Todos já estavam na mansão Wayne. Os membros da Liga conversavam sobre como mandar os meninos para o tempo dele. Os jovens viajantes conversavam na sala de estar.

– Então. – Disse Samantha para Claire. – Como está lá com a sua “mãe”. – Ela fez as aspas com os dedos.

– Estou me sentindo uma criança de pais separados. É tão deprimente.

Claire olhou para Sam com os olhos marejados.

– Sammy?

– Hum?

– Eu quero a minha mãe. A minha mãe de verdade.

Claire ergueu os braços para abraçar a amiga, mas Sam a impediu.

– Ah, nem vem, Claire.

Claire não se fez de rogada, aproveitou que Jack estava sentado ao seu lado e o abraçou. Jason, Rex e Helena tinham uma conversa mais série no sofá da frente.

– A coisa está ficando séria. – Disse Jason. – Sabe-se lá o que podemos ter alterado no nosso futuro.

Helena assentiu.

– Jason tem razão. Quanto menos tempo ficarmos aqui melhor.

– Mas como vamos embora? – Perguntou Rex.

– Essa é uma boa pergunta.

Helena iria contar sua teoria sobre como voltar para seu tempo quando Alfred entrou na sala trazendo sucos e mini sanduíches. Todos pararam o que estavam fazendo e ficaram em silêncio enquanto Alfred colocava a bandeja na mesinha de centro.

– Mini sanduíches. – Disse Jack alegremente jogando Claire para os braços de Samantha e pegando um.

Eles ignoraram esse comentário.

Claire observou o mordomo ainda com os olhos marejados, fazendo com que ela parecesse uma criança. Ela retirou uma mecha de cabelo arruivado de frente dos olhos verdes e disse sem acreditar:

– Freddie. – Alfred a olhou carinhosamente, mesmo sem conhecê-la. Os lábios de Claire tremeram e ela voltou a chorar. – Oh, Fred.

Claire levantou e o abraçou.

– Alfred. – Ela se afastou um pouco e colocou seu rosto envelhecido entre suas mãos. – Ah, Freddie, olha só você, do jeitinho que eu me lembro. E trazendo mini sanduíches exatamente como fazia.

Os outros também ficaram felizes em rever Alfred, mas nenhum foi mais além do que um cumprimento ou um sorriso.

Alfred tinha morrido há alguns anos no futuro, mas sempre permaneceu vivo na memória daqueles seis, os outros filhos de heróis não tiveram a sorte de conhecê-lo. Ele era sempre tão bom com eles, tão carinhoso e atencioso. Nos últimos anos ele nem trabalhava mais. As crianças iam vê-lo na mansão Wayne quase todos os dias, mas nenhuma era mais apegada a ele do que Helena. Alfred cuidou de Helena desde que era bebê, ele trocou suas fraldas, deu papinha, segurou sua mão quando ela estava aprendendo a andar. Eles passavam longas horas conversando no jardim, jogando xadrez, ou passeando por toda a propriedade Wayne.

O dia passou e uma mensagem foi enviada para o futuro. Todas as precauções foram tomadas para que a mensagem chegassem na devida data. Agora era só esperar pelo resgate.

Selina já queria voltar para casa e, de tanto insistir, Bruce concordou com ela. Eles estavam indo para a nave do Batman, Bruce na frente com as coisas de Selina e do bebê e Sissy atrás com Helena nos braços.

Diana esbarrou com eles no corredor.

– Oi, Batman.

– Mulher-Maravilha.

– Então, onde está sua... Filha?

Bruce fez um sinal de cabeça, mostrando que ela estava ali atrás.

Selina vinha conversando com a filha, que estava com um macacão creme cheio de gatinhos marrons. Foi só então que Diana pode ver o quanto Selina era linda. Ela levantou os olhos verdes brilhantes e se deparou com Diana observando-a, colocou um pouco do cabelo negro para trás, para não incomodar o bebê. Diana fitou Bruce, que nesse momento olhou para trás, para Sissy, e sorriu, ela retribuiu.

Ela nunca tinha visto Batman sorrir tão abertamente para alguém, e ali era o que Bruce era de verdade, nem Batman, nem o playboy Bruce Wayne.

– Até mais, Diana. – Ele disse, tirando-a do transe.

– Ah, tchau. Tchau. – Disse ela para Selina.

– Tchau. – Disse Selina.

–***-***-***-

– A gente não pode comer outra coisa? – Disse Claire, pegando um pedaço da pizza de calabresa e balançando-a no ar.

