– Essa é boa, não é? – Perguntou Todd, animado.

– É ótima. – Respondeu Claire. – Eu adoro essas músicas antigas.

Todd a olhou por um tempo e depois disse, risonho:

– Puxa vida, E.T. foi lançada não tem nem um ano. Você é rápida.

Claire sorriu maliciosa.

– Você nem faz idéia.

Ela deu uma piscadela e o rapaz olhou instintivamente para baixo, dando uma tosse falsa. Claire riu do jeitinho dele. Todd engoliu em seco.

– Bem. – Ele disse. – Qual sua música preferida?

Claire sorriu.

– My Girl. Eu sei que é antiga, mas eu amo essa música. Minha mãe cantava para eu dormir.

Todd sorriu, concordando.

– My Girl não é antiga. – Disse ele. – É um clássico. Que versão você mais gosta?

– A original, claro. – Todd concordou. – E a versão do Tiago Iorc.

– Sério?

Todd foi para o computador, deu uns cliques e logo a versão de Tiago Iorc de My Girl começou a tocar. Claire deu um sorriso para ele e Todd teve a sensação de que naquele momento ele teria um ataque cardíaco. Claire estendeu sua mão direita para ele.

– Dança comigo?

Todd ficou estático por uns segundos e Claire foi obrigada a puxá-lo para mais perto dela. Os dois começaram a dançar no ritmo da música. Claire encostou sua cabeça no peito de Todd e ficou brincando com sua mão. Ela olhou para ele, que olhava para a rua.

– Quantos anos vocês tem?

– Q-quinze.

– Quinze? Eu tenho dezoito e você é mais alto que eu.

Todd deu de ombros.

– Os homens crescem mais nessa idade.

Claire riu.

– Você é um nerd, sabia? Sem querer ofender.

– Não ofendeu.

– Você parece o meu irmão.

Agora foi Todd quem olhou para ela.

– Você tem irmãos?

– Só um, o Rex.

– De onde você é?

– Daqui mesmo.

– Mas eu nunca te vi aqui. Em que escola você estuda?

Claire parou de dançar, não podia contar para ele que era do futuro, seria demais para aquela cabeça nerd dele entender. Ela se separou de Todd e ele ficou parado no mesmo lugar.

– Não quero falar sobre isso. – Disse Claire.

– Tudo bem, desculpe.

A música acabou e Claire virou-se para Todd sorrindo.

– Você canta? – Ela perguntou.

Os olhos azuis de Todd se arregalaram com o espanto.

– Eu? – Ele perguntou, desacreditado. – Não, não canto. Nem pensar. E você?

Claire assentiu. O bip que ela havia ganhado da Liga para eles pudessem estar sempre em contato com os jovens do futuro começou a apitar.

– Ah, droga. Deve ser minha mãe. – Disse Claire, ela olhou o relógio em seu braço. – Já é tarde. Tenho que ir. Foi bom te conhecer Todd Hardwich.

Todd sorriu timidamente.

– Igualmente, Claire Stewart. É...

Claire avançou um pouco, invadindo o espaço pessoal do garoto, ela pretendia lhe dar um abraço ou um beijo na bochecha, mas, por algum motivo desconhecido, ela lhe deu um selinho. Sem sentir vergonha ou arrependimento algum, ela se afastou, sorriu para ele e saiu da loja de CDs. Todd levou a mão aos lábios, não acreditando no que havia acabado de acontecer. Depois de alguns segundos depois da saída de Claire, ele disse:

– É Todd Hardwicke.

–***-***-***-

– É um ótimo lugar, não é mesmo?

Diana olhou ao redor, a praça estava animada e o cachorro quente que ela comia estava delicioso.

– É, Matt, você tinha razão. Acho que esse é o melhor cachorro quente que já comi em toda minha vida.

Matt riu.

– Isso porque voe ainda não experimentou o meu cachorro quente.

Eles deram uma mordida em seus respectivos sanduíches e ficaram olhando para as pessoas que andavam alegremente pela praça. Matt virou-se para Diana, querendo falar algo para ela, mas acabou apenas fitando-a, ela era tão linda. Diana olhou para ele e sorriu.

– O que foi? – Ela perguntou, passando os dedos pela boca. – Eu me sujei?

Matt riu.

– Não, não. Você está impecável.

Diana colocou uma mecha de seu cabelo negro atrás da orelha.

