jubas agora. E vai saber o que aconteceria se estivesse com a Organização.
— Eu achei coisas lindas! Anotações, um quadro, um computador, o lugar de criação dos heartless, a-
— Você o que?!
Ele parou a nave em algum lugar do espaço e olhou-a, estupefato.
— O que foi que eu fiz? Você esperava o que? Que eu entrasse lá e observasse as paredes? Você sabia que alguém iria aparecer por lá, e agradeça por ter sido Exdrance, e não Jubas.
— "Agradeça"? "Agradeça"?!
Outra pessoa furiosa era o que ela não precisava. Mas que havia ganhado. Dan navegou até um mundo e Aria saiu da nave. Sabia quando queriam a sua presença, e quando não era bem desejada.
— Você fala como se fosse um favor. Para falar a verdade, é um incômodo. – A voz era baixa, repleta de raiva. Se ele falasse gritando iam partir para a violência física. — Estou cansado disso. Sempre ter que salvar a sua pele. Você já tem 17 anos, Aria, e onde está a sua responsabilidade?
Ela o olhou, consentindo. Estava sempre fora dos trilhos, sempre em encrenca. Mas não ligava. Do que adiantaria viver a vida de um portador sem descobrir o que fez parte do próprio passado? Era inútil.
— Eu volto quando você pensar um pouco sobre crescer.
Organization mode.
— E você a deixou ir?
— Você reclamaria se eu tivesse feito algo a mais.
— Claro que reclamaria. Ela é minha irmã. Mas não quero que ela saia dos meus limites.
— Então?
Ele bufou. Garota chata... Mas não podia negar que era inteligente.
— Vou fazer-lhe uma visita.
Exdrance riu debochado. Iriam se juntar para um chá na mansão? Hilário.
— A graça de ainda estar vivo te agrada?
— Nenhum de nós está vivo, meu caro ───, nenhum de nós...
Aquele nome... Como ele se atrevia? Não era porque tinha sua confiança que podia fazer o que quisesse.
— Muito menos você, não é? – A voz grossa estava séria, e não hesitaria ir ao seus pontos fracos.
— Não é de você atacar as outras pessoas em uma discussão por causa da pirralha.
— E não é agora que eu vou mudar esse costume, suponho.
Nessa hora, Melzux entrou na sala. Melzux era uma nobody ruiva, tinha um corpo mais ou menos definido; era mais magra do que o normal. Suas curvas eram secas, e ninguém dentro do grupo além de si sentia atração por aquela "beleza". Seus olhos eram escuros, pretos, caso tivesse a honra em vê-la e mais profundos que o abismo de acordo com Aria. A somebody de Melzux já fora amiga de Aria, mas teve de deixá-la por uma mudança radical de vida. Talvez fosse por isso que a outra tinha um modo tão diferente da menor.
— Espero não estar atrapalhando nada entre o casal.
Exdrance continuou com o tom de antes. Atreveu-se a abrir a boca para falar, mas dela não saiu nada. Quem se pronunciou foi Jubas.
— Ele já estava de saída.
— Entendo. – Melzux pegou no braço de Exdrance e sorriu. Adorava sua companhia. — Estamos indo, então... Com licença. – E fez ao seu superior uma reverência, mesmo que ele não se virasse para ver. E ambos saíram da sala, deixando-o a pensar em qual tipo de punição a irmã menor deveria receber.
Aria mode.
— Onde diabos eu estou? Argh.
Aos poucos o vento aumentava forte o bastante para deixá-la com o corpo mais pálido e arrepiado. O lugar era meio obscuro, e havia luzes para que pudesse enxergar bem. Algumas abóboras brilhantes e pisca-piscas pendurados pelas casas. No meio ao que parecia uma praça, havia um chafariz com iluminação verde, uma guilhotina. Em todas as partes (ou, para ser mais exata, todos os quatro lados) havia portões negros de ferro e escadas que davam para casas estranhas, "desuniformes", com rostos, e todas com as luzes ligadas. Poderia ter gente morando por ali... Não é uma boa ideia, pensou. Por ali, e por aqui, pequenas estatuetas, gárgulas, um "prédio" com um relógio que marcava "01:50" da manhã. A lua por aquele ângulo era linda e chamativa, e algo parecia puxá-la para si. Sorriu. E entre tantas casas e luzes, uma passagem, que também parecia ser bastante iluminada, ao menos até onde conseguir enxergar.
Ela segurou os braços... Estava mais frio em tão pouco tempo... Estava... Nevando.
— Neve? – Balançou a cabeça. Os floquinhos caíram e ela espirrou logo em seguida. Mas como toda a desgraça tem um lado bom, Aria suspirou, e o ar saiu branquinho, congelado. Era engraçado, mas ainda assustador.
Mas algo ainda mais gelado que a neve tocou o seu ombro. Era uma mão? O corpo gelou mais. Se ficasse por ali mais um segundo viraria um cubo de gelo. Pelo frio, e pelo susto.
E com um pouco do que ela chamaria de "coragem", virou a cabeça lentamente. ERAM OSSOS! E uma voz falou-lhe algo. Era o mesmo dono da mão.
— Ei, está tudo bem?
Aria deu um pulo para trás, virando o corpo. Não podia acreditar. Era um esqueleto!
— Q-Q-Q-Q-QUEM É VOCÊ?! – Gritou, apontando-lhe o dedo. Aquele esqueleto estranho estava vestindo uma roupa vermelha ainda mais estranha.
— Bem vinda! – Ele respondeu dando um sorriso pouco amigável para quem não o conhecia. — Sou Jack! Jack Skellington.
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