Light And Darkness
4 Welcome, memories // parte 1
Notas iniciais
Dan mode.
— Onde ela pensa que está com a cabeça?
Dan resmungava sozinho em casa que ficava em Twilight Town. Era bem grande por sinal, com vários quartos, banheiros, sala, e bom, o resto da casa. Dividia com Aria. Não chegava a ser uma mansão, mas a segunda maior casa do lugar. Perdia apenas para a mansão na floresta, lugar no qual ninguém se atrevia a ir. Por fora parecia bem grande, mas ninguém sabia como era por dentro. Parecia meio abandonada.
— Ir no castelo dominado pela Organização, sério isso?! – Ele colocara as mãos na cabeça; não sabia se estava com raiva, desesperado ou preocupado. — E como eu deixei ela ir? Eu poderia ter ido junto! E... Ah, eu a larguei num lugar estranho com o rosto machucado...
Mas, por um momento ele parou. Percebeu que estava andando de um lado para o outro do quarto, se desesperando por uma garota de dezessete anos e keyblader. Em alguns meses ela faria dezoito e ainda tinha um irmão maior — por mais que fosse "malvado". Ao contrário dela, ele não tinha ninguém.
Parou em frente ao espelho e observou a si próprio. Era essa a pessoa que vinha sendo nos últimos anos de sua vida? Alguém que servia de babá para uma garota que nem mesmo tinha o seu sangue? Jogou-se na cama e observou o teto...
Não... Aria não tinha ninguém. Jubas nem estava preocupado com ela ultimamente; desde que entrou para a Organização não andou se preocupando com mais nada além de ter poder. Aquele tipo de ser nunca se preocupava com mais nada, com mais ninguém.
Suspirou. Aquela situação era complicada.
— Que merda...
Aria mode.
— Certo... Jack. – Aquele nome lhe parecia estranho, e óbvio. Sorria sempre que pensava. Conhecer um esqueleto que morava na terra do halloween e que se chamava Jack estava no último lugar da sua lista. — E para quê você que o cargo do... Papai...? Como vocês o chamam?
— Papai Cruel. E bom... Estou cansado do halloween! Todos os dias de todos os anos é a mesma coisa. – Ele levantava as mãos e fazia cara de bravo às vezes, mas parava quando percebia. — Nem todos me apoiam, mas os que me apoiam já estão de bom tamanho. Todos mudarão de ideia, eu sei disso.
— Então essa roupa que você está usando é a roupa do natal? — Perguntou. Estava usando aquela roupa desde que a garota chegara.
— Sim! – Respondeu animado. Ele parou, esticou os braços e girou no lugar, mostrando com muito gosto aquele traje vermelho e branco. — O que acha? Foi Sally quem fez! Tem tanto talento! – E continuou a andar.
Sally era algum outro esqueleto? Ou quem sabe algum zumbi. Mas "Sally" era nome de garota! Ou não era?
— É alguma amiga sua? – Arriscou, e estava certa.
— Sally? Sim, uma... Boneca.
Uma boneca? Por Sora... Devia ser estranha, de plástico... Medonha. Ou ele tinha feito um trocadilho? Olhou-o confusa, e seguiu-o até o primeiro portão. Aria recuou.
— Onde dá esse portão?
— Você vai ver! Num lugar maravilhoso! Deixe-me perguntar uma coisa. Como você passa o seu natal?
— Meu natal? Que dia é o natal? – Realmente vergonhoso, mas não sabia, e se sabia preferia não lembrar.
— 25 de dezembro, é claro.
25 de dezembro... É... ela realmente preferia não lembrar.
— Bom, Jack. — Falou com um ar de surpresa. – Como você passa o seu natal? – E só depois de ter feito a pergunta lembrou-se de que ali era a terra do halloween. Todos os dias deveriam ser halloween, até o natal.
— Ainda não passei nenhum. – Confiante, continuou. — Mas pretendo ter muitas crianças felizes, é claro! Com tortas, presentes, doces, vermelho, branco e muitas árvores enfeitadas. Seria ótimo.
Aria refletiu. Era assim um natal? Presentes, doces, enfeites? Felicidade...? Fazia quantos anos que ela não comemorava o natal? Desde os sete anos? Sim, quando tudo mudou, quando as trevas reinaram e...
— Meu natal é assim! – Fazendo gestos, ela tentou explicar uma coisa que agora desejava ter. — Tem muito doce depois da janta, a família se reúne e... – Sorriu, parando com a animação; olhou para o chão. — Todos se abraçam no final.
— Sério?! É isso que fazem? Deve ser lindo, Aria! Quero que o meu seja igual.
— É... – Suspirou. Quando estava prestes a espirrar de novo por conta da neve, foi puxada.
— Vamos! É só passar pelo portão. Você vai receber uma roupa de frio, prometo. Vai ser tão rápido que nem vai notar!
Era certo confiar num... Esqueleto que havia acabado de conhecer? Se bem que ela fazia muito isso, mas uma coisa falava que... Era errado. Só podia ser o sermão que ganhara.
Aria deu um passo para trás e levou um dos punhos ao coração com se estivesse com medo. Franziu as sobrancelhas, preocupada, e notou que a expressão de Jack também mudara em relação à sua.
— Está tudo bem? É o frio?
O olhar da humana levantou-se. Estava agindo estranho. E Dan... Dan estava errado. Ela tinha suas próprias vontades, seus próprios interesses. E ele não sabia de nada sobre isso.
Sorriu forçado, confiante de que Jack era uma 'pessoa' boa e no fundo sabia disso. Ou poderia estar sendo enganada. Não ligava. Há muito estava enganando outras pessoas.
— É, mas quanto antes chegarmos lá, antes ficarei agasalhada, né? – Correu na frente do outro, falsamente animada, prestando bem atenção no que tinha em sua frente. Parou em alguns metros de distância dele. — Vem logo!
— Ótimo! – Gritou dando um pulinho. Jack se animou, seguindo em frente. — Vamos, há muito para se ver.
Fale com o autor