– Então, Matt, você é o que afinal? Garçom ou herdeiro?

– Os dois. Eu sou o herdeiro, filho único, mas meu pai não quer que eu leve uma vida boa, então ele me colocou de garçom. No início eu não queria trabalhar, mas ele disse que ou trabalhava direito, ou ele me deserdava.

Os dois gargalharam em perfeita sincronia.

– E você? – Perguntou Matt, embrulhando o resto do sanduíche e colocando-o ao seu lado. Diana o imitou, mas seu pedaço era maior que o dele. – O que você faz?

Ela limpou as mãos, batendo-as uma na outra.

– Eu sou uma heroína da Liga da Justiça.

– Aham, claro. – Disse Matt, irônico. Mesmo sem perceber, aquele tom de voz causou um pouco de arrependimento em Diana por ter falado aquilo. – Qual o seu o nome de heroína então?

Diana olhou para ele risonha.

– Mulher Maravilha.

Vendo a expressão de ironia no rosto de Matt, ela dobrou as mangas de seu casaco e mostrou seus braceletes. O sorriso de Matt desapareceu e ele tirou os olhos dela, para voltá-los à praça. Diana achou naquele momento que Matt Holking nunca mais iria querer falar com ela, e ela ficou triste por isso.

Mas ele riu e voltou-se para ela.

– Legal. Você pode me levar para uma volta mais tarde? Lá em cima. – Ele apontou para o céu escuro.

Diana riu abertamente, levantou-se do banco e abraçou Matt por trás. Um segundo depois eles estavam voando sobre a cidade.

–***-***-***-

A lua já estava alta e quase todas as luzes estavam apagadas na mansão Wayne. No jardim a iluminação era pouco e tudo o que se podia ver era uma figura felina andando, pulando e finalmente alcançando seu objetivo. Assim que passou pela janela, Selina o viu, levantou da cama sorrindo e andou em direção a janela. Ela pegou o gato no colo pela barriga dele e fez um cafuné em sua cabeça. O gato ronronou.

– Olá, Moira. Como vai a minha garota? Pensei que você não viria nunca.

O bebê no berço próximo a elas soltou um gemido que logo se transformou em um choro. Selina deixou a gata na cama e caminhou para pegar o bebê no colo. Seu berço era decorado com gatinhos em várias posições e seu minúsculo moletom também tinham gatos.

– Oi, minha gatinha. – Selina disse com uma voz melodiosa para a criança. – Está com fome é? Olhe só. – Ela levou o bebê para perto do gato. – Está é Moira, a gata da mamãe. O primeiro gato que você vê.

A porta se abriu de repente, mostrando Bruce. Ele olhou para a cena por uns segundos e depois andou até a cama e tirou o gato de lá.

– O que você vai fazer com ela? – Perguntou Selina, visivelmente preocupada. – Bruce?

– Vou levá-la para um lugar longe da Helena. Ela pode machucá-la.

Selina rolou os olhos.

– Moira nunca a machucaria. Não machuque você ela. E lhe dê algo para comer. Olha, como está magrinha.

Bruce sorriu para Selina antes de sair pela porta. Ele levou a gata até a cozinha e lhe deu algo para comer, logo voltando para seu quarto.

Helena entrou na cozinha, não conseguia dormir muito bem. Ela viu a gata lá e sorriu, como sua mãe, ela tinha um grande apresso por gatos. Ela fez um carinho em sua costa e a gata ronronou.

– Olá. Você está bem?

Helena sentou-se no chão e a gata imediatamente subiu em seu colo. Helena fez um carinho atrás de sua orelha.

– Como é o seu nome?

– O nome dela é Moira.

Helena olhou assustada para a voz na porta da cozinha. Selina ajeitou seu robe e sorriu para a jovem.

– E ela não costuma ir para o colo das pessoas. Você deve ser especial. Se Moira sentou no seu colo, então significa que os gatos adoram você.

Helena sorriu, mais para si mesma. Isso era o que sua mãe sempre lhe dizia. Selina bebeu sua água e logo voltou para o mesmo lugar de onde viera, mas antes parou e disse:

– Amanhã eu vou treinar um pouco. Você gostaria de vir comigo?

Helena assentiu.

– Claro.

Selina sorriu mais uma vez e saiu. Helena acariciou mais uma vez a orelha de Moira e disse mais baixo:

– Claro que sim, mãe.