– Você sabe cozinhar? – Perguntou Shayera. Claire negou. – Tem dinheiro?

– Não aqui.

– Então, não, não podemos comer outra coisa.

Claire lembrou-se de algo que fazia com a mãe. Soltou a pizza na caixa e cruzou os braços e pernas.

– Então eu não vou comer nada.

Shayera deu de ombros.

– Tá bom. Não come.

Claire abriu a boca e fechou. Sempre dava certo no futuro.

– Olha, eu estou de dieta, não como essas coisas. Não é possível que você não tenha uma única folha na sua geladeira. Nem um tomate?

Shayera a encarou dando uma mordida no seu pedaço de pizza. Claire bufou.

– Será que eu posso dar uma volta? Por favor.

– É melhor não. – Disse Shayera, séria.

– Por favor. Por favor, por favor, por favor, por favor, por favor...

– Tá, vai de uma vez.

Claire levantou-se rapidamente e foi embora antes que ela mudasse de idéia. A noite estava fria e a cidade era clara e alegre. Claire ficou encantada com tudo, era tanta coisa diferente no passado. Uma loja chamou sua atenção, era uma loja onde vendiam CDs. Ela entrou. O balcão estava vazio, mas ela foi para a primeira fileira que encontrou, com CDs da Katy Perry, mesmo sendo música antiga, ela a adorava.

Ela olhou alguns álbuns e foi para a outra fileira.

– Santo Deus! – Exclamou um rapaz atrás do balcão quando viu Claire, derrubando uns 30 CDs no chão.

Ele era branco, tinha olhos azuis e o cabelo negro tinha vários cachos, o que para Claire era simplesmente adorável. Não forte como Jason, Jack ou Rex, mas não era magricelo.

Claire correu para ajudá-lo a pegar os CDs.

– Desculpe. – Ela disse. – Assustei você, não é?

O rapaz a olhou, balbuciou algo e terminou de catar os CDs, colocando-os em cima do balcão. Claire fez o mesmo. Ela sorriu e estendeu a mão.

– Sou Claire Stewart.

O rapaz sorriu, sem jeito, e apertou sua mão. Claire percebeu como era quente e molhada.

– Todd Hardwicke.

–***-***-***-

Diana olhava o cardápio no restaurante Holking’s Place. Ela havia convidado Sam, mas esta não aceitou o convite. O lugar era muito bem decorado e iluminado e todos trabalhavam muito bem ali. Seu garçom lhe dava toda a atenção do mundo, como se só existisse ela no restaurante. Ele era um rapaz forte, alto e com um cabelo loiro bem curto.

– Pode me prometer uma coisa?

Diana olhou para o garçom.

– Que tipo de coisa.

– Nada que vai custar muito. Só, prometa que quando eu for o dono do restaurante vai voltar aqui.

– Você vai ser dono do restaurante?

– Vou.

Diana sorriu.

– Tudo bem, eu prometo.

O garçom riu, se aproximou dela e disse baixinho.

– Meu pai não cozinha mais tão bem quanto antes. Eu conheço um lugar ótimo, se a senhorita aceitar esperar só um pouquinho, eu a levo até lá.

Diana sorriu, não acreditando naquilo.

– Por acaso o senhor estaria me convidando para jantar?

O garçom deu de ombros.

– Mais ou menos. Não leve tudo tão a sério.

O que de ruim poderia acontecer? Pensou Diana. Ele era forte, mas ela era mais, nada que usasse força poderia detê-la. E, afinal de contas, ela precisava conhecer alguém novo, depois do que viu entre Bruce e Selina.

– Tudo bem.

O garçom a olhou surpreso, arqueando uma sobrancelha.

– Sério? – Ele perguntou e ela assentiu. – Tudo bem. Espere só um instantinho, eu peço para alguém me cobrir, afinal não está muito cheio, e já volto.

– Ok. Vou esperar lá fora.

– Tudo bem. Até lá.

Diana retirou-se do restaurante e ficou esperando lá fora. Não demorou meia hora e ele já estava ali, com outra roupa, uma mais casual, calça jeans, camiseta branca e uma jaqueta também jeans. Tirando uma chave do bolso, ele abriu a porta de um Camaro azul.

– Senhorita.

Diana entrou, ele logo em seguida.

– Sou Diana Price.

– Olá, Diana. Eu me chamo Matthew Holking, mas me chame de Matt.